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O País – A verdade como notícia

Dois agentes da Polícia foram mortos, esta quarta-feira, em Montepuez, após a invasão de uma mina por parte da população, em reivindicação à morte de um cidadão na comunidade.

Foram cerca de 40 mineiros ilegais que marcharam de uma aldeia vizinha em direcção à Montepuez Ruby Mining, uma das principais minas do distrito, onde terão imobilizado e morto dois agentes da Polícia.

Um dos agentes mortos era Comandante da Força de Protecção dos Recursos Naturais de Moçambique, em serviço no local.

O ataque, de acordo com o comunicado da firma, poderia estar relacionado com uma manifestação da população da referida aldeia, depois que as autoridades distritais da migração investigaram supostos imigrantes ilegais na altura, uma pessoa perdeu a vida.

A Montepuez Ruby Mining assegura que nenhum funcionário ou contratado ficou ferido no ataque e que as condições no local tem estado calmas nas últimas horas.

Para já, as actividades da mina estão condicionadas, uma vez que os mineiros ilegais sabotaram a infraestrutura de abastecimento da planta de processamento na nova plataforma.

A empresa mineira diz continuar a colaborar com as autoridades governamentais competentes e mantém o compromisso com a segurança e protecção dos seus funcionários, contratados e comunidades anfitriãs.

O Projecto de Desenvolvimento Urbano do Norte de Moçambique (PDUNM) formalizou a entrega ao Município de Pemba, esta sexta-feira, dos quatro sistemas de abastecimento de água construídos nos bairros Chuíba e Mahate. A cerimónia de entrega foi dirigida pelo governador da província de Cabo Delgado, Valige Tauabo, e contou com a presença do edil de Pemba, Satar Abdul Gani, e residentes dos bairros abrangidos.

No seu discurso, o governador pediu ao Município para assegurar uma gestão responsável dos empreendimentos e às populações para cuidarem dos sistemas como se fossem sua propriedade.

Por seu turno, o administrador técnico do Fundo de Fomento à Habitação, Sérgio Rafael, sublinhou que os sistemas são o primeiro produto do PDUNM e em breve serão lançados concursos para apuramento de empreiteiros para realizarem intervenções em infraestruturas como estradas, drenagens, escolas, centros de saúde, centros comunitários e iluminação pública nos quatro municípios abrangidos pelo projecto.

Os quatro sistemas foram construídos nos bairros Mahate (dois) e Chuíba (também dois), são suportados por seis furos e vão beneficiar cerca de seis mil pessoas. Cada sistema tem capacidade instalada de 30 mil litros (podendo chegar a 40 mil no futuro), comporta um fontanário público e está projectado para 200 ligações domiciliárias.

Os sistemas ora entregues comportam estruturas resilientes a eventos naturais adversos, como ciclones, tempestades e outros. São igualmente amigos do ambiente, pois utilizam paineis solares, gerando energia limpa, renovável e mais acessível. 

Com estes quatro, totalizam oito os sistemas de abastecimento de água já entregues pelo PDUNM desde o início do projecto. Os primeiros três foram entregues em Nacala e o quarto em Nampula. Em breve serão entregues mais três sistemas em Montepuez (nos bairros Pitimbine, Napai e Nacate) e sete furos em Nacala. 

O PDNUM é um projecto implementado pelo Governo de Moçambique, através do Fundo de Fomento à Habitação (FFH), nos municípios de Nampula, Nacala, Pemba e Montepuez, com o apoio do Banco Mundial.

Três pessoas morreram na sequência de um naufrágio na Beira. O incidente aconteceu, ontem,  quando uma embarcação que tinha a bordo 21 tripulantes, dos quais 14 são de origem indiana e sete nacionais, fazia o trajecto Porto-Ancoradouro em mais uma acção de gestão de tripulação.  

Segundo a delegada da Autoridade Reguladora do Transporte Marítimo em Sofala, Anabela Chaúque, das 21 vítimas já foram resgatados 14 tripulantes, dos quais oitos estrangeiros e seis cidadãos nacionais.  

A mesma fonte assegura que, neste momento, estão em curso as operações de resgate, tendo em vista recuperar o maior número de tripulantes, num trabalho levado a cabo por uma equipa multisectorial composta por INAMAR, ITRANSMAR, CFM, mergulhadores e polícia costeira.

As autoridades apelam ao envolvimento de toda a comunidade marítima no processo de resgate dos restantes tripulantes que ainda continuam em parte incerta. O ITRANSMAR aguarda pela actualização das operações que estão a ser feitas no terreno. 

