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Três mil alunos sem aulas em Xai-Xai devido à greve de professores

Horas extraordinárias por pagar desde 2023, cortes salariais e alegadas ameaças levam docentes a abandonar as salas de aula, em Xai-Xai, na província de Gaza. Mais de três mil alunos estão sem aulas.

De telemóvel na mão, sentados à sombra das árvores, a conversar nos corredores ou entregues a brincadeiras improvisadas, milhares de alunos passaram mais um dia dentro da escola, mas sem aprender. Os professores voltaram à greve esta segunda-feira. E, enquanto o braço-de-ferro entre os docentes e o Governo se prolonga, o tempo de aprendizagem continua a escapar por entre os dedos de quem mais dele necessita: os estudantes.

A paralisação afecta três estabelecimentos de ensino da cidade de Xai-Xai, nomeadamente: a Escola Primária de Ndambine, a Escola Secundária de Ndambine 2000 e a Escola Primária 2013, onde cerca de 250 professores cruzaram os braços, deixando sem aulas pelo menos três mil alunos.

Os professores reivindicam o pagamento de horas extraordinárias em atraso desde 2023, denunciam cortes salariais considerados injustificados e acusam as autoridades de sucessivos incumprimentos das promessas feitas para resolver o problema.

Segundo fontes ligadas ao movimento grevista, os docentes afirmam estar cansados de esperar por soluções que tardam em chegar.

“Estamos há anos a ouvir promessas. Trabalhámos, cumprimos com as nossas obrigações, mas os nossos direitos continuam a ser ignorados. Não podemos continuar a trabalhar nestas condições”, afirmou um dos professores, que pediu para não ser identificado.

Além das questões salariais, os grevistas denunciam um alegado ambiente de intimidação. As acusações são dirigidas ao secretário permanente do sector da Educação que, segundo os docentes, estará a exercer pressão sobre os profissionais para desencorajar a greve.

“Há colegas que se sentem ameaçados. Em vez de diálogo, o que encontramos são tentativas de intimidação”, referiu outra fonte ouvida pela reportagem.

Enquanto isso, os estudantes observam, impotentes, o prolongamento de um conflito no qual não têm voz nem responsabilidade.

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