O País – A verdade como notícia

A circulação rodoviária numa das vias de acesso ao Porto de Pemba continua condicionada depois de vários camiões terem ficado atolados devido às más condições da estrada.

Até ao momento, já foram retirados dois dos quatro camiões que ficaram imobilizados na via. No entanto, as operações continuam para remover o último veículo pesado que permanece preso no local.

Moradores do bairro relatam que decidiram intervir para ajudar a retirar os camiões da estrada.

“Nós, jovens do bairro, decidimos vir ajudar para tirar estes camiões daqui”, disse um residente de Pemba.

Segundo os residentes, apesar de alguns avanços nas operações, a situação da estrada continua crítica e deverá exigir obras de reabilitação. “Já se conseguiu retirar dois camiões. Falta ainda este que continua atolado”, disse outra testemunha.

Quase quatro dias depois da interrupção da via, os moradores afirmam que ainda não houve presença visível das autoridades no terreno, o que tem levado os automobilistas a procurar soluções por conta própria.

“Enquanto as autoridades não chegam, cada automobilista tenta sair deste lugar como pode”, disse um dos automobilistas que procurava vias para chegar ao seu destino enquanto a via continuava obstruída.

Apesar das dificuldades de acesso, o Porto de Pemba continua em funcionamento. Alguns condutores recorrem a uma via alternativa com uma subida acentuada, o que preocupa os residentes devido ao risco de acidentes.

“Estão a subir naquela rampa e isso é perigoso. Um camião pode perder o controlo e atingir as casas”, disse outro automobilista.

A nossa equipa de reportagem tentou ouvir as autoridades competentes sobre a situação, mas não obteve resposta até ao fecho da nossa edição.

O Presidente da República, Daniel  Francisco Chapo, reafirmou, hoje, o papel crucial da Geração “8 de  Março” na edificação de Moçambique, classificando-a como uma  “ponte” indispensável entre os libertadores da pátria e a juventude  atual. 

Durante a saudação ao Chefe do Estado pelo 49.º aniversário da  associação, realizada no Gabinete Presidencial, o Presidente Chapo  destacou o patriotismo dos jovens que, em 1977, sacrificaram sonhos  individuais para combater o analfabetismo e preencher o vazio  institucional deixado pelo colonialismo, assegurando que o Governo  está empenhado em institucionalizar o reconhecimento desta classe e  integrar os seus projetos no desenvolvimento económico do país.

O estadista recordou que, desde o início do seu mandato, o Executivo  tem mantido um diálogo aberto para “reafirmar o reconhecimento,  pelo nosso governo, da contribuição histórica desta geração na  construção deste nosso belo Moçambique”, reiterando a abertura  para ultrapassa a mera efeméride, pois a “geração ‘8 de Março’  representa um marco histórico incontornável no processo de  edificação da Nação Moçambicana”. 

O governante lembrou que o movimento nasceu da resposta pronta  ao chamamento do primeiro Presidente do Moçambique  independente, Samora Machel, em 1977, quando jovens do ensino  secundário e médio interromperam os estudos para suprir a grave falta  de quadros qualificados que o Estado recém-independente  enfrentava. 

Dentre os feitos destacados, o Chefe do Estado apontou o empenho  desses jovens na educação, saúde e agricultura, setores vitais para  eliminar a herança colonial. “Vocês deixaram sonhos individuais para  abraçarem o desenvolvimento do país, na defesa da pátria, então  agredida pelos regimes de Ian Smith da Rhodesia e do Apartheid da  África do Sul”, frisou, notando que o analfabetismo na época atingia  90 por cento da população. 

Para o Presidente Chapo, o grupo simboliza a consciência patriótica  ao assumir tarefas de grande responsabilidade para prosseguir o  objetivo da revolução. Afirmou que “a juventude do ‘8 de Março’ é  uma geração heróica, uma juventude que recebeu e assumiu, com  elevada responsabilidade, a chave da geração do 25 de Setembro”,  referindo-se aos combatentes da luta de libertação nacional de 1964. 

Citando o legado de Samora Machel, o Presidente da República  recordou que a educação foi a principal frente de combate desta  geração. Na visão do antigo governante, evocada pelo Presidente  Chapo, “falar da geração ‘8 de Março’ é falar do Homem novo, é  falar de Homem revolucionário, um Homem anti-racista, anti tribalista,  anti-regionalismo e um Homem da unidade nacional”, valores que  permitiram a coesão de jovens de todos os cantos do país.

