O País – A verdade como notícia

A Kenmare doou kits de emergência e primeiros  socorros ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), numa iniciativa destinada a apoiar as populações afectadas pelas recentes cheias e inundações em várias regiões do país. 

A doação, avaliada em mais de quatro milhões e oitocentos mil meticais, visa reforçar a  capacidade de resposta das autoridades e das unidades de saúde que prestam assistência às comunidades  afectadas pelos recentes eventos climáticos. 

Os kits foram preparados com base nas necessidades actualmente identificadas em hospitais e unidades  de saúde, incluindo materiais de consumo clínico e medicamentos essenciais utilizados no atendimento  de emergência. Entre os principais itens encontram-se luvas de examinação, gaze hidrófila, antibióticos  de largo espectro, analgésicos e antipiréticos, anti-inflamatórios e medicamentos utilizados no  tratamento de condições infecciosas e cardiovasculares. 

A iniciativa enquadra-se no compromisso de responsabilidade corporativa da Kenmare e na sua visão de  contribuir para o desenvolvimento sustentável de Moçambique, reforçando o papel da empresa  como parceiro estratégico do país e como agente activo na promoção da saúde, segurança e bem-estar  das comunidades. 

Gareth Clifton, representante da Kenmare, destacou que “a Kenmare orgulha-se de continuar a apoiar Moçambique em momentos que exigem solidariedade e  cooperação. Esta doação representa o nosso compromisso em contribuir, de forma concreta, para os  esforços nacionais de assistência às populações afectadas pelas cheias, reforçando a capacidade de  resposta das instituições responsáveis pela gestão de emergências no país.” 

A entrega dos kits foi realizada em coordenação com o INGD, entidade responsável pela coordenação das acções de prevenção, gestão e resposta  a desastres em Moçambique. 

A Kenmare Resources plc é um dos maiores produtores mundiais de produtos de areias minerais. A  empresa opera a Mina de Minerais de Titânio de Moma, na província de Nampula. Está em  produção há 19 anos e representa aproximadamente 6% das exportações de  Moçambique, e os seus produtos são fornecidos a clientes em mais de 15 países.

Moçambicanos residentes na Bélgica, Holanda e Luxemburgo queixam-se da falta de absorção, pelo Estado Moçambicano, dos profissionais qualificados em diversas áreas. O Presidente da República diz que tem noção do desafio e o executivo busca formas de obrigar, sobretudo as multinacionais, a contratar, primeiro, a mão de obra qualificada moçambicana residente dentro ou fora do país.

Uma parte da comunidade Moçambicana residente nos países da BENELUX, ou seja Bélgica, Holanda e Luxemburgo, foi recebida pelo Presidente da República, no segundo dia da visita de Trabalho ao Reino da Bélgica. 

O que Daniel Chapo pretendia no encontro era ouvir os desafios da Diáspora e ouviu. A comunidade quer entre outros maior abertura do Governo para absorção dos quadros moçambicanos espalhados pelo mundo. Segundo dizem, até querem regressar a casa, mas precisam de acolhimento, como disse o presidente da Associação La Maison Moçambique em Luxemburgo, Pedro Fernandes.

“Ainda não existe um canal estruturado e eficaz que permita a partilha organizada de conhecimento, experiências e oportunidades no sentido de potenciar o crescimento do país através do know-how dos seus cidadãos no exterior. Há muitos moçambicanos altamente qualificados em várias áreas que, através do seu conhecimento, fazem crescer as economias dos países de acolhimento e de outros que reconhecem neles e neles apostam.  Moçambique raramente olha para além fronteiras no recrutamento de recursos humanos e, quando faz, verifica-se em vários contextos a tendência de recorrer prioritariamente a especialistas estrangeiros”.

As dificuldades no acesso à documentação pessoal é outro ponto levantado pela comunidade, composta por cerca de 1500 moçambicanos. 

