O País – A verdade como notícia

O Presidente da República,  Daniel Chapo, condena, em termos firmes e  veementes, o atentado contra o jornalista Carlitos Cadangue,  correspondente da STV em Manica, ocorrido na noite de ontem, em Chimoio. 

O Presidente da República exige, das autoridades competentes,  esclarecimento deste atentado, devendo os seus perpetradores  serem levados à justiça.

“Somos um país onde a Liberdade de Imprensa deve prevalecer  e continuaremos a lutar firmemente contra o crime organizado,  que não tem como triunfar no nosso País. O medo e a  insegurança são inimigos da liberdade, da democracia e do  desenvolvimento”, afirmou o Chefe do Estado. 

O Presidente da República expressa a sua solidariedade ao  jornalista Carlitos Cadangue e à sua família, bem como à  comunidade jornalística, em geral, e ao Grupo SOICO,  proprietária da STV.

O Sindicato Nacional de Jornalistas, na província de Manica, ameaça não fazer cobertura jornalística  de alguns eventos governamentais, caso não haja esclarecimentos do atentado criminoso contra o jornalista Carlitos Cadangue. A organização exige uma investigação célere. 

“Nós, como Sindicato Nacional de Jornalistas, exigimos uma investigação célere e independente, uma investigação, acima de tudo transparente, porque não pode prevalecer o Estado de ditadura”, disse Nelson Benjamin do Sindicato de Jornalistas em Manica, reagindo ao atentado contra o jornalista da STV em Manica, Carlitos Cadangue. 

Benjamim disse ainda que é preciso que não haja interferência dos “poderosos” na investigação, para que o caso seja esclarecido. “É preciso compreender que o nosso colega sofre o atentado numa altura em que vem se evidenciando as reportagens sobre a mineração (…) Como sabem, a mineração envolve  muitas pessoas poderosas, que vão vendo os seus negócios fragilizados”, sublinhou. 

O Sindicato em Manica ameaça boicotar a cobertura de eventos governamentais, se o caso não for esclarecido. “Se não ocorrer uma investigação responsável e transparente, nós, como SNJ, em coordenação com os órgãos de comunicação social, ponderamos até a não cobertura de certos eventos do Governo, para que haja resposta clara e eficiente”. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a continuação de ocorrência de chuvas moderadas a fortes, nas províncias de Cabo Delgado e Niassa. 

Segundo o comunicado do INAM, serão afectados, na província de Cabo Delgado, os distritos de Nangade, Muidumbe, Mueda, Montepuez, Balama, Namuno, Mecufi, Chiúre, Metuge, Ancuabe, Quissanga, Ibo, Meluco, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma e cidade de Pemba. 

Já em Niassa, as chuvas far-se-ão sentir nos distritos de Marrupa, Nipepe, Mecula, Mavago, Majune, Maúa, Metarica, Cuamba, Mandimba, Ngauma, Chimbonila, Sanga, Muembe, Lago e cidade de Lichinga.

Adicionalmente, o INAM prevê a continuação de chuvas em regime fraco a moderado na província de Nampula.

O Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) considera inaceitável que jornalistas continuem a ser alvos  de intimidação, violência e perseguição pelo exercício do seu dever profissional de informar. 

O SNJ reagiu ao atentado contra o correspondente da STV em Chimoio, capital provincial de  Manica, Carlitos Cadangue, que foi, na noite de ontem, vítima de atentado à mão armada,  quando a viatura em que se fazia transportar foi crivada de balas, à chegada à sua residência. 

O atentado ocorreu no bairro de Trangapasse, arredores de Chimoio. Indivíduos desconhecidos e encapuzados abriram fogo contra a viatura. 

O Secretariado Executivo do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) “repudia veementemente  este acto bárbaro, covarde e de intimidação contra um profissional da comunicação social. Considera também inaceitável que jornalistas continuem a ser alvos  de intimidação, violência e perseguição pelo exercício do seu dever profissional de informar”. 

Igualmente, o Sindicato apela às autoridades competentes à investigação séria e célere das circunstâncias  em que o atentado de Chimoio ocorreu, com vista ao rápido esclarecimento dos factos; à identificação dos autores (morais e materiais) e à consequente responsabilização dos mesmos,  para que este acto condenável não fique impune.

A Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos (RMDDH) manifestou preocupação e condenou veementemente o atentado contra o jornalista Carlitos Cadangue, da STV, ocorrido ontem, na província de Manica. 

“Este acto constitui uma grave violação da liberdade de imprensa, do direito à informação e dos princípios fundamentais do Estado de Direito. Ataques contra jornalistas representam ameaças directas à democracia e criam um ambiente de medo e intimidação que compromete o exercício livre e independente do jornalismo”, lê-se no comunicado.

A RMDDH exige ainda que uma investigação célere, independente e transparente sobre o atentado, e apela à responsabilização dos autores morais e materiais do crime. 

A organização insta as autoridades a adoptarem medidas concretas para garantir a protecção dos jornalistas e defensores de direitos humanos.

O Grupo SOICO manifestou a sua profunda indignação e veemente repúdio pelo atentado criminoso contra o jornalista Carlitos Cadangue, correspondente da STV na província de Manica, ocorrido ao princípio da noite desta quarta-feira, a escassos metros da sua residência e na presença do seu filho menor.

‎De acordo com o comunicado, a viatura do jornalista foi alvo de vários disparos de arma de fogo efectuados por indivíduos encapuzados, que aparentavam trajar indumentária semelhante à das forças de segurança. Apesar de Carlitos Cadangue e o seu filho não terem sofrido ferimentos físicos, o Grupo SOICO considera o acto uma grave ameaça à vida, à integridade psicológica da família e um ataque directo à liberdade de imprensa e ao direito à informação.

‎O documento sublinha que o atentado ocorre num contexto em que o jornalista vinha desenvolvendo reportagens de investigação sobre práticas ilícitas no sector mineiro na província de Manica e os seus impactos sociais, económicos e ambientais, matérias de elevado interesse público. O comunicado recorda ainda que, no passado recente, o jornalista havia reportado ter recebido alertas e ameaças em função do seu trabalho profissional.

‎Para o Grupo SOICO, o ataque constitui uma tentativa clara de intimidar a comunicação social, silenciar o jornalismo de investigação e instaurar um clima de medo entre profissionais da área, representando uma ameaça ao espaço democrático, ao escrutínio público e à transparência na gestão da coisa pública.

‎Perante a gravidade dos factos, o Grupo SOICO repudiou energicamente o atentado e toda e qualquer forma de violência, intimidação ou perseguição contra jornalistas, expressou total solidariedade para com Carlitos Cadangue e a sua família e garantiu acompanhamento institucional e apoio neste momento. A organização exige ainda às autoridades competentes uma investigação célere, independente, transparente e eficaz, que conduza à responsabilização dos autores morais e materiais do crime.

‎O comunicado apela igualmente ao reforço imediato das medidas de protecção e segurança para jornalistas, em particular aqueles que realizam trabalhos de investigação em contextos sensíveis, envolvendo criminalidade económica, corrupção e actividades ilícitas.

‎O Grupo SOICO reafirma, por fim, que a STV e o grupo não se deixarão intimidar, reiterando o seu compromisso com a verdade, o interesse público, a legalidade e a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, sublinhando que atacar um jornalista é atacar a democracia e silenciar a imprensa é comprometer o futuro do país.

Moçambique é o primeiro país a retomar a vacinação preventiva contra a cólera, após a interrupção em 2022 devido ao aumento do número de casos e a consequente diminuição dos ‘stocks’, informou esta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

As cheias e inundações no país interromperam os sistemas de saúde e danificaram os sistemas de abastecimento de água, aumentando ainda mais o risco de doenças transmitidas pela água, como a cólera e outras doenças, referiu a OMS em comunicado.

Segundo escreve o Notícias ao Minuto, a retoma é um motivo mais que suficiente para o país retomar a vacinação preventiva contra a cólera, uma acção que vai arrancar no meio de um surto de cólera e das consequências das cheias que afectaram mais de 700 mil pessoas, muitas delas desalojadas.

A seguir a Moçambique, a campanha de vacinação preventiva será retomada no Bangladesh e na República Democrática do Congo (RDCongo).

Os três países foram escolhidos com base nos critérios de alocação estabelecidos pela Força-Tarefa Global para o Controlo da Cólera (GTFCC), uma parceria de mais de 50 organizações, para garantir que as vacinas contra a cólera para campanhas preventivas são distribuídas de forma sistemática, equitativa e transparente.

