O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, apelou aos países africanos para reforçarem a cooperação na gestão das questões migratórias, defendendo uma resposta coordenada às causas que estão na origem dos fluxos de migração no continente.
Discursando na segunda-feira perante o Parlamento Pan-Africano, órgão legislativo da União Africana, Ramaphosa afirmou que os Estados africanos devem trabalhar em conjunto para enfrentar problemas como os conflitos, a instabilidade, a pobreza e a discórdia social, factores que alimentam os movimentos migratórios.
O apelo surge numa altura em que a África do Sul enfrenta uma vaga de protestos contra a imigração, durante os quais grupos anti-imigração responsabilizam os imigrantes em situação irregular pelo desemprego, pelo aumento da criminalidade e pela pressão exercida sobre os serviços públicos.
O Chefe de Estado sul-africano advertiu que a circulação transfronteiriça descontrolada pode comprometer a segurança e a ordem social, sublinhando que nenhum país africano conseguirá responder, isoladamente, a este desafio.
Pretória tem igualmente sido alvo de críticas por parte de vários governos africanos, na sequência de ataques contra cidadãos estrangeiros residentes na África do Sul.
Na semana passada, um cidadão nigeriano morreu sob custódia policial na Cidade do Cabo. O Governo da Nigéria acusou as autoridades sul-africanas de recorrerem a “tácticas abusivas” que terão conduzido à morte do seu cidadão.
Segundo informações disponíveis, pelo menos quatro migrantes perderam a vida na recente vaga de violência, embora alguns governos africanos sustentem que o número de vítimas mortais poderá ser superior.
Ramaphosa classificou os ataques como “tristes e abomináveis” e manifestou pesar pelas vidas perdidas. O Presidente reiterou ainda a oposição do seu Governo a qualquer forma de ódio contra cidadãos estrangeiros, xenofobia ou afrofobia.
Nos últimos dois meses, dezenas de milhares de migrantes africanos abandonaram a África do Sul, contando com o apoio de países como o Gana, a Nigéria e o Malawi nos processos de repatriamento dos respectivos cidadãos.