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O País – A verdade como notícia

Muitas bombas fechadas e enchentes nas poucas que estão a abastecer, nas cidades de Xai-Xai e Nampula. Os automobilistas esperam longas horas para conseguirem abastecer os seus veículos.

Há três dias que a cidade de Xai-Xai, na província de Gaza, enfrenta uma grave escassez de combustíveis líquidos. 

Das 10 principais bombas de combustíveis que existem na cidade, apenas uma tem stock de gasolina e está a abastecer.  Por isso, regista longas filas de automobilistas, que procuram a todo o custo abastecer os seus carros.

Xai-Xai é abastecido a partir de Maputo e com o problema de circulação que se registou na EN1, não houve reabastecimento, o que fez com que nove das 10 bombas ficassem sem stock. 

A escassez de combustível fez com que o transporte de passageiros e de carga fosse afectado. Na sexta-feira, muitas pessoas foram obrigadas a percorrer longas distâncias a pé.

O secretário de Estado na província de Gaza já reagiu a esta situação. 

“Gestores encerraram as bombas, devido às manifestações.  Dizem que os camiões que carregam combustível estão nas garagens por temer ser incendiados e dificuldades de trânsito, devido às barricadas que são colocadas nas estradas. Mas o governo está a trabalhar para normalizar a situação na província”. finalizou Lourenço Lindonde.

Na cidade de Nampula o cenário é idêntico. Muitas bombas de combustíveis nem sequer permitem o acesso ao recinto e, de longe, é possível notar que não há combustível.

A bomba situada ao longo da avenida das FPLM esteve a abastecer nas primeiras horas do dia, mas a gerência interrompeu o abastecimento, devido à confusão que se gerou.

Muitos automobilistas estão desesperados, porque não sabem em que momento serão atendidos.

Longas filas e um longo período de espera é o cenário que se assiste hoje, em alguns bancos comerciais, na cidade de Maputo. Munícipes buscam serviços de atendimento, mas também de levantamento de dinheiro, depois de quase uma semana de confinamento. 

Depois de uma semana de fraca circulação de pessoas e de veículos nas ruas,  várias pessoas saíram em busca dos serviços bancários. Judes Chemanes, utente, diz que, embora a fila seja longa, é obrigado a esperar, pois precisa de dinheiro para suprir algumas necessidades. 

“Temos que aguentar. Estamos nas vésperas do final do ano e precisamos de dinheiro para suprir algumas necessidades. O banco não funciona desde dia 22, tentei lá na minha zona, mas não estava a pagar, dizia que o dispensador de notas está fora de serviço”, disse Judes Chemane. 

Outra pessoa que também enfrenta a longa fila para ter acesso ao dinheiro é Lucas Alberto, que disse estar a aproveitar a calma do sábado, para tentar suprir algumas necessidades. Embora reconheça que a fila é longa, diz que não tem outra opção senão aguentar.

Todos os líderes políticos e intervenientes nacionais relevantes são chamados a acalmar a tensão no pais, através de um diálogo significativo, de reparação legal e absterem-se do uso da violência. O apelo é do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres.

O anúncio dos resultados eleitorais por parte do Conselho Constitucional em Moçambique já é do conhecimento do Secretário-Geral das Nações Unidas. A informação é da porta-voz associada de António Guterres, Stéphanie Tremblay.

“O Secretário-Geral tomou nota do anúncio do Conselho Constitucional de Moçambique relativamente ao resultado das eleições gerais realizadas no dia 9 de Outubro de 2024”, disse Stéphanie Tremblay.

E por que continua a acompanhar os desenvolvimentos da situação pós-eleitoral no país, Guterres diz estar preocupado com a perda de vidas humanas e com a destruição de bens públicos e privados.

“O Secretário-Geral está preocupado com a violência pós-eleitoral, que resultou na perda de vidas e na destruição de propriedade pública e privada”, porta-voz associada de António Guterres.

Para que tal não perdure, o Secretário Geral das Nações Unidas deixa um apelo,

“Ele insta todos os líderes políticos e intervenientes nacionais relevantes a acalmarem as tensões, nomeadamente através de um diálogo significativo, de reparação legal, a absterem-se do uso da violência e a redobrarem esforços para procurar uma resolução pacífica para a crise em curso, de uma forma construtiva, o que é essencial para a futuro colectivo dos moçambicanos”.

