Os trabalhadores da Cimentos da Beira voltaram a amotinar-se no Tribunal Judicial da Província de Sofala, que decretou insolvência especial da empresa, para pedir explicações sobre a nomeação de um terceiro administrador numa altura em que a fábrica está falida e o antigo administrador, igualmente indicado pelo tribunal, teria levado sete milhões de Meticais.
O processo de insolvência da fábrica de cimentos da Beira, decretada em Outubro do ano passado e que tinha prazo de 90 dias, está longe de se encerrar, e há braço-de-ferro entre os 98 trabalhadores e o tribunal.
Os primeiros voltaram a amotinar-se nas instalações do tribunal para entregar vários documentos que provam que a fábrica não estava insolvente e que faliu depois da decisão do tribunal.
De acordo com os trabalhadores, um mês após o tribunal ter decretado a insolvência especial, começaram a surgir inúmeros problemas financeiros na empresa que contribuíram para a paralisação da fábrica.
Os trabalhadores estiveram reunidos com o juiz da causa e questionaram se o terceiro administrador da insolvência, igualmente nomeado pelo tribunal, levaria para a empresa incentivos financeiros.
Refira-se que os trabalhadores acusam o segundo administrador da insolvência de ter ficado na posse de cerca de sete milhões de Meticais, provenientes da venda de cimentos e que deviam ser usados para pagar salários.
O tribunal, através do seu porta-voz, afirmou que não irá pronunciar-se sobre o processo, uma vez que o mesmo foi encaminhado para o Tribunal Superior de Recurso, onde aguarda decisão.