Logo após o discurso de abertura da CASP 2025, no qual o Presidente da República referiu que há disponível na banca cerca de 40 milhões de dólares de fundo de garantias mutuárias, para ajudar a diminuir o risco das empresas na hora de pedir financiamento, valor que está a ser pouco solicitado, o “O País Económico” ouviu o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa de telecomunicações Vodacom sobre o assunto. Lucas Chachine defendeu que o valor deve ser amplamente divulgado às empresas.
“O importante disto tudo é que as coisas têm de ser divulgadas, mas também temos que simplificar. Neste momento, as taxas de juro continuam a ser um grande obstáculo porque para a área de produção, a área de serviço, as taxas de juro que ainda se praticam em Moçambique são um entrave”, sublinhou.
Chachine entende que mesmo que o valor do fundo de garantia esteja disponível, se as taxas de juro forem muito altas, as empresas vão continuar a enfrentar dificuldades que vão dificultar que estas honrem com os compromissos que é pagar aos bancos.
“Neste momento, os próprios bancos não se sentem muito incentivados a dar crédito porque não querem acumular o malparado. É um esforço que tem de ser feito com os próprios bancos, e com o sector privado”, considera o PCA da Vodacom.
Chachine prende-se a um exemplo de outros países para explicar o quão é difícil para as empresas que operam no país se financiarem no sistema financeiro nacional.
“Se eu for pedir uma simulação de um crédito fora, eu pago primeiro o capital e depois a taxa de juro. Se eu olhar para a nossa estrutura do plano financeiro dos nossos financiamentos, nós pagamos mais juros e menos capital e isto prolonga muito mais o tempo do reembolso da dívida. Eu penso que esta conversa que estamos a ter aqui é uma conversa que queremos abraçar e queremos que de facto a banca, o sector privado e todas instituições entendam que nós só podemos resolver este país se todos nós entendermos que temos capacidade, temos pessoas, temos meios e temos uma banca que existe para interagir e apoiar o desenvolvimento”, destaca Chachine.
No tocante às reformas que tanto o Governo como o sector privado anunciaram na CASP, o PCA da empresa Vodacom disse ser fundamental passar do discurso para a prática.
“Temos empresários com capacidade, somos um país rico e próspero. Antes de entrar na questão do gás, falou-se do turismo e tem-se dito, o turismo é o nosso petróleo e a agricultura é a nossa base. Este país sempre funcionou com uma rede de infra-estruturas, o que hoje chamamos corredores, então, temos que revitalizar tudo isto de modo que os empresários moçambicanos, em parceria com os outros possam ser o motor desse desenvolvimento”, disse o PCA da Vodacom.
No sector do petróleo e gás natural, Chachine saúda o esforço que o Governo está a fazer para a retoma dos projectos, com destaque para o projecto da TotalEnergies e ExxonMobil, ambos da Bacia do Rovuma. “É importante que esta retoma, de facto, tenha em conta o envolvimento dos moçambicanos. Nós não podemos ter projectos daquela magnitude, naturalmente, em que depois não haja o envolvimento dos moçambicanos através do conteúdo local. Nós temos capacidade de fazer parcerias com esses grupos em termos de serviços, em termos de áreas de produção e em termos de tudo que é uma cadeia de serviços, só isso é que vai trazer benefícios para o país”, disse Chachine.
Durante o seu discurso de abertura da CASP, o Presidente da República anunciou que terminam em uma semana as negociações entre o Governo e a TotalEnergies para a retoma do projecto de gás natural da multinacional.
Tal aconteceu pouco mais de duas semanas após a TotalEnergies ter anunciado o fim da força maior que suspendia o projecto de gás que lidera na Bacia do Rovuma, em carta enviada ao Chefe de Estado.
“Se tudo correr bem, daqui a mais ou menos uma semana, no máximo, vamos concluir as negociações com o projecto que é liderado pela Total para podermos retomar, depois do anúncio publicamente feito do levantamento da força maior”, fez referência Daniel Chapo.
Outro projecto de gás bilionário que deverá avançar nos próximos sete meses na Bacia do Rovuma é o liderado pela ExxonMobil. “Nas nossas conversações em Houston, com a ExxonMobil, ficou claro que basta retomar-se o projecto da Total, eles também vão começar a trabalhar connosco para que nos meados do próximo ano, mais tardar Junho a Julho, possa haver Decisão de Investimento da Exxon por forma que a Eni que já assinou publicamente, e nós todos aqui estivemos presentes, a assinatura de investimentos para a Coral Norte, que é o segundo projecto, a Total, com o levantamento da força maior, retoma o projecto o mais breve possível , porque a seguir vai ser a assinatura dos contratos com as pessoas que vão executar as obras das empresas nacionais e estrangeiras”, fez saber Daniel Chapo.
Segundo o Presidente da República, os quatro projectos vão implicar um investimento de cerca de 50 biliões de dólares. Como resultado, o Estado deverá arrecadar receitas que poderão ser investidas em projectos de desenvolvimento.

