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O País – A verdade como notícia

A ministra do Trabalho e Segurança Social, Margarida Talapa, concede tolerância de ponto a todos os trabalhadores e funcionários públicos durante todo o dia 31 de Dezembro, por ocasião dos preparativos para a festa de fim de ano.

O direito não envolve os trabalhadores que exerçam actividades que, pela sua natureza, não possam sofrer interrupção.

 

Este ano, doze pessoas perderam a vida devido à malária, na  Província de Tete. Segundo a rádio pública, os óbitos fazem parte de um cumulativo de mais de 600 mil casos diagnosticados com a doença.

Para o Director Provincial de Saúde, em Tete, o número de óbitos       teve uma tendência decrescente neste período em quarenta por cento em comparação a igual período do ano passado, onde foram registados 20 óbitos.

Alex Bertil, avança a Rádio Moçambique,  explicou que mesmo assim a doença ainda constitui grande preocupação para o sector da Saúde.

”Continuamos a distribuir de forma gratuita redes mosquiteiras a toda  mulher grávida na consulta pré-natal ou na consulta seguinte, caso não tenha recebido na primeira. Estamos a fazer a administração do tratamento intermitente preventivo com FANSIDAR a todas mulheres grávidas a partir da décima terceira semana de gestão, com vista a prevenir a malária“,  disse o Director Provincial de Saúde, em Tete, citado pela RM.

No presente quinquénio, o sector da saúde em Tete realizou duas campanhas onde foram distribuídas mais de um milhão e seiscentas mil redes mosquiteiras. 

Ainda na Província de Tete, as autoridades de saúde promovem campanhas de doação de sangue, para atender os casos urgentes na festa de transição de ano.

Para o efeito, le-se na página online da RM, teve lugar, este domingo, no Hospital Provincial de Tete, uma campanha de doação sob o lema: “Solidariedade pela vida”, organizada pelo Conselho dos Serviços de Representação do Estado e parceiros.

Na ocasião, o Secretário do Estado em Tete, Rolinho Farnela, disse que durante a festa da passagem de ano são reportados vários incidentes que necessitam de transfusão de sangue, daí ser importante abraçar a causa de salvar vidas. 

 

Morreu, ontem, o antigo presidente do Conselho do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), cargo que ocupou por sete anos. 

Francisco Mazoio representava os trabalhadores no INSS, indicado pela Organização dos Trabalhadores Moçambicanos – Central Sindical,  onde, durante anos, desempenhou várias funções, como as de porta-voz, secretário para a área de organização, administração e finanças, assim como chefe de Gabinete de Estudos. 

 

Todos os alunos da 10.ª e 12.a classes que não conseguiram realizar os exames nacionais por conta dos protestos pós-eleitorais no país, serão submetidos a exames especiais de chamada única, de 20 a 24 de Janeiro de 2025.

O sector da educação é um dos mais afectados pelos protestos pós- eleitorais no país, facto que limitou a realização dos exames da 10.ª e 12 ª classes para os alunos que não conseguiram se fazer presente nas escolas. Diante da situação, o Instituto Nacional de Exames, Certificação e Equivalências do Ministério da Educação e Desenvolvimeno Humano, partilhou um edital no qual comunica que,

“Os alunos inscritos para os exames finais da 1ª e 2ª chamadas assim como os candidatos externos que não conseguiram realizá-los nas escolas por motivos de vária ordem, serão submetidos a exames especiais de chamada única, de 20 a 24 de Janeiro de 2025”

Os interessados “poderão candidatar-se a estes exames os alunos internos inscritos da 10.ª e 12ª classes que perderam os exames finais da 1ª e 2ª chamadas e os candidatos externos da 12 ª classe que não realizaram os exames de candidatos externos”.

O processo de inscrição deverá ser através de um requerimento feito pelo Pai e/ou encarregado de educação dos alunos internos bem como pelo candidato externo, que deverá solicitar a inscrição aos exames especiais, justificando os motivos pelos quais o seu filho, educando ou candidato externo não realizou as provas, indicando o número do Júri de admissão aos exames, para os alunos internos, e o número do código para os candidatos externos.

Do edital consta ainda que os pais e encarregados de educação dos alunos internos assim como o candidato externo, devem apresentar um termo de compromisso para a garantir a realização do exame.

As inscrições decorrem de 30 de Dezembro de 2024 a 08 de Janeiro de 2025.

