O País – A verdade como notícia

Primeira-dama da República, diz que as diferenças ideológicas não devem dividir interesses das mulheres no Diálogo Nacional Inclusivo. Gueta Chapo falava durante a Conferência da União para o Desenvolvimento Estudantil onde assegurou que a distribuição de capulanas não parou.

Mulheres de vários extratos sociais, ideologias políticas e religiosas, reuniram-se em Maputo na II Conferência Mulher nota 20. O evento promovido pela união para o desenvolvimento estudantil é apadrinhado pela Primeira-dama da República, que encorajou as mulheres a unirem-se na defesa de interesses essenciais do grupo social.

“É essencial que os assuntos das mulheres, sejam tratados sem discriminação, sem divisões.” Disse Gueta Chapo em uma sala com mulheres militantes em vários partidos políticos. “Nada e ninguém pode nos dividir como mulheres, que nos olhemos como irmãs, não como adversárias, não como inimigas, mas que sejamos irmãs de uma só única família, que é Moçambique.” Concluiu. 

De acordo com Ivone Soares, da União para Desenvolvimento Estudantil, promotora da conferência, falta quem lidere com exemplo para mostrar como as gerações mais novas devem viver em pluralidade. 

“Hoje reafirmamos que Moçambique precisa de exemplos concretos que inspirem os nossos jovens e o nosso povo a acreditar que há espaço para convivência plural, para privilegiarmos o que nos une como nação e não o que nos divide. Não podemos permitir que o ódio vença o amor, nem que a intolerância destrua a fraternidade entre vizinhos, colegas e cidadãos”, aconselhou.

A cinco dias para celebração do 7 de Abril , Gueta Chapo deu actualização da sua iniciativa de distribuição de capulanas

“Nós nunca paramos de distribuir capulana, este é o nosso lema e a distribuição não parou, continua” Assegurou explicando que “recebe quem quiser, não é obrigatório.”

Por outro lado, esclareceu aos críticos da iniciativa e explicou, a origem dos fundos que dinamizam as iniciativas.

“Queremos convidar também as mulheres que tiverem malas e malas de capulanas guardadas em casa, que possam distribuir as outras que não têm. E as capulanas estão na loja, a mama Gueta não tem fábrica de capulanas, as capulanas estão na loja. Os parceiros têm adquirido, algumas nos oferecem”.

Gueta Chapo Prometeu distribuir capulanas a todas as mulheres, no país, para a celebração do 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana

A Frelimo diz que o Governo deve adoptar medidas urgentes para fazer face à crise de combustíveis. O partido aponta como uma das soluções, o aumento da capacidade de armazenamento para que as crises internacionais não afectem o país.  

A crise de combustíveis, em resultado do conflito que se assiste no médio oriente, já é uma realidade em vários países do mundo e, em Moçambique, alguns postos de abastecimento já registam filas longas devido à indisponibilidade do líquido.  

Esse foi um dos pontos abordados pela Comissão Política da Frelimo, na sessão ordinária desta quarta-feira. 

A Comissão Política orienta o governo a adotar mecanismos de curto e médio prazo, visando fazer face à atual situação de crise de combustíveis em Moçambique, em resultado do conflito existente no Médio Oriente, cujos efeitos estão a fazer-se sentir por todo o mundo. Deste modo, a Comissão Política orienta para que o governo assegure a disponibilidade de reservas suficientes deste recurso energético para manter o abastecimento estável enquanto se faz a monitoria da evolução do fenómeno em causa, portanto, do conflito no Médio Oriente”, explicou Pedro Guiliche, porta-voz da Frelimo. 

O Porta-voz da Comissão Política fala de medidas urgentes que devem ser adoptadas, para evitar rupturas de stocks e outros constrangimentos. 

A curto prazo, a Comissão Política orienta ao governo para trabalhar com vista a garantir a disponibilidade de divisas com afectação estratégica para a importação de combustíveis e bens essenciais, evitando, deste modo, constrangimentos de abastecimento. Utilizar de forma criteriosa o Fundo de Estabilização, direcionando os recursos para amortecer os choques, de curto prazo, com foco na proteção dos segmentos sociais mais vulneráveis. Igualmente, reforçar a monitoria contínua de preços e do abastecimento com mecanismos de acompanhamento em tempo real para prevenir rupturas de estoque e práticas especulativas no mercado.

O órgão sugere também o aumento da capacidade de armazenamento de combustíveis. O encontro também abordou a resposta do Governo para a recuperação pós-cheias no país.  

A Comissão Política congratula o Governo pela implementação do Plano de Recuperação Pois Cheias, em Moçambique, por se tratar do instrumento que contempla o salvamento de vidas, a assistência humanitária, a reposição da transitabilidade, bem como a reconstrução de infraestruturas resilientes, tendo em vista a garantia de uma melhor capacidade de prevenção e mitigação dos desastres naturais”.