Este é o segundo caso de naufrágio que acontece na Beira este ano. O primeiro caso deu-se em Junho quando uma embarcação que transportava pessoas e bens não resistiu à fúria das águas, causando cinco mortes. 

Arrancou o julgamento de três indivíduos de nacionalidade chinesa que foram encontrados a efectuar operações mineiras na zona tampão do Parque Nacional de Chimanimani.

Assim, já são nove chineses a responder em tribunal na província de Manica por desobediência a suspensão de actividades mineiras, uma medida decretada pelo governo por conta da poluição ambiental naquela província.

Foi ao princípio da tarde desta quinta-feira que arrancou, no Tribunal Judicial do distrito de Sussundenga, a audição destes três chineses, com idades compreendidas entre 30 e 50 anos, que foram encontrados a minerar na zona de Bunga, distrito de Sussundenga.

Hericinio Ratia, procurador-chefe distrital de Sussundenga avançou que no processo sumário que carrega o número 286/2025 os chineses são acusados no crime de desobediência.  

Depois do julgamento o advogado declinou-se a prestar declarações à imprensa e os três chineses foram conduzidos à cadeia distrital de Sussundenga onde deverão aguardar pela sentença a ser proferida pela juíza da causa, Eugénia Navalha. 

A Cidade de Maputo deu mais um passo firme na consolidação da sua visão de desenvolvimento inclusivo e sustentável, com a assinatura do convénio entre o Conselho Municipal de Maputo, a Área Metropolitana de Barcelona (AMB) e a Arquitectura Sem Fronteiras de Espanha (ASFE), que visa implementar o projecto “Promoção da Equidade de Género na Mobilidade Metropolitana”.

O acordo, assinado pelo Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, pelo Vice-presidente da Área Internacional e Metrópole Digital de Barcelona, Jord Castellana i Gamisans, e pela Presidente da Arquitetura Sem Fronteiras de Espanha, Lúcia Garcia Cernuda Ruiz de Alda, representa o reforço da confiança da AMB na governação da capital moçambicana e na sua capacidade de liderar políticas públicas inovadoras centradas nas pessoas.

O projecto, que dá continuidade ao trabalho desenvolvido em torno do Hospital Central de Maputo, tem como objectivo tornar o espaço público mais seguro, acessível e humano, servindo de modelo metropolitano de requalificação urbana orientado pelos princípios da inclusão, sustentabilidade e igualdade de género.

Segundo o edil Rasaque Manhique, a iniciativa “vai além das infra-estruturas, pois pretende transformar mentalidades e abrir caminhos para que as mulheres tenham um papel activo na gestão do transporte público”. Através de formação técnica, capacitação e integração profissional, o projecto promoverá o empoderamento feminino no sector dos transportes, incentivando que as mulheres conduzam autocarros, gerem empresas e inspirem outras a romper barreiras históricas de exclusão.

Avaliado em 110 mil dólares norte americanos por ano, o acordo contempla ainda acções de prevenção e combate à violência baseada no género (VBG) nos transportes urbanos, reforçando campanhas municipais como “Assédio não é Passageiro” e o Protocolo STOP VBG, que traduzem a política de tolerância zero à violência adoptada pelo Município.

Para o edil Manhique, esta parceria “é um pacto de esperança genuína, que reafirma a adesão de Maputo aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, em particular ao ODS 5 – Igualdade de Género e ao ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, traduzindo compromissos globais em resultados locais”.

A assinatura do convénio insere-se no quadro da cooperação internacional entre Maputo e Barcelona e simboliza a confiança crescente da comunidade internacional na visão metropolitana liderada por Rasaque Manhique, centrada na criação de uma cidade mais humana, segura e inclusiva.

Uma mulher suspeita que o filho tenha sido morto por militares e enterrado na Base de Fuzileiros Navais na cidade de Pemba. Desesperada, a mulher pede que se faça a exumação do corpo, para realizar um funeral condigno.

Uma mulher, na província de Cabo Delgado, Norte do país, reclama do desaparecimento do seu filho, Adilson Adrião, que saiu de casa no dia 22 de Março de 2024 e nunca mais foi visto pela família.

