O analista político Borges Nhamire diz que apesar de um ano de governação ser pouco tempo, há resultados concretos que o presidente da República devia apresentar. Por outro lado, Régio Conrado entende que Daniel Chapo deve reforçar mecanismos de responsabilização dos servidores públicos corruptos.
Há um ano Daniel Francisco Chapo jurou servir ao povo moçambicano como Presidente da República em resultado das eleições gerais de 2024. O Chefe de Estado tomou posse a 15 de Janeiro de 2025, num ambiente de tensão social, o que levou a que no seu primeiro discurso fizesse grandes promessas de mudanças estruturantes em todos os sectores.
Um ano depois, embora reconheça que 12 meses é pouco tempo para avaliar o que foi cumprido das promessas feitas, Borges Nhamire, pesquisador e analista político, entende que há coisas que já deviam ter saído do papel.
“O sector de segurança, combate ao crime organizado e corrupção, nós não estamos a ver nada de concreto. O presidente entrou e encontrou um dossiê muito grande chamado Dívidas Ocultas e não está a desenvolver.” Afirmou Borge Nhamirre, reconhecendo que embora as dívidas ocultas sejam uma matéria de justiça, também têm um cunho político, por isso “exigem uma dimensão política e coragem para colocar o processo em andamento”, desafiou.
Nhamire prosseguiu citando o combate ao terrorismo e ao crime organizado como áreas que alega não ter avanços notáveis do governo da Daniel Chapo, e lamenta que as pessoas detidas nos crimes de rapto, sejam apenas os executores e auxiliares.
Régio Conrado, por outro lado, entende que do primeiro ano não se pode esperar resultados de grande impacto, porém, refere que em 2015, Daniel Chapo lançou as bases de refundação do Estado, mas precisa melhorar os mecanismos de responsabilização dos servidores públicos.
“É preciso aprofundarmos os mecanismos de responsabilização daqueles que cometem crimes de corrupção de forma a dissuadir aqueles que pretendem seguir os mesmos caminhos”, sugeriu Conrado.
Por outro lado, o analista político falou dos carteis que “sugam de forma desproporcional e colocam em causa o interesse nacional”, recomendando, por isso, ao Presidente da República, a ser intolerante à corrupção no seu segundo ano de mandato.
Durante o primeiro ano de governação de Daniel Chapo, a multinacional francesa Total anunciou o levantamento da força maior, simbolizando a retoma aos mega projectos de gás natural liquefeito no norte do país.

