O País – A verdade como notícia

Depois de dois dias de ruptura total, o combustível voltou a aparecer em Inhambane. Mas o que poderia ser um sinal de alívio rapidamente se transformou num retrato claro de uma crise que está longe de terminar. A reposição trouxe movimento às bombas, mas também trouxe filas intermináveis, tensão crescente e uma cidade inteira a disputar cada litro disponível.

A longa fila de viaturas no centro da cidade expõe a dimensão do problema. Há quem tenha esperado mais de duas horas apenas para conseguir abastecer, num exercício de paciência forçada. Outros nem sequer chegaram a tempo. Com os carros imobilizados, recorreram a bidões, tentando garantir o mínimo necessário para voltar a circular. Para muitos, esta já não é uma situação pontual, é uma rotina imposta pela escassez.

Há histórias que revelam bem o nível de desgaste. Viaturas que ficaram sem combustível em pleno andamento, obrigando os condutores a abandonar o carro e procurar alternativas. Outros nem arriscaram sair de casa. Deixaram os carros parados e organizaram-se para comprar combustível em recipientes, muitas vezes dois ou mais, numa tentativa de assegurar não apenas o presente, mas também o dia seguinte. É a gestão da incerteza, feita litro a litro.

O impacto é particularmente visível no transporte público, um dos sectores mais vulneráveis a esta crise. Motoristas enfrentam dificuldades para manter as rotas, fazem cálculos constantes para esticar o pouco combustível disponível e, mesmo assim, admitem que não conseguem garantir um dia completo de trabalho. Há percursos interrompidos, horários comprometidos e passageiros deixados à espera. E quando nem ao longo da Estrada Nacional Número 1 há combustível, as alternativas praticamente desaparecem.

Perante este cenário, algumas instituições optaram por soluções improvisadas. Em vez de abastecer viatura por viatura, levam tambores até às bombas, numa tentativa de distribuir o combustível pelos seus serviços. Mas nem isso é garantido. Num dia conseguem abastecer, no outro enfrentam restrições. A incerteza domina, e até a esperança passa a ser calculada.

Na única gasolineira em funcionamento, o ambiente é de pressão constante. Desde a noite de quarta-feira, altura em que foi feita a reposição, o movimento não parou. Não houve pausas, não houve momentos de alívio. A fila manteve-se firme, atravessando a madrugada e prolongando-se pelo dia seguinte. O gestor confirma a intensidade da procura, mas evita revelar números. Ainda assim, garante que há combustível para responder à procura imediata, embora admita que as quantidades já não são as mesmas de antes.

O abastecimento decorre sem restrições, numa tentativa de atender todos os utentes, sejam eles automobilistas ou cidadãos com bidões. Mas essa abertura não elimina o problema central: a procura é muito superior à oferta. E enquanto essa equação não mudar, o sistema continuará a operar no limite.

Até ao fecho desta reportagem, apenas uma das três bombas existentes na cidade estava a abastecer. 

CRISE PERSISTE EM GAZA

A crise de combustível persiste e agrava o cenário de transporte de pessoas e bens em Xai-Xai. Muitos são obrigados a percorrer mais 12 quilómetros a pé.  Em menos de 24 horas as consequências da crise de combustível começam a se manifestar. 

Os munícipes da capital provincial de Gaza descrevem o cenário de crise como preocupante, num contexto em que as soluções para a sua mitigação são escassas. Nesta quinta-feira, muitos desligaram os motores, por falta de alternativa, aliás de combustível em quase todas bombas da cidade. 

Nas escapam ainda dos efeitos da escassez de transportes de passageiros, com cenário de paragens, e muita a percorrer para os seus destinos a pé, incluindo estudantes que temiam perder avaliações.

O cenário de gente caminhando repetiu um pouco por toda cidade, com destaque para a baixa da cidade, ponto que concentra a área comercial e administrativa.

