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Utentes denunciam cobranças ilícitas para obtenção de passaporte, na Direção Provincial de Migração, na província de Gaza. São valores que, de acordo com os queixosos, chegam a 1500 Meticais. No entanto, as autoridades migratórias dizem desconhecer o assunto e desafiam as vítimas a denunciar os casos.

O passaporte é um documento essencial para milhares de moçambicanos, que vivem, trabalham e estudam fora do país, em particular na República sul-africana, mas, ter este documento, por estes dias, na Direcção Provincial de Migração em Gaza tornou-se um pesadelo, segundo dizem os utentes.

“Chegamos por volta das 5 horas, mas ainda não conseguimos entrar nas instalações. As pessoas estão a enfrentar dificuldades para tramitar os seus passaportes. Pediram-me 8 mil meticais para acelerar o meu processo, mas não tenho esse valor”, reclamou Silvestre António, utente. 

Mais de mil pessoas debaixo do sol intenso e duas vias principais bloqueadas. Trata-se de pessoas que até as 3 horas da manhã já se encontrava no local, mas, até por volta das 12 horas, continuava na incerteza, aliás, nas paredes ou no chão, buscando conforto em meio a agitação instalada. 

“O calor é intenso, e para ter acesso ao formulário são 50 meticais, o preenchimento são mais 50 meticais, o que totaliza 100 meticais”, reclamou outra utente.

Julário, de 36 anos de idade, residente no distrito de Chibuto,  chegou ao local à madrugada para tramitar documento de viagem, mas está condenado a permanecer na fila, porque, segundo conta, não tinha como pagar os mil meticais, supostamente, exigidos pelos funcionários da migração, para acelerar o seu processo

Há extorsões, eu trago apenas  2400 meticais. Cobram mil meticais.

“Pessoas que chegam atrasados, mas seguem em frente. E nada podemos fazer”, reclamou Julário.  

Há mais utentes que se queixam de cobranças ilícitas no processo de tramitação do passaporte urgentes, valores que chegam a 1500 meticais.

“Cobraram-me 2800 de passaporte e mais 1500 meticais. Entreguei debaixo do formulário, consegui vê-lo e posso o reconhecer. Paguei o valor, mas não consegui ter o passaporte”, contou um outro utente. 

Confrontado em torno dos alegados casos de corrupção, a Direção da Migração em Gaza disse desconhecer o assunto. Abeldo Nhanombe, porta-voz do Serviço de Migração,  desafia as vítimas a denunciarem e apresentar provas em torno das acusações 

Por conta da morosidade, utentes chegam a esperar mais de 6 horas para tramitar os passaportes.

 

O Presidente da República, Daniel Chapo, escolheu um cenário discreto e profundamente simbólico para assinalar o seu 49.º aniversário: o Infantário Provincial de Inhambane. Longe do protocolo, das formalidades de Estado e dos holofotes que habitualmente acompanham um Chefe de Estado, Chapo optou por um ambiente simples, marcado por afeto e humanidade. Foi ali, entre crianças que vivem longe das suas famílias, que passou o dia, transformando uma data pessoal numa mensagem pública de solidariedade e proximidade.

O Presidente percorreu calmamente as instalações do infantário, conversou com as cuidadoras, ouviu relatos do dia a dia da instituição e, sobretudo, esteve com as crianças. Sentou-se ao lado delas, sorriu, abraçou, brincou e falou com simplicidade, sem barreiras. Ao lado da esposa, reforçou a mensagem central que quis deixar: o mundo, e Moçambique em particular, precisa de mais amor, mais solidariedade e mais cuidado humano entre as pessoas. Não era um discurso formal, mas um apelo simples, feito num lugar onde a ausência familiar ganha rosto e nome.

