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O distrito de Morrumbala, na província da Zambézia, está a enfrentar um surto de cólera registado desde a última semana do mês de Janeiro, com um cumulativo de 51 casos reportados pelas autoridades sanitárias. A localidade de Pinda surge, até ao momento, como uma das zonas que mais preocupa o sector da saúde, devido ao elevado número de ocorrências e ao risco de propagação da doença.

Dados disponibilizados pelos serviços distritais de saúde indicam que os primeiros casos foram notificados a 27 de Janeiro, tendo resultado no internamento de pelo menos 51 pacientes. Segundo as autoridades, os doentes receberam assistência médica e já tiveram alta hospitalar após apresentarem melhorias clínicas. Ainda assim, o sector da saúde garante que continua a monitorar a situação epidemiológica, tendo reforçado o fornecimento de medicamentos e material médico para o distrito, com vista a responder prontamente a novos casos.

O Director dos serviços provinciais de saúde da Zambezia  Óscar Awade, fez saber que as autoridades sanitárias fizeram seguimento dos contactos dos pacientes, com destaque para as famílias de proveniência, como forma de se observar o protocolo para evitar a propagação. 

Awade reforça que a cólera é uma doença associada, sobretudo, ao consumo de água contaminada e à falta de saneamento adequado, factores que tendem a agravar-se durante a época chuvosa. Neste contexto, segundo explicou, diversas equipas de saúde e mobilizadores comunitários intensificam acções de sensibilização junto das populações, apelando ao consumo de água tratada, uso de latrinas e observância rigorosa das práticas de higiene individual e colectiva.

O governador da província da Zambézia Pio Matos  manifestou preocupação com a recorrência de surtos de cólera no distrito de Morrumbala, sobretudo em períodos chuvosos. A fonte questiona a vulnerabilidade da região face à doença, defendendo a necessidade de medidas estruturais que reduzam o risco de contaminação e fortaleçam a capacidade de resposta do sistema de saúde local.

Para além do surto de cólera, a província enfrenta igualmente desafios relacionados com cheias e inundações. Dados oficiais indicam que, desde Outubro do ano passado até ao presente momento, mais de cinco mil famílias foram afectadas, o que corresponde a cerca de 24 mil pessoas. As zonas do baixo Licungo e Nante são apontadas como as mais críticas, em consequência da degradação do dique de protecção existente na região.

Recorde-se que, em 2023, foi realizada a reabilitação do dique de Nante, numa extensão de 28,6 quilómetros, através de fundos públicos e do Banco Mundial, avaliados em cerca de 598 milhões de meticais. As obras incluíram o levantamento da cota do solo e o reforço da estrutura de contenção. Contudo, nos últimos períodos chuvosos, o volume das águas ultrapassou a capacidade da infra-estrutura, provocando a destruição parcial do dique e expondo novamente várias comunidades ao risco de inundações.

Perante este cenário, as autoridades provinciais reiteram a necessidade de investimentos contínuos em infra-estruturas de protecção e em sistemas de abastecimento de água e saneamento, considerados fundamentais para prevenir surtos de doenças de origem hídrica e reduzir o impacto das calamidades naturais nas comunidades afectadas.

O Chefe da bancada parlamentar do MDM, Fernando Bismarques, diz que é preciso que o país se una para repensar e redesenhar as falhas que o país foi registando ao longo dos anos. Por sua vez, o líder do PODEMOS, Albino Forquilha, diz que a celebração dos Heróis Moçambicanos é de todos moçambicanos, independentemente do seu partido. 

A oposição também fez-se presente na Praça dos Heróis para as cerimónias centrais de celebração do Dia dos Heróis Moçambicanos. Falando aos jornalistas sobre a importância da efeméride, o Chefe da Bancada do MDM defendeu a necessidade de repensar o país. 

“Temos de fazer uma retrospecção, se, 50 anos depois, é este o país que Eduardo Mondlane e outros heróis sonhavam: um país mergulhado na corrupção, um país excludente, um país com conflito em Cabo Delgado, um país com a juventude no desemprego, um país que se transformou num corredor de drogas”, questionou, acrescentando que os moçambicanos pensem em como corrigir as falhas que o país apresenta. 

