Skip to main content

O País – A verdade como notícia

A província da Zambézia está com stock estáveis para abastecer a sua população, não obstante a situação das manifestações que preocupam os comerciantes locais. Algumas marcas de produtos de primeira necessidade estão escassas. O governo diz que está monitorar, sendo que, no momento, não há motivos de alarme.

O Director Provincial da Zambézia, Abel Júnior, diz que a paralização da fronteira com a África do Sul, há dias, na sequência das manifestações, preocupou o sector, mas que tudo está controlado.

Júnior diz que arroz e diversos produtos de primeira necessidade existem em abundância para abastecer a população. No entanto, o Director Provincial da Zambézia reconhece que algumas pessoas estão a correr para os supermercados para comprar produtos, como forma de evitar escassez nas suas famílias. Portanto, alguns estabelecimentos recentem-se da falta de produtos outros nem tanto.

O Governo Provincial da Zambézia diz que vai continuar a monitorar a situação, para ver qual será a evolução nos próximos dias.

A previsão meteorológica para a época chuvosa 2024–2025 aponta para a ocorrência de chuvas normais com tendência para acima do normal no período compreendido entre Outubro e Dezembro do ano corrente, com uma precipitação de cerca de 200 a 300 mm e, para o segundo período, Janeiro a Março, cerca de 300 a 400 mm, incluindo ciclones.

A informação foi partilhada nesta quarta-feira, em Maputo, pelo porta-voz da Comissão Técnico-Científica sobre Mudanças Climáticas (CTCMC), Amós Maúre, em conferência de imprensa para anunciar o nível de preparação do país para a época chuvosa 2024–2025.

Para fazer reduzir o impacto das mudanças climáticas, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) reuniu-se, esta quarta-feira, com a CTCMC, num evento que serviu para discutir o plano de contingência, com vista a reduzir o impacto na saúde, educação e agricultura, sectores que poderão ser os mais afectados durante a época chuvosa 2024–2025.

“Estamos num país que depende da agricultura de sequeiro e onde não temos uma agricultura industrializada. Por isso, podemos ter danos, dependendo da quantidade de chuva que cai”, disse Maúre.

Maúre afirma que, em ambos os casos, escassez ou abundância de chuvas, provocam-se danos severos ao sector agrícola.

“Se chove menos, não conseguimos suprir as necessidades hídricas das culturas agrícolas e, se chove a mais, há destruição das próprias culturas agrícolas”, explicou.
Os danos são, também, notáveis no sector da saúde, “pois a propagação da malária se verifica durante a época chuvosa, devido à proliferação de mosquitos, porque são de fácil reprodução nas zonas húmidas”.

“Verifica-se, também nesta época, a destruição de infra-estruturas, como escolas, entre outras”.

Revelou ainda que o plano de contingência arrola as acções que deverão ser desenvolvidas para a redução do impacto das mudanças climáticas na época chuvosa 2024–2025, nos sectores-chave, incluindo nos sectores de estradas, energia e outros.

Maúre considera o plano “promissor, pois, para além de contemplar os deslocados, vítimas do terrorismo em Cabo Delgado, vai trazer melhorias resultantes das recomendações dadas pela CTCMC”.

A resposta à época chuvosa 2024–2025 está orçada em 43 356 797 Meticais. Serão alocados 17 742 808 Meticais ao INGD, 3 097 787 Meticais à área da saúde, 8 315 294 à educação, 11 007 907 Meticais à agricultura, bem como 3 199 000 Meticais para a Delegação do INAS.

Vale lembrar que, a época chuvosa e ciclónica 2023–2024 foi caracterizada por chuvas moderadas a fortes, acompanhadas de trovoadas, com precipitação pluviométrica acumulada acima do normal, tendo atingido o pico nos meses de Fevereiro, Março e Abril.

Manifestações e insuficiência de material condicionaram a conclusão das obras de melhoramento do sistema de saneamento e drenagem na cidade de Maputo. Quem o diz é a edilidade, que se recusa a fixar novos prazos afirmando que tudo vai depender do ambiente político nos próximos dias. 

A Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem  precisou de apenas 24 horas para reagir à reportagem do O País, em torno do atraso das obras de escoamento das águas pluviais, que têm condicionado a transitabilidade em algumas avenidas no centro da cidade.

Coube ao Presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem, justificar o atraso, e começou por apontar que “na verdade, nós arrancamos um conjunto de obras de saneamento e, pelo tamanho e pela quantidade, eu pessoalmente acho que um mês de atraso é uma situação normal , principalmente porque são obras de engenharia e algumas são obras de grande envergadura”.    

Borges da Silva diz que as manifestações pós-eleitorais foram a principal causa que levou ao incumprimento dos prazos. 

“Os trabalhos no terreno tiveram ou sofreram alguma paralisação e esta paralisação também influenciou. Os empreiteiros não se fazem ao terreno porque temem a vandalização dos equipamentos e os trabalhadores das empresas, não se fazem ao terreno porque eles, também, vivem nos bairros e temem a situação que se vive ao nível da cidade de Maputo” disse Borges da Silva. 

A escassez do material usado é um outro factor da demora das obras. 

“Conforme podem saber, as anilhas são usadas para os coletores, aqui ao nível nacional só temos uma fábrica e não comportou a demanda que tivemos para estas obras. Tivemos que mobilizar, portanto, materiais nos países vizinhos, principalmente na Suazilândia e este processo levou algum tempo. Um fator principal foi a escassez de material no mercado nacional” explicou o PCA. 

Da Silva não quis comprometer-se com novos prazos. “A velocidade da obra no terreno depende muito das condições em que nos encontramos nesse momento, a situação política, as manifestações. Se o ambiente continuar nos termos em que está, teremos os constrangimentos que nós estamos a verificar ao longo deste mês. Se o ambiente estiver controlado, obviamente que nós iremos desenvolver as actividades no terreno e o nosso maior desejo é ver se conseguimos terminar as obras ainda neste ano, não gostaríamos de transitar com estas obras” concluiu. 

Segundo o responsável, quase todas as obras estão acima de 65% de execução.

O professor universitário, Eduardo Chiziane, diz que o Presidente da República já não tem poder para assumir compromissos de longo prazo no encontro com os quatro candidatos presidenciais.

Antigo membro da delegação do Governo nas negociações com a Renamo, Chiziane considera que Venâncio Mondlane vai terminar amnistiado e serão necessárias negociações depois da proclamação dos resultados.

Em contexto de mais uma tensão pós-eleitoral e, depois do convite do Presidente da República aos candidatos presidenciais, Chiziane lembra que Filipe Nyusi está com poderes limitados.

Porque o encontro foi convocado numa altura em que correm processos criminais e cíveis contra o candidato Venâncio Mondlane, o professor universitário partilha o que, na sua visão, seria um desfecho mais provável.

Chiziane não descarta que sejam necessárias negociações depois da proclamação e validação dos resultados pelo Conselho Constitucional.

Professor de Direito e director da Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane, Eduardo Chiziane fez parte, igualmente, das conversações sobre o pacote de descentralização.

Pelo segundo dia consecutivo, o trânsito ficou paralisado por 15 minutos, a partir das 12 horas, em muitas avenidas das cidades de Maputo e Matola. Os condutores buzinavam e os manifestantes ocupavam a estrada para exigir justiça eleitoral.

No corredor de Maputo, concretamente, na Estrada Nacional Número Quatro, o trânsito estava a correr normalmente, até pontualmente 12 horas. É que os manifestantes se fizeram à estrada e os carros pararam para buzinar, como forma de protesto.

E grande parte dos manifestantes estavam vestidos de preto, cantando e exibindo cartazes. Com a EN4 paralisada, na estrada fazia-se o improvável…jogar futebol.
Foi o segundo dia desta fase de manifestações convocadas por Venâncio Mondlane. E os manifestantes saíram à rua para exigir mudanças no país.

