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Um grupo de indivíduos ainda não identificados tem protagonizado actos de roubo e vandalização de infra-estruturas da empresa Águas de Moçambique, na província da Zambézia. As acções comprometem seriamente o fornecimento de água, afectando cerca de 6 mil clientes.

Parte significativa dos equipamentos essenciais para garantir o fornecimento de água utilizados no sistema de abastecimento é adquirida na África do Sul. Contudo, nas últimas semanas, a empresa Águas de Moçambique tem registado uma onda preocupante de ataques às suas infra-estruturas, com destaque para o roubo de grupos de bombagem e componentes do sistema eléctrico.

Os prejuízos já ultrapassam um milhão de meticais em equipamentos, impactando directamente a capacidade de distribuição e deixando milhares de consumidores em situação de vulnerabilidade.

Como medida de mitigação, a empresa está a investir na construção de novos furos de água no distrito de Nicoadala, cada um avaliado em cerca de 2 milhões de Meticais. A iniciativa visa reduzir os efeitos das interrupções e reforçar a resiliência do sistema.

A Águas de Moçambique em Quelimane condena veementemente estes actos criminosos e apela à colaboração da população, no sentido de denunciar qualquer actividade suspeita, contribuindo assim para a protecção de um bem essencial à vida.

A Comissao Nacional dos Direitos Humanos não esta a conseguir obter provas das denuncias sobre a violação dos Direitos Humanos Nas zonas afectadas pelo terrorismo na provincia de Cabo Delgado.

Quase dez anos depois do início dos ataques terroristas em Cabo Delgado, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos ainda não tem provas de casos de violação de Direitos Humanos denunciados pela população e pela sociedade civil. 

“Os insurgentes, por terem capturado alguns membros das forças armadas também acabam levando aquele uniforme e o vestem, e isso pode parecer aos que vêem os ataques, que estão a ver os membros das Forças Armadas. É preciso, primeiro, confirmar, mesmo através das próprias autoridades, o que efectivamente pode ter acontecido, e, a partir daí, dar continuidade”, explicou Albachir Macassar, presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos.

Apesar da falta de provas, a Comissão Nacional de Direitos Humanos reconhece a existência de casos de violação dos Direitos Humanos em Cabo Delgado, e agora está a investigar  denúncia de assassinatos frequentes de pescadores no litoral do distrito de Mocimboa da Praia. 

“Nós recebemos esta comunicação, neste momento estamos a seguir este caso e fomos consultar o próprio comando, para podermos dar continuidade”, explicou. 

Assassinatos de civis, prisões arbitrárias e desaparecimento de pessoas são alguns dos casos de violação de Direitos Humanos mais denunciados em Cabo Delgado.

Depois de muito Silêncio a volta do polémico e mediático assassinato do Advogado do Partido PODEMOS, Elvino Dias, devido as suas frontais e contundentes posições contra os resultados das Eleições Gerais de 2024, nesta quinta-feira, o Procurador-Geral da República foi obrigado a quebrar o silêncio. 

Para além de, por várias vezes, ter afirmado que o crime é complexo, Américo Letela apresentou uma segunda linha de investigação,  que pode afastar as suspeitas de que Dias terá sido morto para travar a luta do PODEMOS e do Venâncio Mondlane a volta dos resultados provisórios das eleições. 

O Procurador-geral explica que ElvinoDias era mandatário de um processo em que a “namorada” de um dos autores da morte do Jornalista Carlos Cardoso,  Nini Satar, envolvida num caso de rapto em investigação, de nome Edite Chilindro, era acusada de falsificação de documentos (Certidão de Óbito), cujo julgamento estava marcado para o dia 20 de Outubro de 2024, um dia antes do seu assassinato. 

É um processo crime por falsificação de atestado de óbito de uma arguida de um caso de rapto de nome Edite António de Copta Cilindro. A senhora, ora foragida, e então companheira de Nini Satar, enquanto arguido naquele processo, passou a colaborar com as autoridades no sentido de trazer toda a verdade em relação à simulação da morte. Havia um processo que estava a correr contra esta senhora Edite. 