Ricardo Larson Utente Os poucos transportadores que conseguiram em Chibuto alguma quantidade de combustível, prevalece a inquietação e questionamentos.

O Município de Xai-Xai fez a reposição da via Wenela esta quinta-feira, uma via alternativa à ENI danificada no contexto da segunda vaga de inundações na urbe. Ainda assim, o trânsito continua crítico devido à alta procura de combustíveis. A crise de combustíveis regista-se em todos os 14 distritos de Gaza.

Dois jovens, de 19 e 21 anos de idade, e um adolescente de 17 encontram-se detidos, acusados de furto de uma arma de fogo do tipo pistola, acompanhada de seis munições. A arma foi subtraída de uma viatura pertencente a um cidadão de nacionalidade chinesa.

O caso ocorreu no dia 2 do corrente mês, no bairro Torrone Velho, na cidade de Quelimane. De acordo com as autoridades, o grupo, já referenciado pela prática de furtos, escalou uma viatura estacionada com a intenção de subtrair valores monetários.

No interior do veículo, os suspeitos depararam-se com a arma de fogo. De imediato, apoderaram-se dela e colocaram-se em fuga. Imagens captadas por uma câmara de vigilância instalada numa residência próxima permitiram identificar os três indivíduos no momento do crime e durante a fuga. Confrontados, os suspeitos confessaram a prática do delito.

O porta-voz do SERNIC apresentou detalhes sobre a actuação dos dois jovens e do adolescente envolvidos no caso. As autoridades garantem que vão reforçar as acções de combate à criminalidade na província, com maior incidência nos crimes que envolvem armas de fogo.

Iniciou-se ontem, na cidade da Beira, província de Sofala, a entrega de pouco mais de 9 milhões de meticais provenientes do Fundo de Desenvolvimento Local a mais de 300 beneficiários que submeteram os seus projectos à edilidade. Nos últimos dias, 317 mutuários do Fundo de Desenvolvimento local, residentes na cidade da Beira, beneficiaram de capacitação na gestão de pequenos negócios.

A iniciativa é da edilidade e tem como principal objectivo ajudar todos os beneficiários do fundo a exercerem as suas actividades com responsabilidade por forma a garantir o reembolso dos valores.

Nesta quarta-feira, os mutuários, dos quais 221 são mulheres, receberam os seus valores para iniciarem com os seus pequenos negócios. São, no total, 9 milhões e 800 mil meticais que serão entregues aos munícipes da Beira que concorreram ao financiamento de pequenos negócios.

O Município da Beira recebeu o dinheiro do governo central. Maria Sitole é uma das beneficiárias e diz estar satisfeita com a disponibilização do valor.

O presidente do Município da Beira, Albano Carige, apresentou, na ocasião, a comissão que irá fiscalizar e dar apoio aos mutuários em todas as fases dos negócios. Aliás, foi esta mesma comissão que foi responsável pela recepção e selecção dos negócios viáveis e que irá fiscalizar a execução dos mesmos. Ela é composta por académicos, empresários e líderes comunitários.

A Fidelidade Ímpar vai financiar o desenvolvimento de dois projectos comunitários, no valor de 1,5 milhões de meticais. As organizações beneficiárias foram conhecidas nesta quarta-feira, depois de um concurso lançado no ano passado. 

São duas as associações vencedoras do Prémio Fidelidade-Ímpar Comunidade,  de um universo de duzentas e dezesseis concorrentes. 

Trata-se de organizações que apresentaram os melhores projectos nas áreas de Inclusão Social de Pessoas com Deficiência e Prevenção em Saúde.

Vamos impactar, neste caso, mais de mil raparigas em matéria de saúde menstrual e também com produtos menstruais que são saudáveis para as raparigas. Para quem não sabe, uma rapariga de 14 anos perde até um terço do seu aproveitamento escolar por falta de produtos menstruais saudáveis. Estamos felizes com este prémio”, explicou a representante de uma das organizações vencedoras. 

