A petrolífera norte-americana ExxonMobil garante estar nos ajustes finais para a tomada da Decisão Final de Investimento (FID) do projecto Rovuma LNG, em Cabo Delgado, ainda neste ano. A informação foi avançada nesta segunda-feira, na Cidade de Maputo, pelo director-geral da multinacional em Moçambique, Arne Gibbs.
Depois de sucessivos adiamentos, começam a surgir sinais concretos sobre o avanço do projecto de gás natural liquefeito da Área 4 da Bacia do Rovuma, considerado um dos maiores empreendimentos energéticos de África. Com capacidade prevista para produzir 18 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, o Rovuma LNG deverá posicionar Moçambique entre os principais exportadores mundiais de GNL.
Segundo Arne Gibbs, decorrem actualmente negociações finais com empreiteiros e parceiros financeiros, numa fase considerada decisiva para o arranque do investimento.
“Neste momento, estamos a fazer os negócios finais com os contratadores, então ainda não temos o número final, mas posso dizer com certeza que, no fim do dia, as riquezas deste projecto vão para o País. O Governo vai receber mais de 150 mil milhões de dólares durante a vida do projecto”, afirmou o responsável da ExxonMobil Moçambique.
O dirigente explicou ainda que, após a aprovação definitiva do investimento, serão necessários cerca de cinco anos para a construção das infra-estruturas, o que aponta para o início da produção em 2031.
O projecto Rovuma LNG é desenvolvido pela ExxonMobil em parceria com a Eni e outras concessionárias da Área 4, em coordenação com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), representante do Estado moçambicano no empreendimento.
Paralelamente ao desenvolvimento industrial, a ExxonMobil e a ENH anunciaram um investimento de 40 milhões de dólares para a criação de um centro de formação técnico-profissional destinado à capacitação de moçambicanos para o sector de petróleo e gás.
O avanço do Rovuma LNG acontece numa altura em que Moçambique procura consolidar a confiança dos investidores internacionais, após os impactos da instabilidade armada em Cabo Delgado, que condicionaram alguns megaprojectos energéticos nos últimos anos.