O País – A verdade como notícia

O Governo deve acelerar reformas estruturais, aliviar a pressão da dívida interna, melhorar o acesso ao crédito e colocar o sector privado no centro da estratégia económica, para que 2026 seja, de facto, um ano de crescimento económico. A posição é do economista Élio Cossa, que defende uma actuação firme e coordenada entre o Executivo e o Banco de Moçambique, para relançar a economia e evitar a repetição de um crescimento fraco.

Em entrevista ao “O País”, o economista Élio Cossa começou por lembrar que Moçambique encerrou o ano de 2025 num contexto de estabilidade macroeconómica frágil, marcada por algum controlo da inflação e ligeira flexibilização da política monetária, mas sem uma recuperação económica sólida. Apesar de a inflação se ter mantido em níveis moderados e de a taxa de juro de política monetária ter registado uma trajectória descendente, a economia continuou a crescer abaixo do seu potencial, com fraca criação de emprego e rendimento limitado para as famílias. O economista refere que o crescimento económico foi pressionado por níveis elevados da dívida pública, dificuldades de acesso ao crédito, constrangimentos no mercado de divisas e persistência de factores de incerteza interna e externa. “O País termina 2025 mais estável do ponto de vista monetário, mas ainda vulnerável do ponto de vista estrutural”, afirmou, sublinhando que os ganhos alcançados não são suficientes para sustentar um crescimento robusto sem reformas profundas.

Para o economista, a prioridade em 2026 deve ser a criação de condições reais para o investimento produtivo, sobretudo através da redução do custo do crédito, da disciplina fiscal e da melhoria do ambiente de negócios. “Sem reformas profundas e decisões corajosas, a economia vai continuar a crescer abaixo do seu potencial”, afirmou.

Uma das medidas consideradas centrais é a gestão mais rigorosa da dívida pública, em particular da dívida interna, que continua a absorver grande parte dos recursos disponíveis no sistema financeiro. Com níveis situados entre 70 e 80 por cento do Produto Interno Bruto, a dívida limita o espaço fiscal do Estado e reduz o crédito disponível para o sector privado. “O Estado concorre com as empresas pelo crédito bancário e acaba por afastar o investimento produtivo”, explicou Élio Cossa.

Neste contexto, o economista defende uma reorganização da despesa pública, com cortes em áreas não prioritárias e maior foco em investimentos que gerem crescimento económico e emprego. Para além disso, aponta o alargamento da base tributária como essencial para aumentar a arrecadação sem agravar a carga fiscal sobre quem já contribui. “Formalizar a economia é uma condição para a sustentabilidade das finanças públicas”, sublinhou.

No domínio monetário, Élio Cossa considera que o Banco de Moçambique deve manter uma política prudente, mas cada vez mais orientada para a economia real. A redução gradual da taxa de juro de política monetária é vista como positiva, por aliviar os custos de financiamento das empresas e das famílias. “Quando o crédito fica mais barato, as empresas investem, produzem mais e criam emprego”, afirmou.

O economista defende também uma melhor articulação entre a política monetária e a política fiscal, de modo a evitar sinais contraditórios à economia. Segundo explicou, não faz sentido reduzir taxas de juro se, ao mesmo tempo, o Estado continua a absorver grande parte da liquidez disponível no mercado financeiro.

Outro desafio apontado para 2026 é o acesso às divisas, que continua a afectar o funcionamento das empresas, sobretudo as que dependem de importações. Para Élio Cossa, a solução passa por uma gestão mais estratégica das reservas cambiais, priorizando sectores produtivos, e por uma aposta clara no aumento das exportações. “Sem reforçar a capacidade exportadora, a pressão sobre o mercado cambial vai persistir”, alertou.

No plano governamental, o economista reconhece as iniciativas anunciadas para reanimar a economia, incluindo fundos de apoio à produção, programas de financiamento à juventude e medidas de estímulo à economia local. Contudo, defende que o impacto destas medidas dependerá da sua implementação efectiva. “É preciso garantir que os fundos cheguem a quem produz e gerem resultados concretos”, afirmou.

Segundo Élio Cossa, o sector privado deve assumir um papel central no processo de crescimento económico em 2026, mas para isso precisa de previsibilidade, confiança e regras claras. Melhorar o ambiente de negócios, reduzir a burocracia e garantir estabilidade das políticas públicas são, na sua visão, condições indispensáveis. “Não há crescimento sustentável sem um sector privado forte e confiante”, defendeu.

