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Ficou reaberta, desde a tarde de hoje, a circulação de viaturas na estrada entre Chissano a Chibuto, permitindo-se a ligação entre o Sul e o resto do país, contornando a cidade de Xai-Xai, que ainda se encontra com focos de alagamento e ainda intransitável. As autoridades procuram formas de resolver a situação no troço entre Chicumbane e cidade de Xai-Xai, no baixo Limpopo, que ainda não permite a circulação.

Uma boa nova para os automobilistas e passageiros que ficaram muitos dias retidos em Maputo, quando tinham como destino outros pontos do país, sem no entanto terem formas de seguir pelas vias alternativas criadas pelo Governo, nomeadamente o navio que ligava a capital do país ao Porto de Chongoene, ou através do comboio que fazia o trajecto Maputo a Magude.

É que este domingo foi reaberto o troço entre Chissano, na EN1, até o distrito de Chibuto, depois de quase duas semanas de interrupção devido às inundações na região Sul do país, que provocaram o corte da Estrada Nacional Nº. 1, inundou a cidade de Xai-Xai quase que por completo.

Com a reabertura da via Chissano a Chibuto, na EN220, fica novamente garantida a ligação entre a cidade e província de Maputo com o resto do país, contornando a cidade de Xai-Xai, no seguimento da EN1, ainda intransitável.

Assim, a ligação entre os dois pontos do país é feita através da EN1, entrando pelo cruzamento para Chibuto, no caso no troço EN220, entre Chissano e Chibuto, seguindo pela EN102, que liga Chibuto a Chongoene até a estrada EN1, e vice-versa para quem faz o sentido Norte-Sul do país.

Trata-se de uma via considerada estratégica por restabelecer a ligação rodoviária entre o Sul e o Norte de Moçambique, servindo como alternativa crucial após as interrupções causadas pelas fortes chuvas e cheias que afectaram a Estrada Nacional Número 1. 

A reabertura da via, que tem um troço de 39 quilómetros, é fundamental porque outros pontos da EN1, como a zona de Anguluzane, na cidade de Xai-Xai, que ainda enfrentam restrições ou estão intransitáveis.

Sobre estas vias intransitáveis, a ANE escreve que “continua intransitável a EN1, na cidade de Xai-Xai, não havendo, por enquanto, ligação terrestre entre Maputo e Xai-Xai, através do troço Incoluane – Baixa de Chicumbane – Cidade de Xai-Xai”, para além de outros troços, casos de “EN1 entre a ponte sobre o Rio Limpopo e a Baixa da Cidade de Xai-Xai/Anguluzane (Toda baixa de Xai-Xai), EN221, entre Chibuto e Chicualacuala, R448 entre Manjangue e Barragem de Macarretane, R856, no troço Guijá a Chókwè, e NC entre Magul a Tlawene”.

O tráfego foi restabelecido não para todos os tipos de viaturas após trabalhos de emergência para a reposição da via, segundo escreve a ANE em comunicado. “Nesta primeira fase, a transitabilidade está aberta de forma condicionada, somente para viaturas ligeiras e autocarros, enquanto decorrem trabalhos de melhoramento da plataforma para permitir a passagem de viaturas pesadas, logo que os trabalhos terminarem”, escreve.

Embora a via esteja aberta, as autoridades recomendam prudência, pois as obras de melhoramento continuam no terreno. Recomenda-se evitar o excesso de velocidade e a condução noturna nos troços recentemente recondicionados.

“Para os automobilistas que se deslocam de Maputo para outros destinos atravessando a baixa da Cidade de Xai-Xai, e vice-versa, recomendamos que reprogramem as suas viagens, tendo em conta que a EN1, na cidade de Xai-Xai (Anguluzane), continua intransitável, e, assim, evitam-se congestionamentos e riscos de acidentes”, escreve a ANE.

O empreiteiro que trabalha na Estrada Nacional Número 220 (EN220) recebeu um reforço de equipamento da empresa que explora as areias pesadas de Chibuto para acelerar as obras e garantir a abertura da via que liga Chissano, Chibuto até Chongoene, contornando-se assim a cidade de Xai-Xai, na N1 que continua intransitável.

A administradora do distrito de Chibuto, Cacilda Banze, explicou que foi reforçado, sábado último, o número de equipamentos que trabalham no terreno, onde o empreiteiro prevê concluir as obras em cinco dias.