“O facto de não ser possível obter documentos de identificação como passaportes e bilhetes de identidade no Benelux causa-nos imensos transtornos, pois temos que nos deslocar a Berlim ou a Lisboa para o fazer. O facto de Moçambique não ser signatário e membro desta Convenção (Convenção de Viena de trânsito rodoviário) tem tornado impossível aos moçambicanos conduzir legalmente e converterem as suas cartas de condução para cartas de condução dos países de acolhimento”.

Daniel Chapo ouviu as preocupações, mas preferiu antes explicar o motivo da sua presença na sede  da UE- Bruxelas. 

“Um dos maiores desafios que nós temos na República de Moçambique, como disseram muito bem aqui na mensagem, é o emprego para a juventude e para a mulher, que fazem parte da maioria do povo moçambicano. E para que haja emprego é extremamente importante a atração de investimentos nacionais estrangeiros para a criação, portanto, de emprego, gerar renda e criar melhores condições de vida para o povo moçambicano”,disse Daniel Chapo, acrescentando que “temos que fazer reformas, como disseram aqui, ainda há registro de muita burocracia, que é preciso desburocratizar a função pública, o Estado, ainda há corrupção. Também sabem que a União Europeia nos apoia no investimento para infraestruturas em Moçambique. Estamos a falar do Corredor de Desenvolvimento, a questão de estradas, pontes, paixão de energia elétrica, água, e também a saúde, a educação, e nós achamos que era muito importante visitar a União Europeia para reforçarmos cada vez mais os investimentos em infraestruturas em Moçambique”. 

Sobre a contribuição dos Moçambicanos na Diáspora, o Chefe de Estado diz que o Governo tem noção dos desafios.

“Estamos agora a ter megaprojetos em Moçambique, e estes megaprojetos precisam de trabalhadores qualificados, e é este trabalho que estamos a fazer agora. A nossa lei é muito clara, nós temos recomendado à Direcção Nacional do Trabalho Migratório para que as empresas que estão a investir em Moçambique só coloquem trabalhadores estrangeiros  nas áreas onde fica aprovado que não existe moçambicano dentro ou fora do país para  trabalhar neste ponto”, disse Daniel Chapo.

Porque em Bruxelas busca-se também atrair investimentos, Chapo fala de avanços no combate ao crime organizado.

“E neste momento já estamos há cerca de cinco meses sem nenhum rapto. O último rapto que aconteceu foi a 25 de outubro do ano passado, e felizmente, acessivelmente dos três dias, conseguimos libertar o refém, que é o único que estava no cativeiro. Encontrámos-lo debilitado, com problemas de saúde, mas voltou ao convívio familiar e nós continuamos a trabalhar com os serviços de investigação criminal cêrnico para poder  combater este mal, de forma que o país esteja livre de raptos, amanhã esteja livre do terrorismo”.

A próxima paragem de Daniel Chapo em Bruxelas vai ser no Palácio do Rei Dos Belgas, nesta segunda-feira, para um Tete a Tete, para abordar assuntos de âmbito bilateral entre Moçambique e o Reino da Bélgica. 

 

Mais de 251 mil jovens foram recenseados em todo o território nacional e nas missões diplomáticas e consulares de Moçambique no estrangeiro, no âmbito do recenseamento militar realizado entre Janeiro e Fevereiro deste ano.

O processo abrangia jovens nascidos em 2008, bem como cidadãos que, por diferentes razões, não conseguiram efectuar o recenseamento nos anos anteriores.

Segundo o Director Nacional de Recursos Humanos do Ministério da Defesa Nacional, Jorge Leonel, o processo superou as metas inicialmente planificadas. “De 2 de Janeiro a 28 de Fevereiro foram recenseados 251.961 jovens, correspondente a uma execução de 113,9% da meta estabelecida”, afirmou.

Para o presente ano, as autoridades tinham previsto recensear 221.141 jovens. Entre as províncias que ultrapassaram os objectivos definidos destacam-se Maputo, Zambézia e Manica.

Apesar do desempenho positivo, o número de inscritos ficou ligeiramente abaixo do registado no ano passado, quando foram recenseados cerca de 256 mil jovens.

