O Banco Letshego pretende alcançar mais de 500 mil clientes nos próximos cinco anos. A ambição passa pelo reforço da inclusão financeira, pela modernização dos serviços e pela disponibilização de soluções acessíveis às famílias, aos empreendedores e às pequenas e médias empresas. A informação foi avançada pelo presidente do Conselho de Administração desta instituição, David Seie, esta quinta-feira, na Matola, província de Maputo, durante a inauguração de um novo balcão do banco.
David Seie afirma que a abertura da agência representa um compromisso de maior proximidade com a população e os agentes económicos, numa cidade que considera estratégica para o desenvolvimento do país. O responsável defende que a expansão da rede deve traduzir-se em respostas concretas às necessidades dos clientes, através de serviços financeiros adequados às suas condições e aspirações.
“Este momento representa muito mais do que a abertura de um espaço físico. Representa para nós proximidade, confiança e um compromisso renovado com as famílias, com os empreendedores e com as instituições que constroem diariamente o futuro desta cidade e da província de Maputo”, declarou o presidente do Conselho de Administração do Letshego.
O responsável sublinha que a inclusão financeira não deve ser entendida apenas como a abertura de contas bancárias ou a concessão de empréstimos. Na sua perspectiva, o acesso aos serviços financeiros deve permitir que mais cidadãos participem na economia, invistam em actividades produtivas e melhorem as condições de vida das famílias.
“Para o Banco Letshego, a inclusão financeira não se resume à abertura de contas ou à concessão de créditos. Significa permitir que mais cidadãos participem plenamente na economia nacional; que uma família possa investir na educação dos seus filhos; que um jovem transforme uma ideia num negócio; que uma mulher empreendedora amplie a sua actividade; e que uma pequena empresa adquira meios para crescer, criar emprego e gerar rendimentos”, explicou.
O banco iniciou as operações na Matola em Janeiro de 2012 e serve actualmente mais de cinco mil clientes na região, com uma carteira superior a 650 milhões de meticais. Segundo David Seie, estes números reflectem a confiança conquistada junto das famílias, dos empreendedores e das instituições locais.
Para ultrapassar 500 mil clientes nos próximos cinco anos, a instituição pretende melhorar os serviços e introduzir ferramentas que tornem as operações mais rápidas e acessíveis. A transformação digital assume um papel central nesta estratégia, sem afastar a componente humana do atendimento bancário.
“Para concretizar esta ambição, continuaremos a implementar serviços melhores, mais simples, mais rápidos e acessíveis, concebidos para responder às necessidades dos matolenses e de todos os moçambicanos. A transformação digital será central neste percurso”, declarou.
No domínio do crédito, David Seie defende que o financiamento deve ser concedido de forma responsável e acompanhado de informação clara sobre as condições e obrigações assumidas pelos clientes. Através das soluções de poupança, pagamentos e financiamento, o banco pretende apoiar iniciativas produtivas e necessidades concretas das famílias e dos negócios.
“Quando o financiamento é concebido com responsabilidade e acompanhado de informação clara, deixa de ser apenas uma transacção financeira e torna-se uma ferramenta de transformação. Ajuda a melhorar uma habitação, a reforçar um negócio, a enfrentar uma emergência, a adquirir equipamento e a construir maior segurança financeira”, declarou.
BANCO DE MOÇAMBIQUE PEDE ACESSO RESPONSÁVEL
Na mesma ocasião, o director da Filial do Banco de Moçambique na Matola, Bento Baloi, considerou que a expansão da rede de instituições financeiras é importante para facilitar o acesso da população e dos agentes económicos aos produtos e serviços formais. Alertou, contudo, que a abertura de balcões deve ser acompanhada por medidas que garantam a adequação, a transparência e a utilização responsável desses serviços.
“A expansão da rede de instituições financeiras constitui um importante instrumento para a promoção da inclusão financeira, na medida em que contribui para facilitar o acesso da população e dos agentes económicos a produtos e serviços financeiros formais”, afirmou Bento Baloi.
O representante do banco central explicou que a abertura de novos balcões pode favorecer a poupança, dinamizar as actividades produtivas e contribuir para a geração de rendimentos e para o desenvolvimento económico e social. Considera, no entanto, que a inclusão financeira não se mede apenas pelo número de agências ou pela quantidade de produtos disponibilizados.
“A inclusão financeira não se resume apenas à abertura de balcões ou à disponibilização de produtos financeiros. Pressupõe, igualmente, que os serviços sejam acessíveis, adequados às necessidades dos cidadãos, transparentes, seguros e utilizados de forma responsável”, frisou.
Bento Baloi defendeu o reforço da educação financeira, para que os clientes compreendam as características dos produtos, conheçam os seus direitos e deveres e estejam informados sobre os riscos das decisões financeiras. A literacia financeira e a protecção do consumidor, acrescentou, são essenciais para consolidar a confiança da população no sistema bancário.
“É fundamental que a expansão das actividades financeiras seja acompanhada por iniciativas de educação financeira, que permitam aos cidadãos compreender os produtos e serviços disponíveis, os seus direitos e deveres, bem como os riscos associados às decisões financeiras”, declarou.
“Importa reforçar a necessidade de uma concessão responsável de crédito, assente na adequada avaliação da capacidade de reembolso dos clientes, na comunicação clara das condições contratuais e na prevenção do sobreendividamento”, afirmou.
Para Bento Baloi, o crescimento do sector financeiro deve ser avaliado também pelos resultados que produz na vida dos cidadãos, pela melhoria do acesso aos serviços e pela criação de oportunidades para uma participação mais activa na economia formal. A Matola, devido ao crescimento populacional e à diversidade das suas actividades comerciais e industriais, apresenta condições para aprofundar esse processo.
“Esperamos que este novo balcão contribua para facilitar o acesso aos serviços financeiros, apoiando as iniciativas empreendedoras e fortalecendo a relação de confiança entre a instituição e os seus clientes”, declarou o director da Filial do Banco de Moçambique na Matola.
Baloi concluiu que o crescimento sustentável do sector depende do compromisso das instituições financeiras, das autoridades públicas e dos cidadãos, num ambiente de responsabilidade, integridade e respeito pelas normas que regulam a actividade. A inauguração do balcão do Letshego coloca, assim, em evidência o desafio de ampliar o acesso aos serviços bancários sem perder de vista a protecção do consumidor e a sustentabilidade do crédito. A instituição espera, desta forma, consolidar a sua presença local e ampliar o acesso a serviços financeiros formais.