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O País – A verdade como notícia

O Reitor da Universidade Católica de Moçambique, Filipe Sungo, critica o que chama de normalização do terrorismo e pede que o Governo e toda a sociedade se envolvam na busca de soluções. O académico e padre alerta ainda para a necessidade de buscar-se soluções pacíficas e não apenas confiar no poder das armas.

O Reitor da Universidade Católica de Moçambique falava durante a cerimónia de graduação dos novos formandos em Nacala, mas aproveitou a oportunidade para levanter a voz da sua indignação sobre a forma como é encarado o terrorismo que tem o seu epicentro em Cabo Delgado.

E como tal, Filipe Sungo exige envolvimento do Governo e de toda a sociedade na busca de soluções, que para si, vão para além do recurso ao poder das armas.

Filipe Sungo lembra os malefícios da guerra, a mais grave das quais, a morte brutal de pessoas, sobretudo jovens, que podiam contribuir para o desenvolvimento do país.

A cerimónia de graduação aconteceu esta quarta-feira na extensão de Nacala, marcando o fim de um ciclo de formação superior em diversos cursos ministrados pela Universidade Católica de Moçambique. Dos 76 gradudos, 47 são licenciados, 28 mestres e 1 de nível de doutoramento.

 

Quatro anos depois de suposto rapto de bebé de Leila Vilanculos, a jovem mãe continua à espera de justiça. O caso, onde são réus os funcionários do Hospital Provincial da Matola, voltou esta quarta-feira ao tribunal, mas a audiência acabou sendo adiada para Dezembro, devido à sobreposição de outro julgamento no tribunal.

O que era para ser um julgamento de busca de justiça, terminou em lamentações e tristeza por parte da queixosa e sua família, que terá que esperar por mais tempo para conhecer a decisão sobre o roubo do seu bebé.

Aliás, a pressa em saber dos contornos do desaparecimento do seu filho fez com que Leila Vilanculos chegasse ao Tribunal Judicial da Matola por volta das 9 horas da manhã.

Leila Vilanculos trazia no rosto a esperança de que o processo no qual move contra o hospital, acusando-o de ter-lhe retirado o útero sem seu consentimento, violência obstétrica e roubo do seu bebé avançasse.

Mas, depois de mais de cinco horas de espera, a audiência foi adiada para 30 de Dezembro. O sentimento era de tristeza, segundo Leila.

“Haviam dito 30 de Dezembro, mas acho que 30 de Dezembro não vai dar para ninguém. As pessoas querem viajar. Então, acho que talvez para o próximo ano mesmo. Assim estou mesmo triste”, revelou Leila Vilanculos.

A mãe diz que esperava que nesta audiência tivesse resultados das suas preocupações. Sem ter havido a audiência, Leila Vilanculos diz que “cada vez que adiam, mais estão a adiar à volta da minha filha”.

“E eu queria ouvir, porque há outras pessoas envolvidas que eu nem as conhecia”, revelou Leila Vilanculos.

Na altura dos factos, o Hospital Provincial da Matola justificou que o bebé de Leila tinha falecido, uma versão rejeitada pela queixosa que hoje convive com sequelas do ocorrido e quer a sua filha de volta e a responsabilização dos implicados.

“Eu quero que me devolvam a minha filha. É o que eu mais quero. E depois eu quero que as pessoas que me tiraram o útero me expliquem porquê. Porquê que me fizeram isso tudo, porquê que me fizeram passar por isso que eu estou a passar até hoje. Eu tenho muitas dificuldades”, conta angustiada Leila Vilanculos, que sublinha que “eu quero saber delas como é que eu devo viver”. 

A mãe diz querer respostas a todas inquietações que vive nos dias actuais que considera terem sido causadas pelos agentes da saúde que a atenderam aquando do parto, há três anos. “O que elas acham que eu devo fazer, eu tenho que me medicar, até quando?”, questiona.

