As principais bacias hidrográficas do país registam níveis elevados de escoamento na sequência das chuvas intensas que se fizeram sentir nos últimos dias, tanto em território nacional como nos países vizinhos, cenário que mantém várias regiões sob vigilância reforçada das autoridades. A informação foi avançada pela Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, que acompanha de perto a evolução hidrológica em todo o país.
Segundo Isaque Felimone, daquela instituição, as bacias da região sul são, neste momento, as que inspiram maior atenção. As bacias do Maputo, Limpopo e Incomáti encontram-se em níveis de alerta, devido ao aumento significativo dos caudais provocado não apenas pela chuva local, mas também pelo escoamento proveniente de países a montante. A situação é considerada sensível, uma vez que estas bacias dependem fortemente do comportamento hidrológico fora das fronteiras nacionais.
Ainda na região sul, a bacia do Búzi apresenta igualmente níveis elevados. As estações hidrométricas de Goba e Buane estão em alerta, embora, segundo as autoridades, se encontrem numa situação relativamente mais confortável quando comparadas com outras bacias críticas do país. Apesar disso, a vigilância mantém-se ativa.
Na província de Inhambane, as bacias costeiras registaram uma subida acentuada dos níveis de escoamento devido às chuvas intensas que caíram nos últimos dias. A bacia do Inhanombe, na estação de Mubalo, atingiu o nível de alerta, situação que levou as autoridades a reforçar o acompanhamento no terreno. Ainda assim, as projeções apontam para uma possível redução dos níveis nos próximos dias, caso se confirme o abrandamento da precipitação.
Diferente é o cenário das grandes bacias internacionais, como Limpopo, Incomáti e Maputo, onde se antecipa a continuação da subida dos escoamentos. Isto porque estas bacias se desenvolvem em países vizinhos que continuam a registar chuvas intensas, o que poderá prolongar a pressão hidrológica em território moçambicano.
No caso da bacia do Save, as autoridades realizaram um sobrevoo de avaliação e constataram a presença de alguns bancos de areia, o que, para já, contribui para uma situação considerada estável. No entanto, foi registada uma onda de cheia rápida na região de Massangena, que começa agora a refletir-se a jusante. Apesar disso, a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos assegura que, neste momento, o fenómeno não constitui motivo de grande preocupação.
Ainda assim, a bacia do Save continua sob atenção especial, sobretudo porque se registaram chuvas intensas no lado do Zimbábue. A configuração geomorfológica desta bacia, descrita como arredondada, torna-a particularmente vulnerável a inundações, uma vez que vários leitos de rios convergem para o mesmo ponto. As autoridades admitem que, dentro de quatro a cinco dias, possa ocorrer uma nova onda de cheia, situação que será monitorada de forma rigorosa a partir da estação de Massangena, com foco especial no Baixo Save.
Mais a centro do país, as bacias do Púnguè e do Búzi registaram chuvas intensas nas últimas 24 horas e apresentam, neste momento, níveis hidrométricos bastante elevados. Embora se observe um abrandamento da precipitação e uma tendência geral de descida dos níveis, a situação ainda é considerada preocupante. No rio Búzi, em particular, há registo de transbordo do leito, com cenários de inundação já confirmados nas zonas de Grudja, Baixo Búzi e na vila do Búzi.
Nas restantes bacias, sobretudo na região norte do país, o cenário é mais favorável. O abrandamento das chuvas contribuiu para a descida gradual dos níveis de água, e a maioria das bacias encontra-se atualmente abaixo do nível de alerta, reduzindo o risco imediato de cheias.
As autoridades apelam à população que vive nas zonas ribeirinhas e de risco para que mantenha a vigilância, siga as recomendações dos comités locais de gestão do risco de desastres e evite atravessar rios ou zonas alagadas, enquanto se aguarda a estabilização definitiva do comportamento hidrológico em todo o país.

