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O Secretário-Geral da Frelimo, Chakil Aboobacar, afirmou que o partido e o país perderam uma das suas mais marcantes dirigentes com a morte de Luísa Dias Diogo, destacando o seu papel ímpar na história política nacional, regional e internacional. Falando em nome da Comissão Política, do Comité Central e dos militantes, sublinhou que a antiga Primeira-Ministra foi uma mulher de pensamento lúcido, liderança serena e profundo compromisso patriótico.

A Frelimo realçou o contributo de Luísa Diogo como deputada da Assembleia da República por três legislaturas, governante em áreas-chave da economia e primeira mulher a assumir o cargo de Primeira-Ministra, além da sua militância activa e coerente no partido, onde integrou órgãos centrais até à data da sua morte.

Segundo o partido, Luísa Diogo deixa um legado político, moral e institucional duradouro, assente na ética, na responsabilidade pública, na unidade nacional e na defesa intransigente dos interesses do povo moçambicano, valores que continuarão a orientar as gerações vindouras.

O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que Moçambique se despede não apenas de uma antiga governante, mas de uma mulher cuja vida foi sinónimo de serviço público, Estado e história, durante a cerimónia fúnebre da ex-Primeira-Ministra Luísa Dias Diogo.

No seu discurso, o Chefe do Estado descreveu Luísa Diogo como uma referência nacional, continental e mundial, sublinhando que a sua partida representa “uma ferida na memória colectiva” e um silêncio que ecoa no coração do povo moçambicano. “Não é apenas a família que chora. É todo o país que perde uma das suas filhas mais dedicadas”, afirmou.

Daniel Chapo destacou o percurso de Luísa Diogo desde o nascimento numa machamba de arroz, na zona rural de Tete, até ao mais alto cargo governativo, sublinhando que a sua história prova que o mérito, a competência e a dedicação podem transformar destinos e inspirar gerações.

O Presidente recordou a sólida formação académica da estadista, o seu percurso exemplar no Ministério das Finanças, o papel central nas reformas económicas do país e a liderança nas negociações internacionais para o alívio da dívida. Destacou ainda o facto de Luísa Diogo ter sido a primeira mulher a assumir o cargo de Primeira-Ministra da República de Moçambique, exercendo a função com serenidade, firmeza e sentido de Estado.

Durante o mandato governativo e após deixar o cargo, Luísa Diogo manteve-se activa na vida pública, no Parlamento, em organismos internacionais e na promoção da igualdade de género e do empoderamento das mulheres, sendo reconhecida por instituições como a Forbes, a Time Magazine, o Banco Mundial e as Nações Unidas.

Dirigindo-se à família enlutada, o Presidente garantiu que o Estado e o povo moçambicano partilham a dor da perda, sublinhando que a obra, o exemplo e os valores de Luísa Diogo permanecem vivos nas instituições, nas mulheres que inspirou e na história do país.

“Luísa vive na história e na consciência de Moçambique”, concluiu Daniel Chapo, rendendo homenagem a uma vida marcada pelo serviço, pela integridade e pela entrega total à nação.

Representantes de diferentes organismos do Estado, associações profissionais, instituições financeiras e organizações sociais prestaram, hoje, homenagens à antiga Primeira-Ministra de Moçambique, Luísa Dias Diogo, durante as cerimónias fúnebres realizadas em sua memória.

Antigos Secretários-Gerais e Secretários-Permanentes dos Ministérios recordaram Luísa Diogo como uma dirigente exigente, disciplinadora e rigorosa, mas profundamente humanista, sublinhando o seu papel decisivo na reforma do sector público e na modernização da administração do Estado. Destacaram ainda a sua capacidade de liderança, de construção de consensos e o elevado sentido de patriotismo.

A Associação Moçambicana de Economistas descreveu a antiga governante como um “capital intelectual raro” do país, realçando o seu contributo para a consolidação do quadro macroeconómico, a gestão das finanças públicas, a renegociação da dívida e o diálogo com instituições financeiras internacionais, sempre em defesa da soberania nacional. Para os economistas, a sua obra permanece como património duradouro da economia moçambicana.

O Absa Bank Moçambique, onde Luísa Diogo exerceu funções de liderança, destacou a sua integridade, visão estratégica e humanidade, sublinhando o impacto do seu exemplo na formação de lideranças conscientes e responsáveis.

Por sua vez, a Organização da Mulher Moçambicana (OMM) enalteceu Luísa Diogo como referência incontornável na luta pela emancipação feminina, lembrando o seu percurso como a primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira-Ministra e o seu compromisso permanente com o empoderamento das mulheres e o desenvolvimento do país.

