O País – A verdade como notícia

Os níveis hidrométricos do Rio Licungo estão acima do nível de alerta máximo na cidade de Mocuba, na Zambézia, que é de seis metros. Nesta quinta-feira, os níveis tendiam a baixar, mas ainda há uma preocupação com o baixo Licungo Nante, no distrito da Maganja da Costa, onde, devido às inundações, já se regista evacuação de pessoas. 

“Nos últimos dias, segundo as previsões do INAM, que indicavam chuvas em toda a Bacia Hidrográfica do Licungo, começamos a registar precipitação em quase toda a bacia, o que culminou com o aumento do nível hidrométrico aqui no rio Licungo, tendo atingido o alerta no dia 17”, explicou  António Cipriano, Director da ARA-Norte em Mocuba.  

Cipriano explicou ainda que o rio Licungo já ultrapassou ontem os níveis de alerta, mas, nesta quinta-feira, voltou a baixar. “Como impacto desta subida, já temos inundações no Baixo Licungo em Nante e já há aldeias inundadas e pessoas nos centros de acomodação”. 

A Ara norte em Mocuba faz o alerta às populações ribeirinhas para estarem atentas em relação a subida do caudal, por forma a evitar infortúnios.

Os cidadãos de Moçambique e outros 11 países terão de pagar uma caução de até 15 mil dólares para terem visto de entrada nos Estados Unidos, a partir de 2 de Abril, anunciou esta quarta-feira o Departamento de Estado.

 Segundo a  notícia publicada pelo Observador, o Governo dos EUA estima que expulsar um migrante custa em média mais de 18 mil dólares, pelo que defendem que o sistema de cauções permitirá poupar até 800 milhões de dólares por ano aos contribuintes.

A medida aplica-se aos titulares de passaportes do Camboja, Etiópia, Geórgia, Granada, Lesotho, Maurícia, Mongólia, Moçambique, Nicarágua, Papua-Nova Guiné, Seicheles e Tunísia que terão de pagar a caução, que é reembolsada se o pedido de visto for recusado ou, caso seja concedido, se a pessoa cumprir os termos do visto.

De acordo com uma nota publicada no site do Departamento de Estado norte-americano, citado pela imprensa internacional, a partir de 2 de Abril, estes países são adicionados a uma lista, que já conta 50 países, cujos cidadãos estão sujeitos a esta exigência.

Esta obrigatoriedade começou a ser introduzida pelo governo do Presidente Donald Trump no ano passado, no âmbito de uma repressão à permanência ilegal após o vencimento do visto e de medidas mais amplas para reduzir a imigração ilegal.

Ao abrigo do programa, os requerentes de visto de países designados, muitos dos quais em África, que apresentam elevadas taxas de permanência ilegal, têm de prestar cauções de 5 000, 10 000 ou 15 000 dólares, dependendo das suas circunstâncias e do critério do funcionário consular responsável pelo processamento do pedido.

“O programa de cauções para vistos já se revelou eficaz na redução drástica do número de titulares de vistos que excedem o prazo de permanência e permanecem ilegalmente nos Estados Unidos”, argumenta o governo norte-americano na nota, acrescentando que quase 97% das cerca de mil pessoas que pagaram a caução não excederam o prazo de permanência do seu visto.

O Departamento de Estado estima que expulsar um migrante do país custa, em média, mais de 18 mil dólares (15,6 mil euros), pelo que considera que este sistema permitirá aos contribuintes norte-americanos poupar até 800 milhões de dólares, quase 700 milhões de euros, por ano.

Com a inclusão destes doze países, são já 50 os que estão sujeitos a este requisito, entre eles os africanos Argélia, Angola, Benim, Botsuana, Burundi, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gabão, Gâmbia, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Maláui, Mauritânia, Namíbia, Nigéria, São Tomé e Príncipe, Senegal, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.

O projecto “I Love Maputo” será oficialmente lançado nesta sexta-feira, dia 20 de Março, num momento que assinala uma nova etapa na forma como a cidade se posiciona.

A proposta assenta num princípio que tem vindo a ganhar relevância nas dinâmicas urbanas globais, a percepção influencia a realidade económica.

