O País – A verdade como notícia

A modelo moçambicana Ana Gizela morreu na Cidade de Maputo, num caso que está a gerar controvérsia e suspeitas de falhas na assistência médica entre uma unidade privada e o Hospital Central de Maputo.

De acordo com relatos, a modelo sentiu-se mal e foi inicialmente levada à Clínica 222, onde alegadamente não recebeu atendimento, sendo posteriormente encaminhada ao Hospital Central de Maputo (HCM), onde terá dado entrada já sem vida.

Uma amiga da vítima, identificada como Cindy, relatou os últimos momentos antes da morte. “Encontrei a Ana Gizela estendida no chão e levei ela para o hospital. Fomos à Clínica 222. Não aceitaram receber. Disseram para irmos ao Hospital Central de Maputo e, quando chegámos lá, não aceitaram receber. Ela morreu no meu carro”, contou.

A nossa equipa de reportagem tentou obter esclarecimentos junto da Clínica 222 sobre as alegações de negligência, mas sem sucesso, uma vez que a direcção da unidade se recusou a prestar declarações.

Por sua vez, o Hospital Central de Maputo afirma que a paciente já chegou sem sinais vitais.

“Nós não recebemos um doente grave. Podia merecer alguma ressuscitação ou uma outra assistência clínica, mas não recebemos um óbito. Segundo o nosso protocolo, aqui, no Serviço de Urgência, nós, quando recebemos uma morte fora do hospital, nós reconhecemos o óbito, preenchemos um formulário com os dados sociodemográficos e encaminhamos à morgue do município”, explicou o director do Serviço de Urgência do HCM, Dino Lopes.

Ainda assim, o responsável do HCM aponta para a possibilidade de falhas no atendimento inicial que poderiam ter evitado a morte.

“Era imperioso que os profissionais de saúde reconhecessem sinais de gravidade”, afirmou, avançando hipóteses como hipoglicemia ou dificuldades respiratórias que, segundo disse, poderiam ter sido revertidas com intervenção imediata.

“A hipoglicemia mata de imediato se não for corrigida. Poderia beneficiar de oxigenação e ser transferida com segurança”, acrescentou.

 

Transporte inadequado pode ter agravado situação

Outro ponto crítico levantado pelo hospital diz respeito ao transporte da paciente, que terá sido feito em viatura particular, em vez de ambulância.

“Se ela ainda tinha sinais de vida na clínica e o colega reconheceu que estava em uma situação grave, não poderia dar esta missão à família para transportar o paciente”, frisou Dino Lopes.

O responsável sublinha ainda que, em casos de paragem cardiorrespiratória, a intervenção deve ser imediata. “O tempo entre a paragem cardiorrespiratória e a morte é muito curto. Por isso, nós como profissionais de saúde, quando reconhecemos uma paragem cardiorrespiratória, temos que actuar de imediato, não mais do que 10 segundos. Então, verifica, da clínica 222 para o hospital central, são minutos”, explicou.

Família em silêncio

A família de Ana Gizela não quis pronunciar-se sobre o caso, optando por resguardar-se neste momento de luto.

O velório e funeral da modelo estão marcados para sábado, na cidade de Maputo.

O caso levanta preocupações sobre a prontidão e coordenação dos serviços de emergência médica no país, devendo motivar investigações para o esclarecimento das circunstâncias da morte.

Pelo menos 190 mil pessoas poderão ser beneficiadas, na cidade de Maputo, com a construção de drenagens, para o escoamento das águas pluviais. O ministro das Obras Públicas lançou, esta quinta-feira, as obras de construção que terão duração de três anos.   

Não é novidade que vários bairros da cidade de Maputo ressentem-se do problema de inundações urbanas, em parte, devido ao difícil escoamento das águas pluviais. 

Não poucas vezes, as vítimas exigiram soluções para o problema, que tem causado danos humanos e materiais avultados. 

O edil, Rasaque Manhique, explica que o nível de cobertura de drenagens é de apenas 25 por cento, nas zonas periurbanas, o que agrava a situação das águas estagnadas. 