Daniel Francisco Chapo diz que tem acompanhado a onda de manifestação que se verificam um pouco por todo o país, com destaque para as cidades de Maputo, Matola, Nampula e Beira. O recém-eleito Presidente da República diz ainda que essas manifestações contribuem para que o país regrida e “os moçambicanos caminhem para o desemprego e miséria.

Através de um comunicado para o Jornal O País, Daniel Chapo lamentou a perda de vida, durante os protestos, que acontecem um pouco por todo o País, e a destruição de infra-estruturas públicas e privadas.

“Endereço os meus mais sentidos pêsames a todos aqueles que perderam os seus entes queridos por conta desta polarização, uma situação muito preocupante por estarmos a perder vidas humanas, de que Moçambique tanto precisa para desenvolver e continuar a afirmar-se no concerto das nações. Aos hospitalizados e aos que estão em recuperação nos seus aposentos, desejo rápidas melhoras”, lê-se no comunicado.

Chapo solidariza-se, também, com todos os empresários, nacionais e estrangeiros, que se viram afectados pelas manifestações e enfatizou a necessidade do trabalho conjunto na busca de soluções.

“Vamos, a breve trecho, trabalhar juntos em soluções para os problemas gerados por esta triste situação”, assegura o recém-eleito presidente.

 

Uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas, esta quarta-feira, durante uma rebelião de reclusos da cadeia regional de Mabalane, na província de Gaza. A Polícia da República de Moçambique (PRM) confirma a evasão de um recluso e diz que deteve 25 pessoas em tumultos, durante a celebração do natal.

A agitação começou por volta das 17 horas de quarta-feira, na cadeia regional de Mabalane, em Gaza. De acordo com polícia, o grupo pretendia colocar em liberdade cerca de 300 reclusos.

“A rebelião aconteceu no maior pavilhão penitenciário de Mabalane.  Cerca 20 reclusos incendiaram quatro pavilhões, para tentar fragilizar o sistema de segurança e evadir-se. O grupo quer materializar a fuga para se juntar aos manifestantes” disse Júlio Nhamussua, porta-voz da PRM em Gaza.

Os agentes da guarda penitenciária não conseguiram impor-se. Por isso, segundo, Júlio Nhamussua, a corporação teve de agir com força para travar a evasão dos reclusos.

“A confrontação resultou em óbito. Na confrontação directa com os reclusos no interior da cadeia, três ficaram gravemente feridos e um conseguiu fugir. Há operações seguintes de busca para sua recaptura”, esclareceu.

A PRM afirma que a situação está controlada, mas há agentes em permanência na penitenciaria.

A noite de natal foi, igualmente, agitada na vila da Macia, no distrito de Bilene, onde foram colocados pneus em chamas e barricadas ao longo da Estrada Nacional Número Um.

Os protestatários vandalizaram as instalações onde funciona o tribunal judicial, no distrito de Bilene. O Comércio local não escapou, foram mais de três empreendimentos vandalizados e totalmente saqueados. Há 25 detidos.

Na cidade Xai-Xai, pelo menos dois empreendimentos comerciais, incluindo as instalações da Águas de Região Sul foram alvo de vandalização e saque.

Uma fábrica de processamento de farinha foi saqueada, na manhã do dia 25, na zona de Infulene A, na Matola. Testemunhas contam que tiveram de negociar com os protestatários para que a empresa não fosse incendiada após o saque.

Sacos de farinha de milho, farelo, computadores e vários outros objectos foram saqueados por um grupo de protestatários, numa fábrica de processamento de farinha. O gestor de Recursos Humanos da fábrica contou que os saqueadores derrubaram o portão e com ajuda de alguns objectos abriram brechas na parede e invadiram a fábrica.

Foi também levado um computador que controlava o funcionamento das máquinas na fábrica, fazendo com que todos os trabalhos fossem interrompidos. “A fábrica fornece farinha a todo país e agora não temos o que fazer”, disse o gestor de Recursos Humanos.

O segurança que presenciou o ocorrido diz que teve de implorar para que a fábrica não fosse incendiada, mas algumas fábricas vizinhas não tiveram a mesma sorte.