De acordo com as autoridades, a redução está associada a factores climáticos e ao calendário escolar. “Este decréscimo deveu-se às intensas chuvas e inundações que afectaram sobretudo as regiões Sul e Centro do País, aliadas ao adiamento do início do ano lectivo”, explicou o responsável.

Embora o recenseamento tenha terminado oficialmente a 28 de Fevereiro, o Ministério da Defesa mantém aberto até 31 de Março de 2026 o período de regularização para jovens que ainda não se registaram.

“O jovem que não tenha conseguido se recensear pode dirigir-se aos centros provinciais de recrutamento e mobilização para efeitos de regularização do recenseamento militar”, acrescentou Jorge Leonel.

Questionado sobre a situação na província de Cabo Delgado, o responsável garantiu que o processo decorreu sem incidentes.

Termina no dia 30 de Junho à missão da União Europeia de formação militar às forças de Defesa e Segurança que combatem o terrorismo em Cabo Delgado.  A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, diz que a visita do Chefe de Estado à sede das instituições da União Europeia será crucial para negociar a extensão do apoio. 

Moçambique está a mobilizar apoio da União Europeia para garantir a prorrogação da missão de treino destinada a reforçar as capacidades das Forças de Defesa e Segurança no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado. A missão, liderada por Portugal, foi prorrogada em 2024 pelo Conselho da União Europeia até 30 de Junho de 2026.

Durante encontros de trabalho em Bruxelas, autoridades moçambicanas defenderam a continuidade do apoio europeu, considerado essencial para enfrentar a ameaça terrorista que ainda se faz sentir no norte do país.

“É o sítio certo para solicitar o apoio da União Europeia para a continuação da missão de capacitação das nossas Forças de Defesa e Segurança no combate ao terrorismo”, afirmou a Ministra dos Negócios Estrangeiros, Maria Lucas, sublinhando que a actual missão termina em Junho e deverá ser renovada.

O apoio financeiro associado à iniciativa está avaliado em cerca de 14 milhões de euros (perto de um bilião de meticais), um montante considerado crucial para manter os esforços de capacitação militar e de segurança em Cabo Delgado, região que continua a registar acções de grupos armados.

A visita a Bruxelas ocorre também numa altura em que se aproxima o fim, em Maio próximo, do apoio da União Europeia às tropas ruandesas que operam no Teatro Operacional Norte no combate ao terrorismo.

Para além da vertente de segurança, Maputo procura reforçar a cooperação económica e de desenvolvimento com o bloco europeu. Actualmente, o apoio da União Europeia a iniciativas de desenvolvimento em Moçambique ultrapassa os 700 milhões de euros, mas o Governo pretende assegurar que o país continue a figurar entre as prioridades da ajuda europeia.

“Queremos continuar a ser um país prioritário na lista de prioridades da União Europeia em relação à ajuda ao desenvolvimento”, afirmou Maria dos Santos Lucas, acrescentando que também se pretende mobilizar mais investimento privado europeu.

Nesse sentido, autoridades belgas manifestaram a intenção de organizar um encontro com empresários do país interessados em investir em Moçambique.

“Esperamos levar para casa alguma esperança de que os setores privados da União Europeia, incluindo da Bélgica, possam investir mais em Moçambique”, acrescentou.

No segundo dia da visita de trabalho em Bruxelas, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, deverá reunir-se ainda com empresários moçambicanos residentes na Bélgica para ouvir as suas preocupações e discutir oportunidades de cooperação económica.

Um mês depois da passagem do ciclone Gezani, a plataforma flutuante de atracagem de embarcações da ponte-cais de Inhambane continua parcialmente submersa, num cenário que revela danos mais graves do que inicialmente se pensava e que pode comprometer os prazos para a reposição desta importante infraestrutura de mobilidade entre as cidades de Inhambane e Maxixe.

Trata-se de uma estrutura flutuante com cerca de 200 toneladas, essencial para o embarque e desembarque de passageiros e mercadorias na travessia marítima entre as duas margens da baía. A plataforma acabou por afundar depois de ser violentamente atingida pelas ondas provocadas pelos ventos do ciclone Gezani, fenómeno climático que deixou um rasto de destruição em várias infraestruturas da província.