“Pedimos à mineradora para nos aumentar camiões e pás escavadoras, prontamente a empresa forneceu-nos três camiões basculantes e uma pá escavadora que está acelerar o trabalho para que esta estrada rapidamente seja aberta. O empreiteiro garante-nos que em menos de cinco dias pode conseguir resolver o trabalho. Como agora aumentamos os camiões, acho que rapidamente vai concluir “, disse Cacilda Banze, administradora do distrito de Chibuto.

 

Interditada circulação nocturna nos troços recondicionados

Entretanto, e para uma melhor segurança dos automobilistas e passageiros, a Administração Nacional de Estradas (ANE) decidiu interditar, a partir desta segunda-feira, a circulação de viaturas no período nocturno, ou seja, das 20h00 às 05h00 da manhã, em todos troços recém-reabertos, depois dos cortes causados pelas cheias no troço entre Incoluane e 3 de Fevereiro, na EN1

A medida interposta pela Administração Nacional de Estradas tem a duração de 30 dias, devendo haver nova comunicação até inícios de Março.

“A interrupção da circulação nocturna de viaturas vigora entre as 20:00 horas e as 5:00 horas, com efeitos a partir do dia 02 de Fevereiro de 2026 (Segunda-feira), por um período de 30 dias”, refere.

De acordo com uma nota emitida pela ANE, a medida visa igualmente fazer uma melhor gestão do tráfego, segurança e evitar possíveis bloqueios derivados da demanda que poderá ocorrer na via que adopta o sistema de circulação intercalada em sentidos opostos.

A Administração Nacional de Estradas apela aos automobilistas para evitar a condução nocturna; respeitar a sinalização colocada ao longo do troço; evitar excesso de velocidade.

Os trabalhos de melhoramento da Estrada Nacional Nº 1 continua a todo vapor nos troços que estavam interrompidos devido às inundações, sendo que em alguns pontos, principalmente em Chicumbana, no baixa Limpopo, bem como ao longo da cidade de Xai-Xai, ainda não está transitável.

Pelo menos 70 famílias vivem em casas alagadas, no bairro de Boquisso “A”, no município da Matola. Várias ruas encontram-se submersas e os moradores relatam afogamentos e desaparecimentos de crianças, nas águas que inundaram alguns quarteirões. 

No bairro de Boquisso “A” vários quarteirões foram engolidos pelas águas e encontram-se em risco de desaparecer. 

Muitas casas estão submersas, até perto do tecto e sem condições mínimas para viver.  

No local, o conhecido líquido precioso trouxe dor e continua a transportar perigo para dezenas de famílias. 

“A água já ultrapassou os limites das janelas. Não sabemos se o município está nos esquecendo, se o município sabe da situação, se o município lembra de nós, se essa situação vai se resolver ou ainda não. Aqui tem insectos, aqui. Aqui nós temos crianças. Todos os dias as crianças estão aqui”, lamentou Nilda Chivambo, residente no bairro Boquisso “A”.

Em alguns quarteirões do bairro Boquisso “A”, no município da Matola, já nem é possível identificar as ruas, porque as águas tomaram conta de todos os cantos.  

Além de serpentes e insectos, os moradores convivem com peixes, e à vista de todos, as crianças transformam estes espaços em piscinas, expostos aos riscos de doenças, afogamentos,  ou até de perder a vida. 

Este problema vivido pelos munícipes de Boquisso “A” começou em 2023 e  a situação tende a agravar-se, sempre que chove. Desilusão para quem sonhou em fazer a sua vida. 

A cada dia, mesmo sem condições, os moradores abandonam as suas casas, cansados de viver dentro da água. São sacrifícios e os sonhos de uma vida inteira, reduzidos a nada…

Que o diga Hussein Francisco, que com a ajuda de vizinhos, retirava os poucos bens que ainda era possível recuperar.  

Porque consideram os valores pagos nas casas de renda elevados, alguns dependem da boa vizinhança de quem não tem água, pelo menos dentro de casa. 

“Esta é a minha casa, que vocês conseguem ver aqui. Está toda cheia de água, não tenho onde dormir, tenho dormido num cantinho que pedi na casa dos meus vizinhos. Pedimos socorro por conta da água aqui em Boquisso, estamos a sofrer com crianças, carregamos as coisas mas nem para onde ir sabemos”, lamentou Hermínia Alexandre.

