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O Executivo determinou a observância de Luto Nacional de dois dias pelo falecimento de Luísa Dias Diogo, antiga Primeira-Ministra, cujo corpo chega ao país nesta quarta-feira, após ter falecido vítima de doença, em Portugal. O funeral oficial está marcado para o dia 23 de Janeiro de 2026.

O Conselho de Ministros, na sua 1.ª Sessão Ordinária, realizada no dia 20 de Janeiro de 2026, aprovou a resolução que determina a realização do funeral oficial de Luísa Dias Diogo e a observância de Luto Nacional de dois dias, a contar das zero horas do dia 23 de Janeiro, data em que se realizará o funeral da antiga governante.

Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, a decisão visa honrar o legado e a contribuição de Luísa Diogo para a consolidação da governação e desenvolvimento do país.

O corpo da antiga Primeira-Ministra, que faleceu em Portugal vítima de doença, chegará ao país nesta quarta-feira, dando início às cerimónias fúnebres oficiais.

O luto nacional reflete o reconhecimento do Estado pelo papel desempenhado por Luísa Diogo ao longo da sua carreira política, marcada por passagens significativas no Executivo e contribuições para a estabilidade institucional e económica de Moçambique.

O Governo tem um défice de 6,6 mil milhões de meticais para responder à actual época chuvosa, dos 14 mil milhões de meticais considerados necessários para assegurar a assistência humanitária, apoio aos deslocados, serviços de saúde e alimentação nos centros de acomodação. A informação foi avançada esta terça-feira, pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final da sessão do Executivo.

Segundo Impissa, o valor agora apresentado representa uma revisão em baixa face ao défice anteriormente estimado em cerca de 8 mil milhões de meticais, na sequência de reajustes feitos com base nos recursos já mobilizados e no apoio de parceiros.

O porta-voz explicou que, apesar das limitações financeiras, o Governo tem meios alocados para fazer face à situação, contando com recursos nacionais, apoio de parceiros internacionais e de países vizinhos. Entre os meios disponíveis estão nove helicópteros, embarcações e outras naves, utilizados em operações de busca, salvamento e assistência às populações afectadas pelas inundações.

Relativamente às infra-estruturas, Inocêncio Impissa referiu que algumas pontes móveis se encontram estagnadas em determinados pontos do país, mas estão devidamente alocadas e poderão ser retiradas ou reposicionadas em caso de emergência, mediante indicação do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Questionado sobre uma eventual responsabilização do Governo face ao cenário das inundações, o porta-voz afirmou que o Executivo não sabe se o governo responsabilidade, sublinhando, no entanto, que o mesmo está a fazer o trabalho necessário para salvaguardar a vida e os bens dos moçambicanos.

Dados apresentados indicam que, entre 22 de Dezembro e segunda-feira, as chuvas e cheias já provocaram 11 mortes em diferentes regiões do país, além de milhares de pessoas afectadas e danos significativos em habitações e infra-estruturas.

No sector dos transportes, o Governo reiterou que a retoma da circulação na Estrada Nacional Número Um (N1) só deverá acontecer depois do completo escoamento das águas, depois de análise minuciosa da via, por razões de segurança.

Quanto ao ano lectivo de 2026, Inocêncio Impissa confirmou que o seu início está marcado para 30 de Janeiro, embora tenha admitido que, nas províncias de Maputo e Gaza, poderão ser adoptadas medidas particulares, em função do impacto das inundações sobre as escolas.

Tende a aumentar o número de famílias que estão a abandonar, voluntariamente e com recursos próprios, as zonas de risco, na vila sede do distrito do Búzi, em Sofala, depois dos apelos lançados no último fim-de-semana pelo Presidente da República.   

As famílias em causa afinal foram atribuídos terrenos em zonas seguras, após a passagem do ciclone Idai, mas teimam em residir nos locais de risco.

No passado sábado, o Presidente da República disse à comunidade do Búzi que a vida não tem segunda época,  aquando da sua visita, e exortou que as pessoas abandonassem imediatamente as zonas de risco. 

