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Candidatos excluídos de ingressar nas fileiras da PRM em Nampula sentem-se injustiçados e acusam os agentes de práticas corruptivas. A PRM diz estar aberta para os receber e avaliar as reclamações.

São lamentações de quem diz ter-se esforçado para que em 2026 pudesse ocupar parte das quatro mil vagas abertas para novos agentes da PRM através do curso básico de formação de guardas em Matalane. Entretanto, após a divulgação dos resultados, alguns candidatos excluídos disseram sentir-se injustiçados e consideraram que o processo foi mal conduzido e que as pessoas apuradas nunca foram submetidas a qualquer tipo de prova.

O mais caricato, segundo afirmaram, é o facto de terem tido boas notas em todas as etapas da prova, mas mesmo assim não foram apurados e desconfiam de focos de corrupção no processo.

Questionada sobre as acusações feitas pelos candidatos excluídos, a porta-voz da PRM em Nampula, Rosa Chaúque, foi de poucas palavras, afirmando que a corporação está aberta para qualquer tipo de reclamação.

“Ainda não tivemos nenhuma denúncia, mas qualquer denúncia que tiverem podem aproximar-se às unidades próximas e façam essas denúncias para que possamos dar seguimento a esses casos”, disse.

Rosa Chaúque teceu estes pronunciamentos nesta quinta-feira, durante apresentação de um grupo de indivíduos, com destaque para um adolescente de menos de 20 anos, que é acusado de esfaquear uma pessoa no bairro de Muatala, arredores da cidade de Nampula.

Todos são acusados de cometer diversos tipos de crimes, mas refutam o seu envolvimento.

Um total de 85 pessoas morreram, 70 ficaram feridas e outras 105 126 foram afectadas desde Outubro, na actual época chuvosa no país, indica um relatório do Instituto Nacional de Gestão de Desastres.

De 01 de Outubro, quando se iniciou a presente época de chuvas, até quarta-feira, 07 de Janeiro, pelo menos 20 749 famílias foram afectadas pelo mau tempo em Moçambique, com registo de ventos fortes e chuvas intensas, acompanhadas de descargas atmosféricas e consequentes cheias, inundações, incêndios e cólera.

Segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), no mesmo período, um total de 9851 casas ficaram total ou parcialmente destruídas e outras 8969 inundadas, além de 13 unidades hospitalares e 39 casas de culto afectadas.

No sector da educação, a época chuvosa afectou 42 606 alunos, 688 professores, 312 salas de aula, 122 escolas e 27 blocos administrativos, e, na agricultura, mais de 6400 hectares de áreas agrícolas ficaram inundadas, 17,69 hectares perdidos, afectando 2866 agricultores.

De acordo com o INGD, pelo menos 832 animais, entre bovinos, caprinos e aves, morreram, 86 postes de energia tombaram e 20 quilómetros de estrada foram afectados pelas intempéries.

A época presente chuvosa já obrigou à abertura de 15 centros de acomodação no país, dos quais 11 já foram encerrados, permanecendo quatro ainda activos, tendo albergado um cumulativo de 4303 pessoas.

Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do país, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.

O país enfrenta, ciclicamente, cheias e ciclones tropicais durante a época das chuvas, além de períodos prolongados de seca severa, sendo, por isso, considerado um dos mais afectados pelas alterações climáticas globais.

Nas últimas chuvas, entre 2024-2025, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhões de pessoas.

Já entre 2019 e 2023, os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

Moradores dos bairros de Magoanine e Zimpeto bloquearam vias exigindo a recolha de resíduos sólidos na Cidade de Maputo. Os queixosos acusam a edilidade de incumprimento de suas obrigações há dois meses, e o bloqueio das vias foi uma forma encontrada para pressionar a que se faça algum trabalho de recolha de lixo.