Durante a visita, Daniel Chapo recordou a história de uma criança que vive no infantário desde bebé. A mãe tinha tentado interromper a gravidez, mas a criança sobreviveu e foi resgatada ainda em estado frágil. Hoje cresce ali, saudável, protegida e acompanhada. O Presidente falou também de outro caso: um menino cuja mãe sofre de doença mental e que, por isso, encontrou no infantário um refúgio seguro. São histórias duras, mas que mostram, como referiu, a importância de garantir proteção às crianças em situação de abandono ou risco.

E, neste dia, as tradições inverteram-se. Normalmente são os aniversariantes que recebem presentes; desta vez foi o Presidente quem decidiu oferecer. Levou donativos para apoiar as necessidades do infantário e fez questão de partilhar a refeição com as crianças. “As bênçãos vêm mais de dar do que de receber”, sublinhou, explicando simbolicamente o gesto. Mais do que um ato pontual, foi uma forma de lembrar que a solidariedade começa no gesto simples: partilhar.

Mas a escolha do local teve também um significado pessoal. Durante oito anos, enquanto governador de Inhambane, Daniel Chapo habituou-se a celebrar ali o seu aniversário. O infantário tornou-se, ao longo desse período, um espaço de ligação emocional. Agora, já como Presidente da República, voltou. Reencontrou crianças que já conhecia, reviu rostos familiares entre as cuidadoras e recuperou um ritual que atravessa o tempo e as funções que ocupa. Não foi, portanto, um gesto novo — foi a continuidade de uma relação construída ao longo dos anos.

As crianças responderam com aquilo que lhes é natural: curiosidade, timidez e alguns sorrisos espontâneos. Para muitas delas, que vivem ali porque a vida lhes retirou cedo a proteção familiar, a presença do Chefe de Estado é um sinal de que não estão esquecidas. Há um valor simbólico em ver o mais alto representante do país sentar-se ao seu lado, escutá-las e partilhar momentos de leveza.

A visita de Daniel Chapo acontece num contexto em que a proteção da infância continua a ser um dos grandes desafios do país. Muitos menores vivem em situação de vulnerabilidade social, abandono ou precariedade. As instituições que os acolhem fazem parte da rede de proteção, mas nem sempre dispõem de todos os recursos de que precisam. Ao escolher passar ali o seu aniversário, o Presidente reforçou a visibilidade dessa realidade, lembrando que a resposta passa também por reforço de solidariedade social.

Não houve discursos longos, nem cerimónias formais. O encontro fez-se de gestos, de proximidade e de partilha. Ao despedir-se, o Presidente voltou a insistir na mesma mensagem: Moçambique precisa de mais amor entre as pessoas, de mais união e de mais compaixão. Só assim — afirmou — será possível construir uma sociedade mais justa e solidária.

Aos 49 anos, Daniel Chapo marcou o dia não com uma celebração privada, mas com um gesto público de afecto social. Um aniversário transformado em sinal político — não pela grandiosidade, mas pela simplicidade. E talvez tenha sido essa simplicidade que deu força ao gesto.

O edil de Quelimane, Manuel de Araújo, demitiu esta segunda-feira todos os membros do seu governo municipal, composto por 12 vereadores, 21 directores e outros quadros, incluindo o Chefe do Gabinete do Presidente. As cessações em massa ocorrem numa altura em que a edilidade está há 6 meses sem pagar salários. 

É uma situação que tem levado muitos funcionários do Conselho Municipal de Quelimane a visitarem a vitrina da edilidade, desde as primeiras horas desta terça-feira, para verem de perto os despachos das cessações de funções em massa.

Não há muitas informações das motivações que levaram o edil Manuel de Araújo a tomar tal decisão. Mas o facto é que ocorre numa altura em que o município de Quelimane vive uma profunda crise de gestão salarial de há mais de 6 meses, numa dívida que ronda os 72 milhões de meticais para mais de 900 funcionários. 

O ambiente é neste momento de incerteza por parte dos funcionários que não quiseram prestar declarações à nossa equipa de reportagem, para reagirem ao que está a suceder.

