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O País – A verdade como notícia

Em Chimoio, um adolescente de 14 anos de idade está a desenvolver um projecto de fabrico de combustível a partir de resíduos sólidos. O estudante da décima classe diz que pretende, com a iniciativa, reduzir os níveis de poluição do meio ambiente.

Preocupado com os crescentes níveis de poluição ambiental, o jovem Clinton Njanje, estudante da 10ª classe, está a desenvolver um projeto inovador de produção de combustível a partir de resíduos sólidos.

Utilizando materiais recicláveis, Clinton construiu um protótipo funcional que transforma plástico em combustível bruto. Segundo o jovem inventor, o combustível pode ser posteriormente refinado para uso em diferentes tipos de motores.

“Aqui temos esta panela, em que colocamos o plástico e ele derrete. Através do aquecimento, liberta um gás, que ao chegar aqui arrefece e assim produzimos o combustível. Eu fiz esta experiência pensando no nosso país, porque, hoje, principalmente na Beira, província de Sofala, temos  muita poluição de resíduos sólidos e lixo, que é o plástico. Então, aqui, a partir do plástico, transformamos e fizemos combustível”, disse o pequeno inventor. 

O combustível resultante do projecto é bruto, e, segundo Clinton, pode ser refinado e usado em motores de diferentes tipos. 

A criatividade dos jovens em Chimoio não se limita ao campo ambiental. Também na 10ª classe da Escola Secundária da Soalpo, a estudante Yune dos Santos desenvolveu um sistema de alerta contra invasores, inspirado pelo aumento de casos de assaltos a residências e estabelecimentos comerciais na cidade.

Estes projectos foram apresentados na feira de inovação em Chimoio promovida pelo sector de educação cujo objectivo é incentivar os estudantes a transformar ideias em soluções com impacto social e ambiental.

A ministra da Educação e Cultura, reconhece que há professores que continuam sem receber sequer a primeira tranche das horas extras acumuladas desde 2022.  A governante aponta falhas graves de comunicação entre o Ministério e os distritos como principal causa do atraso, admitindo ainda que o sector não tem dados consolidados sobre quantos docentes já foram pagos e quantos continuam à espera. 

Depois de meses de reivindicações, os professores começaram finalmente a receber os pagamentos em atraso das horas extras de 2022. No entanto, nem todos foram contemplados na primeira tranche. A Ministra da Educação e Cultura reconhece o atraso e aponta o dedo a falhas de comunicação entre as instituições centrais e os serviços distritais.

Samira Tovela reconhece que, até ao momento, o Ministério da Educação e Cultura não dispõe de dados claros sobre quantos professores já receberam as horas extras em atraso e quantos continuam por pagar. 

A governante revelou ainda que o sistema de educação acolhe anualmente cerca de 1.5 milhões de novos alunos, um número que excede largamente a capacidade de resposta actual e como resultado, milhares de professores são forçados a acumular turmas e fazer horas extras para atender a demanda.

As famílias que há mais de três anos vivem no Centro de Acomodação das Mahotas, na Cidade de Maputo, já receberam terrenos para habitação no Distrito Municipal KaTembe, mas ainda enfrentam dificuldades para se transferirem do local.

São no total 38 famílias que vivem em tendas do centro de acomodação das Mahotas, periferia da Cidade de Maputo, em consequência das inundações resultantes das águas da chuva no período entre 2022 e 2023.

Depois de várias reclamações em relação às precárias condições de vida nas tendas, há um mês que o Município de Maputo devolveu o sorriso às famílias. Distribuiu talhões no Distrito Municipal de KaTembe. 

“Terrenos já fomos mostrados, cada um já tem o terreno dele. Já conhece. Assim, cada um vai trabalhar no terreno dele e faz o que dá, plantar árvores no terreno dele”, disse Gabriel António, um dos moradores do centro.

Maria Manhiça gostaria de abandonar o Centro de Acomodação das Mahotas o mais breve possível, mas a zona onde lhe foi atribuído terreno ainda precisa de arruamentos.

“O que nos inquieta é que queremos que nos tirem deste lugar (…) O proprietário já precisa do seu espaço para o usar, mas falta as autoridades levarem-nos para os nossos terrenos”,  lamentou.

Segundo Gabriel António, ainda não há data para a desocupação do centro, porque o Município de Maputo procura parceiros para flexibilizar o processo de reassentamento na Katembe.

“O Município diz que ainda está a bater portas para as ajudas, mas já entregaram terrenos, agora começaram a fazer as latrinas, já nos distribuíram lonas para fazer as lonas”, disse. 