Para minimizar os impactos, a Frelimo apela à continuidade dos actos de apoio e solidariedade para com as vítimas afectadas pelas cheias e inundações.

Pelo menos 496 pessoas morreram vítimas de malária em Moçambique em 2025, um aumento de 39% em comparação com 2024, ano em que foram registados 358 óbitos, indicam dados recentes do Ministério da Saúde.

Segundo os mesmos dados, o número de casos também aumentou, em 11%, no ano passado, com um registo de 12,8 milhões, quando em 2024 foram diagnosticados 11,6 milhões de casos.

Do total de 12,8 milhões de casos registados em 2025, 4,8 milhões foram em crianças menores de 5 anos, indica-se no documento.

“Nós, neste momento, temos uma orientação para a população em geral de que existe diagnóstico correcto, existe tratamento de malária. Não há necessidade de existir uma morte por malária. Nós queremos que a população receba e cumpra com as orientações de modo que esses casos se reduzam”, disse Inês António, do Programa Nacional de Controlo da Malária, citada pela imprensa moçambicana.

Pelo menos 49 pessoas morreram de malária nas primeiras seis semanas de 2026 em Moçambique, entre 1 357 891 infectados, avançaram, em Fevereiro, as autoridades nacionais de saúde.

De acordo com dados apresentados pelo director nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, os casos de malária aumentaram 55% este ano, face ao mesmo período do ano passado, em que foram registados 876 498 casos, mas o número de óbitos baixou em 38%, quando em 2025 morreram 79 pessoas.

 

Trabalhadores de serviços de apoio na Escola Secundária Eduardo Mondlane, localizada na zona de Chitlango, na cidade de Maputo, encerraram os portões da instituição na manhã desta quarta-feira em protesto contra cinco meses de salários em atraso.

O protesto envolveu prestadores de serviços como guardas e outros funcionários de apoio, que decidiram interromper as actividades logo nas primeiras horas do dia, impedindo o acesso ao recinto escolar.

“Estamos sem receber salários há cinco meses, desde Novembro até agora. Já estamos cansados. Em casa temos despesas, já cortaram água e estamos a passar fome. Estamos a pedir socorro”, afirmou Estevão Mondlane, um dos trabalhadores envolvidos na paralisação.

A situação gerou rápida repercussão, mobilizando o director dos Serviços Sociais da cidade, que se deslocou ao local para tentar mediar o conflito. Apesar da reunião com os trabalhadores, não houve consenso quanto à regularização dos pagamentos.

Os manifestantes dizem ter perdido a confiança nas promessas feitas pela entidade empregadora. “Sempre dizem que vão pagar, mas nunca cumprem. Disseram que seria até quinta-feira, depois mudaram para segunda-feira, e até agora nada. Já não acreditamos”, declarou Lurdes Celeste, também trabalhadora da escola.

Outra funcionária, Paulina Venâncio, reforçou o sentimento de frustração: “Estão sempre a prometer, mas não há resultados. Já fomos à direcção da cidade e nunca nos deram uma resposta concreta.”

Durante o impasse, os trabalhadores mantiveram a posição de não retomar as actividades enquanto não houver pagamento dos salários em atraso. “Não vamos trabalhar até sair o salário”, afirmaram.

O director dos Serviços Sociais presente no local não prestou declarações à imprensa, alegando falta de autorização da equipa de comunicação dos serviços de representação do Estado na cidade.

Apesar da reabertura dos portões após as negociações, a situação permanece tensa, com os trabalhadores a exigirem soluções urgentes para a regularização dos seus vencimentos.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) em Manica apresentou, esta quarta-feira, dois indivíduos detidos na posse de uma arma de fogo do tipo pistola. O caso, que teve lugar na cidade de Chimoio, revela versões contraditórias entre os detidos e as autoridades policiais.

Em declarações à imprensa, um dos jovens negou qualquer envolvimento em actividades criminosas, sustentando que a arma foi retirada de um agressor que os tentou alvejar. Segundo o relato, após uma luta física em que conseguiram imobilizar o braço do suposto atacante, a pistola caiu e desmontou-se.

“O homem apontou-me a arma e disse que me ia matar. O meu irmão pegou no braço dele e a arma caiu. Nós é que ligámos para o chefe do sector para contactar a polícia até chegarmos aqui”, explicou um dos indiciados, insistindo que a intenção do grupo era entregar o engenho às autoridades.

A versão de “bons samaritanos” não convence a PRM. Mouzinho Manasse, porta-voz da PRM em Manica, esclareceu que a detenção é resultado de um trabalho de inteligência policial que já seguia o rasto de indivíduos envolvidos em crimes de roubo agravado.

