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O Instituto Nacional de Gestão de Desastres, INGD, decidiu cancelar as operações de resgate que estavam a ser levadas a cabo pelas autoridades em vários locais da província de Gaza, onde encontram-se pessoas ainda sitiadas pelas inundações.

A decisão foi tomada devido ao mau tempo que se fez sentir durante as primeiras horas de ontem, segunda-feira, na província de Gaza, numa altura em que o processo decorria sem sobressaltos.

As equipas de resgate coordenadas pelo INGD até sobrevoaram algumas regiões, no entanto, as operações ficaram suspensas, tal como confirmou o director regional Sul do INGD, Cândido Mapute.

“Sobrevoamos, mas tivemos que regressar ao ponto de partida. Nós agora estamos a operar com seis aeronaves, tipo helicóptero, e três avionetas. Então esses todos meios estão para fazer busca de resgate, transporte de pessoas doentes e todos os trabalhos de emergência. E hoje a nossa missão era reabastecer os centros de acomodação do distrito de Guijá, Mapai, e até conseguimos fazer o primeiro abastecimento no centro em Guijá. Mas, como viram, a dificuldade de sobrevoar devido ao mau tempo e os ventos que vão até 27 nós, não permitiram termos uma boa acção, sobretudo ligada à questão do resgate, nesse caso”, confirmou. 

Cândido Mapute disse que o trabalho que está a ser feito é do controlo das informações meteorológicas para que assim que houverem condições para sobrevoar, continuar-se a fazer a distribuição, a alocação de comida, mas também de resgate em locais críticos.

“Hoje fomos para o Xinhakanine, onde a comida já havia ficado para dois dias e fizemos abastecimento para mais dez dias e temos mais três pontos no distrito de Guijá para reabastecermos, mas por causa deste mau tempo não poderemos abastecer esta manhã vamos aguardar que o mau tempo possa passar e poderemos voltar a fazer as nossas operações, tanto de resgate, assim como de reabastecimento de comida nos centros de acomodação”, anunciou. 

Em termos de quantidades que devem ser reabastecidas, o director regional Sul do INGD, Cândido Mapute, confirmou que em cada distrito são deixados 30 toneladas de bens alimentares diversos, cerca de 50 tendas e outros bens de emergência “e esses bens foram distribuídos e agora sentimos necessidade de reabastecer os centros de acomodação por uma quantidade de 15 toneladas em cada centro, 15 toneladas em função do número das pessoas que estão no centro. Achamos nós que temos mais ou menos sete dias para as pessoas se alimentarem bem”.

As acções de resgate e reabastecimento de produtos aos afectados só retomou depois que o mau tempo abrandou.

Na zona alta da cidade de Xai-Xai, concretamente na sede do partido Frelimo, milhares de famílias que abandonaram a zona baixa da cidade encontram-se acomodadas. As condições da acomodação eram péssimas até as primeiras horas de ontem, segunda-feira, com as famílias a não terem espaço para deixarem seus pertences e nem com alguma ideia de onde e nem como iriam passar a noite

Algumas dessas famílias tinham chegado à zona alta por volta da meia noite deste domingo e contavam como estava a situação nos bairros de onde vinham.”A água começou a entrar e não tirei nada, só deu para tirar uma manta e tudo está na água. Não conseguiu tirar nada”, contou um dos afectados, que confirmou ter chegado à zona segura sozinho, na companhia de vizinhos.

Salomão Nhalmiza conta ainda que para chegar à zona alta da cidade a população foi socorrida por carros particulares, que nada cobravam, destacando que houve um pouco de negligência, uma vez que mensagens de abandono chegaram às pessoas.

Algumas das pessoas chegaram com crianças no colo e contam que foi volta da uma hora da madrugada desta segunda-feira que foram surpreendidas pelas águas das chuvas. “Fui acordada à uma hora. Disseram que a água entrou. Então saímos e fomos parar lá na praça. Então da praça chegamos aqui. Consegui tirar a roupa da minha filha, minha. O resto ficou”, contou uma das afectadas. 

O sofrimento dos homens, mulheres e crianças era visível na sede do partido Frelimo em Xai-Xai. Vinham de vários bairros dos arredores da cidade, nomeadamente nas zonas baixas.