O arcebispo de Nampula diz que as mortes que se assistem nos últimos dias constituem um crime contra a humanidade. Falando na missa que marca o último domingo do ano, Dom Inácio Saúre disse que 2025 é um ano de jubileu e é próprio para a reconciliação entre os moçambicanos.

É das poucas vezes que se houve de dentro da Igreja um discurso tão contundente sobre a vida política e social do país. Dom Inácio Saúre, arcebispo de Nampula e presidente da Conferência Episcopal de Moçambique levantou a voz em pleno sermão, este domingo, num tom de crítica às mortes que se assistem nos últimos dias.

Em plena celebração da missa do último domingo na Sé Catedral, em Nampula, ouviu-se igualmente palavras de esperança.

A situação política e social que Moçambique atravessa só pode passar com diálogo entre os actores, dizem líderes religiosos em Manica.

E se tomarmos o país como um lar de todos nós, é a todos que cabe resolver os problemas do momento. As soluções passam por ouvir diferentes opiniões.

O Cemitério de Lhanguene, na cidade de Maputo, realizou, no sábado, 15 funerais, um número muito acima do habitual de seis enterros por dia. As autoridades dizem que o facto se deve às dificuldades de circulação registadas na semana passada. 

Durante quase uma semana, os portões do Cemitério de Lhanguene estiveram fechados, devido aos protestos, que impediam a realização de funerais, causando, desta forma,  a superlotação das morgues dos hospitais Central, José Macamo e do cemitério de Michafutene.

Sem protestos, no dia de sábado, muitas famílias foram enterrar os seus entes. Só em Lhanguene, 15 funerais tiveram lugar, contra os habituais seis diários. Por isso esteve muito cheio.

Assim foi devido a falta de espaço nas morgues mais próximas. Em pé, sentado no banco ou no asfalto, famílias tiveram que aguardar mais de quatro horas à espera do corpo. 

A directora de Saúde de Maputo, Alice de Abreu, diz que o cenário de superlotação nas morgues poderá melhorar nos próximos dias, com a realização constante de funerais.

Apesar da saída de 57 corpos, mais 51 deram entrada neste sábado. 

Na parte exterior do cemitério estavam os floristas, uma classe que depende dos funerais para fazer vendas. 

O cenário é mais desolador para Samuel, que adquiriu flores, há quatro dias, mas só agora saiu para vender.

Para este domingo, só para Lhanguene estão previstos mais de cinco funerais. 

Trinta e três estabelecimentos municipais e 86 privados foram vandalizados, desde a última segunda-feira, na cidade de Maputo, segundo o edil de Maputo. Rasaque Manhique apela à reabilitação de infra-estruturas.

Este sábado, o edil de Maputo, Rasaque Manhique, visitou as instalações vandalizadas do Município de Maputo, onde disse que já é o momento de voltar a reconstruir a cidade. 

“É a hora de trabalharmos todos, mais do que lamentar. As coisas já estão aqui, estão como estão. É juntarmos as nossas mãos e andarmos para frente.  Vamos nos reorganizar”, disse Rasaque Manhique.

Diz ainda que é a hora de também reconstruir as relações entre os moçambicanos. 

“Entre nós moçambicanos, não devemos fomentar o ódio. Está patente aqui, nas instituições, que estamos aqui a visitar, quer sejam públicas, quer privadas, não se deve fazer o que se fez, não se deve fazer, é feio. São instituições que nós precisamos, a população precisa de todo o histórico (…) a população precisa do banco que foi destruído, queimado e vandalizado”, disse Manhique. 

O Edil da Cidade de Maputo fala também do número de infraestruturas públicas e privadas destruídas. “Temos mais de 33 instituições públicas nossas, municipais, entre secretarias, repartições, direcções. E no balanço que se faz, ainda preliminar em relação a estabelecimentos privados, estamos com um pouco mais de 85 estabelecimento”, disse. 

O presidente do município de Maputo encoraja os agentes privados, que perderam tudo, para que se tentem reerguer.Os bairros periféricos de Maputo foram os mais afectados pelas vandalizações.

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia, através da Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, garante que há combustível suficiente para três semanas em todo país. Moisés Paulino pede apenas que haja condições criadas, de segurança, para que o abastecimento seja efectivo.

A procura de combustível nos postos de abastecimento tem sido o grande martírio dos automobilistas nos últimos dias. Com bombas de combustíveis encerradas em vários postos de abastecimento, as enchentes têm se verificado naqueles que se encontram abertos.

Apesar do caos que se verifica um pouco por todo o país, a Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis garante que a situação não é derivada da falta do líquido, mas sim devido a situação que se vive no país, o que acabou provocando a vandalização de uma centena de postos de abastecimentos.

