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O Governo angolano enviou, esta quarta-feira, a segunda aeronave carregada com 23 toneladas de produtos diversos destinados às vítimas das cheias em Moçambique. O lote integra um total de 75 toneladas de ajuda humanitária que deverão chegar ao país até quinta-feira.

Preocupado com a situação de cheias e calamidades que afectam mais de 600 mil pessoas em Moçambique, o Governo de Angola mobilizou aeronaves da Força Aérea Angolana que, desde terça-feira, têm aterrado em solo moçambicano, transportando mantimentos, vestuário e medicamentos.

Trata-se da segunda de três aeronaves previstas no âmbito desta operação solidária. O primeiro voo trouxe cerca de 20 toneladas de medicamentos, enquanto o segundo transporta aproximadamente 23 toneladas de vestuário, alimentação infantil, leite e papas. O terceiro voo, agendado para quinta-feira, transportará o restante material, perfazendo um total de 75 toneladas.

“O Governo angolano, através do Estado, está a manifestar a sua solidariedade e apoio ao povo moçambicano. São situações imprevisíveis. Trouxemos ontem o primeiro lote de medicamentos, hoje entregamos o segundo lote e amanhã virá o terceiro. Moçambique é um país irmão, com laços históricos, e sentimo-nos no dever de manifestar esta solidariedade”, afirmou o Secretário de Estado da Saúde de Angola.

Face às dificuldades de transitabilidade provocadas pelos cortes na Estrada Nacional Número Um (EN1), o Governo moçambicano garante possuir vias alternativas para fazer chegar os donativos às populações assoladas, incluindo rotas marítimas, ferroviárias e corredores terrestres a partir da província de Sofala.

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) reconhece que há necessidade de quase tudo nos centros de acolhimento. “As populações perderam praticamente todos os seus bens. Precisamos de alimentação, vestuário, produtos de higiene e outros bens essenciais”, afirmou Messias Pascoal, representante do INGD.

A terceira e última aeronave angolana com ajuda humanitária deverá chegar ao país esta quinta-feira

O coco está cada vez mais caro, na Cidade de Maputo e cada vez mais a escassear. No mercado grossista do Zimpeto, por exemplo, apenas um vendedor ainda dispunha do produto na manhã desta quarta-feira.

Nos pontos de venda a grosso, ao longo da avenida de Moçambique, o coco também começa a escassear. 

O produto existente é conseguido depois de várias manobras feitas pelos vendedores. 

Hoje em dia não é fácil ter coco. É normal nós sairmos daqui para Matola-Gare, a pé. Atrás do coco, nas casas. Tem que pagar alguém para tirar, nos coqueiros, temos que pagar dinheiro de transporte para aqui. Tem muitas despesas, não sai. O negócio está sendo um pouco complicado”, lamentou Maria Bila. 

Para os que vendem a grosso, os custos de aquisição também aumentaram e consequentemente o preço final aos consumidores ficou muito mais alto.

Quem comprava três cocos para preparar as refeições, viu-se obrigado a adquirir menos.

Para os revendedores, este deixou de ser um negócio lucrativo. 

Eu compro coco a 60 meticais,  é muito caro. Para revender eu tenho que estabelecer o preço de 85 meticais”.

Há quem, por não mais conseguir continuar à base deste negócio, procure por alternativas.  

Os vendedores clamam pela reposição da transitabilidade da EN1 no tempo prometido  para garantir a  recuperação dos negócios.  

Pelo menos 1500 pessoas chegaram, esta quarta-feira, transportadas num comboio, à cidade de Maputo, vindas da província de Gaza e do distrito de Magude, na província de Maputo. Os passageiros relatam dias difíceis vividos nos locais de proveniência devido às inundações.  

Por volta das 13 horas, desta quarta-feira, ouvia-se o som da buzina de um comboio, a partir da estação central dos Caminhos de Ferro de Moçambique, na cidade de Maputo, que para muitos era um som de alívio, por poder regressar à casa, depois de dias retidos no distrito de Magude, devido às dificuldades de transitabilidade na Estrada Nacional Número 1. 

“Estou a vir de comboio por causa da água. Não há caminhos, os carros não andam na zona de 3 de Fevereiro, não há passagem. Estou feliz porque andamos bem, não é como arriscar-se os barquinhos”, explicou Lizeth Mucavele, que ficou duas semanas em Magude, sem saber como regressar a casa. 

Alguns passageiros deslocaram-se ao distrito de Magude para visitas de apenas dois dias a seus familiares, mas foram surpreendidos pelas inundações que mudaram tudo e trouxeram dias difíceis.