A manhã desta quinta feira começou agitada entre os bairros Magoanine e Zimpeto, devido a uma contestação promovida pelos moradores, para pressionar o município a recolher os resíduos sólidos, que, segundo os queixosos, estão há mais de dois meses abandonados no local.

De acordo com um munícipe que não quis identificar-se, a situação frustrou a população, que teve de encontrar formas de mostrar a sua indignação face ao não trabalho da edilidade.

“A população zangou-se porque dentro das casas habitam com as moscas, cheiro nauseabundo que incomoda. Vive-se um caos, chega a parecer que isto é lixeira de Hulene. Isso frustrou a população e veio aqui para bloquear a via e chamar atenção do município”, contou.

A pretensão dos munícipes logrou sucessos. Após a pressão, o município de Maputo mobilizou o seu equipamento para a remoção do lixo, pelo menos na avenida Nelson Mandela, que dá acesso ao Bairro Matendene a partir da EN1, e os munícipes falam de um problema que já se prolongava há três meses. 

“Desde Outubro convivemos com problema de lixo. Ficamos com este lixo durante todas as festas e nas casas não passamos refeições à vontade. Estamos a provocar doenças com isto”, contestou Simeão Manhiça, que disse que a situação levou a que os moradores barrassem a circulação de viaturas na Avenida Nelson Mandela.

A intervenção do município não foi extensiva ao bairro Zimpeto, onde ninguém bloqueou a estrada. Ao pé do Estádio Nacional do Zimpeto, concretamente nas futuras instalações do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique, a via continua tomada pelo lixo.

Uma das faixas de rodagem da estrada que dá acesso à Vila Olímpica a partir da estrada circular de Maputo está ocupada por lixo, e os habitantes falam de um cenário que se transformou em incubadora de oportunistas.

“Pedimos a remoção do lixo, porque faz mal à saúde. Além disso, aqui também ficam pessoas duvidosas que se fazem passar de catador de lixo, mas são ladrões”, denunciou Nelson Tsenane.

O cenário de lixo fora dos contentores, que tem estado a condicionar o trânsito, regista-se também na rua de 1º de Maio, no bairro de Maxaquene; na avenida Joaquim Chissano, em frente ao hospital de Xipamanine, e na paragem Saúl, entre Maxaquene e Polana Caniço.

Tentativas de obter uma reacção por parte do Conselho Municipal, através da vereação municipal de salubridade, redundaram em fracasso.

O governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, desmentiu a venda de praia em Mossuril e prometeu acesso livre. Abdula assegurou que em nenhum momento o Governo vendeu, alienou ou concedeu a terceiros qualquer praia no distrito de Mossuril, nem em qualquer outra parte do território provincial.

A garantia foi dada pelo governador de Nampula, durante uma conferência de imprensa convocada para esclarecer a opinião pública face a informações falsas que circulam em alguns órgãos de comunicação social, segundo as quais o Governo teria “vendido uma praia” naquele distrito.

O chefe do Executivo provincial de Nampula explicou que o que de facto ocorreu foi o encerramento ilegal de acessos públicos à praia da Carrusca, em Chocas-Mar, por iniciativa de indivíduos particulares.

Assim que o caso chegou ao conhecimento do governo provincial, foram imediatamente emitidas orientações para a reposição da legalidade, tendo sido desencadeados e executados os procedimentos necessários para a reabertura dos acessos à referida praia.

Paralelamente, o Executivo provincial determinou a adopção de uma solução definitiva e estruturada, estando em curso a preparação de intervenções para o melhoramento dos acessos, com vista a garantir, de forma duradoura, o livre acesso da população e dos visitantes.

Eduardo Abdula esclareceu ainda que o caso foi prontamente comunicado à Procuradoria Provincial da República e reafirmou que o Governo de Nampula, em alinhamento com as orientações do Presidente da República, Daniel Chapo, continuará firmemente ao lado das comunidades locais na defesa dos seus direitos e interesses legítimos.