“Chegamos mal aqui. Chegamos mal e a água é muita. Muita água e tem corrente. Estamos a sofrer muito. Só consegui levar roupa, porque a comida ficou lá mesmo. Nem panela, nem nada”, revelou outra afectada que chegou na zona segura nas primeira horas da manhã, na companhia dos dois filhos dela.

São centenas de famílias que abandonaram a zona baixa na sequência da invasão das águas e agora buscam abrigo em locais mais seguros, sendo que a sede do partido Frelimo é o local criado para ser o centro de transitório, com algumas pessoas a serem direccionadas a algumas escolas secundárias que estão na zona alta e que servirão de centros de acolhimento.

Mais de 150 quilómetros de estradas nacionais foram completamente destruídos e a transitabilidade em outros três mil quilómetros está condicionada, em todo o território nacional, na sequência das fortes chuvas que assolaram vários pontos do país. Em alguns pontos decorrem obras de emergência e noutros a intervenção só será feita depois do nível das águas baixarem, segundo indicou o Ministro dos Transportes e Logística.  

Os níveis de precipitação acima do normal em vários pontos do país, desde Dezembro do ano passado, que já levou a decretação do estado de emergência pelo governo, continua a destruir diversas infra-estruturas.

Em relação a estradas, dados partilhados pelo sector indicam que até este domingo foram quase completamente destruídos mais de 152 quilómetros, segundo revelou o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, que se encontra a monitorar a situação das inundações na cidade da Beira. 

“Estamos a falar de infraestruturas ao nível das estradas nacionais destruídos e temos praticamente mais de 3 mil quilómetros quase afectados, em todo território nacional”, disse João Matlombe que confirmou que o Governo vai continuar a monitorar as estradas, consideradas classificadas, até porque “temos outras estradas que não são classificadas em todo o país e que já estavam afectadas porque já eram precárias na altura, e que com o nível das águas devem estar intransitáveis”, realçando ainda que onde é possível fazer-se intervenções, o Governo está a trabalhar.

A destruição de estradas está a deixar várias comunidades isoladas, como a vila do Búzi, por exemplo, que está há mais de uma semana sem comunicação por via terrestre.

Para o Ministro, que falava a imprensa depois de estar nos pontos destruídos da estrada Tica-Búzi, o mais importante é as diversas comunidades no país que residem em zonas de risco perceberem que é possível refazer a vida de forma muito mais segura., até porque “a chuva vai cair em todos os anos e isso é uma certeza”.

Daí que o Ministro Matlombe considere ser o momento de planificar os próximos anos para evitar danos cíclicos no país. “Infraestruturas e estradas em zonas de acesso mais seguras, ou mesmo tentar aconselhar o Governo para que comecemos a planear as nossas infraestruturas, ou mesmo a deslocação de algumas vilas, para zonas mais seguras”, como forma de evitar gastos desnecessários anualmente para reposição de danos causados por chuvas.

Em Sofala, as chuvas abrandaram há cerca de cinco dias, mas está previsto que volte a registar chuvas moderadas a forte nos próximos dois dias, daí o apelo para a contínua monitorização dos cursos das águas. 

 

Sobe para 111 total de mortos desde o início da época chuvosa

O total de mortos desde o início da época chuvosa no país subiu para 111, com três desaparecidos e 98 pessoas feridas, segundo balanço do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), divulgado esta segunda-feira.

De acordo com o relatório, com dados de 01 de Outubro a 18 de Janeiro, abrangendo já o actual período de cheias generalizadas no país, foram afectadas até ao momento 645.751 pessoas, equivalente a 122.857 famílias, com 11.226 casas parcialmente destruídas e 4.883 totalmente destruídas.

No balanço anterior, com dados até sexta-feira, era referido o total 103 óbitos e 173 mil pessoas afectadas desde o início da época das chuvas, tal como tinha avançado o Governo, que na altura decretou o alerta vermelho nacional.

Dos 79 centros de acomodação abertos desde o início da época chuvosa, 68 permanecem activos, com 60.919 pessoas, das 55.722 que já tiveram de ser retiradas das áreas evacuadas, segundo o mesmo relatório do INGD.