Por outro lado, Leila Vilanculos diz não acreditar até hoje que a criança tenha perdido a vida porque não foi entregue o corpo. “Minha filha perdeu a vida, segundo elas, dia 4. Dia 5, minha família esteve no hospital. Porquê que não entregaram o corpo? Dia 6, eles estiveram lá. Dia 7, porquê que não entregaram o corpo? Simplesmente entregaram certidão de óbito. Sem corpo, não há óbito”, continuou Leila Vilanculos.

A defesa de Leila explicou que o adiamento da audiência deveu-se à sobreposição de outro julgamento no tribunal. Para esta quinta-feira, esperava-se ouvir outros arguidos e definir os próximos passos subsequentes do processo.

“Consta-nos que está a decorrer uma outra audiência, razão pela qual estamos aqui e ainda esperamos que seja ouvida a arguida que não tinha sido ouvida anteriormente, justamente porque não tinha sido notificada pela acusação. E os próximos passos só poderemos saber lá na sala, qual é que vai ser a sequência e tudo mais”, disse Rosita Euridse, Advogada de defesa de Leila Vilanculos.

A nossa equipa de reportagem tentou, sem sucesso, obter uma posição formal da defesa dos acusados.

 

O Programa “Moz Rural” está a introduzir uma nova componente no sector agrário. A ideia é facilitar o acesso aos mercados para os produtores através da construção de vias de acesso, que ligam as zonas de produção as de comercialização. O programa está a ser implementado na província de Manica, com destaque para o distrito de Báruè, onde há muitos produtores com dificuldades de escoar os seus produtos.

Muitos produtores da província de Manica estão localizados em zonas remotas e com vias de acesso em condições precárias. A situação tem estado a dificultar o escoamento dos seus produtos para os mercados, havendo casos em que chegam a perder a produção por falta de compradores que temem danificar os seus meios de transporte por conta das estradas degradadas.

Olhando para este cenário, o programa Moz Rural decidiu introduzir a componente de melhoramento de estradas. 

A primeira estrada a beneficiar-se de obras de melhoramento na província de Manica é a de Catandica a Munene, um troço de 12 quilómetros, o que é visto como um alívio para os produtores, conforme os mesmos disseram.

“Sinto-me muito feliz com a construção desta estrada porque antigamente era difícil escoar o produto, apesar da zona ser muito produtiva e escoa-se muitos produtos”, disse Benedito Deniasse, produtor de Báruè.

Matias Tambula, também produtor, disse que a construção das estradas acaba por ser um alívio para eles, uma vez que encontram facilidades para escoar seus produtos até aos grandes mercados.

“Dantes nós sofríamos porque cultivamos muitos produtos lá e era difícil tirar os produtos porque os carros levavam até dois dias para sair”, disse Matias Tambula.

Um alívio que também é sentido por Edmó Crispin, produtor em Báruè, que fala das condições anteriores: “tinha covas, mesmo carregando as coisas, sair lá na machamba era muito difícil”, revela.

Para o administrador do distrito de Báruè, a escolha da reabilitação da estrada de Munene não foi ao acaso. “A zona de Munene é uma zona de grande produção aqui no nosso distrito de Báruè. É a zona que alimenta o distrito praticamente. É a zona que todas as vezes do ano estamos a produzir”, disse o Administrador de Báruè, Bruno Patreque.

Em Manica, o programa MozRural que conta com financiamento do Banco Mundial, além de componente de estradas, está a financiar a produção de sementes e apoio com meios de produção mecanizada aos produtores.

“Fomos visitar, por exemplo, umas pequenas empresas de alimentação para animais e também de sementes, como a Fenix, e realmente ficamos muito gratos de ver que no Moçambique tem umas empresas que realmente vão fazer o potencial de scale-up a fornecer as sementes”, disse Ana Bucher, representante do Banco Mundial.

Refira-se que para a reabilitação da estrada Muenene até Catandica foram investidos cerca de 30 milhões de meticais.

 

Está instalado um novo braço-de-ferro entre o Conselho Municipal de Xai-Xai e os vendedores informais da cidade. Em causa está a proibição das suas actividades nas ruas da zona comercial, apesar de alegarem ter acordos anteriores com a edilidade, mediante o pagamento de licenças.