O economista sublinha ainda que, apesar de alguma estabilidade macroeconómica alcançada em 2025, os níveis de crescimento continuam insuficientes para responder às necessidades da população. A inflação manteve-se controlada e as taxas de juro começaram a descer, mas a economia continua a crescer de forma tímida.

O  analista considera que 2026 pode ser um ano decisivo para a economia nacional, desde que o Governo transforme anúncios em acções concretas, discipline as finanças públicas e crie condições efectivas para o investimento privado. Caso contrário, alerta, o país corre o risco de prolongar um ciclo de crescimento baixo, com impactos sociais e económicos significativos.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a ocorrência de chuvas fortes, localmente muito fortes, acompanhadas por trovoadas severas e ventos com rajadas, a partir da tarde desta sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026, em vários distritos e cidades do país.

De acordo com o INAM, as províncias de Sofala, Manica, Inhambane, Gaza e Maputo poderão registar precipitação superior a 50 milímetros em 24 horas, podendo ultrapassar 100 milímetros em alguns pontos. Entre as áreas abrangidas constam, entre outras, os distritos e cidades da Beira, Chimoio, Maxixe, Inhambane, Xai-Xai, Maputo e Matola.

Em Sofala, o alerta abrange os distritos de Chemba, Caia, Marínguè, Marromeu, Cheringoma, Gorongosa, Muanza, Nhamatanda, Dondo, Búzi, Machanga, Chibabava e a cidade da Beira.
Na província de Manica, estão incluídos os distritos de Guro, Tambara, Macossa, Barué, Vanduzi, Manica, Macate, Sussundenga, Gondola, Mossurize, Machaze e a cidade de Chimoio.
Em Inhambane, o aviso estende-se aos distritos de Govuro, Inhassoro, Vilankulo, Mabote, Massinga, Funhalouro, Morrumbene, Panda, Homoíne, Jangamo, Inharrime, Zavala e às cidades de Maxixe e Inhambane.
Na província de Gaza, são abrangidos os distritos de Chicualacuala, Massangena, Mapai, Chigubo, Mabalane, Massingir, Guijá, Chibuto, Chókwè, Limpopo, Bilene, Mandlakazi, Chongoene e a cidade de Xai-Xai.
Já na província de Maputo, o alerta inclui os distritos de Magude, Moamba, Manhiça, Marracuene, Namaacha, Boane, Matutuine e as cidades de Maputo e Matola.

O INAM indica ainda a continuação de chuvas acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas, sobretudo nas províncias de Niassa, Zambézia e Tete.

Face a este cenário, as autoridades meteorológicas apelam à tomada de medidas de precaução e segurança, tendo em conta os riscos associados às chuvas intensas, trovoadas e ventos fortes.

Cerca 4928 alunos perderam os exames finais na província de Nampula, devido a ataques terroristas. Os alunos vão realizar exames especiais a partir do dia 19 do corrente mês.

O impacto do terrorismo começa a reflectir-se de forma negativa no sector da Educação em Nampula. Até ao momento, estima-se que 4 928 alunos 6ª, 9ª e 10ª classes, dos distritos de Memba e Eráti, zonas recentemente afectadas por incursões terroristas, tenham perdido os exames finais.

Como medida, o sector da Educação anunciou, na tarde desta quinta-feira, a realização de exames especiais, que arrancam no dia 19 deste mês e vão abranger até ao distrito de Nacarôa, onde também há registo de deslocados.

Além da insegurança, o sector da Educação enfrenta desafios adicionais provocados pelo ciclone Jude, que destruiu várias escolas na província. Em consequência, muitas crianças continuarão  a assistir aulas ao relento, no presente ano lectivo que arranca no dia 30 do mês em curso.

Ainda assim, as autoridades garantem que serão montadas tendas para minimizar o impacto da falta de infra-estruturas escolares.

Entretanto, em Nampula, o sector da Educação reconhece que ainda não foi atingida a meta de matrículas para as primeiras classes do ensino primário.

O Banco de Moçambique reforçou os procedimentos e obrigações legais relativos à abertura e movimentação de contas bancárias no exterior por entidades residentes no país e reitera que estas operações carecem de autorização prévia da autoridade cambial.