A polícia suspeita que a dupla esteja ligada a um assalto recente a um estabelecimento comercial no bairro Vila Nova. “Estamos a trabalhar para apurar se estes indivíduos estão indiciados no crime de roubo agravado com recurso a arma de fogo. Tivemos uma ocorrência no mês passado, na área da 3.ª Esquadra, com características semelhantes”, referiu Manasse.

Com esta apreensão, sobe para quatro o número de armas de fogo recuperadas pelas autoridades na província de Manica nos últimos seis meses. A polícia reforça o apelo à vigilância comunitária, mas mantém a cautela perante justificações de posse de armas por civis, sublinhando que o procedimento correto nestes casos deve ser sempre imediato e transparente.

Cidadãos estrangeiros vivem em situações de falta de higiene e com saúde precária na 23.ª Esquadra. Enquanto o SENAMI fala em “condições mínimas”, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) considera o cenário grave e admite avançar para o Ministério Público.

A 23.ª Esquadra de Chiango, na capital do País, está no centro de uma polémica, após a divulgação de vídeos que expõem o quotidiano degradante de 27 imigrantes retidos. Os registos mostram um cenário de imundície, onde cidadãos de várias nacionalidades, alguns sob custódia há mais de 30 dias, clamam por assistência médica, água e dignidade.

Entre os relatos mais chocantes está o de um imigrante angolano que, com a saúde visivelmente debilitada, descreveu o local como “criminoso”. Segundo o seu testemunho, os detentos chegaram a ficar sete dias consecutivos sem água para a higiene pessoal, dependendo apenas de água mineral para beber.

“O meu corpo começou a transformar-se, a sair coisas. Fiquei mesmo doente, grave”, relatou o cidadão, que utilizou as redes sociais como último recurso para pedir socorro, sentindo-se abandonado pela sua própria embaixada.

Confrontado com as imagens, o Serviço Nacional de Migração (SENAMI) apresentou uma versão oposta. Segundo o porta-voz da instituição, Luca Bata, a transferência dos 27 imigrantes para a 23.ª Esquadra foi temporária e estratégica, visando a reabilitação do edifício principal de acolhimento.

O SENAMI assegura que todos os retidos têm acompanhamento médico e que quatro cidadãos foram encaminhados para o hospital psiquiátrico devido a enfermidades.

A instituição desmentiu a Comissão Nacional dos Direitos Humanos sobre a duração de uma das detenções, embora tenha admitido que um cidadão de Madagáscar está sob custódia “há um bom tempo”, desde 2022.

“É uma esquadra para detentos… existem lá melhores condições. Tem lá detentos que nunca reclamaram”, afirmou o porta-voz, minimizando as denúncias de insalubridade.

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) não ficou convencida com as explicações oficiais. Após analisar as imagens, o presidente da Comissão, Albachir Macassar, considerou as alegações de “particular gravidade” e sublinhou que a lei deve ser cumprida independentemente da situação migratória.

“Vimos graves problemas sanitários e falta de cuidados médicos adequados. Se encontrarmos matéria que deve ser submetida à Procuradoria, vamos fazê-lo e instar a instauração de um processo”, garantiu Macassar.

Desde a última segunda-feira, os imigrantes foram transferidos de volta para o local original, cujas obras de requalificação estariam concluídas. O SENAMI informou que está agora a preparar o processo de deportação dos cidadãos.

O caso, contudo, deixa feridas abertas na imagem da gestão migratória em Moçambique, levantando questões sobre a linha ténue entre a “fiscalização migratória normal” e a violação dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição.

O Reino Unido investiu, desde 2009, 79,9 milhões de dólares (5,1 mil milhões de meticais) em sistemas de abastecimento no País, levando água a 1,8 milhões de pessoas nas zonas rurais.

“Mais de 1,8 milhões de pessoas nas zonas rurais de Moçambique têm agora acesso à água potável segura”, avançou o Reino Unido, em comunicado divulgado nesta quarta-feira.

Este balanço é trazido numa altura em que é assinado o encerramento do programa de Transformação da Provisão de serviços de Água, Saneamento e Higiene (T-WASH), que durou uma década.

Segundo o comunicado, só com o programa T-WASH, implementado entre 2015 e 2026, o Reino Unido apoiou a Estratégia Nacional de Água e Saneamento Rural de Moçambique financiando mais de 200 sistemas de água e cerca de 2000 furos em comunidades rurais, tendo reforçado os sistemas de planeamento, prestação e manutenção dos serviços de água e saneamento.

