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O Ministério da Saúde recebeu, recentemente, um donativo de 16 mil pares de luvas cirúrgicas, destinado a reforçar a resposta médica às populações afectadas pelas cheias nas províncias de Maputo e Gaza, no sul do país.

Na cerimónia de entrega do material, o director nacional de Assistência Médica, Nelson Mucopo, destacou a importância do apoio, sublinhando que o equipamento irá contribuir significativamente para melhorar o atendimento às comunidades atingidas pelas inundações. Segundo explicou, as luvas serão utilizadas exclusivamente pelas brigadas médicas que operam no terreno, sobretudo nos centros de acomodação das famílias deslocadas.

“As populações afetadas necessitam de apoio urgente, e as nossas equipas continuam empenhadas não apenas no resgate, mas também na prestação de cuidados de saúde nos locais de acolhimento”, afirmou o responsável, citado pela Lusa.

Entretanto, os dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que o número de pessoas afetadas pelas cheias registadas desde janeiro já ascende a 723.289, correspondentes a 170.223 famílias. Apenas nas últimas 24 horas, mais 20 mil pessoas foram afetadas. Até ao momento, há registo de 22 mortes, 45 feridos e nove desaparecidos.

As zonas ao longo do rio Revúbuè e do vale do Nhartanda, e nas imediações do monte Caloeira continuam a ser consideradas de elevado risco de cheias e deslizamentos de terra em época chuvosa. Face a esta situação, o Conselho Municipal de Tete anunciou a retirada de cerca de 800 famílias, que vivem naquelas áreas, com vista ao reassentamento em espaços considerados seguros.

Sem avançar datas, a edilidade garante que já dispõe de áreas alternativas identificadas, numa medida que visa prevenir perdas humanas e materiais.

Reagindo à matéria divulgada pela STV, que dava conta de que a população que vive ao longo do vale do Nhartanda, na cidade de Tete, enfrenta uma situação de elevado risco, numa altura em que o país regista cheias, o Conselho Municipal de Tete, através do vereador do pelouro da Urbanização, esclareceu que estas famílias já haviam sido atribuídas parcelas de terreno aquando das cheias de 2019 e 2022.

Segundo a edilidade, apesar de terem sido identificados e disponibilizados espaços considerados seguros, há registo de alguma resistência por parte dos munícipes em regressar aos locais indicados, preferindo permanecer em zonas classificadas como de risco.

Sem avançar datas, o vereador garantiu que as famílias serão retiradas dos locais, e disse ainda que o município já dispõe de áreas alternativas, devidamente identificadas, onde os munícipes poderão ser realojados. 

Além da população residente ao longo do rio Revúbuè e no vale do Nhartanda, o processo de retirada de famílias vai igualmente abranger os munícipes que construíram as suas residências nas imediações do monte Caloeira, outra zona considerada de elevado risco de deslizamentos de terra.

De referir que já foi emitido o alerta para retirada da população das zonas de risco, pela administração Regional  de águas do Centro.

Os Transportadores do Terminal Rodoviário da Junta retomaram, ontem,  às actividades, após reabertura da Estrada Nacional Número Um (EN1), no troço 3 de Fevereiro-Incoluane e os passageiros já podem viajar para as províncias de Gaza e Inhambane.

O Governo anunciou a abertura da estrada, no troço 3 de Fevereiro-Incoluane. Então, a partir daquela hora, nós começamos a trabalhar de Maputo até a cidade de Xai-Xai. Terminamos na pontinha, e de lá os passageiros apanham pequenas embarcações até a subida da sede do partido, onde tomam os outros carros”, disse France Manhiça, chefe dos transportes para Gaza, na Junta. 

Manhiça avançou que só ontem saíram sete carros lotados de passageiros, devido ao fluxo de passageiros.

Já começa a haver disponibilidade de coco no Mercado Grossista do Zimpeto. Os vendedores são obrigados a usar meios alternativos para garantirem o produto, mas o preço tende a baixar. 