Segundo esclarece o banco central num comunicado a que o “O País Económico” teve acesso, “a legislação cambial em vigor determina que qualquer pedido para abertura de conta bancária fora do território nacional deve ser acompanhado de documentação adequada, capaz de comprovar a legitimidade e a finalidade da operação”.

Segundo a instituição, os requerentes devem, igualmente, demonstrar a origem dos fundos a movimentar, bem como a necessidade efectiva da conta no exterior.

O regulador cambial recomenda que as contas sejam abertas, preferencialmente, junto de instituições financeiras correspondentes de bancos autorizados a operar em Moçambique, uma medida que visa facilitar o acompanhamento das operações e reforçar os mecanismos de controlo financeiro.

Após a concessão da autorização, os titulares ficam obrigados a comunicar ao Banco de Moçambique, no prazo máximo de 30 dias a contar da data de abertura, o número e o domicílio da conta bancária. Adicionalmente, devem submeter, de forma trimestral, os extractos bancários, através de meios electrónicos, entrega física na sede do Departamento de Licenciamento e Controlo Cambial ou nas filiais do banco central, bem como por via postal.

O Banco de Moçambique alerta ainda para as situações de contas abertas no exterior sem autorização prévia, sublinhando que “os respectivos titulares devem requerer a regularização da sua situação, cumprindo os procedimentos legalmente estabelecidos”.

De acordo com a instituição, estas exigências têm como objectivo assegurar a transparência das operações financeiras internacionais, permitir um acompanhamento eficaz das movimentações de capitais e reforçar a estabilidade do sistema financeiro nacional.

Medida vai ajudar a controlar a saída descontrolada de divisas, dizem economistas

Chamados a analisar a medida do banco central, economistas afirmam que tal poderá ajudar no controlo das divisas que têm vindo a sair do mercado nacional de forma descontrolada, apesar de admitir que os recorrentes informes da instituição, não cinge somente a mitigação de escassez de moeda estrangeira, mas sim a necessidade de reforçar o cumprimento da Lei Cambial e salvaguardar a estabilidade macroeconómica do país.

Segundo o economista Moisés Nhanombe, a iniciativa visa recordar que a estabilidade cambial continua a ser um dos principais pilares da economia nacional, razão pela qual o banco entende ser necessário reforçar, com regularidade, os procedimentos que regem as operações de divisas.

“O objectivo não é sancionar, mas recordar que esta preocupação ainda existe e deve ser tida em consideração por todos os agentes económicos que actuam neste mercado”, explicou o economista.

Nhanombe sublinha que a medida permite ao banco central reforçar o rastreio do uso dos fundos nacionais, acompanhando a forma como as contas são movimentadas e os fins a que se destinam os recursos financeiros. Esta prática, segundo o analista, é fundamental para prevenir o branqueamento de capitais e o financiamento de actividades ilegais, incluindo o terrorismo.

O economista alerta, no entanto, para os custos associados ao cumprimento dos procedimentos exigidos, referindo que estes podem limitar a capacidade de alguns agentes económicos em aceder ao mercado cambial.

“Existe um custo de transacção associado a estes processos, o que pode fazer com que parte dos agentes económicos não esteja em condições de cumprir integralmente os requisitos”, observou.

Ainda assim, Moisés Nhanombe defende que o banco central deve ter consciência destes constrangimentos e adoptar medidas que equilibrem o rigor regulatório com a realidade operacional dos agentes económicos, de forma a garantir a estabilidade financeira sem comprometer a actividade económica.

Entretanto, para o economista Egas Daniel, a ideia do banco central pode passar por querer reduzir abusos no uso de cartões de débito e com isto propiciar a fuga de divisas no mercado nacional.

“Quero acreditar que a ideia central do legislador bancário, ao avançar com este tipo de decretos, pretende reduzir o uso abusivo dos cartões para pagamento de transacções comerciais e retiradas camufladas de divisas no país”, argumenta o economista, que não tem dúvidas de que “isso vai controlar a parte de divisas que sai do sistema financeiro com base neste tipo de transacções”.

A recente medida do banco central encabeça uma lista de alertas que o legislador tem vindo a emitir desde o último trimestre do ano passado, que visam em concreto evitar a volatilidade do sistema internacional.