Segundo a GAVI (Aliança de Vacinas), a UNICEF e a OMS, a primeira remessa de 20 milhões de doses está a ser distribuída por Moçambique, que vai receber 3,6 milhões de doses, RD Congo, que terá 6,1 milhões, e Bangladesh (10,3 milhões de doses).

“A escassez global de vacinas obrigou-nos a um ciclo de reacção aos surtos de cólera, em vez de prevenção. Estamos agora numa posição mais forte para quebrar este ciclo”, afirmou o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado pelo Notícias ao Minuto.

O fornecimento global anual da vacina oral contra a cólera duplicou, passando de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões de doses em 2025, financiadas pela Gavi e adquiridas e distribuídas aos países pela UNICEF.

“O aumento plurianual de casos de cólera e a consequente procura sem precedentes de vacinas foram lembretes contundentes de que o fornecimento sustentável e acessível de vacinas é um bem público global — e o mundo não se pode dar ao luxo da complacência”, disse Sania Nishtar, administradora da Gavi, citado pela mesma fonte.

Para a directora executiva da UNICEF, Catherine Russell, este aumento da disponibilidade de vacinas permitirá prevenir melhor as emergências de cólera em grande escala.

A vacina oral contra a cólera é segura e eficaz e está recomendada para indivíduos com mais de um ano de idade. Uma dose desta vacina oferece protecção a curto prazo durante pelo menos seis meses e pode ajudar a controlar os surtos, enquanto duas doses oferecem protecção contra a infecção durante três anos.

A cólera propaga-se através de alimentos e água contaminados, causando diarreia grave e desidratação, podendo levar à morte se não for tratada rapidamente.

Moçambique soma 55 mortos e 3.725 casos cumulativos de cólera registados desde Setembro de 2025 até 1 de Fevereiro de 2026. As províncias de Tete, Cabo Delgado, Zambézia e Manica são as mais afectadas, com alta taxa de mortalidade na comunidade (70%) devido à falta de acesso a saneamento e cuidados médicos. 

O MISA Moçambique reagiu ao atentado sofrido pelo jornalista do Grupo SOICO, com Ernesto Nhanala a enviar mensagem de conforto e solidariedade a Carlitos Cadangue, sublinhando que “tem sido uma voz muito activa, e nós estamos vindo assistir à coragem, ao impacto do trabalho que tem realizado em Manica”. 

Para o MISA Moçambique, o atentado aconteceu devido à persistência do trabalho que o jornalista tem desenvolvido através da STV, relacionado à poluição do meio ambiente em Manica, o que obrigou o Governo a indicar uma Comissão Interministerial para fazer uma investigação à actividade mineira.

“Nós todos, como sociedade, acompanhamos o quanto o trabalho do Carlitos Cadangue denunciou os impactos que a poluição causada por mineração ilegal estava a causar em Manica. Certamente que o crime contra o meio ambiente só podia ser possível se por trás disto estivessem pessoas com poder e que não respeitem as leis em Moçambique”, disse Nhanala, frisando ser grave que os referidos grupos estejam por trás da perseguição e intimidação do jornalista.

Aliás, Ernesto Nhanala diz mesmo que “é um atentado claro contra a vida dele”, referindo que o facto de ter estado com o filho pode provocar algum trauma familiar.

“Nós, como MISA, achamos que o Estado moçambicano tem de deitar uma mão muito dura investigando este caso e, de certa forma, penalizar de forma exemplar os que tentaram colocar em risco a vida do Carlitos Cadangue. Este acto, com certeza, coloca em prova a actuação dos jornalistas na perseguição do dossier da mineração, que continua, inclusive, a fornecer novidades”, referindo-se à descoberta de novos filões de ouro, noticiados nesta quarta-feira por Carlitos Cadangue.

O MISA refere ainda que este atentado é uma forma encontrada para calar a voz activa dos que denunciam incumprimento da lei sobre mineração. “Eu tenho certeza de que esta matéria deve, de certa forma, mostrar a nossa persistência e, acima de tudo, o nosso compromisso com o bem-estar e, mais uma vez, para além daquela Comissão Interministerial que foi nomeada para investigar estes fenómenos, esta situação de poluição, o Estado tem de, também, tomar uma mão firme, porque esta é uma tentativa de fragilizar todo o processo de investigação, tocando naqueles que não têm protecção, que são os jornalistas, porque o que nós temos vindo a assistir é que, efectivamente, o Estado não nos protege. Nós, como MISA, temos vindo a clamar já desde há muito tempo que há fracos mecanismos de protecção dos jornalistas”, disse.