“Uma parte considerável da nossa população  continua exposta aos efeitos das chuvas. E sabemos bem o que isso representa. Para muitos dos nossos munícipes, além de um fenômeno natural, a chuva é um sinônimo de sofrimento.São casas inundadas, são ruas intransitáveis,famílias afectadas e oportunidades perdidas. Durante anos, assistimos a ciclos repetidos de destruição. E os nossos munícipes sempre perguntam, perguntando com toda e com toda razão. Quando teremos soluções duradouras?”.

Como forma de responder a esta preocupação, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos lançou, esta quinta-feira, as obras de construção de uma rede de 14 quilómetros de drenagem, que vai beneficiar os bairros Maxaquene “B”, “C” e “D” e Polana Caniço  “A” e “B”. 

“Num contexto em que os efeitos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais visíveis e severos, investir em drenagem urbana deixou de ser apenas uma opção de engenharia. Passou a ser uma decisão estratégica de protecção das pessoas, de defesa da cidade e de promoção da saúde pública. É precisamente isso que este Projecto representa: uma resposta concreta, robusta e orientada para o futuro”, explicou Fernando Rafael, que esclareceu que com este projecto, espera-se que pelo menos 190 mil pessoas deixem de sofrer devido ao fraco escoamento das águas.

“O Projecto que hoje iniciamos vai além da construção de valas de drenagem, integrando igualmente o melhoramento de estradas pavimentadas e acções de reordenamento territorial, o que reforça o seu impacto directo na vida das comunidades. Estes investimentos terão impacto directo na vida de milhares de cidadãos que diariamente se deslocam pela cidade em busca de sustento, serviços e melhores oportunidades. Ao reduzir os alagamentos, os riscos sanitários e os constrangimentos de circulação, o projecto vai melhorar as condições de vida das pessoas, com mais segurança, dignidade e produtividade”.

À população dos bairros abrangidos pelo projecto, Rafael apelou  à colaboração com as equipas no terreno, evitando actos de vandalização, obstrução ou agitação perante eventuais preocupações. Importa reafirmar que existem equipas criadas e mecanismos claros de comunicação e encaminhamento para responder, com responsabilidade e diálogo, às inquietações que possam surgir.

“Esta obra é para o bem da própria população e o seu sucesso dependerá não apenas da capacidade técnica de quem a executa, mas também do civismo, da organização e do espírito de cooperação de todos. Esperamos, por isso, do consultor e do empreiteiro, elevado profissionalismo, rigor técnico, dedicação e qualidade, de modo a garantir infra-estruturas resilientes, sustentáveis e capazes de responder aos desafios actuais e futuros, em particular aos associados às chuvas intensas e outros eventos extremos”.

Por sua vez, o edil Rasque Manhique explicou que “este projeto será implementado com rigorosas salvaguardas ambientais e sociais, assegurando a proteção do meio ambiente, o respeito pelas comunidades e a sustentabilidade das intervenções. Outrossim, estamos a assegurar a integração de mão de obra local, criando emprego, dinamizando a economia e promovendo a inclusão social.”

As obras estão avaliadas em mais de 63 milhões de euros,equivalentes a mais de 72 milhões de meticais, financiados pela Itália.

O projecto inclui a pavimentação de nove quilômetros de estrada.

A vila sede do distrito de Machanga, na província de Sofala,  está alagada desde a tarde de ontem, na sequência do transbordo da bacia do rio Save, cujo nível de águas está a cerca de um metro e meio do nível de alerta, que é de 5,50 metros.

Um centro de saúde, com doentes internados, foi transferido, 14 escolas foram encerradas, 7700 alunos estão sem aulas e perto de 100 famílias estão no centro de acomodação. 

A situação vai piorar nas próximas horas, pois o caudal do Save continuará  a subir. 

Uma das ruas de Machanga, habitualmente usada para a circulação de viaturas, hoje, é usada para a circulação de barcos a motor, sob responsabilidade do Governo, lideradas pelo  INGD, que procuram movimentar os residentes da vila para locais seguros.