O discurso também serviu para lançar um desafio à juventude  contemporânea, instando-a a encontrar inspiração no exemplo de  1977. O Presidente da República defendeu que o combate à pobreza  e a criação de riqueza só são possíveis através do “engajamento  árduo no trabalho produtivo”, reforçando o lema da sua governação:  “Vamos trabalhar, trabalharmos em prol do desenvolvimento  económico do nosso país”. 

No que toca às reivindicações da associação, o governante  confirmou que o Executivo está a analisar propostas concretas para  valorizar o património imaterial do grupo. Entre as medidas em estudo  estão a tutela institucional da associação, a criação da “Ordem 8 de  Março” no sistema de títulos honoríficos e condecorações do Estado, e  o apoio a projectos económicos e sociais submetidos pela  organização. 

No fim da cerimónia, o Chefe do Estado defendeu que a  homenagem a esta geração deve ser contínua, dado o seu papel de  ligação histórica. “Nunca devemos deixar passar esta data sem render  homenagem a esta vossa geração que serve de ponte entre a  geração dos libertadores da pátria, me refiro à geração 25 de  Setembro de 1964, e à actual geração”, concluiu, prometendo  trabalho conjunto para responder aos anseios dos compatriotas. 

As chuvas intensas que têm caído nos últimos dias em várias províncias do país estão a provocar danos significativos na rede rodoviária nacional, deixando alguns troços intransitáveis e outros com circulação condicionada, informou hoje a Administração Nacional de Estradas (ANE).

Em comunicado, a ANE indica que na província de Gaza a estrada não classificada entre Ndonga e Ndindiza está intransitável devido a dois cortes com cerca de sete metros de extensão no quilómetro 11. Ainda em Gaza, a Estrada Nacional Número 1 (N1), no troço entre Xai-Xai e Zandamela, apresenta transitabilidade condicionada devido à infraescavação na berma, na zona de Chidenguele, ao quilómetro 64+500.

A circulação está também interrompida na N222, entre Mapai e Maxaila, devido ao galgamento da plataforma da estrada nos quilómetros 60, 64 e na zona do quilómetro 80.

No troço Chissano/Chibuto da N220, a transitabilidade está condicionada apenas a viaturas com suspensão alta e tracção às quatro rodas, devido ao elevado teor de humidade e aos solos escorregadios. Como alternativa, a ANE recomenda o uso da N1 entre Chissano e Chongoene e da N102 entre Chongoene e Chibuto.

Na província de Inhambane, a estrada regional R901, entre o cruzamento com a N242 e Barra, apresenta circulação condicionada devido à erosão e risco de corte no quilómetro 5+300. A mesma via, no troço Morrumbene/Mocodoene, regista também transitabilidade condicionada no quilómetro 17+800 devido à erosão num aqueduto.

Ainda em Inhambane, a estrada não classificada entre Chidjinguir e Mubalo encontra-se intransitável devido ao galgamento da via em quatro pontos, além da cedência de solos no acesso a um aqueduto e erosão em diferentes segmentos.

A estrada regional R483, entre Inharrime e Panda, está igualmente intransitável depois de um corte registado ao quilómetro 12+100.

Na província de Tete, a ANE reporta circulação condicionada na estrada N322, entre Madamba, Mutarara e o rio Chire, sendo aconselhada apenas a veículos com tração às quatro rodas em vários troços.

Segundo a instituição, equipas técnicas estão no terreno a monitorar a situação e a realizar intervenções, embora as operações estejam a ser dificultadas pela continuação das chuvas.

A ANE apela aos automobilistas para programarem as suas deslocações durante este período chuvoso e recomenda que seja evitada a circulação de veículos com peso total superior a 10 toneladas em estradas terraplanadas.

Cinco moçambicanos estiveram retidos no aeroporto de Doha, na sequência dos ataques israelitas e norte-americanos contra o Irão, que ditaram o fecho do espaço aéreo em várias zonas do Médio Oriente. Segundo o embaixador de Moçambique no Qatar, não há, até ao momento, registo de cidadãos moçambicanos directamente afectados, apesar da preocupação existente.

Dos 681 moçambicanos que vivem no Médio Oriente, quase metade reside e trabalha no Qatar, país que foi alvo de bombardeamentos por parte do Irão, em resposta aos ataques de Israel e dos Estados Unidos da América registados desde a última semana de Fevereiro.

Na sequência destes ataques, cinco moçambicanos que seguiam viagem para diferentes destinos ficaram temporariamente retidos no aeroporto de Doha.

Apesar da preocupação, as autoridades diplomáticas garantem que não há registo de moçambicanos envolvidos em incidentes, num momento em que as autoridades locais impõem algumas restrições à circulação em determinadas zonas.