Recorde-se que Carlitos Cadangue tem estado a denunciar actividade mineira na mina dos “seis carros”, bem como em outros locais, que tinham sido encerrados pelo Governo, entretanto em funcionamento com protecção de agentes da Polícia da República de Moçambique.

Venâncio Mondlane defende que o país deve deixar de ser “mendigo” e não depender de ajuda externa para reconstruir-se e responder aos danos causados pelas inundações e outros desastres naturais. O político submeteu, esta quarta-feira, ao gabinete do Primeiro-Ministro, um plano de reconstrução pós-cheias que apresenta soluções de financiamento interno.

Rodeado de continente policial, assim esteve a avenida onde se localiza o gabinete do Primeiro-Ministro, local ao qual Venâncio Mondlane submeteu um plano de reconstrução pós-cheias.  

Falando em conferência de imprensa, o político criticou o facto do país ter que depender, na sua maioria, de ajuda externa para reerguer-se dos estragos causados pelos desastres naturais. 

“Primeiro, ponto de vista da filosofia, nós queremos mudar todo o paradigma dos programas de reconstrução pós-desastre. Primeiro, queremos quebrar com o copy-paste de quando há uma tragédia no país, temos que estender a mão como mendigos e pedir ajuda ao exterior. Na nossa opinião, 90% dos recursos financeiros para fazermos face à reconstrução pós-desastre é possível ser mobilizado a nível nacional. Este é o primeiro ponto, primeiro ponto filosófico. De que forma? Nós subdividimos a nossa proposta para uma reconstrução que não vai ser feita em um ano, é uma reconstrução que vai ser feita num triângulo. São três anos. E o orçamento para isso é de 1,6 mil milhões de dólares, ou, como quiser, 1,6 bilhões, em três anos”, disse o político. 

Venâncio Mondlane entende que o país tem tudo, para que por meio de fundos próprios,  possa fazer face aos eventos extremos e explica como. 

“Neste momento, com as reservas que o país tem, com as estatísticas que existem, podem ser mobilizados a partir das receitas mineiras e petrolíferas. Isso é possível. É possível que a contribuição que o próprio Estado já recebe deste setor seja canalizada 30% para os próximos três anos, a partir deste setor. Qual é esse valor? Está entre 285 milhões de dólares a 390 milhões de dólares para os próximos três anos. Receitas das portagens. Isto é polêmico. (1:57) Na nossa ótica, já fizemos uma live sobre isto. (2:01) As portagens que existem em Moçambique, a maior parte delas já pagaram custo de investimento.

Significa que chegou a hora, havendo um desastre, 100% das receitas que o Estado recebe das portagens, nos próximos três anos, exatamente para infraestruturas resilientes, sobretudo estradas, pontes e diques. ”

E disse mais, “Temos aquilo que nós demos o nome de contribuição solidária.O que é contribuição solidária? Contribuição solidária é um imposto temporário que vai ser colocado sobre produtos de luxo. Viaturas de alta cilindrada, jóias, diamantes, portanto, estes produtos de luxo, temporariamente é possível haver uma sobretaxa sobre eles e, em três anos, arrecadarmos entre 30 a 50 milhões de dólares”. 

Por outro lado, o político considera inverdade, que o Governo precise de 3,5 mil milhões de dólares somente para requalificar as estradas danificadas pelas inundações, tal como anunciado nesta terça-feira. 

Eu vos confesso que tenho muita dúvida que isso seja resultado de um estudo técnico pormenorizado para chegar a estes números. A gente já conhece este governo como é que é. Um governo que teve sete meses de informação para preparar um pequeno plano de contingência para as cheias, não conseguiu fazer.

Venâncio Mondlane explicou ainda que o Plano de Reconstrução Pós-Cheias submetido prevê uma estrutura de gestão dos recursos bem definida que envolve para além do Governo partidos políticos, sociedade civil e com um modelo baseado em uso racional de recursos.

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