O caso já foi participado a polícia, mas ainda não foram contabilizados todos os danos causados.

Longas filas e uma espera incansável é o cenário que se vive em algumas bombas de combustível, na cidade de Nampula. Condutores reclamam que têm de recorrer ao combustível vendido nas casas, mas o preço é muito mais elevado.

Muitas bombas de combustível interromperam o seu funcionamento, desde segunda-feira, criando um cenário de escassez, na cidade de Nampula. Os compradores dizem que já visitaram diversas bombas e as poucas que estão a funcionar não têm gasolina.

Algumas pessoas buscam o combustível para abastecer as suas viaturas, outras para revender em seus bairros.  Jamil Carlos conta que já há uma hora espera para ser atendido, mas a venda foi interrompida, pois se recusam a vender aos que não têm ali as suas viaturas.  

Caetano Malache também busca combustível para a sua viatura e diz que já passam horas desde que chegou. “Não tenho como usar a motorizada. Uso também para o trabalho”, contou. 

Subiu de 35 para 37 o número de  reclusos mortos durante a fuga no  Estabelecimento Penitenciário de Maputo (antiga Cadeia Central da Machava). Os dados foram confirmados ao “O País” por Ramos Zambuca, diretor de operações penitenciárias do SERNAP.

Zambuca disse, ainda, que  1570 prisioneiros foram recapturados e alguns tomaram a iniciativa de se entregar às autoridades.

“Estamos a falar de pessoas que cometeram crimes de violação de menores, crimes de roubos concorrendo com homicídios. Temos, até, terroristas. Temos,  também, condenados por crimes de raptos. Pedimos a colaboração da sociedade civil no sentido de denunciar. Prestamos a informação de que tínhamos 37 feridos e, destes, dois perderam a vida hoje.    Destes 37 feridos, tínhamos onze internados no Hospital Central de Maputo, sendo que quatro tiveram alta. Temos 20 que estão a ser assistidos no Estabelecimento Penitenciário Provincial de Maputo e da máxima segurança. Portanto, passou de 35 para 37 o número de mortos”, disse Zambuca.

Nas redes sociais, circulam alguns vídeos nos quais há relatos de supostos casos de execução de alguns dos reclusos capturados. O “País” questionou, por isso, a Ramos Zambuca, em que circunstâncias teriam ocorrido as mortes.

“Temos que compreender que o processo de perseguição de reclusos não é pacifico. Temos raptores, terroristas, portanto, estão envolvidas várias forças de defesa e segurança  neste processo de perseguição. Alguns estão lá na cadeia, mas deixaram armas em casa. E, neste processo de perseguição, não é chegar e dizer vamos. Ha, em algum momento, alguma confrontação”, disse, sem aprofundar.

Zambuca justificou, ainda, que “não tenho conhecimento de um caso em que a pessoa aparece como capturada e, depois, como óbito”.

Segundo o director de operações penitenciárias do SERNAP,  “existem casos de pessoas que fugiram mesmo depois de terem sido atingidas”.

O SERNAP clarificou que os reclusos evadidos foram recapturados na cidade e província de Maputo, “quase que em todos os bairros”.

Durante a evasão, explicou Zambuca, oito agentes penitenciários ficaram feridos. “Três foram feitos reféns pelos reclusos”.

Dos evadidos, cerca de 98 cumpriam pena na Cadeia de Máxima Segurança, vulgo BO,  e os restantes no Estabelecimento Penitenciário Provincial de Maputo.

Algumas pessoas supostamente baleadas, durante o processo de busca e captura dos presos evadidos, dizem que nao pertencem ao grupo de criminosos. Alguns queixam-se de terem sido presos injustamente, uma vez que voltavam do trabalho.

O SERNAP justifica que “este trabalho de recaptura está a ser feito por Forças de Defesa e Segurança  e que nao se tem conhecimento de todas as pessoas, então, estão a trabalhar na base de suspeitas mas temos equipas posicionadas da  guarda penitenciária um pouco pela cidade e província de Maputo para se proceder este reconhecimento”. Segundo a fonte, continuam no terreno acções com vista a recapturar outros reclusos evadidos.