Já o partido PODEMOS, através do seu líder, sublinha que a celebração do Dia dos Heróis Moçambicanos não pode ser considerada uma data partidária, pois é uma celebração de todos os moçambicanos. 

“É uma data de Estado, que temos que estar aqui, esta não é uma data de um partido político, é uma data de Estado. Por isso, tivemos um movimento de libertação nacional, para libertar o país”, destacou. 

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, diz que a celebração do Dia dos Heróis Moçambicanos é uma memória de todos aqueles que lutaram pela libertação do país. Já Filipe Nyusi considera a efeméride um momento de partilha para as novas gerações. 

Os antigos Chefes do Estado marcaram presença na Praça dos Heróis para a celebração do dia 3 de Fevereiro. Joaquim Chissano destaca que este é um legado deixado por Eduardo Mondlane, mas, acima de tudo, é uma luta a todos os heróis, tanto os que são conhecidos, como aqueles que são. 

Para Chissano, a celebração do Dia dos Heróis é também um momento de reflexão sobre o desenvolvimento de Moçambique e do contributo de cada um para o avanço do país. “Esse desenvolvimento, essas caras que estão aqui a minha frente são o resultado do sacrifício de muitos”, destacou. 

Já Filipe Nyusi considera que este é o momento de diversificar a partilha de experiência em todo país e para todas as gerações. “Partilha de experiência em Moçambique. Partilha regiões, intergeracionais, para que essas experiências sejam usadas em todos os casos. Se não, as crianças e jovens decorram a mensagem do mesmo grupo de pessoas”, disse o ex-presidente.

O terrorismo e os desastres naturais ainda são os grandes desafios do País, disse o Presidente da República, nesta terça-feira, em Maputo, durante as celebrações do Dia dos Heróis Moçambicanos. Daniel Chapo exortou todos, incluindo na diáspora, a fazerem da efeméride uma fonte de inspiração e de reafirmação do patriotismo como condição para vencer os desafios que a Nação enfrenta.

Em mais um Dia dos Heróis Moçambicanos, o País parou para celebrar a vida e a obra dos que deram tudo de si pela independência nacional. A cerimónia central foi dirigida pelo Presidente da República, que, acompanhado pela Primeira-Dama, depositou uma coroa de flores no Monumento dos Heróis Nacionais.

Perante antigos combatentes, membros do Governo, antigos Chefes do Estado e corpo diplomático, Daniel Chapo destacou o terrorismo e os desastres naturais como os principais desafios da Nação.

“Entre os maiores desafios do momento, continuam a constituir a nossa grande preocupação o fim do terrorismo em alguns distritos da província de Cabo Delgado. As nossas Forças de Defesa e Segurança, com o apoio das forças do Ruanda, na fronteira com as forças da Tanzânia, e com a participação activa da força local, continuam determinadas neste combate, permitindo o retorno das populações às suas zonas de origem e a retoma dos projectos de gás na Bacia do Rovuma”, disse Daniel Chapo.

Segundo o Chefe do Estado, a melhoria da situação de segurança em Cabo Delgado também tem incentivado outros projectos de desenvolvimento local, como a Fábrica de Processamento de Pescado em Mocímboa da Praia. A infra-estrutura foi inaugurada no dia 29 de Janeiro. “Enquanto combatemos o terrorismo, não paramos com o desenvolvimento da província de Cabo Delgado”, bem como de Niassa, onde foi inaugurada a primeira fábrica de grafite.

“Continuaremos a levar a cabo acções de reconstrução das infra-estruturas destruídas, de forma a garantirmos o normal funcionamento das instituições públicas e privadas, incluindo a reposição de serviços básicos como energia, água, saúde, vias de acesso, entre outras infra-estruturas para criar melhores condições de vida para o povo moçambicano”, disse Daniel Chapo.

Os desastres naturais continuam a ser outro desafio para o País, sobretudo nesta época chuvosa e ciclónica. Moçambique, devido à sua localização geográfica, sofre ciclicamente os efeitos das mudanças climáticas, através da ocorrência de eventos extremos como ventos fortes, chuvas, ciclones e tempestades, que têm como consequência cheias e inundações.