As mensagens convergiram no reconhecimento de Luísa Dias Diogo como uma estadista de exceção, economista de mérito e mulher que deixou marcas profundas na história política, económica e social de Moçambique.

A família da antiga Primeira-Ministra de Moçambique, Luísa Diogo, prestou hoje uma homenagem marcada por emoção, gratidão e sentido de missão, durante a cerimónia fúnebre oficial realizada em sua memória. Numa mensagem lida em nome dos filhos e familiares, Luísa Diogo foi evocada como uma mulher de integridade, conhecimento e generosidade, cuja vida foi inteiramente dedicada ao serviço do país, da família e de Deus.

“Com um coração pesado, mas também com um profundo sentido de gratidão”, assim começou a mensagem familiar, que destacou a onda de solidariedade nacional e internacional que se seguiu ao anúncio da sua morte. Mensagens vindas de diferentes partes do país e do mundo celebraram as múltiplas dimensões da antiga governante: líder, economista, humanista, conselheira, mentora e amiga.

A família sublinhou que, acima de todos os cargos que exerceu, Luísa Diogo foi, sobretudo, uma mulher movida pelo espírito de serviço. Como cristã católica, acreditava que a liderança não é poder, mas responsabilidade; não é vaidade, mas entrega; não é privilégio, mas missão. Segundo os familiares, uma das últimas mensagens deixadas aos filhos resumia a sua filosofia de vida: cumprir o dever, com retidão e com amor.

No testemunho, foram recordados episódios marcantes da sua trajectória pessoal e profissional, que ilustram o seu sacrifício e resiliência desde muito cedo. Ainda estudante da Faculdade de Economia da Universidade Eduardo Mondlane, percorreu longas distâncias a pé durante a gravidez do primeiro filho, encarando as dificuldades não como obstáculos, mas como motivação para construir um futuro melhor. Mais tarde, conciliou maternidade, formação académica avançada e responsabilidades de elevada exigência no Ministério das Finanças e em instituições internacionais.

Após uma carreira ímpar ao serviço do Estado, que incluiu os cargos de Ministra do Plano e Finanças e Primeira-Ministra da República, Luísa Diogo continuou a servir o país e a comunidade internacional em várias frentes. Foi Presidente do Conselho de Administração do ABSA Moçambique durante mais de uma década, da Global Alliance Seguros por mais de oito anos e, durante cerca de 14 anos, conselheira e membro do Conselho de Administração do Programa de Liderança Ministerial da Universidade de Harvard.

A mensagem destacou ainda o seu empenho em causas humanistas e, nos últimos anos, a dedicação à sua fundação, com foco na educação, dignidade e autonomia como pilares do desenvolvimento humano. A família manifestou especial reconhecimento pelo carinho recebido de colegas internacionais, comunidades académicas e parceiros globais, que viam em Luísa Diogo não apenas a dirigente, mas a pessoa íntegra e generosa que sempre foi.

Num dos momentos mais tocantes, os familiares lembraram as suas origens humildes, evocando a história da mãe que a deu à luz numa machamba de arroz, símbolo das raízes profundas que moldaram o seu carácter e a sua capacidade de cuidar, resistir e fazer florescer mesmo em contextos difíceis.

A homenagem incluiu também palavras de gratidão aos pais, pelo incentivo à educação sem distinção de género, e ao marido, descrito como companheiro de vida e parceiro de caminhada, que sempre acreditou no valor e na voz da mulher.

Dirigindo-se aos netos, a família afirmou que o amor não termina com a morte, mas transforma-se, permanecendo vivo na fé, nos gestos de bondade, na busca pelo conhecimento e nos sonhos que continuam a crescer.

“Hoje despedimo-nos com dor, mas também com orgulho”, afirmou a família, sublinhando que, embora nenhum tempo ao lado de Luísa Diogo fosse suficiente, há serenidade na certeza de que cumpriu a sua missão ao mais alto nível.

A mensagem terminou com palavras simples e carregadas de significado: “Descanse em paz, mamã. Cumpriste, tatenda”.

Diversas personalidades nacionais reagiram com profunda consternação à morte da antiga Primeira-Ministra de Moçambique, Luísa Dias Diogo, ocorrida no dia 16 de Janeiro, vítima de doença. As reacções convergem num ponto comum: o país perdeu uma das suas maiores referências políticas, económicas e humanas.

