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O País – A verdade como notícia

As morgues do Hospital Central de Maputo, Hospital Geral José Macamo e do Cemitério Municipal de Michafutene estão lotadas, devido ao facto de várias famílias não terem conseguido realizar enterros de seu ente-queridos, devido às manifestações.

“Nós temos, a nível da cidade, a morgue do Hospital Central, José Macamo, Mavalane e do cemitério municipal de Michafutene. Todas estas morgues estão lotadas porque as famílias não conseguiram, durante este período, fazer os seus enterramentos”, partilhou a vereadora para a área de saúde e acção social do Município de Maputo, Alice de Abreu. 

A vereadora partilhou que, hoje, está a ser realizado o processo de remoção de corpos da morgue anexa do Hospital Central de Maputo para o cemitério de Michafutene, visto que esta tem uma capacidade maior.  

Partilhou ainda que devido aos enterros que estão a acontecer a nível do Cemitério de Michafutene, estão disponíveis câmaras, para receber cerca de 34 corpos, retirados, esta manhã para o cemitério. 

Isto foi possível igualmente porque, a nível do Cemitério de Michafutene, diferente do que é habitual, foram realizados um pouco mais de 34 enterramentos. A média de enterramentos que temos a nível do Cemitério de Michafutene é de 12, mas hoje vamos realizar aproximadamente esse número”, afirmou.

Alice de Abreu partilhou ainda que estão a ser envidados esforços para garantir que todos enterros possam acontecer, pois “há muita pressão”. “Temos equipas organizadas para garantir que as famílias realizem as cerimónias aqui, ou em Michafutene, ou qualquer outro cemitério”, explicou. 

A vereadora para a área de saúde e acção social do Município de Maputo acrescentou ainda que os últimos três dias “criaram constrangimentos muito sérios, pela pressão de conservação dos corpos”. 

Refira-se que o Cemitério de Michafutene tem uma média de seis enterros diários, mas hoje, segundo partilhou a vereadora para a área da saúde e acção social do Município de Maputo, tem marcado 10 enterros. 

 

As forças de Defesa e Segurança afirmam haver um aproveitamento do direito à manifestação pelos autores morais, para criar desordem no país.

Dizem ainda que estás manifestações têm sido apoiadas e financiadas por algumas organizações da Sociedade Civil e pessoas estrangeiras, entre nacionais e internacionais, com fins “obscuros”.

É por isso que apelam “aos cidadãos estrangeiros residentes no país que se abstenham de qualquer intervenção ou participação em actos que configurem violação à lei e intromissão nos assuntos internos do Estado moçambicano”.

Estás informações foram avançadas após uma reunião entre os ministros do Interior e da Defesa.

Há falta de passageiros no Terminal Rodoviário Interprovincial da Junta, na cidade de Maputo, devido aos protestos contra os resultados eleitorais divulgados pela CNE. Os transportadores dizem que levam dois dias de Maputo para Inhambane e chegam a contrair dívidas para abastecer viaturas.     

Os transportadores interprovinciais consideram anormal a situação que vivem, desde que iniciaram os protestos contra os resultados eleitorais. Há falta de clientes e a escassez é pior que os tempos da COVID-19. 

Esta sexta-feira, viaturas, poucos ou nenhum autocarro de transporte interprovincial de passageiros saiu do Terminal da Junta. 

Vendedores também se queixam da falta de clientes e até falam de pouca movimentação no interior do terminal. 

Os operadores que conseguem levar passageiros, falam de dificuldades durante o seu percurso. 

Feitas as contas, o negócio não compensa, disse Gulamo, transportador de passageiros.

Esta é a situação a que os transportadores interprovinciais de passageiros na capital do país estão sujeitos, por conta de protestos contra os resultados eleitorais. 

E outros sectores, não poucos, podem estar a experimentar as mesmas dificuldades.