O concurso foi lançado em Outubro de 2025, com o objectivo de contribuir na promoção do desenvolvimento sustentável. 

É resultado do trabalho que temos estado a desenvolver nos últimos anos e é com certeza uma certeza de que vamos continuar a implementar os nossos projectos em prol das crianças e das comunidades na província de Quelimane. É uma iniciativa que surge de uma preocupação social que a nossa empresa tem. Nós temos pilares fundamentais na nossa actividade, como a sustentabilidade, e um dos pilares da sustentabilidade é o social. Portanto, está na nossa génese trabalhar áreas do social e, como eu referi há pouco, enquanto empresa privada, também entendemos que não compete ao Estado tudo aquilo que é o apoio à comunidade, e nós temos também esse dever. Há a nossa dimensão, há a nossa capacidade, reconhecemos que não é ilimitada, mas achamos que devemos retribuir essa mesma capacidade à própria sociedade, aquilo que a própria sociedade nos transmite a nós e nos dá a nós”, explicou Victor Bandeira, presidente da Comissão Executiva da seguradora Fidelidade. 

O impacto social das iniciativas, viabilidade financeira e inovação foram alguns dos aspectos levados em consideração pelos membros do júri.

O vosso trabalho, de todos os vencedores, continua a dignificar a sociedade moçambicana e continua a inspirar, sobretudo, este espírito de desafio e o espírito de competição. Então, nós esperamos que estas duas organizações, as que são as duplamente vencedoras, que continuem a trabalhar para merecer, primeiro, a confiança, não apenas deste júri, mas da Fidelidade Ímpar e que continuem, como dizia o CEO, a inspirar futuros vencedores”, explicou Jorge Ferrão, representante do membro de júri.

As associações vencedoras receberam apoio financeiro no valor de 750 mil cada.

Cerca de dois mil colaboradores da Electricidade de Moçambique (EDM) passam, anualmente, a beneficiar de formação técnica especializada no País, marcando uma mudança estrutural no modelo de capacitação da empresa. A EDM era obrigada a enviar os seus quadros ao exterior para adquirir competências práticas.

 Integrada num projecto avaliado em cerca de 5 milhões de euros, a inauguração, nesta quarta-feira, de um moderno centro de formação marca um ponto de viragem. Dotado de salas equipadas com tecnologia de ponta e sete laboratórios especializados, o centro surge como resposta directa às lacunas na formação técnica em Electricidade no País, um desafio que há anos condiciona o desempenho do sector energético.

Segundo Assa Fumo, directora da Academia da Electricidade de Moçambique, o novo espaço pretende colmatar o défice de competências práticas dos técnicos recém-formados.

“Ao nível do sistema nacional de educação, o sector de energia ainda enfrenta um vazio na formação técnica especializada. Muitas vezes, contratamos jovens que, apesar da formação académica, não estão totalmente preparados para as exigências do sector. Esta academia corporativa surge para reduzir esse ‘gap’, permitindo que os formandos tenham contacto directo com laboratórios de geração, protecção e sistemas eléctricos, desenvolvendo competências práticas essenciais”, explicou.

Com capacidade para formar mais de dois mil profissionais por ano, o centro representa, também, um ganho financeiro significativo para a empresa, ao reduzir os elevados custos associados à formação no estrangeiro.

“Estes centros diminuem a necessidade de enviar técnicos para fora do País, o que implicava custos elevados e desafios logísticos. A nossa política, alinhada com a ADEME, privilegia a formação vocacional, o saber-fazer do sector energético, realizada internamente. Apenas recorremos a parceiros externos para certificações internacionais, o que reduz substancialmente os encargos financeiros”, acrescentou a responsável.

Para além da vertente formativa, espera-se que o reforço de competências técnicas tenha impacto directo na qualidade do serviço prestado ao público, nomeadamente na eficiência do atendimento e na expansão da rede eléctrica em todo o território nacional.