O facto curioso é que em menos de 24 horas das cessações, já foram nomeados o novo Chefe de Gabinete e o novo Vereador das Finanças.

Outro problema que Manuel de Araújo está a enfrentar tem que ver com a segunda fase das ciclovias, cujo processo corre termos na Procuradoria Provincial e no Tribunal Administrativo.

Sucede que há contratos celebrados para construção e no entanto há uma decisão para demolição da obra sem se definir quem custeará as consequências. 

O Ministério da Saúde (MISAU) registou, durante os 16 dias da quadra festiva 2025/2026, 21.284 casos de trauma e 95 óbitos, de acordo com dados recolhidos em 161 unidades sanitárias. O MISAU diz que foi um período marcado por um aumento expressivo de ocorrências relacionadas, sobretudo, com acidentes de viação, agressões físicas e quedas.

O balanço foi apresentado esta terça-feira, pelo Director da Assistência Médica no Ministério da Saúde, Nelson Mucopo, que explicou que o sector definiu como quadra festiva o período compreendido entre 20 de Dezembro de 2025 e 4 de Janeiro de 2026. Segundo o responsável, tratou-se de um intervalo sensível para o sistema de saúde, devido ao histórico de aumento de traumas associados às celebrações.

“Para o sector da saúde, a quadra festiva compreendeu um período de 16 dias, durante os quais definimos variáveis específicas que historicamente nos preocupam, sobretudo as relacionadas com traumas”, explicou Nelson Mucopo.

De acordo com os dados apresentados, o número de casos registados representa um aumento de 91% em comparação com o período homólogo da quadra festiva anterior (2024–2025), quando foram contabilizados 11.161 casos de trauma. Também o número de óbitos mais do que duplicou, passando de 40 para 95 mortes.

Os acidentes de viação continuam a ser a principal causa de trauma durante a quadra festiva. No período em análise, foram registados 7.233 casos, contra 3.247 casos no ano anterior, correspondendo a cerca de 40% do total de traumas atendidos nas unidades sanitárias.

“Em termos de acidentes de viação, registámos 7.233 casos que deram entrada nas nossas unidades sanitárias, o que representa uma parte significativa de todos os traumas atendidos”, afirmou o Director da Assistência Médica.

As consequências destes acidentes foram particularmente graves. Do total de 95 óbitos, 78 mortes resultaram diretamente de acidentes rodoviários, o que corresponde a cerca de 80% do total de mortes registadas no período.

“Cerca de 80 por cento dos óbitos que tivemos nesta quadra festiva foram consequência de acidentes de viação. Estamos a ter muita fatalidade nas nossas rodovias”, lamentou Nelson Mucopo.

As províncias mais afectadas pelos acidentes de viação foram Nampula, com 1.073 casos, seguida de Sofala, com 880 casos, e da Cidade de Maputo, com 852 ocorrências.

As agressões físicas constituem a segunda principal causa de trauma durante a quadra festiva. Foram registados 6.663 casos, contra 2.864 casos no período homólogo de 2024, tendo resultado em quatro óbitos.

A Cidade e Província de Maputo concentraram cerca de metade dos casos de agressão física, com 2.876 ocorrências, seguidas da província de Nampula, com 805 casos.

As quedas atingiram mais de 4 mil pessoas, contra mais de 2600 casos no período anterior, embora sem registo de óbitos associados.

Durante a quadra festiva, foram registados mais de mil casos de violência doméstica, contra apenas 261 no período homólogo de 2024.

No mesmo período, o sector da saúde registou 216 casos de violação sexual, contra 91 casos no ano anterior. Destes, 54 casos envolveram crianças menores de 14 anos, um dado que o Ministério da Saúde considera particularmente alarmante.

“A violência doméstica e a violação sexual continuam a ser uma grande preocupação, não apenas para o Ministério da Saúde, mas também para outras entidades do Estado”, afirmou o Director da Assistência Médica.

