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Trocas comerciais africanas situam-se abaixo de 20%

O comércio regional Afircano continua muito abaixo das expectativas dos países, apesar dos vários apelos, acordos e adopção de políticas, como é o caso do AfCFTA – Zona de Comércio Livre Continental Africana, um acordo que liga 55 países do continente.

A primeira-ministra, Benvinda Levi, que conhece a realidade, desafiou os países a adopção de mecanismos mais actuantes por forma que, como resultado das transações comerciais melhore a distribuição de riqueza e, consequentemente, reduza a pobreza.

Levi entende que “o comércio é um instrumento de transformação estrutural”, por isso um imperativo de segurança alimentar.

“É um meio para industrializar, criar empregos dignos, reduzir a pobreza e promover prosperidade partilhada”.

A primeira-ministra referiu-se ainda ao facto de o continente ser “rico em recursos naturais”, com 30% das reservas minerais globais e 65% das terras aráveis não cultivadas, mas nada disso estar a significar riqueza para os países, nem para as populações. Fez questão de arrolar o que considera desafios.

“Insegurança alimentar, déficit energético que afecta centenas de milhões de pessoas,  níveis de comércio intra-africano ainda abaixo de 20%, dependência excessiva de exportação de matérias-primas e vulnerabilidade aos choques extremos recorrentes. Temos que transformar todo este nosso potencial em prosperidade para os povos de nossos países”.

Para inverter o cenário, a Primeira-ministra apelou ainda a reformas estruturais nas políticas comerciais.

“Uma reforma equilibrada da Organização Mundial do Comércio – OMC, que preserva o consenso e restaurar um sistema eficaz de resolução de litígios, sendo fundamental que a modernização das regras globais reconheça as assimetrias estruturais das nossas economias, de modo a garantir que o comércio internacional seja de facto motor de desenvolvimento inclusivo; uma abordagem justa nas negociações agrícolas que nos levem a corrigir as distorções prejudiciais aos nossos produtores, uma vez que, para a África, a agricultura não significa apenas uma estatística comercial; e um enquadramento do comércio eletrónico que promove a inclusão digital, a capacitação tecnológica e a transferência de conhecimento”.

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