O País – A verdade como notícia

A Administração Nacional de Estradas (ANE)  já conseguiu fundos para as obras de contenção da erosão, que ameaça cortar a Estrada Nacional Número Um (EN1) e deixar a cidade de Pemba parcialmente isolada do resto da província.

As obras de contenção da erosão na berma da EN1, na cidade de Pemba, deviam ter iniciado e terminado antes da presente época chuvosa, mas só agora é que a Administração Nacional de Estradas conseguiu mobilizar  fundos para evitar a interrupção da via.

“Nos últimos meses, nós empreendemos a procurar aquilo que seria a melhor solução para conter aquela erosão e a solução que estamos a trazer é, de facto, fazer a montagem de gabiões com vista a proteger o talude e o fundo daquela cratera, isso acompanhado de uma bacia de recepção das águas”, explica Jorge Govanhica, Delegado da ANE em Cabo Delgado.  

Os fundos, segundo o delegado da ANE em Cabo Delgado, já estão disponíveis, mas  as obras só vão iniciar depois de um estudo do impacto ambiental. 

“É necessário fazer uma série de estudos com vista a que as actividades não afectem o meio ambiente. Então, o passo seguintes é trabalhar para obtermos a licença ambiental e do outro lado fazer o apuramento do empreiteiro, e criar todas as condições administrativas de início de actividades”, avançou o delegado. 

As obras de contenção da erosão que ameaça cortar a EN1 na cidade de Pemba estão avaliadas em cerca de 150  milhões de meticais, disponibilizados pelo Governo.

Em Maputo, o bairro Hulene “A” voltou a afundar-se em dor e desespero. Casas invadidas pela água, famílias separadas e memórias destruídas, o drama das inundações repete-se há dois anos. A bomba de água alocada no bairro não responde à demanda, o apelo é de mais meios e mais acção das autoridades.

Tudop acontece no coração do bairro Hulene “A”, onde a água voltou a tomar conta das casas e com ela, a dor de quem já não sabe o que é viver em paz. Hortência Mudlhovo e sua família são apenas um dos rostos do sofrimento que, há dois anos, insiste em regressar a cada vez que chove fortemente em Maputo.

Nestas inundações há famílias que perderam quase tudo. Sofás encharcados, roupas boiando e memórias destruídas pela força das águas. 

Sem condições mínimas para abrigar os filhos, Hortência foi obrigada a mandá-los para casa de um familiar. “Esta água entrou na sexta-feira, mas estou aqui, pois não tenho para onde ir. Mesmo hoje, pedi para as crianças irem comer um pouco em casa da minha madrinha. A minha situação é esta, a água é esta, durante dois anos. Vivo aqui”, denuncia Hortência Mudlhovo. 

As ruas do bairro Hulene “A” transformaram-se em verdadeiros rios. Houve quem conseguiu tirar seus pertences pouco antes da água invadir completamente a sua casa. Enquanto isso, outros moradores corriam contra o tempo para salvar o que podiam, alguns colchões, outros sacos e bacia de roupa molhada, outros apenas olhavam, impotentes.

Os baldes passam de mão em mão retirando águas que quase ocupam os compartimentos das casas. A bomba de água que deveria aliviar a situação não dá conta da dimensão do desastre e o apelo é de alocação de mais meios.

“Não estão a fazer nenhum trabalho. A bomba está a funcionar, mas não puxa água, pois é uma, não é suficiente. Pedimos que acrescentem os carros para auxiliar aquela bomba, pois esta água é muita”, pediu Hortência Mudlhovo.

A cada gota que cai, cresce o risco de uma nova tragédia para os afectados que actualmente vivem num cenário de resistência.

Entretanto, a edilidade de Maputo descarta para já a ideia de retirada imediata das pessoas em zonas críticas, afectadas pelas inundações e desabamento de terra, porém afirma estar a desenvolver trabalhos no terreno para minimizar a situação. 

A informação foi avançada pelo edil de Maputo, Razaque Manhique, que escalou algumas zonas esta quarta-feira, para ver de perto os trabalhos no terreno, que incluem a colocação de anilhas, abertura de valetas para o desvio das águas.