Foram afectadas ainda 37 unidades sanitárias e 44 casas de culto, além de 224 escolas, sete pontes, 27 aquedutos, 2.097 quilómetros de estrada danificados e 155 postes de electricidade tombados.

O registo do INGD aponta ainda para 129.503 hectares de área agrícola afectados, dos quais 37.595 hectares dados como perdidos, afectando 48.435 agricultores, além da morte de 38.770 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

O Governo moçambicano estimou esta segunda-feira que 40% da província de Gaza está submersa, devido às fortes cheias dos últimos dias, e que vários distritos de Maputo estão inundados, além da total destruição de pelo menos 152 quilómetros de estradas nacionais.

As autoridades moçambicanas montaram um centro de coordenação nacional, liderado pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, no aeroporto de Xai-Xai, província de Gaza, onde estão mobilizados oito meios áereos para operações de salvamento, condicionadas pelo estado do tempo.

Ainda esta segunda-feira prosseguiam acções e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, tejadilhos de carros ou na copa das árvores, sobretudo em Maputo e Gaza, resultado das fortes chuvas quase ininterruptas de há vários dias e que estão a obrigar as barragens, incluindo dos países vizinhos, a aumentar fortemente as descargas, por falta de capacidade.

Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.

A zona baixa da cidade de Xai-Xai já foi tomada por águas que já inundaram boa parte da urbe. As autoridades municipais estimam que mais de 15 mil famílias venham a ser afectadas. A PRM está a retirar compulsivamente os que ainda tendem a permanecer em zonas de risco.

As águas invadem os bairros da zona baixa da cidade de Xai-Xai desde a noite de domingo, e quem não conseguiu sair a tempo procura agora abandonar as zonas de risco nestas condições.

Sem tempo e em debandada, homens, mulheres e crianças procuram caminhos já submersos, onde as vias deixaram de ser visíveis.

“Saímos da nossa zona por causa da água. Não sei se eles lá tiveram alerta ou não, porque eu estou na zona alta e só fui lá buscar a minha família. A situação naquelas zonas baixas não é boa porque já começou a entrar muita água nas casas”, contou uma das cidadãs que viu a casa dos seus familiares inundada.

A Polícia da República de Moçambique foi mobilizada para estar nas ruas e ajudar na retirada das pessoas, num processo que tem estado a ser compulsivo, segundo o Comandante Provincial de Gaza, que confirma que houve uma primeira fase de sensibilização para abandono voluntário.

“Sensibilizamos as comunidades numa primeira fase da retirada das comunidades dos seus bairros. Quer o cidadão comum quer os comerciantes foram sensibilizados a retirar as mercadorias dos seus estabelecimentos, mas o que percebemos é que esses persistiram a abrir o comércio até a última hora, até o último momento da entrada da água e alguns inclusive metendo alguns camiões com alguma carga de mercadoria. Então a consequência foi aquela”, confirmou Momad Made, Comandante Provincial da PRM em Gaza. 

Na zona baixa da cidade de Xai-Xai, com mais de 15 mil famílias, a situação é bastante crítica, o que faz com que a mesma passe de alerta para a realidade uma vez que as águas inundaram quase a metade da cidade, e o trabalho que é feito actualmente é evacuar as pessoas para a zona alta. 

As autoridades municipais trabalham na localização e no resgate das pessoas que necessitam de maior assistência, sendo que maior número da população tem se deslocado para suas residências ou dos seus familiares, nas zonas altas e seguras.

“Neste momento temos um centro lá em cima onde algumas pessoas têm suas casas na zona alta porque já tivemos duas vezes cheia e foram dados talhões, construíram suas casas e muitas das pessoas que estamos a tirar da cidade estão a ir para as suas próprias residências e na casa de familiares”, revelou Ossimane Adamo, edil de Xai-Xai.

O dirigente afirma haver prontidão para a abertura de novos centros, caso haja necessidade. “Temos um centro que ainda não temos necessidade de levar as pessoas para esse centro, mas estamos prontos para levar as pessoas para lá, caso haja necessidade”, confirmou.