Apesar de as equipas técnicas terem sido mobilizadas pouco depois do incidente para iniciar os trabalhos de recuperação, a situação no terreno revelou-se mais complexa do que se previa. Parte da estrutura permanece submersa e os técnicos enfrentam desafios técnicos significativos para conseguir estabilizar a plataforma e iniciar o processo de reposicionamento.

O responsável técnico pela obra, Nelson Domingos, explicou que a forma como a plataforma cedeu durante o ciclone tornou o trabalho de recuperação particularmente difícil. Segundo o técnico, no momento em que a estrutura foi atingida pelas ondas e acabou por ceder, o balastro — material utilizado para dar estabilidade à plataforma — deslocou-se todo para o mesmo lado, deixando a estrutura inclinada e mais pesada de um dos lados.

“Quando houve o ciclone e a queda da plataforma, todo o balastro deslocou-se para o mesmo lado, acompanhando a inclinação da estrutura. Esse tem sido o principal desafio que estamos a enfrentar neste momento”, explicou.

De acordo com o responsável pela intervenção, a operação em curso exige um trabalho minucioso de redução de peso na plataforma para permitir que a estrutura volte gradualmente à superfície. A primeira etapa consiste na retirada do balastro e da água acumulada no interior da plataforma.

“Estamos neste momento a trabalhar na redução do peso da estrutura. Primeiro estamos a retirar o balastro e depois a drenar a água acumulada no interior para tentar fazer a plataforma subir um pouco”, afirmou.

Depois desta fase, será necessário recorrer a equipamentos de grande capacidade para tentar equilibrar a estrutura.

“Com recurso a diferenciais de grande tonelagem vamos puxar do lado oposto para tentar equilibrar a plataforma e reposicioná-la”, acrescentou.

As avaliações técnicas realizadas até agora indicam que a entrada de água na plataforma ocorreu através de algumas tampas de serviço localizadas na parte superior da estrutura. Segundo os técnicos, estas tampas já não beneficiavam de trabalhos regulares de manutenção, situação que pode ter facilitado a infiltração da água quando a estrutura foi atingida pelas ondas do ciclone.

Nelson Domingos explicou que, do ponto de vista estrutural, a parte inferior da plataforma permanece relativamente estável, mas a zona superior sofreu maior impacto.

“A plataforma ainda está em boas condições na parte de baixo. A parte que mais sofre é a parte de cima. A água entrou pelas tampas de serviço”, disse.

Para o técnico, a degradação das vedações destas tampas, associada à ausência de manutenção regular, pode ter contribuído para que a água entrasse rapidamente na estrutura, acelerando o processo de afundamento.

Perante a dimensão dos danos, o governador da província de Inhambane, Francisco Pagula, deslocou-se ao local para acompanhar de perto os trabalhos em curso e avaliar o estado real da infraestrutura. No terreno, o governante reconheceu que o cenário encontrado é mais preocupante do que inicialmente se imaginava.

Segundo o governador, os primeiros planos apontavam para uma recuperação relativamente rápida da plataforma, mas a realidade encontrada pelas equipas técnicas obrigou a reavaliar o calendário de intervenção.

“De princípio, este trabalho estava previsto para 12 dias, mas a situação no terreno acaba por revelar uma realidade diferente”, explicou.

Francisco Pagula acrescentou que as condições climáticas também estão a dificultar o avanço das operações.

“Estamos em plena época chuvosa e as correntes que se fazem sentir no mar acabam por dificultar o trabalho dos técnicos, sobretudo dos mergulhadores que estão envolvidos na operação”, disse.

Diante destas dificuldades, o governador admitiu que os prazos inicialmente previstos para a recuperação da plataforma terão de ser revistos. A empresa responsável pelos trabalhos deverá apresentar em breve um novo calendário para a conclusão da intervenção.

“O que a empresa nos informou é que, dentro de dois dias a contar de hoje, deverá apresentar um novo prazo para a conclusão dos trabalhos”, afirmou.