As famílias falavam, neste sábado, durante uma visita do Presidente do MDM ao Centro de Acomodação das Mahotas. Lutero Simango criticou a falta de abrangência das políticas de habitação no país, argumentando que tais continuam a ser direcionadas para satisfazer uma certa camada social. 

As famílias no Centro de Acomodação das Mahotas queixam-se de problemas como fome e precárias condições de higiene.

Os últimos três meses, Maio, Junho e Julho, foram os mais sangrentos na Província da Zambézia, neste ano, com uma média de 22 óbitos. Só em finais de Maio, houve registo de quatro sinistros, que resultaram em 14 óbitos, e os meses de Junho e Julho tiveram registo de quatro óbitos cada um. 

Perderam-se vidas humanas nos últimos três meses na EN1, província da Zambézia, concretamente nos distritos de Nicoadala, Namacurra e Mocuba. O acidente do mês de Maio que ocorrera em Mocuba, envolvendo uma carrinha de caixa aberta e um camião articulado,  foi dos mais horríveis, com um registo de oito óbitos. 

Neste momento, equipas multi-sectoriais estão a fazer trabalhos de sensibilização nos mercados, sobretudo nos localizados nas zonas próximas às estradas, parques de estacionamentos, entre outros. 

As autoridades dizem que vão continuar a trabalhar na sensibilização para que aquilo que aconteceu nos últimos três meses nas estradas da Zambézia, não se volte a repetir.

A erosão, que se instala lentamente na Avenida Joaquim Chissano, na Cidade de Maputo, está a transformar o quotidiano de algumas famílias em incerteza e desespero. Com a aproximação da época chuvosa, cresce o medo de que a terra ceda por completo e leve com ela casas, vidas e memórias.

Para muitos moradores, o chão está a desaparecer lentamente e traz consigo a segurança das suas famílias.

“Vivemos com medo constante de acordar e ver a casa engolida pela terra”, relata Cristina Machanguana, moradora da zona. Sublinhando que “a cada chuva, ouvimos as paredes a estalar. As crianças não dormem e nós também não”.

Hilário Manuel, também residente, conta que o problema vem crescendo ao longo dos anos sem qualquer resposta concreta:

“Já alertamos várias vezes. O que vemos são pequenas visitas e promessas. Mas, os desníveis só crescem todos os dias, agravando a situação.”

A capital do país entra em contagem decrescente para o início da época chuvosa e com ela, os riscos de desabamento agravam-se. Para muitos residentes, trata-se de uma questão de tempo até que se registem perdas irreversíveis.

“Estamos preocupados. A terra já começou a ceder em alguns pontos. A próxima chuva forte pode levar tudo”, alerta Zeferino Chicuca, munícipe da zona. “Há locais onde já caíram algumas paredes, isso pode acontecer com uma casa inteira”, aponta o munícipe.

A erosão não só ameaça estruturas. Cria também ambientes perigosos para as crianças. Desníveis profundos tornaram-se terreno de brincadeiras, onde a inocência das crianças se mistura com risco de vida.

“Já houve tragédia, há crianças que morreram lá. Mas continuam a brincar porque não têm outro espaço”, explica uma moradora que prefere o anonimato.

A equipa de reportagem do “O País” constatou que, os desníveis causados pelo fenómeno servem como depósito informal de lixo, agravando ainda mais o estado do solo e a saúde pública.

A ausência de acções inclusivas imediatas do Governo reforça a sensação de abandono por parte do Estado, relatada pelos afectados.

“Parece que só vão agir quando alguém morrer”, lamenta a moradora em anonimato, sublinhando que “as casas mais frágeis, feitas de blocos de cimento sem fundações, estão por um fio.”

Enquanto alguns moradores pedem apoio em reassentamento, outros referem que barreiras robustas podem resolver o problema.

“Nós não queremos sair, queremos soluções, pois essas barreiras com sacos ajudaram, mas são paliativos. Precisamos de obras sérias”, reforça Hilário Manuel. 

Cristina apela ao reassentamento das famílias em causa.

A reportagem do “O País” tentou, sem sucesso, obter uma reação oficial do Conselho Municipal de Maputo sobre o assunto.

No entanto, os moradores garantem que equipas técnicas da edilidade já visitaram o local e prometeram um plano de reassentamento, mas até ao momento, nenhuma data foi avançada, nem locais definidos.

O município de Pemba não está a conseguir reparar os semáforos da cidade,  que se encontram avariados há mais de cinco anos. Alguns cidadãos já estão conformados com o problema, mas outros, até hoje, não se conseguem adaptar à situação que está a provocar caos nas ruas da maior baía de África.

Os semáforos de Pemba foram instalados em 2012 e sempre funcionaram com problemas, mas, em 2019, todos ficaram apagados.