“O 3 de Fevereiro deste ano é celebrado num contexto bastante adverso, em que milhares de famílias moçambicanas ainda choram a morte de seus entes queridos e a destruição de infra-estruturas públicas e privadas, como consequência das cheias de grandes proporções que se abateram sobre as regiões Sul e Centro do País, principalmente.”

Mais do que os heróis que jazem na cripta e em outros locais do solo pátrio, Daniel Chapo reconhece a existência de heróis em vida que, através do voluntariado e da entrega, têm vindo a salvar vidas e a enfrentar os inimigos da pátria.

“Saudamos a todos os sectores do Governo, do sector público e privado, parceiros nacionais e internacionais, organizações da sociedade civil, os nossos amigos da comunicação social e voluntários, pela pronta resposta na presente situação das cheias e inundações que assolam o País, permitindo salvar o máximo possível de vidas humanas”, reconheceu Chapo.

Além dos desafios, o Chefe de Estado afirmou que este é o momento de os moçambicanos usarem a inspiração dos heróis nacionais para reconstruir o que foi destruído pelos desastres naturais e pelo terrorismo.

“Referimo-nos também àqueles que ontem e hoje se destacam nos vários domínios da vida política, económica, social, cultural, ambiental e desportiva, projectando o bom nome de Moçambique dentro e além-fronteiras.

“Exortamos a todos os moçambicanos, no País e na diáspora, a fazer do 3 de Fevereiro uma fonte de inspiração para a reafirmação dos valores patrióticos, como base para, juntos, vencermos os desafios que o nosso País enfrenta. A educação patriótica começa na família, e cada um de nós deve fazer a sua parte”, apelou.

“A eliminação física de Eduardo Chivambo Mondlane em 1969, tal como de destacados líderes da guerrilha, entre eles Filipe Samuel Magaia em 1966, Paulo Samuel Kankhomba em 1968, e o Pastor Zedequias Manganhela em 1972, foi orquestrada pelo regime colonial para criar medo e desânimo no seio dos combatentes e das populações numa tentativa vã de travar o avanço da luta de libertação nacional.”

Cada acto cobarde e bárbaro perpetrado pelo inimigo infundiu mais revolta, mais coragem e mais determinação na prossecução da luta de libertação nacional, afirmou Chapo, acrescentando que “o povo ficou cada vez mais unido em torno da causa da liberdade, a luta progrediu com maior intensidade, porque o povo, com a sua força invencível, já tinha assumido a grande lição de Eduardo Chivambo Mondlane sobre unidade nacional como alicerce e condição da vitória, a unidade nacional, arma essa que continua a ser actual como o segredo na nossa vitória como povo moçambicano o em todas as frentes”.

A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) reafirmou hoje o seu firme compromisso com a unidade nacional, a paz e o desenvolvimento do país, por ocasião das celebrações do 3 de Fevereiro, Dia dos Heróis Moçambicanos, data que evoca a memória dos protagonistas da luta de libertação nacional.

Numa mensagem alusiva à efeméride, o partido no poder prestou uma sentida homenagem a Eduardo Chivambo Mondlane, fundador da FRELIMO e arquitecto da Unidade Nacional, bem como a todos os homens e mulheres que sacrificaram as suas vidas em prol da independência, soberania e liberdade de Moçambique.

A FRELIMO destaca que os Heróis Moçambicanos legaram ao país não apenas a independência política, mas também valores fundamentais como o patriotismo, a coragem, a solidariedade, a responsabilidade colectiva e a unidade na diversidade, princípios que continuam a orientar a construção do Estado moçambicano.

As comemorações deste ano ganham um significado especial por coincidirem com o início de uma nova etapa da consolidação democrática nacional, sob a liderança do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, o quinto Chefe de Estado de Moçambique e o primeiro nascido no período pós-Independência. Segundo a FRELIMO, este facto simboliza a continuidade geracional da luta e a maturidade da Nação moçambicana.