 

Eduardo Abdula visita estradas rompidas pelas chuvas intensas

Numa outra actividade que aconteceu após a conferência de imprensa, o governador de Nampula visitou o desvio sobre o rio Ampuesse, na Estrada Regional n.º 698, principal via de ligação entre os distritos de Monapo e Mogincual, que ficou rompida na segunda-feira, na sequência das chuvas intensas que se fizeram sentir na província, interrompendo a circulação entre os dois pontos.

O desvio sobre o rio Ampuesse constituía uma via alternativa para a transitabilidade de pessoas e bens, que foi construído no ano passado (2025), após a destruição da ponte principal pela tempestade tropical severa “JUDE”.

A reposição da circulação no desvio foi possível graças à rápida intervenção do Conselho Executivo Provincial com apoio de parceiros locais. Esta recente interrupção coloca em causa a normalidade de circulação entre os dois distritos (Monapo e Mogincual), pelo que o governador pediu celeridade ao empreiteiro, tendo este dado um prazo de reposição da transitabilidade até ao dia 17 de Janeiro do ano em curso.

Recorde-se que ainda em 2025 o governador de Nampula, acompanhado pelos chefes das bancadas da Frelimo, PODEMOS e Renamo, avaliou no mesmo local os trabalhos de reposição da via alternativa, que permitiram a retoma do comércio entre Monapo e Namige, no distrito de Mogincual, restabelecendo a normal circulação de pessoas e bens.

O Município de Quelimane enfrenta uma grave crise financeira, há mais de seis meses. A dívida salarial supera os 72 milhões de meticais e afecta mais de 900 funcionários. Segundo o edil Manuel de Araújo, o problema começou quando o Estado central não canalizou cerca de 150 milhões de meticais, valor que estava previsto na planificação anual do município.

A situação tornou-se ainda mais crítica no período festivo. Vereadores, membros da Assembleia Municipal e funcionários em geral passaram o Natal e a transição do ano sem receber os seus ordenados. De acordo com relatos, desde Julho do ano passado nenhum salário foi pago.

Mas afinal, o que está a acontecer? O edil explica que toda a planificação foi comprometida devido a uma promessa, que considera falsa, de que fundos seriam transferidos pelo nível central. Com um peso salarial mensal de cerca de 12 milhões de meticais, o município viu-se obrigado a avançar com exonerações de vereadores e directores para tentar reduzir custos.

Enquanto não houver uma solução definitiva, mais de 900 famílias continuam à espera de respostas e, sobretudo, dos salários em atraso.

Os preços de produtos frescos estão cada vez mais caros na província de Manica. A batata, o tomate e a cebola, por exemplo, tornaram-se inacessíveis para pessoas de baixa renda. Os vendedores justificam que os produtos são importados e por isso estão mais caros. Já o gestor agrónomo, Manuel Queiroz, diz não fazer sentido uma província com terras aráveis continuar a exportar produtos frescos.

O “O País” escalou vários mercados da cidade de Chimoio e constatou que os preços de produtos frescos estão apenas ao nível dos bolsos de pessoas de classe média e alta. A batata-reno saiu dos 350 meticais o saco de 10 quilos para 600. Os vendedores dizem que a batata é importada da África do Sul e a adquirem em Maputo.

“Se a batata está 420, em Maputo, temos que contar com os 85 de transporte, praticamente chega aqui já a 505. Depois temos de pagar os homens que fazem o descarregamento. Por isso, temos de vender a 600 meticais”, justificou um vendedor. 

O tomate, a cebola, a cenoura e o feijão verde estão também entre os produtos que tornaram-se para gente endinheirada. Os preços praticados estão a sufocar os bolsos dos consumidores.

“Tomate está a 2 mil cada caixa. Então, quando compramos para vender não sai e lá onde compramos está muito caro”, reclamam os vendedores. 

Izilda do Rosário foi ao mercado Catanga para comprar batata-reno, mas surpreendeu-se com o preço. E teve que concentrar as suas atenções apenas nos temperos, porque o dinheiro não bastava para a compra de batata. 