O T-WASH decorreu com os seus respectivos fundos entregues em duas fases, tendo melhorado o saneamento para 3,3 milhões de pessoas, com o Reino Unido a apoiar a Estratégia Nacional de Água e Saneamento Rural de Moçambique (PRONASAR) desde 2009.

O programa foi implementado em parceria com a Direcção Nacional de Abastecimento de Água e Saneamento (DNAAS), conforme escreve o organismo no comunicado.

Com o fim do programa de acesso à água implementado em 10 anos, o Reino Unido promete, agora, apostar na mobilização de fundos para o financiamento climático e do investimento privado, reduzindo a dependência do financiamento tradicional da ajuda e garantindo a sustentabilidade a longo prazo das infraestruturas já construídas.

Em Outubro passado, o Governo avançou que Moçambique precisa de cerca de 4,1 mil milhões de dólares (262,2 mil milhões de meticais) para acelerar a expansão dos sistemas de abastecimento de água e de saneamento sustentáveis no País.

O Gabinete da Juventude Parlamentar (GJP) efectuou uma visita ao antigo estadista moçambicano, Armando Emílio Guebuza, um encontro marcado pelo diálogo e pela partilha de experiências.

Durante a conversa, Armando Guebuza destacou a importância da Assembleia da República, sublinhando que “o Parlamento tem uma história que é muito rica, construída com muito esforço ao longo dos anos”.

Guebuza enfatizou ainda que, acima das diferenças partidárias, prevalece a identidade nacional, uma vez que “não importa o partido, todos nós somos moçambicanos. Moçambique é nosso”.

O antigo estadista reforçou a importância da inclusão e da igualdade, afirmando que todos têm direitos, independentemente da idade ou da raça, e que o foco deve estar no desenvolvimento do País.

Segundo afirmou, mesmo com opiniões diferentes, é essencial que todos estejam unidos por um objectivo comum: “cada um pensa o que pensa, fala o que fala, mas todos devemos estar movidos por um Moçambique melhor”.

No encontro, também se reconheceu a diversidade como um elemento natural da sociedade, sendo as diferentes organizações uma expressão dessa pluralidade. Ainda assim, destacou-se a necessidade de união, até porque “somos diferentes, por isso temos organizações diferentes, mas devemos nos abraçar para criar um futuro melhor”.

Houve igualmente espaço para reflectir sobre os desafios actuais, incluindo preocupações em torno do estado da democracia. Armando Guebuza recordou que muitas das conquistas nacionais foram alcançadas com grande dificuldade, referindo-se às instituições como vitórias que devem ser preservadas.

“Aquela casa foi conquistada com muita dificuldade, mas foi conquistada”, disse o antigo estadista moçambicano que já foi deputado de 1994 a 2002.

Por fim, deixou uma mensagem centrada no papel do povo, afirmando que, independentemente de quem ganha ou perde, o mais importante é que o povo nunca saia prejudicado: “se o povo ganha, vale a pena, e quem julga os valores é a história. O povo tem de ficar para a história”, disse.

O ministro da Saúde admite que sente vergonha quando é questionado sobre roubo de medicamentos nos hospitais. Ussene Isse acusa profissionais da área que dirige de tratarem os pacientes sem o devido humanismo.

Ussene Isse, Ministro da Saúde foi convidado para a aula de abertura do Instituto Superior das Ciências de Saúde. A aula transcendeu os limites da academia, abordou questões de actualidade no sector, admitiu haver maus tratos no sector que dirige, e revelou-se envergonhado com os caso. 

“Eu fico muito envergonhado quando somos questionados pela população. Sr. Ministro, aqui no seu hospital, cobram, cobranças ilícitas, cobram. Aqui no seu hospital, nos maltratam. Aqui no seu hospital, roubam medicamentos. E aí? Como é que vou ficar feliz ao ouvir essas coisas?” Questionou-se Ussene Isse. O governante mostrou preocupação com a falta de humanismo nos hospitais citando o exemplo das maternidades que classificou como “piores”

“O maior problema de cobranças ilícitas é na maternidade. Dizem que, as senhoras já sabem, até amarram na ponta da capulana.Já sabem, basta abrir a capulana, basta desamarrar a capulana, já sabem que ali tem, tem o quê? Tem dinheiro “, descreveu o ministro pedindo mudanças nas atitudes. 

Aos profissionais que participam das manifestações, Isse manda um recado.

“Um bom profissional de saúde, Não coabita em ambientes de agitação. Infelizmente, infelizmente, infelizmente….Analisem o que eu iria dizer, não vou dizer agora.” Terminou o discurso.

Ussene Isse pediu aos gestores hospitalares a analisarem os indicadores de satisfação dos utentes e às escolas a ensinarem mais a ética e deontologia. 

+ LIDAS

Siga nos