Em termos de assistência aos afectados, nomeadamente no que diz respeito aos produtos alimentares, Ossimane Adamo diz que o município está em coordenação com a INGD para garantir que todos sejam assistidos.

“O INGD tem mantimentos para os primeiros socorros daquelas populações, em termos de material de higiene, comida e outros materiais”, anunciou, revelando ainda que os bairros mais críticos e que necessitaram de uma retirada compulsiva foram Malhangalene, Xitinine, bairro A, bairro B, bairro 12, bairro 1 e bairro 2, bem como uma parte do centro da cidade.

Em algumas zonas com acesso, as autoridades estão a mobilizar saídas com recurso a autocarros. Em Xai-Xai está cortada a ligação com outros pontos da província, casos de Macia e outros distritos.

Pelo menos 37 pessoas morreram, em resultado de acidentes de viação, entre os dias 12 de Dezembro e 16 de Janeiro. Durante este período, outras 33 pessoas morreram em resultado de 16 afogamentos.  A informação foi partilhada, esta segunda-feira, pelo Comandante-Geral da Polícia que falava no encerramento da operação  Consolidação. 

O Comandante-Geral da Polícia dirigiu esta segunda-feira o encerramento da operação “Consolidação”, lançada no âmbito da quadra festiva. 

Joaquim Sive fez saber que apesar da redução dos casos e dos óbitos por acidentes de viação, em relação ao período festivo anterior, os números ainda são preocupantes. 

“Foram registrados 34 casos de acidentes de viação, consistentes com os casos de igual período anterior. Uma redução tênue. Preocupa-nos ainda que tenhamos reduzido os acidentes de viação, o facto de perdermos um compatriota na via pública para nós é uma tragédia. Daí a necessidade permanente de melhorarmos a segurança rodoviária. Em termos de consequências dos acidentes de viação, foram registrados 37 óbitos contra 70 de igual período anterior, o que prefaz uma redução de 33 óbitos. Em relação aos feridos, registramos 38 feridos graves contra 54, 63 feridos ligeiros contra 133 de igual período anterior” explicou Joaquim Sive, Comandante-Geral da PRM. 

Os acidentes marítimos são outro problema.

“Lamentamos as mortes registradas por incidentes e acidentes marítimos, lacustres e fluviais. A destacar, 33 óbitos na sequência de ocorrência de 16 afogamentos, 8 naufrágios, 7 ataques por animais aquáticos e 2 casos de homens ao mar, o que igualmente nos desafia a melhorar as medidas de sensibilização de turbanistas, fixação de lotação de embarcações e aprimoramento de mecanismos de segurança das mesmas”

Quanto ao fluxo migratório, houve movimento de mais de 1 milhão de pessoas. 

“Foram registrados um movimento de 1.092.855 viajantes de diversas nacionalidades,  sendo 508.401 entradas e 584 saídas. De igual modo, foram registrados um movimento de 137.491 viaturas, das quais entradas e 73.701 saídas.”

A operação “Consolidação” foi desenvolvida entre 12 de Dezembro de 2025 a 16 de Janeiro deste ano. 

O Instituto Nacional de Meteorologia alerta para a continuação de chuvas fortes com trovoadas nas províncias do sul e centro do país, com excepção de Maputo e Tete. 

As chuvas se farão sentir nos distritos de Nicoadala, Inhassunge, Mopeia, Namacurra,  Gurué, Namarrói, Ile, Maganja da Costa, Mocubela, Pebane, Maquival, Luabo, Lugela,  Pebane, Chinde e Cidade de Quelimane, na província de Zambézia; distritos de Vanduzi, Manica, Macate, Sussundenga, Gondola,  Mossurize e Cidade de Chimoio, em Manica; Muanza, Nhamatanda, Dondo, Búzi, Chibabava e Cidade da  Beira, em Sofala. 

Em Inhambane, serão afectados os distritos de Zavala, Inharrime, Panda, Jangamo, Inhambane,  Homoíne, Morrumbene, Funhalouro, Massinga, Vilankulo, Inhassoro, Mabote, Govuro e  cidades de Maxixe de Inhambane; e distritos de Chigubo, Mabalane, Massingir, Guijá, Chibuto, Chókwè,  Limpopo, Bilene, Mandlakazi, Chongoene e cidade de Xai-Xai. 

