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O País – A verdade como notícia

O Presidente da República, Daniel  Chapo, endereçou uma mensagem de condolências a Igreja Católica, pela  morte do Padre Vicente Berenguer Lliopis, ocorrida no dia 21 de Outubro de  2025, em Teulada, Espanha. 

Na sua mensagem, o Chefe do Estado, em nome do Povo e do Governo da  República de Moçambique, e em seu próprio nome, apresentou à Sua  Santidade e a toda a comunidade cristã, em especial à moçambicana, os  sentimentos de profundo pesar pela perda deste missionário, que dedicou  grande parte da sua vida ao serviço do povo moçambicano.

O Padre Vicente Berenguer serviu em Moçambique desde 1967 até à sua  aposentação em 2023, tendo-se destacado pela sua coragem e dedicação à  causa da justiça, nomeadamente ao denunciar ao mundo o Massacre de  Wiriyamu, ocorrido em Tete, no dia 16 de Dezembro de 1972, onde pereceram  mais de 300 moçambicanos indefesos. 

Durante a sua longa permanência em Moçambique, o Padre Vicente deu um  contributo inestimável à educação, apoiando a construção de infra-estruturas  escolares e a formação de crianças desfavorecidas, movido pela convicção de  que a educação do homem é a principal arma para o desenvolvimento do país.  O seu trabalho foi amplamente reconhecido, tendo recebido diversas distinções  internacionais pelo seu compromisso com o bem comum. 

Neste momento de luto, o Presidente da República expressa as sinceras  condolências do Governo e do Povo Moçambicano à Igreja Católica e a todos  os que se sentem órfãos da presença do Padre Vicente Berenguer, reafirmando  que o Governo de Moçambique saberá honrar o legado de dedicação e  humanismo que o missionário deixou.

Foram, hoje, a enterrar os restos mortais da comandante da PRM em Marracuene, crivada de balas na noite de quinta-feira. Leonor Inguane deixa dois filhos menores. 

Familiares, amigos e colegas da comandante distrital da Polícia em Marracuene, Leonor Inguane, encheram o cemitério de Texlom, na província de Maputo, para o último adeus àquela que era considerada por muitos, uma mãe. 

O que se via eram Rostos  fechados, corações apertados, lágrimas caindo.

Dos presentes, ninguém conseguia esconder a dor. 

Com a patente de Superintendente da Polícia, Inguane teve direito a honras militares,e tiros no ar.

Nas mãos da mãe da finada, foram entregues as insígnias, em honra da comandante.

“Este espólio servirá para a família ter recordação, servirá para a família inspirar-se nela, sendo que ela muito fez para a família e muito fez para a nossa corporação. Então vou deixar isto com a mãe, com muita dor, com muita tristeza”, disse a General Maria de Brito Nanja, do Comando-geral da PRM.

Com dor e tristeza, viu-se a urna carregando o corpo da oficial descendo a terra e a mesma cobrindo-a, entre choros e lamúrias. 

Em representação da Família, Simão Buque expressou o seu pesar, em poucas palavras. 

“É uma dor, dor profunda e a família não tem mais palavras acima disso e agradecer todas as pessoas que cá se fizeram presente para este momento de muita consternação”.

Os colegas relatam eterna saudade. O agente Salimo Morrão, é um deles.

“Ela foi enterrada aqui em serviço, é ali, base de logística, é ali em serviço.

 Estou acordado de manhã, vim ver a capa dela, malhado. Ela está aqui em serviço, é aqui, base de logística, é aqui. Não tem como”, disse. 

Leonor Inguane foi assassinada na noite da última quinta-feira, por indivíduos desconhecidos. Deixa dois filhos menores.

Mais de 250 famílias são assoladas pela crise de água potável em Tomanine, no distrito de Guijá, província da Gaza, na sequência da avaria de quatro sistemas de abastecimento de água, há dois anos. O Administrador do distrito, Jaime Mugabe, fala de quatro comunidades em situação critica e aponta como saída a construção de 11 reservatórios escavados.

Mais de 250 famílias enfrentam no silêncio a dura realidade imposta pela crise de água que assola a comunidade de Tomanine, no distrito de Guijá há quase dois anos.

“Desde o ano antepassado, que somos assolados pela crise de água. De lá até aqui, ainda não fomos socorridos. Pelo menos 250 famílias estão numa situação bastante crítica”, queixou-se Reis Chongo, líder comunitário de Tomanine.

A população é obrigada a consumir água imprópria e queixam-se de dificuldades para alcançar os poucos sistemas operacionais e a situação torna-se cada vez mais crítica devido à falta de chuva.