Outros moradores estão a recorrer a embarcações rurais, normalmente usadas pelos pescadores artesanais, para chegarem as zonas mais altas.

Há ainda residentes que não ficaram à espera de embarcações, arriscam a vida usando os seus pés para chegar aos locais seguros, levando consigo os pertences essenciais. 

Nos pontos mais baixos da vila sede de Machanga, o nível das águas já ultrapassou um metro de altura, obrigando os moradores a saírem para outros pontos em busca de abrigo.

Várias equipas do INGD estão distribuídas pela vila sede, com objectivo de identificar famílias que necessitam de apoio para serem movimentadas para zonas seguras.

Esta não é a primeira vez que Machanga é inundado, na verdade, este fenómeno vem acontecendo com maior frequência desde 2019. As infra-estruturas públicas, como administração e hospitais, foram igualmente inundadas.  Aliás, os doentes que estão internados tiveram de ser retirados. 

Já foi criado um centro de acomodação, onde, neste momento, estão cerca de 100 famílias que voluntariamente abandonaram as suas residências. 

Esta situação pode piorar pois a previsão indica que o caudal do Save continuará  a subir nas próximas horas. O nível de alerta  do save é de 5,50. As sete horas desta quinta-feira,  o nível era de 6,70, e as 10 já media   6,85 cinco  metros.    

Equipas multissectoriais estão permanentemente a monitorar o nível das águas e a mobilizar os residentes para se dirigirem para locais seguros, e em caso de resistência serão compulsivamente retirados dos locais de risco.  

Os níveis hidrométricos do Rio Licungo estão acima do nível de alerta máximo na cidade de Mocuba, na Zambézia, que é de seis metros. Nesta quinta-feira, os níveis tendiam a baixar, mas ainda há uma preocupação com o baixo Licungo Nante, no distrito da Maganja da Costa, onde, devido às inundações, já se regista evacuação de pessoas. 

“Nos últimos dias, segundo as previsões do INAM, que indicavam chuvas em toda a Bacia Hidrográfica do Licungo, começamos a registar precipitação em quase toda a bacia, o que culminou com o aumento do nível hidrométrico aqui no rio Licungo, tendo atingido o alerta no dia 17”, explicou  António Cipriano, Director da ARA-Norte em Mocuba.  

Cipriano explicou ainda que o rio Licungo já ultrapassou ontem os níveis de alerta, mas, nesta quinta-feira, voltou a baixar. “Como impacto desta subida, já temos inundações no Baixo Licungo em Nante e já há aldeias inundadas e pessoas nos centros de acomodação”. 

A Ara norte em Mocuba faz o alerta às populações ribeirinhas para estarem atentas em relação a subida do caudal, por forma a evitar infortúnios.

Os cidadãos de Moçambique e outros 11 países terão de pagar uma caução de até 15 mil dólares para terem visto de entrada nos Estados Unidos, a partir de 2 de Abril, anunciou esta quarta-feira o Departamento de Estado.

 Segundo a  notícia publicada pelo Observador, o Governo dos EUA estima que expulsar um migrante custa em média mais de 18 mil dólares, pelo que defendem que o sistema de cauções permitirá poupar até 800 milhões de dólares por ano aos contribuintes.

A medida aplica-se aos titulares de passaportes do Camboja, Etiópia, Geórgia, Granada, Lesotho, Maurícia, Mongólia, Moçambique, Nicarágua, Papua-Nova Guiné, Seicheles e Tunísia que terão de pagar a caução, que é reembolsada se o pedido de visto for recusado ou, caso seja concedido, se a pessoa cumprir os termos do visto.

De acordo com uma nota publicada no site do Departamento de Estado norte-americano, citado pela imprensa internacional, a partir de 2 de Abril, estes países são adicionados a uma lista, que já conta 50 países, cujos cidadãos estão sujeitos a esta exigência.