Perante o contexto de tensão, o contacto permanente e o acompanhamento da comunidade moçambicana tornaram-se prioridades para a missão diplomática no Qatar.

Entretanto, o Governo de Moçambique ainda não divulgou um eventual plano de evacuação, numa altura em que o conflito já provocou cerca de 100 mil deslocados na região. 

O Egipto já manifestou disponibilidade para servir como porta de saída de cidadãos moçambicanos, mas Maputo continua silencioso e a acompanhar a evolução da situação.

 

O Governo continua a mobilizar recursos para a construção da barragem de Mapai, uma infra-estrutura orçada em cerca de 1.2 mil milhões de dólares, cuja função principal é o controlo do caudal do rio Limpopo e, consequente, redução do risco de inundações na província. 

A informação foi avançada, nesta quarta-feira, pelo Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa,  durante a sessão ordinária da Assembleia da República,  referente a informações do Governo sobre as acções em curso para recuperação do país pós-Cheias. 

Inocêncio Impissa diz que a pertinência da infra-estrutura foi comprovada num estudo efectuado na província, em 2022. Entretanto,  o Governo ainda não ter dinheiro.  

Enquanto “Mapai” não “sai”, o Governo ainda está ainda a desenhar o Plano de Reconstrução Pós Inundações, que, segundo Impissa, estará centrado em cinco prioridades, nomeadamente: Assistência humanitária; Reposição imediata dos serviços essenciais: saúde, água,  transitabilidade; Reconstrução de infraestruturas- escolas, hospitais, diques, represas; Recuperação económica; e Redução do risco de desastres.

O projecto de construção do Porto de Pesca de Angoche, uma das infra-estruturas mais aguardadas na província de Nampula, enfrenta uma paralisia quase total. Cerca de 75% das actividades estão paradas devido a uma operação dos serviços de imigração que resultou na detenção de cidadãos estrangeiros que lideravam frentes cruciais da obra.

Os trabalhos, a cargo da empresa China Harbour Engineering Company, iniciaram em Julho de 2024 com entrega prevista para Setembro de 2026. Contudo, o ritmo de construção sofreu um golpe severo na última semana, coincidindo com uma intervenção das autoridades moçambicanas no terreno.

No passado dia 4 de Março, os serviços de migração levaram a cabo uma fiscalização em Angoche, localizando 14 cidadãos chineses escondidos no interior de uma residência. Segundo as autoridades, os indivíduos tentaram colocar-se em fuga ao aperceberem-se da presença policial, mas acabaram interpelados.

“Estes foram interpelados no distrito de Angoche, no interior de uma residência. Ao se aperceberem que as autoridades estavam no terreno, colocaram-se em fuga”, revelou Enércia Nota, porta-voz do Serviço Nacional de Migração em Nampula, que agora aguarda o repatriamento na cidade de Nampula.

A detenção destes cidadãos, alguns dos quais pertencentes à empresa fornecedora de material de construção (também de capital chinês), gerou um “vazio” na cadeia de comando e logística da obra. Sem as lideranças técnicas e com o fornecimento de materiais interrompido, o estaleiro ficou praticamente deserto.

“Temos esta situação em que alguns colaboradores estrangeiros foram detidos por questões de ilegalidade e, na verdade, eles, como líderes das missões. Não temos a quem liderar as missões e isso implica, automaticamente, redução de números”, explicou Mussa Atumane, um responsável ligado ao projecto, acrescentando de forma taxativa que “estamos sem movimento”.

Embora a China Harbour Engineering Company não tenha revelado oficialmente o grau de execução actual, os problemas no fornecimento de material já eram visíveis antes das detenções.

A administração da obra afirma estar a tentar encontrar novos fornecedores para “diminuir o impacto”, mas a ausência de pessoal qualificado e a paragem da maioria das frentes de trabalho colocam em sério risco o prazo de conclusão inicialmente previsto para Setembro.

O caso levanta novas questões sobre a fiscalização da mão-de-obra estrangeira em grandes projectos de infraestruturas no país e o impacto directo que a irregularidade documental pode ter no cronograma de desenvolvimento nacional.

 

Os munícipes podem, a partir desta terça-feira, apresentar as suas contribuições no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo. A Comissão Técnica garante que até finais deste ano, as propostas serão apresentadas à Assembleia da República, depois de sistematizadas todas as contribuições. 

O momento marca o início de uma nova fase do Diálogo Nacional Inclusivo.  

Com este memorando de entendimento, assinado entre a Comissão Técnica e a Associação Nacional dos Municípios, os munícipes passam a ter a possibilidade de também apresentar as suas contribuições.  