Na ocasião, o secretário permanente do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, António Manda, destacou o carácter estratégico da infra-estrutura.

“A inauguração deste centro representa muito mais do que a disponibilização de uma nova infra-estrutura. É um marco no processo de transformação e modernização da EDM, afirmando-se como um espaço privilegiado para a geração, partilha e consolidação de conhecimento técnico e científico. Este investimento terá reflexos na melhoria contínua da qualidade do fornecimento de energia eléctrica no país”, sublinhou.

O projecto foi financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e inclui não apenas a construção do centro, mas também o desenvolvimento de conteúdos formativos e capacitação de formadores.

O embaixador da França em Moçambique, Yann Pradeau, explicou que a iniciativa contemplou a criação de 16 programas de formação técnica, num investimento adicional de cerca de 2,6 milhões de euros. 

“O projecto permitiu estruturar programas de formação, desenvolver materiais pedagógicos e formar formadores internos, garantindo a sustentabilidade do sistema de capacitação da EDM. Também contribuiu para o reforço dos equipamentos técnicos da empresa”, afirmou.

Num esforço adicional de inclusão, a França disponibilizou ainda 100 mil euros destinados à formação de mulheres na área de electricidade, promovendo maior participação feminina num sector tradicionalmente dominado por homens.

Com esta infra-estrutura, a EDM não só reforça a sua autonomia técnica, como também dá um passo estratégico rumo à consolidação de um sector energético mais eficiente, sustentável e alinhado com as exigências do desenvolvimento económico de Moçambique.

Um pouco pelo país, há sinais que não enganam. São filas que crescem a cada hora, viaturas estacionadas à porta das bombas como quem guarda um lugar na esperança de um milagre, motores desligados, rostos cansados e uma pergunta que ninguém consegue responder com clareza: onde está o combustível?

Moçambique volta a viver um daqueles momentos em que o essencial deixa de ser garantido e quando isso acontece, tudo o resto entra em risco.

Na cidade de Xai-Xai, a capital provincial de Gaza, a crise instalou-se com força desde as 17 horas de terça-feira. O que antes era rotina, parar numa bomba e abastecer, transformou-se num exercício de sorte. Na quarta-feira, apenas duas das doze bombas existentes estavam operacionais e o resto está mergulhado num silêncio inquietante, sem combustível, sem respostas, sem previsões.

E quando o combustível falta, não é apenas o transporte que pára. É a vida que abranda, é a economia que hesita e a urgência que se complica.

“Não estamos nada aliviados. Estamos zangados”, desabafa um automobilista, com a frustração de quem vê o tempo passar e as soluções não aparecem. Há doentes que precisam de transporte, trabalhadores que dependem da mobilidade diária, famílias que vivem da logística informal. E todos estão, de uma forma ou de outra, reféns desta escassez.

Enquanto isso, nas poucas bombas em funcionamento, o cenário é de pressão constante, com filas longas, abastecimentos limitados a mil meticais por viatura, e uma matemática cruel, onde em cada dez pessoas na fila, apenas duas conseguem abastecer, segundo revelou um automobilista, visivelmente agastado.

O edil de Xai-Xai não esconde a preocupação. Reconhece a gravidade da situação e alerta para um efeito dominó que já começou a desenhar-se, com a possível subida de preços, encarecimento do transporte e agravamento do custo de vida. Numa cidade que já enfrenta desafios estruturais em consequência das inundações, a falta de combustível pode ser o empurrão que faltava para agravar ainda mais a vulnerabilidade dos munícipes.

E o problema não se limita à capital provincial. Distritos como Chongoene, Limpopo, Mandlakazi, Chókwè, Chibuto, Mapai e Massagena também estão a sentir o impacto. A crise espalha-se, silenciosa, mas eficaz.