As autoridades comunitárias revelam que pelo menos quatro sistemas que abasteciam as áreas mais críticas do distrito, entre os quais Tomanine, avariaram, e desde finais de 2023 até aqui as comunidades vivem em extrema carência.

“Temos pelo menos quatro furos avariados. Por conta disto, a população aglomera-se numa fonte para ter acesso à água. Pedimos que o problema seja resolvido ou novos sistemas, tendo em conta a densidade populacional”, disse o líder comunitário. 

Jaime Mugabe admite, ainda, que há quatro comunidades que precisam de uma intervenção urgente, no entanto, limitações de ordem financeira travam avanço de projectos que visam minimizar o sofrimento das comunidades. 

Mugabe mostrou-se preocupado com a escassez da chuva que  está a forçar a deslocação de gado de Nalazi para as zonas de Chiwahene e Nhanguenha.

A falta de serviços sociais básicos e criminalidade inquieta mais 16 mil munícipes em Patrice Lumumba e Praia de Xai-Xai, na província de Gaza. Para mitigar parte dos problemas que duram há mais de 10 anos, com destaque para o mau estado das vias, o presidente do município de Xai-Xai, Ossemane Adamo, fala de investimentos na ordem de 25 milhões de meticais.

A degradação de algumas ruas que asseguram a mobilidade na zona alta de Xai-Xai, aliada a erosão profunda que desfigura metade de 24 bairros estão entre os factores que atrasam a introdução de novas rotas, penalizando quem vive no interior dos bairros. 

Emília Bila é um exemplo. Tem 34 anos de idade e vive em Patrice Lumumba há seis anos, diz que o problema é antigo e não pode mais esperar.

Confrontado com a situação, o presidente do município de Xai-Xai, Ossemane Adamo, disse estar em curso trabalhos de reposição de vias com maior enfoque em Patrice Lumumba. Uma operação avaliada em 25 milhões de meticais. 

No entanto, a falta de energia e crise de água continuam a perturbar as noites de, pelo menos, 250 famílias residentes do maior posto administrativo de Xai-Xai, Patrice Lumumba, incluindo vários bairros da praia de Xai-Xai.

Júlia Muedane vive na zona de Chinunguine há seis anos e descreve um ambiente de pânico e medo na sequência das incursões dos malfeitores, que se valem da escuridão para fazer das suas. Diz ainda que a situação tende a agravar-se devido a ausência da Polícia.

Refira-se que há mais de 8 mil famílias que deverão ser retiradas das zonas propensas a inundações antes do pico da presente época chuvosa em Xai-Xai.

Uma senhora, mãe de uma menor de seis anos de idade, diz que tem estado a sofrer ameaças há cerca de um mês, protagonizadas por um homem de 25 anos, que terá supostamente abusado sexualmente da sua filha e transmitido uma doença sexual, segundo laudo médico. 

Uma mãe desesperada clama por justiça. A sua filha que ela carregava no colo tem apenas seis anos de idade e foi abusada sexualmente por um vizinho de 25 anos. Segundo conta, a suspeita do crime iniciou há cerca de três meses.

“A criança tirava o corrimento. Outro dia dei banho à criança e disse que a menina estava a doer. Então, o jovem que eu suspeitava era porque minha filha quando o via fugia e até embaixo da cama a menina entrava. E eu me perguntava porque a minha filha tinha medo daquele jovem, até falei com o meu marido”, contou a mãe. 

No mesmo dia, a senhora levou a menor para uma esquadra, onde foi dirigida para a medicina legal, onde a suspeita de abuso foi confirmada. O laudo médico, que está na posse da Polícia, confirmou o abuso e  que a menor contraiu uma doença sexualmente transmissível. 

O suspeito foi notificado, mas, na esquadra, refutou o crime e a mãe da vítima contou o que ouviu da Polícia. “Você como não viu ele  a violar a miúda, nós não temos como prender este jovem, ele vai ficar em liberdade enquanto espera o julgamento”, partilhou. 

A mãe contou que no meio do pranto pela dor causada  pelo autor do crime e enquanto lutava pela saúde da filha, foi ameaçada. “No dia seguinte, a família daquele jovem foi ameaçar-me na minha casa. Eu que tenho filha violada ninguém fez nada”, reclamou. 

Desesperada, a mãe  e outros  familiares dirigiram-se ao Gabinete de Atendimento à Família e Menores Vítimas de Violência buscando justiça célere. As autoridades ligadas a este gabinete atenderam a senhora e em coordenação com outras instituições já estão a dar seguimento a este caso. 

O Comando Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM)  mostrou-se preocupado com a onda de assassinatos de oficiais na corporação. O vice-comandante-geral da PRM, Aquilasse Manda, indicou que não há pistas, mas garantiu que decorrem investigações e há processos que já foram encaminhados ao Ministério Público. 

