La Línea de la Concepción veta a realização da partida por razões sanitárias. Congoleses procuram alternativa para manter a preparação rumo ao Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá.
A partida amigável entre as selecções da República Democrática do Congo (RD Congo) e do Chile, agendada para o próximo dia 9 de Junho, em La Línea de la Concepción, na província espanhola de Cádis, foi oficialmente cancelada pelas autoridades locais devido a preocupações relacionadas com o surto de Ébola que afecta o País africano.
A decisão foi formalizada através de um decreto assinado pelo presidente da câmara municipal, Juan Franco, que justificou a medida com base em critérios de “prudência sanitária”, apoiando-se em pareceres desfavoráveis emitidos pelos serviços de saúde municipais e pelo Governo regional da Andaluzia.
“Lamentamos ter de tomar esta decisão, porque o jogo representava um atractivo importante para a cidade, mas consideramos que esta é a opção mais prudente face à situação sanitária existente”, declarou Franco, segundo meios de comunicação espanhóis.
O cancelamento surge numa altura em que a RD Congo enfrenta um novo surto de Ébola na província de Ituri, no leste do País. Dados oficiais citados pela Federação Congolesa de Futebol indicam a existência de 344 casos confirmados e 60 mortes associadas ao surto, concentrado a mais de dois mil quilómetros da capital, Kinshasa.
Apesar disso, a selecção nacional encontra-se actualmente concentrada na Bélgica, onde realiza o estágio de preparação para o Campeonato do Mundo de 2026.
A Federação Congolesa de Futebol (FECOFA) manifestou surpresa com a decisão das autoridades espanholas e garante que toda a delegação cumpre rigorosamente os protocolos internacionais de saúde exigidos para competições internacionais.
Em comunicado, o organismo informou que está a trabalhar com entidades desportivas e autoridades locais para tentar encontrar uma alternativa que permita a realização do encontro, eventualmente noutra localidade espanhola.
O cancelamento representa mais um contratempo na preparação dos “Leopardos” para o Mundial de 2026, competição à qual regressam 52 anos depois da única participação, em 1974.
A selecção congolesa integra o Grupo K, juntamente com Portugal, Colômbia e Uzbequistão, estreando-se diante dos portugueses no próximo dia 17 de Junho, em Houston, nos Estados Unidos.
Apesar do cancelamento do duelo frente ao Chile, a selecção congolesa mantém o programa de preparação em solo europeu. Ontem, quarta-feira, defrontou a Dinamarca, em Liège, na Bélgica, naquele que foi o único teste de elevado nível antes da viagem para a América do Norte.
Também Portugal prossegue a fase final de preparação para o Mundial, com jogos amigáveis agendados frente ao Chile e à Nigéria, procurando consolidar os processos tácticos antes da estreia na competição.
Entretanto, a FIFA continua a acompanhar a situação sanitária em articulação com as autoridades de saúde dos países organizadores — Estados Unidos, México e Canadá — garantindo o cumprimento dos protocolos de entrada e permanência das delegações durante o torneio.
Vistos tornam-se desafio para selecções antes do Mundial 2026
A poucas semanas do arranque do Campeonato do Mundo de 2026, questões relacionadas com a emissão de vistos continuam a representar um desafio para algumas selecções qualificadas, sobretudo aquelas provenientes de países sujeitos a processos migratórios mais rigorosos por parte das autoridades norte-americanas.
Entre os casos mais complexos está o da selecção do Irão, que tem enfrentado dificuldades persistentes para assegurar a entrada atempada de toda a sua delegação nos Estados Unidos.
Como medida preventiva, a equipa iraniana estabeleceu a sua base de preparação em Tijuana, no México, cidade localizada junto à fronteira norte-americana, onde realizará os treinos e a adaptação competitiva antes dos jogos do torneio.
Os constrangimentos não se limitaram ao conjunto asiático. Diversas selecções africanas registaram atrasos significativos na obtenção dos documentos de viagem necessários para jogadores, membros das equipas técnicas e pessoal de apoio.
Entre os países afectados esteve a África do Sul, cuja deslocação para a base de preparação no México sofreu atrasos devido à morosidade dos procedimentos consulares.
A situação gerou preocupação entre várias federações nacionais, que alertaram para os impactos desportivos decorrentes da redução do período de preparação antes da competição.
Após contactos diplomáticos e intervenções governamentais, a maioria dos processos pendentes acabou por ser regularizada, permitindo a viagem das delegações para os respectivos centros de estágio.
Para minimizar este tipo de problemas em eventos de grande dimensão, a FIFA trabalha em coordenação com o Governo dos Estados Unidos desde os primeiros anos de preparação do Mundial.
O organismo que rege o futebol mundial implementou um sistema de acreditação prévia das delegações, através do qual jogadores, treinadores, dirigentes e equipas de apoio são identificados e validados antes da submissão dos pedidos de visto.
Paralelamente, o Departamento de Estado norte-americano criou canais prioritários para o processamento de pedidos relacionados com o Mundial, replicando mecanismos semelhantes aos utilizados durante competições internacionais anteriores, como os Jogos Olímpicos e os Campeonatos do Mundo realizados em solo norte-americano.
Com o Mundial de 2026 a ser organizado conjuntamente pelos Estados Unidos, México e Canadá, as autoridades dos três países anfitriões mantêm uma coordenação permanente para garantir que todas as selecções participantes possam cumprir os seus programas de preparação e competição sem novos constrangimentos administrativos.