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Inácio Saúre apela ao fim da violência 

Durante a cerimónia fúnebre de Dom Osório Citora Afonso, o Arcebispo de Nampula, Inácio Saúre, lançou um forte apelo à reflexão sobre as circunstâncias do assassinato do prelado, estabelecendo um paralelo entre a sua morte e a traição de Jesus Cristo, tal como narrada nos Evangelhos.

Na sua homilia, o religioso afirmou que Dom Osório foi entregue à morte “num gesto não de amor, mas de ódio”, evocando a figura de Judas Iscariotes, o discípulo que traiu Jesus. Citando passagens bíblicas, destacou a dor provocada pela traição de alguém próximo, sugerindo que existem elementos que apontam para o possível envolvimento de pessoas do círculo de confiança da vítima.

“Há fortes indícios”, declarou o sacerdote, acrescentando que, caso se confirme a participação de pessoas próximas no crime, o facto constituirá “um grande escândalo”.

Apesar da gravidade das suspeitas, o líder religioso rejeitou qualquer discurso de vingança, defendendo antes a necessidade de misericórdia e conversão. Segundo afirmou, quem comete um assassinato não age como uma pessoa livre, mas como alguém dominado pelo mal e necessitado de redenção.

A homilia serviu igualmente para enaltecer o percurso pastoral de D. Osório, apresentado como um homem que viveu plenamente a sua missão de serviço à Igreja e à comunidade. O orador sublinhou que o bispo compreendia o sacerdócio como uma entrega total aos outros e que acabou por dar a vida de forma trágica, sem jamais ter procurado tal destino.

Num dos momentos mais marcantes da intervenção, o religioso apelou para que a morte de Dom Osório represente um ponto de viragem na sociedade moçambicana, marcada por episódios de violência e assassinatos.

“Que este assassinato seja o ponto final desta prática vergonhosa e pecaminosa”, defendeu, manifestando o desejo de que o país abandone definitivamente a cultura da violência e da eliminação física de adversários.

A cerimónia ficou marcada por momentos de profunda emoção, num ambiente de consternação e homenagem à memória de D. Osório, cuja morte continua a suscitar inquietação e exigências de esclarecimento por parte da sociedade.

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