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Melhorar o sistema ofensivo: Até lá teremos os 45 milhões de meticais

Os Mambas encerraram, esta segunda-feira, o ciclo de dois jogos no quadro de preparação do conjunto  moçambicano  tendo em vista a sua participação no Campeonato Africano de Futebol (CAN 2026), cuja fase final será disputada de 21 de Dezembro deste ano a 18 de Janeiro do próximo. 

Feitas as contas, a selecção nacional teve um saldo de uma derrota contra o Marrocos, e um empate, desta feita, diante do Chade a duas bolas. As duas partidas serviram para o seleccionador nacional, Chiquinho Conde, testar alguns jogadores e, sobretudo, aprimorar aspectos técnicos, bem antes do arranque da maior prova futebolística continental a nível de selecções. 

Para esta empreitada, o seleccionador nacional contou com todo o seu esquadrão, ou seja, teve todos habituais jogadores convocados à sua disposição, facto que, em si, lhe dava garantias para, pelo menos, fazer o trabalho que havia planificado. 

O primeiro embate dos dois agendados nesta janela de preparação foi, como se sabe, diante do Marrocos, uma selecção com uma folha de serviços devidamente autenticada no contexto do futebol africano e mundial. 

Ainda que o palmarés do conjunto marroquino não deixe enganar, os Mambas tinham uma palavra a dizer nessa partida que, mais do que servir de preparação, poderia trazer um outro estado anímico ao combinado nacional caso vencesse a partida. 

Apesar de o Marrocos ter vencido o jogo, os Mambas deixaram boas indicações, tendo em conta que souberam dar réplica à partida. Houve acertos e falhas. É, sobretudo, nas falhas que Chiquinho Conde prefere dar mais atenção, até porque está ciente de que ainda há muitos aspectos por melhorar. 

Um dos aspectos, por sinal o essencial e que Conde reteve, tem a ver com o sistema ofensivo, elemento que se afigura fundamental para uma selecção que vai para a sua sexta participação numa fase final do CAN (1986, 1996, 1998, 2010, 2024 e 2025) com a missão de, pela primeira vez, alcançar uma vitória. 

“Temos de ter a capacidade de sofrimento e mudar um pouco aquilo que é o chip da transição defesa-ataque, pois essa é a parte mais difícil”. Com estas palavras, Chiquinho Conde assume literalmente que o caminho que separa o desejo da necessidade poderá, eventualmente, ser penoso. 

Houve falhas no jogo contra o Marrocos, assim como houve outras tantas contra o Chade, que à partida se antevia que fosse fácil para o conjunto moçambicano. À entrada deste jogo, a selecção chadiana não vencia há dois anos e, curiosamente, entrou melhor contra o combinado nacional, ao chegar ao primeiro golo. 

Moçambique estava desestruturado e descaracterizado, numa partida em que Chiquinho Conde promoveu algumas mudanças no “onze” em relação à partida contra o Marrocos, desde logo a entrada do jovem guarda-redes Kimiss Zavala. Na segunda parte da peleja os Mambas até conseguiram empatar a partida, fixando o resultado final em 2-2. 

Muitas lições ficaram neste jogo, mormente a forma como Chiquinho Conde montou o seu esquema táctico. Entre ilações e perspectivas, fica assente, tal como o seleccionador nacional assumiu no rescaldo do conjunto dos dois jogos, que até ao arranque do CAN há muito trabalho por fazer.  

Na segunda quinzena do próximo mês a selecção nacional vai efectuar um estágio em Algarve, Portugal, onde deverá, em princípio, defrontar a sua congénere da Angola, partida que vai encerrar o ciclo de preparação de Moçambique e naquilo que poderá, provavelmente, ser uma antecâmara do que se poderá ver na festa de futebol em Marrocos. 

PS: Enquanto isso, a Federação Moçambicana de Futebol (FMF) continua a desdobrar-se, numa autêntica corrida contra o relógio, em garantir o financiamento para custear as despesas para participação da selecção nacional no CAN. A “escassos” 33 dias para o arranque da prova ainda há mais dúvidas que certezas, num contexto em que os erros se repetem com os mesmo actores, com deficiências comprovadas na planificação. Até lá teremos os 45 milhões de meticais. Haja paciência!

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