Polana Caniço tem cerca de 8 famílias que estão na rota de colisão com cedência da terra.

Os próximos dias vão exigir muito, uma vez que a previsão meteorológica mostra que a precipitação vai até o fim de semana. Entretanto, para fazer face às descargas, a edilidade promete também rever a situação das bacias de retenção. 

Caso a situação continue desafiadora, a edilidade está a fazer trabalhos de colecta de dados para apurar o número real dos assolados, não vê outra solução senão retirar as famílias para novas zonas.

A circulação rodoviária na Estrada Nacional nº 1, em Sofala, já retornou a normalidade, no troço entre Save e Muxúnguè, depois de estar condicionada por três dias devido a intensas chuvas e inundações que contribuíram para as águas dos rios Muari e Gorongosa galgarem a rodovia e danificar o troco. Ainda devido as intensas chuvas que caiem na zona Centro do país, a vila sede do distrito do Búzi está inundada desde a noite desta terça-feira. 

A circulação rodoviária ao longo da Estrada Nacional nº 1, entre Save e Muxúnguè, tende a voltar à normalidade. Na manhã desta quarta-feira, a nossa equipa de reportagem esteve na ponte sobre o rio Gorongosa, onde nos últimos dois dias a água tinha galgado a ponte em cerca de 30 centímetros. 

O cenário encontrado era mais tranquilo, com a estrada já visível e a circulação já a ser efectuada sem restrições. O Secretário de Estado da província de Sofala esteve no local e viu a situação, tendo anunciado a normalidade da circulação

“Nós tivemos situações alarmantes, um pouco preocupantes há dois dias, mas naturalmente era uma questão mesmo de precaução. Quando dizemos, olha, não vamos transitar neste troço entre o rio Muari e esta ponte do rio Gorongosa, era porque de facto a água já tinha galgado a própria estrada. E em alguns sítios não era visível qual era o melhor sítio para as viaturas passarem. É por isso que nós já tínhamos alertado para não se transitar à noite”, começou por dizer Manuel Rodrigues.

Devido às intensas chuvas e inundações que nos últimos três dias galgaram parte da rodovia no troço entre Save e Muxúnguè, que recentemente beneficiou de uma reabilitação, a estrada apresenta-se com buracos, nas proximidades dos rios Muari e Gorongosa.

Manuel Rodrigues alerta que esta situação foi causada pelo facto do rio ter estado a receber muita água a montante. “E esta água não é só da chuva que fica aqui na província de Sofala. É a água que também vem da província de Manica e do Zimbabwe, mas também é a água que vem da África do Sul”, frisou.  

Desde as primeiras horas da manhã desta quarta-feira os utentes da Estrada Nacional nº 1 estão a circular na rodovia, apesar de estarem apreensivos, tendo em conta o estado em que a mesma se apresentava.

É o caso de Abel  Luís, que passava em direcção a Sofala, conta como estava a via antes da reabertura. “Ao redor da estrada há muita, muita água e acabou mesmo transbordando a ponte e nós estamos a ver no rio Gorongosa não como vimos há dois dias atrás, que estava intransitável. Mesmo nós para podermos chegar aqui hoje, foi mesmo com o coração nas mãos. É uma situação complicada, mas graças a Deus vamos conseguir passar”, disse.

Por seu turno, Neto Paulo disse que havia muita expectativa em relação à circulação e que “não esperávamos passar e contávamos que íamos dormir aqui mesmo, mas graças a Deus estamos a conseguir transitar para outro lado”.

Ainda sobre as intensas chuvas que caem em Sofala e a montante, a bacia do rio Búzi transbordou e a vila sede com o mesmo nome está inundada. Manuel Rodrigues, Secretário de Estado em Sofala, foi quem deu o ponto de situação.

“A situação em Búzi está a tender também a preocupar naquilo que é a subida do rio Búzi. As pessoas começaram a ser evacuadas compulsivamente desde ontem (terça-feira) e a operação continua hoje (quarta-feira) para a zona segura que é o posto administrativo de Guarajá”, anunciou. 

