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O País – A verdade como notícia

Há empregos em risco de serem perdidos e os empresários têm dificuldades de criar um plano de recuperação devido à incerteza política no país.

Calçados sinalizam uma vista nada amigável feita a um armazém de arroz, pertencente à Agri Inputs. Trata-se de um armazém com capacidade de guardar cinco mil toneladas de arroz. Acabava de ser preenchido quando foi vandalizado. Aqui tinha montes de sacos de arroz.
Agora, o que resta e que continua amontoado são montes de desespero e muitas incertezas.

Na produção desta matéria, Ernesto, fiel de armazém, e seus colegas caminham por cima de alguns grãos de arroz. É a caminhada de quem não sabe o que vai ser o seu amanhã. Pior porque os seus patrões ainda não têm noção clara da profundidade dos prejuízos.

Uma queda, aliás, que fez o armazém voltar para os primeiros momentos. Ernesto trabalha na Agri Inputs desde a abertura deste estabelecimento.

No recinto em que está o armazém, a Agri Inputs tem um outro, que também foi vandalizado e completamente saqueado.

No local, as emendas são marcas dos buracos que os saqueadores abriram para poder escoar os sacos de arroz. E
Num outro armazém, os trabalhadores da Agri Inputs já começaram a tentar fazer limpezas. É um outro espaço muito vandalizado.
No interior, ainda são visíveis as marcas do que aconteceu no próprio dia. Aliás, os trabalhadores dizem ter visto vários corpos de pessoas que morreram nas confusões. Houve também tiros com balas verdadeiras e gás lacrimogêneo.

A partir de dentro nota-se a frescura dos trabalhos de tapamento dos buracos apertos para facilitar o saque.

 

Há um corpo de uma vítima de baleamento no dia 24 de Dezembro, no bairro Benfica, na Cidade de Maputo, que desapareceu na morgue anexa ao Hospital Central.

O Município da capital do país, que gere as morgues, diz desconhecer o caso. Até hoje, o funeral não foi realizado.

Rostos fúnebres e incrédulos… A tristeza invade os corações da família de Sidônio Chivambo e as lágrimas inundam os olhos.
O homem de 38 anos de idade terá sido baleado pela Polícia, na noite do dia 24 de Dezembro,  no bairro Jorge Dimitrov, mais conhecido por Benfica, na cidade de Maputo.

Aos prantos e inconsolável, a  viúva, Maria Marrambe, conta que o marido não estava nos protestos e encontrou a morte quando voltava da casa de sua mãe, que está doente. Saiu e nunca mais voltou para casa.

Mesmo depois da sua morte, achar o seu corpo não foi nada fácil. E o que tinha acontecido com ele, só viria a confirmar-se com a localização e reconhecimento do corpo na morgue anexa ao Hospital Central de Maputo, lamentou Anabela Chivambo, irmã da vítima.

A família foi atrás da documentação para a realização do funeral e, no meio do processo, quis ver como é que o corpo estava conservado e soube que já não estava na morgue.

Já no dia do enterro, na manhã de sábado, a família dirigiu-se à morgue para buscar o corpo e este, simplesmente, desapareceu.E isto forçou o cancelamento do funeral previsto para às 09 horas daquele sábado, 28 de Dezembro, contou António Pedro, familiar da vítima.

Os familiares exigem explicação de quem é de direito. As estruturas do bairro dizem que Sidónio nunca foi de se meter em problemas. Apenas esteve no sítio errado e na hora errada.

Este jornal contactou o Município de Maputo, que gere a morgue anexa ao HCM, para saber o que terá acontecido.

A Direcção de Saúde e Acção Social na edilidade da capital do país diz desconhecer o caso. Acrescenta que os casos de mortes que não sejam por causas naturais, os corpos não ficam na morgue, mas são levados para a medicina legal do Hospital Central de Maputo.Sucede que no documento passado pelo chefe de quarteirão indica que Sidónio faleceu vítima de doença, depois do internamento no HCM.

Sobre o caso, contactámos o departamento de comunicação da maior unidade sanitária do país e a PRM, na capital do país, mas sem sucesso.

 

 

Os munícipes da Matola, na Província de Maputo, queixaram-se, esta quinta-feira, de estarem a enfrentar uma crise de produtos básicos, depois de grande parte das lojas do Mercado Matola H terem sido destruídas durante os protestos pós-eleitorais das últimas semanas. Já no grossista do Zimpeto, Cidade de Maputo, há escassez da batata.

