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O País – A verdade como notícia

Veteranos da luta de libertação passam a beneficiar de 10% dos projectos agrícolas

O Governo reafirma o seu “reconhecimento aos combatentes da luta de libertação” e compromete-se a continuar a “dedicar-lhes uma atenção especial”. A este respeito, Daniel Chapo anunciou que, “a partir deste ano, 10 por cento dos projectos do sector da Agricultura serão reservados para os veteranos da luta de libertação nacional, em todo o País”.

A boa nova foi tornada pública pelo Presidente da República, nesta segunda-feira, em Maputo, nas celebrações do Dia da Vitória – 52 anos da assinatura dos Acordos de Lusaka – data em que a Frelimo e o Estado português rubricaram, em 1974, na Zâmbia, o entendimento que reconhecia, formalmente, o direito do povo moçambicano à independência e ao fim da guerra colonial.

No seu discurso perante diferentes personalidades, Daniel Chapo explicou que, com os 10 por cento de projectos agrícolas, se pretende que “aqueles que ajudaram a libertar a terra e os homens também participem no desenvolvimento sustentável” e na “marcha rumo à independência económica”.

“A Independência Económica exige igualmente paz, estabilidade e segurança. Não podemos construir fábricas onde existe insegurança. Não podemos aumentar a produção onde existe medo. Não podemos atrair investimento onde não existe estabilidade. Por isso, estamos a trabalhar para garantir que cada cidadão possa viver, trabalhar e investir em segurança em todo o território nacional”, disse o Chefe do Estado.

Sobre os raptos, que desde 2011 preocupavam diferentes segmentos da sociedade, principalmente os empresários, Daniel Chapo informou que desde o dia 7 de Outubro do ano passado não se regista nenhuma vítima no País.

“São 11 meses sem nenhum caso de rapto. Não tem sido fácil, porque a indústria do rapto vem tentando, de diversas formas, engendrar acções criminosas contra cidadãos honestos, íntegros e trabalhadores. Apesar da persistência dos criminosos, nós não vamos recuar. Nós queremos um Moçambique livre dos raptos, livre do terrorismo, livre do branqueamento de capitais, livre do tráfico de drogas, para que haja paz, harmonia e comunhão, para continuarmos a desenvolver o nosso país”, afirmou.

Daniel Chapo garantiu, também, que as Forças de Defesa e Segurança expulsaram os terroristas dos pontos do País que haviam sido tomados desde 2017. “Alegra-nos o facto de hoje não existir nenhuma vila que esteja ocupada pelos terroristas. Conseguimos expulsá-los de todas as vilas e sedes dos distritos que outrora haviam ocupado, graças aos jovens das nossas Forças de Defesa e Segurança, juntamente com a Força Local e as forças dos países amigos”.

À juventude, o Presidente da República lembrou que os heróis homenageados a cada 7 de Setembro – alguns deles presentes na cerimónia desta segunda-feira – eram jovens quando lutaram pela soberania nacional. Porém, alertou para a manipulação.

“Eles não esperaram que alguém construísse o futuro por eles. Eles próprios decidiram construir esse futuro. É essa atitude que esperamos da actual juventude moçambicana. A diferença é que a vossa luta não é e nem deve ser luta das armas e nem de violência ou da manipulação, ou discursos de ódio”, disse Daniel Chapo e orientou: “não permitam que alguém vos arraste para a violência, para destruir o vosso país que foi construído com muito sacrifício, muito empenho, muita dedicação e derramamento de sangue de muitos filhos desta Pátria. A vossa luta deve ser de conhecimento, luta da ciência, de tecnologia, de produção e de empreendedorismo para transformação económica de Moçambique”. 

 

LUTA PELA INDEPENDÊNCIA ECONÓMICA

Os 50 anos iniciais da independência foram dedicados à consolidação do Estado, à defesa e preservação da soberania nacional, da integridade nacional e da reafirmação de Moçambique no concerto das Nações, explicou Chapo e prosseguiu: para os próximos anos, o Executivo lançou a visão de que os esforços dos moçambicanos devem estar focados na luta pela independência económica.

Com esta visão, pretende construir uma economia em crescimento e mais competitiva, a nível interno, regional e global e que crie melhores condições de vida para a população.

“Queremos empresas moçambicanas capazes de competir em pé de igualdade com as estrangeiras. Queremos que os nossos jovens participem mais nas cadeias de valor, porque são a prioridade da nossa governação. Queremos, enfim, construir uma economia que seja cada vez mais moçambicana, tendo os jovens como os principais protagonistas, mais produtiva, mais competitiva e mais capaz de responder às necessidades do nosso povo. E, assim, estaremos a acrescentar um novo significado às celebrações do Dia da Vitória.”

A aposta do Governo, segundo o Chefe do Estado, é tornar Moçambique inimigo da corrupção, com instituições mais eficientes, com funcionários mais íntegros e comprometidos com o serviço público transparente, profissionalizado e humanizado e, sobretudo, célere, daí o processo de transformação digital no sector público.

 

A HISTÓRIA QUE NÃO PODE SER MANIPULADA 

A deposição de flores na Praça dos Heróis não foi simplesmente para cumprir um acto protocolar, mas sim sinal de que “estamos a dialogar com a nossa História. Estamos a dizer aos que partiram: nós não vos esquecemos!”.

“Estamos a dizer aos nossos heróis que a liberdade pela qual deram as vossas vidas continua intacta. Estamos a transmitir aos heróis de Lusaka a mensagem de que nós continuaremos a defender esta liberdade, nem que seja com as nossas próprias vidas, como eles fizeram.”

A vitória contra o regime colonial e o reconhecimento do direito à autodeterminação dos moçambicanos não foi um acto de generosidade, pelo que as novas gerações precisam saber que “Moçambique tem história que não pode ser manipulada e nem branqueada, tem Heróis e tem referências, nas quais podemos nos inspirar para encararmos os desafios de hoje e de amanhã”.

 

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