A pergunta inevitável que surge é se será esse um problema pontual ou o início de algo maior?

Em Inhambane, a resposta parece apontar para a segunda hipótese.

Na capital da “Terra da Boa Gente”, o simples acto de abastecer deixou de ser simples. É uma corrida contra o vazio, onde motoristas percorrem a cidade de uma bomba à outra, numa busca que muitas vezes termina sem sucesso. Há quem deixe a viatura estacionada junto às bombas, como quem aposta na sorte de ser o primeiro quando e se o combustível chegar.

“Já passei por todas as bombas. Nenhuma tem gasolina”, conta um mototaxista, com a naturalidade de quem já incorporou o caos no quotidiano.

Sem alternativas dentro da cidade, muitos recorrem à vizinha Maxixe. Uma travessia que, em condições normais, seria simples, mas que agora se tornou uma estratégia de sobrevivência. Há quem envie dinheiro a familiares para comprar combustível do outro lado. Há quem arrisque viagens longas apenas para manter a actividade.

No sector dos transportes, o impacto é ainda mais brutal. Há operadores que percorrem até 50 quilómetros só para abastecer, um esforço que encarece o serviço e reduz as margens de sobrevivência.

E mesmo quando há combustível, a incerteza mantém-se. Numa das poucas gasolineiras com previsão de reposição, o gestor admite que as quantidades são cada vez menores. “Recebemos pouco, mas com frequência”, diz, numa tentativa de transmitir alguma normalidade onde ela claramente já não existe.

Quando questionado sobre as causas da escassez, a resposta é desconcertante: ninguém sabe. Ou, pelo menos, ninguém diz.

Mas engana-se quem pensa que este é um problema restrito ao sul do país.

Na região centro, o cenário repete-se com nuances próprias. Em Manica, o “O Pais” encontrou uma realidade igualmente preocupante. Durante dias, apenas uma bomba abastecia toda a cidade, onde filas que começam de manhã, se prolongam até ao fim da tarde. Esperas longas, limites apertados e uma sensação generalizada de impotência.

Odete António estava na fila por mais de 4 horas e ainda aguardava. “Está muito crítico”, resume, com a paciência já no limite.

Os valores também mudaram. Para viaturas, o abastecimento é limitado a 500 meticais. Para motorizadas, 100 meticais. Uma quantia que, para muitos, não cobre sequer um dia de trabalho.

Mototaxistas falam de prejuízos acumulados, onde as contas já não fecham e o rendimento diário caiu, enquanto os custos continuam a subir.

“Estamos a sofrer. Não conseguimos fazer receita”, desabafa um operador, num retrato fiel de um sector que depende directamente da estabilidade no abastecimento.

E em Tete, a história não é diferente, talvez apenas mais intensa.

Há cerca de duas semanas que a escassez se faz sentir. Quase todas as bombas estão sem combustível e o pouco disponível é distribuído de forma alternada, criando uma espécie de rotação entre os postos. Hoje abastece uma bomba, amanhã outra. Um sistema improvisado que apenas desloca o problema de lugar, sem o resolver.

O resultado é previsível onde com a concentração da procura, aumento da pressão e mais tensão nas filas.

“Já passei por todas as bombas. Não há combustível”, diz um automobilista, repetindo um discurso que ecoa de norte a sul.

No mercado paralelo, os preços disparam. Meio litro chega a custar 150 meticais. Um litro, 300. Valores que tornam o combustível inacessível para grande parte da população.

E quando o combustível sobe, tudo sobe. O transporte encarece, os produtos acompanham, e o custo de vida ajusta-se, sempre para cima.

A crise já não é apenas de abastecimento, é social, é económica e estrutural.

E, talvez mais preocupante do que a própria escassez, é o silêncio que a rodeia. A ausência de explicações claras, a falta de previsibilidade, a sensação de que o país está a reagir, mas não a antecipar.