É mais um autêntico duelo de forças entre vendedores informais e a polícia municipal por causa da proibição de vendas nas ruas e bermas da zona comercial de Xai-Xai.

“Há uma contestação das pessoas que vendem fora porque o município mandou eles embora das avenidas para estarem a deambular. Nem eles trabalham, nem nós trabalhamos”, explicou Júlio, vendedor informal.

Com forma de retaliar a ordem de retirada de mais de 3 mil vendedores de rua, os vendedores informais bloquearam, desde a tarde desta quarta-feira, os portões principais do mercado Limpopo, resultando na paralisação do comércio, gerando uma forte agitação, apesar do forte dispositivo policial mobilizado para o local.

Laura, vendedeira informal, explica que tudo é causado pela presença da polícia onde não devia estar, alegando ainda falta de espaço para exercer a actividade. “Mobilizaram polícia canina e armas, e exigem a retirada de todos das vias. Avisaram há tempo, mas não queremos sair por falta de espaço”, disse.

O ambiente está instalado no interior do maior mercado da província de Gaza e o ambiente que se vivia esta quinta-feira era de um “salve-se quem puder”. As vias estavam totalmente bloqueadas, a confusão instalada e posições entre os vendedores formais e informais.

“Mas a gente vendeu com o máximo, com esse engarrafamento. E esses que estão aqui, eles estão a reclamar. Dizem que nós estamos a fechar bancas, estão a misturar”, explicou Lineu Tomas, vendedor do mercado Limpopo.

Por seu turno, Vânia, vendedeira informa, diz que a falta de um espaço adequado resulta na confusão que se vive na capital de Gaza.

“Vamos sentar aonde? Eu sou vendedora ambulante, desde 2010 estou a vender roupa na cidade como vendedora ambulante. Onde é que nós vamos vender? Aqui dentro não tem espaço. Vamos vender aonde? Nós também queremos pão”, denuncia Vânia.

Os vendedores informais alegam falta de bancas. “Nós não vamos sair daqui antes do município nos mostrar um sítio para sentarmos e vendermos”, critica Vânia. 

Já a edilidade assegura, uma vez mais, que há espaços suficientes para os vendedores informais exercerem as suas actividades, mas há falta de colaboração.

“Todos os mercados têm espaço para venda lá no interior. Não está lá ninguém”, revela Nelson Pedro, Comandante da Polícia Municipal em Xai-Xai.

Nelson Pedro diz tratar-se de manobras para inviabilizar uma operação que visa aliviar passeios tomados desde finais do ano passado, mas avisa que nos próximos a medidas são endurecidas.

“A nossa luta é contra a venda ambulante. É uma operação permanente até regularizarmos a situação dos mercados”, disse o Comandante da Polícia Municipal em Xai-Xai.

No entanto, mantém a decisão de continuar nas vias e alegam ter acordos anteriores com a edilidade, mediante o pagamento de licenças.

Para já, Nelson Pedro diz que o grupo deve sair das áreas interditas, o responsável garante a disponibilidade de mais três mil bancas, rejeitadas pelos informais.

O Edil do Município de Pemba, Satar Abdulgani, alertou a Polícia da República de Moçambique sobre o aumento de casos de pedido de declaração para efeitos de legalização de porte e uso de armas de fogo. Ainda assim, o presidente do Município  da capital de Cabo Delgado não apresentou o número de pessoas que solicitaram o documento junto às autoridades locais.

Quase uma semana depois de ter alertado sobre o aumento do número de pessoas interessadas em ter arma de fogo para efeitos de segurança em Pemba, a nossa equipa de reportagem foi ao município para saber porque razão o edil da cidade está preocupado com uma situação que é legalmente considerada normal.

Em resposta, Satar Abdulgani disse que apesar de não ter dados comparativos do antes e depois, o que mais o preocupa são os pedidos que acontecem neste momento, desde que assumiram o comando da edilidade, numa altura em que a província está assolada pelo terrorismo.