O Secretário de Estado em Sofala terminou exortando a comunidade do distrito do Búzi a estar permanentemente atenta e aos utentes da EN1, onde decorrem obras de tapamento de emergência dos buracos que foram causados pelas intensas chuvas, a conduzir com prudência.

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), criticou, nesta quarta-feira, o Governo por pagar apenas 40% do 13º salário, avançando com uma greve de 30 dias, a partir da sexta-feira, para exigir o pagamento total.

A posição surge após o anúncio da aprovação pelo Governo moçambicano do pagamento de 40% do 13º salário aos funcionários públicos, agentes do Estado e pensionistas, nos meses de Janeiro e Fevereiro, uma redução face aos 50% pagos no ano passado.

Segundo o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique, Anselmo Muchave, citado pela Lusa, além de reivindicar o pagamento na íntegra do ordenado, a paralisação das actividades pelos profissionais de saúde é também uma forma de denúncia pela crise estrutural do Sistema Nacional de Saúde.

“E, com isso, haverá uma paralisação das actividades a partir das 15h30 desta sexta-feira”, explicou, acrescentando que os profissionais vão submeter “um ofício legal anunciando a greve, para cumprirem o que está definido na lei”.

Para a APSUSM, que abrange cerca de 65 mil profissionais de saúde de diferentes departamentos, o anúncio do pagamento parcial do 13º salário “não agradou aos profissionais de saúde e à função pública”, trazendo um sentimento de desvalorização aos trabalhadores.

A mesma fonte também declara que a paralisação anunciada vai acontecer num contexto mais amplo da crise estrutural do Sistema Nacional de Saúde, caracterizado, entre outros, pela falta recorrente de medicamentos essenciais nas unidades sanitárias, de alimentação e de um internamento condigno para os pacientes.

Estão detidos cinco cidadãos de nacionalidade chinesa, na província de Nampula, acusados da prática de crimes como falsificação de bilhete de identidade e mineração ilegal. Para além dos cidadãos de nacionalidade chinesa, os serviços de Migração em Nampula detiveram, igualmente, dois cidadãos malianos e um português por permanência ilegal no país.

É mais um caso de detenção de ilegais no país, feita pelos Serviço Nacionai de Migração, desta feita na província de Nampula. O SENAMI deteve nove pessoas nesta semana por diversas ilegalidades, desde a mineração ilegal até posse de documentos falsos.

Cinco dos detidos pelas autoridades migratórias em Nampula são de nacionalidade chinesa e três deles foram interpelados no distrito de Murrupula, numa mina de ouro, onde exerciam actividades de exploração mineira de forma ilegal.

“Encontram-se sob nossa custódia nove cidadãos estrangeiros de diversas nacionalidades, por cometimento de infracções migratórias. Destes nove, nós temos a destacar cinco chineses, dos quais três foram interpelados no interior do distrito de Morrupula, quando estavam a praticar actividade de garimpo ilegal de recursos minerais”, explicou Nércia Nota, porta-voz dos Serviços de Migração em Nampula.

Na mesma operação, outros dois cidadãos chineses foram interpelados na posse de falsos bilhetes de identidade e documentos de autorização de residência para estrangeiros, igualmente fraudulentos.

“Temos, neste momento, também dois chineses, destes dois, um foi interpelado ao redor da cidade, o outro num trabalho de rotina normal de intensificação de acções de fiscalização, onde no acto da triagem teriam apresentado um documento de identificação de residência para estrangeiros e um bilhete de identidade, supostamente falsos”, referiu Nércia Nota.

Ademais, segundo a porta-voz dos Serviços de Migração em Nampula, dos documentos apresentados pelos dois chineses não constavam algumas medidas de segurança, “daí que as autoridades encaminharam os processos a quem de direito para fins de autenticidade”, tendo dessa acção obtido a resposta que tratava-se de documentos que não constavam nos bancos de dados, nem da Direcção de Identificação Civil e nem do SENAMI.

Nota referiu ainda que os dois chineses serão encaminhados às autoridades competentes para melhor investigação e responsabilização exemplar dos envolvidos nestes processos.

