A Polícia da República de Moçambique (PRM) recorreu ao uso de gás lacrimogéneo para impedir uma marcha de membros e simpatizantes da ANAMOLA, que pretendiam percorrer algumas artérias da cidade de Quelimane, na Zambézia, no âmbito das celebrações do primeiro aniversário do partido.
A marcha estava prevista para depois dos discursos no campo da Sagrada Família. Os manifestantes já se encontravam posicionados no local, aguardando apenas a chegada e orientação do presidente da ANAMOLA, Venâncio Mondlane.
A presença policial nas principais avenidas de acesso à cidade já fazia antever dificuldades para a realização da marcha. Agentes da PRM encontravam-se posicionados e em circulação nas vias, numa aparente operação destinada a impedir o avanço dos manifestantes.
O cenário agravou-se quando a polícia efectuou disparos de gás lacrimogéneo contra os participantes. Muitos membros e simpatizantes da ANAMOLA inalaram o gás, numa situação que gerou momentos de tensão e dispersão dos manifestantes.
O uso do gás ocorreu a escassos metros do local onde decorria o comício, próximo de um centro de saúde, situação que também suscitou preocupação entre os participantes.
Disparos a parte, durante o discurso que marcou as celebrações do primeiro aniversário da ANAMOLA, Venâncio Mondlane manifestou preocupação com o que considera ser uma alegada onda de perseguição e assassinatos de membros e simpatizantes do partido.
“Os nossos homens que andam a tombar, é por causa de uso de qualquer maneiros da UIR, estão a denunciar que afinal de conta são eles que andam a eliminar, a matar aqueles que pensam diferente” disse Venâncio Mondlane que Perante o cenário, o líder da ANAMOLA anunciou o lançamento de uma campanha nacional que, segundo explicou, pretende sensibilizar a sociedade moçambicana para a necessidade de pôr fim às mortes, perseguições e actos de violência contra membros da sua formação política.
Mondlane voltou igualmente a defender a necessidade de um diálogo nacional inclusivo, como mecanismo para enfrentar os principais problemas políticos e sociais do país. “ O diálogo nacional inclusivo veio apartir de uma carta que o Venâncio escreveu quando estava fora do país, de vinte pontos para existir o tal diálogo. Agente só oferece e podem não nos por lá”.
As celebrações do primeiro aniversário da ANAMOLA em Quelimane ficaram, assim, marcadas pelos discursos da liderança do partido e pelo confronto entre a intenção dos seus membros de realizar uma marcha e a intervenção da Polícia, que impediu a saída dos manifestantes do local do comício.