“Se nós fazemos isso, é porque estamos a reivindicar os nossos direitos. Nós queremos que haja mudanças e que algo aconteça neste país”, disse Ernesto Chicamisse, um dos manifestantes que se fez às ruas.

E estas mudanças, dizem eles, devem reflectir-se no custo de vida. “Estamos a pedir para baixarem o preço da comida porque nós estamos a morrer à fome. Trabalhamos, mas parece que é em vão”, apelou Maria Alberto, manifestante, num tom de revolta.

Outra exigência dos manifestantes tem a ver com a justiça eleitoral. “Estou parada por conta da manifestação e é legítimo e justo porque Venâncio ganhou e a população elegeu a ele”, justificou uma das manifestantes a bordo na sua viatura.

Mas nem todos pararam no trânsito para se manifestarem. Há quem não concorda com tudo isto. “Parei porque há uma multidão que me fez parar. Não concordo. Estamos a parar com a economia porque queremos os nossos direitos? Não concordo. Existem fóruns próprios para resolver problemas. Não é ficando aqui e há crianças. Elas (as crianças) estão a ser mal educadas. Não a encontrar uma educação como deve ser”, repudiou as manifestações, Ana Macuvele.

No centro da Cidade de Maputo, as avenidas estavam abarrotadas e congestionadas.

De um lado, os carros que, às 12 horas, interromperam a marcha e, do outro, os manifestantes a cantar e dançar.

A reivindicação era a mesma…verdade eleitoral. “Queremos mudança. Queremos resultado original. Só queremos resultado original”, exigiu um dos manifestantes.
E houve estudantes que se juntaram aos protestos. “Somos estudantes da UDM. Estávamos a manifestar. Estamos cansados. Queremos mudanças. Nós votamos no Venâncio”, referiu uma das estudantes.

Até a partir do seu prédio, há quem se manifestava e os outros eram meros espectadores.

Onde não conseguimos estar, as imagens chegaram-nos através de vídeo amadores. Os carros paravam e faziam ecoar as buzinas dos protestos Os manifestantes também marcharam pelas artérias da capital do país.

Aliás, havia quem tomava chá e lia um livro no meio da estrada. E tudo isto durou apenas 15 minutos e decorreu de forma pacífica. Depois, o trânsito voltou a fluir normalmente e a Polícia esteve lá para orientar.

Trinta e três autocarros de transporte público de passageiros estão parados no Município de Nampula, por avarias e falta de acessórios. Trata-se de um lote de 40 viaturas que foram adquiridas através de uma dívida de 26 milhões de Meticais que ainda não foi paga.

Esta situação faz com que, nos dias de hoje, o parque da Empresa Municipal de Transporte Urbano esteja transformado num “cemitério” de autocarros. Ao todo, são 33 que estão parados por falta de acessórios e outros por avaria, o que deixa a cidade de Nampula quase dependente do transporte semicolectivo de passageiros.

E porque a recuperação não se mostra viável, a edilidade pensa em livrar-se dos mesmos.

Neste momento, apenas sete autocarros se encontram em circulação na cidade de Nampula.

O edil de Nampula, Luís Giquira, espera adquirir, no próximo ano, dez autocarros através de uma comparticipação do Ministério dos Transportes e Comunicações em 40%.

Os vendedores do Mercado Kwachena, na cidade de Tete, queixam-se da falta de clientes devido às manifestações e alegam que a situação está a retrair potenciais compradores de produtos no local.

Desde que iniciaram as manifestações convocadas pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, os mercados informais da cidade de Tete tendem a registar fraco movimento de clientes. Entretanto, como saída, os vendedores são obrigados a baixar os preços de produtos, sobretudo a batata, tomate e cebola. Dizem estar a somar prejuízos relacionados com a falta de compradores e deterioração dos produtos.

Por outro lado, os compradores queixam-se do agravamento de preços dos produtos de primeira necessidade. O óleo, sabão e ovos, por exemplo, tiveram uma subida que varia entre 50 a 200 Meticais.
Os comerciantes dizem que tal facto está relacionado com as dificuldades para movimentar mercadorias dos países vizinhos para Moçambique e vice-versa.