“Tinha um filho de mais ou menos 25 anos, chamado Adilson Adrião, mais conhecido por Bonguile, que depois fez algumas amizades com alguns militares lá do quartel de Maringanha e passaram a frequentar lá a casa. Passado algum tempo, eles andavam sempre juntos e, num dia desses, saíram durante a noite, conforme algumas testemunhas lá do bairro, que dizem que foram para um pequeno restaurante, consumiram bebidas alcoólicas e acabaram indo lá para o quartel”, conta Ester Langa, mãe de Adilson.

O caso foi apresentado à polícia, ao Serviço Nacional de Investigação Criminal  e até ao secretário de Estado na província, mas, por falta de uma resposta, a mãe de Adilson Adrião decidiu investigar pessoalmente o desaparecimento do filho.

Da investigação pessoal que fez, Ester Langa diz que quando Adilson entrou para o quartel não saiu, porque acabou dormindo nas camaratas e na manhã seguinte, quando acordaram, era a única pessoa que não tinha uniforme e, não tendo uniforme, foi questionado quem era.

Segundo a mãe do Adilson, ele tentou-se explicar, “disse que morava ali no bairro e que foi para lá com os amigos que eram Beltrano e Sicrano, que eu não conheço os nomes”.

Ester conta ainda que o comandante terá questionado aos tais amigos do Adilson e estes negaram a amizade. “Então, o comandante disse ‘se vocês não o conhecem, atirem nele’. E os dois atiraram, à queima-roupa”, sugere Ester Langa.

Segundo revelaram testemunhas, os supostos fuzileiros navais eram amigos e frequentavam a casa de Adilson Adrião, mas, desde que o jovem foi dado como desaparecido, os mesmos também nunca mais foram vistos.

“Até a vez que eu saía de lá, o Rui lhe aconselhava que não era bom se aproximar dos militares, porque militar não é irmão, militar já é coisa de outro comportamento, porque você vai-lhe suportar como militar, aí pode vir a confusão. Eles não vinham com fardamentos, mas vinham aqui beber com ele, até chegavam aqui na praia, beber com eles, até seus amantes”, contou uma das testemunhas.

Outra testemunha que também falou na condição de anónimo disse que depois do sucedido os amigos militares nunca mais voltaram. “Ninguém, nenhum militar que chegou aqui a perguntar ‘aquele meu amigo está onde?’, ninguém, ninguém. A partir desse dia, dia 22 de Abril, até hoje, ninguém, mesmo um deles, amigos que veio aqui, procurar saber”, disse.

Além do assassinato, a mãe de Adilson Adrião suspeita que haja uma queima de arquivo para se esconder a verdade sobre o caso. “Atendendo à época em que o assunto aconteceu, foi naquela mesma época em que morreram aqueles dois taxistas, porque um deles era o taxista que levava o meu filho para fazer refeições aqui, na cidade. E os dois militares, segundo o meu advogado, os dois militares também que andavam com ele, depois que começaram as investigações da SERNIC, os dois militares também estão desaparecidos”, revela, acrescentado que as certidões de óbito dos dois estão anexadas ao processo que está no tribunal e na procuradoria.

Os Serviços de Investigação Criminal de Cabo Delgado confirmam a recepção da denúncia sobre o desaparecimento de Adilson Adrião e ainda têm esperança de encontrar o jovem ainda vivo, segundo disse Amélio Sola.

“O Serviço Nacional de Investigação Criminal, de facto, no dia 13 de Maio do ano 2024, recebeu uma denúncia proveniente de uma cidadã moçambicana que diz chamar-se de Ester, onde nesta denúncia vinha relatar sobre o facto de que teria desaparecido um cidadão, por sinal o seu filho, no bairro de Maringanha. Após recebermos essa denúncia começámos a fazer o seguimentos dos factos e até então, o órgão de SERNIC, desde a ocorrência desta denúncia, estamos preocupados e estamos a trabalhar nesse sentido de podermos localizar o saber do paradeiro do cidadão em causa, e estamos a trabalhar para ver se podemos, o mais rápido possível, trazer ao convívio familiar”, prometeu o porta-voz do SERNIC em Cabo Delgado.

Para não comprometer as investigações, o SERNIC não revelou detalhes sobre o caso nem reagiu sobre as suspeitas levantadas pela mãe de Adilson. “Bem, tratando-se de um processo que está na fase de instrução, este goza do direito de sigilo profissional, que não podemos revelar todas as espécies dos expedientes que já estão arroladas no processo, para que não possa dificultar o trabalho operativo que está a fazer, para esclarecimento do caso”, disse Amélio Sola.