“Desde que início das manifestações já foram vandalizados 100 postes de abastecimento de combustíveis. E porque o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, através da FUNAE, e o sector privado são parceiros aqui, os dois acabaram por sofrer com esta situação”, disse, realçando ainda que “o sector privado estava reticente em voltar ao mercado, mas nas últimas 72 horas mantivemos encontros coordenados e chegamos a conclusão de que era possível voltar-se a operar neste sector, mas devíamos ter segurança nos postos de abastecimento e no transporte do combustível até que chegue ao consumidor”.

Com a situação estável, a partir deste sábado, Moisés Paulino garante regresso ao abastecimento nos postos que não foram vandalizados.

“Temos combustível para os próximos 25 a 30 dias para distribuição”, promete Moisés Paulino, director nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, que garantiu que nas grandes cidades, onde estavam a ter enchentes, os postos voltaram a funcionar e gradualmente voltarão em todo país.

“Queremos garantir que haja combustível para todos e que nesta quadra festiva haja combustível para todos que queiram se deslocar por este país adentro”, disse.

Mas para tal é preciso que se criem condições de segurança para que os camiões cisternas cheguem aos postos de abastecimento. “Queremos pedir muita calma e ponderação no sentido de saberem que temos combustível suficiente para quadra festiva e para depois da quadra e não há necessidade desta azáfama do líquido. Mas queremos pedir que haja segurança nos postos de abastecimento, que não haja vandalização e que a população colabore. Mas também pedir que haja segurança das vias por forma que os camiões cisternas cheguem a todos locais para abastecer em todos os postos”, pedoi Moisés Paulino.

O director nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis diz que não pode avaliar os danos causados pela vandalização aos postos de abastecimento, o que será feito nos próximos dias.

“Os 100 postos vandalizados foram em todo país, mas com destaque para as grandes cidades, nomeadamente em Maputo e Matola. Por ora não posso precisar os prejuízos e nem os custos da sua reposição, mas estão a fazer levantamento e nos próximos dias poderemos dar mais detalhes. O que posso dizer é que o sector privado tem como fim último o lucro e vão fazer o levantamento total e já concordamos que eles devem repor os postos”, garantiu.

Em relação ao gás de cozinha, Moisés Paulino garante stock para os próximos três meses, mas que é preciso que haja segurança para que se faça a distribuição.

Uma comissão de inquérito vai averiguar as circunstâncias em que ocorreu a evasão dos reclusos da cadeia central e cadeia de máxima segurança.  A informação foi avançada, hoje, pelo vice-ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Filimão Suazi, que acrescentou que, em relação aos reclusos que morreram, está a ser analisado caso a caso, mas há um grupo que foi recapturado já ferido e não resistiu.

O vice-ministro da justiça  visitou a cadeia central, onde lhe foi apresentado pontos sobre a fuga de reclusos daquela unidade penitenciária. Filimão Suazi avançou que foram destruídos vários objectos durante a evasão. 

“Desde incêndio a algumas instalações tecnicamente chave, refiro-me, por exemplo, ao sector de controlo penal, em que incendiaram os processos, incendiaram os computadores e, acto curioso, é que, em algumas situações, antes de incendiarem os computadores, retiraram os discos duros”, explicou. 

Essa destruição, segundo Suazi, refuta as ideias de que haverá alguma conivência da polícia com a fuga dos reclusos. “Isto deve funcionar para esclarecer as pessoas e desmistificar algumas coisas que foram ditas e que estão longe da verdade. Se intenção fosse nossa, o que nunca aconteceria, porque seria estranho, de simplesmente abrir os portões e libertar reclusos, teríamos feito, porque a chaves estão connosco”.  

Em relação aos reclusos mortos, o vice-ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos garantiu que está sendo feita a averiguação de cada caso. No entanto, “há situação de reclusos recapturados, que, na altura em que foram entrevistados, estavam feridos (…) há aqueles que, tendo prestado entrevista, na deslocação para o hospital ou no exercício de voltarem para o estabelecimento penitenciário, depois tomar o transporte para o hospital, alguns perderam a vida, não resistiram”. 

E diz mais: “não há a nível do serviço penitenciário nacional qualquer serviço destinado a eliminação de reclusos”. 

Filimão Suazi avançou  que foi criada uma comissão de inquérito para investigar todo o enredo sobre a evasão de reclusos, e que a família e a comunidade tem trabalhado para a recaptura de vários reclusos. 

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