Segundo os vendedores, o coco vem de Inhambane, mas, para que possa atravessar a cidade de Xai-Xai, é preciso que sejam usadas embarcações marítimas ou o comboio. 

Agora, verificam-se preços que variam de 30 a 40 meticais, depois de, na semana passada, ter chegado a custar 60 e 75 meticais.

Um deslizamento de terra ocorrido nas proximidades dos Montes Namuli, no distrito de Gurué, na Zambézia, provocou a morte de cinco pessoas e deixou outras cinco feridas. Ao todo, 10 pessoas ficaram soterradas, das quais metade conseguiu sobreviver após ser socorrida por populares.

O incidente chocou a localidade de Mavunha, no distrito de Gurué. No passado dia 26 do corrente mês, registou-se um deslizamento de terra numa mina situada nas proximidades dos Montes Namuli. A forte chuva que se faz sentir na região deixou os solos frágeis, aliado à actividade de mineração ilegal, resultou no soterramento de 10 pessoas, sendo que cinco foram resgatadas com vida.

De acordo com as autoridades, a mina onde ocorreu o acidente é recente e, neste momento, encontra-se encerrada.

A Polícia da República de Moçambique apela à população para que evite deslocar-se ao local para a extração de minérios, uma vez que os solos continuam instáveis, aumentando o risco de novos deslizamentos.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) precisa de 32 milhões de dólares (cerca de 26,7 milhões de euros) para apoiar, nos próximos três meses, cerca de 450 mil pessoas afetadas pelas cheias em Moçambique, anunciou a organização.

Segundo um comunicado, citado pela Lusa, a agência está a utilizar meios como veículos anfíbios, barcos, camiões, aviões e helicópteros para chegar às comunidades isoladas, mas alerta que a resposta está limitada pela falta de financiamento. 

A directora nacional do PAM em Moçambique, Claire Conan, citada pela Lusa afirmou que a organização dispõe de equipas técnicas, logística e capacidade operacional para reforçar rapidamente a assistência alimentar e nutricional, mas que a escassez de fundos impede o alargamento do apoio.

Claire Conan sublinhou ainda que as cheias representam não só uma emergência imediata, mas também uma séria ameaça à segurança alimentar a longo prazo, num contexto em que duplicou o número de pessoas que necessitam de ajuda do PAM no país. Grandes extensões de terras agrícolas ficaram submersas, o que deverá comprometer as próximas colheitas, provocar escassez de alimentos e aumentar os preços.

A responsável apelou à comunidade internacional para apoiar tanto a resposta de emergência como iniciativas de segurança alimentar sustentável. O PAM acrescenta que a falta de financiamento já levou a uma redução de 60% no número de beneficiários no norte do país em comparação com 2024, prevendo-se um novo corte de 40% em março e a suspensão total da assistência em maio, caso não haja apoio imediato.

De acordo com dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as cheias das últimas semanas causaram 22 mortos e afectaram cerca de 700 mil pessoas em Moçambique, com 3.541 casas parcialmente destruídas, 794 totalmente destruídas e 165.946 inundadas.

A Electricidade de Moçambique precisa de mais de 150 milhões de Meticais para repor os danos causados pelas cheias na rede eléctrica ao longo da zona sul do país, num momento em que mais de 125 mil clientes continuam sem os serviços na zona sul do país.

As cheias que fustigam a zona sul do país criaram um prejuízo de cerca de 300 milhões de Meticais à empresa Electricidade de Moçambique, que neste momento procura, a todo o gás, repor os danos causados.

Segundo a EDM, mais de 110 mil clientes em Gaza e 1.500 em Maputo estão sem acesso aos serviços devido às inundações.

Entre as zonas consideradas críticas está Massingir, com cerca de 7 quilómetros da rede devastados, para além de Macaneta, com sete postos de transformação destruídos.

A Empresa visitou esta sexta-feira algumas zonas afectadas em Marracuene e Bobole.