Moçambique já passou por momentos semelhantes. E, como sempre, a resiliência das pessoas acaba por segurar o que as estruturas não conseguem.

Mas há um limite, porque, no fim do dia, não se trata apenas de combustível. Trata-se de confiança, de saber se amanhã será diferente de hoje, ou apenas mais do mesmo.

Um indivíduo foi barbaramente assassinado pelo seu vizinho, na cidade da Beira, supostamente por razões passionais e por ter recusado pagar bebidas alcoólicas a um outro indivíduo que é irmão gémeo de uma jovem com quem estava numa casa de pasto. 

Mais um crime hediondo foi registado na cidade da Beira, por razões aparentemente passionais. O último caso foi registado na noite do passado domingo no décimo quarto bairro.

Um jovem, que já se encontra detido, indiciado como autor do crime, dirigiu-se a uma casa de pasto na noite do passado domingo e encontrou, no local, a sua irmã gémea a consumir bebidas alcoólicas com um vizinho.

Ele exigiu explicações à irmã por estar naquele local  e com o vizinho numa mesa repleta de bebidas. De seguida, pediu ao agora finado que lhe pagasse igualmente bebidas alcoólicas.

O pedido não foi satisfeito, facto que propiciou uma forte discussão. O irmão da jovem pegou numa das garrafas que estavam na mesa e desferiu vários golpes na região do abdómen e na cabeça do seu vizinho, e, dada a gravidade dos golpes, o mesmo perdeu a vida no local. O suposto autor do crime, que é confesso, conta que o acto não foi premeditado.

Ele disse que o vizinho se dirigiu a ele no momento em que pediu a bebida, injuriou a irmã e indicou que ela era de má conduta. O indiciado fugiu após cometer o crime e foi esconder-se na casa da namorada, num outro bairro, onde foi detido 24 horas depois.

A esposa da vítima, agora viúva e mãe de dois filhos menores, ainda está em estado de choque e, na esquadra, para onde se deslocou na companhia de familiares, chegou a perder os sentidos por duas vezes.

Na parte externa da sétima esquadra, onde o indiciado está encarcerado, amigos e vizinhos da vítima exigiam a soltura do detido, para fazerem justiça pelas próprias mãos. A polícia teve de os consciencializar sobre o crime que poderiam cometer, e os ânimos amainaram.

O ministro moçambicano da Saúde, Ussene Hilário Isse, afirmou que o País enfrenta uma “tragédia silenciosa” marcada pelo crescimento acelerado das doenças crónicas não transmissíveis e dos seus factores de risco.

Falando nesta quarta-feira, na Assembleia da República, Isse mostrou-se preocupado com o estado de saúde da população moçambicana, evidenciando, por exemplo, o aumento do número de pessoas com sobrepeso que, em 2005, era de 21,2 por cento, tendo passado para 35,5 por cento em 2024.

É uma realidade que, segundo o governante, evidencia uma tendência crescente de factores de risco como a obesidade, a diabetes e a hipertensão arterial. “O que estamos a assistir é o aumento de factores de risco evitáveis. E repito: evitáveis”, disse Isse, sublinhando que a falta de actividade física, os hábitos alimentares inadequados e o consumo de tabaco e do álcool estão a agravar a situação no País.

Outro ponto crítico levantado pelo ministro da Saúde foi o baixo nível de conhecimento da população sobre doenças silenciosas como a hipertensão e a diabetes, realçando que muitas pessoas vivem sem saber que estão doentes, “o que dificulta o diagnóstico precoce e aumenta o risco de complicações graves”.

Neste sentido, Isse apelou à população e aos deputados para reforçarem a prevenção, incentivando o rastreio regular destas doenças no Sistema Nacional de Saúde. “Prevenir e diagnosticar cedo é fundamental para evitar complicações graves”, sublinhou o ministro da Saúde.