“É uma situação que preocupa a PRM e o Ministério do Interior”, foi com estas palavras que Aquilasse Manda, Comissário da Polícia e Vice comandante-geral da corporação começou a responder a jornalista, nesta sexta-feira, na cidade da Beira, quando foi solicitado para comentar sobre a onda de assassinatos de oficiais da Polícia, que tem ocorrido, de forma particular, na capital do país.

“Há acções que têm sido desencadeadas para neutralizar os malfeitores. Infelizmente ontem fomos surpreendidos com esta notícia do assassinato da Comandante, mas o que posso garantir é que se esta a trabalhar para o esclarecimento deste caso e de tantos outros que afectaram directamente os membros da PRM. Está-se a trabalhar para identificar os prevaricadores. E, neste caso, vão ser processados e levados a tribunal”, disse o comandante.  

Aquilasse Manda referiu que ainda não há pistas em relação ao assassinato da comandante de Marracuene e que o SERNIC está a investigar.

“Acho que, dentro em breve, havemos de ter alguma informação que possa nos dar o espelho do que terá acontecido e quem são os prevaricadores (…) Há investigação está a correr, há casos que já transitaram para outras fases e instâncias, estou a falar da procuradoria, dos tribunais, mas nós ainda não temos informação legal sobre os contornos de cada caso pou dos casos que já ocorreram, para dizer que estão dentro de investigação e a qualquer momento teremos conhecimento”, assegurou. 

Sobre o facto do assassinato da comandante distrital de Marracuene e de outros membros da Polícia estarem ligados a ajustes de conta, o vice-comandante-geral disse estarem ainda em curso investigações. “Para estes casos particulares não posso afirmar se é mesmo dentro da Polícia ou fora, mas, como disse, nós estamos a trabalhar para encontrar o que isso significa e quem são as pessoas que assim o fizeram”. 

O Vice-Comandante-Geral da Polícia falava a jornalista no final de uma cerimónia de apresentação da nova comandante provincial de Sofala tendo na altura reconhecido que há no seio da corporação agentes criminosos.

De seguida exortou a união entre a direcção do comando provincial e todos os departamentos, o que, sob seu ponto de vista,  vai trazer resultados visíveis em Sofala.

A nova comandante provincial de Sofala responde pelo nome de Beatriz Tichala e substitui Ernesto Madungue, que passa a ser Comandante adjunto da polícia costeira, Lacustre e Fluvial. 

Uma pessoa foi encontrada,hoje sem vida, no bairro Chingodzi em Tete. Moradores do bairro e familiares, desconhecem as  reais causas da morte, mas a vítima apresentava sinais de agressão.

A vitima tinha 25 anos de idade  e foi encontrada, na manhã desta sexta-feira, na rua e com sinais de tortura. A situação deixou aterrorizada os moradores do bairro Chingodzi, que, ao depararem-se com o corpo abandonado na via publica, se mostraram preocupados com o assassinato.

“Aqui, eu cheguei eram seis e tal e o corpo já estava coberto. É muito triste para nós que estamos aqui, talvez foi morto do outro lado e vieram deixar aqui”, lamentou uma moradora do bairro. 

Outro morador do mesmo bairro, entrevistado pelo “O País”, também disse estar preocupado com os assassinatos naquele local e disse ainda ser o segundo corpo encontrado no local. 

A esposa e irmã  da vítima também estiveram no local onde o corpo foi encontrado. Inconsoláveis, disseram  ter falado pela última vez com a vítima na madrugada de sexta-feira,  quando esta se despediu para o trabalho.

“Saiu as uma e tal, ia para o serviço, ia fazer biscato”, disse a esposa do finado, ainda aos prantos. 

O Serviço Nacional de Investigação Criminal em Tete só esteve no local quando eram precisamente 9 horas e 30 minutos para trabalhos de perícia e remoção do corpo.

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa, S.A (HCB) vai proceder, amanhã, à abertura de um descarregador de meio  fundo à 80%, como medida hidrológica, visando  a minimização dos impactos ambientais e socioeconómicos a jusante, decorrentes da paragem total da estação electroprodutora. 

Segundo o comunicado da HCB, a acção implicará a  indisponibilidade do caudal turbinado, o único que tem mantido, no dia-a-dia, o  fluxo normal de água no vale do rio a jusante da barragem, no contexto actual de  seca, que se faz sentir sobre a bacia hidrográfica internacional do rio Zambeze.  

A paragem total da estação electroprodutora obrigará à abertura de um  descarregador, como resultado da implementação de um conjunto de normas e  princípios de gestão e operação de grandes barragens.