Na Matola H, Província de Maputo, vê-se um mercado transformado numa verdadeira ruína, deixando os vendedores informais e eventuais clientes sem alternativa para adquirir produtos básicos que satisfaçam as suas necessidades quotidianas. Essa é a actual característica do Mercado Matola H, no município da Matola.

Com lojas saqueadas e vandalizadas, portanto, vazias, até para comprar uma simples garrafa de água, os munícipes recorrem aos vendedores ambulantes, pois nada se encontra no mercado.

Na Matola H, sobrou apenas o sector informal. É no informal onde os munícipes recorrem para fazer as suas compras.

Um armazém de carnes, por exemplo, ficou reduzido a nada. Além do stock saqueado, todo o sistema de refrigeração foi vandalizado. Sem revelar a sua identidade, um gerente de um estabelecimento descarta a possibilidade de voltar a reabrir o seu negócio.

Enquanto continua difícil o recomeço, para alguns, há quem se reinventa à moda informal. Por exemplo, Clara Eusebio, uma comerciante. No entanto, Clara Eusébio descreve o quão é difícil trabalhar nas novas condições, mesmo depois de ter conseguido tirar os seus produtos da loja antes de ser vandalizada.

Face a esta escassez de produtos básicos, começa a haver especulação de alguns alimentos essenciais, na Matola H.

No Mercado Grossista do Zimpeto, Cidade de Maputo, encontramos um cenário um pouco semelhante. Mais grave ainda, vê-se no local dois postos policiais queimados e, actualmente, não é possível ver por ali um agente da polícia sequer.

Para os vendedores do Mercado Grossista do Zimpeto, a segurança é por conta própria. Afinal, a Polícia da República de Moçambique já não circula pela infra-estrutura comercial.

Além de dois postos policiais, a Administração do Mercado Grossista do Zimpeto, também foi queimada e, consequentemente, não há cobrança de impostos.

Ainda no maior mercado grossista do país, alguns produtos, como o tomate, começam a registar redução do preço, depois de um agravamento na quadra festiva.

Por exemplo, uma caixa de tomate, que antes custava 1500 meticais, chega a ser comercializada, actualmente, a 700 meticais. Mas o mesmo não se pode dizer da batata reno, que quase nem existe.

Amadeu Magaia diz que há ainda dificuldades na circulação de camiões, tal facto, consistentemente, também dificulta a chegada dos produtos ao Mercado Grossista do Zimpeto.

Contrariamente aos anos anteriores, o Mercado Grossista do Zimpeto não registou apodrecimento de muitos produtos. Por um lado, porque os comerciantes receberam poucos produtos. Por outro, porque a concorrência foi maior nos dias a seguir a escalada das manifestações pós-eleitorais.

Ainda sobre vendas, em Vilanculos, Província de Inhambane, Vendedores de mariscos e de obras de arte dizem que, igualmente, não há clientes para comprar os seus produtos. Um comerciante que ficou retido na fronteira de Ressano Garcia, na Provincia de Maputo, vende cebola a preços baixos para não perder a mercadoria.

É uma tradição que turistas comprem obras de arte feitas por artistas locais, em Vilanculo, para oferecer como lembrança a amigos e familiares. Uma mulher decidiu levar a família para ver de perto o talento moçambicano. É o mar quente, o sol e as pessoas. “Levei a minha família aqui pela primeira vez, eles nunca estiveram fora da África do Sul. Somos 14 pessoas, aprendamos uma casa na praia e é maravilhoso”.

Mas quem vive da arte diz que este ano é diferente, pois não há turistas e, como consequência, não há quem compre as peças de arte.
O peixe é outra atracção de pessoas que vivem fora de Vilankulo e que levam para casa.

Um estabelecimento está com 12 caixas frigoríficas cheias de marisco, que era suposto vender nesta quadra festiva.

Durante a produção desta reportagem, chegou uma encomenda de apenas 2kg de camarão, por sinal, a primeira este ano.

Um camião carregado de cebola é o único que a vender no mercado de Vilanculo. O proprietário não aceitou gravar entrevista, mas revelou que ficou retido na fronteira de Ressano Garcia e só chegou a Vilanculo no dia 31 de Dezembro. Para evitar perdas, a solução é vender a cebola a preços baixos.

No mercado local, as vendedeiras reclamam que há pouca gente a comprar e os poucos que vem, reclamam do preço do tomate.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dois dias depois da chegada do novo ano, a praia da Costa do Sol, na Cidade de Maputo, está imunda. Há focos de lixo por todos os cantos.

