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O País – A verdade como notícia

Morreu, ontem, o antigo presidente do Conselho do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), cargo que ocupou por sete anos. 

Francisco Mazoio representava os trabalhadores no INSS, indicado pela Organização dos Trabalhadores Moçambicanos – Central Sindical,  onde, durante anos, desempenhou várias funções, como as de porta-voz, secretário para a área de organização, administração e finanças, assim como chefe de Gabinete de Estudos. 

 

Todos os alunos da 10.ª e 12.a classes que não conseguiram realizar os exames nacionais por conta dos protestos pós-eleitorais no país, serão submetidos a exames especiais de chamada única, de 20 a 24 de Janeiro de 2025.

O sector da educação é um dos mais afectados pelos protestos pós- eleitorais no país, facto que limitou a realização dos exames da 10.ª e 12 ª classes para os alunos que não conseguiram se fazer presente nas escolas. Diante da situação, o Instituto Nacional de Exames, Certificação e Equivalências do Ministério da Educação e Desenvolvimeno Humano, partilhou um edital no qual comunica que,

“Os alunos inscritos para os exames finais da 1ª e 2ª chamadas assim como os candidatos externos que não conseguiram realizá-los nas escolas por motivos de vária ordem, serão submetidos a exames especiais de chamada única, de 20 a 24 de Janeiro de 2025”

Os interessados “poderão candidatar-se a estes exames os alunos internos inscritos da 10.ª e 12ª classes que perderam os exames finais da 1ª e 2ª chamadas e os candidatos externos da 12 ª classe que não realizaram os exames de candidatos externos”.

O processo de inscrição deverá ser através de um requerimento feito pelo Pai e/ou encarregado de educação dos alunos internos bem como pelo candidato externo, que deverá solicitar a inscrição aos exames especiais, justificando os motivos pelos quais o seu filho, educando ou candidato externo não realizou as provas, indicando o número do Júri de admissão aos exames, para os alunos internos, e o número do código para os candidatos externos.

Do edital consta ainda que os pais e encarregados de educação dos alunos internos assim como o candidato externo, devem apresentar um termo de compromisso para a garantir a realização do exame.

As inscrições decorrem de 30 de Dezembro de 2024 a 08 de Janeiro de 2025.

O arcebispo de Nampula diz que as mortes que se assistem nos últimos dias constituem um crime contra a humanidade. Falando na missa que marca o último domingo do ano, Dom Inácio Saúre disse que 2025 é um ano de jubileu e é próprio para a reconciliação entre os moçambicanos.

É das poucas vezes que se houve de dentro da Igreja um discurso tão contundente sobre a vida política e social do país. Dom Inácio Saúre, arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique levantou a voz em pleno sermão, este domingo, num tom de crítica às mortes que se assistem nos últimos dias.

Em plena celebração da missa do último domingo na Sé Catedral, em Nampula, ouviu-se igualmente palavras de esperança.

A situação política e social que Moçambique atravessa só pode passar com diálogo entre os actores, dizem líderes religiosos em Manica.

E se tomarmos o país como um lar de todos nós, é a todos que cabe resolver os problemas do momento. As soluções passam por ouvir diferentes opiniões.

O Cemitério de Lhanguene, na cidade de Maputo, realizou, no sábado, 15 funerais, um número muito acima do habitual de seis enterros por dia. As autoridades dizem que o facto se deve às dificuldades de circulação registadas na semana passada. 

Durante quase uma semana, os portões do Cemitério de Lhanguene estiveram fechados, devido aos protestos, que impediam a realização de funerais, causando, desta forma,  a superlotação das morgues dos hospitais Central, José Macamo e do cemitério de Michafutene.

Sem protestos, no dia de sábado, muitas famílias foram enterrar os seus entes. Só em Lhanguene, 15 funerais tiveram lugar, contra os habituais seis diários. Por isso esteve muito cheio.

Assim foi devido a falta de espaço nas morgues mais próximas. Em pé, sentado no banco ou no asfalto, famílias tiveram que aguardar mais de quatro horas à espera do corpo. 

A directora de Saúde de Maputo, Alice de Abreu, diz que o cenário de superlotação nas morgues poderá melhorar nos próximos dias, com a realização constante de funerais.

Apesar da saída de 57 corpos, mais 51 deram entrada neste sábado. 

Na parte exterior do cemitério estavam os floristas, uma classe que depende dos funerais para fazer vendas. 

O cenário é mais desolador para Samuel, que adquiriu flores, há quatro dias, mas só agora saiu para vender.

Para este domingo, só para Lhanguene estão previstos mais de cinco funerais. 