“A vítima (Elvino Dias), infelizmente, era um dos mandatários lá no processo. Foram forjados alguns documentos, dando a entender que esta senhora estava morta, incluindo documentos dos hospitais da África do Sul para provar.  São documentos forjados de uma clínica da África do Sul para dar a entender que a senhora estava morta. Das investigações que fomos fazendo e correspondência que tivemos com as autoridades sul-africanas, veio a concluir-se que aqueles documentos eram falsos e não tinham esse registo de óbito e muito menos o local onde disseram que [a senhora] tinha sido enterrada. Na sequência disso, foi instaurado um processo aqui para responsabilizar os autores”, explicou o Procurador. 

Apesar disso, a PGR diz que está, igualmente, a seguir a linha de investigação em relação “à questão que tem a ver com a tensão que se instalou após a divulgação dos resultados parciais das eleições. Portanto, são linhas concorrentes que nós estamos a explorar”. 

Das investigações,  cerca de dois anos depois, já há detidos. Fala-se de três suspeitos, dos quais dois em reclusão no estabelecimento penitenciário preventivo de Maputo.  

“Estão a ser ouvidas as pessoas, inclusive já fizemos exames de reconhecimento, levamos já os arguidos para instalações próprias para que houvesse algumas pessoas que fizessem o reconhecimento. O mais importante neste momento, que queremos transmitir as vossas essências, é que esta situação também nos preocupa. Estamos a fazer o nosso trabalho. Queremos mais uma vez pedir a vossa paciência. A investigação é complexa”.

O país conta, a partir desta quarta-feira,  com uma nova forma de prevenção do HIV/SIDA. Trata-se da Lenacapavir, uma injecção lançada pelo ministro da Saúde,  que quando administrada duas vezes ao ano reduz o risco de infecção.  

Dados do sector da Saúde apontam que o país regista anualmente 92 mil novas infecções por HIV, sendo que grande parte dos casos em adolescentes e jovens. 

A adesão ao tratamento continua um desafio, numa altura em que prevalecem situações de estigma e descriminação.  

Porque a ideia é reduzir as novas infecções, o ministro da Saúde lançou, esta quarta-feira, na província de Maputo, a Lenacapavir, uma nova forma de protecção contra a doença.

“Esta introdução vem alargar o leque de medicamentos de prevenção de profilaxia. Isto vai reduzir a pressão sobre nós. As pessoas vêm levando medicamentos todos meses. Agora vai reduzir a pressão porque vai-se apanhar uma injeção duas vezes por ano.  ”

O método injetável deve ser administrado duas vezes, a cada seis meses, mas de forma combinada. 

Este médico de prevenção não deve ser implementado de forma isolada. Deve ser combinado com o uso de preservativo, a testagem rápida, o tratamento antirretroviral e campanhas de educação para mudança social e de comportamento”.

Numa primeira fase, a Lenacapavir será administrada em 55 unidades sanitárias e terá como prioridade adolescentes e jovens a partir de 15 anos de idade. 

“Iremos iniciar pelas unidades sanitárias das cidades e província de Maputo e  Zambézia.  Quando se fala muito do chamado dividendo demográfico, é isto contingente.  É por isso que esta injeção vai ser dada a partir dos 15 anos. Porque é este grupo que nós temos que salvar”.

Com a sua introdução o país passa a ser o nono em África a recorrer a este método de protecção, produzido nos Estados Unidos da América. 

O ministro da Saúde reiterou que a Lenacapavir é uma injecção de acesso gratuito e deve ser somente administrada nas unidades sanitárias. 

Realizado no passado dia 18 de Abril, a Royal Aroma reforçou o seu compromisso com o desenvolvimento comunitário ao apoiar o evento “Cordas e Raquetes em Ritmo”, uma iniciativa que une desporto, cultura e entretenimento.

Sob o lema “Nutrindo Comunidades, Impulsionando Futuros”, o evento reuniu participantes de diferentes idades, proporcionando um ambiente dinâmico e inclusivo, com actividades desportivas, momentos culturais e convívio, incentivando estilos de vida saudáveis e a valorização da cultura moçambicana.

A aposta no badminton, enquanto modalidade acessível, permite à marca conectar-se directamente com jovens em escolas e comunidades, promovendo disciplina, inclusão e participação activa.