“Não vou lhe trazer dados concretos, porque alguns deles fazem pedidos nos bairros, a declaração dos bairros, e eles nos reportam que tem esse tipo de situação. Nós já deixamos uma comunicação nos bairros que quando aparecer um pedido para este fim tem que passar directamente para o presidente do Conselho Municipal, que é para podermos monitorar e rastrear esses pedidos”, disse Satar Abdulgani.

Ademais, de acordo com o edil, não é o número de pessoas que fazem os pedidos, mas o mal que podem causar depois da legalização do porte de armas de fogo. “O facto de ter 5, 6 pessoas a fazerem pedido de armas em menos de um ano é preocupante. 5, 6 pessoas é suficiente para plantar um terror, por exemplo, se essa arma for usada indevidamente. Então, não vamos dizer que estaremos preocupados com o facto de termos 100, 200 pessoas, não. O facto de ter 5, 3 pessoas é preocupante e razão pela qual nós manifestamos a quem é de direito nesse caso que é o Comando Provincial”, explicou.

O edil de Pemba reconhece a existência de focos de criminalidade na cidade, mas considera estranha as tentativas de obtenção legal de armas de fogo para efeitos de defesa pessoal

“A cidade de Pemba é uma cidade segura, razão pela qual estamos aqui todos a viver, não saímos, não fugimos, não nos movimentamos, queremos desenvolver a nossa cidade e mostrarmos a qualquer parceiro que seja, para a população, que é uma cidade segura. Os pequenos incidentes que têm acontecido são incidentes normais que têm acontecido mesmo em grandes cidades onde não existe um conflito como este que existe na província de Cabo Delgado, mas é uma cidade segura e não há necessidade que eu tenha arma de fogo. Eu não tenho arma de fogo aqui onde eu estou, eu estou limpo”, frisou Abdulgani.

Tendo a notícia sobre o suposto aumento de pedidos de declarações no município para efeitos de obtenção de armas de fogo para uso pessoal, o edil de Pemba garante segurança na cidade e pede calma à população.

“Não é para a população ficar preocupada e entrar em pânico, só a recomendação que nós deixamos por conta da segurança dos próprios munícipes junto das suas famílias é que quem tem que fazer um pedido de porte de arma tem que ser mesmo na estrutura competente que é a própria PRM. E nós não queremos aconselhar aos jovens para terem de qualquer maneira as armas de fogo porque em algum momento, momento de ira, de qualquer descuido, podemos usar mal esta arma para nossas próprias famílias e nós nos arrependermos nisso”, alerta, apelando ainda que “temos que ser vigilantes face a essas situações todas”.

A equipa de reportagem do O País procurou ouvir a Polícia da República de Moçambique, entidade responsável pela legalização de armas de fogo na posse dos civis,  para reagir à preocupação do edil de Pemba, mas não obteve resposta.

A tuberculose matou mais de 1,2 milhão de pessoas, no ano passado, segundo a Organização Mundial da Saúde. Depois de três anos de aumento, a Organização Mundial da Saúde anunciou uma ligeira queda nos casos de tuberculose em 2024, como fruto das medidas de prevenção e tratamento, mas alertou para os cortes no financiamento internacional que podem travar esse progresso.

O relatório revela que 10,7 milhões de pessoas adoeceram no último ano, uma redução de 1% em relação a 2023 e que as mortes caíram 3%, para 1,23 milhões em todo o mundo.  Apesar da melhoria, a OMS lembra que 87% dos casos continuam concentrados em apenas 30 países, com destaque para a Índia, Indonésia e Nigéria.

A agência reconhece avanços importantes em regiões como África e Europa, onde as taxas de incidência e mortalidade diminuíram de forma significativa. No entanto, alerta que o mundo ainda está longe das metas da Estratégia para o Fim da Tuberculose, que prevê reduzir a doença em 50% até 2025.

Nesta altura, há 18 vacinas e 29 medicamentos em fases de teste, um número recorde, o que aumenta a esperança de novos tratamentos eficazes. 

O Presidente da República, Daniel Chapo, inicia hoje uma visita  de trabalho de dois dias à província de Sofala, com especial  enfoque na cidade da Beira e o distrito de Dondo. 