No ano em que o país celebra os 50 anos da Independência Nacional, o partido sublinha que a libertação plena passa pela conquista da independência económica e social, apelando a todos os cidadãos a participarem activamente no desenvolvimento nacional, através do trabalho, da participação cívica e da defesa da paz.

A mensagem realça ainda que a unidade nacional continua a ser a maior força estratégica do país, sobretudo num contexto de desafios internos e globais, defendendo que apenas em harmonia e paz será possível consolidar uma nação próspera, soberana e socialmente justa.

No mesmo comunicado, a FRELIMO manifesta solidariedade para com as famílias afectadas pelas cheias, inundações e outras intempéries que assolam várias regiões do país, encorajando a sociedade moçambicana a prestar apoio material e moral às vítimas.

O partido enaltece igualmente o papel do Governo, liderado pelo Presidente Daniel Francisco Chapo, pelo acompanhamento e assistência às populações afectadas, reiterando a importância de uma governação próxima, solidária e empática.

Inspirada pelo legado dos Heróis Moçambicanos, a FRELIMO renova o compromisso de continuar a promover a paz, o diálogo, o combate à pobreza e a defesa da dignidade humana, rumo à construção de um Moçambique cada vez mais forte, desenvolvido e respeitado no concerto das nações.

O Governo está a reforçar a implementação da agenda de transformação digital como parte de um esforço mais amplo de reorganização da prestação de serviços públicos, com foco na simplificação de processos administrativos, na integração institucional e na melhoria da relação entre o Estado, os cidadãos e as empresas.

O Ministério das Comunicações e Transformação Digital realiza, nos dias 11 e 12 de Fevereiro, em Maputo, a Conferência Nacional sobre Transformação Digital. O encontro junta instituições públicas, sector privado, academia e parceiros de desenvolvimento para discutir prioridades técnicas, instrumentos de execução e modelos de cooperação no domínio da governação digital.

A estratégia em curso assenta numa arquitectura composta por cinco pilares considerados determinantes para a digitalização do Estado: a certificação digital, que assegura assinaturas electrónicas com validade jurídica; um sistema nacional de interoperabilidade, concebido para permitir a comunicação entre plataformas públicas e privadas; a identidade digital, que viabiliza a autenticação remota dos cidadãos; uma plataforma única de pagamentos, orientada para facilitar o acesso a serviços públicos e privados; e o reforço das infra-estruturas digitais, incluindo centros de dados e soluções de cloud.

Segundo o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, a transformação digital deve ser entendida como um processo transversal que impacta a forma como os serviços são planeados, geridos e disponibilizados. O governante sublinha que o objectivo passa por garantir que os cidadãos possam aceder aos serviços do Estado de forma simples, segura e eficiente, reduzindo deslocações e tempos de espera.

A consolidação desta agenda insere-se num quadro político mais amplo de modernização do Estado, alinhado com a orientação definida pelo Presidente da República, Daniel Chapo, que, no discurso de tomada de posse, defendeu um Estado mais funcional, transparente e centrado no cidadão, destacando a tecnologia como um dos instrumentos para melhorar a governação e a prestação de serviços públicos.

A conferência surge, assim, como um momento de coordenação técnica e estratégica, destinado a alinhar os diferentes actores envolvidos na execução da agenda digital, incluindo matérias como interoperabilidade de sistemas, governação electrónica, utilização de dados, segurança digital e capacitação institucional.

Num contexto de crescente exigência em relação à eficácia e previsibilidade da acção governativa, a transformação digital coloca desafios que vão além da tecnologia, exigindo articulação institucional, qualificação de recursos humanos e cooperação entre o sector público e privado. A forma como estes factores forem integrados será determinante para que a digitalização se traduza em melhorias concretas na prestação dos serviços públicos.

O porta-voz do Tribunal Supremo diz que o Decreto do governo deve prevalecer contra o Diploma Ministerial sobre os novos mecanismos de importação de cereais.

Já a ordem dos advogados entende que os argumentos que o Estado usa para centralizar a importação do arroz e trigo não têm fundamentos legais e há questões mais importantes com as quais poderia se preocupar.

