O custo de vida disparou em Maio no País, impulsionado sobretudo pela forte subida dos preços dos combustíveis e pelo encarecimento dos transportes.
Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que os preços dos bens e serviços aumentaram 2,32% apenas num mês e estão, em média, 7,22% mais altos do que estavam há um ano.
O aumento dos preços dos combustíveis foi o principal factor por trás da subida generalizada dos preços, afectando directamente o transporte de pessoas e mercadorias e, consequentemente, o preço de diversos bens e serviços.
“O País registou, em Maio de 2026, uma inflação mensal de 2,32%. A inflação acumulada situou-se em 5,19% e a homóloga em 7,22%”, lê-se no relatório sobre o Índice de Preços no Consumidor divulgado pelo INE.
O maior choque veio do gasóleo, cujo preço aumentou 44,5% em apenas um mês. A gasolina também ficou mais cara, registando uma subida de 11,9%. O impacto foi imediato nos transportes públicos e privados.
Segundo o INE, os preços dos transportes semicolectivos urbanos e suburbanos aumentaram 11,9%, os táxis ficaram 23,5% mais caros e os transportes de longo curso por autocarro tiveram um agravamento de 26,3%.
“Analisando a variação mensal por produto, é de destacar o aumento dos preços do gasóleo (44,5%), dos transportes semicolectivos urbanos e suburbanos de passageiros (11,9%), da gasolina (11,9%) e dos transportes por táxis (23,5%)”, refere o documento.
Na prática, isso significa que muitas famílias passaram a gastar mais para se deslocarem para o trabalho, escola ou mercado, num contexto em que os salários permanecem praticamente inalterados.
Os alimentos também contribuíram para o aumento do custo de vida. Entre os produtos que registaram maiores subidas destacam-se o peixe fresco, com um aumento de 11,7%, e o tomate, que ficou 5,7% mais caro.
Apesar de alguns produtos terem registado quedas de preços, como o milho em grão, a manga, a couve e o carvão vegetal, essas reduções não foram suficientes para compensar os aumentos registados nos combustíveis, transportes e outros produtos essenciais.
Desde o início do ano até Maio, os preços já aumentaram 5,19% em todo o País. O INE indica que a alimentação e os transportes continuam a ser os sectores que mais pressionam as despesas das famílias moçambicanas.
A situação não foi igual em todas as regiões do País. Quelimane foi a cidade onde os preços mais aumentaram durante o mês de Maio, tendo registado uma subida de 4,26%, quase o dobro da média nacional. Seguem-se Nampula, com 3,62%, e a província de Inhambane, com 2,53%. A Cidade de Maputo apresentou a menor subida mensal de preços, com 1,36%.
Contudo, quando a comparação é feita com o mesmo período do ano passado, é a cidade de Tete que apresenta o cenário mais preocupante. Naquela urbe, os preços ficaram 11,90% mais altos do que estavam há um ano, o maior aumento registado entre todas as cidades analisadas. Xai-Xai surge na segunda posição, com uma subida anual de 9,76%, seguida de Quelimane, com 9,67%.
“Comparativamente à variação homóloga, todos os centros registaram um aumento do nível geral de preços”, refere o documento.
Os números divulgados pelo INE mostram que a pressão sobre o orçamento das famílias continua a aumentar.
Com combustíveis mais caros, transportes mais dispendiosos e vários produtos alimentares a registarem aumentos, os consumidores vêem-se obrigados a gastar mais dinheiro para adquirir os mesmos bens e serviços que compravam há alguns meses.
Para milhares de famílias, a subida dos preços significa um poder de compra cada vez mais reduzido, numa altura em que as despesas do dia-a-dia continuam a crescer mais rapidamente do que os rendimentos.