Trinta e três estabelecimentos municipais e 86 privados foram vandalizados, desde a última segunda-feira, na cidade de Maputo, segundo o edil de Maputo. Rasaque Manhique apela à reabilitação de infra-estruturas.

Este sábado, o edil de Maputo, Rasaque Manhique, visitou as instalações vandalizadas do Município de Maputo, onde disse que já é o momento de voltar a reconstruir a cidade. 

“É a hora de trabalharmos todos, mais do que lamentar. As coisas já estão aqui, estão como estão. É juntarmos as nossas mãos e andarmos para frente.  Vamos nos reorganizar”, disse Rasaque Manhique.

Diz ainda que é a hora de também reconstruir as relações entre os moçambicanos. 

“Entre nós moçambicanos, não devemos fomentar o ódio. Está patente aqui, nas instituições, que estamos aqui a visitar, quer sejam públicas, quer privadas, não se deve fazer o que se fez, não se deve fazer, é feio. São instituições que nós precisamos, a população precisa de todo o histórico (…) a população precisa do banco que foi destruído, queimado e vandalizado”, disse Manhique. 

O Edil da Cidade de Maputo fala também do número de infraestruturas públicas e privadas destruídas. “Temos mais de 33 instituições públicas nossas, municipais, entre secretarias, repartições, direcções. E no balanço que se faz, ainda preliminar em relação a estabelecimentos privados, estamos com um pouco mais de 85 estabelecimento”, disse. 

O presidente do município de Maputo encoraja os agentes privados, que perderam tudo, para que se tentem reerguer.Os bairros periféricos de Maputo foram os mais afectados pelas vandalizações.

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia, através da Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, garante que há combustível suficiente para três semanas em todo país. Moisés Paulino pede apenas que haja condições criadas, de segurança, para que o abastecimento seja efectivo.

A procura de combustível nos postos de abastecimento tem sido o grande martírio dos automobilistas nos últimos dias. Com bombas de combustíveis encerradas em vários postos de abastecimento, as enchentes têm se verificado naqueles que se encontram abertos.

Apesar do caos que se verifica um pouco por todo o país, a Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis garante que a situação não é derivada da falta do líquido, mas sim devido a situação que se vive no país, o que acabou provocando a vandalização de uma centena de postos de abastecimentos.

“Desde que início das manifestações já foram vandalizados 100 postes de abastecimento de combustíveis. E porque o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, através da FUNAE, e o sector privado são parceiros aqui, os dois acabaram por sofrer com esta situação”, disse, realçando ainda que “o sector privado estava reticente em voltar ao mercado, mas nas últimas 72 horas mantivemos encontros coordenados e chegamos a conclusão de que era possível voltar-se a operar neste sector, mas devíamos ter segurança nos postos de abastecimento e no transporte do combustível até que chegue ao consumidor”.

Com a situação estável, a partir deste sábado, Moisés Paulino garante regresso ao abastecimento nos postos que não foram vandalizados.

“Temos combustível para os próximos 25 a 30 dias para distribuição”, promete Moisés Paulino, director nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, que garantiu que nas grandes cidades, onde estavam a ter enchentes, os postos voltaram a funcionar e gradualmente voltarão em todo país.

“Queremos garantir que haja combustível para todos e que nesta quadra festiva haja combustível para todos que queiram se deslocar por este país adentro”, disse.

Mas para tal é preciso que se criem condições de segurança para que os camiões cisternas cheguem aos postos de abastecimento. “Queremos pedir muita calma e ponderação no sentido de saberem que temos combustível suficiente para quadra festiva e para depois da quadra e não há necessidade desta azáfama do líquido. Mas queremos pedir que haja segurança nos postos de abastecimento, que não haja vandalização e que a população colabore. Mas também pedir que haja segurança das vias por forma que os camiões cisternas cheguem a todos locais para abastecer em todos os postos”, pedoi Moisés Paulino.

O director nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis diz que não pode avaliar os danos causados pela vandalização aos postos de abastecimento, o que será feito nos próximos dias.

“Os 100 postos vandalizados foram em todo país, mas com destaque para as grandes cidades, nomeadamente em Maputo e Matola. Por ora não posso precisar os prejuízos e nem os custos da sua reposição, mas estão a fazer levantamento e nos próximos dias poderemos dar mais detalhes. O que posso dizer é que o sector privado tem como fim último o lucro e vão fazer o levantamento total e já concordamos que eles devem repor os postos”, garantiu.

Em relação ao gás de cozinha, Moisés Paulino garante stock para os próximos três meses, mas que é preciso que haja segurança para que se faça a distribuição.

Uma comissão de inquérito vai averiguar as circunstâncias em que ocorreu a evasão dos reclusos da cadeia central e cadeia de máxima segurança.  A informação foi avançada, hoje, pelo vice-ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Filimão Suazi, que acrescentou que, em relação aos reclusos que morreram, está a ser analisado caso a caso, mas há um grupo que foi recapturado já ferido e não resistiu.