Esta obrigatoriedade começou a ser introduzida pelo governo do Presidente Donald Trump no ano passado, no âmbito de uma repressão à permanência ilegal após o vencimento do visto e de medidas mais amplas para reduzir a imigração ilegal.

Ao abrigo do programa, os requerentes de visto de países designados, muitos dos quais em África, que apresentam elevadas taxas de permanência ilegal, têm de prestar cauções de 5 000, 10 000 ou 15 000 dólares, dependendo das suas circunstâncias e do critério do funcionário consular responsável pelo processamento do pedido.

“O programa de cauções para vistos já se revelou eficaz na redução drástica do número de titulares de vistos que excedem o prazo de permanência e permanecem ilegalmente nos Estados Unidos”, argumenta o governo norte-americano na nota, acrescentando que quase 97% das cerca de mil pessoas que pagaram a caução não excederam o prazo de permanência do seu visto.

O Departamento de Estado estima que expulsar um migrante do país custa, em média, mais de 18 mil dólares (15,6 mil euros), pelo que considera que este sistema permitirá aos contribuintes norte-americanos poupar até 800 milhões de dólares, quase 700 milhões de euros, por ano.

Com a inclusão destes doze países, são já 50 os que estão sujeitos a este requisito, entre eles os africanos Argélia, Angola, Benim, Botsuana, Burundi, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gabão, Gâmbia, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Maláui, Mauritânia, Namíbia, Nigéria, São Tomé e Príncipe, Senegal, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.

O projecto “I Love Maputo” será oficialmente lançado nesta sexta-feira, dia 20 de Março, num momento que assinala uma nova etapa na forma como a cidade se posiciona.

A proposta assenta num princípio que tem vindo a ganhar relevância nas dinâmicas urbanas globais, a percepção influencia a realidade económica.

Maputo reúne hoje vários os elementos que caracterizam centros urbanos emergentes, uma posição estratégica, um ecossistema financeiro em crescimento, uma cena cultural activa e uma população jovem e empreendedora.

A cerimónia terá lugar numa das estâncias hoteleiras da cidade de Maputo e reunirá representantes do sector público, sector privado, parceiros institucionais e comunidade diplomática, reflectindo o seu carácter transversal.

O lançamento assinala o início de um processo estruturado de valorização e projecção da cidade, alinhando diferentes sectores na construção da sua presença a nível nacional e internacional.

A iniciativa resulta de uma parceria entre o Conselho Municipal de Maputo e a MediaCraft Mozambique, com o objectivo de reforçar a visibilidade, a coerência e a atractividade da cidade.

“I Love Maputo” estabelece uma abordagem contínua, assente em conteúdos, experiências e plataformas que contribuem para consolidar a posição de capital do país como um centro urbano relevante na região.

O Ministério da Educação e Cultura condena a venda ilegal de livros escolares de distribuição gratuita, prática que tem sido registada em alguns pontos da cidade de Maputo. A instituição alerta que os envolvidos poderão ser alvo de sanções disciplinares e criminais.

Segundo o porta-voz da instituição, Silvestre Dava, o fenómeno constitui uma irregularidade grave, tendo em conta que os manuais são fornecidos gratuitamente no âmbito do ensino primário.

“Chegou-nos ao conhecimento a circulação de livros de distribuição gratuita à venda, o que configura uma irregularidade grave. O ensino básico em Moçambique é gratuito e isso inclui a distribuição de livros da primeira à sexta classe”, afirmou.

O responsável explicou que todos os manuais distribuídos gratuitamente possuem um selo identificativo que proíbe a sua comercialização, o que facilita a identificação de práticas ilegais.

“Todos os livros que ostentam a etiqueta ‘venda proibida e distribuição gratuita’ não devem ser vendidos. Este é um sinal claro que permite a qualquer cidadão denunciar situações de venda indevida”, referiu.

Perante a situação, o Ministério diz estar a reforçar a fiscalização, com equipas no terreno, sobretudo nas zonas da baixa da cidade e de Xipamanine, com vista a identificar os envolvidos e as possíveis falhas no sistema de distribuição.