Durante a sua estadia, o Chefe do Estado vai dirigir a Cerimónia  Central do Lançamento da Campanha Agrária 2025-2026, a  realizar-se no posto administrativo de Mafambisse. O evento  marca o início das actividades ligadas à promoção da produção  agrícola e à segurança alimentar no país.

No âmbito da visita, está igualmente prevista a entrega de uma unidade educacional e de uma unidade fabril. Chapo vai dirigir uma cerimónia de abertura da primeira  reunião nacional dos Chefes de Postos Administrativos, na  cidade da Beira.

Mais de 62 mil clientes da Electricidade de Moçambique na cidade de Maputo passaram parte do dia e noite de quarta-feira sem a corrente elétrica, o que condicionou alguns serviços essenciais. A EDM diz que a restrição se deve a  problemas numa linha de transmissão e ao rompimento de um cabo que transporta energia aos bairros. Entretanto, garante que o problema será resolvido ainda hoje. 

A cidade de Maputo viveu um apagão durante a noite de quarta-feira e madrugada de quinta-feira, facto que condicionou alguns serviços insensíveis para além criar desassossego nos moradores.

As ruas andaram às escuras expondo ao perigo os carros em trânsito mas também a vida humana, enquanto isso, os munícipes lamentavam. 

“Eu não esperava que isso acontecesse e estou muito preocupada”, queixou-se Sheize Bomba. 

Alguns moradores relataram que os cortes de corrente elétrica começaram a ser registrados por volta das 12 horas,  em bairros como e ao longo da avenida Eduardo Mondlane.

A Julius Nyerere também cedeu a escuridão, e nas proximidades, a maior unidade sanitária do país, Hospital Central de Maputo, foi vítima.

Os responsáveis do local não se pronunciaram sobre o assunto, entretanto, fontes próximas avançaram que houve dois a três minutos de alternância de energia, e que o primeiro ponto a ser restabelecido foi a enfermaria de Medicina.  

Em geral, o apagão atingiu os bairros Central, Sommerschield, Polana, Mafalala, Malhangalene, Alto Maé para além da baixa da cidade, em números de 62 mil clientes.

Porque o problema continuava, nesta quinta-feira, este é o som que mais se ouvia, em várias avenidas da capital do país. 

Geradores elétricos ligados, e até painéis solares, para não permitir que o comércio parasse. 

“Estamos sem corrente desde ontem, por volta das 18 horas, está ser um pouco complicado trabalhar porque vendemos eletrodomésticos e a facturação é através da corrente eléctrica” contou  Atija Filipe, representante de um estabelecimento comercial.

E para quem não tinha alternativa, só podia esperar, enquanto acumulava prejuízos. 

“É de espantar que uma zona comercial como esta tenha problemas como este, por tanto tempo, os nossos produtos estão a ficar estragados e não temos como trabalhar. Quando não temos energia não temos nem como cortar as carnes aqui no talho ”, lamentou Virginia Massingue , Comerciante. 

Em conferência de imprensa, a Electricidade de Moçambique explicou as razões das restrições no fornecimento de energia. 

“Nós efectivamente tivemos no início da noite de ontem uma avaria na nossa linha de transmissão, a partir da nossa subestação na nossa central térmica e condicionou o estabelecimento da energia elétrica em parte da cidade de Maputo, mas o problema foi resolvido. Hoje, o problema estava num cabo subterrâneo e estamos a trabalhar para solucionar ”, explicou Francisco Iroga, administrador Comercial da EDM. 

O administrador Comercial da EDM garante que tudo será feito para que o problema seja resolvido ainda esta quinta-feira. 

A Primeira-ministra esteve, nesta quinta-feira, na Assembleia da República, para prestar informações solicitadas pelas quatro bancadas que compõem a “Casa do Povo”. Benvinda Levi centrou o seu discurso nos principais desafios que o país enfrenta, destacando o terrorrismo que ocorre em alguns distritos da província de Cabo Delgado.  

A governante disse que, além de praticarem actos hediondos, os terroristas, ultimamente, têm também recorrido a práticas de raptos ou sequestros sistemáticos ao longo das vias públicas, nas áreas de exploração mineira e onde ocorrem outros tipos de actividades económicas para posterior pedido de valores monetários em troca da libertação das vítimas feitas reféns.