Tomate, cebola e a batata produzida localmente estão em abundância nos principais mercados informais da cidade de Tete.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, considerou o financiamento de 20 milhões de euros aprovado pela União Europeia, para apoiar o Ruanda como um “duplo ganho” para Moçambique

Para Nyusi, que falava quarta-feira, em Harare, no Zimbabwe, após o encerramento da cimeira extraordinária da SADC, o apoio da União Europeia destina-se a reforçar as capacidades militares das tropas ruandesas que actuam ao lado das forças moçambicanas no teatro operacional norte.

O Estadista moçambicano respondia a uma questão levantada sobre por que motivo o financiamento da União Europeia foi direcionado ao Ruanda, em vez de ser canalizado directamente para Moçambique. 

O Chefe de Estado argumentou ainda que Moçambique já beneficia de apoio directo da União Europeia em diversas áreas, incluindo na componente de treinamento militar e outras iniciativas estratégicas, que atingem até ao momento 800 milhões de euros.

O apoio adicional adoptado complementa a medida de assistência paralela, no valor de 89 milhões de euros, às Forças Armadas moçambicanas treinadas pela Missão de Formação da UE (EUTM) Moçambique.

Criado em Março de 2021, o Mecanismo Europeu de Apoio à Paz visa financiar acções externas da UE com implicações militares ou de defesa, com o objectivo de prevenir conflitos, preservar a paz e reforçar a segurança e a estabilidade internacionais.

Em particular, o EPF permite à UE financiar acções destinadas a reforçar as capacidades de Estados terceiros e organizações regionais e internacionais em matéria militar e de defesa.

Desde Outubro de 2017 que Moçambique, particularmente Cabo Delgado, é alvo de ataques terroristas que já resultaram na morte de mais de quatro mil pessoas e levaram mais de quatro mil a abandonar as suas residências na busca de locais mais seguros.

O trânsito ficou paralisado, hoje, às 12h00, em algumas avenidas da Cidade de Maputo, em resultado dos protestos contra os resultados eleitorais. Vestidos de preto, os manifestantes tocaram buzinas, cantaram e exibiram cartazes. Tudo correu de forma pacífica.

Pontualmente às 12h00, o trânsito parou, literalmente, em algumas avenidas da Cidade de Maputo. Com o relógio numa mão e a outra ao volante, os condutores accionaram buzinas e o acto teve réplica. Era uma nova forma de os manifestantes se fazerem ouvir. Não foi só isso que aconteceu. Vestidos de preto, alguns manifestantes encheram as avenidas de Maputo, cantando e exibindo cartazes, até que os que estavam nos seus postos de trabalho se juntaram aos protestos.

As manifestações ocorreram em diversas artérias, com o objectivo de protestar contra os resultados eleitorais anunciados pela Comissão Nacional de Eleições, que consideram injustos e fraudulentos.

Os protestos aconteceram de forma pacífica. Entretanto, há quem não gostou da atitude de alguns manifestantes naqueles 15 minutos, considerando que a sua iniciativa consubstanciava em impedir que tomasse, de forma normal, a sua direcção para desenvolver as suas actividades.

Na Estrada Nacional Número Quatro (EN4), precisamente na zona da Maquinag, no bairro Luís Cabral, os manifestantes pararam no meio da via e interromperam o trânsito.

A manifestação não só foi captada pelas lentes de várias televisões, como também por câmaras amadoras.

Os que não estavam nas viaturas juntavam-se aos outros, formavam pequenos grupos e cantavam, exibindo cartazes. Todo o movimento durou, exactamente, 15 minutos.

Durante este período, nenhum polícia esteve na estrada para regular o trânsito e muito menos para dispersar os manifestantes. As avenidas que dão acesso a instituições sensíveis, como a Presidência da República, Ponta Vermelha, Ministérios da Defesa Nacional e do Interior, ficaram temporariamente fechadas. Depois de 15 minutos, tudo voltou ao normal e a Polícia esteve lá para orientar o trânsito.

+ LIDAS

Siga nos