“Estamos a trabalhar para identificar os presumíveis infractores, mas também as possíveis fissuras que permitiram a retirada destes manuais para o mercado”, explicou.

O porta-voz esclareceu ainda que existem versões dos mesmos livros destinadas à venda, produzidas em articulação com editoras, e que não possuem o selo de gratuitidade, sendo comercializadas legalmente em livrarias e papelarias.

Além disso, o Ministério apela à colaboração da população na denúncia de casos suspeitos e garante estar a trabalhar em coordenação com a Inspecção Nacional das Actividades Económicas e as autoridades policiais.

“Qualquer indivíduo encontrado a vender estes materiais poderá responder criminalmente. E, caso se confirme o envolvimento de funcionários do sector, estes poderão ser alvo de processos disciplinares, sem prejuízo da responsabilização criminal”, concluiu.

A Assembleia da República aprovou, nesta quarta-feira, dia 18 de Março, na generalidade, por consenso e aclamação, o Pacote Legislativo da Comunicação Social, designadamente os Projectos de Lei de Comunicação Social, da Radiodifusão e do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS).

O Projecto de Lei da Comunicação Social visa estabelecer o novo regime jurídico  aplicável ao exercício da liberdade de imprensa e de radiodifusão, procedendo à revogação da Lei nº 18/91 (Lei de Imprensa) e integrando, pela primeira vez, um regime específico para a radiodifusão, com o objectivo de adequar o quadro normativo às transformações tecnológicas e digitais ocorridas nas últimas três décadas.

O artigo 4 do Projecto de Lei explica que são objectivos da Comunicação Social, entre outros, consolidar a unidade nacional e a defesa dos interesses nacionais;  reforçar os valores e a identidade nacionais; promover a democracia e a justiça social; contribuir para o reforço fortalecimento do Estado de Direito Democrático.

Segundo o documento, constituem órgãos de Comunicação Social a imprensa escrita, designadamente os que editam ou publicam jornais,  revistas e demais publicações periódicas;  as estações ou emissoras de radiodifusão;  as agências noticiosas; e as publicações de carácter informativo e jornalístico que difundam exclusivamente através da internet.

A Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade (1ª Comissão) conclui que o Projecto de Lei da Comunicação Social  não enferma de qualquer vício de inconstitucionalidade ou ilegalidade, revelando-se, pois, constitucionalmente válido e socialmente oportuno.

No seu Parecer atinente ao documento, a 1ª Comissão considera que o Projecto de Lei da Comunicação Social constitui um avanço significativo no ordenamento jurídico moçambicano, acrescentando que, no plano formal, a iniciativa respeita a competência da Assembleia da República, nos termos da alínea c) do artigo 182 da Constituição.

ʺNo plano material, o Projecto de Lei revela-se conforme a Constituição, designadamente o artigo 48 (Liberdade de expressão e informação), procurando condensar o equilíbrio entre o exercício da liberdade de expressão jornalística e a protecção da dignidade humana, da honra e do bom nomeʺ, explica este grupo de especialidade.

Ainda no seu parecer sobre a matéria, a Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade reconhece que a iniciativa responde à exigência de modernização de um diploma com mais de 30 anos, colmatando lacunas relativas às plataformas digitais e a internet, alinhado com as dinâmicas da era digital.

Por seu turno, o Projecto de Lei do Conselho Superior de Comunicação Social (CSCS) define este como sendo um órgão de disciplina e de consulta, incumbido de assegurar a independência dos meios de comunicação social e o exercício dos direitos à informação e à liberdade de imprensa, bem como dos direitos de antena e de resposta.

O presente Projecto de Lei confere ao CSCS as funções de supervisão e de sancionamento, com vista a promover e garantir a liberdade, objectividade, isenção, disciplina e responsabilidade no exercício do direito à informação e à liberdade de imprensa, dos direitos de antena e de resposta, bem como da actividade de comunicação social, em conformidade com a Constituição da República e demais leis legislação aplicável.