“Eu vivo na cidade de Maputo, fui ao distrito de Magude para visitar os meus pais. Desde que começou a chover, há falta de quase tudo, desde comida até condições para dormir porque a água alagou as nossas casas e as vias de acesso”, disse Daniel Luís. 

José Matsinhe vinha da província de Gaza. A sua esperança era de, na cidade de Maputo, fazer-se a uma entrevista de emprego, nesta quarta-feira.  

Embora faça um balanço positivo da viagem, a chefe do serviço de Transportes e Passageiros do CFM explica que, desta vez, não foi possível abranger a todos. 

“Chegamos aqui por volta das 13 horas, em termos de trânsito tivemos cerca de 4 horas de tempo, tendo em conta o que desenhamos na tabela horária, nós cumprimos e avaliamos a viagem como positiva. Tivemos muita afluência de passageiros, alguns ficaram em terra porque não foi possível embarcarrem”, explicou Sônia Langa. 

Porque muitos passageiros ficaram de fora, está prevista mais uma viagem com destino a Magude, para esta quinta-feira, com partida às 08 horas e regresso no final do mesmo dia. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a ocorrência de chuvas moderadas a fortes localmente fortes, acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas locais, nas províncias de Nampula e Cabo Delgado. 

Na província de Nampula serão afectados os distritos de Moma, Larde, Angoche, Mogovolas, Liúpo, Mogincual, Meconta, Mossuril, Monapo, Nacala, Nacarôa, Memba, Erati, Murrupula, Rapale, Muecate, Mecuburi e cidade de Nampula.

Já em Cabo Delgado, as chuvas far-se-ão sentir nos distritos de Mecufi, Chiúre, Metuge, Ancuabe, Quissanga, Ibo, Meluco, Macomia, Muidumbe, Mocímboa da Praia, Palma e cidade de Pemba.

O INAM prevê-se, adicionalmente, a continuação de chuvas em regime fraco a moderado na Zambézia, Niassa e resto dos distritos de Nampula e Cabo Delgado.

Chegou hoje a Maputo a segunda aeronave trazendo alimentos e roupas infantis de Angola, para apoio às vítimas das inundações. A ajuda faz parte de um leque de cerca de 70 toneladas de produtos diversos que Angola pretende doar para Moçambique. 

Segundo o secretário de Estado para a  Saúde de Angola, o gesto simboliza solidariedade e apoio à população moçambicana. O oficial angolano clarifica que foi ontem entregue o primeiro lote de doações de medicamentos diversos e, hoje, chegou a segunda aeronave, que traz alimentos e vestuário infantil.

O último lote vai chegar ao país amanhã, para completar as 75 toneladas de produtos que Angola pretende doar.  

Já o secretário de Estado do Comércio e da Indústria de Moçambique, António Grispos, avança que a gestão dos produtos será feita pelo INGD e que a alocação será feita de forma imediata, visto que o nível de necessidade é muito grande. 

António Grispos esclareceu ainda que os produtos têm chegado à população por via marítima e através do comboio, devido ao condicionamento da EN1. 

Um trágico acidente  abalou o distrito de Chongoene,  em Gaza. Trata-se de um acidente de viação, que ocorreu na paragem   da Universidade Save, resultando em três mortes e deixando 10 pessoas feridas,  entre graves e ligeiros.

A Estrada Nacional Número Um (EN1) voltou a ser palco de tragédia. O sinistro ocorreu por volta das 21 horas, desta terça-feira, quando dois semi-coletivos de passageiros, que seguiam o sentido Xai-Xai Mandlakazi, embateram violentamente com registo de mortes no local.

“Duas pessoas perderam a vida aqui mesmo, devido ao embate”, disse uma testemunha.

O choque resultante de uma  alegada competição entre os condutores deixou  10 pessoas, dentre os quais menores, ligeira e gravemente feridas, além da destruição total  das duas viaturas envolvidas no sinistro.

“Vinham do mesmo sítio. Então, acabou  por embater dois postes aqui. Então, aquele outro também acabou entrando naquela vala”, contou uma testemunha. 

O trânsito esteve condicionado na via descrita por residentes da zona  como propensa a acidentes, aliás, “as paragens  Senta-Baixo e entrada da Universidade Save são tidas  como  as mais críticas e, por isso, residentes exigem o reforço da fiscalização. 

Os feridos foram levados para o Hospital Provincial de Xai-Xai, onde, devido à gravidade dos ferimentos, uma das vítimas não  resistiu.

As autoridades policiais estiveram  no local para iniciar a perícia e apurar as causas do acidente e apontam “o excesso de velocidade como uma das  principais causas do embate”.

Com este registo sobe para 26, o número de pessoas que perderam a vida neste ano devido a acidentes de viação.