As festas de transição do ano podem até ter sido tranquilas, mas o meio ambiente não foi poupado.
Entre garrafas partidas, sacos plásticos, restos de comida, entre outros resíduos sólidos, o cenário de imundície caracteriza a praia da Costa do Sol.

Nostina Rafael dirigiu-se à praia para passar o dia com a sua família e lamentou a situação: “Hoje encontramos a praia muito suja, não há nem lugar para sentar. Há garrafas, restos de comida. Gostaríamos de pedir ajuda para limpar a praia porque a situação não está boa”.
Por todos os lados, há lixo considerado perigoso, por quem por lá passa.

“É um atentado à saúde. Eu trouxe o meu filho para conhecer a praia, mas infelizmente não tem como mergulhar nestas águas porque são imundas ”, lamentou um banhista.

Uma situação que além de prejudicar os banhistas, coloca em causa o meio ambiente. Segundo explicou o ambientalista Rui Silva: “em termos de composição, o vidro é eterno. Qualquer vidro que é colocado nas águas do mar vai permanecer sempre com todos os riscos que isso possa causar ao ambiente e neste caso a vida marinha”.

Na manhã desta quinta-feira vários grupos juntaram-se para tentar deixar a praia limpa, mas porque o lixo é tanto, recolher todo em um dia só, é uma missão impossível.

“Pretendemos estender as nossas acções até ao dia 05 de Janeiro. Depois desta fase, vamos mobilizar mais forças ainda que é para fazer uma limpeza muito mais abrangente. Não é possível fazer cobertura somente em um dia, por isso é uma acção contínua dentro das nossas possibilidades, sempre em parceria com outras instituições”, explicou Maria Uamusse, representante do Instituto Nacional do Mar, INAMAR.

Com quase todos os contentores a transbordarem, os banhistas dizem não ter onde depositar o lixo.

Entretanto, Ester Lúcia sugere que o lixo seja recolhido pelos próprios banhistas.

“Eu acredito que as pessoas que vêm à praia tem sempre um saco plástico. Se cada um metesse o seu lixo no seu saco plástico ia melhorar bastante a limpeza da praia”.

O ambientalista Rui Silva sugere a aplicação de multas aos banhistas que depositam lixo em locais impróprios.

“Que as pessoas sejam multadas se descartarem mal os resíduos sólidos, pois seria uma forma de consciencializar. As pessoas só mudam de comportamento quando são apertadas o bolso”.

Estima-se que sejam recolhidos, mensalmente, na praia da Costa do Sol, cerca d 90 toneladas de lixo.

 

O Governo dos Estados Unidos da América, através da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), está a disponibilizar 450 mil dólares (cerca de 29 milhões de ano) para apoiar os esforços de ajuda de emergência em resposta ao Ciclone Tropical Chido, que devastou partes de Moçambique a 15 de Dezembro.

De acordo com um comunicado de imprensa da Embaixada dos Estados Unidos da América em Moçambique, o financiamento crítico ajudará a atender às necessidades urgentes das populações afectadas na província de Cabo Delgado, com foco em abrigo, água, saneamento e higiene (WASH).

Uma das subvenções será executada pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Assistência (ADRA) e as outras acções de resposta rápida serão executadas pela CARE International.

Além disso, avança o mesmo comunicado, outros parceiros humanitários da USAID estão a mobilizar recursos existentes para responder às necessidades imediatas.

O Ciclone Tropical Chido trouxe chuvas intensas e ventos fortes, resultando em perda de vidas, ferimentos e destruição significativa de habitações e infra-estruturas.

Relatórios iniciais, pode-se ler no documento, indicam que as maiores perdas humanas e materiais ocorreram no Sul da província de Cabo Delgado e áreas circundantes.

Neste momento, estão em curso avaliações para determinar o impacto total do desastre, e o Governo dos Estados Unidos continuará a trabalhar em estreita colaboração com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres para coordenar a resposta ao ciclone.
O Embaixador dos Estados Unidos, Peter H. Vrooman, destacou a importância de uma acção rápida para ajudar os afectados pelo Ciclone Chido.

“O Governo dos Estados Unidos reconhece os enormes desafios enfrentados pelas pessoas afectadas e quer reafirmar a nossa solidariedade. A nossa assistência fornecerá ajuda vital às pessoas mais impactadas pelo ciclone, ajudando a aliviar o sofrimento humano e a apoiar os esforços de recuperação”, afirmou o Embaixador Vrooman, citado no mesmo comunicado de imprensa.