De acordo com a porta-voz dos Serviços de Migração em Nampula, Nércia Nota, a circulação de bilhetes de identidade falsos deve constituir uma preocupação para o Governo, até porque esta situação “leva-nos a concluir que existem alguns cidadãos que tenham alguma máquina paralela ao do Estado a imprimir documentos para nacionais e estrangeiros”.

Por isso, Nércia Nota apela a quem de direito para que “possa fazer uma investigação muito profunda para desencorajar estas práticas”.

Ainda nesta quarta-feira, o Serviço de Migração em Nampula apresentou também quatro cidadãos estrangeiros, sendo um de nacionalidade portuguesa, três maliana, igualmente indiciados por irregularidades migratórias.

A detenção dos cidadãos de nacionalidades chinesa por mineração ilegal ocorre numa altura em que o distrito de Monapo tem sido um dos focos desta prática ilícita.

As chuvas registadas nas últimas 24 horas voltaram a exercer pressão sobre as principais bacias hidrográficas da região sul do país, com destaque para a bacia do rio Save e a do Govuro, onde se observa uma subida dos níveis de água, embora ainda abaixo do limiar de alerta, segundo o mais recente Boletim Hidrológico da Divisão de Gestão da Bacia do Save (DGBS), da Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul).

De acordo com o documento, divulgado esta quarta-feira, 14 de Janeiro, a precipitação foi registada apenas em dois pontos da bacia do Save: a estação pluviométrica de Massangena, no distrito com o mesmo nome, que acumulou 86,3 milímetros de chuva, e a estação de Vila Franca do Save, que registou 9 milímetros. Nas restantes estações de monitoria, não houve registo de precipitação nas últimas 24 horas.

Apesar da chuva localizada, o comportamento dos níveis hidrométricos revela oscilações com tendência geral de descida na maioria das bacias hidrográficas monitoradas. A exceção são precisamente as bacias dos rios Save e Govuro, onde se verificou uma subida dos níveis de água nas estações hidrométricas de Massangena e Pambara, respetivamente. Ainda assim, as autoridades sublinham que estes níveis permanecem abaixo do nível de alerta.

Situação mais sensível verifica-se na bacia do rio Inhanombe, onde a estação hidrométrica de Mubalo, no distrito de Homoíne, continua acima do nível de alerta estabelecido em 4,50 metros. Embora se tenha registado uma ligeira redução do nível de água nas últimas horas, a situação mantém-se preocupante, sobretudo para as comunidades ribeirinhas e zonas baixas ao longo do curso do rio.

Para as próximas 24 horas, a previsão aponta para a continuidade de chuvas fortes, localmente muito fortes, em quase toda a província de Inhambane. A informação consta do Aviso n.º 10/INAM-SCPM/250.2/2026, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia, e indica a possibilidade de incremento dos volumes de escoamento nas principais bacias hidrográficas da região.

Perante este cenário, a ARA-Sul, através da Divisão de Gestão da Bacia do Save, mantém o apelo à população para evitar a travessia dos leitos dos rios, bem como para proceder à retirada imediata de bens e equipamentos localizados em zonas ribeirinhas e áreas baixas, sobretudo ao longo dos rios Inhanombe, Mutamba e Save. As autoridades recomendam ainda o acompanhamento permanente da informação hidrológica oficial, como forma de reduzir riscos e prevenir perdas humanas e materiais.

O boletim reforça que, apesar de algumas tendências de descida dos níveis de água, o contexto continua a exigir vigilância apertada, sobretudo numa fase da época chuvosa marcada por episódios de precipitação intensa e irregular, com potencial para provocar cheias repentinas em várias regiões da província.

 

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alerta para ocorrência de chuvas fortes com trovoadas nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Manica, Sofala e Tete. Adicionalmente espera-se a continuação de ocorrência de chuvas fracas a moderadas acompanhadas por vezes de trovoadas nas províncias da Zambézia, Niassa e Nampula.