 

   

 

  

 

 

 

O distrito de Massingir, na província de Gaza, passa, desde esta sexta-feira, a contar com um edifício do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), construído de raiz, no âmbito da expansão da cobertura de serviços à população.

A inauguração da infra-estrutura do INSS foi feita pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, no âmbito da visita de trabalho àquele distrito situado a norte da província de Gaza.

Neste contexto, já foram inaugurados, igualmente pelo chefe de Estado, os edifícios onde funcionam as delegações distritais de Metuge, em Cabo Delgado, que foi o primeiro deste modelo, de Namaacha e Magude, na província de Maputo, Moatize, em Tete, Malema, na província de Nampula, Milange, na província da Zambézia e Nhamatanda, na província de Sofala.

Na sua conta Facebook, o Presidente da República escreveu, a propósito do evento, que “Gaza avança na segurança social. Massingir recebe hoje um sinal claro de progresso e inclusão com a entrega do edifício para o funcionamento da Delegação Distrital do INSS. Esta moderna infraestrutura traz proximidade, eficiência e dignidade no acesso aos serviços de segurança social”.

Na mesma página oficial do Facebook, Nyusi acrescenta que ao encurtar distâncias e melhorar o atendimento, “reafirmamos o nosso compromisso com o bem-estar e o futuro dos trabalhadores moçambicanos. Que esta obra seja cuidada por todos como parte do caminho para um país mais justo e desenvolvido”. .

André Mulungo defende que a actuação da polícia é que tem contribuído para que haja violência nas manifestações. Para o comentador do programa Noite Informativa da STV, as pessoas atingiram um “alto nível de saturação”. O mesmo pensamento é partilhado por Elídio Mendes, que diz que a gestão das manifestações é feita de forma errada 

Um parecer que buscava responder como parar com a violência nas manifestações. O comentador André Mulungo apontou para o alto nível de saturação das pessoas, em relação ao Governo do dia, aliado à “má actuação” da polícia, como o impulso para o alto nível de violência, nas manifestações pós-eleitorais. 

“O Governo da Frelimo sempre usou a polícia para partir para cima das pessoas e chegou-se a um nível de saturação em que as pessoas demandam mudança mesmo. Por isso, chegamos ao ponto em que chegamos. As pessoas fazem aquilo porque, provavelmente, acham que o Governo não as ouve, e pensam que sentar e dialogar [não trará solução]”, disse Mulungo. 

Para André Mulungo, as instituições não funcionam e precisam que lhes seja feita pressão para que funcionem como devem. 

“As instituições não funcionam. A Comissão Nacional de Eleições, que nos criou os problemas ano passado, que continua a criar problemas, ainda é a mesma. O Conselho Constitucional continua a ser a mesma coisa, os tribunais continuam a ser a mesma coisa, o Ministério Público continua a fazer a mesma coisa (…). O ponto mesmo é que o povo chegou a um ponto de saturação (…), o povo precisa de mudanças e acredito que, por esta via, provavelmente, consigam mudar as coisas”, explicou. 

Elídio Mendes, também comentador do programa Noite Informativa, acrescenta que  a gestão das manifestações está a ser feita de forma  errada. “Estamos a dizer que a reacção da polícia está a funcionar como uma espécie de gasolina, no meio da população”. 

Mendes explica que já há uma “cólera, uma insatisfação colectiva”, que está a ser mal acolhida pela polícia. 

O comentador sublinhou que não é a presença da polícia que provoca a violência, mas a reacção das Forças de Defesa e Segurança. 

 

O ministro dos Transportes e Comunicações lançou, hoje, o projecto Internet Para Todos, que visa expandir o acesso à internet para todos os moçambicanos  até 2030. Mateus Magala diz que não faz sentido que até hoje apenas 7.8 milhões de moçambicanos tenham acesso a internet.

O projecto Internet para todos é lançado poucos dias depois de se terem registado restrições de internet devido a onda de protestos pós-eleitorais.    