INAM apela à tomada de medidas de precaução e segurança face as chuvas, trovoadas e vento forte.

As chuvas registadas nas últimas 24 horas em alguns pontos da província de Inhambane continuam a pressionar várias bacias hidrográficas, mantendo níveis hidrométricos elevados, com destaque para as bacias do Save, Govuro, Inhanombe e Mutamba, segundo o mais recente boletim da Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul, IP), divulgado esta segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026.
Na bacia do Save, não houve registo de precipitação em Vila Franca do Save, mas em Massangena foram registados 41,1 milímetros de chuva, contribuindo para a subida do nível do rio naquela zona. A estação hidrométrica de Massangena registava, às 07 horas, 4,68 metros, acima do nível de alerta de 4,50 metros, o que mantém a situação sob vigilância apertada. Já em Vila Franca do Save, o nível situava-se em 4,90 metros, abaixo do nível de alerta de 5,50 metros, mas ainda considerado elevado, apesar de uma tendência de descida.
Na bacia do Mutamba, o posto de Jangamo registou 35,4 milímetros de chuva, com o nível hidrométrico a atingir 3,44 metros, ainda abaixo do nível de alerta fixado em 3,80 metros. Situação semelhante verifica-se na bacia do Govuro, onde a estação de Pambara assinalou 3,94 metros, ligeiramente acima do nível de alerta de 3,70 metros, indicando risco potencial de transbordo em zonas ribeirinhas.
A bacia do Inhanombe continua a inspirar preocupação. Em Maxixe, o nível do rio estava em 3,74 metros, aproximando-se do nível de alerta de 4,00 metros, enquanto em Mubalo o rio mantinha-se significativamente acima do nível crítico, com 6,13 metros, contra um nível de alerta de 4,50 metros, apesar de uma ligeira tendência de descida nas últimas horas.
Na bacia de Inharrime, os níveis permanecem estáveis e longe do alerta, com a estação E183 a registar 2,09 metros, muito abaixo do nível crítico de 5,40 metros.
Dados da rede monitorada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) indicam precipitações intensas em alguns distritos, com destaque para Quissico (172,9 mm) e Mawayela (126,0 mm), valores que ajudam a explicar a pressão contínua sobre os sistemas hidrográficos. Em contrapartida, Vilankulo e Inhassoro não registaram precipitação nas últimas 24 horas.
A ARA-Sul mantém o apelo à população residente em zonas ribeirinhas e baixas para acompanhar a informação hidrológica oficial, evitar travessias de rios e adoptar medidas preventivas, numa altura em que a época chuvosa continua activa e com potencial para novos episódios de subida rápida dos caudais.
A Plataforma da Sociedade Civil Moçambicana para a Protecção Social (PSCM-PS) emitiu um posicionamento firme e crítico face à actual época chuvosa e ciclónica, alertando que o país vive uma crise humanitária com impactos profundos sobre as populações mais pobres e vulneráveis, num contexto de fragilidade dos sistemas de protecção social.
Com base em dados oficiais do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), a PSCM-PS sublinha que, até meados de Janeiro de 2026, pelo menos oito pessoas perderam a vida, cerca de 123 mil foram directamente afectadas e 23.810 famílias sofreram impactos severos provocados por cheias, inundações urbanas e eventos climáticos extremos.
Segundo a plataforma, a província de Gaza assume-se como o principal foco da crise, com centenas de milhares de pessoas em risco de deslocação nos distritos de Chókwè, Guijá, Chibuto e Xai-Xai, após o transbordo dos rios Limpopo e Incomáti. A situação é igualmente preocupante em Maputo, Inhambane, Manica e Sofala, onde se registam cheias extensas e danos significativos em infra-estruturas essenciais.
A PSCM-PS alerta que milhares de famílias foram forçadas a abandonar as suas casas, encontrando-se actualmente em centros de acomodação temporária, muitos deles sem condições adequadas de dignidade, saneamento e segurança. Entre os afectados estão mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e doentes crónicos, grupos que enfrentam riscos acrescidos de exclusão social, insegurança alimentar e perda de meios de subsistência.
De acordo com o posicionamento, as cheias provocaram a destruição total de 1.088 casas e a destruição parcial de 2.701 residências, além de danos em estradas, pontes, escolas, unidades sanitárias e sistemas de abastecimento de água, comprometendo o acesso a serviços básicos, sobretudo nas zonas rurais e periurbanas.
O sector agrícola é apontado como um dos mais afectados, com a perda de mais de 3.740 hectares de área cultivada, impactando 10.548 agricultores. A PSCM-PS alerta que estas perdas agravam a insegurança alimentar e nutricional, num contexto já fragilizado pelos efeitos acumulados de secas severas associadas ao fenómeno El Niño nos últimos anos.
Para a plataforma, a actual crise evidencia de forma “crua” a intersecção entre pobreza, vulnerabilidade climática e sistemas de protecção social fragmentados, sublinhando que as populações afectadas não são vítimas do acaso, mas comunidades estruturalmente expostas a choques climáticos recorrentes.
Perante este cenário, a PSCM-PS defende a activação imediata e o reforço dos programas de protecção social, com destaque para o Programa Apoio Social Directo Pós-Emergência (PASD-PE) e o Programa Subsídio Social Básico (PSSB), incluindo o pagamento extraordinário de subsídios em atraso, como forma de garantir estabilidade mínima às famílias afectadas.
A organização apela ainda ao Governo para mobilizar recursos financeiros adicionais, reforçar a articulação com parceiros de cooperação e assegurar uma resposta integrada, que combine assistência humanitária imediata com mecanismos de protecção social de médio e longo prazo.
A PSCM-PS conclui que a actual época chuvosa e ciclónica constitui um alerta inequívoco para a necessidade de colocar a protecção social no centro da resposta às crises climáticas, como condição essencial para fortalecer a resiliência nacional e proteger os cidadãos mais vulneráveis.