“Inicia hoje, em todo o país, o diálogo ao nível dos postos administrativos e localidades, um espaço de ruralização do processo do diálogo nacional, inclusive, onde queremos que os cidadãos que residem no interior do país, nas zonas rurais, também tenham o mesmo direito de cidadania participando de forma ativa no processo do diálogo nacional, inclusive, para que as conclusões desse processo também possam refletir as suas aspirações. Podemos recolher as ideias para dar jus ao princípio da inclusão, onde muitos munícipes poderão não conseguir estar em espaços físicos de modo a colocar suas ideias”, explicou Edson Macuacua, presidente da COTE. 

Nesta etapa, o Diálogo Nacional Inclusivo expande-se para os postos administrativos e localidades, através de uma plataforma digital. 

“Com essa plataforma digital, qualquer cidadão, em qualquer lugar, em qualquer hora, tem um espaço privilegiado para colocar as suas ideias”, disse o secretário geral da Associação Nacional dos Municípios de Moçambique. 

A Comissão Técnica garante que vai cumprir o cronograma das actividades e apresentar as propostas à Assembleia da República,  até finais deste ano. 

“ Vamos sistematizar, apreciar, analisar todas as contribuições recebidas de pessoas singulares, de organizações de ação civil, de partidos políticos, nas mesas redondas, pela via virtual, pela via das brigadas, de modo a articularmos propostas para a melhoria da nossa legislação eleitoral. Para que tenhamos uma legislação simples, eficaz e que contribua para o fortalecimento do nosso Estado de Direito Democrático, um sistema eleitoral que contribui para a paz, para a estabilidade, coesão e reconciliação nacional.”

A plataforma do diálogo pode ser acedida através do www.anamm.org.mz . 

Familiares, amigos e colegas do antigo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Moçambique, Lázaro Menete despediram-se do finado, numa cerimónia que contou com a apresentação dos três antigos presidentes da República e o actual Comandante-chefe das Forças de Defesa e Segurança, Daniel Chapo. Menete é descrito como um patriota destemido, focado e comprometido com a defesa da Pátria

Partiu para a eternidade um homem que dedicou a vida à Defesa da pátria moçambicana.

General de Exército e antigo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, Lázaro Henriques Lopes Menete perdeu a vida na última quinta-feira (6), vítima de doença.

Em sua honra, nesta terça-feira (10) o Quartel General tornou-se num lugar comum, recebendo amigos e familias e antigos colegas para o último adeus, numa cerimónia cujo destaque foram as presença do Presidente da República e sua Esposa e os antigos Presidentes da República, Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Filipe Nyusi….

Entre lágrimas e lamentações, Menete é recordado pelos filhos como um pai que mesmo ocupado, procurava estar sempre presente. 

“Sempre nos disseste que o que importa na vida, o que importa é o que a pessoa faz em vida. E que não existe nada melhor do que deitar na almofada à noite e dormir tranquilamente. Ensinaste a lutar pelos sonhos e ir atrás deles, mesmo que muitos digam que não vamos conseguir”, ouviu-se.

Para a viúva, foi-se um homem que enfrentou a doença com a força de uma General.

“General Lázaro para todos e Lazarito para mim. A nação perdeu um general e eu perdi o meu grande amor. Para mim não foi apenas meu marido, ele foi meu porto seguro, o meu melhor amigo. Nós construímos uma vida juntos, tijolo por tijolo, entre risos e desafios. Nem todas as noites ele voltava para casa, pois muitas vezes a responsabilidade que ele tinha como general o chamava. E a minha missão como esposa era garantir que o peso da sua patente ficasse de fora sempre que ele chegasse à casa”, desabafou a viúva.

Os irmãos destacam os últimos momentos vividos com o finado.  

“Para nós, teus irmãos, a vida militar que abraçaste esteve ligada a períodos difíceis da nossa pátria, marcados pela guerra, o que em muitas ocasiões privou-nos da tua presença.  Nos últimos momentos da sua vida, já no leito hospitalar, manifestaste com serenidade a tua fé cristã e a sua condição de católico”.

Manete engrossou as fileiras do exército há 51 anos. Quem com ele trilhou caminhos, fala de um patriota comprometido, focado e dedicado. 

“Ao longo do seu mandato, conduziu as Forças Armadas, pelo exemplo, com parcimônio e dedicação à causa nacional. Sob o seu comando, impulsionou o fortalecimento da capacidade operacional, aprimoramento da organização e preparação das tropas, disciplina militar, além de reforçar a coesão institucional e a prontidão das Forças Armadas diante dos desafios de defesa e segurança do nosso país”, disse Norte Freitas, General das FADM.