Manica é uma província com condições agro-ecológicas para a produção de hortícolas e leguminosas. O que estará a falhar para continuar a depender dos países vizinhos para ter produtos agrícolas básicos. Manuel Queiroz é especialista em Agronomia, com mais de 20 anos de experiência e avança algumas propostas como  planificação e organização da produção e a competitividade do mercado. 

Enquanto estas soluções não são aplicáveis, os preços de produtos frescos em Manica continuam aquém das necessidades de pacatos cidadãos.

O posto administrativo de Quiterajo, no distrito de Macomia, continua parcialmente ocupado pelo grupo armado instalado em Cabo Delgado, há mais de 8 anos. O facto foi confirmado pelo administrador do distrito, que considera a situação de segurança relativamente calma.

Quiterajo foi ocupado pelo grupo armado há  mais de cinco anos e até hoje é o único posto administrativo do distrito de Macomia que continua parcialmente fora do controlo do Estado.

“Estamos ainda com problemas, no posto administrativo de Quiterajo, é o único posto do distrito de Macomia que a população ainda não retornou, tendo em conta que, neste momento, as nossas Forças de Defesa e Segurança estão lá a trabalhar, estão a combater os terroristas, estão a fazer tudo por tudo para desalojar os terroristas, naquele ponto do nosso distrito”, disse Tomás Badai, Administrador de Macomia. 

Devido à insegurança, quase toda a população de Macomia, incluindo funcionários do Estado, está confinada na Vila sede do distrito, que, actualmente, é considerado o único lugar relativamente seguro.

“Todos os chefes dos postos, quatro postos administrativos, os chefes e os respectivos chefes estão cá na vila sede, e alguns chefes da localidade dos postos administrativos estão a trabalhar aqui na via”, explicou o administrador. 

Macomia tem quatro postos administrativos e todos estavam ocupados pelo grupo armado que supostamente destruiu quase todas infra-estruturas do Estado.

Um jovem de 28 anos de idade está detido, indiciado por agredir o seu vizinho até à morte por alegado roubo de dois quilos de açúcar, no bairro Ndambine 2000, em Xai-Xai, província de Gaza.

O acusado nega as acusações e diz que apenas manifestou-se dentro da sua casa. “Eu fiz manifestação e entrei em casa para dormir (…) Nessa manifestação, eu gritei mesmo para saber quem levou as minhas coisas “, disse. 

O indiciado diz ainda que a vítima terá caído, mas que não houve nenhuma agressão. 

A PRM diz que a vítima teve contacto com o acusado na noite interior, e este é um dos elementos que os levaram até o possível culpado. 

“Eles foram discutindo por causa de alguns objectos que deu falta e a vítima esteve na residência do acusado. O indiciado disse que viu a vítima a aleijar-se, mas não se prontificou a prestar socorro”, avançou Júlio Nhamussua, Porta-Voz Polícia em Gaza. 

Nhamussua diz que a Polícia foi notificada no dia seguinte, e a vítima foi a óbito a caminho do hospital devido a gravidade dos ferimentos.

A primeira-ministra diz que o Governo ainda não dispõe de verbas para pagar o décimo terceiro salário aos funcionários  públicos, mas garante que o executivo está a trabalhar para o feito. Maria-Benvida Levi afirma que assim que houver recursos, as autoridades vão anunciar.

“Relativamente ao décimo terceiro salário, nós falamos em tempo oportuno e dissemos que havendo recursos seriam anunciados pelas entidades competentes. Aliás, a lei é clara em relação a isso”, disse a primeira-ministra aos jornalistas quando questionada sobre o pagamento do décimo terceiro salário aos funcionários públicos. 

Benvinda Levi garantiu que assim que o Governo tiver uma solução para o décimo terceiro salário, a informação será tornada pública. “Até neste momento não há décimo terceiro salário”, sublinhou.

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