Pelo menos 3.000 pessoas têm as casas inundadas no distrito de Guijá, província de Gaza, devido a chuvas intensas, refere a Visão Mundial, Organização Não Governamental que monitora as acções no terreno. 

“Dados preliminares indicam que mais de 3.000 pessoas viram suas casas serem invadidas pela água das chuvas intensas que caem há mais de uma semana”, lê-se numa nota publicada este domingo pela World Vision Moçambique. 

Segundo a Visão Mundial, o número de afectados continua a aumentar, prevendo-se que as precipitações se mantenham e que as barragens da província de Gaza possam transbordar a qualquer momento, forçando as famílias a procurar refúgio em centros de acomodação.

“A localidade de Chinhacanine, no distrito de Guijá, província de Gaza, é a zona mais afectada, contando com perto de 2.000 pessoas desalojadas. Quase metade das vítimas são crianças”, refere a nota, acrescentando que, com a chegada contínua de famílias aos centros, a capacidade de assistência dos diversos intervenientes é limitada. 

A World Vision Moçambique diz ainda que prevê assistir famílias desalojadas nos próximos dias, através da distribuição de jerricãs, baldes, cobertores, purificadores de água, assim como actividades de protecção à criança, enquanto continua a mobilizar recursos adicionais.

Até a última sexta-feira, pelo menos 103 pessoas morreram e 173 mil foram afectadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, registando-se a destruição total de 1.160 casas, avançou o Governo, que decretou alerta vermelho nacional.

“No período que vai de 22 de Dezembro a 15 de Janeiro de 2026, o país registou lamentavelmente oito óbitos de compatriotas nossos, que eleva para 103 o número de óbitos de toda a época chuvosa”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no fim da sessão extraordinária para avaliar a situação.

Segundo o novo balanço do executivo moçambicano, além das mais de 173 mil pessoas afectadas, as chuvas já destruíram totalmente 1.160 casas e mais de 4.000 ficaram parcialmente inundadas, face às chuvas intensas registadas em todo o país.

A actual época de chuvas, que começou em Outubro e vai até Abril, tem sido marcada por alertas, principalmente nas zonas Centro e Sul do país, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações.

 

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