O País – A verdade como notícia

O Corpo Diplomático africano acreditado em Moçambique doou 15 mil dólares norte-americanos para apoiar as vítimas das cheias que afectaram o país nas últimas semanas. 

O montante resulta de contribuições pessoais retiradas dos salários dos próprios embaixadores que integram o chamado Grupo Africano, composto por representantes de cerca de 40 países africanos acreditados em território moçambicano.

O donativo foi entregue esta segunda-feira à Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas, numa cerimónia que simbolizou a solidariedade continental num momento de dificuldade para milhares de famílias moçambicanas. 

Na ocasião, a ministra dos negócios estrangeiros destacou o significado político e humano da iniciativa. “Este é um gesto de solidariedade. Quando um dos Estados-membros africanos sofre uma catástrofe natural, todos os países africanos devem mobilizar-se”. A governante sublinhou ainda que a contribuição do Grupo Africano complementa os esforços que já estão a ser desenvolvidos bilateralmente por vários países do continente.

De acordo com os embaixadores, a decisão de contribuir directamente com parte dos seus salários foi tomada após uma reunião do grupo, na qual foi avaliada a gravidade da situação humanitária provocada pelas cheias. Para os diplomatas, estando acreditados em Moçambique, acompanhando de perto o sofrimento das populações e o impacto das inundações, tornou-se imperativo agir de forma imediata e concreta.

O embaixador da Palestina em Moçambique, Fazez Jawad, membro do Grupo Africano, afirmou que a iniciativa pretende transmitir uma mensagem clara de apoio às vítimas. “Queremos expressar a nossa solidariedade com os nossos irmãos moçambicanos e dizer que o povo de Moçambique não está sozinho. Vamos permanecer ao lado do povo moçambicano”, declarou, acrescentando que os países africanos continuam empenhados em apoiar o país na superação da crise.

Por sua vez, o decano interino do Corpo Diplomático Africano, Constant-Serge Bounda, embaixador do Congo Brazzaville, explicou que o valor agora entregue constitui apenas uma primeira resposta. “O grupo africano continua mobilizado. Fizemos a nossa contribuição e os nossos países também vão continuar a ajudar directamente”, afirmou. Segundo Bounda, estão em curso contactos com os respetivos governos para reforçar o apoio financeiro e humanitário nos próximos dias.

O Governo moçambicano reconheceu o gesto como um sinal de profunda fraternidade africana, sublinhando que a contribuição provém “do coração”, por se tratar de recursos pessoais dos diplomatas. Maria Lucas destacou ainda que os embaixadores africanos têm desempenhado um papel activo na mobilização de ajuda internacional, junto dos seus países de origem e de outros parceiros.

As cheias, resultantes da época chuvosa em curso, provocaram perdas humanas, destruição de habitações, infraestruturas e campos agrícolas, deixando milhares de famílias em situação de vulnerabilidade. 

Face a este cenário, o Executivo reiterou o apelo à solidariedade internacional, defendendo que a resposta humanitária deve ser contínua e reforçada, tendo em conta que a época chuvosa ainda se encontra numa fase inicial.

O Japão anunciou, nesta segunda-feira, o envio de equipamentos de socorro de emergência para Moçambique, para auxiliar o país que se depara com cheias que afectaram mais de 650 mil pessoas.

Trata-se de uma resposta ao pedido do Governo de Moçambique para fornecer bens de socorro de emergência como tendas, cobertores, tanques de plástico, purificadores de água e lonas, reportou a Lusa.

O apoio será prestado através da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). 

De acordo com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), mais de 150 mil casas foram inundadas, em Moçambique, nas cheias deste mês, bem como quase 230 unidades sanitárias e mais de 360 escolas.

A base de dados do INGD, consultada pela mesma fonte, com informação até às 07h00 desta segunda-feira, indica que as cheias já atingiram 652 189 pessoas, o equivalente a 141 317 famílias, com registo de 3445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153 417 inundadas.