A Base de Fuzileiros Navais confirmou, através de um documento enviado à secretaria do bairro de Maringanha, que Adilson Adrião esteve na companhia de dois dos seus elementos no dia do seu desaparecimento, mas nega que o jovem desaparecido tenha entrado no quartel da Marinha de Guerra.

“Após averiguação interna, apurou-se que, por volta das 23 horas do dia 22 de Março de 2024, o militar e o cidadão em causa saíram da barraca em jeito de despedida, mas após atravessar a estrada principal cada um seguiu o seu caminho, tendo o cidadão Adilson seguido em direcção à Universidade Lúrio. No âmbito das actividades diárias operacionais, a equipa de serviço não relatou nenhum movimento estranho dentro da unidade”, escreve a Base de Fuzileiros Navais de Cabo Delgado.

A mãe de Adilson Adrião vive desesperada e agora, além de justiça, pede pelo menos a exumação do corpo para conceder um funeral condigno ao filho. “O meu maior desejo é que a justiça seja feita e que pelo menos façam a entrega do corpo que é para eu poder dar um enterro condigno ao meu filho, porque sendo assim eu não hei de ter uma paz de espírito e não hei de conseguir ter sossego, não só psicológico, mas também emocionalmente, assim como físico”, frisou Ester Langa.

Na altura do seu desaparecimento, Adilson Adrião tinha 24 anos de idade e a mãe estava na Bélgica, onde vive há vários anos.

Um jovem de cerca de 40 anos de idade, motorista de táxi por aplicativo, foi torturado e assassinado na madrugada de quarta-feira, no município da Matola. O finado tinha as mãos e pés amarrados e o corpo apresentava sinais de violência. Com este sobe para cinco o número de motoristas de Yango assassinados. 

Um transporte flexível e barato, que através de um telemóvel pode lhe encontrar e transportar para qualquer ponto, mas que nos últimos meses virou um caminho para a morte. Desde o seu surgimento há vítimas, tanto de motoristas, quanto de passageiros…

Trata-se de táxi por aplicativo cuja vítima mais recente foi este jovem de cerca de 40 anos de idade, motorista de Yango, que desapareceu no dia 14 de Outubro corrente. Dois dias depois o seu corpo foi encontrado abandonado numa mata, no bairro Machava-sede, município da Matola, amarrado e com sinais claros de agressão física, membros inferiores e superiores a amarrados e amordaçados.  

A situação gerou revolta nas redes sociais e não só, com amigos e conhecidos do finado a emitirem mensagens de repúdio à barbárie. 

Gisela Nhapulo, locutora da Rádio Cidade, dedicou alguns minutos do seu programa, nesta quinta-feira para manifestar a sua indignação. 

“Egas Bié foi-se, assim mesmo. Hoje foi o Egas, ontem foi o Zezinho, amanhã pode ser qualquer um de nós. Então pedimos encarecidamente como famílias moçambicanas, sociedade moçambicana que se investigue e que se colmate este tipo de assassinato macabro”.

Outros taxistas temem ser os próximos.  

“Estamos cansados de morrer aos poucos. Já não são histórias – são vidas arrancadas. Motoristas assaltados, insultados, espancados, carros roubados, corpos abandonados como se fôssemos lixo. Só nesta vaga de violência mais de quatro colegas foram assassinados em serviço, agora com a expansão dos mototáxis a onda de

ataques só aumenta. Até quando?”, questionam os taxistas, acusando a gestão do Aplicativo Yango de exploração. 

“Vocês nos tratam como números numa tela: penalizações, descontos, metas. Mas nós somos pais, filhos, irmãos – temos rostos, nomes, sonhos e famílias que esperam por nós. Perguntamos: merecemos a morte?”. 

Pelos vizinhos, Bié é descrito como um jovem simpático e focado. Bonifácio Carlos e Filipe Chemane dizem que Bié “foi um irmão, companheiro, divertido, que nunca entrou em nenhum problema, sempre teve comunicação, boa comunhão com os jovens, nós, cada zona. É muito estranho e caótico, mas nós todos aqui da zona estamos preocupados perante a situação, porque nós vivemos com ele e crescemos com ele. Estamos muito espantados pela situação, muito preocupado”. 

