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Um Mal que Vem por Bem

A vida é ambivalente. É feita de dualidades entre o bem e o mal ou entre o bom e o mau. Mas para esta “dissertação”, fiquemos com a primeira opção: o bem e o mal. E é interessante que estas realidades, as quais se contrastam uma em relação à outra, parecem, porém, cooperar uma em prol da outra. Sobretudo o mal em prol do bem. Daí, talvez, dizer-se por aí, vulgarmente, que “há mal que vem por bem” e não o contrário. E a interpretação que faço dessa filosofia, que por ora não interessa se é barata ou não, é a de que um determinado bem é consequente do seu oposto.

Vejamos, agora, este raciocínio aplicado a questões de relacionamentos entre os Homens. Mas, mais precisamente, aplicado à questão da amizade:

Devemos muito aos nossos inimigos. Admitamos e vejamos o porquê: os nossos inimigos, tramando contra nós, levam-nos e elevam-nos a níveis-apogeus! Mas, coitados, fazem-no na tentativa de nos prejudicarem! Sim, coitados, pois os resultados dos seus até macabros atos contra nós são, ao fim e ao cabo, exatamente contrários aos seus intentos!

Um inimigo, portanto, alavanca-nos na vida, pesa embora ele nunca seja bem-vindo. O que é bem-vindo, às vezes, e para quem queira evoluir em qualquer que seja a área, são adversários. É o que sucede, a título de exemplo, no desporto. E um adversário é, no caso do referido exemplo, diferente de um inimigo. Mas tornemos e nos foquemos na questão dos inimigos.

Se olharmos para o contexto bíblico, podemos ver que os inimigos podem disfarçar-se de amigos. É o caso de Judas Iscariotes para com Jesus Cristo. E, se até Cristo, que no cristianismo é Deus, precisou de um Iscariotes, de modo chegar aonde chegou, quanto mais nós outros, meros Homens?! Contudo, não busquemos inimigos. Bastam-nos os que já temos.

Rematando, um inimigo é, afinal, benevolente e até mais benevolente do que um amigo?! É um mal que vem por bem.

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