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O País – A verdade como notícia

RDC: Chegada de vacinas Ervebo marca tentativa de contenção do surto de Ébola

A República Democrática do Congo (RDC) recebeu, na noite de sexta-feira, um carregamento contendo mais de 16 mil doses da vacina Ervebo. A chegada do fármaco ao aeroporto de Kinshasa representa um passo crucial no combate ao 17.º surto de Ébola da história do país, numa altura em que as autoridades sanitárias alertam para uma progressão exponencial da doença.

O lote, composto especificamente por 16 250 doses, foi recepcionado sob a vigilância das autoridades locais, num cenário de crise humanitária complexa. Declarado oficialmente a 15 de Maio, este surto de Ébola  que já terá causado 2 516 mortes entre os 5 290 casos confirmados tem-se revelado um desafio de difícil gestão para as equipas de saúde.

A precariedade das infraestruturas médicas e a persistente instabilidade provocada por grupos armados nas regiões do norte e do leste do país constituem obstáculos significativos ao controlo da epidemia.

A vacina Ervebo, produzida na Alemanha e desenvolvida pela empresa farmacêutica Merck, é actualmente a única aprovada contra o Ébola. Contudo, a sua aplicação neste surto particular levanta questões científicas importantes: o fármaco é eficaz contra a estirpe Zaire, mas não existe confirmação absoluta da sua protecção contra a estirpe Bundibugyo, que é a que circula presentemente na RDC.

Samuel Roger Kamba, ministro da Saúde da RDC, sublinhou a importância do recurso a este medicamento, referindo que o mesmo “já foi usado diversas vezes”, nomeadamente durante o surto de 2018-2020. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem, contudo, uma estratégia cautelosa. De um total de 70 000 doses destinadas ao país, 20 000 foram alocadas para a realização de ensaios clínicos, enquanto as restantes 50 000 serão direccionadas para os profissionais de saúde e equipas que se encontram na linha da frente.

Os especialistas esperam que os dados, até ao momento derivados principalmente de ensaios em animais, se traduzam numa protecção cruzada eficaz em humanos. “Está a crescer exponencialmente”, alertou Julien Harneis, coordenador sénior da ONU para o Ébola, sublinhando a gravidade do panorama actual.

 

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