Maputo reúne hoje vários os elementos que caracterizam centros urbanos emergentes, uma posição estratégica, um ecossistema financeiro em crescimento, uma cena cultural activa e uma população jovem e empreendedora.

A cerimónia terá lugar numa das estâncias hoteleiras da cidade de Maputo e reunirá representantes do sector público, sector privado, parceiros institucionais e comunidade diplomática, reflectindo o seu carácter transversal.

O lançamento assinala o início de um processo estruturado de valorização e projecção da cidade, alinhando diferentes sectores na construção da sua presença a nível nacional e internacional.

A iniciativa resulta de uma parceria entre o Conselho Municipal de Maputo e a MediaCraft Mozambique, com o objectivo de reforçar a visibilidade, a coerência e a atractividade da cidade.

“I Love Maputo” estabelece uma abordagem contínua, assente em conteúdos, experiências e plataformas que contribuem para consolidar a posição de capital do país como um centro urbano relevante na região.

O Ministério da Educação e Cultura condena a venda ilegal de livros escolares de distribuição gratuita, prática que tem sido registada em alguns pontos da cidade de Maputo. A instituição alerta que os envolvidos poderão ser alvo de sanções disciplinares e criminais.

Segundo o porta-voz da instituição, Silvestre Dava, o fenómeno constitui uma irregularidade grave, tendo em conta que os manuais são fornecidos gratuitamente no âmbito do ensino primário.

“Chegou-nos ao conhecimento a circulação de livros de distribuição gratuita à venda, o que configura uma irregularidade grave. O ensino básico em Moçambique é gratuito e isso inclui a distribuição de livros da primeira à sexta classe”, afirmou.

O responsável explicou que todos os manuais distribuídos gratuitamente possuem um selo identificativo que proíbe a sua comercialização, o que facilita a identificação de práticas ilegais.

“Todos os livros que ostentam a etiqueta ‘venda proibida e distribuição gratuita’ não devem ser vendidos. Este é um sinal claro que permite a qualquer cidadão denunciar situações de venda indevida”, referiu.

Perante a situação, o Ministério diz estar a reforçar a fiscalização, com equipas no terreno, sobretudo nas zonas da baixa da cidade e de Xipamanine, com vista a identificar os envolvidos e as possíveis falhas no sistema de distribuição.

“Estamos a trabalhar para identificar os presumíveis infractores, mas também as possíveis fissuras que permitiram a retirada destes manuais para o mercado”, explicou.

O porta-voz esclareceu ainda que existem versões dos mesmos livros destinadas à venda, produzidas em articulação com editoras, e que não possuem o selo de gratuitidade, sendo comercializadas legalmente em livrarias e papelarias.

Além disso, o Ministério apela à colaboração da população na denúncia de casos suspeitos e garante estar a trabalhar em coordenação com a Inspecção Nacional das Actividades Económicas e as autoridades policiais.

“Qualquer indivíduo encontrado a vender estes materiais poderá responder criminalmente. E, caso se confirme o envolvimento de funcionários do sector, estes poderão ser alvo de processos disciplinares, sem prejuízo da responsabilização criminal”, concluiu.

A Assembleia da República aprovou, nesta quarta-feira, dia 18 de Março, na generalidade, por consenso e aclamação, o Pacote Legislativo da Comunicação Social, designadamente os Projectos de Lei de Comunicação Social, da Radiodifusão e do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS).

O Projecto de Lei da Comunicação Social visa estabelecer o novo regime jurídico  aplicável ao exercício da liberdade de imprensa e de radiodifusão, procedendo à revogação da Lei nº 18/91 (Lei de Imprensa) e integrando, pela primeira vez, um regime específico para a radiodifusão, com o objectivo de adequar o quadro normativo às transformações tecnológicas e digitais ocorridas nas últimas três décadas.

O artigo 4 do Projecto de Lei explica que são objectivos da Comunicação Social, entre outros, consolidar a unidade nacional e a defesa dos interesses nacionais;  reforçar os valores e a identidade nacionais; promover a democracia e a justiça social; contribuir para o reforço fortalecimento do Estado de Direito Democrático.