Serão afectados os distritos de Marávia, Chifunde, Macanga, Angónia, Zumbo, Mágoè, Cahora Bassa, Chiúta, Tsangano, Marara, Moatize, Changara, Doa e cidade de Tete, na província de Tete; os distritos de  de Chemba, Caia, Maringue, Gorongosa, Marromeu, Cheringoma, Muanza, Nhamatanda, Dondo, Búzi, Chibabava, Machanga e Cidade da Beira, em Sofala; Zavala, Inharrime, Panda, Jangamo, Inhambane, Homoíne, Morrumbene, Funhalouro, Massinga, Vilankulo, Inhassoro, Mabote, Govuro e cidades de Maxixe de Inhambane, em Inhambane.  

Já nas províncias de Maputo, Gaza e Manica, todos os distritos serão afectados. O INAM recomenda a tomada de medidas de precaução e segurança face às chuvas, trovoadas e vento forte.

O Ministério da Educação esclarece que não vai abolir o curso nocturno, este ano,  mas sim, de forma gradual. As direcções de Educação deverão, nos próximos dias, indicar as escolas ainda em condições de continuar com o turno nocturno e as com capacidade de adoptar o ensino a distância.

O Ministério da Educação chamou a imprensa, esta quarta-feira, para explicar que não é sua intenção abolir o turno nocturno em todas as escolas do país, no presente ano lectivo. 

Entretanto, a medida entrará em vigor, de forma gradual, em algumas escolas, dependendo da avaliação que será feita  pelas direcções provinciais de Educação. 

“ O Ministério da Educação não está a encerrar o turno nocturno, está gradualmente a redimensionar. O que significa? Por exemplo, em 2026 não teremos novos ingressos na sétima classe. As escolas por si vão se encerrando à medida que não tiverem alunos. Se não tem alunos, ou melhor, tem alunos correspondentes a uma turma. Neste trabalho de redimensionamento, quando fizemos o levantamento, encontramos escolas que na nona classe, por exemplo, tem 31 alunos. Quer dizer, não fecham a nossa turma standard, que é de 50 alunos. Temos menos alunos, corremos o risco de termos uma escola com mais alunos do que professores. O encerramento do turno noturno é natural nessas escolas”, explicou Silvestre Dava, porta-voz do Ministério da Educação e Cultura.

As notícias sobre a suposta extinção do turno nocturno geraram várias controvérsias, mas Silvestre Dava explicou que ninguém é obrigado a se inscrever nesta modalidade. 

“Todos os alunos com idade igual ou inferior a 17 anos deverão ser integrados no turno diurno presencial. Os alunos com idade compreendida entre 15 e 17 anos, sublinhamos querendo, podem ser matriculados na modalidade à distância do Programa de Ensino Secundário à Distância, mediante a autorização dos seus pais ou encarregados de educação. Os alunos com 18 anos ou mais podem, igualmente querendo, matricular-se na modalidade à distância ou presencial nas escolas selecionadas. As direções provinciais de educação, incluindo os serviços de assuntos sociais da cidade de Maputo, devem proceder à indicação dos estabelecimentos de ensino que vão continuar a lecionar no turno noturno.”

Silvestre Dava esclareceu que há razões para redimensionar o curso nocturno, entre as quais, a redução de custos. 

“ Os alunos do turno noturno vêm, de ano para ano, reduzindo. E até as escolas que já encerraram no período noturno.Podemos, aqui na cidade de Maputo, dar exemplos da Escola Secundária da Polana, na Escola Secundária Josina Machel. Os efetivos do turno noturno vêm reduzindo de ano para ano. O que nós estamos a fazer é redimensionar em função dos fatores que, muito bem, enumerou de alunos e de custos, sobretudo de energia. Imagine uma escola com duas turmas a funcionar à noite. Vamos ter gastos elevados de energia e de água.”

Sobre o livro escolar, para o ano lectivo que arranca em menos de duas semanas, o Ministério garante já ter disponibilizado grande parte para as escolas. 

“ Na nossa previsão de colocar no sistema 20 milhões de livros, até dezembro último já tínhamos colocado cerca de 15 milhões. E aqui na distribuição, ou melhor, a distribuição é um processo dinâmico. Eu estou a trazer o dado de dezembro. Nos dias que correm, pode este número está ultrapassado.”