Enquanto a plataforma flutuante não é recuperada, as autoridades provinciais decidiram reforçar as medidas de segurança no ponto atualmente utilizado para o embarque e desembarque de passageiros.

A travessia entre Inhambane e Maxixe continua a ser garantida através de soluções provisórias, mas o movimento diário de passageiros exige uma vigilância permanente para evitar acidentes.

Francisco Pagula explicou que equipas especializadas foram destacadas para acompanhar o processo de travessia e garantir que todas as operações decorrem em segurança.

“Estamos a fazer de tudo para garantir que a segurança esteja assegurada. Neste momento temos colegas afetos a tempo inteiro para monitorar o processo da travessia”, afirmou.

As autoridades chegaram a estudar a possibilidade de instalar um corrimão mais longo na zona improvisada de embarque para facilitar o acesso dos passageiros, mas a solução acabou por ser abandonada após testes no terreno.

Segundo o governador, verificou-se que a presença do corrimão dificultava a atracagem das embarcações maiores que operam na travessia.

“O corrimão acabava por não facilitar a atracagem dos barcos maiores, por isso tivemos de repensar essa solução”, explicou.

Em alternativa, as autoridades apostam agora na sensibilização dos operadores das embarcações e dos próprios utentes da travessia para evitar comportamentos que possam colocar vidas em risco.

“O maior problema que podemos enfrentar é quando várias pessoas tentam embarcar ou desembarcar ao mesmo tempo. Por isso estamos a sensibilizar para que haja organização e prioridade no momento da travessia”, acrescentou.

A monitoria permanente no local está a ser assegurada por equipas da Administração Marítima e do Instituto Nacional do Mar, que acompanham diariamente o movimento de passageiros e embarcações.

Este não é o primeiro episódio em que as plataformas flutuantes das pontes-cais da província sofrem danos provocados por fenómenos climáticos extremos. Em 2017, durante a passagem do ciclone Dineo, a plataforma flutuante da ponte-cais da cidade da Maxixe também acabou por afundar, obrigando a uma intervenção de recuperação semelhante.

A repetição destes episódios levanta novas preocupações sobre a vulnerabilidade das infraestruturas costeiras da província de Inhambane, numa altura em que eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais frequentes.

Enquanto decorrem os trabalhos de recuperação, moradores, operadores de transporte marítimo e passageiros que dependem diariamente da travessia entre Inhambane e Maxixe aguardam com expectativa pela reposição da plataforma flutuante, considerada uma peça fundamental para garantir a normalidade da mobilidade entre as duas cidades.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alerta para a continuação de chuvas moderadas a fortes em vários distritos das províncias de Gaza, Tete, Zambézia, Nampula, Niassa e Cabo Delgado, podendo ser acompanhadas de trovoadas e rajadas de vento.

De acordo com o comunicado, prevê-se precipitação entre 30 e 50 milímetros em 24 horas, podendo localmente ultrapassar os 50 milímetros no mesmo período.

Na província de Gaza, o alerta abrange distritos como Massingir, Chókwe, Bilene, Chibuto, Guijá e a cidade de Xai-Xai. Em Tete, a previsão inclui zonas como Angonia, Moatize, Cahora-Bassa e a cidade de Tete.

O aviso estende-se ainda a vários distritos das províncias da Zambézia, Nampula e Niassa, bem como aos distritos de Montepuez, Balama e Namuno, na província de Cabo Delgado.

Segundo o INAM, no restante território nacional poderão ocorrer chuvas fracas a moderadas, por vezes acompanhadas de trovoadas.

Face à previsão, as autoridades recomendam à população a adoção de medidas de precaução e segurança, devido ao risco associado às chuvas intensas e às rajadas de vento.

O município de Maputo dá o prazo de 30 dias para os proprietários de sucatas e viaturas abandonadas por muito tempo retirarem os seus pertences da via pública. Caso não retirem, os donos serão sancionados.

Viaturas como estas são encontradas em várias artérias da cidade de Maputo, paradas por muito tempo na via pública, nas bermas ou até nos passeios, disputando o espaço destinado à circulação dos peões.  

