O País – A verdade como notícia

O governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, desmentiu a venda de praia em Mossuril e prometeu acesso livre. Abdula assegurou que em nenhum momento o Governo vendeu, alienou ou concedeu a terceiros qualquer praia no distrito de Mossuril, nem em qualquer outra parte do território provincial.

A garantia foi dada pelo governador de Nampula, durante uma conferência de imprensa convocada para esclarecer a opinião pública face a informações falsas que circulam em alguns órgãos de comunicação social, segundo as quais o Governo teria “vendido uma praia” naquele distrito.

O chefe do Executivo provincial de Nampula explicou que o que de facto ocorreu foi o encerramento ilegal de acessos públicos à praia da Carrusca, em Chocas-Mar, por iniciativa de indivíduos particulares.

Assim que o caso chegou ao conhecimento do governo provincial, foram imediatamente emitidas orientações para a reposição da legalidade, tendo sido desencadeados e executados os procedimentos necessários para a reabertura dos acessos à referida praia.

Paralelamente, o Executivo provincial determinou a adopção de uma solução definitiva e estruturada, estando em curso a preparação de intervenções para o melhoramento dos acessos, com vista a garantir, de forma duradoura, o livre acesso da população e dos visitantes.

Eduardo Abdula esclareceu ainda que o caso foi prontamente comunicado à Procuradoria Provincial da República e reafirmou que o Governo de Nampula, em alinhamento com as orientações do Presidente da República, Daniel Chapo, continuará firmemente ao lado das comunidades locais na defesa dos seus direitos e interesses legítimos.

 

Eduardo Abdula visita estradas rompidas pelas chuvas intensas

Numa outra actividade que aconteceu após a conferência de imprensa, o governador de Nampula visitou o desvio sobre o rio Ampuesse, na Estrada Regional n.º 698, principal via de ligação entre os distritos de Monapo e Mogincual, que ficou rompida na segunda-feira, na sequência das chuvas intensas que se fizeram sentir na província, interrompendo a circulação entre os dois pontos.

O desvio sobre o rio Ampuesse constituía uma via alternativa para a transitabilidade de pessoas e bens, que foi construído no ano passado (2025), após a destruição da ponte principal pela tempestade tropical severa “JUDE”.

A reposição da circulação no desvio foi possível graças à rápida intervenção do Conselho Executivo Provincial com apoio de parceiros locais. Esta recente interrupção coloca em causa a normalidade de circulação entre os dois distritos (Monapo e Mogincual), pelo que o governador pediu celeridade ao empreiteiro, tendo este dado um prazo de reposição da transitabilidade até ao dia 17 de Janeiro do ano em curso.

Recorde-se que ainda em 2025 o governador de Nampula, acompanhado pelos chefes das bancadas da Frelimo, PODEMOS e Renamo, avaliou no mesmo local os trabalhos de reposição da via alternativa, que permitiram a retoma do comércio entre Monapo e Namige, no distrito de Mogincual, restabelecendo a normal circulação de pessoas e bens.

O Município de Quelimane enfrenta uma grave crise financeira, há mais de seis meses. A dívida salarial supera os 72 milhões de meticais e afecta mais de 900 funcionários. Segundo o edil Manuel de Araújo, o problema começou quando o Estado central não canalizou cerca de 150 milhões de meticais, valor que estava previsto na planificação anual do município.

A situação tornou-se ainda mais crítica no período festivo. Vereadores, membros da Assembleia Municipal e funcionários em geral passaram o Natal e a transição do ano sem receber os seus ordenados. De acordo com relatos, desde Julho do ano passado nenhum salário foi pago.

Mas afinal, o que está a acontecer? O edil explica que toda a planificação foi comprometida devido a uma promessa, que considera falsa, de que fundos seriam transferidos pelo nível central. Com um peso salarial mensal de cerca de 12 milhões de meticais, o município viu-se obrigado a avançar com exonerações de vereadores e directores para tentar reduzir custos.

Enquanto não houver uma solução definitiva, mais de 900 famílias continuam à espera de respostas e, sobretudo, dos salários em atraso.

Os preços de produtos frescos estão cada vez mais caros na província de Manica. A batata, o tomate e a cebola, por exemplo, tornaram-se inacessíveis para pessoas de baixa renda. Os vendedores justificam que os produtos são importados e por isso estão mais caros. Já o gestor agrónomo, Manuel Queiroz, diz não fazer sentido uma província com terras aráveis continuar a exportar produtos frescos.