As províncias com maior número de casos de violação sexual foram Nampula, com 42 casos, Maputo-Cidade, com 40, e as províncias de Cabo Delgado e Zambézia, com 25 casos cada.

Durante o período festivo, foram ainda registados 330 casos de intoxicação, maioritariamente associados ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas e à ingestão de alimentos. Do total, 51 casos estiveram relacionados com álcool e 42 com alimentos, sendo que Maputo-Cidade e Maputo-Província concentraram cerca de 35% destas ocorrências.

O uso inadequado de objectos pirotécnicos resultou em 67 casos de trauma, dos quais 18 ocorreram na Cidade de Maputo e 13 na província de Gaza.

Segundo os dados apresentados, os dias 25 de Dezembro e 1 de Janeiro concentraram uma parte significativa das ocorrências. Só no dia de Natal foram registados mais de 1400 casos de trauma (7% do total), além de 10 óbitos, 47 casos de violência doméstica e 17 casos de violação sexual.

No dia 1 de Janeiro, deram entrada nas unidades sanitárias mais de 1900 casos de trauma, resultando em 15 óbitos, além de 115 casos de violência doméstica e 11 casos de violação sexual.

Apesar do aumento significativo dos números, o Ministério da Saúde considera que a quadra festiva decorreu de forma “calma e tranquila”, graças à prontidão das unidades sanitárias.

“Tivemos uma preparação antecipada das unidades sanitárias, com aprovisionamento de medicamentos, material médico-cirúrgico e reagentes laboratoriais, sobretudo nos serviços de urgência, blocos operatórios e maternidades”, explicou Nelson Mucopo.

O responsável garantiu ainda que não houve ruptura de stock, incluindo de sangue, permitindo responder adequadamente a todos os casos que necessitaram de transfusão.

“As unidades sanitárias estiveram em prontidão permanente e conseguiram responder a todos os casos que deram entrada durante a quadra festiva”, concluiu.

A Inspecção-Geral de Finanças reagiu, nesta terça-feira, em Quelimane, sobre a denúncia feita por um funcionário, ao Presidente da República, relacionada com a falta de cumprimento de alguns contratos envolvendo alguns funcionários da Direcção Provincial da Agricultura e Pesca e Ambiente. A Inspecção Geral das Finanças diz que compulsou todos os documentos e não constatou nenhuma verdade na denúncia.

Estiveram no auditório da instituição das finanças da Zambézia funcionários da Direcção Provincial da Agricultura, Pesca e Ambiente da Zambézia, diante da Inspecção Geral de Finanças, para apresentação dos resultados de sindicância realizada a aquela Direcção por conta de uma denúncia pública feita ao chefe do Estado aquando da sua visita recente de trabalho àquela província do Centro do país, por um funcionário.

A denúncia era relativa a desvio de fundos protagonizado pelos funcionários da Direcção Provincial da Agricultura, Pesca e Ambiente da Zambézia, que era feito através de um alegado esquema que envolvia três empresas.

A Inspecção Geral das Finanças foi destacada ao terreno, compulsou todos os documentos e não constatou nenhuma verdade na denúncia, segundo disse o representante da instituição, João Filipe. 

“Podemos concluir de que o nosso trabalho decorreu conforme as normas emanadas e os procedimentos da Auditoria Interna geralmente aceitos nas entidades públicas e nos guiamos também pelas normas internacionais da Auditoria. Reparando toda a cadeia, desde a instauração, entrega ou processo de planificação, instauração de procedimentos de contratação, execução de contratos, de escopo de contratos, distribuição, como é que os bens foram distribuídos pelo sector e pelos distritos, não encontramos matérias para dizer que a denúncia procede”, destacou João Filipe. 

Por outro lado, de acordo com João Filipe, também houve outro procedimento que foi a entrevista ao denunciado e ao denunciante. “Não foi possível encontrar por parte dos denunciantes, não estou a dizer funcionários no seu todo, mas daqueles que foram entrevistados, fundamentos ou documentos que contrariassem as nossas opiniões”, defendeu.