É que mesmo depois das inundações, que passaram a ser cíclicas desde 2019, aquando da passagem do ciclone Idai, as famílias teimam em residir em zonas de risco, na vila sede do distrito do Búzi, colocando em risco as suas vidas apesar de terem sido atribuídos terrenos na região de Guara-guara, há cerca de 20 km.

Depois dos apelos do Chefe do Estado tende a crescer o número de famílias a abandonarem voluntariamente as zonas de risco e usando meios próprios. 

Beatriz Alberto, tal como outros moradores da vila sede do distrito do Búzi foi atribuído um espaço na região de Guara-guara, uma zona relativamente mais segura, mas como muitos outros, retornou a vila sede do Búzi.

Neste momento, de acordo com as autoridades do distrito do Búzi, as águas baixaram e já se circula normalmente, mas tendo em conta que se está na época chuvosa, os apelos para abandonar zonas de risco mantêm-se. Búzi continua isolada por via terrestre.

Neste momento, decorrem obras de emergência para repor a circulação entre Tica-Nova Sofala. O trânsito será reaberto, nesta quarta-feira, de forma condicionada, ou seja apenas para viaturas ligeiras.

A reabilitação do troço Tica-Búzi está dependente da redução dos níveis das águas.

Em Xai-Xai, 24 horas após a invasão das águas, centenas de pessoas continuam a resistir em abandonar as zonas de alto risco na cidade. Por isso, na manhã desta terça-feira,  a Polícia reforçou acções de retirada compulsiva.

“Em Xai-xai, o nível das águas está a subir. Estamos preocupados com  a segurança da cidade de Xai-Xai”, disse o comandante provincial da PRM em Gaza, acrescentando que algumas pessoas têm-se aproveitado da situação para vandalizar estabelecimentos comerciais. 

Segundo a PRM, além da evacuação dos locais de risco, as autoridades têm evitado que os cidadãos cheguem às zonas comerciais, de forma a evitar actos de vandalização. 

“(…)As pessoas trocam a vida pelos seus bens”, reclamou o comandante provincial da PRM. 

“A SITUAÇÃO DE CHIBUTO ESTÁ CADA VEZ MAIS CRÍTICA”

A Governadora de Gaza avançou que em Chibuto ainda há várias pessoas sitiadas. “Houve resgate via área, mas ainda há aquelas pessoas que negam sair das suas casas, mas o processo continua”, declarou. 

Margarida Mapandzene disse ainda estar preocupada com a sede do posto administrativo de Chaimite, onde as pessoas resgatadas têm sido levadas, pois “cada vez que a água entra, o espaço terrestre fica confinado”. 

“Podemos considerar neste momento que são comunidades sitiadas, primeiro, porque precisam de ajuda com produtos, que já não podem ser entregues por via terrestre só aérea (…) Sem levar muito tempo, temos de tomar uma decisão e retirar essas pessoas, pois é uma zona que não tinha sido mapeada como de risco”, avançou a governadora. 

Os últimos dados, segundo Margarida Mapadzene, mostravam que, pelo menos 30 mil pessoas estavam sitiadas, mas com as zonas que não foram mapeadas como de risco, o número poderá subir consideravelmente.

Um total de 2.343 casos de cólera e 28 óbitos foi registado, em quatro meses, em Moçambique, informam dados do Ministério da Saúde divulgados esta segunda-feira.

De acordo com o último boletim diário da doença, da Direcção Nacional de Saúde Pública, com dados de 3 de Setembro a 15 de Janeiro, do total de 2.279 casos de cólera, 1.079 contabilizados na província de Nampula, com um acumulado de 13 mortos, 885 em Tete, com 13 óbitos, e 379 em Cabo Delgado, com dois mortos.

 No balanço anterior, até 07 de Janeiro, registava-se 1.784 casos e 26 óbitos.

Ainda conforme a mesma fonte, só nas 24 horas anteriores ao fecho do mais recente boletim, registaram-se 64 novos casos da doença e 44 pessoas estavam internadas, mas com a taxa de letalidade a passar de 1,5% na semana anterior para 1,2% neste balanço, contra 0,5% em Dezembro

No surto anterior, com dados da Direção Nacional de Saúde Pública de 17 de Outubro de 2024 a 20 de Julho de 2025, registaram-se 4.420 infectados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos.