Enquanto isso, há quem mesmo vive, literalmente, na água.

“Nós entramos em casa através destes sacos, estes que colocamos aqui e usamos blocos também lá dentro.  Não vou arrendar porque não tenho dinheiro, continuo a viver aqui”, disse.

Nesta condição vivem cerca de 100 famílias, segundo explicou Filipe Magaia, chefe do quarteirão 5, do bairro Boquisso “A”, que, aliás, queixam-se de abandono por parte do município. 

Os moradores questionam o facto da edilidade ter permitido a construção de casas nestes locais vulneráveis a inundações. 

Para reagir ao assunto, contactamos o gabinete de Comunicação e Imagem do município da Matola, que prometeu pronunciar-se oportunamente.

O Ministério da Saúde recebeu, recentemente, um donativo de 16 mil pares de luvas cirúrgicas, destinado a reforçar a resposta médica às populações afectadas pelas cheias nas províncias de Maputo e Gaza, no sul do país.

Na cerimónia de entrega do material, o director nacional de Assistência Médica, Nelson Mucopo, destacou a importância do apoio, sublinhando que o equipamento irá contribuir significativamente para melhorar o atendimento às comunidades atingidas pelas inundações. Segundo explicou, as luvas serão utilizadas exclusivamente pelas brigadas médicas que operam no terreno, sobretudo nos centros de acomodação das famílias deslocadas.

“As populações afetadas necessitam de apoio urgente, e as nossas equipas continuam empenhadas não apenas no resgate, mas também na prestação de cuidados de saúde nos locais de acolhimento”, afirmou o responsável, citado pela Lusa.

Entretanto, os dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que o número de pessoas afetadas pelas cheias registadas desde janeiro já ascende a 723.289, correspondentes a 170.223 famílias. Apenas nas últimas 24 horas, mais 20 mil pessoas foram afetadas. Até ao momento, há registo de 22 mortes, 45 feridos e nove desaparecidos.

As zonas ao longo do rio Revúbuè e do vale do Nhartanda, e nas imediações do monte Caloeira continuam a ser consideradas de elevado risco de cheias e deslizamentos de terra em época chuvosa. Face a esta situação, o Conselho Municipal de Tete anunciou a retirada de cerca de 800 famílias, que vivem naquelas áreas, com vista ao reassentamento em espaços considerados seguros.

Sem avançar datas, a edilidade garante que já dispõe de áreas alternativas identificadas, numa medida que visa prevenir perdas humanas e materiais.

Reagindo à matéria divulgada pela STV, que dava conta de que a população que vive ao longo do vale do Nhartanda, na cidade de Tete, enfrenta uma situação de elevado risco, numa altura em que o país regista cheias, o Conselho Municipal de Tete, através do vereador do pelouro da Urbanização, esclareceu que estas famílias já haviam sido atribuídas parcelas de terreno aquando das cheias de 2019 e 2022.

Segundo a edilidade, apesar de terem sido identificados e disponibilizados espaços considerados seguros, há registo de alguma resistência por parte dos munícipes em regressar aos locais indicados, preferindo permanecer em zonas classificadas como de risco.

Sem avançar datas, o vereador garantiu que as famílias serão retiradas dos locais, e disse ainda que o município já dispõe de áreas alternativas, devidamente identificadas, onde os munícipes poderão ser realojados. 

Além da população residente ao longo do rio Revúbuè e no vale do Nhartanda, o processo de retirada de famílias vai igualmente abranger os munícipes que construíram as suas residências nas imediações do monte Caloeira, outra zona considerada de elevado risco de deslizamentos de terra.

De referir que já foi emitido o alerta para retirada da população das zonas de risco, pela administração Regional  de águas do Centro.

Os Transportadores do Terminal Rodoviário da Junta retomaram, ontem,  às actividades, após reabertura da Estrada Nacional Número Um (EN1), no troço 3 de Fevereiro-Incoluane e os passageiros já podem viajar para as províncias de Gaza e Inhambane.

O Governo anunciou a abertura da estrada, no troço 3 de Fevereiro-Incoluane. Então, a partir daquela hora, nós começamos a trabalhar de Maputo até a cidade de Xai-Xai. Terminamos na pontinha, e de lá os passageiros apanham pequenas embarcações até a subida da sede do partido, onde tomam os outros carros”, disse France Manhiça, chefe dos transportes para Gaza, na Junta. 