Os dados do INGD referem, ainda, 45 feridos e quatro desaparecidos em menos de 20 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no Sul de Moçambique.

Desde o início da época das chuvas, em Outubro do ano passado, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 131 pessoas em Moçambique, além de 144 feridos, e 779 528 pessoas afectadas, avança a agência noticiosa portuguesa.

Esta semana, a EUMAM MOZ realizou uma entrega de artigos de vestuário à associação ADPP Moçambique – Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo, em Maputo, com o objectivo de reforçar o apoio prestado por esta instituição, às famílias mais necessitadas, afectadas pelas recentes cheias. 

Esta iniciativa foi planeada no âmbito das actividades de Cooperação Civil-Militar e enquadra-se numa abordagem integrada que promove a articulação com a sociedade civil e os atores locais ao consolidar a compreensão do ambiente humano e a confiança entre as comunidades e a missão. 

A ADPP Moçambique é uma organização da sociedade civil dedicada ao desenvolvimento humano, com intervenção nas áreas da educação, formação profissional, saúde, agricultura e apoio social, estando representada em todas as províncias de Moçambique, através dos seus diversos centros e projetos. Promove um trabalho contínuo na valorização das pessoas e das organizações constituindo-se como um ator relevante para a resiliência social e para o desenvolvimento das comunidades. 

“A EUMAM MOZ prossegue o seu compromisso de atuação em conformidade com o Direito Humanitário Internacional, o Direito Internacional dos Direitos Humanos e a Agenda Mulheres, Paz e Segurança”, refere a missão em comunicado de imprensa.

A Missão é actualmente comandada pelo Comodoro César Pires Correia, da Marinha Portuguesa, e conta com mais de 80 militares e civis, de 12 nacionalidades. O mandato da EUMAM MOZ decorre até Junho de 2026.   

A Procuradoria provincial de Cabo Delgado está a investigar um caso de corrupção no Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), relacionado com o processo de concurso público de ingresso a formação de agentes da Polícia em Matalane, na província de Maputo

A investigação da Procuradoria Provincial de Cabo Delgado sobre a suposta corrupção na Polícia  começou  depois de uma denúncia anônima

A procuradoria apenas confirmou a investigação, mas nao revelou detalhes da denúncia sobre a suposta corrupção no comando da PRM em Cabo Delgado

Segundo apurou o “O País”, pouco antes da denúncia ser remetida à procuradoria, o Comando da Polícia em Cabo Delgado suspendeu o Director de pessoal, por razões até agora desconhecidas.

Três menores, com idades entre 2 e 6 anos, morreram, no distrito de Chibuto, vítimas das cheias e inundações. As crianças foram arrastadas pela fúria das águas, quando tentavam pescar, nas zonas baixas de chaimite. Ainda em Gaza, sobe para mais de 50 mil, o número de famílias sitiadas, que precisam de assistência humanitária.

Com idades entre 2 e 6 anos, os menores foram surpreendidos e arrastados pela forte corrente das águas, quando tentavam pescar na zona da Coca-Missava, baixa de Chibuto. O socorro chegou, mas já era tarde demais.

“As pessoas pescam, por fome. Estão à procura do caril. Não temos como”, queixou-se Mariana João, residente da Coca-Missava em Chibuto. 

Na zona de Chaimite, outra morta, uma menor de 4 anos de idade escorregou de um ponto alto, e projectou-se numa forte carga de água de 5 metros de altura. Há também outras duas mulheres desaparecidas,  segundo confirmou a Administradora de Chibuto.

“Há uma criança que desapareceu ontem de 2 anos e seis meses, foi arrastada pelas águas. São duas pessoas que desapareceram e, até este momento, não temos a confirmação. Também temos três crianças, que morreram nas águas. Temos ainda os crocodilos, que se expandiram por todo o lado”, disse Cacilda Banzé, Administradora de Chibuto.  