O “O País” escalou vários mercados da cidade de Chimoio e constatou que os preços de produtos frescos estão apenas ao nível dos bolsos de pessoas de classe média e alta. A batata-reno saiu dos 350 meticais o saco de 10 quilos para 600. Os vendedores dizem que a batata é importada da África do Sul e a adquirem em Maputo.

“Se a batata está 420, em Maputo, temos que contar com os 85 de transporte, praticamente chega aqui já a 505. Depois temos de pagar os homens que fazem o descarregamento. Por isso, temos de vender a 600 meticais”, justificou um vendedor. 

O tomate, a cebola, a cenoura e o feijão verde estão também entre os produtos que tornaram-se para gente endinheirada. Os preços praticados estão a sufocar os bolsos dos consumidores.

“Tomate está a 2 mil cada caixa. Então, quando compramos para vender não sai e lá onde compramos está muito caro”, reclamam os vendedores. 

Izilda do Rosário foi ao mercado Catanga para comprar batata-reno, mas surpreendeu-se com o preço. E teve que concentrar as suas atenções apenas nos temperos, porque o dinheiro não bastava para a compra de batata. 

Manica é uma província com condições agro-ecológicas para a produção de hortícolas e leguminosas. O que estará a falhar para continuar a depender dos países vizinhos para ter produtos agrícolas básicos. Manuel Queiroz é especialista em Agronomia, com mais de 20 anos de experiência e avança algumas propostas como  planificação e organização da produção e a competitividade do mercado. 

Enquanto estas soluções não são aplicáveis, os preços de produtos frescos em Manica continuam aquém das necessidades de pacatos cidadãos.

O posto administrativo de Quiterajo, no distrito de Macomia, continua parcialmente ocupado pelo grupo armado instalado em Cabo Delgado, há mais de 8 anos. O facto foi confirmado pelo administrador do distrito, que considera a situação de segurança relativamente calma.

Quiterajo foi ocupado pelo grupo armado há  mais de cinco anos e até hoje é o único posto administrativo do distrito de Macomia que continua parcialmente fora do controlo do Estado.

“Estamos ainda com problemas, no posto administrativo de Quiterajo, é o único posto do distrito de Macomia que a população ainda não retornou, tendo em conta que, neste momento, as nossas Forças de Defesa e Segurança estão lá a trabalhar, estão a combater os terroristas, estão a fazer tudo por tudo para desalojar os terroristas, naquele ponto do nosso distrito”, disse Tomás Badai, Administrador de Macomia. 

Devido à insegurança, quase toda a população de Macomia, incluindo funcionários do Estado, está confinada na Vila sede do distrito, que, actualmente, é considerado o único lugar relativamente seguro.

“Todos os chefes dos postos, quatro postos administrativos, os chefes e os respectivos chefes estão cá na vila sede, e alguns chefes da localidade dos postos administrativos estão a trabalhar aqui na via”, explicou o administrador. 

Macomia tem quatro postos administrativos e todos estavam ocupados pelo grupo armado que supostamente destruiu quase todas infra-estruturas do Estado.

Um jovem de 28 anos de idade está detido, indiciado por agredir o seu vizinho até à morte por alegado roubo de dois quilos de açúcar, no bairro Ndambine 2000, em Xai-Xai, província de Gaza.

O acusado nega as acusações e diz que apenas manifestou-se dentro da sua casa. “Eu fiz manifestação e entrei em casa para dormir (…) Nessa manifestação, eu gritei mesmo para saber quem levou as minhas coisas “, disse. 

O indiciado diz ainda que a vítima terá caído, mas que não houve nenhuma agressão. 

A PRM diz que a vítima teve contacto com o acusado na noite interior, e este é um dos elementos que os levaram até o possível culpado. 

“Eles foram discutindo por causa de alguns objectos que deu falta e a vítima esteve na residência do acusado. O indiciado disse que viu a vítima a aleijar-se, mas não se prontificou a prestar socorro”, avançou Júlio Nhamussua, Porta-Voz Polícia em Gaza. 

Nhamussua diz que a Polícia foi notificada no dia seguinte, e a vítima foi a óbito a caminho do hospital devido a gravidade dos ferimentos.

A primeira-ministra diz que o Governo ainda não dispõe de verbas para pagar o décimo terceiro salário aos funcionários  públicos, mas garante que o executivo está a trabalhar para o feito. Maria-Benvida Levi afirma que assim que houver recursos, as autoridades vão anunciar.