Manhiça avançou que só ontem saíram sete carros lotados de passageiros, devido ao fluxo de passageiros.

Já começa a haver disponibilidade de coco no Mercado Grossista do Zimpeto. Os vendedores são obrigados a usar meios alternativos para garantirem o produto, mas o preço tende a baixar. 

Segundo os vendedores, o coco vem de Inhambane, mas, para que possa atravessar a cidade de Xai-Xai, é preciso que sejam usadas embarcações marítimas ou o comboio. 

Agora, verificam-se preços que variam de 30 a 40 meticais, depois de, na semana passada, ter chegado a custar 60 e 75 meticais.

Um deslizamento de terra ocorrido nas proximidades dos Montes Namuli, no distrito de Gurué, na Zambézia, provocou a morte de cinco pessoas e deixou outras cinco feridas. Ao todo, 10 pessoas ficaram soterradas, das quais metade conseguiu sobreviver após ser socorrida por populares.

O incidente chocou a localidade de Mavunha, no distrito de Gurué. No passado dia 26 do corrente mês, registou-se um deslizamento de terra numa mina situada nas proximidades dos Montes Namuli. A forte chuva que se faz sentir na região deixou os solos frágeis, aliado à actividade de mineração ilegal, resultou no soterramento de 10 pessoas, sendo que cinco foram resgatadas com vida.

De acordo com as autoridades, a mina onde ocorreu o acidente é recente e, neste momento, encontra-se encerrada.

A Polícia da República de Moçambique apela à população para que evite deslocar-se ao local para a extração de minérios, uma vez que os solos continuam instáveis, aumentando o risco de novos deslizamentos.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) precisa de 32 milhões de dólares (cerca de 26,7 milhões de euros) para apoiar, nos próximos três meses, cerca de 450 mil pessoas afetadas pelas cheias em Moçambique, anunciou a organização.

Segundo um comunicado, citado pela Lusa, a agência está a utilizar meios como veículos anfíbios, barcos, camiões, aviões e helicópteros para chegar às comunidades isoladas, mas alerta que a resposta está limitada pela falta de financiamento. 

A directora nacional do PAM em Moçambique, Claire Conan, citada pela Lusa afirmou que a organização dispõe de equipas técnicas, logística e capacidade operacional para reforçar rapidamente a assistência alimentar e nutricional, mas que a escassez de fundos impede o alargamento do apoio.

Claire Conan sublinhou ainda que as cheias representam não só uma emergência imediata, mas também uma séria ameaça à segurança alimentar a longo prazo, num contexto em que duplicou o número de pessoas que necessitam de ajuda do PAM no país. Grandes extensões de terras agrícolas ficaram submersas, o que deverá comprometer as próximas colheitas, provocar escassez de alimentos e aumentar os preços.

A responsável apelou à comunidade internacional para apoiar tanto a resposta de emergência como iniciativas de segurança alimentar sustentável. O PAM acrescenta que a falta de financiamento já levou a uma redução de 60% no número de beneficiários no norte do país em comparação com 2024, prevendo-se um novo corte de 40% em março e a suspensão total da assistência em maio, caso não haja apoio imediato.

De acordo com dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as cheias das últimas semanas causaram 22 mortos e afectaram cerca de 700 mil pessoas em Moçambique, com 3.541 casas parcialmente destruídas, 794 totalmente destruídas e 165.946 inundadas.

A Electricidade de Moçambique precisa de mais de 150 milhões de Meticais para repor os danos causados pelas cheias na rede eléctrica ao longo da zona sul do país, num momento em que mais de 125 mil clientes continuam sem os serviços na zona sul do país.

As cheias que fustigam a zona sul do país criaram um prejuízo de cerca de 300 milhões de Meticais à empresa Electricidade de Moçambique, que neste momento procura, a todo o gás, repor os danos causados.

Segundo a EDM, mais de 110 mil clientes em Gaza e 1.500 em Maputo estão sem acesso aos serviços devido às inundações.

Entre as zonas consideradas críticas está Massingir, com cerca de 7 quilómetros da rede devastados, para além de Macaneta, com sete postos de transformação destruídos.

A Empresa visitou esta sexta-feira algumas zonas afectadas em Marracuene e Bobole.

Como forma de ajudar as famílias nos centros de acolhimento, a EDM instalou, nos 59 centros de acolhimento, contadores pós-pagos como forma de subsidiar os centros.

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