Mateus Magala avança que a ideia é tornar a internet um direito de cada cidadão, independentemente da sua origem.

Residentes de alguns bairros da vila sede distrital de Chongoene, em Gaza, clamam por corrente eléctrica para iluminação e execução de outras actividades dependentes deste recurso.

A situação compromete, inclusive, o único sistema de abastecimento de água, instalado na zona que, actualmente, depende de paineis solares para seu funcionamento. 

“O funcionamento do nosso sistema depende da irradiação solar, sem a qual não há água. Por exemplo, ‘hoje’, não tivemos água durante o período da tarde porque as baterias não acumularam carga suficiente para assegurar o funcionamento do sistema”, diz Marcos Mahumane, operador privado do sistema de abastecimento de água. 

Face à falta de corrente elétrica da rede pública, assim como Marcos Mahumane, residentes de quatro bairros de Ngonwanine chegam a percorrer quase quatro quilómetros para carregarem as baterias dos telemóveis.

Enquanto aguardam pela execução da fase dois do projecto “Energia para todos” cujo arranque estava previsto para Janeiro do ano em curso, assim vivem pelo menos 10 mil famílias que passam dificuldades.

“Praticamente, o nosso bairro não se desenvolve por falta de energia”, sublinhou um dos moradores.

Contatado pela O País, o administrador de Chongoene, Artur Macamo, esclareceu que o atraso na implementação da fase dois do projecto fica a dever-se ao incumprimento das garantias de parceiros no desembolso dos fundos para o efeito.

“ Na verdade, a execução desta actividade estava prevista para Janeiro passado, entretanto, com o atraso no desembolso dos fundos, por parte do nosso parceiro financeiro, a mesma passou para finais deste ano”, esclareceu Macamo.

No distrito de Chongoene, a taxa de cobertura da rede elétrica é de cerca de 59% para uma população estimada em 121 mil habitantes.

O Presidente da República diz que Fernando Faustino foi um dirigente de referência e que lutava pela melhoria das condições dos combatentes da luta de libertação nacional. Filipe Nyusi falava durante o velório na sede do partido, na cidade de Maputo.

Filipe Nyusi prestou condolências, hoje, à Família de Fernando Faustino, veterano da luta de libertação nacional, que perdeu a vida na vizinha África do Sul, vítima de doença.

Na ocasião, o chefe de Estado enalteceu a contribuição de Faustino na construção do país e na Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN).

Filipe Nyusi define Fernando Faustino como um dirigente de referência e que tudo fez para a melhoria das condições dos antigos combatentes.

A jovem de 29 anos, atropelada, pelo carro blindado das Forças Armadas de Moçambique (FADM) está fora de perigo, embora continue internada no Hospital Central de Maputo.   

A informação foi avançada pelo director do serviço de Urgências do Hospital Central de Maputo, Dino Lopes, que explicou que a paciente chegou em estado grave e inconsciente, mas, após os cuidados médicos, encontra-se “estável” e consegue interagir com os familiares e profissionais de saúde. 

“A jovem teve lesões na cabeça, membros inferiores, abdômen, tórax e bacia e pescoço estão intactos e, segundo os exames que fizemos, só teve lesões na cabeça, mas não precisamos fazer nenhuma intervenção cirúrgica. Estamos a fazer o tratamento medicamentoso”, explicou o médico.     

O médico garante que, em uma semana, a paciente poderá ter alta. 

Além da paciente de 29 anos, esta quarta-feira, mais cinco pessoas deram entrada ao hospital, devido às manifestações. 

Trata-se de “uma jovem com lesões, causada por queda, outros tiveram lesões leves por bala de borracha. Tivemos dois com lesão no olho e os outros nos membros inferiores, possivelmente, causados por cartuchos de gás lacrimogêneo, pela extensão das feridas”.

Segundo o médico todos os pacientes tiveram alta e vão continuar com o tratamento nas unidades sanitárias, próximas das suas residências.

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