O Parque Nacional da Gorongosa recuperou 160 pangolins em oito anos, retirando-os da rota do tráfico e de alimentarem crenças locais de “sorte”, segundo explicou à revista Lusa o administrador daquela área de conservação.
“Nós conseguimos recuperar 160 pangolins desde 2018 até hoje”, disse Pedro Muagura, administrador do Parque Nacional da Gorongosa (PNG) em Sofala.
Dos 160 pangolins recuperados, 121 foram encontrados no mercado ilegal, maioritariamente para exportação, e os restantes 39 entregues voluntariamente pelas comunidades nos arredores do parque, que “já sabem que constitui crime ambiental” a sua captura.
Na rota do tráfico, que abrange também as províncias centrais de Manica, Zambézia e Tete, a espécie pode passar por até 20 negociadores e mediadores, tendo, na sua maioria, o mercado asiático como destino, avançou Pedro Muagura, acrescentando que é na troca de mediadores que “a informação às vezes escapa” e chega ao parque.
“No nosso país existem pessoas que acreditam que quem tiver uma peça de pangolim vai ter muita sorte, então as pessoas dentro do país acabam tendo esses animais para esses fins, mas o maior número de entrevistados diz que é para vender para um patrão”, referiu o administrador do parque.
Refira-se que o pangolim tem a particularidade de ser o único mamífero terrestre totalmente coberto por escamas e a sua presença é cada vez mais rara.