O Governo dos Estados Unidos mantém o compromisso de apoiar Moçambique nesta resposta de emergência e de reforçar a resiliência do país a futuros desastres naturais.

 

Há pacientes feridos por baleamentos, vindos dos distritos de Nicoadala e Namacurra que deram entrada no Hospital Central de Quelimane. Das sete entradas, o hospital central de Quelimane diz que duas perderam a vida. 

O hospital central de Quelimane recebeu, nas vésperas de transição de ano até o dia um deste mês de Janeiro de 2025, 312 pacientes nos serviços de urgência, alguns dos quais vítimas de acidente de viação e agressão física. 

Há, igualmente, registo de sete cidadãos baleados no âmbito das manifestações, com destaque para os distritos de Nicoadala e Namacurra, dois dos quais resultaram em óbitos. 

Sobre o comandante da PRM de Morrumbala que foi espancado por manifestantes em princípios do mês de Dezembro do ano passado, continua em tratamento. 

Já a Polícia faz um balanço positivo da transição de ano. Miguel Caetano diz que os esforços estão centrados no restabelecimento da ordem e tranquilidade públicas nos distritos duramente afectados. 

Três pessoas morreram e 28 ficaram feridas na vila de Metangula, província do Niassa, após a passagem de ventos fortes na madrugada de terça-feira. Várias infra-estruturas ficaram destruídas e mais de 1500 pessoas foram afectadas.           

 O rasto de destruição espalhou-se pelos bairros de Muchenga-Thungo e Sel na vila municipal de Metangula, província do Niassa. 

Várias infra-estruturas públicas e privadas ficaram destruídas, com destaque para 376 casas. 

A situação ocorre depois de a província do Niassa ter sido afectada, recentemente, pelo ciclone tropical Chido que também deixou vítimas humanas.    

      

Novecentos e onze moçambicanos estão refugiados no reino de Eswatini desde Novembro do ano passado devido à crise pós-eleitoral no país. De acordo com as autoridades daquele país, houve registo de muitas entradas nos últimos dois dias do ano. 

Foi através de um comunicado que o Governo do reino de Eswatini fez soar o alarme. Desde Novembro do ano passado vários moçambicanos entraram naquele país vizinho à procura de refúgio devido à crise pós-eleitoral no país, marcada por protestos. 

De acordo com o documento, em Novembro, a média de entrada de moçambicanos era de 23 pessoas por dia. O cenário mudou de 15 a 29 de Dezembro, período em que o número subiu, tendo sido registada a entrada de 399 moçambicanos.  

Falando na NewSRoom África, uma televisão sul-africana, o porta-voz do Governo de Eswatini, explicou que o número subiu.

Apesar desse fluxo, as autoridades governamentais daquele país continuam a receber solicitações de mais pessoas que pretendem garantir um asilo no acampamento. O Governo de Eswatini, através do Ministério de Interior, garante que continuará comprometido em defender  a dignidade humana, criando melhores condições para os refugiados moçambicanos.

 “O número, na última semana, foi de mais de 300 pessoas. Ele cresceu durante a semana e hoje estamos a falar de 950 pessoas que chegaram, que foram registadas pelo Ministério do Interior, o Departamento de Refugiados, e foram registadas com a polícia e os soldados que estão cuidando das nossas fronteiras. Em termos daqueles que entraram no país e não estão  registados porque alguns, nós entendemos que entraram no país, mas ainda estão à procura de oportunidades para se ligar com as nossas agências na terra ou com o Alto Comissariado em Eswatini”, explicou.

A Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) está a mobilizar apoios para reconstrução de Mecúfi, o distrito mais afectado pelo ciclone Chido ao nível da província de Cabo Delgado.

A mobilização de apoios para reconstrução do distrito de Mecúfi foi anunciada pelo Presidente da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte, que ofereceu chapas de zinco ao governo distrital.

Além de casas, o ciclone Chido destruiu todas infraestruturas do governo de Mecufi, que actualmente funciona  de forma improvisada.

Segundo dados oficiais, em Mecúfio ciclone Chido destruiu mais de 16 mil casas da população que, actualmente,  vive ao relento, todas infraestruturas do governo, e até hoje, o distrito continua sem energia eléctrica e sistema de telecomunicações.

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