O vice-ministro da justiça  visitou a cadeia central, onde lhe foi apresentado pontos sobre a fuga de reclusos daquela unidade penitenciária. Filimão Suazi avançou que foram destruídos vários objectos durante a evasão. 

“Desde incêndio a algumas instalações tecnicamente chave, refiro-me, por exemplo, ao sector de controlo penal, em que incendiaram os processos, incendiaram os computadores e, acto curioso, é que, em algumas situações, antes de incendiarem os computadores, retiraram os discos duros”, explicou. 

Essa destruição, segundo Suazi, refuta as ideias de que haverá alguma conivência da polícia com a fuga dos reclusos. “Isto deve funcionar para esclarecer as pessoas e desmistificar algumas coisas que foram ditas e que estão longe da verdade. Se intenção fosse nossa, o que nunca aconteceria, porque seria estranho, de simplesmente abrir os portões e libertar reclusos, teríamos feito, porque a chaves estão connosco”.  

Em relação aos reclusos mortos, o vice-ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos garantiu que está sendo feita a averiguação de cada caso. No entanto, “há situação de reclusos recapturados, que, na altura em que foram entrevistados, estavam feridos (…) há aqueles que, tendo prestado entrevista, na deslocação para o hospital ou no exercício de voltarem para o estabelecimento penitenciário, depois tomar o transporte para o hospital, alguns perderam a vida, não resistiram”. 

E diz mais: “não há a nível do serviço penitenciário nacional qualquer serviço destinado a eliminação de reclusos”. 

Filimão Suazi avançou  que foi criada uma comissão de inquérito para investigar todo o enredo sobre a evasão de reclusos, e que a família e a comunidade tem trabalhado para a recaptura de vários reclusos. 

Muitas bombas fechadas e enchentes nas poucas que estão a abastecer, nas cidades de Xai-Xai e Nampula. Os automobilistas esperam longas horas para conseguirem abastecer os seus veículos.

Há três dias que a cidade de Xai-Xai, na província de Gaza, enfrenta uma grave escassez de combustíveis líquidos. 

Das 10 principais bombas de combustíveis que existem na cidade, apenas uma tem stock de gasolina e está a abastecer.  Por isso, regista longas filas de automobilistas, que procuram a todo o custo abastecer os seus carros.

Xai-Xai é abastecido a partir de Maputo e com o problema de circulação que se registou na EN1, não houve reabastecimento, o que fez com que nove das 10 bombas ficassem sem stock. 

A escassez de combustível fez com que o transporte de passageiros e de carga fosse afectado. Na sexta-feira, muitas pessoas foram obrigadas a percorrer longas distâncias a pé.

O secretário de Estado na província de Gaza já reagiu a esta situação. 

“Gestores encerraram as bombas, devido às manifestações.  Dizem que os camiões que carregam combustível estão nas garagens por temer ser incendiados e dificuldades de trânsito, devido às barricadas que são colocadas nas estradas. Mas o governo está a trabalhar para normalizar a situação na província”. finalizou Lourenço Lindonde.

Na cidade de Nampula o cenário é idêntico. Muitas bombas de combustíveis nem sequer permitem o acesso ao recinto e, de longe, é possível notar que não há combustível.

A bomba situada ao longo da avenida das FPLM esteve a abastecer nas primeiras horas do dia, mas a gerência interrompeu o abastecimento, devido à confusão que se gerou.

Muitos automobilistas estão desesperados, porque não sabem em que momento serão atendidos.

Longas filas e um longo período de espera é o cenário que se assiste hoje, em alguns bancos comerciais, na cidade de Maputo. Munícipes buscam serviços de atendimento, mas também de levantamento de dinheiro, depois de quase uma semana de confinamento. 

Depois de uma semana de fraca circulação de pessoas e de veículos nas ruas,  várias pessoas saíram em busca dos serviços bancários. Judes Chemanes, utente, diz que, embora a fila seja longa, é obrigado a esperar, pois precisa de dinheiro para suprir algumas necessidades. 

“Temos que aguentar. Estamos nas vésperas do final do ano e precisamos de dinheiro para suprir algumas necessidades. O banco não funciona desde dia 22, tentei lá na minha zona, mas não estava a pagar, dizia que o dispensador de notas está fora de serviço”, disse Judes Chemane. 

Outra pessoa que também enfrenta a longa fila para ter acesso ao dinheiro é Lucas Alberto, que disse estar a aproveitar a calma do sábado, para tentar suprir algumas necessidades. Embora reconheça que a fila é longa, diz que não tem outra opção senão aguentar.

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