O governante destacou a necessidade de mudança no perfil epidemiológico do País, partilhando que, enquanto as doenças infecciosas têm vindo a diminuir, as doenças crónicas não transmissíveis e os traumas representam cerca de 60% da procura pelos serviços de saúde.

Além disso, alertou para o impacto económico destas doenças, referindo que o tratamento de doenças como diabetes e hipertensão é significativamente mais caro do que o de doenças infecciosas como a malária, “o que poderá aumentar a pressão sobre o orçamento do sector da saúde”.

O ministro da Saúde mostrou-se, igualmente, preocupado com o aumento da mortalidade por doenças crónicas, que passou de cerca de 8%, em 2007, para 37 por cento no biénio 2023/2024.

Isse destacou ainda o crescimento dos casos de trauma, sobretudo resultantes de acidentes rodoviários, classificando-os como um “novo desafio nacional” e defendendo uma mudança urgente de paradigma no Sistema Nacional de Saúde, com maior foco na prevenção, educação e adaptação dos serviços para responder às doenças crónicas.

O governante abordou também a necessidade de avançar com a aprovação da legislação sobre transplantes, como alternativa sustentável à hemodiálise, cuja procura tem aumentado significativamente no País.

Ussene Isse apelou aos deputados da Assembleia da República para que actuem como “vectores de mudança”, promovendo a educação e sensibilização das comunidades sobre a importância de estilos de vida saudáveis e do diagnóstico precoce.

“Está tudo nas nossas mãos”, concluiu o ministro, reforçando que a prevenção é o caminho mais eficaz para salvar vidas e reduzir o impacto das doenças no País.

O empreendedor moçambicano António Gaspar Mabunda, que actua no ramo de consultoria e auditoria em contabilidade há mais de 20 anos, conquistou, pela segunda vez, o Prémio Empreendedor Lusófono, na categoria de contabilidade e finanças.

A iniciativa, organizada pela Televisão Record Europa, que decorreu em Portugal, visa distinguir jovens que se destacam no empreendedorismo na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O reconhecimento surgiu depois de a Televisão Record acompanhar a evolução dos empreendimentos de António Gaspar Mabunda no ramo da contabilidade e auditoria.

Apesar do reconhecimento internacional, o empresário alerta que “ainda tenho muito a fazer pelo no nosso País”, destacando ser “uma honra, como moçambicano, vencer este prémio e continuar a celebrar e a contribuir para promoção de talentos lusófonos”.

O empreendedor moçambicano espero que esta experiência sirva para inspirar outros e para reforçar a importância de investir no empreendedorismo como caminho para o desenvolvimento.

Certificado por uma empresa de auditoria e consultoria a nível mundial, considera ainda que a distinção é uma oportunidade para inspirar outros jovens e mostrar que é possível transformar ideias em projectos concretos.

Mabunda teve um percurso que começou de forma modesta, num simples estaleiro, até à fundação da empresa “Mutaveia Soluções”, que, entre outros serviços, faz o diagnóstico organizacional e o respectivo acompanhamento.

Foi com este empreendimento que António Gaspar Mabunda obteve reconhecimento internacional.

Mestre em Gestão Empresarial e licenciado em Filosofia e Desenvolvimento, descreve a sua trajectória profissional como sendo marcada por um compromisso contínuo com a promoção de boas práticas de gestão e pela capacitação de empresas nacionais.

Desde a sua criação, a empresa tem apoiado diversas iniciativas, contribuindo para o fortalecimento do tecido empresarial moçambicano.

Segundo Mabunda, o sucesso do seu percurso está ligado à capacidade de identificar problemas reais no mercado e apresentar soluções eficazes. “O nosso trabalho não é dizer às pessoas o que fazer, mas sim ajudá-las a estruturar as suas ideias e a encontrar caminhos viáveis para concretizá-las”, explicou.

A primeira vez que António Mabunda foi distinguido na diáspora foi há dois anos, também pela mesma instituição.

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