Com esta iniciativa, a Royal Aroma posiciona-se como mais do que uma marca alimentar, assumindo-se como um agente activo na promoção do bem-estar social e no crescimento das comunidades.

A ligação à saúde e nutrição mantém-se central, estando alinhada com a visão futura da marca, que inclui a introdução de arroz fortificado no mercado, reforçando o seu contributo para a energia, saúde e bem-estar das famílias.

Para além do badminton, a Royal Aroma aposta em modalidades como futebol, xadrez e música, adoptando uma abordagem integrada que promove o desenvolvimento físico, mental e cultural.

Agentes económicos de Macia, em Gaza, amotinaram-se em frente ao tribunal judicial  do Bilene, em protesto a uma detenção ilegal de dois comerciantes, e acusam Agentes da Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e da  Polícia  de República de Moçambique de  detenções arbitrárias e extorsões em valores que variam de mil a 15 mil Meticais. 

O grupo diz atravessar dias e noites de pesadelo desde Fevereiro e acusa agentes do SERNIC de  chantagens, detenções arbitrárias e extorsões de valores, que variam entre  2 a 15 mil Meticais.

De acordo com os  queixosos, quem resiste às alegadas cobranças ilícitas é recolhido às celas do Comando Distrital de Macia, onde segue sob ameaças e pressão de agentes da PRM.  Sem gravar entrevista, o SERNIC garantiu  estar a par do assunto e que há investigações para apurar a identidade dos envolvidos.

Mas para já , o grupo exige a devolução de vários bens apreendidos nos últimos dois dias.

Foram detidos cinco Agentes da PRM que se faziam passar por agentes do SERNIC em Bilene.

O conflito no Médio Oriente já começa a fazer-se sentir no Porto de Maputo, sobretudo nas operações de manuseamento de carga, com registo de atrasos na entrada e saída de camiões devido à escassez de combustível nos países da região.

Apesar de o impacto ainda ser gradual, o presidente do Conselho de Administração da Maputo Port Development Company, (MPDC),  Osório Lucas, aponta os primeiros sinais nas operações logísticas. “Actualmente, já sentimos atrasos operacionais. Estamos, por exemplo, a descarregar um navio com cerca de 25 mil toneladas de arroz, o que exige um fluxo constante de camiões para recepção e expedição”, explicou.

A escassez de combustível tem impedido a chegada atempada de alguns camiões, condicionando o ritmo de descarga. Ainda assim, segundo Osório Lucas, não há, para já, impacto significativo nos volumes de carga, tanto geral como a granel.

O gestor admite, contudo, possíveis efeitos a curto prazo na carga contentorizada, tendo em conta a dependência de rotas internacionais, nomeadamente, através do porto de Porto de Jebel Ali, um dos principais pontos de triangulação para Maputo. “Se até março não houver impacto relevante, é possível que em Abril comecemos a sentir algum efeito”, referiu.

A crise dos combustíveis está também a afectar a eficiência operacional, ao prolongar o tempo de permanência dos navios no porto. Este cenário traduz-se em custos adicionais, sobretudo ao nível do frete marítimo.

“Um navio pode custar entre 15 mil e 25 mil dólares por dia. Se uma operação passa de três para cinco dias, há custos adicionais. Além disso, o frete aumentou, passando de cerca de 20 para mais de 30 dólares por tonelada na carga a granel”, explicou o PCA.

Apesar destes constrangimentos, o Porto de Maputo mantém-se competitivo, com as linhas de navegação operacionais e os exportadores a continuarem a recorrer à infraestrutura, ainda que enfrentando custos mais elevados.

O Procurador-geral da República diz que os raptores estão a infiltrar-se nos Órgãos de Estado para fragilizar a capacidade de investigação e combate aos crimes. Américo Letela, que presta o seu informe anual à Assembleia da República, alerta que os mineradores artesanais têm alto potencial de transformar-se em grupos armados para fragilizar autoridade do Estado.