“Igualmente é realizada  em cumprimento das directrizes ambientais que recomendam a manutenção de  um caudal ecológico para a preservação dos ecossistemas fluviais, a  biodiversidade e continuidade das actividades socioeconómicas das populações  que se localizam no vale do rio Zambeze a jusante da barragem de Cahora  Bassa, nas províncias de Tete, Manica, Sofala e Zambézia”, lê-se no comunicado da HCB. 

Esta paragem programada é uma acção que será implementada em  coordenação com os principais clientes da HCB, nomeadamente a EDM (Moçambique), ESKOM (Africa do Sul) e ZESA (Zimbabwe) e outros operadores  da SAPP (Southern Africa Power Pool), com o objectivo de realizar intervenções de manutenção nos equipamentos principais de geração, transformação e  transporte de energia, medida importante para o reforço e estabilização da  capacidade de fornecimento de energia aos clientes. 

Segundo a HCB, a intervenção, por  motivos de segurança dos operadores e dos equipamentos, deverá ser feita com  o sistema totalmente desligado, isolado e aterrado, pelo que é importante  salientar que a hora de fecho do descarregador dependerá da efectiva entrada  em funcionamento das linhas de transporte de energia. 

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa, como empresa estratégica e estruturante, e um dos mais proeminentes empreendimentos de geração, transporte e  comercialização de energia hidroeléctrica de Moçambique e da África Austral, mantém o seu compromisso de garantir uma gestão eficiente, responsável e  criteriosa das operações do empreendimento de Cahora Bassa, baseada em  princípios técnico-científicos, de engenharia e no respeito dos requisitos sócio ambientais aplicáveis. 

O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas e o Centro de Monitoria Controlo e Fiscalização da Pesca na SADC assinaram um acordo de acolhimento do Centro Regional de Coordenação de Monitoria, Controlo e Fiscalização da Pesca na região, que visa combater a pesca ilegal, não reportada e não regulamentada. Roberto Mito Albino espera que o centro melhore o sistema de vigilância e fiscalização marítima na região.

Trata-se da implementação do Protocolo das Pescas da SADC, e da Carta do Conselho de M inistros da SADC que Estabelece o Centro Regional de Coordenação da Monitoria Controlo e Fiscalização na componente de pescas, uma acção de combate à pesca ilegal, não reportada e não regulamentada na região.

Moçambique foi escolhido para a projecção do centro, a ser erguido na Catembe, que visa combater a pesca ilegal e suas consequências nocivas, segundo disse o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pesca, Roberto Albino.

“O Acordo de Acolhimento que hoje celebramos constitui uma etapa fundamental para a operacionalização plena do Centro de Coordenação de MCSCC-SADC. Este instrumento visa estabelecer as regras de funcionamento do Centro, clarificar as responsabilidades das Partes — nomeadamente o Governo da República de Moçambique e o Secretariado da SADC — e oficializar, de forma clara e institucional, a colaboração entre Moçambique e o Secretariado da SADC para erradicar a pesca ilegal e reforçar a gestão sustentável dos recursos pesqueiros na nossa região da SADC”, disse.

Roberto Albino assegura que o centro vai ser um ponto de coordenação para harmonização dos padrões para troca de informação e partilha de meios que permitam detetar e intervir de forma rápida para deter a pesca ilegal nas águas da região.

Roberto Albino diz acreditar que o Centro, em articulação com outras iniciativas globais, poderá melhorar, substancialmente, o sistema de vigilância e fiscalização marítima ao nível da região, para além de “desempenhar um papel fundamental nos esforços de preservação dos ecossistemas aquáticos e melhoria da segurança alimentar na região, contribuindo deste modo para o desenvolvimento social, económico e ambiental dos nossos países”.

Para o Presidente do Conselho de Administração do Centro de Monitoria, Controlo e Fiscalização da Pesca na SADC, Stanley Ndara, o acordo assinado tem como principal objectivo facilitar o cumprimento pleno e eficiente do mandato e das funções do centro.

“Consequentemente, o Governo da República de Moçambique deverá, na medida razoavelmente necessária, estender ao MCSCC e aos seus funcionários todas as imunidades, isenções e privilégios que concede, ou pode conceder, a outras Organizações Internacionais e seus Funcionários, conforme estipulado neste Acordo”, disse.

Para Stanley Ndara, “este centro regional serve como um farol de esperança para o povo, para a República de Moçambique e para os Estados-Membros da SADC em conjunto”.

Moçambique apelou os países da região e parceiros para que continuem engajados no combate à pesca ilegal, não reportada e não regulamentada como forma de contribuir poara o desenvolvimento da economia azul.

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