Há relatos, quase diários, de desaparecidos, além de vários pontos em iminente corte na baixa de Chibuto, mas a população, em particular, enfrenta riscos em busca de comida.

“Sim, enfrentamos o drama da fome, por isso, estamos aqui para conseguir alguma coisa para comer”, disse Ricardo Joias, residente da Baixa de Chibuto. 

A administradora, Cacilda Banze, fala de reforço de medidas compulsivas, entretanto, a população continua irredutível.

Em Chibuto, a situação continua crítica, com milhares de famílias cercadas isoladas, sem alimentos, água e medicamentos há mais dois dias. Pescadores mostram-se preocupados com a redução das operações de resgate, apontando para locais onde a ajuda já não chega, como o exemplo de Macalawane, onde muita gente precisa de ajuda.

Autoridades avançam que há mais 38 mil pessoas que continuam acolhidas e mais de 8 mil resgatadas nos últimos 25 dias em Gaza.

Moçambique contabilizou 2.650 casos de cólera e 32 óbitos nos quatro meses do actual surto, que nos últimos cinco dias provocou quatro mortes e 300 novos casos.

De acordo com o boletim diário da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 3 de Setembro a 20 de Janeiro, a província de Nampula concentra a maioria dos casos, com 1.314 e 17 mortes. Seguem-se Tete, com 932 casos e 13 óbitos, e Cabo Delgado, com 404 casos e dois mortos. Os quatro óbitos registados nos últimos cinco dias ocorreram em Nampula.

Nas 24 horas anteriores ao boletim, foram reportados 71 novos casos, mantendo-se 36 pessoas internadas. A taxa de letalidade actual é de 1,2%, acima dos 0,5% registados em dezembro.

O surto anterior, entre 17 de Outubro de 2024 e 20 de Julho de 2025, registou 4.420 infectados e 64 mortos, com Nampula a concentrar 3.590 casos. Em 2025, pelo menos 169 pessoas morreram devido à cólera, entre cerca de 40 mil casos, alertou o ministro da Saúde, reforçando a necessidade de cumprimento das medidas de higiene individual e coletiva.

A Noruega vai disponibilizar dois milhões de dólares para apoiar famílias afectadas pelas cheias em Moçambique, que já atingiram mais de 141 mil famílias nos últimos 15 dias, anunciou a Embaixada norueguesa em Maputo.

Os fundos, segundo a Lusa, serão canalizados para a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e o Conselho Norueguês para os Refugiados. O objectivo é garantir abrigo seguro, acesso a água potável, saneamento, operações de busca e salvamento e assistência financeira direta às comunidades afetadas.

O ministro de Desenvolvimento da Noruega, Åsmund Aukrust, destacou que Moçambique é um dos países mais afectados pelas mudanças climáticas, “sem ter culpa pela crise”, e sublinhou a importância de apoiar onde for possível. A contribuição norueguesa soma-se aos cinco milhões de dólares mobilizados pelo Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU (CERF), do qual a Noruega é um dos maiores doadores globais.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), citados pela Lusa, as cheias já afetaram 651.843 pessoas desde 7 de janeiro, provocando 12 mortos, 45 feridos e quatro desaparecidos. Cerca de 95.870 cidadãos estão em centros de abrigo, incluindo 19.516 pessoas resgatadas das áreas mais críticas.

O balanço do INGD indica ainda que 3.396 casas foram parcialmente destruídas, 767 totalmente e 71.600 inundadas. As cheias afetaram 232 mil hectares de área agrícola, prejudicando a atividade de 174 mil agricultores, e causaram a morte de mais de 74 mil cabeças de gado. A situação é particularmente grave nas províncias de Maputo e Gaza, onde centenas de famílias continuam sitiadas e aguardam resgate, com estradas e pontes intransitáveis devido à subida das águas.