O Director Provincial da Agricultura e Pescas da Zambézia, principal visado no processo, falou de misto de sentimento mas não tem dúvidas que tudo tinha em vista manchar o seu bom nome. 

“É um misto de sentimentos. Sabia que não haveria nada diferente disto, mas a minha imagem ficou beliscada perante o país todo. Certamente há gente que não vão ter acesso a essas informações e perante eles fica aquela imagem que passou, mas isso é de menos, eu não sou aquilo que foi dito”, disse.

Fernando Namúcuo disse ainda que sempre primou por combater os corruptos, até porque “para quem me conhece desde o distrito onde andei, eu sempre fui alérgico aos corruptos, de tal sorte que quando cheguei nessa instituição, desmantelei esquemas, creio que deve ser isso que criou alguma fúria, esquemas fantasmas, empresas fantasmas, que não prestavam serviços, era preciso pôr ordem, e instituí ordem nessa instituição”.

A Inspecção Geral das Finanças diz que caberá às partes dar ou não andamento ao processo, junto de outras instâncias, com destaque para a justiça.

Lágrimas incontidas, revolta silenciosa e apelos veementes por justiça marcaram o velório e funeral de algumas das vítimas do naufrágio ocorrido na última sexta-feira, na praia do Bilene, província de Gaza.

Entre as vítimas, encontram-se Vânia, uma jovem mãe, e os seus dois filhos menores, cuja morte abalou profundamente familiares, amigos e a comunidade em geral, numa tragédia que volta a expor fragilidades graves na fiscalização e segurança do transporte marítimo em Moçambique.

O silêncio pesado que envolveu a cerimónia fúnebre, realizada na Cidade de Maputo, foi interrompido apenas pelo choro de familiares e amigos, que se revezavam em gestos de conforto mútuo. O ambiente era de profunda consternação. Em poucos metros, cruzavam-se dores distintas: um marido que enterrava a esposa e os filhos, pais que se despediam da filha e dos netos, e amigos que tentavam encontrar explicações para uma perda considerada injusta e evitável.

Durante o velório, os familiares descreveram Vânia como uma mulher dedicada à família, trabalhadora e profundamente ligada aos filhos. “A Vânia era uma mãe exemplar. Vivia para os filhos, fazia tudo por eles. É difícil aceitar que se tenham ido assim, de uma forma tão trágica”, disse, visivelmente emocionado, o irmão da vítima, Leonel Munambo.

Amigos próximos recordaram momentos de convivência e a ligação forte que existia entre mãe e filhos. “Ela estava sempre com um sorriso, mesmo quando as coisas não iam bem. Amava os filhos acima de tudo e sonhava com um futuro melhor para eles”, contou Ângela, amiga da falecida, acrescentando que a tragédia deixou um vazio impossível de preencher.

A despedida foi marcada por comoção e tristeza. Em vários momentos, o pranto colectivo ecoou no espaço, reflectindo a dimensão da dor sentida. Para além do sofrimento, porém, emergiu um sentimento dominante entre os presentes: a indignação.

“Não podemos aceitar que isto seja tratado como mais um acidente. Alguém tem de assumir responsabilidades. Estas mortes não aconteceram por acaso”, afirmou Ângela, reforçando o sentimento partilhado por muitos dos presentes. Segundo ela, há sinais claros de negligência e falhas que não podem ser ignoradas.

Para o irmão de Vânia, persistem muitas perguntas sem resposta. “Queremos saber como é que uma embarcação naquelas condições transportou pessoas. Onde estavam as autoridades? Quem autorizou a viagem? Há muitas falhas, e alguém tem de responder por isso”, questionou Leonel Munambo, defendendo uma investigação célere, transparente e com consequências concretas.

O tio das vítimas, José Nhavene, foi ainda mais incisivo ao exigir responsabilização exemplar dos envolvidos. “Isto podia ter sido evitado. Não estamos a falar de uma fatalidade inevitável, mas de negligência. Queremos justiça, para que outras famílias não passem pela mesma dor”, afirmou.