A centralização do processo de importação de cereais ao Instituto de Cereais de Moçambique continua na ordem do dia. À margem da abertura do ano judicial, Pedro Nhatitima, porta-voz do Tribunal Supremo comentou a aparente contrariedade entre os decretos do Conselho de Ministros e o diploma ministerial do Ministério da Economia sobre a matéria. Nhatitima entende que um diploma ministerial sempre que entrar em contrariedade com um decreto, não prevalece.

“Na hierarquia das normas, o diploma não deve contrariar o decreto. Se há uma contrariedade entre o decreto e o diploma, o que deve prevalecer é o decreto”, concluiu Nhatitima, argumentando que independentemente da data em que um e outro documento for aprovado, o decreto prevalece. 

Para a Ordem dos Advogados, os argumentos de controle cambial e de subfacturação que o governo usa para fundamentar a centralização, atropelam direitos fundamentais e sufocam as iniciativas privadas.

Para Carlos Martins, “o Estado pode e deve regular o mercado, mas não pode sufocar ou anular a iniciativa privada sob o argumento genérico de soberania”, disse.

Martins prosseguiu no seu discurso oficial de abertura do Ano Judicial acusando o Governo de usar a Soberania para fins não muito claros. Soberania não é um “coringa” que justifica qualquer intervenção do Estado.

“Com este centralismo económico, corremos o risco de cair num clientelismo, em que um grupo captura as oportunidades e impede outros actores de emergirem, através da livre iniciativa, gerando, por esta via, um sentimento de exclusão empresarial”, concluiu apelando que se corrija o “erro grave”.

A Federação Moçambicana de Futebol ainda não anunciou o seleccionador nacional, depois do fim do contrato de Chiquinho Conde no comando técnico dos Mambas. Entretanto, bastidores revelam que Chiquinho Conde pode suceder a si mesmo na “cadeira dos sonhos” dos Mambas.

Já lá vão dois dias que os Mambas estão sem um timoneiro, depois do término do contrato, a 31 de Janeiro, que ligava Chiquinho Conde e a Federação Moçambicana de Futebol.

Ainda assim, a questão da sucessão do seleccionador nacional continua na ordem do dia, tendo em conta os vários encontros havidos com agenda centrada no timoneiro dos Mambas.

Na semana passada, para além do encontro do executivo da Federação Moçambicana de Futebol, que avaliou a prestação dos Mambas no Campeonato Africano das Nações de Marrocos e anúncio da caducidade do contrato de Chiquinho Conde, houve outro entre a Federação Moçambicana de Futebol e o Ministério da Juventude e Desporto, com Caifadine Manasse à procura de se inteirar do estágio do dossier.

Mas há mais: o Presidente da República, Daniel Chapo, já tinha deixado uma sugestão do que deve acontecer com os líderes dos Mambas, aquando da recepção de parte da delegação que esteve em Marrocos. Na ocasião, Chapo alertava para o facto de a história feita pelo combinado nacional numa fase final do CAN ter sido graças a moçambicanos, tanto dentro do campo como no banco técnico, sugerindo que não houvesse mudanças.

É com estas e outras justificações que nos últimos dias correm informações segundo as quais Chiquinho Conde está próximo de ser confirmado como seleccionador nacional, para um novo ciclo e com novos desafios.

Segundo escreve o jornal Desafio desta segunda-feira, citando fontes próximas ao processo de selecção do seleccionador nacional, Chiquinho está mais próximo de ser anunciado como o Conde dos Mambas para os próximos anos, dependendo da prestação nas competições que se seguem.

O mais próximo desafio e meta que o seleccionador nacional terá é qualificar os Mambas para o Campeonato Africano das Nações de 2027, prova que terá lugar no Quénia, Tanzânia e Uganda. Após essa qualificação, ao seleccionador nacional será imposto o desafio de qualificação para o CAN 2029 e para o Mundial 2030, dois apuramentos que se disputarão em simultâneo.

Outrossim, para além da “pressão” que a Federação Moçambicana de Futebol pode estar a sofrer após encontro com estruturas governativas, a renovação de Chiquinho Conde está ligada à pressão dos resultados alcançados até ao momento pelo moçambicano que assumiu o comando técnico dos Mambas em 2021, substituindo Horácio Gonçalves.

