O conflito no Médio Oriente já começa a fazer-se sentir no Porto de Maputo, sobretudo nas operações de manuseamento de carga, com registo de atrasos na entrada e saída de camiões devido à escassez de combustível nos países da região.
Apesar de o impacto ainda ser gradual, o presidente do Conselho de Administração da Maputo Port Development Company, (MPDC), Osório Lucas, aponta os primeiros sinais nas operações logísticas. “Actualmente, já sentimos atrasos operacionais. Estamos, por exemplo, a descarregar um navio com cerca de 25 mil toneladas de arroz, o que exige um fluxo constante de camiões para recepção e expedição”, explicou.
A escassez de combustível tem impedido a chegada atempada de alguns camiões, condicionando o ritmo de descarga. Ainda assim, segundo Osório Lucas, não há, para já, impacto significativo nos volumes de carga, tanto geral como a granel.
O gestor admite, contudo, possíveis efeitos a curto prazo na carga contentorizada, tendo em conta a dependência de rotas internacionais, nomeadamente, através do porto de Porto de Jebel Ali, um dos principais pontos de triangulação para Maputo. “Se até março não houver impacto relevante, é possível que em Abril comecemos a sentir algum efeito”, referiu.
A crise dos combustíveis está também a afectar a eficiência operacional, ao prolongar o tempo de permanência dos navios no porto. Este cenário traduz-se em custos adicionais, sobretudo ao nível do frete marítimo.
“Um navio pode custar entre 15 mil e 25 mil dólares por dia. Se uma operação passa de três para cinco dias, há custos adicionais. Além disso, o frete aumentou, passando de cerca de 20 para mais de 30 dólares por tonelada na carga a granel”, explicou o PCA.
Apesar destes constrangimentos, o Porto de Maputo mantém-se competitivo, com as linhas de navegação operacionais e os exportadores a continuarem a recorrer à infraestrutura, ainda que enfrentando custos mais elevados.