O naufrágio, que ocorreu durante a quadra festiva, vitimou, ao todo, cinco pessoas. Para além de Vânia e dos seus dois filhos menores, morreram mais duas pessoas. O incidente reacendeu o debate sobre a segurança no transporte marítimo, sobretudo em zonas costeiras e turísticas, onde a procura por travessias aumenta significativamente em períodos festivos.

Confrontadas com a situação, as autoridades garantem que já está em curso uma investigação para apurar as circunstâncias do acidente. O porta-voz do Serviço Nacional de Salvamento Público (SENSAP), Leonildo Pelembe, assegurou que todas as linhas estão a ser seguidas. “As autoridades estão a trabalhar para esclarecer as causas do naufrágio. O processo de investigação está em curso e, no fim, serão tornadas públicas as conclusões”, declarou, sem avançar prazos.

Apesar das garantias oficiais, familiares e amigos dizem-se cansados de promessas que, muitas vezes, não resultam em mudanças reais. “Já ouvimos isso antes. Investiga-se, fala-se muito, mas no fim ninguém é responsabilizado. Queremos resultados, não apenas discursos”, disse um dos presentes, sob anonimato.

Este não é um caso isolado. Ao longo dos últimos anos, Moçambique tem sido palco de várias tragédias marítimas, muitas delas associadas à sobrelotação de embarcações, falta de meios de salvamento, incumprimento das regras básicas de segurança e fraca fiscalização por parte das autoridades competentes.

Apenas 10 mil crianças, das mais de 18 mil previstas, foram matriculadas para a 1ª para, na cidade de Maputo. O sector da educação prorrogou o processo até a terceira semana do mês de Janeiro, como forma de abranger mais crianças. 

A menos de um mês para o arranque do ano lectivo 2026, algumas escolas, na cidade de Maputo, ainda não conseguiram sequer inscrever 50 por cento dos alunos previstos, para a primeira classe. 

Na Escola Primária 16 de Junho, por exemplo, apenas uma turma foi formada, das três previstas. 

Esperávamos ter 90 alunos. Portanto, cerca de 3 turmas da primeira classe. Não conseguimos, infelizmente. Neste momento temos apenas 35 alunos da primeira classe”, explicou Teresa Raimundo, directora da instituição. 

O cenário é similar na Escola Primária do Alto-Maé, onde  previa-se matricular,  até 31 de Dezembro, 159 novos ingressos, mas o processo foi marcado por fraca afluência. 

As matrículas decorreram normalmente no período estabelecido que foi de 1 de outubro a 31 de dezembro.Nós seguimos o protocolo do ano passado.  Nós esperávamos matricular 159 alunos, mas até então ainda não conseguimos atingir a meta. Conseguimos matricular 70 alunos.”, disse Célia Monjane. 

Entre as razões da fraca afluência, está a expansão para novos bairros. 

“O fenômeno que se verifica é que muitos pais saem das zonas da cidade para arredores ou zonas rurais. Então, levam os seus educandos para essas zonas, porque se formos ver o fenômeno de salas superlotadas lá nos arredores da cidade, é este fenômeno que lá se vive, e em contrapartida aqui na zona da cidade temos fraca aderência”.

O término do processo das matrículas estava previsto para 31 de Dezembro, entretanto, a direção da Educação decidiu estender até a terceira semana de Janeiro, para garantir que nenhuma criança fique de fora. 

Até esta data nós conseguimos  matricular  10.055 crianças.Isto, portanto, na primeira classe, o que faz cerca de 55,1%. Numa ordem de 18.078 alunos previstos, portanto, para o ano de 2026. Estamos, portanto, numa porcentagem boa. Nesses termos, eu convido a todos os pais  e encarregados de educação para não ter matriculado o seu filho ou o seu educado, que o faça neste período, para que esta criança não perca a oportunidade de ter acesso à escola”, disse Hélio Mudendere, porta-voz da Direcção da Educação da Cidade de Maputo. 