Vendedores do Mercado Canongola, na cidade de Tete, exercem as suas actividades em condições precárias de saneamento, com bancas instaladas no meio de águas paradas e mau cheiro. A situação ocorre numa altura em que as autoridades sanitárias da província registam um cumulativo de 810 casos de cólera, dos quais 370 resultaram em internamentos e 13 em morte.

No Mercado Canongola, os vendedores enfrentam diariamente condições precárias de saneamento, expondo-se a sérios riscos de saúde pública na luta pelo sustento das suas famílias. O local apresenta bancas e produtos comercializados no meio de águas paradas, acompanhadas de mau cheiro, cenário que preocupa comerciantes e clientes.

Os vendedores apelam à intervenção urgente das autoridades, com vista a minimizar a situação e garantir melhores condições de saneamento no mercado.

Esta situação verifica-se numa altura em que as autoridades sanitárias da província de Tete contabilizam um número cumulativo de 810 casos de cólera, dos quais 370 foram internados e 13 resultaram em morte.

Contactámos o Serviço Municipal de Saneamento de Tete, através do responsável do Gabinete de Comunicação e Imagem, mas este disse que a instituição prefere não se pronunciar sobre o assunto.

Arrancaram nesta quinta-feira os exames de admissão para a formação de professores. Mais de 600 candidatos da cidade e província de Maputo disputam 70 vagas, no Centro de Formação da Munhuana. 

Ensinar e contribuir para a formação do Homem é o sonho de vários jovens que decidiram concorrer para a formação de professores.  

São mais de 600 candidatos inscritos para realizar os exames de admissão para a formação de professores, no Instituto de Formação da Munhuana, entre eles, Marta Cossa, de 20 anos de idade, que está ciente dos desafios do sector da educação.  

“Outros dizem que os salários têm atrasado. E isso se torna algo preocupante, realmente, de certa forma. Entretanto, sempre foi meu sonho, na verdade, ser professora. Tentei concorrer antes para outras profissões, mas ser professora sempre foi meu sonho.”

Neste ano, o número de candidatos duplicou quando comparado ao ano passado.

“Neste ano, tivemos 630 inscritos a concorrer para 70 vagas. Portanto, em termos comparativos, igual ao período do ano passado, em que concorreram cerca de 300, vamos dizer que o número duplicou.  Este processo de preparação do exame iniciou com a inscrição dos candidatos ao quinto curso de formação de professores e educação de adultos”, disse Carlos Cossa, director do centro de formação de professores.

O curso de formação de professores tem a duração de três anos, e estão disponíveis 70 vagas.

Enquanto isso, na Universidade Eduardo Mondlane, os exames de admissão, que arrancaram na terça-feira, decorreram  no seu terceiro dia.

Ansioso, junto do seu amigo, Teodoro Altino fazia os últimos acertos para realizar as provas de Matemática e Português, que o poderão permitir fazer o curso de Contabilidade e Finanças.

“Eu acho que esse curso é o que mais me identifica, porque eu gosto mais de matemática e, na escola, segui letras. Então, a única coisa que podia fazer era Contabilidade, Economia.”

O curso de Medicina é o mais concorrido. 

Os exames de admissão na UEM terminam nesta sexta-feira. Mais de 26 mil candidatos disputam cerca de 4 mil vagas, para 124 cursos.

Utentes da Estrada Nacional Número Seis, na cidade da Beira, acusam a REVIMO, concessionária da estrada, de má gestão e falhas na manutenção da estrada, apesar de cobrar pela sua utilização. A empresa evita responder às preocupações apresentadas pelos utentes.

Recentemente, o Estado investiu cerca de 410 milhões de dólares na reabilitação da Estrada Nacional Número Seis, espinha dorsal do Corredor da Beira, que liga o Porto da Beira ao Zimbabwe, Zâmbia, Malawi e Sul da República Democrática do Congo.

A mesma foi concessionada à Rede Viária de Moçambique, REVIMO, desde 2019, e a sua utilização implica o pagamento de três portagens entre a cidade da Beira e a fronteira de Machipanda.

Ainda assim, a via apresenta sinais de degradação acelerada, falta iluminação no troço dentro das cidades da Beira e Dondo e longas filas de carros que criam engarrafamento.