A família, que reservou-se a não falar à imprensa, apenas exige a responsabilização dos actores, até aqui desconhecidos, de acordo com a polícia. “O que a polícia está a fazer neste momento é mesmo trabalhar em coordenação com o Serviço Nacional de Investigação Criminal, SERNIC para esclarecer este caso, com vista à neutralização das pessoas que cometeram este crime, que agrediram fisicamente e que resultou em morte a este cidadão de aproximadamente 40 anos de idade. A polícia repudia este acto, não só repudia todo o comportamento desviante”, declarou Carminia Leite, porta-voz da PRM, na Província de Maputo.

O criminalista Mauro de Sousa diz que o modelo de táxi por aplicativo em Moçambique é per si inseguro.

“Esta a suscetibilidade associada a estes transportes por aplicativo, por esses táxis por aplicativo,  porque esses aplicativos não garantem segurança, quer do lado do utente, ou seja, do indivíduo que procura pelos serviços e também do lado do próprio motorista que presta esses serviços, pois não existe segurança, não existe uma espécie de cronologia, de controle, de onde partiu, para onde foi, em tempo remoto, ou seja, em tempo útil, no momento em que esteja a acontecer, não se ouve nada lá dentro, se existe uma câmara de vigilância, é rara a existência desses instrumentos,  então, torna-se suscetível”, explicou o especialista, que apresenta experiência de taxis por aplicativo de outras geografias.

Para minimizar a fragilidade, De Sousa sugere união de esforços. 

“Então, é preciso que haja aqui uma espécie de cooperação a nível das entidades, mesmo o Ministério dos Transportes, junto às autoridades, para controlar este cenário, pois estamos perante hoje assassinatos de motoristas, mas já estivemos também perante crimes ligados a indivíduos que se fazem transportar esses táxis. Então, é o momento de fazer essa conjunção destas entidades, para, de uma vez por todas, haver um controle rigoroso de práticas de transporte por aplicativo”, declarou. 

Ora, o facto de Moçambique não possuir legislação própria para este tipo de transporte, reduz as chances de responsabilização aos gestores. Quem defende é o Jurista Victor da Fonseca. 

“Qualquer responsabilidade pode ser partilhada, basta percebermos cada detalhe, o que no contrato se prevê. Neste momento estamos a falar de forma superficial, mas tem que ter em conta, no momento de aderir a esses serviços de plataforma, o aplicativo Yango tem que ter em conta quais são as cláusulas, como comissórias que estão lá, quais são as cláusulas em que as partes ratificam  para poder fazer parte deste aplicativo”.

No entanto, o jurista assegura a responsabilidade dos gestores em garantir a segurança dos associados. 

“O detentor deste aplicativo deveria garantir questões de segurança perante os usuários  e, eventualmente, as pessoas que aderem a este serviço para o seu transporte, visto que em outras jurisdições, para falar de outros países, já existe o controle em matéria de segurança,  tendo em conta que a outra insegurança que reside é que,  no momento do pagamento deste serviço, deveria se ter em conta não pagar diretamente, obviamente, para a conta do tutelar, ou seja, deveria pagar por uma plataforma digital, pagamento eletrônico, onde vai deixar o rastro, se eventualmente ocorrer um crime,  e em que perímetro as duas partes se encontraram.  Portanto, aí deve-se ter em conta que a responsabilidade também reside, por parte, eventualmente, do detentor deste aplicativo, deve-se garantir a segurança, porque as pessoas que, eventualmente, pensam entrar para poder desencadear este trabalho, vão encontrar esses entraves, que é o risco da própria integridade física”.

A falta de mecanismos de aferição da idoneidade tanto dos passageiros como dos motoristas dos táxis é o principal desafio deste tipo de transporte, o que desafia o país a criar leis mais específicas a fim de proteger os cidadãos. Até lá quantas outras vítimas serão reportadas. 

Moradores de diferentes bairros da cidade de Tete queixam-se da morosidade na recolha de resíduos sólidos. A população acusa a edilidade de estar a privilegiar apenas os bairros da zona cimento.

As reclamações chegam de cinco dos nove bairros existentes na cidade de Tete, que estão a registar deficiência na recolha de lixo com destaque para os bairros Matundo, Chingodzi e Mateus Sansão Muthemba. A maior parte das ruas apresentam-se com muito lixo no chão, aguardando pela remoção.

Moradores que convivem com a dura realidade alegam que diariamente são esforçados a descartar o lixo de forma inadequada, alegadamente por falta de contentores.

“Viver com esse lixo tem sido um problema grave, porque eles às vezes levam uma semana sem vir recolher o lixo e parece que já estamos há quase dois meses sem contentor de lixo aqui. Não se justifica ter lixo, tinham que tirar diariamente o lixo”, disse um residente do bairro Matundo que disse viver constrangido com a situação.

