Tomás Salomão deixou um alerta duro em Chimoio. No fim da sessãoda Comissão Política da Frelimo, o quadro sénior disse que a corrupção atrasa qualquer economia e defendeu medidas dolorosas para pôr cobro ao problema.
“Não há desenvolvimento sustentável. Não se podem fazer as coisas de forma sustentável, enquanto o elemento corrupção, seja ele na administração pública, seja ele no sector privado, seja onde for, seja uma regra e uma forma de estar”, alerta.
Para Salomão, nenhum país se desenvolve na base de cartéis. A solução passa por agir e por decisões que doam, mas que tragam ordem.
“Não há economia, não há país que se desenvolva quando as coisas são feitas na base de cartéis e a corrupção aqui e acolá. Não. Então, há que agir para se pôr cobro a isto. Que há de doer, que é preciso tomar medidas dolorosas, que seja.”
A autocrítica veio fortemente. O dirigente admitiu que o problema pode estar dentro do próprio partido e defendeu uma limpeza interna para garantir que só ficam na Frelimo aqueles que reúnem os requisitos.
“Essa é uma actividade interna que o partido tem de fazer, no sentido de em primeiro lugar ver quais são, se eu reúno os requisitos para ser membro do partido. Não há dúvida que há uma limpeza que é preciso realizar-se dentro de nós.”
Outro ponto levantado foi a punição. Para Tomaz Salomão, não faz sentido quem cometeu crime voltar a ter convívio social normal. A exigência é de justiça que sirva de exemplo.
“Não faz sentido que hoje eu roubo, vou ficar alguns anos na cadeia e depois venho cá para fora, passear a minha classe. Este fez este dano social a todos nós e hoje está aí a ter um convívio social como se fosse uma pessoa normal que não é.”
Salomão apelou ainda para que cada membro encare com sinceridade a nova era. “Quem não estiver preparado deve renunciar. A mensagem é de total responsabilidade. Se eu não estiver preparado para fazer face a este desafio, então é melhor que eu diga: olhe, eu não estou preparado.
Prefiro retirar, renunciar ou ir embora, mas não fique aqui a fazer confusão”, anota.
Sobre Cabo Delgado, Tomaz Salomão disse que é preciso minimizar o sofrimento da população e que não se pode perpetuar 10 anos de guerra. Todas estas contribuições seguem agora para o Comité Central, que se reúne no dia 26 de Agosto aqui, em Chimoio.