Para este ano, prevê-se a contratação de 2300 novos professores. 

 

 

As principais bacias hidrográficas do país registam níveis elevados de escoamento na sequência das chuvas intensas que se fizeram sentir nos últimos dias, tanto em território nacional como nos países vizinhos, cenário que mantém várias regiões sob vigilância reforçada das autoridades. A informação foi avançada pela Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, que acompanha de perto a evolução hidrológica em todo o país.

Segundo Isaque Felimone, daquela instituição, as bacias da região sul são, neste momento, as que inspiram maior atenção. As bacias do Maputo, Limpopo e Incomáti encontram-se em níveis de alerta, devido ao aumento significativo dos caudais provocado não apenas pela chuva local, mas também pelo escoamento proveniente de países a montante. A situação é considerada sensível, uma vez que estas bacias dependem fortemente do comportamento hidrológico fora das fronteiras nacionais.

Ainda na região sul, a bacia do Búzi apresenta igualmente níveis elevados. As estações hidrométricas de Goba e Buane estão em alerta, embora, segundo as autoridades, se encontrem numa situação relativamente mais confortável quando comparadas com outras bacias críticas do país. Apesar disso, a vigilância mantém-se ativa.

Na província de Inhambane, as bacias costeiras registaram uma subida acentuada dos níveis de escoamento devido às chuvas intensas que caíram nos últimos dias. A bacia do Inhanombe, na estação de Mubalo, atingiu o nível de alerta, situação que levou as autoridades a reforçar o acompanhamento no terreno. Ainda assim, as projeções apontam para uma possível redução dos níveis nos próximos dias, caso se confirme o abrandamento da precipitação.

Diferente é o cenário das grandes bacias internacionais, como Limpopo, Incomáti e Maputo, onde se antecipa a continuação da subida dos escoamentos. Isto porque estas bacias se desenvolvem em países vizinhos que continuam a registar chuvas intensas, o que poderá prolongar a pressão hidrológica em território moçambicano.

No caso da bacia do Save, as autoridades realizaram um sobrevoo de avaliação e constataram a presença de alguns bancos de areia, o que, para já, contribui para uma situação considerada estável. No entanto, foi registada uma onda de cheia rápida na região de Massangena, que começa agora a refletir-se a jusante. Apesar disso, a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos assegura que, neste momento, o fenómeno não constitui motivo de grande preocupação.

Ainda assim, a bacia do Save continua sob atenção especial, sobretudo porque se registaram chuvas intensas no lado do Zimbábue. A configuração geomorfológica desta bacia, descrita como arredondada, torna-a particularmente vulnerável a inundações, uma vez que vários leitos de rios convergem para o mesmo ponto. As autoridades admitem que, dentro de quatro a cinco dias, possa ocorrer uma nova onda de cheia, situação que será monitorada de forma rigorosa a partir da estação de Massangena, com foco especial no Baixo Save.

Mais a centro do país, as bacias do Púnguè e do Búzi registaram chuvas intensas nas últimas 24 horas e apresentam, neste momento, níveis hidrométricos bastante elevados. Embora se observe um abrandamento da precipitação e uma tendência geral de descida dos níveis, a situação ainda é considerada preocupante. No rio Búzi, em particular, há registo de transbordo do leito, com cenários de inundação já confirmados nas zonas de Grudja, Baixo Búzi e na vila do Búzi.

Nas restantes bacias, sobretudo na região norte do país, o cenário é mais favorável. O abrandamento das chuvas contribuiu para a descida gradual dos níveis de água, e a maioria das bacias encontra-se atualmente abaixo do nível de alerta, reduzindo o risco imediato de cheias.

As autoridades apelam à população que vive nas zonas ribeirinhas e de risco para que mantenha a vigilância, siga as recomendações dos comités locais de gestão do risco de desastres e evite atravessar rios ou zonas alagadas, enquanto se aguarda a estabilização definitiva do comportamento hidrológico em todo o país.

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