Segundo o documento, constituem órgãos de Comunicação Social a imprensa escrita, designadamente os que editam ou publicam jornais,  revistas e demais publicações periódicas;  as estações ou emissoras de radiodifusão;  as agências noticiosas; e as publicações de carácter informativo e jornalístico que difundam exclusivamente através da internet.

A Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade (1ª Comissão) conclui que o Projecto de Lei da Comunicação Social  não enferma de qualquer vício de inconstitucionalidade ou ilegalidade, revelando-se, pois, constitucionalmente válido e socialmente oportuno.

No seu Parecer atinente ao documento, a 1ª Comissão considera que o Projecto de Lei da Comunicação Social constitui um avanço significativo no ordenamento jurídico moçambicano, acrescentando que, no plano formal, a iniciativa respeita a competência da Assembleia da República, nos termos da alínea c) do artigo 182 da Constituição.

ʺNo plano material, o Projecto de Lei revela-se conforme a Constituição, designadamente o artigo 48 (Liberdade de expressão e informação), procurando condensar o equilíbrio entre o exercício da liberdade de expressão jornalística e a protecção da dignidade humana, da honra e do bom nomeʺ, explica este grupo de especialidade.

Ainda no seu parecer sobre a matéria, a Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade reconhece que a iniciativa responde à exigência de modernização de um diploma com mais de 30 anos, colmatando lacunas relativas às plataformas digitais e a internet, alinhado com as dinâmicas da era digital.

Por seu turno, o Projecto de Lei do Conselho Superior de Comunicação Social (CSCS) define este como sendo um órgão de disciplina e de consulta, incumbido de assegurar a independência dos meios de comunicação social e o exercício dos direitos à informação e à liberdade de imprensa, bem como dos direitos de antena e de resposta.

O presente Projecto de Lei confere ao CSCS as funções de supervisão e de sancionamento, com vista a promover e garantir a liberdade, objectividade, isenção, disciplina e responsabilidade no exercício do direito à informação e à liberdade de imprensa, dos direitos de antena e de resposta, bem como da actividade de comunicação social, em conformidade com a Constituição da República e demais leis legislação aplicável.

Do ponto de vista do enquadramento legal, a Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade considera que a iniciativa legislativa é oportuna, actual e pertinente, porquanto visa reforçar as atribuições e função do CSCS, assegurando o exercício cabal do papel do órgão de disciplina, supervisão e sancionamento.

No seu Parecer sobre o documento, este grupo de especialidade entende que o CSCS integra a categoria de órgãos centrais independentes da Administração Pública, nos termos dos artigos 48 e 50, da Lei n.0 7/2012, de 8 de Fevereiro, que estabelece as Bases da Organização e Funcionamento da Administração Pública. 

A Comissão considera que o Projecto de Lei que redefine a organização, composição, funcionamento, atribuições e competências do CSCS não enferma de qualquer vício de inconstitucionalidade ou ilegalidade. ʺO Projecto de Lei ora analisado visa densificar o regime jurídico aplicável ao Conselho Superior da Comunicação Social, definindo a sua organização, composição, funcionamento e competências, em conformidade com o quadro constitucional e legal vigenteʺ, lê-se no parecer daquela Comissão.

Já o Projecto de Lei da Radiodifusão visa colmatar as lacunas normativas que persistem no âmbito da implementação do Decreto nº 9/93, de 22 de Junho, que regula a participação dos sectores cooperativo, misto e privado na rádio e na televisão, não abrangendo adequadamente o sector público da radiodifusão. 

A título exemplificativo, o documento esclarece que as entidades licenciadas ou autorizadas para o exercício da actividade de radiodifusão devem, quando aplicável, solicitar à entidade responsável pela gestão do espectro radioelétrico a realização do teste de emissão, com o objectivo de aferir a qualidade do sinal, no prazo máximo de trinta dias a contar do início das emissões.

Um episódio trágico abalou o bairro 2, no distrito de Chongoene, em Gaza, onde uma mãe e suas duas filhas foram encontradas mortas em circunstâncias ainda desconhecidas. Familiares e vizinhos suspeitam de violação seguida de envenenamento.