O crime de rapto constitui uma das manifestações mais graves da criminalidade organizada no nosso país. As redes criminosas operam muitas vezes com ramificações transnacionais, estrutura hierarquizada e utilização intensiva de meios tecnológicos sofisticados, bem assim como recurso a mecanismos de corrupção e infiltração nos órgãos do Estado, tornando mais complexa a investigação”, disse Américo Letela, durante o seu informe anual na Assembleia da República.

Letela alerta que há mudança no “modus operandi” dos raptores, usando tecnologias avançadas com maior incidência para meios criptografadas de comunicação e o pagamento de resgate em criptomoedas. 

No contexto da mineração, o Procurador-Geral sublinha que têm estado a acompanhar com preocupação fenómenos criminais que transcendem a dimensão estritamente jurídica,  destacando a crescente interligação entre a mineração ilegal e a probabilidade de formação de grupos armados.

“A mineração ilegal tem vindo a expandir-se em várias regiões do nosso país. Este fenómeno, inicialmente percebido como uma actividade substância ou informal,  está a evoluir em diversos contextos para uma atividade altamente lucrativa,  dominada por grupos organizados que operam à margem da lei, explorando recursos minerais de forma descontrolada, lesando o Estado em receitas e provocando a degradação do meio ambiente”, alertou.

O envolvimento de mulheres no apoio logístico a grupos terroristas tem sido uma das dinâmicas identificadas nas investigações em curso em algumas zonas da província de Cabo Delgado.

Segundo o Procurador da República, em determinados casos, as mulheres são recrutadas  ou aliciadas para desempenhar tarefas de suporte aos grupos armados, incluindo a aquisição e entrega de produtos essenciais como alimentos, medicamentos e outros bens de primeira necessidade. 

“Em Mocímboa da Praia, por exemplo, foi identificado um caso em que uma mulher adquiria regularmente produtos alimentares e assegurava a sua entrega a elementos terroristas, mantendo contacto directo com um membro do grupo para coordenação das operações”.

Américo Letela explicou que “este tipo de participação integra-se num quadro mais amplo de sustentação logística e financeira do terrorismo, que continua a representar um dos principais desafios à segurança nacional”. 

Letela avançou ainda que as redes terroristas recorrem a diversos mecanismos de financiamento, incluindo extorsão em estradas, instalação de barricadas em vias que ligam distritos e postos administrativos, saques de bens e, em alguns casos, a queima de viaturas, de forma a obrigar os civis a pagarem valores monetários para prosseguir viagem.

No período em análise, 2025, foram registados 32 processos de terrorismo, contra 26 do período anterior, o que representa um aumento de 23,1%. A estes juntam-se 87 processos transitados, totalizando 119, dos quais 31 foram concluídos, sendo 13 por acusação e 18 por arquivamento.

Paralelamente, os processos relacionados com o financiamento do terrorismo também registaram aumento, tendo passado de 15 para 21, o que corresponde a um crescimento de 40%. 

As autoridades indicam ainda que, no decurso das investigações, foi apreendido um montante de 237 291 Meticais destinado ao apoio logístico dos grupos terroristas.

Apesar dos esforços em curso, a investigação destes crimes, disse, continua a enfrentar desafios significativos, sobretudo devido ao acesso limitado às zonas afectadas, à natureza de guerrilha das operações e à dispersão de vítimas e testemunhas por várias regiões dentro e fora da província.

Perante este cenário, o Procurador-Geral defende o reforço da coordenação interinstitucional, a melhoria da partilha de informação estratégica e a formação especializada dos agentes envolvidos na investigação criminal, de modo a garantir maior eficácia na produção de prova e responsabilização dos autores dos crimes.

Está igualmente em implementação a Estratégia Nacional de Prevenção e Combate ao Terrorismo e Extremismo Violento, que prevê o reforço da coordenação entre instituições, prevenção da radicalização e combate ao financiamento. Neste âmbito, foi criado o Centro Nacional de Prevenção e Combate ao Terrorismo e Extremismo Violento, que visa unificar a resposta do Estado a este fenómeno.

As autoridades sublinham ainda a necessidade de se avançar para soluções estruturais, incluindo mecanismos de desradicalização e reinserção social de indivíduos envolvidos em actividades terroristas, como forma de complementar as respostas penais e reforçar a prevenção a longo prazo.

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