Para fazer face a esta situação, segundo disse no seu discurso, o Estado moçambicano tem vindo a implementar um conjunto de medidas de carácter securitário e sócio-económico que estão a resultar, como é o caso da estabilização de áreas anteriormente consideradas críticas, incluindo o estabelecimento de cinturões que garantam segurança às populações, as zonas de produção e às infraestruturas económicas e sociais públicas e privadas.

O quadro de acções inclui também o reforço da vigilância fronteiriça, em coordenação com os países vizinhos, para a prevenção do fluxo migratório ilegal, incluindo o de pessoas associadas ao terrorismo, reconstrução de infra-estruturas básicas e reforço da assistência humanitária, em coordenação com organizações de carácter humanitário e de apoio ao desenvolvimento. 

O Governo pretende, igualmente, reduzir a exposição de grupos vulneráveis ao extremismo violento, com a implementação de políticas, estratégias e programas de desenvolvimento, coordenados pela Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN).

De acordo com Benvinda Levi, estes e outros resultados estão a permitir o regresso gradual das populações às suas zonas de origem, a retoma dos serviços sociais básicos, das actividades económicas e produtivas.

“Foi na sequência do resultado deste conjunto de medidas e acções que a situação de segurança tem vindo a melhorar, facto que concorreu para o recente levantamento da cláusula de Força Maior que vigorava desde

2021, a qual suspendia as actividades do projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Área 1 da Bacia do Rovuma.”

Ainda assim, o Governo reconhecemos que, apesar destes resultados encorajadores em termos de segurança, ainda temos vários desafios na prevenção e combate ao terrorismo.

“Por isso, reafirmamos o compromisso e determinação do Governo de continuar a desenvolver acções visando modernizar e capacitar em termos operacionais as nossas Forças de Defesa e Segurança.”, lê-se no seu discurso. 

A Primeira-ministra destacou a entrega e bravura  das Forças de Defesa e Segurança e aos militares do Ruanda no combate ao terrorismo em Cabo Delgado. 

 

SINISTRALIDADE NO PAÍS

A situação da sinistralidade rodoviária no país também mereceu destaque no discurso da Primeira-ministra, que reconhecem que continua a estar no centro das atenções do Governo, pois está ciente de que preocupa a sociedade no geral, uma vez que os acidentes de viação causam luto e dor nas famílias, além de elevados danos materiais, económicos e financeiros.

“É lamentável constatar que a maior parte dos acidentes de viação que acabam por ceifar vidas poderiam, eventualmente, ser evitados, pois, as

informações estatísticas das autoridades competentes indicam que estes resultam do desrespeito das regras de trânsito, com maior incidência para o excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares, condução sob influência de álcool e/ou substâncias psicotrópicas, de entre outros.

Para sustentar as suas palavras, Benvinda Levi disse que, a título de exemplo, de Janeiro até esta parte, foram registados 662 mortes, 466 feridos graves e 761 ligeiros, em resultado da ocorrência de 488 acidentes de viação, em diversas estradas do país.

Em face desta situação, o Governo tem vindo a desenvolver várias acções com destaque para a intensificação das acções de fiscalização e inspecção rodoviária, reforço das campanhas de sensibilização nas rodovias e em locais e maior concentração populacional, bem como a capacitação e sensibilização dos moto-taxistas em matéria de segurança rodoviária, incluindo o uso de capacete de protecção.

Aliado a isso, assegura Benvinda Levi, está em curso a revisão do Código de Estrada e do Regulamento de Transporte em Veículos Automóveis e Reboques com o objectivo de melhorar, cada vez mais, a segurança e o conforto nos transportes de passageiros e mercadorias.

Para que as medidas em curso tenham o impacto desejado, Levi alerta que “cada um de nós deve promover acções educativas, de sensibilização e de respeito pelas normas e regras de trânsito. Só assim poderemos ter as nossas estradas livres de sangue e torná-las mais seguras.”

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