A Primeira Secretária Provincial da FRELIMO em Inhambane, Adélia Macucule, lançou um apelo firme aos quadros do partido para que assumam um papel mais activo na resolução dos problemas que afectam as comunidades, defendendo que o actual contexto nacional exige liderança, unidade e capacidade de transformar desafios em oportunidades.
A mensagem foi apresentada durante a Conferência Provincial de Quadros da FRELIMO, realizada em Inhambane, um encontro que decorre quase uma década depois da última edição e que serviu de espaço para reflexão sobre o papel do partido perante os novos desafios políticos, económicos e sociais que o país enfrenta.
Num discurso marcado por referências à história da luta de libertação nacional e por constantes apelos à responsabilidade política, Adélia Macucule afirmou que a conferência não deve ser encarada como um simples encontro interno, mas como um momento de redefinição do compromisso dos dirigentes com o povo.
“A história ensina-nos que os grandes desafios nunca foram vencidos pela improvisação, mas sim pela organização, disciplina, unidade e pela capacidade de transformar dificuldades em oportunidades”, afirmou perante centenas de quadros do partido.
A dirigente começou por enquadrar a reunião no contexto das celebrações dos 51 anos da Independência Nacional, considerando que a geração actual tem a responsabilidade de consolidar os ganhos alcançados e preparar o país para um novo ciclo de desenvolvimento.
Para Adélia Macucule, Moçambique atravessa uma fase particularmente exigente, marcada pelo desemprego juvenil, pelos impactos das mudanças climáticas, pelo aumento do custo de vida e pelo surgimento de discursos que, na sua perspectiva, procuram dividir os moçambicanos e enfraquecer as instituições do Estado.
Perante este cenário, defendeu que a resposta não pode ser a acomodação nem o silêncio.
“A FRELIMO foi forjada nos momentos mais difíceis da história deste país. Foi na adversidade que aprendemos a resistir e na escassez que aprendemos a construir. Este não é momento para desânimo. É momento para trabalho, para reforçar a ligação entre o Partido e o povo, para escutar mais, compreender melhor e responder com maior eficácia às preocupações dos cidadãos”, declarou.
Ao longo da intervenção, a Primeira Secretária insistiu que os quadros do partido devem assumir uma postura mais interventiva e próxima das comunidades, rejeitando uma actuação limitada à gestão administrativa.
Segundo afirmou, os dirigentes da FRELIMO devem posicionar-se como agentes de transformação social, capazes de mobilizar cidadãos, organizar comunidades e encontrar soluções concretas para os problemas locais.
“O povo não espera de nós discursos, mas sim respostas, liderança e exemplo”, sublinhou.
Num dos momentos mais marcantes da sua intervenção, Adélia Macucule alertou para aquilo que considera serem ameaças internas ao próprio partido, identificando a intriga, o individualismo, a indisciplina e a cultura de conflito permanente como factores que podem comprometer a capacidade de organização da FRELIMO.
Na sua visão, nenhuma organização consegue alcançar resultados quando as suas energias são consumidas por disputas internas, defendendo que a unidade continua a ser o principal activo político do partido.
A dirigente apelou, por isso, ao reforço da ética, da disciplina e da responsabilidade política, lembrando que os cargos de direcção representam uma missão de serviço público e não privilégios pessoais.
“Cada quadro deve sentir-se guardião dos valores da FRELIMO. Cada dirigente deve compreender que o cargo que ocupa não é um privilégio pessoal. É uma missão de serviço ao povo e ao país”, afirmou.
Num momento em que o partido começa a preparar futuras batalhas políticas e eleitorais, Adélia Macucule procurou afastar a ideia de que as vitórias se conquistam apenas durante os períodos de campanha.
Segundo explicou, o sucesso político constrói-se diariamente através da resolução dos problemas das comunidades, do fortalecimento dos órgãos de base e da manutenção de uma relação permanente de proximidade com os cidadãos.
Para a dirigente, a força da FRELIMO não assenta apenas no seu percurso histórico, mas sobretudo na capacidade de continuar presente nas comunidades, organizar a sociedade e responder às necessidades do país.
“A história, por si só, não garante o futuro”, advertiu, defendendo a necessidade de renovação permanente do partido, da formação de novos quadros, da valorização da juventude e da colocação do interesse nacional acima dos interesses individuais.
Ao encerrar a intervenção, Adélia Macucule afirmou que a actual geração recebeu uma missão diferente daquela que conduziu a luta de libertação nacional.
Se aos fundadores coube conquistar a independência, considera que cabe agora aos actuais dirigentes consolidar o desenvolvimento, preservar a paz, fortalecer a unidade nacional e criar melhores oportunidades para as futuras gerações.
“O futuro será conquistado pela nossa capacidade de nos reinventarmos, de corrigirmos erros, de valorizarmos a juventude e de colocarmos sempre o interesse nacional acima de qualquer interesse individual”, afirmou.
A Conferência Provincial de Quadros da FRELIMO decorre numa altura em que o partido intensifica o processo de preparação da 11.ª Conferência Nacional de Quadros, prevista para Agosto próximo, e assume um papel estratégico na definição das prioridades políticas e organizacionais da formação política na província de Inhambane.
Mais do que uma reunião partidária, o encontro serviu para reafirmar uma mensagem central: perante um contexto marcado por desafios económicos, sociais e climáticos, a liderança da FRELIMO em Inhambane entende que a resposta deve passar por maior proximidade com as comunidades, mais disciplina interna e um envolvimento activo dos seus quadros na procura de soluções para os problemas que afectam diariamente os moçambicanos.