“Operações ainda estão em curso para a busca e recaptura dos que se encontram evadidos.  Temos, entre estes 170, alguns regressados voluntariamente. Temos alguns que estão a regressar com a colaboração da própria família. Temos reclusos que foram capturados pelas Forças de Defesa e Segurança. Portanto, queremos aproveitar esta oportunidade para apelarmos à colaboração da sociedade em denunciar, portanto, junto às Forças de Defesa e Segurança para recaptura porque, alguns destes reclusos que estão em situação de evadidos, são extremamente perigosos”.

Entretanto, uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas durante tentativa de evasao de reclusos em Mabalane. Segundo a PRM, os reclusos provocaram um motim e, depois disso, os gaurdas prisionais accionaram a policia para restabelecer a ordem naquele estabelecimento penitenciário.

Os reclusos atearam fogo que acabou por atingir quatro pavilhões, tendo as autoridades encentando acções para conter os ânimos. Há dias, houve uma evasão na penitenciária distrital da Manhiça, de onde fugiram cerca de 90 reclusos após a intervenção de populares.

Continuam, por outro lado, foragidos os mais de 90 reclusos que se evadiram da cadeia distrital de Ile, na Zambézia, na sequência da vandalização do estabelecimento penitenciário por protestantes.

Ainda não há pistas do paradeiro dos 90 reclusos, que fugiram das celas da cadeia distrital do Ile, no passado dia 11 deste mês. A informação é da Polícia da República de Moçambique, na Província da Zambézia.

Desde que começaram os protestos, em Moçambique, mais de 200 reclusos foram libertados por manifestantes em três cadeias do país, nos distritos de Chibuto em Gaza e nos distritos de Ile e Morrumbala, na Zambézia.

Pelo menos 22 pessoas morreram, durante a violência pós-eleitoral, nos últimos três dias, na cidade de Nampula. Deste número, 17 chegaram já sem vida ao hospital e há mais quatro vítimas de ferimentos em tratamento, segundo dados avançados pelo Hospital Central de Nampula.

Os dados foram partilhados pelo director geral do HCN, Cachimo Molina, dando conta que deram entrada, naquela que é a unidade de referência da zona norte de Moçambique, um total de 480 doentes, dos quais 116 com ferimentos provocados quer por arma de fogo ou  outro tipo de arma.

“O que nos chama mais atenção é que temos pacientes, 116, que entraram vítimas de ferimentos, que não sabemos se foram por arma de fogo ou se foram por outras coisas”, disse.

Isso obrigou a equipa de médicos cirurgiões, assim como de médicos ortopedistas, a prolongar as horas de trabalho, para dar vazão ao elevado número de feridos. Molina referiu que o facto resultou no internamento de 31 pacientes, dos quais quatro foram internados nos cuidados intensivos e os restantes nas enfermarias de cirurgia e ortopedia.

“A nossa maior preocupação é com os pacientes que se encontram nos cuidados intensivos, que os médicos estão a fazer o máximo para ver se podemos recuperá-los”, disse.

Referiu que um dos maiores obstáculos é o transporte dos médicos e técnicos dos seus locais de residência ao HCN, devido as barricadas instaladas pelos manifestantes, que acabam condicionando a passagem dos médicos e profissionais de saúde.

“Então temos que utilizar os meios de transporte que temos, que são as ambulâncias. Nesse momento, três ambulâncias estão a fazer essa actividade de ir levar os técnicos que nós necessitamos para a unidade sanitária, ver se podem dar apoio aos outros”, explicou.

Acrescentou também que “ há colegas que não estão a conseguir chegar, por meios próprios, então o número de profissionais vai reduzindo. Evidentemente que isso faz com que aqueles que estão cá dentro da unidade sanitária trabalhem mais horas do que deviam”.

Questionado sobre a disponibilidade de sangue, a fonte respondeu que o HCN tem disponíveis apenas 70 unidades, uma quantidade exígua para as necessidades de um hospital central, sobretudo, neste momento de festas e de manifestações violentas. Disse que para uma situação sem stress seriam necessários acima de 200 unidades de sangue. “E como posso dar só a título de exemplo, é que nós ontem (24) gastamos mais de 35 unidades para conseguirmos salvar as pessoas”.

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