Os zambianos vão às urnas esta quinta-feira para eleger o Presidente da República e os representantes parlamentares, naquela que será a oitava eleição geral do país desde o regresso à democracia multipartidária, em 1991. A economia surge como a principal preocupação dos eleitores.
O Presidente Hakainde Hichilema e o seu partido, o Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND), procuram conquistar um novo mandato de cinco anos, defendendo que precisam de mais tempo para consolidar as reformas económicas iniciadas depois de assumirem o poder. O actual Governo herdou uma dívida externa estimada em cerca de 19 mil milhões de dólares.
Apesar de alguns sinais de recuperação económica, muitos zambianos afirmam que ainda não sentiram melhorias significativas nas suas condições de vida. O desemprego, sobretudo entre os jovens, continua elevado e constitui uma das principais preocupações da população.
A analista política Leah Mitiba considera que o resultado das eleições permanece imprevisível e poderá depender, em grande medida, do nível de participação eleitoral. Segundo a especialista, uma elevada afluência às urnas, semelhante à registada em 2021, poderá traduzir-se numa forte mobilização dos eleitores contra o partido no poder.
Por seu turno, o economista Trevor Hambayi considera que o Executivo já dispôs de tempo suficiente para apresentar resultados mais concretos na economia. O especialista entende ainda que a Zâmbia não conseguiu aproveitar plenamente a subida dos preços internacionais do cobre, principal produto de exportação do país, para acelerar a recuperação económica.
Com cerca de 70 por cento da população zambiana com menos de 30 anos, o voto da juventude deverá assumir um papel decisivo na definição do próximo Governo. O desemprego, o custo de vida e as perspectivas económicas poderão, assim, ser determinantes para o comportamento dos eleitores nas urnas.