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O País – A verdade como notícia

Pelo menos um morto e 120 desaparecidos ao largo da Mauritânia

Pelo menos uma pessoa morreu e 120 estão desaparecidas após dois acidentes ao largo da costa da Mauritânia registados no fim-de-semana com barcos onde viajavam migrantes, anunciaram ontem as autoridades locais.

Segundo avançou nas redes sociais o Ministério das Pescas do país, a primeira operação de busca e salvamento foi iniciada após ter sido recebido um pedido de socorro de uma embarcação com “aproximadamente 160 pessoas a bordo” que tinha partido de Banjul, capital da Gâmbia, e se dirigia para as ilhas Canárias, em Espanha.
“A embarcação teve um problema e ficou sem combustível, ficando à deriva em águas internacionais antes de entrar em águas territoriais mauritanas”, explicou o ministério.
Neste caso, as equipas de busca resgataram 37 pessoas – 22 senegaleses, sete gambianos e oito guineenses – além de terem recuperado um corpo no mar.
A embarcação, adiantou o ministério, “passou cerca de 25 dias no mar”, tendo os sobreviventes relatado terem estado “à deriva durante cerca de 10 dias”.
Todos disseram também que ficaram sem água e comida, o que os obrigou a beber água do mar.
“Suportaram condições extremamente difíceis”, lamentou o ministério mauritano, garantindo que as buscas pelos passageiros desaparecidos continuam.
As autoridades referiram ainda que os sobreviventes já foram levados para terra, especificamente para o porto de Nouadhibou, de onde sete foram transferidos “de urgência” para um hospital para “receberem os cuidados médicos necessários”.
Além disso, sublinhou o ministério, uma segunda operação foi realizada no fim de semana, tendo sido resgatadas 179 pessoas – 168 senegaleses, cinco ganeses, quatro gambianos e dois malianos –, algumas das quais também tiveram de ser levadas para um hospital para tratamento, embora não tenham sido adiantados pormenores sobre a gravidade do seu estado de saúde.
A Mauritânia é um país de trânsito central e ponto de partida crucial da Rota da África Ocidental (ou Rota do Atlântico).
Migrantes oriundos de países subsaarianos (como o Senegal e a Gâmbia), muitas vezes com o auxílio de redes de tráfico humano, utilizam a costa do país para realizar travessias marítimas até às ilhas Canárias, o que representa uma distância oceânica que varia entre 100 km e 1600 km.
A travessia é feita em embarcações precárias e superlotadas, conhecidas localmente como pirogas.
Esta rota migratória é considerada uma das mais letais do mundo, devido aos fortes ventos, correntes marítimas adversas e à fragilidade das embarcações, o que resulta com frequência em naufrágios e desaparecimentos.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) refere no seu ‘site’ que cerca de 6600 pessoas morreram ou desapareceram nesta rota desde 2014, um número inferior apenas ao registado na rota do Deserto do Saara – que ligação para os migrantes da África Subsaariana que tentam chegar ao Norte de África e, posteriormente, à Europa através do mar Mediterrâneo ou do oceano Atlântico –, onde foram documentadas mais de 7100 mortes e desaparecimentos.

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