Um grupo composto por 40 pessoas e 20 instituições brasileiras vai apoiar as vítimas de inundações em Moçambique com medicamentos, produtos alimentares e outros. Neste momento, prepara-se a logística para o efeito.

“Nós temos, principalmente, um grupo interministerial do Brasil de apoio e de socorro às vítimas de desastre e tivemos na segunda-feira, dia 19 de Janeiro, uma reunião desse grupo, composta por 40 pessoas e 20 instituições, e todos se prontificaram antes mesmo de chegar o pedido oficial do Governo Moçambicano para nós”, disse o embaixador do Brasil em Moçambique, Ademar Seabra.  

O embaixador adiantou ainda que a ajuda será feita através da arrecadação de medicamentos de várias doenças, especialmente para combate a cólera, a febre amarela e doenças do trato gastro-intestinal. 

“Temos também uma manifestação importante do Ministério da Agricultura e Abastecimento do Brasil, que vai trazer uma carga de alimentos não perecíveis, junto também a nossa defesa civil, que tem grande experiência na montagem de abrigos”, acrescentou

Moçambique e Rússia vão passar a poder extraditar cidadãos por crimes com penas de prisão de pelo menos dois anos.

“Havendo necessidade de estabelecer os termos e as condições para a efectivação da extradição dos cidadãos entre a República de Moçambique e a Federação Russa, por forma a coordenar esforços, a nível nacional e transnacional, para uma cooperação mais eficaz entre as partes no combate à criminalidade”, justifica o parlamento moçambicano, na resolução 88/2025, de 31 de Dezembro, consultada pela Lusa.

O acordo para extradição define, ainda, que cabe aos ministros que superintendem as áreas da Justiça e dos Negócios Estrangeiros e Cooperação a “efectivação dos procedimentos” para a entrada em vigor, prazo previsto para Fevereiro, 30 dias após a publicação, tendo o mesmo sido assinado em 21 de Maio de 2025, pelos dois governos, em São Petersburgo, na Rússia, refere a mesma fonte.

Prevê que as autoridade centrais “autorizadas a executar” o acordo de extradição são a Procuradoria-Geral da República, de Moçambique e da Rússia, mas esse pedido pode ser recusado por uma das partes, entre outros motivos, se for feito “com o propósito de processar ou punir uma pessoa em razão da raça, religião, nacionalidade, origem étnica, opinião política ou género dessa pessoa”.

Também prevê a possibilidade de um dos países recusar a extradição para a contraparte caso se trate de um cidadão nacional.

“Na medida do permitido pela lei da parte requerida e sujeito aos direitos de terceiros, os bens localizados no seu território e que tenham sido adquiridos como resultado do crime ou possam ser exigidos como prova serão transferidos a pedido da parte requerente, medida decisão tomada sobre a extradição”, pode ler-se, conforme avançado pela agência noticiosa portuguesa.

Agricultores no vale de Infulene, na Cidade de Maputo, perderam quase todas as suas culturas, devido a inundações. Os produtores falam de dificuldades em abastecer os mercados e pedem ajuda para a aquisição de sementes.

Não é novidade que há falta de hortícolas nos mercados da Cidade de Maputo e a pouca existente é vendida a preços elevados. Na verdade, o problema parte nas “machambas”.

É que vários campos agrícolas se encontram vazios, depois de a água da chuva ter arrastado quase todas as plantações.

“Eu tive perdas enormes, quase, tenho três machambas, mas perdi as duas, fiquei com uma parte na terceira machamba. Perdi uma machamba completa, repleta de alface, duas machambas de couve. Aqui estava cheio de água, toda a machamba estava cheia de água, então, até mesmo a folha de abóbora ficou estragada”, lamentou Brito Mondlane.

O vale do Infulene é conhecido por abastecer vários mercados das cidades de Maputo e Matola. Neste momento, não há produtos como alface, couve, beterraba e cenoura. O pouco que existe, não está em condições de ser consumido.

Os produtores agrícolas, como Brito Mondllane, procuram recuperar os seus negócios. Logo cedo fazem-se as “machambas” para resgatar o que ainda é possível  e introduzir novas sementes ao solo, depois de se terem endividado para adquiri-las.

“Eu estou a tentar investir de novo, não há como, temos de fazer alguma coisa, pois não podemos parar. Começamos recentemente a semear e plantar estes viveiros.”

Entretanto, houve quem conseguiu salvar pelo menos uma cultura, e é a única esperança no vale do Infulene.

Para que possam recuperar os seus negócios e voltar a abastecer os mercados, os produtores agrícolas pedem apoio para a aquisição de sementes e viveiros. 

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