É mais um caso de suposto assassinado por envenenamento que acontece na província de Gaza, concretamente no distrito de Chongoene.

De acordo com testemunhas, uma jovem de 38 anos e suas filhas, de 7 e 16 anos, foram encontradas sem vida no interior da residência da família. Isabel Langa, vizinha, descreveu o cenário:

“Quando nós entrámos para arranjar os corpos, estavam desorganizados. A mãe e a criança pequena estavam a sair espuma pela boca e pelo nariz. Por isso acreditamos que isto aqui foi veneno”, contou.

Outra residente, Terana Vasco, explicou que a família tinha-se mudado recentemente para a casa.

“O que vimos lá dentro estava desorganizado, tipo a panela de feijão que haviam feito no sábado estava despejada, o fogão no chão. A mãe estava na cama e a menina de sete anos estava no chão, já morta com a mãe. Queremos justiça, não podemos deixar assim”, disse.

O marido da vítima suspeita de uma acção criminosa que envolveu invasão, violação e envenenamento.

“A minha família foi assassinada. Eu desconfio que alguém as violou e, de seguida, lançou um spray. São pessoas movidas por maldade”, declarou.

O secretário do bairro 2, Américo Zunguene, afirmou que o caso deixou a comunidade em choque e medo, apelando a respostas urgentes das autoridades, no caso concreto o Serviço Nacional de Investigação Criminal, SERNIC.

“O Sernic e a saúde passaram daqui. O assunto está sendo investigado pela polícia. É a primeira vez que isto acontece. Estamos muito preocupados, sem saber o que aconteceu”, disse.

Uma das vítimas chegou a ser socorrida e levada ao hospital provincial de Xai-Xai, mas veio a falecer duas horas após a entrada. O hospital promete pronunciar-se sobre o caso esta quinta-feira.

Este episódio deixa a comunidade de Chongoene em alerta e reforça a necessidade de uma investigação rápida e rigorosa para esclarecer as causas da tragédia.

Bayport Financial Services Moçambique (Mcb) S.A., o principal microbanco do país e com a quinta maior carteira de crédito, conquistou o prestigiado prémio Global Banking & Markets (GBM) Africa 2026 Local Currency Bond of the Year – Financial Institutions.

O anúncio foi feito numa cerimónia de gala realizada na cidade do Cabo, na África do Sul, no dia 16 do corrente mês, que reuniu figuras de destaque dos mercados de capitais de África e de outras regiões.

O Global Banking & Markets Africa 2026 Local Currency Bond of the Year – Financial Institutions é um prémio internacional do sector financeiro atribuído pela organização Global Banking & Markets, que distingue as melhores operações de financiamento, bancos e instituições que se destacam nos mercados de capitais em África.

Falando aos jornalistas na Cidade do Cabo, onde participava na conferência da GBM Bonds, Loans and ESG 2026, o administrador-delegado da Bayport Moçambique, Bene Machatine, disse que o prémio representa um marco importante na trajectória da empresa, sobretudo por operar num mercado onde o mercado de capitais ainda não está desenvolvido.

“Trata-se de um reconhecimento de âmbito continental, que nos destaca positivamente, tendo em conta que existem mercados de capitais em África mais desenvolvidos do que o de Moçambique. Portanto, este prémio valoriza, não só a Bayport, mas também o país, cujo nome foi projectado na cerimónia”, disse.

Este é o segundo prémio que a Bayport Moçambique recebe ao longo dos dez anos de emissões obrigacionistas e reflecte, segundo Bene Machatine, “o nosso contributo para o mercado de capitais em Moçambique, materializado na realização de mais de 20 séries de emissões, com um valor total superior a 7 mil milhões de meticais”.

Por isso, segundo disse, “gostaríamos de reconhecer o apoio do Standard Bank, do Absa e da CGA nesta emissão, bem como dos investidores que continuam a apoiar e a confiar no Bayport como destino para os seus investimentos”.