Pelo menos 169 pessoas morreram em 2025 em Moçambique devido à cólera, entre cerca de 40 mil casos, avançou em Dezembro último o ministro da Saúde, pedindo às comunidades respeito pelas medidas de higiene individual e colectiva.

Trata-se de oito lâmpadas de aproximação e os respetivos transformadores, equipamentos essenciais para auxiliar os pilotos no alinhamento das aeronaves à pista de aterragem, que foram vandalizados por indivíduos até então desconhecidos, na noite da última quarta-feira, no Aeroporto de Chingodzi, em Tete. O acto de vandalismo comprometeu o sistema de iluminação da pista, obrigando ao cancelamento dos voos noturnos durante três dias consecutivos.

A vandalização de equipamentos de iluminação no Aeroporto de Chingodzi em Tete, obrigou ao cancelamento de voos noturnos durante três dias. Segundo a empresa Aeroportos de Moçambique, os candeeiros já foram repostos e, a partir desta segunda-feira, os voos noturnos poderão retomar.

Sem avançar os custos dos prejuízos, o administrador do pelouro de Infraestruturas da empresa Aeroportos de Moçambique garantiu que a iluminação já foi reposta e que, a partir desta segunda-feira, estão reunidas as condições de segurança para a retoma dos voos noturnos no Aeroporto.

Segundo o administrador, situações do género têm vindo a ocorrer em quase todos os aeroportos do país.

O Presidente da República endereçou uma mensagem de felicitações ao antigo Presidente  Armando Emílio Guebuza por  ocasião da celebração do seu 83º aniversário natalício. 

Na mensagem, o Chefe do Estado expressa votos de muita saúde,  paz, felicidade e bem-estar, reconhecendo o notável percurso de  vida e o inestimável contributo de Armando Guebuza na luta de  libertação nacional, na consolidação da independência, na  construção do Estado moçambicano e no fortalecimento das  instituições democráticas.

“O seu compromisso com os ideais da Pátria, a defesa da soberania  nacional e a dedicação à causa do povo moçambicano marcaram,  de forma indelével, a história do nosso País”, destaca o Presidente  Chapo, sublinhando ainda o sentido de missão, a coragem, a visão  estratégica e o profundo amor à Nação que caracterizaram a  trajectória do antigo Presidente da República.  

O Presidente da República reconhece, igualmente, o papel  determinante desempenhado por Armando Guebuza na promoção  da paz, da estabilidade política, social e da auto-estima, no reforço  da coesão nacional e na dinamização do desenvolvimento  económico, contribuindo para a afirmação de Moçambique no  concerto das nações. 

Segundo a mensagem do Presidente da República, o legado deixado  por Armando Guebuza continua a inspirar as actuais e futuras  gerações de moçambicanos, sobretudo na construção de um País  cada vez mais próspero, inclusivo, unido e comprometido com os  valores da liberdade, da justiça e do progresso.

As autoridades marítimas da Zambézia apreenderam este domingo 600 quilogramas de camarão capturado de forma ilegal durante o período de veda. A captura ocorreu nas águas do distrito de Pebane e a mercadoria seguia numa camioneta em direcção ao seu destino. A apreensão aconteceu no troço Maganja–Malei.

O período de veda do camarão de profundidade e do caranguejo do mangal está em vigor, mas há quem continue a pescar mesmo perante a proibição, que se estende até ao mês de Março. No terreno, as autoridades estão a reforçar o cerco.

Amélia Mabazo, Administradora Marítima da Zambézia, confirmou a apreensão, realçando que foi no âmbito do controlo do decreto ministerial do período da veda.

“Esta mercadoria que foi apreendida é do camarão de profundidade e foi apreendida no troço de Maganja a Malé. Nós estamos neste momento no período de veda e defesa do caranguejo do mangau, portanto, nós estamos a cumprir com aquela opção que é o Diploma Ministerial, do cerco que foi decretado neste período de veda”, confirmou, destacando ainda que “estamos a fazer a nossa fiscalização marítima e apreendemos a fiscalização terrestre”. 