Uma situação que tem gerado mau cheiro e prejudica o bem estar para quem vive nas proximidades.

“Eu que estou a falar, eu já não posso estender a minha farinha aqui. Mesmo comida, há um tempo que depois também fica podre, cheira também e quando queimam também, tudo entra dentro da casa”, reclama outra residente de Chingodzi.

Entretanto, por outro lado, os moradores alegam que os responsáveis do município estão cientes dos problemas, mas não apresentam soluções. Questionado sobre o problema, o edil de Tete, César de Carvalho, disse que a situação já está a ser resolvida e que a morosidade deveu-se à falta de dinheiro para aquisição de mais contentores.

“Mas também devo dizer aqui e afirmar categoricamente que nós, até agora, não temos capacidade de colocar contentores em todos os lugares desejados. Não é fácil fazer isso, mas na medida do possível, a cada ano que passa, nós aumentamos o número de contentores lá nos nossos bairros”, confirmou César de Carvalho. 

O Presidente do município de Tete diz ainda que para haver mais contentores é preciso ter dinheiro, até porque “contentor significa dinheiro, se você não tem dinheiro, não tem contentor”.

César de Carvalho falava aquando da entrega de dois camiões basculantes que vão reforçar a capacidade na recolha de lixo na cidade. Refira se que a cidade de Tete, produz em média quarenta toneladas de lixo por dia.

Uma equipa multissectorial escalou a região de Chadzuka para aferir a alegada existência de túneis de exploração de ouro. Entretanto, da diligência constatou-se tratar-se de uma mina da era colonial e que pertencia à Companhia de Moçambique, que usava para suas actividades. O Governo diz que a mina foi desactivada há bastante tempo e não há ouro no local.

Há sim túneis na província de Manica, concretamente na linha da fronteira com o vizinho Zimbabwe, que eram usados na exploração do ouro e que estão desactivados. Os mesmos encontram-se nas imediações das mineradoras que exercem as suas actividades. 

É uma situação que levou uma equipa multissectorial a escalar a região de Chadzuka, no distrito de Manica, para aferir a alegada existência de túneis de exploração de ouro, alegadamente usados por zimbabweanos, malawianos e tanzanianos.

De acordo com Lurdes Mabunda, Comandante provincial de Manica, que integra a comitiva, o objectivo é “procurar esses locais de modo a aferirmos e caberá o juízo de cada um de vós sobre se de facto aquilo que foi dito constitui ou não verdade”.

Chegados ao local foram encontradas algumas minas usadas na era colonial pela Companhia de Moçambique. O governo diz que estão todas desactivadas, mas no terreno foi possível encontrar indícios de haver alguma exploração por parte dos artesanais ainda que de forma tímida.

Um dos cidadãos encontrados no local confirmou a existência de alguma actividade, destacando que as pedras encontradas são levadas aos chineses que tem estado a fazer escavações no local.

O Inspector-geral de Minas, Grácio Cune, diz que apesar de haver sinais de reaproveitamento das minas por parte dos artesanais, já não há ouro nos túneis.

“Os túneis não representam um grande potencial para a mineração, porque nos túneis nós temos a rocha dura, enquanto que a mineração actual focaliza-se na parte superficial por causa da economicidade do processo. Portanto aqueles túneis não representam nenhum potencial para a mineração neste momento, por causa dos processos de extração, que são extremamente complicados a esta altura da economia”, esclareceu Grácio Cune.

Questionado das razões da existência de alguma actividade num lugar onde se sugere não existir ouro, o Inspector-geral de Minas teve dificuldades para responder e no fim disse que “nós vimos escavações para meter adubagem para captação da água, é o que nós confirmamos”.

Mas a polícia prefere não se meter na estória de que os artesanais estão a aproveitar apenas água dos túneis para lavar ouro. Diz que em Chadzuca os artesanais estão a explorar ouro, até porque não há comando algum para lhes proibir.

“Esses túneis já encontram-se desactivados, são túneis da era colonial. Existem sim algumas actividades de mineração, mas falamos de mineração artesanal. Estas actividades não foram proibidas no decreto ministerial”, disse Mouzinho Manasse, porta-voz da PRM em Manica.

A polícia diz que os túneis estão apenas do lado moçambicano e não atravessam para o vizinho Zimbabwe.

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