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O País – A verdade como notícia

A província de Manica já inscreveu mais de 81 mil alunos novos ingressos da primeira classe. O número corresponde a cerca de 80 por cento de um total de 108 mil.

Até o dia 31 de Dezembro de 2024 a província de Manica devia inscrever 108 mil alunos da primeira classe. Mas a meta falhou, tendo a cidade de Chimoio como uma das que contribuiu para essa estatística, com apenas 30% dos inscritos.

O governo não quer que nenhuma criança fique fora do sistema de ensino, por isso continua a inscrever até que a meta seja alcançada.

Algumas avenidas do centro da Cidade de Maputo ficaram parcialmente inundadas após a queda de chuvas fortes, registadas na tarde desta quarta-feira. 

A zona de intersecção entre as  avenidas 25 de Setembro e Guerra Popular, ficou completamente coberta. 

A inundação criada pela água da chuva cobriu também a zona da praça dos trabalhadores e vários carros tiveram dificuldade de circulação. 

O facto provocou dificuldades de acesso ao transporte por parte dos munícipes. 

A chuva era prevista e pode continuar nos próximos dias, de acordo com as informações do Instituto Nacional de Meteorologia.

Dezenas de cidadãos amotinaram-se em frente às instalações de uma fábrica de produção de arroz, em Xai-Xai, para exigir a redução do preço de arroz, que subiu de 1410 para 1800 meticais. 

A província de Gaza regista escassez de produtos alimentares, principalmente do arroz, em consequência de saques de vandalismo nos dias de protestos pós-eleitorais.

A Wambao, empresa que produz e vende arroz em Gaza, agravou o preço de 25 quilos deste cereal, de 1410 para 1810 meticais, na terça-feira, o que não agradou a população.

Em resposta, o governo mandou encerrar a firma para investigar o caso. A instituição criou uma comissão de trabalho para, em uma semana, apurar as causas do agravamento do preço do arroz pela Wambao.

Populares invadem espaço que é reserva dos Aeroportos de Moçambique, no bairro George Dimitrov, também conhecido como Benfica, na Cidade de Maputo, sob alegação de ser um espaço já há muito abandonado e que serve de “palco”, para a prática de todo o tipo de crimes. 

Mais um caso de usurpação de terra na cidade de Maputo. Com recurso a uma fita métrica, a população divide, entre si, um espaço que afirmam estar desde os anos 90 abandonado. A cada um é dado um espaço de 15/30 metros e dizem estar a deixar espaços para a construção de igrejas, postos policiais e outras infraestruturas. 

Tânia Cumbe conta que recebeu uma  chamada, na tarde de ontem, para informar que havia divisão de terrenos na zona do aeroporto. “Cheguei aqui às 16, entreguei nome  e depois disseram para voltar hoje às quatro horas. Cheguei às 4.30 (…) chamaram   nossos nomes, mas até agora ainda não recebemos nenhum terreno”. 

Tânia conta que no momento em que chegou havia um responsável pela divisão de espaço, mas desapareceu e, agora, aguarda por uma resposta. Diz ainda que a ocupação do espaço deve-se ao longo período em que o mesmo ficou abandonado.

“Esse espaço é de há muito tempo, aqui está cheio de ladrões e jovens daqui aproveitam as mulheres. Até às 18 horas, aqui já não se passa, violam pessoas e roubam celulares. Por isso, dizem que esse espaço deve ser ocupado e ser casa de pessoas”, partilha a entrevistada. 

  Lucas Samuel também tem esperança de conseguir um espaço. Conta que desde as quatro horas do dia de hoje está à espera de receber o seu terreno. Entretanto, não sabe quem está a fazer a distribuição dos espaços. “Lá do outro lado dizem que estão à espera da resposta da base aérea. Aqui deste lado, não sei. Não sei se é chefe do quarteirão que deu a ordem ou não”. 

O espaço é também usado por moradores locais para o cultivo de alimentos. Melina Mangue partilha que tem uma machamba naquele local desde 1992, e tem conhecimento que o local pertence à meteorologia. “Pedi a um guarda que estava aqui da meteorologia, cedeu-me aquele espaço e eu comecei a cultivar para ter qualquer coisa de sustento na minha casa. E, agora, eu estava em casa e  minha vizinha chamou-me para dizer que estão a levar a minha machamba”. 

Melina tem dúvidas em relação aos métodos que estão a ser usados para a divisão do espaço, mas também reclama da criminalidade no local. “Eu não sei se isso aí dá ou não, porque eu sei que o espaço é da meteorologia, mas aqui criminalidade também tem. De noite, não se passa”.

Em Nampula está a haver invasão a propriedades privadas. No caso concreto, é uma área de 67 hectares que a população decidiu tomar de assalto alegando que serve de esconderijo de criminosos. O Município já reagiu ao assunto.

É uma propriedade que, no tempo colonial e depois da independência, pertencia a um cidadão português conhecido por Vieira e mesmo com o tempo que passa, a zona leva mesmo esse nome.

O Município de Nampula é cauteloso na abordagem do assunto, primeiro quer averiguar a legalidade de ocupação dos 67 hectares e depois reunir com suposto dono e a população para chegar-se a um meio termo.

Este ano, o Município de Nampula pretende intervir no parcelamento de novas zonas de expansão e garante distribuir 1000 talhões à população sem terra, mediante requerimento dirigido à edilidade. 

O ensino básico no país é gratuito, incluindo matrículas, mas algumas escolas da cidade de Tete, estão a forçar pais e encarregados de educação a pagar matrículas e contribuir para o pagamento do salário do guarda da escola. Um dos casos ocorreu nesta terça-feira, na Escola Primária Marien Ngouabi.