Maputo vai receber, na noite deste domingo, um avião cargueiro transportando 90 toneladas de ajuda humanitária da União Europeia (UE), destinada a apoiar a resposta às cheias que afetam quase 700 mil pessoas em Moçambique.

Segundo uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, citada pela Lusa, trata-se de um Boeing 747 que transporta assistência humanitária para centenas de milhares de moçambicanos severamente afetados pelas inundações registadas em várias regiões do país.

A carga será recebida no Aeroporto Internacional de Maputo pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas.

Este é o primeiro voo de ajuda humanitária enviado pela União Europeia para Moçambique no âmbito da actual emergência. As 90 toneladas incluem equipamentos médicos, material para abrigo, artigos de higiene, nutrição, educação e proteção, provenientes dos armazéns humanitários da UE localizados na Dinamarca. A distribuição será assegurada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e parceiros humanitários nacionais.

A Comissão Europeia anunciou, a 22 de janeiro, a disponibilização de 1,15 milhões de euros em ajuda humanitária para Moçambique e o Malawi, como resposta às cheias que assolam a região da África Austral. O anúncio foi feito pela comissária europeia para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, através das redes sociais, refere a Lusa.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as cheias em Moçambique já afetaram 651.843 pessoas desde 7 de janeiro, resultando em pelo menos 12 mortos, 45 feridos e quatro desaparecidos. Atualmente, 95.870 pessoas encontram-se acolhidas em centros de acomodação.

Os números mais recentes indicam que 141.251 famílias foram afetadas, com 3.396 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 71.600 inundadas. As províncias de Maputo e Gaza concentram o maior aumento recente do número de afetados.

Desde o início da época chuvosa, em outubro, já foram registadas 131 mortes e mais de 779 mil pessoas afetadas em todo o país. Estão ativos 94 centros de acomodação, e registam-se danos em 229 unidades sanitárias, 364 escolas, três pontes e mais de 1.300 quilómetros de estradas.

O INGD refere ainda que cerca de 232 mil hectares de áreas agrícolas foram afetados, impactando mais de 174 mil agricultores, além da perda de mais de 74 mil cabeças de gado.

As operações de resgate continuam em várias zonas do sul do país, sobretudo nas províncias de Maputo e Gaza, onde centenas de famílias permanecem sitiadas pelas águas. As ações contam com meios aéreos nacionais e estrangeiros, incluindo da África do Sul, bem como embarcações da Marinha de Guerra e privadas, apesar das limitações impostas pelas condições meteorológicas.

As estradas nacionais número 1 (N1) e número 2 (N2), nos acessos norte e sul da capital, permanecem intransitáveis devido à subida do nível das águas.

Portugal enviou uma equipa para Maputo para investigar a morte do administrador do banco BCI. Fazem parte da equipa elementos da Polícia Judiciária e do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses.

Depois de as autoridades moçambicanas terem explicado que o administrador do BCI, Pedro Ferraz Reis, suicidou-se numa unidade hoteleira em Maputo, Portugal decidiu agora fazer a sua própria investigação em Moçambique.

Num comunicado conjunto do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério da Justiça, ambos portugueses, Portugal explica que: “a sequência dos contactos com as autoridades de Moçambique, decorridos ao longo desta semana, e no quadro de cooperação entre autoridades policiais e judiciárias de ambos os países, seguirá neste fim de semana para Maputo uma equipa composta por elementos da Polícia Judiciária e do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses”. 

Na nota, as autoridades esclarecem que as referidas investigações da morte do cidadão português de 56 anos de idade serão conjuntas. “A equipa acompanhará as investigações da morte do empresário, Pedro Ferraz Reis, em estreita cooperação com as autoridades judiciárias e policiais”.

Uma petição “online”, com mais de 8.600 assinaturas dirigida ao presidente da Assembleia da República e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, ambos de Portugal, citadas pelo Expresso, diz haver “incongruência das explicações” das autoridades moçambicanas, que apontam para suicídio.

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