Como forma de ajudar as famílias nos centros de acolhimento, a EDM instalou, nos 59 centros de acolhimento, contadores pós-pagos como forma de subsidiar os centros.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e a Polícia Judiciária portuguesa confirmaram que o empresário português encontrado morto no Hotel Polana, em Maputo, neste mês, cometeu suicídio. As autoridades asseguram que o corpo não apresentava ferimentos nas costas nem sinais de agressão, afastando a hipótese de homicídio ou envolvimento de terceiros.

A informação foi tornada pública, esta sexta-feira, em Maputo, durante uma conferência de imprensa conjunta, na qual foram apresentados os resultados das investigações realizadas pelas autoridades moçambicanas e portuguesas. As perícias efectuadas no local, aliadas às análises laboratoriais e à audição de testemunhas, permitiram concluir que a causa da morte foi suicídio.

De acordo com os dados avançados, o corpo do empresário não apresentava sinais de violência física. As análises toxicológicas detectaram a presença de substâncias no estômago, enquanto a perícia à arma branca utilizada revelou apenas impressões digitais do próprio malogrado. O corpo do empresário português foi encontrado na casa de banho pública do Hotel Polana, onde decorreram os principais trabalhos técnicos.

As autoridades portuguesas destacaram a abertura imediata de Moçambique, considerando que a colaboração entre as instituições foi determinante para o esclarecimento do caso e reforçou a cooperação bilateral.

Relativamente às alegadas ameaças que o empresário teria recebido antes da sua morte, as autoridades referem que não existe qualquer informação oficial que confirme essa situação, tratando-se apenas de uma publicação veiculada por um órgão de comunicação social.

Apesar da conclusão sobre a causa da morte, o SERNIC garante que continuará a investigar para apurar as motivações que levaram o empresário a tirar a própria vida. 

Quaestionado sobre o rápido esclarecimento deste caso, quando comparado aos outros que até hoje, não se conhece o seu desfecho, o SERNIC limitou-se a dizer que cada processo possui características próprias e é conduzido com base em critérios técnicos e científicos.

As fortes chuvas no norte de Marrocos levaram as autoridades de Ksar El Kebir a elevar o alerta de inundação ao máximo, com o rio Loukkos, que transbordou, ameaçando diversos bairros.

Dias de chuvas intensas inundaram ruas e casas em áreas baixas na província de Larache, provocando uma mobilização total das autoridades locais, serviços de segurança, empresas de serviços públicos e equipes de emergência.

Barreiras de areia foram instaladas ao longo das casas à beira do rio, enquanto o governador Bouassam El Alamine inspeciona os pontos vulneráveis ​​ao longo do rio e supervisiona as medidas de emergência.

A Agência da Bacia Hidrográfica do Rio Loukkos informa que a região recebeu mais de 600 mm de chuva desde setembro, enchendo a barragem de Oued El Makhazine a 100% da sua capacidade, com libertações controladas em curso para aliviar a pressão e limitar as cheias a jusante.

O aumento do nível dos rios está sobrecarregando o sistema de drenagem de Ksar El Kebir; equipes extras e bombas foram mobilizadas para impedir que o esgoto retorne para as casas.

Equipes de emergência intervieram em instalações públicas importantes, incluindo um hospital local, onde pacientes e funcionários foram evacuados devido à infiltração de água e problemas de acesso.

As Forças Armadas Reais de Marrocos também estabeleceram acampamentos de emergência e estão realocando famílias, de acordo com as instruções reais, para apoiar os moradores afetados pelas graves inundações.

O presidente da câmara municipal, Mohamed Simo, instou as pessoas em zonas de alto risco a evacuarem imediatamente para terrenos mais elevados, alertando que uma barragem ultrapassou a sua capacidade de descarga.

Edifícios públicos como centros juvenis, escolas e centros culturais estão sendo convertidos em abrigos, e as autoridades prometeram fornecer alimentos, cobertores, roupas de cama e ajuda emergencial para todos os evacuados.

A Direcção Geral de Meteorologia, citada pela Africanews, prevê mais aguaceiros, chuva forte e ventos intensos esta sexta-feira em várias províncias, mantendo elevado o risco de novas inundações.

 

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