A abertura oficial do ano lectivo está prevista para 31 de Janeiro. 

Falta menos de um mês para o arranque do ano lectivo, entretanto, os vendedores de material escolar queixam-se de fraca procura, na cidade de Maputo e apelam aos pais e encarregados de educação que evitem enchentes de última hora. 

A contagem é decrescente para o regresso às aulas, cuja abertura do ano lectivo está prevista para 31 de Janeiro.

Uniforme escolar, pastas, cadernos e material diverso, já começam a preencher as avenidas da cidade de Maputo e as montras de várias lojas.

Acompanhada de seus filhos que irão frequentar a quarta e sétima classes, Orquídea Mate decidiu preparar tudo, ainda cedo e explicou que “Por acaso foi muito fácil comprar material escolar, consegui tudo. Por acaso, eu tenho comprado no mês de dezembro, so que no dia em vim, não tive como estacionar, então, eu preferi voltar. Acho que é mais fácil para mim agora. Não tem muito movimento”. 

Para alguns pais e encarregados de educação, o ideal é mesmo evitar as enchentes e filas longas que marcam as vésperas do início do ano lectivo e possíveis especulações dos preços. 

Do princípio, até já devia ter comprado. Atrasei um bocado. Normalmente, eu compro antes das festas. É mais tranquilo. As lojas não estão cheias. Tem muito material agora. Antes daquela grande concorrência.

Enquanto isso, os vendedores do mercado formal e informal fazem de tudo para garantir mais uma compra.

Para já, os comerciantes garantem que os preços mantêm-se estáveis, em comparação com o ano passado. 

Na verdade, os preços mantêm-se. Mesmo do ano passado. O que alterou-se um pouco é o caderno de capa preta. O sul africano custa 340 e o nacional 250”, explicou um vendedor. 

Apesar da disponibilidade do material escolar, os vendedores queixam-se de fraca procura. 

Eu acho que as pessoas ainda não receberam, por isso o movimento esta fraco. Mas para quem já tem condições, que venha adquirir o material escolar o mais rápido possível. É porque não dá para deixar tudo para depois. Na última hora, acabamos registando enchente. Alguns clientes levam o material. Depois, quando chega o momento de a gente fazer a conferência do próprio material, um ou outro cliente chega aí a reclamar.

Entre as razões da fraca procura por material escolar, alguns vendedores acreditam que a falta de dinheiro seja uma delas, devido aos gastos com as festas de celebração do Natal e da passagem do ano.

Mais um jovem foi assassinado por supostos homens-catana na cidade de Chimoio. A morte macabra ocorre numa altura em que a família busca esclarecimentos sobre a morte do pai, também assassinado há cerca de dois meses nos mesmos moldes.

Primeiro foi o pai, Amós Martinho, que exercia a profissão de docência ao ser assassinado por supostos homens-catana há cerca de dois meses, no bairro Nhaurir. Para garantir o sustento da família, Tomás Amós tornou-se mototaxista através deste meio.

Na madrugada da última segunda-feira, malfeitores escalaram a sua casa e o assassinaram.

“Os bandidos entraram e até pareciam mandados. Não roubaram nada, só entraram e assassinaram. Mataram dentro da casa dele”, contou Jossias Muiambo, avô da vítima. 

Após o crime, os malfeitores roubaram a motorizada, que foi recuperada na segunda esquadra da PRM. “Foi a esquadra que nos apresentou esta motorizada, depois de desaparecer, eles ligaram-nos para nos apresentar esta motorizada. Quanto aos criminosos, ainda não se sabe quem são, porque que fizeram  ou quais são os motivos e não sabemos qual é o seu paradeiro”, disse Miquidade Amisse, tio da vítima. 

Os restos mortais da vítima de 27 anos de idade vão ser enterrados esta quarta-feira.

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