“Tem criado algumas dificuldades de mobilidade, não temos tido uma boa circulação. Eu posso comprar uma viatura, mas quando eu vejo que não tenho condições, que eu vá para um centro de sucataria, pronto, eu faço algum negócio, então tudo sai. Agora, deixando na rua, arquivando ali ele, tem muitas desvantagens, e não só para eu, que sou dono da viatura, mas também para os demais”, explicou Agostinho Cristóvão, munícipe.

Para os automobilistas, as ditas “sucatas” abandonadas têm também trazido constrangimentos. 

“ De facto, cria embaraços, onde os carros não chegam a ter fácil manobra,às vezes em alguns lugares, devido a carros que estão deixados no coiso, nas bermas das estradas, essas coisas todas. Sim, vandalizam as viaturas, mesmo essas estacionadas, essas sucatas, vandalizam, porque tem coisas lá que precisam, às vezes, sim, tem que mesmo tirar. ”

Em alguns pontos, estas viaturas são tidas como chamariz de malfeitores. 

“ Em princípio, eles trazem muitos problemas, porque às vezes lá escondem-se malfeitores, que na calada de noite, por exemplo, as pessoas que saem tarde do serviço, têm sido assaltadas, se foram removidas, então o espaço vai estar muito livre. É fácil a pessoa também poder ver se vem alguém desse lado ou o quê.”

Tendo em conta estas queixas, que têm sido recorrentes, o município de Maputo vai implementar medidas. 

“O Conselho Municipal vai proceder à devida remoção dessas mesmas viaturas. Portanto, o nosso apelo é que, na verdade, todos aqueles que têm essas viaturas em situações irregulares, tanto de estacionamento proibido, possam retirá-las a locais apropriados. Estamos a falar de sucatas, mas também estamos a falar daquelas viaturas que, mesmo não sendo sucatas, estão praticamente parqueadas na via pública, o que viola a postura sobre o trânsito”, explicou Naftal Lay, porta-voz da Polícia Municipal.

Há sanções previstas aos proprietários que não procederem a retirada voluntária. 

“O Conselho Municipal, através da postura de trânsito, já por si a postura prevê multas por violação do estacionamento. Para além das multas, temos taxas de remoção, porque a viatura vai exigir que seja removida através de um reboque. Temos a taxa de remoção e depois temos outras taxas, que são de parqueamento. Portanto, são custos que podem ser evitados, por isso que reiteramos os nossos apelos para uma maior colaboração dos munícipes de uma forma geral.”

Os proprietários das viaturas têm 30 dias para a retirada das viaturas, contados a partir de 11 de Março. 

 

O custo de vida aumentou no país em Fevereiro deste ano, com o agravamento de preços de alguns produtos, como couve, peixe e carvão vegetal. O economista Hélio Cossa diz que o cenário resulta das inundações.

Os preços em Moçambique aumentaram 0,68% em Fevereiro, metade do crescimento registado em Janeiro, que foi um período de dificuldades logísticas devido às cheias no país, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. 

A couve está entre os produtos que viram o seu preço agravar-se no mês de Fevereiro, tornando a vida das famílias moçambicanas mais difícil. 

“O que ditou a subida da couve, ou verdura foi a primeira chuva. Então, os produtores não tiveram viveiros, por isso que  verduras estão caras”, explicou uma vendeira, acrescentando que a couve que antes era vendida a 20 e 30 meticais, agora custa 50 a 100 meticais.  

O problema não está apenas com a Couve. É difícil também comprar a alface. Nos mercados, as bancas até ostentam um pouco de verde, mas a informação é de que o negócio dos vendedores a retalho atravessa por dias de carência.

No mercado municipal da Malanga, o tomate também apresenta preços variáveis, mas nada acessível.  

“O preço do tomate às vezes sobe e desce. Esses dias o tomate está caro, porque mesmo baixando, compramos a 700 até 1500. Automaticamente, o preço sobe também para os clientes”, explicou Fátima Manavetana, vendedeira do Mercado Malanga. 

