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Governo desafia sector de safaris a atrair jovens e impulsionar economia da vida selvagem

O Governo desafiou, nesta quarta-feira, em Maputo, os operadores de safaris e gestores das áreas de conservação a tornarem o sector mais atrativo, para os jovens, e impulsionador da economia da vida selvagem e da sua cadeia de valor, alertando que o fraco envolvimento juvenil reflecte o subaproveitamento do seu potencial económico no país.

O desafio foi lançado pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, que considera que o sector ainda não consegue captar o interesse necessário, sobretudo da juventude, revelando limitações no aproveitamento das suas potencialidades.

“Se a actuação dos agentes do safari continua remota, é sinal de que o sector não está a ser suficientemente aproveitado, o que demonstra que ainda não conseguiu captar o interesse necessário, sobretudo da juventude”, afirmou.

O governante sublinhou ainda que o desafio não se limita à capacitação, mas também ao reforço contínuo das competências técnicas, defendendo que a conservação deve traduzir-se em desenvolvimento efectivo.

“É fundamental criar espaço para que a conservação se traduza em desenvolvimento efectivo, com benefícios visíveis para todos os intervenientes, desde os gestores dos parques até às comunidades locais”, advertiu.

Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração da Biofund, Carlos Santos, questionou o real aproveitamento do património natural do país, sublinhando que, apesar dos avanços, a vida selvagem pode ter um contributo mais significativo na economia nacional.

“Há sinais claros de que a vida selvagem já tem um peso importante, mas pode contribuir muito mais para a economia nacional”, afirmou, apontando também barreiras persistentes, desde limitações estruturais até à necessidade de políticas mais ajustadas. Defendeu, por isso, um debate orientado para resultados, capaz de alinhar a conservação com o desenvolvimento económico.

Já o presidente da Associação Moçambicana de Operadores de Safari, Adamo Valy, considerou que o encontro constitui uma oportunidade para redefinir o rumo do sector, através da análise de modelos de sucesso na região.

“Queremos, com este fórum, estudar os melhores exemplos ao nível regional, para perceber o que pode ser adaptado à realidade moçambicana”, disse. O responsável destacou ainda o papel dos operadores em zonas remotas, onde muitas vezes asseguram apoio directo às comunidades, defendendo maior coordenação institucional para tornar o sector mais competitivo e sustentável.

Na mesma conferência, a presidente da Millennium Challenge Corporation Moçambique, Augusta Maita, destacou o Compacto II, avaliado em 537 milhões de dólares, como um instrumento estratégico para fortalecer os meios de vida das populações e promover a conservação da vida selvagem, com enfoque nas zonas costeiras.

“Este compacto pretende fortalecer os meios de vida das populações e promover a preservação da vida selvagem, ao mesmo tempo que impulsiona investimentos estruturantes”, explicou.

Os intervenientes convergiram na necessidade de uma actuação conjunta entre o Governo, o sector privado e as comunidades, apontando a valorização dos recursos naturais como essencial para impulsionar a economia da vida selvagem e garantir um desenvolvimento inclusivo e duradouro no país.

O evento conta com a presença de várias entidades em representação da região da SADC e de organizações não governamentais

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