“Relativamente ao décimo terceiro salário, nós falamos em tempo oportuno e dissemos que havendo recursos seriam anunciados pelas entidades competentes. Aliás, a lei é clara em relação a isso”, disse a primeira-ministra aos jornalistas quando questionada sobre o pagamento do décimo terceiro salário aos funcionários públicos. 

Benvinda Levi garantiu que assim que o Governo tiver uma solução para o décimo terceiro salário, a informação será tornada pública. “Até neste momento não há décimo terceiro salário”, sublinhou.

Os vendedores do Mercado Grossista do Zimpeto alertam para a escassez de verduras e legumes nos próximos dias, devido às chuvas que caíram na África do Sul nos meses de Novembro e Dezembro, que danificaram as plantações. Por agora, os vendedores dizem que o movimento do comércio está fraco.

Depois das festas, o Mercado Grossista do Zimpeto, na Cidade de Maputo, regista um movimento relativamente baixo. Os vendedores falam de uma época festiva pouco lucrativa.

Não foi como nos anos anteriores. Para o final do ano de 2025, os produtos não tiveram muita procura como nos outros anos, mas este ano temos expectativa de que as coisas vão correr muito bem”, esmeram-se os vendedores ao sétimo dia do ano com movimento de compra relativamente baixo, porém sem deterioração dos produtos.

Os trabalhadores dizem que os preços reduziram significativamente. “Como estamos a sair da quadra festiva, as pessoas ainda não retomaram as suas actividades, então as vendas ainda não são positivas”, disse Victor Adolfo, vendedor de alho naquele mercado. Por outro lado, Horácio Mabunda, que vende cebola, fala de um movimento de venda que caiu desde o início do ano. “O mercado está vazio, e a mercadoria ainda não entrou conforme. Estamos sem produto, por isso não podemos reclamar dos clientes. O produto também não existe”, confessou.

Já os vendedores de legumes e verduras alertam que, devido às chuvas que caíram nos últimos meses na África do Sul, o produto pode escassear nos próximos dias. “Agora não vendemos bem, porque temos muitos produtos que não tínhamos em Dezembro, mas com a chuva que caiu na África do Sul, nos próximos dias não haverá cenoura, repolho e feijão verde”, avisou Alexandre.

No Mercado Grossista do Zimpeto, continuam a chegar batatas, tomate e cebola, provenientes de Chokwe, Boane e África do Sul.

Os Serviços de Saúde da Cidade de Maputo dizem que se sentiram desrespeitados e desprestigiados com a forma como o deputado da Assembleia da República pelo partido PODEMOS, Ivandro Massingue, abordou a direcção do Centro de Saúde de Zimpeto numa visita-relâmpago de fiscalização parlamentar.

Os Serviços de Saúde da Cidade de Maputo convocaram a imprensa nesta quarta-feira para falar dos detalhes da visita-relâmpago de Ivandro Massingue, que teve momentos de tensão entre o representante da AR e a direcção do Centro de Saúde de Zimpeto.

A instituição repudia o comportamento do deputado, que, no seu entender, foi inadequado, sobretudo pelo facto de o mesmo não ter anunciado antes a sua visita àquela unidade sanitária.

“Estamos tristes, porque nos sentimos agredidos, nos sentimos desrespeitados e, sobretudo, desprezados. Nós temos o hospital como local sagrado. É aqui onde as pessoas nascem e é aqui onde as pessoas dão o seu último suspiro. Presenciar uma arruaça daquelas numa unidade sanitária, em nome da fiscalização, não achamos que foi correcto. Os procedimentos também não foram correctos. Clarificar que nós não negamos fiscalizações, não temos nada a esconder. Temos as portas abertas para que isto aconteça. Hoje é no Centro de Saúde de Zimpeto, amanhã pode ser em outro sítio. Nós exigimos apenas que questões destas não se repitam”, explica Paloma Maripila, directora dos Serviços de Saúde da Cidade de Maputo.

Os Serviços de Saúde justificaram a atitude do seu técnico como resultado da pressão a que os profissionais de saúde daquela unidade sanitária alegam estar sujeitos todos os dias.

“Os profissionais de saúde desta unidade sanitária trabalham em condições de extrema pressão. Os nossos colegas observam doentes, têm uma média de 700 doentes por dia. Esta unidade sanitária não atende só pacientes da Cidade de Maputo, atende também pacientes da Província de Maputo. Outros vêm por via de guia de transferência, então é muita pressão. E nós aqui estamos para trabalhar, não mandamos ninguém embora”, afirma.

