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Sul-africanos não facilitam entrada de moçambicanos

Trabalhadores moçambicanos estão a enfrentar dificuldades para regressar à África do Sul, porquanto as autoridades de migração daquele país encerraram a fronteira duas horas e meia antes da hora estabelecida, no sábado, e abriram três horas depois, no domingo.

Menos de cinco quilómetros depois da portagem de Moamba, no sentido Maputo-Ressano Garcia, era visível, ontem, uma fila enorme de camiões de carga. Até aqui há pouca surpresa, porque é comum estes veículos fazerem essas filas, mas 500 metros depois começou uma outra avalanche de viaturas particulares e semi-colectivas.

A fila de carros que transportavam trabalhadores moçambicanos na África do Sul era impossível de vê-la toda a olho nu. Foi necessário percorrer cerca de 15 quilómetros para, bem perto da fronteira, ver o seu fim.

Com os carros totalmente parados e alguns até com motores desligados, os passageiros saíram e alojaram-se nas árvores arredores. Uns estavam em família, outros entre amigos e outros ainda criaram amizade naquele ambiente.

Entre eles encontrámos José Caetano, natural da província de Gaza e trabalhador de Joanesburgo, na África do Sul. O senhor de 45 anos de idade estava na fila havia mais de 24 horas e mesmo assim ainda não podiam ver sequer a cor dos portões da fronteira.

Nessa situação, o estômago começou a ressentir-se e ele não deixou de manifestar. “Estamos aqui há mais de um dia. Não temos comida nem água. Aqui vamos acabar morrendo por fome sem que as nossas famílias saibam onde estamos, porque nossos celulares já estão desligados”.

A questão da alimentação preocupa o senhor Carlos Mazive, também encontrado sentado à espera que o congestionamento acabasse e ele foi mais longe. “Se houver comida à venda, tragam-nos porque nós podemos comprar, temos dinheiro”.

Bem, o que ele não sabia é que, chegado à fronteira seriam necessários cerca de 850 meticais (170 randes) para fazer novos testes da Covid-19, uma vez que os que foram feitos na África do Sul, ainda que há menos de 14 dias, não mais são válidos.

A questão do teste é outra condicionante para o enorme congestionamento. É que os passageiros devem fazer o teste bem na fronteira, não importando se antes tinham feito ou não. É uma exigência das autoridades de migração sul-africanas.

No ponto de testagem apenas dois profissionais estavam posicionados, um a fazer a inscrição e outro a fazer a testagem propriamente dito.Daqui é que o processo terminava e as autoridades migração moçambicanas acompanhavam os passageiros, em carros particulares ou não, fazendo uma escolte.

Entretanto, só a vontade de facilitar tudo por parte dos moçambicanos não basta, seria necessária a colaboração sul-africana, o que não aconteceu.
Por exemplo, no sábado às autoridades fecharam a fronteira às 18h30, ou seja, duas horas e meia antes do que devia ser o normal, que é das 21 horas. Como se não bastasse, já no domingo a fronteira foi aberta por volta das dez horas, cerca de quatro horas depois do que era o esperado, que é de seis horas. Quem nos conta todo este enredo é Juca Bata, porta-voz do Serviço Nacional de Migração.

Bata refere que a contra-parte sul-africana não deu explicações sobre o encerramento adiantado, quanto menos a abertura tardia. “Estamos agora a manter conversa com a outra parte para ver se mudamos isso e hoje cumprimos com tudo”.

Até o final da tarde de ontem, já tinham passado pela fronteira de Ressano Garcia 3000 pessoas, um número que o SENAMI reconhece que está muito abaixo ainda daquilo que se espera que seja o movimento deste ano, entre trabalhadores moçambicanos e turistas estrangeiros.

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