O relatório do INE aponta igualmente para a subida de preço do carapau, e a realidade nos pontos de comercialização confirma os factos. 

Ana Alberto teve que reduzir a quantidade de peixe que compra mensalmente para alimentar a sua família, porque o preço não ajuda. “Antes comprava a 1600, 1700, mas agora a lâmina subiu para 2100 e 2200, então tive que comprar 5 quilos, a metade do que costumava comprar”, reclamou. 

Deise vende peixe na sua mercearia, no bairro onde mora. Foi, neste sábado, ao talho para comprar o produto, mas saiu desiludida. “O peixe agora está muito caro, então não sei a quanto vou vender. Não é sustentável “, queixou-se.  

E quem fornece aos revendedores, tem uma explicação para a subida do preço. “O Preço do carapau está muito elevado porque agora há carência de peixe, não é fácil encontrar o produto. Antigamente, a lâmina estava 1400, 1500, mas subiu para 2 mil”, explicou Nito, comerciante.   

Entre os produtos que mais pressionaram a inflação está um carvão vegetal, visto que o preço aumentou cerca de 10%, o que pressiona milhares de famílias nas zonas urbanas. 

“Compramos a 2 mil meticais, para vender a 2050. O lucro é de 50 meticais, e há vezes em que nem sai. Nos dias passados, comprei três sacos por 7600, mas não tive um bom retorno”, reclamou Rostina Abel, vendedeira de carvão. 

A cadeia de logística e o excesso de burocracias nas estradas estão entre as causas do elevado preço do carvão. 

Embora a inflação esteja controlada, o economista Elio Cossa alerta que o seu peso pode ser sentido de maneiras diferentes. 

“O peso, o impacto dele é sentido de formas diferentes, sob diferentes planos e prismas. Podemos olhar ao nível geográfico e ao nível dos extractos sociais. Em relação ao nível geográfico, quanto mais nos afastamos dos centros de produção, o custo dos produtos tem sido mais alto, devido, em parte, a alguns problemas logísticos, que acrescem os custos. Agora, quando olhamos para as camadas sociais que oferem salários mais baixos sentem um impacto maior destas inflações”, explicou Élio Cossa

O economista aponta os eventos climáticos extremos como a principal causa da inflação.  

“Quando olhamos para o controlo, também temos que olhar para as causas, que, em parte, estão associadas a coisas que fogem do nosso controlo. Olhamos para as intempéries, que, em grande medida, têm desempenhado um peso naquilo que é a evolução dos preços, principalmente, dos produtos alimentares. Nesta época do ano, que verificamos a eclosão de chuvas, cheias e a interrupção de vias de acesso”, acrescentou o economista  

A presente época chuvosa está prevista para terminar no fim deste mês.

A chuva que tem estado a cair na cidade de Quelimane, província de Zambeze,  está a causar imundície nos mercados da urbe. O mercado de Torrone Velho é um exemplo, pois vendedores expõem os seus produtos em meio a lama  e ao lixo.  

Trata-se de uma verdadeira imundície, que ganha ainda mais espaço nos mercados com período de chuva que se regista na cidade de Quelimane.  No mercado torrone velho, por exemplo, a situação é ainda mais precária, pois mulheres vendem seus produtos diante da água parada e suja, o que pode ser um veículo de doenças de origem hídrica. 

“Estamos a vender aqui por falta de mercado, não temos outro mercado (…) Nós cansamos de pedir que pusessem, pelo menos, areia, mas só puseram pedras, mas nós pagamos senha neste mercado”, reclamou uma vendedeira. 

Em épocas de chuva, Quelimane fica em alerta devido a eclosão de doenças de origem hídrica. Na área de venda de peixe, a situação está ainda pior.  

“O cenário do mercado é este que estão a ver aqui, quando chove é um assunto sério. Pelo menos se tivesse um pequeno dreno para ajudar a tirar as águas turvas para fora do mercado”, sugeriu um munícipe. 

Ainda no bairro Torrone Velho foi possível notar crianças que, com toda inocência, usam as águas paradas para jogar futebol.

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