Os utentes entendem que a concessionária não está a cumprir as suas obrigações.

As associações empresariais não entendem porque o Estado não intervém para obrigar a concessionária a cumprir as suas obrigações.

Os automobilistas queixam-se igualmente de longos congestionamentos na portagem do Dondo, onde apenas uma das dez cancelas funciona regularmente, nas primeiras horas do dia.

Para os representantes das associações empresariais, a situação demonstra má gestão e negligência, defendendo que as portagens devem ser suspensas até que a REVIMO restabeleça as condições da empresa.

A nossa equipa de reportagem na Beira tentou várias vezes obter reacções da REVIMO, mas a empresa adiou sucessivas vezes e sob várias alegações a entrevista para esclarecer a intervenção para melhoramento da via, de tal forma que acabou por não acontecer.

Candidatos excluídos de ingressar nas fileiras da PRM em Nampula sentem-se injustiçados e acusam os agentes de práticas corruptivas. A PRM diz estar aberta para os receber e avaliar as reclamações.

São lamentações de quem diz ter-se esforçado para que em 2026 pudesse ocupar parte das quatro mil vagas abertas para novos agentes da PRM através do curso básico de formação de guardas em Matalane. Entretanto, após a divulgação dos resultados, alguns candidatos excluídos disseram sentir-se injustiçados e consideraram que o processo foi mal conduzido e que as pessoas apuradas nunca foram submetidas a qualquer tipo de prova.

O mais caricato, segundo afirmaram, é o facto de terem tido boas notas em todas as etapas da prova, mas mesmo assim não foram apurados e desconfiam de focos de corrupção no processo.

Questionada sobre as acusações feitas pelos candidatos excluídos, a porta-voz da PRM em Nampula, Rosa Chaúque, foi de poucas palavras, afirmando que a corporação está aberta para qualquer tipo de reclamação.

“Ainda não tivemos nenhuma denúncia, mas qualquer denúncia que tiverem podem aproximar-se às unidades próximas e façam essas denúncias para que possamos dar seguimento a esses casos”, disse.

Rosa Chaúque teceu estes pronunciamentos nesta quinta-feira, durante apresentação de um grupo de indivíduos, com destaque para um adolescente de menos de 20 anos, que é acusado de esfaquear uma pessoa no bairro de Muatala, arredores da cidade de Nampula.

Todos são acusados de cometer diversos tipos de crimes, mas refutam o seu envolvimento.

Um total de 85 pessoas morreram, 70 ficaram feridas e outras 105 126 foram afectadas desde Outubro, na actual época chuvosa no país, indica um relatório do Instituto Nacional de Gestão de Desastres.

De 01 de Outubro, quando se iniciou a presente época de chuvas, até quarta-feira, 07 de Janeiro, pelo menos 20 749 famílias foram afectadas pelo mau tempo em Moçambique, com registo de ventos fortes e chuvas intensas, acompanhadas de descargas atmosféricas e consequentes cheias, inundações, incêndios e cólera.

Segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), no mesmo período, um total de 9851 casas ficaram total ou parcialmente destruídas e outras 8969 inundadas, além de 13 unidades hospitalares e 39 casas de culto afectadas.

No sector da educação, a época chuvosa afectou 42 606 alunos, 688 professores, 312 salas de aula, 122 escolas e 27 blocos administrativos, e, na agricultura, mais de 6400 hectares de áreas agrícolas ficaram inundadas, 17,69 hectares perdidos, afectando 2866 agricultores.

De acordo com o INGD, pelo menos 832 animais, entre bovinos, caprinos e aves, morreram, 86 postes de energia tombaram e 20 quilómetros de estrada foram afectados pelas intempéries.

A época presente chuvosa já obrigou à abertura de 15 centros de acomodação no país, dos quais 11 já foram encerrados, permanecendo quatro ainda activos, tendo albergado um cumulativo de 4303 pessoas.

Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do país, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.

O país enfrenta, ciclicamente, cheias e ciclones tropicais durante a época das chuvas, além de períodos prolongados de seca severa, sendo, por isso, considerado um dos mais afectados pelas alterações climáticas globais.

Nas últimas chuvas, entre 2024-2025, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhões de pessoas.

Já entre 2019 e 2023, os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

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