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O País – A verdade como notícia

OMS recomenda ensaio clínico de vacina contra vírus Bundibugyo na RDC

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a realização de um ensaio clínico na República Democrática do Congo (RDC) para avaliar a eficácia da vacina Ervebo contra o vírus Bundibugyo, que se propaga actualmente naquele país.

Segundo especialistas, a vacina, a única licenciada contra o Ébola, poderá oferecer algum nível de protecção contra a doença. O grupo consultivo técnico da OMS sobre investigação de vacinas recomendou a realização do ensaio clínico na RDC e a organização afirma estar a trabalhar com parceiros para iniciar o estudo o mais rapidamente possível.

A vacinação deverá concentrar-se nas zonas mais afectadas pelo surto, particularmente nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, no leste do país.

Dados do Ministério da Saúde da RDC indicam que o surto já provocou 4.053 casos e 1.850 mortes. Mulheres e crianças, sobretudo na província de Ituri, considerada o epicentro da epidemia, estão entre os grupos mais afectados.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que mais de 300 crianças tenham morrido desde o início do surto. As crianças representam cerca de um quarto dos casos confirmados e quase um terço do total de mortes registadas.

A epidemia está também a afectar o funcionamento dos serviços essenciais de saúde. O receio de contrair a doença tem levado muitos pacientes a evitar os hospitais, agravando a pressão sobre um sistema de saúde já sobrecarregado.

As mulheres grávidas estão entre as mais vulneráveis. Em Ituri, as mortes maternas terão quase duplicado desde o início do surto, com cerca de seis mulheres a morrerem por semana devido a complicações relacionadas com o parto. A infecção pelo Ébola durante a gravidez continua igualmente associada a uma taxa muito elevada de perda fetal.

A OMS descreve o surto como uma das formas de propagação mais rápidas já registadas e alerta que o número real de casos poderá ser significativamente superior aos dados oficiais, devido à dificuldade de identificação e notificação de todas as infecções.

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