Ranganai Mubaiwa, administrador financeiro do microbanco, acrescentou dizendo: “Quando as pessoas ouvem falar do Bayport, ocorre-lhes um dos pioneiros na concessão de crédito a funcionários públicos, numa altura em que nenhum grande banco tencionava fazê-lo, por considerar que estes apresentavam demasiado risco no início. Muitos dos nossos clientes reflectem sobre a casa que conseguiram construir, o negócio que iniciaram, os filhos que entraram no ensino superior e os tratamentos médicos vitais realizados dentro e fora do país, tudo graças à confiança que a Bayport depositou neles”.

Para Mubaiwa, a Bayport é isso e muito mais. “Damos oportunidade a indivíduos comuns de investir e obter rendimentos através dos seus fundos de pensões. Temos vindo a emitir obrigações desde 2016, criando, sempre, um mercado para fundos de pensões, seguradoras, indivíduos, bancos, entre outros, para obterem bons retornos e ampliarem os seus activos”, disse.

Ranganai Mubaiwa também teve a oportunidade de partilhar a sua visão sobre como desbloquear os mercados de moeda local em África, através do fortalecimento da profundidade, da liquidez e da confiança, na conferência realizada no segundo dia do evento, no International Convention Centre na Cidade de Cabo.

Destacou que, como emitente, a organização considerava o custo de financiamento, a disponibilidade de liquidez, o prazo da operação e a disponibilidade de moeda estrangeira como factores-chave na avaliação da emissão de obrigações e obtenção de empréstimos em moeda estrangeira ou moeda local. Acrescentou que esperava que o financiamento em moeda local continuasse a crescer no continente.

A transacção vencedora corresponde a uma emissão obrigacionista de 600 milhões de meticais, em duas tranches (taxa fixa e variável), realizada em Outubro de 2025, organizada pelo Absa e pelo Standard Bank, com assessoria jurídica da Couto, Graça & Associados – CGA.

A Bayport opera em todo o País, oferecendo empréstimos acessíveis a funcionários públicos por períodos de até sete anos. A organização iniciou actividades em 2012. É uma das sete operações no continente, sob controlo maioritário da Bayport Management Limited, uma empresa cotada nas Maurícias.

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu, nesta quarta-feira, em Bruxelas, a aposta estratégica na transformação digital como motor de desenvolvimento económico, sublinhando que Moçambique quer posicionar-se como destino competitivo para investimento tecnológico, durante a abertura do evento European Union-Mozambique Digital Open Day.

Falando na cerimónia, o Chefe do Estado sublinhou a mudança de paradigma no desenvolvimento global, referindo que, durante décadas, o desenvolvimento das nações foi medido pela sua capacidade de construir infra-estruturas físicas, mas que, actualmente, “uma nova geração de infra-estruturas está a redefinir o progresso dos países no mundo: a conectividade digital, dados, plataformas tecnológicas e, acima de tudo, inteligência artificial”.

O estadista destacou o impacto transformador da inteligência artificial, afirmando que “está a transformar profundamente a forma como produzimos, empreendemos, governamos e competimos”, acrescentando que representa “o nascimento de uma nova força de trabalho, altamente qualificada, digital e globalmente competitiva”.

Para Moçambique, esta evolução constitui uma oportunidade estratégica, tendo o Presidente da República afirmado que, para países como Moçambique, em África, esta transformação não é apenas um desafio, mas uma oportunidade histórica para acelerar o desenvolvimento, diversificar a economia e criar novas oportunidades para a juventude.

O Chefe do Estado indicou que o País já deu passos concretos para integrar esta agenda, destacando a realização recente da Primeira Conferência Nacional sobre Transformação Digital e a criação, em 2025, do Ministério das Comunicações e Transformação Digital.

“A transformação digital não é apenas tecnologia, é uma agenda nacional de modernização do Estado moçambicano, de competitividade económica e de expansão de oportunidades para todos os cidadãos em Moçambique”, declarou.