O município de Pemba já prometeu repor os semáforos da cidade várias vezes, mas até hoje, ainda não se mexeu nada e alguns desses semáforos desapareceram dos postos, e outros já estão no chão. Para alguns cidadãos, além de complicar a mobilidade das pessoas a avaria de semáforos está a tirar a estética da cidade.

O “O País” levou a preocupação da população ao  município de Pemba, mas, apesar da insistência, não obteve resposta. Pemba tem semáforos em cinco pontos da cidade, alguns dos quais  nunca funcionaram desde que foram instalados há quase treze anos.

Uma pessoa perdeu a vida e outras seis ficaram gravemente feridas, na sequência de um acidente de viação envolvendo a equipa principal da Associação Desportiva de Vilankulo, único representante da província de Inhambane no Moçambola.

O governador de Inhambane, afirma que o acidente é mais um alerta para a necessidade urgente de repensar a forma como as equipas deslocam-se para os jogos, para evitar que tragédias como esta se repitam.

Era uma tarde chuvosa de sexta-feira, quando o autocarro que transportava a equipa de futebol da Associação Desportiva de Vilankulo despistou-se e capotou na região de Chissibuca, distrito de Zavala. O condutor do autocarro diz que não consegue explicar o que aconteceu, mas a chuva intensa e o estado escorregadio da estrada contribuíram para o sinistro.

No local do acidente, confirmou-se a morte do chefe do departamento de futebol da Associação Desportiva de Vilankulo, única vítima mortal do sinistro. Contudo, a versão do condutor colide com a da Polícia da República de Moçambique (PRM), que, após a análise preliminar, aponta o excesso de velocidade como a principal causa do acidente.

Além da vítima mortal, o acidente provocou vários feridos, entre graves e ligeiros, que foram imediatamente evacuados para o Hospital Distrital de Quissico.

O Governador de Inhambane manifestou solidariedade para com as vítimas do acidente envolvendo a equipa da Associação Desportiva de Vilankulo (ADV). No entanto, diz que o acidente deve servir de alerta e ponto de viragem para a urgente melhoria das condições de transporte do clube.

Para o Governador de Inhambane, já não há espaço para hesitações. Francisco Pagula recorda que esta não é a primeira vez que uma equipa da província se envolve num acidente grave durante deslocações para o Moçambola.

Todos os feridos graves foram transferidos para o Hospital Provincial de Inhambane, a pedido das respectivas famílias, para poder acompanhar de perto a assistência das vítimas.

Moçambique alcançou a meta de 56% dos 50% previstos no aleitamento materno exclusivo, no ano passado, embora persistam alguns desafios. A informação foi partilhada pelas autoridades sanitárias, esta sexta-feira, Dia Mundial do Aleitamento Materno.

A cada dia 1 de agosto, celebra-se o Dia Mundial do Aleitamento Materno e as autoridades de saúde indicam que Moçambique alcançou 56% de aleitamento materno exclusivo até os seis meses, superando a meta mínima de 50% proposta pela Organização Mundial da Saúde.

O resultado, que é fruto de um trabalho conjunto, coloca Moçambique entre os países com melhor desempenho na CPLP nesta área.

Apesar deste avanço, ainda persistem alguns desafios, com ênfase para o não cumprimento do período recomendado para a amamentação, por causa do retorno precoce ao trabalho, falta de apoio nas empresas, mitos culturais e depressão pós-parto.

Neste ano, a Semana Mundial do Aleitamento Materno, decorre sob o lema “Priorizar o aleitamento materno: criar sistemas de apoio sustentáveis”, com apenas 48% dos bebés a receberem a amamentação exclusivamente até os seis meses, segundo a OMS que prevê uma meta de 70% até 2030.

A falta de uma Lei específica e de quadros qualificados colocam em causa a protecção dos dados pessoais nas plataformas digitais. O Ministério das Comunicações e Transformação Digital quer criar uma Política Nacional de Governação de Dados.

Com o avanço da tecnologia, a protecção de dados torna-se cada vez mais desafiante. Não poucas vezes,  assiste-se, por exemplo, a partilha indevida de informações e casos de burla por meio de mensagens de promoções e jogos.

Estas situações revelam que ainda há vulnerabilidade na protecção dos dados pessoais.

Segundo o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, a falta de quadros qualificados em gestão de dados é uma das razões da vulnerabilidade na protecção de dados.

Américo Muchanga considera, por isso, que é urgente a elaboração da Política e da Estratégia Nacional  de Governação de Dados para ultrapassar estes desafios.

Nesta sexta-feira, o ministro reuniu-se com o Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação para colher subsídios sobre a matéria.

Após a Auscultação,  a proposta de Lei da Protecção dos Dados, a ser elaborada, será encaminhada ao Conselho de Ministros.

 

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