Do ponto de vista do enquadramento legal, a Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade considera que a iniciativa legislativa é oportuna, actual e pertinente, porquanto visa reforçar as atribuições e função do CSCS, assegurando o exercício cabal do papel do órgão de disciplina, supervisão e sancionamento.

No seu Parecer sobre o documento, este grupo de especialidade entende que o CSCS integra a categoria de órgãos centrais independentes da Administração Pública, nos termos dos artigos 48 e 50, da Lei n.0 7/2012, de 8 de Fevereiro, que estabelece as Bases da Organização e Funcionamento da Administração Pública. 

A Comissão considera que o Projecto de Lei que redefine a organização, composição, funcionamento, atribuições e competências do CSCS não enferma de qualquer vício de inconstitucionalidade ou ilegalidade. ʺO Projecto de Lei ora analisado visa densificar o regime jurídico aplicável ao Conselho Superior da Comunicação Social, definindo a sua organização, composição, funcionamento e competências, em conformidade com o quadro constitucional e legal vigenteʺ, lê-se no parecer daquela Comissão.

Já o Projecto de Lei da Radiodifusão visa colmatar as lacunas normativas que persistem no âmbito da implementação do Decreto nº 9/93, de 22 de Junho, que regula a participação dos sectores cooperativo, misto e privado na rádio e na televisão, não abrangendo adequadamente o sector público da radiodifusão. 

A título exemplificativo, o documento esclarece que as entidades licenciadas ou autorizadas para o exercício da actividade de radiodifusão devem, quando aplicável, solicitar à entidade responsável pela gestão do espectro radioelétrico a realização do teste de emissão, com o objectivo de aferir a qualidade do sinal, no prazo máximo de trinta dias a contar do início das emissões.

Um episódio trágico abalou o bairro 2, no distrito de Chongoene, em Gaza, onde uma mãe e suas duas filhas foram encontradas mortas em circunstâncias ainda desconhecidas. Familiares e vizinhos suspeitam de violação seguida de envenenamento.

É mais um caso de suposto assassinado por envenenamento que acontece na província de Gaza, concretamente no distrito de Chongoene.

De acordo com testemunhas, uma jovem de 38 anos e suas filhas, de 7 e 16 anos, foram encontradas sem vida no interior da residência da família. Isabel Langa, vizinha, descreveu o cenário:

“Quando nós entrámos para arranjar os corpos, estavam desorganizados. A mãe e a criança pequena estavam a sair espuma pela boca e pelo nariz. Por isso acreditamos que isto aqui foi veneno”, contou.

Outra residente, Terana Vasco, explicou que a família tinha-se mudado recentemente para a casa.

“O que vimos lá dentro estava desorganizado, tipo a panela de feijão que haviam feito no sábado estava despejada, o fogão no chão. A mãe estava na cama e a menina de sete anos estava no chão, já morta com a mãe. Queremos justiça, não podemos deixar assim”, disse.

O marido da vítima suspeita de uma acção criminosa que envolveu invasão, violação e envenenamento.

“A minha família foi assassinada. Eu desconfio que alguém as violou e, de seguida, lançou um spray. São pessoas movidas por maldade”, declarou.

O secretário do bairro 2, Américo Zunguene, afirmou que o caso deixou a comunidade em choque e medo, apelando a respostas urgentes das autoridades, no caso concreto o Serviço Nacional de Investigação Criminal, SERNIC.

“O Sernic e a saúde passaram daqui. O assunto está sendo investigado pela polícia. É a primeira vez que isto acontece. Estamos muito preocupados, sem saber o que aconteceu”, disse.

Uma das vítimas chegou a ser socorrida e levada ao hospital provincial de Xai-Xai, mas veio a falecer duas horas após a entrada. O hospital promete pronunciar-se sobre o caso esta quinta-feira.

Este episódio deixa a comunidade de Chongoene em alerta e reforça a necessidade de uma investigação rápida e rigorosa para esclarecer as causas da tragédia.

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