Acrescenta ainda que “se fizerem uma análise profissional de saúde versus demanda, vão perceber que os profissionais de saúde desta unidade sanitária trabalham sob extrema pressão, e é preciso respeitar isso, porque fazem aquilo que é possível dentro daquilo que é possível”, anota, justificando ainda que, “quando chegam aqui, já temos a nossa pressão de trabalho e somos desrespeitados, quer dizer, até uma pessoa normal acaba saindo daquilo que é o seu normal, e acontecem coisas que possivelmente devem-se evitar”,  justificou.

A directora dos Serviços de Saúde da cidade, Paloma Maripila, manifestou disponibilidade das suas instituições para receber qualquer tipo de fiscalização ou inspecção, desde que se obedeça ao plasmado na legislação.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, afirmou hoje, em Maputo, que Moçambique perdeu  “um grande homem” e “um patriota por excelência” com o  falecimento de Alfredo Maria de São Berard Cepeda Gamito,  destacando o seu papel determinante na edificação do Estado, na  consolidação da democracia e na promoção do diálogo nacional  inclusivo. 

Falando à imprensa, à margem das exéquias de Alfredo Gamito, o  Chefe do Estado sublinhou que o antigo governante assumiu  responsabilidades de elevado relevo desde os primeiros anos da 

independência, tendo servido o país em diferentes funções na  administração pública e no aparelho do Estado. 

“O país perdeu um grande homem. O Doutor Alfredo Gamito é um  patriota por excelência, assumiu as primeiras funções no Estado  moçambicano, ao nível da administração pública, como Secretário  do Estado do Caju, como Vice-Ministro da Agricultura, mas o nível mais  alto que atingiu ao nível do Estado foi, sem margem de dúvidas, como  Ministro da Administração Estatal”, declarou. 

Segundo o Presidente, foi nesse período que Alfredo  Gamito imprimiu uma dinâmica decisiva à função pública, com  especial enfoque nas reformas estruturais do Estado, num momento  crucial da história política e administrativa do país. 

“O país implantou as primeiras autarquias em Moçambique para que  houvesse, portanto, as primeiras eleições autárquicas de 1998 ao nível  do país e, com o seu conhecimento reconhecido ao nível da região,  também participou na implantação do sistema de descentralização  em Angola”, recordou. 

O Chefe do Estado destacou ainda o contributo de Alfredo Gamito  enquanto deputado da Assembleia da República, considerando-o  “um dos melhores deputados que este país teve”, pela bancada da  FRELIMO, com um papel relevante na liderança de várias comissões  parlamentares. 

“Foi o adjunto da comissão para a elaboração da primeira Lei Eleitoral  e, com os seus conhecimentos, foi contribuindo bastante para a  consolidação da democracia em Moçambique”, acrescentou.

Para o Presidente da República, a presença do Estado nas exéquias  representa um reconhecimento público do valor humano, político e  institucional de Alfredo Gamito, cujo percurso se pautou pela  integridade, responsabilidade e competência no exercício de funções  atribuídas por sucessivos Chefes de Estado. 

“Por isso, perdemos aqui um grande quadro, um grande patriota e  achamos que era extremamente importante marcar a nossa presença  e homenagear, em nome do povo moçambicano, este grande  homem”, afirmou, sublinhando que a sua acção se estendeu desde o  mandato do primeiro Presidente de Moçambique independente,  Samora Moisés Machel, até à sua reforma por limite de idade. 

O estadista moçambicano enfatizou que, apesar da perda  irreparável, o mais relevante para as gerações mais jovens é a  preservação do legado deixado por Alfredo Gamito, sobretudo no  que respeita à promoção do diálogo, das reformas do Estado, do  multipartidarismo, do respeito pelos direitos humanos e da  consolidação do Estado de Direito Democrático. 

“E ele foi uma das pessoas que sempre defenderam o diálogo e,  sendo uma pessoa que defendeu o diálogo, a melhor forma de  homenagearmos o Doutor Alfredo Gamito é continuarmos com o  diálogo nacional inclusivo, com a participação de todos os  moçambicanos”, concluiu o Presidente da República, reafirmando  que este caminho visa, em última instância, a melhoria das condições  de vida do povo moçambicano.

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