Mais de quatrocentas mil pessoas continuam a consumir água imprópria em nove distritos da província de Gaza. A situação agravou-se com a seca, cheias e inundações que afectaram mais de 220 sistemas de abastecimento. Para mitigar o sofrimento das comunidades, o Governo diz necessitar de construir, com urgência, 200 sistemas de abastecimento de água.
O défice de acesso à água continua a ser um dos principais desafios da província de Gaza, admitiu, nesta quinta-feira, o director provincial da Obras Públicas, João Chivambo, que apontou as zonas rurais com ponto de maior incidência na sequência da dispersão da população.
“A taxa de cobertura de abastecimento de água é 70,03% e a nossa população na província de Gaza é cerca de 1,5 milhão, aproximadamente 1,1 milhão na zona rural, e é onde temos o maior desafio”, explica João Chivambo.
Segundo o responsável, a população não abrangida pela rede de abastecimento ultrapassa 400 mil habitantes. Para reduzir este défice, a província estima que sejam necessários “um pouco mais de 200 sistemas” de abastecimento de água.
As cheias contribuíram para agravar as dificuldades, afectando infra-estruturas de abastecimento de água em vários distritos da província.
No distrito de Chókwè, foram directamente afectados 50 sistemas de abastecimento de água e 101 bombas manuais, segundo Carmindo Chivoze, director distrital de Planeamento de Chókwè.
Dos 50 sistemas afectados, 15 permanecem inoperacionais, estando já identificados para reabilitação. Deste universo, 14 deverão ser reabilitados através da FIBAS e um pelo parceiro Servtech.
Em relação às bombas manuais, Chivoze explica que parte das infra-estruturas já foi intervencionada, embora persistam pontos considerados críticos no distrito.
“Temos alguns pontos críticos”, refere o director distrital de Planeamento, apontando localidades como Sovéia, Candiza, Maluluani, Cumba, Tititi e Mpunguane.
Em Guijá, as cheias afectaram 21 furos de bombas manuais e quatro sistemas de abastecimento de água, havendo ainda registo de contaminação do lençol freático.
Os dados são avançados por Rosa Wate, directora distrital de Planeamento de Guijá, que explica que 11 furos de bombas manuais já foram reabilitados, enquanto dois sistemas de abastecimento de água foram recuperados, nomeadamente os de Empanguane e Ndonga.
A nível dos distritos de Chókwè, Guijá, Massingir, Chibuto e Xai-Xai, foram contabilizados 25 sistemas de abastecimento de água e 207 fontes dispersas afectadas pelas cheias.
Segundo os dados apresentados, 38 fontes dispersas foram reparadas, 22 desinfectadas e dois sistemas de abastecimento de água reabilitados. Apesar das intervenções realizadas, as autoridades do governo em Gaza reconhecem que o problema permanece. A dispersão da população, sobretudo nas zonas rurais, continua a exigir avultados investimentos para expansão das infra-estruturas de abastecimento.