A entrevista ao Presidente do Ruanda, na qual sugere que as multinacionais que operam em Cabo Delgado e o Estado moçambicano “paguem pela segurança que precisam”, causou estranheza às bancadas parlamentares da Assembleia da República.
De acordo com Dias Letela, da Bancada da Frelimo, “é preciso revisitar os acordos iniciais” para ver a conformidade da sugestão. A bancada apela ao Governo para analisar com cautela o discurso do ruandês.
Por outro lado, a bancada do partido PODEMOS entende que a ser acolhida a sugestão de Kigali, “o terrirismo nunca vai acabar” disse Ivandro Massingue, porta-voz da bancada, argumentando que “os mercenários que irão proteger as multinacionais vão sempre criar ameaças, para continuarem com contratos de segurança”.
Já as bancadas da Renamo e MDM dizem que a entrevista de Kagame “destapou o que sempre desconfiaram”. Arnaldo Chalaua da RENAMO conclui que o Ruanda está a ser “economicista” e a sua sugestão “coloca em causa a soberania nacional”, sugerindo, por isso, que a mesma seja refutada, pois “Estado deve “salvaguardar a identidade da vida humana e não das multinacionais”.
Judite Macuácua do MDM exige que “o Governo venha ao parlamento para apresentar a factura da presença da força ruandesa por todos esses anos”, desafiou a parlamentar, apontando o fortalecimento das FADM como caminho para “sair das chantagens externas”.
Os parlamentares foram entrevistados na Assembleia da República, na Sessão que analisa informação dos Gabinetes Parlamentares de Combate ao HIV e da Comissão de Petições e Reclamações da AR.