 

 

O Presidente da República, Daniel  Chapo, afirmou hoje, em Maputo, que a trajetória de vida  do General de Exército Lázaro Henriques Lopes Menete constitui um  património moral indispensável para a preservação da soberania  nacional. 

Ao intervir nas cerimónias fúnebres do antigo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), o  Presidente Chapo Estado destacou a integridade e o patriotismo  como ferramentas essenciais para a nova geração de moçambicanos  enfrentar as ameaças contemporâneas, nomeadamente o terrorismo  em Cabo Delgado e o crime organizado.

“Estamos aqui em nome do povo moçambicano. O General Lázaro  Henriques Lopes Menete, que foi um grande General do Exército,  como sabem, prestou toda a sua juventude ao serviço da pátria”,  declarou o estadista no Quartel-General das FADM. Para o estadista, a  homenagem não é apenas uma despedida, mas uma oportunidade  para reiterar os valores de responsabilidade e competência que  permitiram ao General atingir o topo da hierarquia militar. 

O Presidente da República sublinhou que a determinação e a  disciplina de Menete devem servir de espelho para os jovens,  enfatizando que o falecido dedicou a vida, desde tenra idade, à  defesa da independência e da integridade territorial. 

“Queria aproveitar esta para dizer à juventude moçambicana que o  General Lázaro Henriques Lopes Menete deixa grandes valores de  unidade nacional, de defesa da pátria moçambicana, de patriotismo,  de responsabilidade, de competência e, sobretudo, de defesa da  nossa independência nacional”, afirmou. 

O Chefe do Estado ainda traçou um paralelo com a actualidade,  recordando que Moçambique enfrenta desafios severos que testam a  resiliência das instituições e da sociedade. Enumerou o terrorismo, os  raptos e o tráfico de drogas e seres humanos como frentes de batalha  críticas. 

“Nós, neste momento, estamos a enfrentar desafios que tocam,  portanto, a integridade territorial do nosso país e, sobretudo, com o  terrorismo e, também, crimes organizados”, frisou, apontando o  combate à insurgência como a prioridade máxima. 

O Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança usou a  ocasião para render tributo aos militares que se encontram na linha da  frente no Teatro Operacional Norte (TON). Destacou o sacrifício  daqueles que, sob condições climatéricas adversas e em regime de  prontidão total, garantem a segurança das populações. 

“Queria usar esta ocasião para render homenagem aos jovens que  estão no Teatro Operacional Norte e, de segunda a segunda, 24/24 

horas, faça sol, faça chuva, faça frio, estão a defender as populações  e defender o território moçambicano contra o terrorismo”, enalteceu. 

A relação intrínseca entre estabilidade e progresso económico foi  outro ponto fulcral nas declarações do estadista moçambicano. Foi  categórico ao afirmar que a prosperidade de Moçambique está  condicionada à erradicação dos focos de violência. 

“Não há nenhum país no mundo que desenvolve sem paz e  segurança. A paz e a segurança são condições fundamentais para o  desenvolvimento do país”, explicou, justificando a concentração de  esforços governamentais no combate ao crime organizado e ao  terrorismo. 

O Chefe do Estado reforçou ainda a visão de unidade nacional,  rejeitando qualquer tentativa de isolar o sofrimento das populações  afectadas pelo conflito no norte do país. 

Para o governante, a dor de Cabo Delgado é sentida em todo o  território nacional, exigindo uma resposta coletiva e ininterrupta.  “Cabo Delgado é Moçambique, nós todos somos moçambicanos,  atacar Cabo Delgado é atacar Moçambique, atacar a população  dos distritos da zona norte da província de Cabo Delgado é atacar  Moçambique”, asseverou. 

Nesse sentido, garantiu que o Estado continuará a trabalhar  arduamente para que a ameaça terrorista seja definitivamente  eliminada. “Nós vamos continuar a trabalhar dia e noite, 24/24 horas,  para que, realmente, o terrorismo um dia passe para a história”,  prometeu, vinculando novamente este objectivo à necessidade de a  juventude assumir o testemunho ético deixado pelo General Menete. 

O Presidente da República terminou as suas declarações com um  apelo à reflexão sobre a herança de serviço do General, que o  estadista considera ser a fundação sobre a qual o país deve construir  o seu futuro. 

“Para isso, é preciso que a juventude assuma os valores que o nosso  General Lázaro Henriques Lopes Menete nos deixou, de defesa da 

pátria, de integridade, da nossa soberania, para que o nosso país  possa se desenvolver, porque não há desenvolvimento sem paz e  segurança”, concluiu.

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