É que os resultados alcançados por Chiquinho Conde não tinham sido antes alcançados por nenhum outro seleccionador, nomeadamente a qualificação a dois CAN consecutivos (2023 e 2025), um CHAN (2022), primeira vitória numa fase final do CAN, primeira qualificação para os oitavos-de-final do CAN (2025), primeira vitória num CHAN e primeira qualificação para os oitavos-de-final do CHAN (2022).

Ademais, os resultados, em termos numéricos, favorecem Chiquinho Conde no período da sua liderança, onde em 57 jogos, entre oficiais e amigáveis, conseguiu 19 vitórias, 22 derrotas e 16 empates, sendo que os dois últimos anos foram mais de resultados positivos do que negativos.

Para já, o tempo dirá por quanto tempo haverá vacância na selecção nacional, tendo em conta que a selecção nacional não tem jogos agendados para o mês de Março, na próxima Data-FIFA.

A Abertura do Ano Judicial de 2026 decorreu sob o lema “Promoção e Protecção Integral dos Direitos da Criança: Um Compromisso do Sistema Judicial”, num momento marcado por reflexões profundas sobre o papel da justiça na defesa das crianças e no fortalecimento do Estado de Direito em Moçambique.

Na ocasião, o Procurador-Geral da República, Américo Letela, afirmou que o lema “não constitui uma simples proclamação simbólica, mas sim um apelo profundo e responsável à acção concertada de todos os actores do sistema de administração da justiça e da sociedade em geral”, sublinhando que a criança é “um dos segmentos mais sensíveis e vulneráveis da nossa sociedade”.

Letela recordou que a Constituição da República consagra a protecção especial da criança e que este imperativo é reforçado por instrumentos internacionais ratificados por Moçambique, como a Convenção sobre os Direitos da Criança e a Carta Africana dos Direitos e Bem-Estar da Criança. Contudo, reconheceu que “não obstante os avanços normativos alcançados, persistem desafios estruturais e preocupantes”, apontando a violência, o abuso sexual, o tráfico de crianças, as uniões prematuras e a situação das crianças em conflito com a lei.

O Bastonário da Ordem dos Advogados, Carlos Martins, defendeu que o compromisso assumido pelo sistema judicial “não deve ser apenas uma declaração de intenções, mas uma chamada de atenção à nossa consciência colectiva”, apelando à coragem institucional para corrigir distorções legais e políticas. Entre as propostas, destacou a necessidade de rever a maioridade civil, defendendo que se deve “repensar a maioridade civil em Moçambique, de 21 para 18 anos”, para harmonização com a legislação interna e convenções internacionais.

Martins alertou ainda para riscos à liberdade de expressão, defendendo que “a liberdade de expressão e o direito à manifestação não carecem de regulamentação, por serem constitucionalmente consagrados”, e criticou medidas económicas que, no seu entender, “atropelam direitos fundamentais, nomeadamente os princípios constitucionais da livre iniciativa privada”.

Por seu turno, o Presidente do Tribunal Supremo, Adelino Muchanga, chamou a atenção para o impacto das cheias e inundações sobre as crianças, lembrando que estas crises “expõem-nas à perda do lar, à interrupção do percurso escolar e à insegurança alimentar”. Anunciou, neste contexto, o lançamento da campanha solidária “Porque é de Justiça Ajudar”, destinada a apoiar as populações afectadas.

Muchanga destacou igualmente que os tribunais são “verdadeiros centros de construção da cidadania” e justificou a escolha do lema por constatar que “a situação de vulnerabilidade das nossas crianças demanda uma abordagem séria, urgente e inadiável”. Sublinhou que as crianças comparecem diariamente perante os tribunais como vítimas, testemunhas ou em conflito com a lei, defendendo uma justiça que “escuta a criança, preserva a sua intimidade e garante decisões fundamentadas e humanizadas”.

A cerimónia marcou, assim, o arranque de um Ano Judicial que coloca a criança no centro das leis, políticas e decisões judiciais, como expressão do compromisso do sistema judicial com a dignidade humana e a maturidade democrática do Estado.

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