Alguns pais e encarregados de educação ouvidos pela nossa equipe de reportagem, também  acusam a direcção da escola  de impedi-los de inscrever  seus filhos  por, alegadamente,  não ter dinheiro para contribuir para o pagamento do salário do guarda da escola.

Ainda sobre o assunto, contactamos igualmente a Direcção distrital da Educação. Sem gravar entrevista, o diretor distrital promete se inteirar do assunto, mas considera estes casos ilegais. 

O Presidente da República condena a vandalização de infraestruturas hospitalares por conta de boatos. Filipe Nyusi reagia à destruição do centro de tratamento de cólera, no distrito de Mogovolas, em Nampula.

Nyusi falava após inaugurar o Hospital Distrital de Sussundenga. Filipe Nyusi aproveitou a ocasião para condenar a destruição de infraestruturas durante as manifestações.

O Chefe de Estado explicou também que a infraestrutura inaugurada está equipada com tecnologia de ponta, com vista a oferecer os melhores serviços à população.

Com a entrada em funcionamento da unidade sanitária, a população deixa de percorrer cerca de 40 quilômetros até Chimoio, para ter serviços de radiologia, laboratório e bloco operatório.

 

O Governo falhou o prazo que definiu para apresentar as conclusões da comissão de inquérito sobre a nova estátua de Eduardo Mondlane. O relatório devia ter sido tornado público até a segunda semana de Dezembro, mas o Ministério da Cultura diz que a ministra já não pode falar porque está em fim de mandato. 

O ano de 2024 foi de muitas mudanças na cidade de Maputo, uma das quais a estátua de Eduardo Mondlane. Num investimento de 22 milhões de meticais, o Governo decidiu reformar a então estátua do arquitecto da unidade nacional, por esta outra de 6,8 metros, cuja construção foi adjudicada à empresa Arte D’gema, sendo que os trabalhos finais tiveram lugar na China.

Inaugurada no dia 25 de Setembro do ano passado, a nova estátua de Eduardo, não reuniu consenso entre a sociedade que passou a questionar a sua fisionomia. O facto pressionou e o Governo que,  através do Ministério da Cultura e Turismo, decidiu criar uma equipa técnica para averiguar as supostas falhas.

Sem vários detalhes sobre a composição da equipa técnica, a ministra da Cultura e Turismo explicou, numa conferência de imprensa, a 03 de Outubro, que tal trabalho envolveria nacionais e estrangeiros. O mês de outubro passou sem nenhuma informação e a STV voltou a questionar a ministra sobre os prazos.

O trabalho da equipa técnica não foi orçado, uma vez que é entendido como correcção de um trabalho feito por uma entidade adjudicada e já paga. 

O mês de Dezembro passou e nada foi tornado público sobre o resultado do trabalho da equipa técnica criada. 

Em dias normais, as águas do mar, na zona costeira de Maxixe, quase batem à porta de algumas residências. São famílias que vivem em zonas de risco, algumas delas há mais de 20 anos, que passam dias difíceis, sobretudo em épocas de maré alta.

Na verdade, as famílias já não deviam estar nas zonas costeiras de Maxixe, pois o Conselho Municipal prometeu colocá-las numa outra zona, uma promessa que ainda não foi concretizada.

De acordo com uma cidadã residente na zona costeira de Maxixe, houve essa promessa, mas, até ao momento, nem água vem nem água vai. “Prometeram-nos que sairíamos deste local, mas até agora ainda não fizeram nada. Já começámos a comprar nossos materiais para construir, mas ainda não vieram. O que fizeram só foi virem dar-nos documentos de talhão”, contou a cidadã.

As famílias dizem que já estão a ficar prejudicadas com a situação, uma vez que, com a saída iminente, não podem fazer obras de melhoramento das casas em que vivem, segundo relato de um cidadão, residente na mesma zona costeira.

“Está a ver a situação das casas como estão, porque nós não podemos até renovarmos as casas, porque o município disse que tínhamos de partir para uma nova zona de expansão”, lamenta, por não ver o desenvolvimento das promessas municipais.

Já outra cidadã também lamentou a situação da sua residência. “Minha casa já está a verter, minha casa está de qualquer maneira. Eu quero mudar a minha casa, mas não tenho como mudar. Estou à espera”, disse.

Questionado pelo “O País”, o edil da Maxixe disse que o projecto de construção de uma marginal na zona costeira está a decorrer dentro do cronograma.

“Estamos na fase de acabamento dos concursos, que é internacional, e estamos na fase preparativa para o empreiteiro entrar. Estamos a preparar, também, o reassentamento das populações que estão em alguma parte que será abrangida pela construção da marginal que é junto à Orla Marítima”, disse Issufo Francisco.

O edil explica que as famílias ainda não saíram da zona marginal, mesmo por uma questão estratégica, uma vez que “vamos mesmo reassentá-las já nas vésperas do arranque da obra, porque temos uma experiência muito amarga, em que as famílias, quando são reassentadas, enquanto o local onde ocupavam não é intervencionado de forma imediata, elas depois retornam ao local”.

Nisto tudo, o presidente do Município de Maxixe frisa que “vamos retirá-las assim que o empreiteiro se posicionar para poder arrancar com a obra”.

São, ao todo, 65 famílias que vivem na região costeira e que deverão sair para dar lugar às obras de construção de infra-estruturas de protecção costeira na cidade de Maxixe, numa extensão de mais de 1,5 quilómetros.

 

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