O antigo presidente da Câmara de Manchester, o trabalhista Andy Burnham, foi ontem nomeado primeiro-ministro britânico, o culminar de um percurso político marcado por uma forte ligação ao norte de Inglaterra.
Aos 56 anos, Burnham chega ao cargo após ter regressado há apenas um mês ao parlamento como deputado, condição essencial para disputar a liderança trabalhista e assumir a chefia do Governo.
Após ter renunciado à liderança de Manchester, disputou em Junho o mandato de deputado em Makerfield e a vitória eleitoral significativa face ao avanço da direita populista, num contexto de desgaste do executivo liderado pelo também trabalhista Keir Starmer, reforçou a percepção interna de que Burnham seria capaz de alargar o eleitorado do ‘Labour’ (Partido Trabalhista), incluindo em zonas tradicionalmente mais conservadoras.
Analistas e apoiantes destacam a sua capacidade de comunicação e de empatia com os eleitores, pontos fracos do antecessor.
Defensor de um “socialismo pró-negócios”, tem-se afirmado como uma alternativa dentro do partido, com uma linha política mais interventiva do que a da anterior liderança.
Nos últimos anos, criticou medidas de contenção social e posicionou-se contra o que classificou como “desregulação, privatização, austeridade e ‘Brexit’ [a saída britânica da União Europeia]”.
Em intervenções nas últimas semanas, prometeu uma política de descentralização com três prioridades: reforma dos serviços públicos, reindustrialização e regeneração territorial.
Burnham defende maior controlo público sobre sectores como água, habitação e transportes para reduzir custos para famílias e empresas, valorização dos negócios britânicos nos contratos públicos e formação profissional para os jovens.
A medida mais distintiva será a criação de um gabinete de primeiro-ministro em Manchester para promover a redistribuição do poder.
Burnham ganhou projecção nacional durante a pandemia de covid-19, período em que liderou a contestação a medidas governamentais consideradas insuficientes para apoiar empresas e trabalhadores no Norte de Inglaterra, o que lhe valeu o epíteto de “rei do Norte”.
À frente da Câmara da Grande Manchester desde 2017, cargo para o qual foi reeleito por larga margem, destacou-se pela reforma dos transportes públicos, com a integração de autocarros, eléctricos e comboios numa rede articulada com tarifas acessíveis.
Natural de Liverpool, Andrew Murray Burnham nasceu a 07 de Janeiro de 1970 e cresceu entre esta cidade e Manchester, sendo conhecido universalmente pelo diminutivo “Andy”, que figura inclusivamente nos registos oficiais.
Filho de um técnico de telecomunicações e de uma recepcionista de um centro de saúde, aderiu ao Partido Trabalhista aos 14 anos, influenciado pela greve dos mineiros de 1984-85.
Licenciado em Inglês pela Universidade de Cambridge, foi eleito deputado por Leigh em 2001, mandato que exerceu até 2017.
Durante os governos trabalhistas, desempenhou vários cargos, incluindo ministro da Cultura e ministro da Saúde entre 2005 e 2010.
Burnham tentou por duas vezes liderar o Partido Trabalhista, tendo sido derrotado nas eleições internas de 2010, por Ed Miliband, e de 2015, por Jeremy Corbyn.