Entre as iniciativas em curso, o Presidente Chapo apontou o Portal do Cidadão, a Plataforma de Interoperabilidade do Governo, a expansão da conectividade nacional, o Sistema de Certificação Digital e a iniciativa Paper Zero (que visa eliminar ou reduzir ao mínimo o uso do papel nos serviços públicos), sublinhando também a importância da segurança cibernética, da protecção de dados e da privacidade como pilares da confiança digital.

No plano internacional, o Chefe do Governo moçambicano enfatizou o papel das parcerias, afirmando que “nenhum país percorre sozinho o caminho da transformação digital” e valorizando a cooperação com a União Europeia, materializada na Declaração de Intenções sobre o Pacote Económico Digital, centrada na conectividade universal, governação digital e desenvolvimento de competências.

O estadista saudou ainda o apoio europeu à mobilização de financiamento e ao reforço das capacidades institucionais, bem como o anúncio de investimentos em conectividade rural e na expansão da rede electrónica do Governo, medidas que, segundo afirmou, irão aproximar os cidadãos dos serviços públicos. 

Na conclusão, o Presidente da República defendeu que o Digital Open Day deve servir como plataforma de mobilização de investimento e de criação de parcerias, manifestando expectativa de que o encontro contribua para preparar o Fórum Empresarial Global Gateway Moçambique-União Europeia, a realizar-se em Maputo em Junho, reiterando que Moçambique quer afirmar-se como parte activa de uma economia global “aberta, inovadora e competitiva”.

O European Union-Mozambique Digital Open Day promoveu Moçambique como destino de investimento digital, destacando oportunidades nos domínios da transformação digital, das infra-estruturas tecnológicas, dos centros de dados e da digitalização da economia e da logística, ao mesmo tempo que fomentou o estabelecimento de parcerias entre empresas europeias e moçambicanas.

As obras da segunda fase de construção, reabilitação e ampliação de valas de drenagem na cidade da Beira, província de Sofala, estão na fase conclusiva e deverão terminar em Junho próximo.

O projecto prevê, entre outros componentes, a construção de uma segunda bacia de retenção e vai beneficiar directamente sete bairros afectados por inundações cíclicas.

Com a implementação da referida infra-estrutura, cenários recorrentes de cheias poderão deixar de fazer parte do quotidiano de várias zonas da cidade. A empreitada, já na sua segunda fase, contempla a melhoria significativa do sistema de escoamento de águas pluviais.

De acordo com o fiscal da obra, Carlos Simões, o impacto do projecto será expressivo, sobretudo na capacidade de retenção e drenagem.

“Quando todo o sistema estiver a funcionar, tanto a primeira fase, com as comportas das Palmeiras, que são cinco, como esta segunda fase, com dez comportas da bacia do Estoril, teremos um aumento significativo do escoamento das águas pluviais. A capacidade de armazenagem quadruplicou, atingindo agora cerca de quatro milhões de metros cúbicos”, explicou.

Segundo a fonte, as obras estão executadas em cerca de 92% e já permitiram a intervenção em aproximadamente 12 quilómetros de valas de drenagem. O projecto culminará com a construção da segunda bacia de retenção na zona de Muave.

Carlos Simões assegurou ainda que a infraestrutura poderá reduzir drasticamente o risco de inundações. “Toda a zona abrangida pelo projecto garante, quase na totalidade, a não ocorrência de cheias. Há retenção suficiente para evitar que as águas invadam casas e propriedades”, afirmou.

Inicialmente previstas para Dezembro do ano passado, as obras sofreram um adiamento para Junho deste ano, devido a atrasos no processo de reassentamento e compensação de mais de 200 famílias residentes nas áreas abrangidas.

Durante uma visita às obras, o Secretário de Estado da província de Sofala, Manuel Rodrigues, apelou à busca de soluções dignas para as famílias reassentadas.

“Vamos arranjar soluções para a cidade da Beira e para os munícipes. A solução passa por garantir uma casa condigna, num local onde as pessoas sintam que valeu a pena ceder o espaço para este projecto estratégico”, destacou.

O governante defendeu ainda a necessidade de se assegurar a construção de infra-estruturas básicas sólidas nas zonas de reassentamento, de forma a evitar conflitos sociais e garantir melhores condições de vida às populações afectadas.

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