São aproximadamente 600 kilos de camarão que foram apreendidas e, de acordo com Amélia Mabazo esta é uma que há muita procura do produto. 

De acordo com a Administradora Marítima da zambézia, após a apreensão seguem-se os procedimentos legais previstos.

“Este camarão sai de Pebane e depois da apreensão será vendido em hasta pública como é que nos orienta e vamos também sancionar o proprietário do produto, uma vez que estamos ainda no período de veda”, esclareceu. 

Relativamente ao camarão apreendido, Amélia Mabazo esclarece que o mesmo será confiscado e apreendido. “Segue-se os procedimentos legais, portanto, para o processo de venda em hasta pública. O comerciante que trouxe esta mercadoria será penalizado”, frisou, apelando ainda para os pescadores não voltem a cometer os mesmos erros, sob pena das sanções serem agravadas. 

Por enquanto, o período de veda mantém-se, e as autoridades reiteram que quem insistir em violar a lei será tratado com tolerância zero.

Perto de 80 pessoas estão abrigadas em uma casa de culto no bairro de Inhagoia na cidade de Maputo vítimas das inundações urbanas. As mesmas encontram-se sem comida e com sistema de saneamento defeituoso. Por outro lado, milhares de vítimas continuam dentro da água na cidade da Matola e o partido Frelimo abriu a sua escola para acolher as vítimas.

No bairro Ferreira, no município da Matola, os moradores viram a água a entrar devagar em suas residências, a começar pelos quintais e o chão onde as crianças brincavam, para depois tomar as casas e agora vivem numa espécie de prisão domiciliária.

Atália Manhengue vive no mesmo bairro há mais de 15 anos, e relata um cenário jamais visto na história das enxurradas em Maputo. 

“Dormimos mal, comemos mal, não sabemos quando é que a chuva vai cessar. A água só vai sair assim que a chuva cessar”, disse. 

Viaturas ligeiras e pesadas estão bloqueadas pelas águas nas residências, os provedores privados de água faliram nas suas operações, e as crianças experimentam a vida anfíbia enquanto as águas lhes roubam os últimos dias de férias. Os moradores anseiam pelo fim da chuva.

“Não sabemos como a água vai acabar, mas cada um deve tirar, colocar na rua para correr. A vala está entupida, o solo está no nível alto, por isso que estamos com enchentes. Se abrir a vala, não vai encher”, frisou.

Durante o dia as populações procuram abrir caminhos para as águas, para durante a noite rezar que o pior não aconteça. As noites, já não são para o descanso, até porque não há onde dormir. 

No Singathela, o número de habitações abandonadas cresce desde o início da chuva, e se não deixam a casa, as famílias retiram os menores.

As chuvas teimam a cair para um solo saturado que fragiliza os postes de transporte da corrente elétrica. Há postes caídos e inclinados, e os munícipes temem o perigo.

Ainda na Matola, o partido Frelimo abriu as portas da sua Escola Central para acolher vítimas das inundações. Desde a abertura do centro, famílias inteiras chegam ao local aceitando perder tudo para salvar a própria vida.

“Dormimos por cima das mesas e nos imóveis, cada um vê uma forma de dormir”, lamentou Adelaide Julieta.

O partido garante alimentação, assistência médica e condições mínimas de acomodação. No local, as vítimas esperam que desta vez, haja uma solução duradoura.

Já no município de Maputo o drama repete-se. No bairro Inhagoia o número de habitações abandonadas ainda não é estimado. Olinda Zunguze é uma das vítimas que antes de abandonar a casa, viu os seus bens consumidos pela água.

Como Olinda, Zefanias Mario foi uma das vítimas de Inhagoia que foi obrigado a abandonar a habitação. 

Os moradores de Inhagoia que abandonaram as suas residências, parte delas estão abrigadas numa casa de culto. Há neste momento, mais de 80 pessoas entre crianças e adultos abrigadas na igreja desde o início da chuva.

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