O antigo Primeiro-Ministro da República, Carlos Agostinho do Rosário, afirmou que Moçambique perdeu “uma grande mulher, combatente e visionária”, que dedicou a sua vida ao serviço do país. Para Agostinho do Rosário, Luísa Diogo acreditava firmemente na capacidade de Moçambique se desenvolver e lutou pela igualdade de género, deixando como principal lição a necessidade de os moçambicanos continuarem comprometidos com o crescimento e o progresso da pátria.

Por sua vez, o antigo presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Agostinho Vuma, saudou a decisão do Governo de realizar uma cerimónia oficial em sua homenagem, considerando o gesto uma forma de eternizar a sua vida e obra. Segundo Vuma, Luísa Diogo “não pertence apenas à família Diogo, mas a todos os moçambicanos”, sendo um verdadeiro património do Estado. Destacou ainda o seu papel histórico como a primeira mulher a exercer o cargo de Primeira-Ministra, sublinhando que, para além de inspirar mulheres, também inspirou homens pela forma como liderou transformações económicas num contexto de consolidação da democracia em Moçambique.

O Provedor da Justiça classificou a morte de Luísa Diogo como “uma perda irreparável” para o país, lembrando a sua enorme contribuição para o desenvolvimento económico nacional. Para Isaque Chande, trata-se de um dia de luto para todos os moçambicanos, tendo descrito a antiga governante como uma mulher de grande firmeza e compromisso com o futuro do país, que deixa um exemplo duradouro para as gerações vindouras, sobretudo para as mulheres.

Por sua vez, o Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, Edson Macuácua, destacou as qualidades humanas e profissionais da antiga Primeira-Ministra, descrevendo-a como uma grande líder, gestora e académica, marcada pela humildade, inteligência e elevados valores humanistas. Macuacua sublinhou o seu papel determinante na governação económica e financeira, liderando reformas estruturantes e processos estratégicos de reconstrução nacional, combate à pobreza e desenvolvimento.

Entre os legados mais marcantes deixados por Luísa Diogo, Macuácua evidenciou a forma como conduziu a gestão da dívida pública, especialmente da dívida externa, num período crítico em que a soberania económica do país estava ameaçada. Segundo o académico, a sua liderança permitiu aliviar o peso da dívida, renegociar compromissos internacionais e libertar recursos para o investimento social e o desenvolvimento económico e humano do país.

Luísa Diogo é recordada como uma figura íntegra, uma referência de boa governação e uma das grandes filhas de Moçambique, cujo contributo continuará a marcar a história nacional.

As cerimónias fúnebres, da antiga Primeira-Ministra, Luisa Diogo, arrancaram na manhã desta sexta-feira, marcadas pela realização de uma missa de corpo presente, na paróquia Santo António da Polana, na cidade de Maputo.

A cerimónia foi dirigida pelo Arcebispo de Maputo, Dom Carlos Nunes, no local onde Diogo passava parte do seu tempo em orações.

Ao descrever o seu percurso, o representante da igreja falou de uma mulher activa com as causas divinas e sempre presente.

Coube ao seu irmão, apresentar os momentos que mais marcaram a sua vida e a biografia da mulher que dedicou parte da sua vida à economia e á política e que destacou-se em Moçambique por ter sido a primeira mulher a ocupar o cargo de Primeiro-Ministro.
“Entre as características que definem a Luísa estão o humanismo e intelectualidade única, ensinou e demostrou que por mais que tenha nascido numa machamba de arroz pode atingir paramares. É um ícone para as mulheres com fortes convicções”.

Participam das cerimónias os familiares, amigos, colegas e corpo diplomático.

A Estrada Nacional Número 1 no sentido Maputo a Gaza continua intransitável e já com degradações visíveis em locais onde a água tende a baixar. A Administração Nacional de Estradas, na província de Gaza, diz ser ainda prematuro aferir categoricamente os impactos ao longo da via, mas afirma que os troços da zona norte da província estão degradados.

A situação das estradas na província de Gaza é preocupante, numa altura em que as águas das chuvas continuam a fazer estragos nas infraestruturas. A Estrada Nacional Número 1 está dividida na zona de Incoluane. Mas há muitos outros troços em condições deploráveis neste momento.

No troço entre a ponte de Angolazane e a ponte sobre o rio Limpopo, a Estrada Nacional Nº 1 apresenta, a priori, condições razoáveis de circulação, apesar da apresentação de alguns pontos irregulares.

Outra via afectada pelas cheias e inundações é a ponte sobre o rio Limpopo, em Chicumbane. No referido troço, a N1 encontra-se em excelente estado, sendo uma dos corredores mais resistentes da região.

Situação diferente regista-se no troço entre Incoluane e 3 de Fevereiro, onde o cenário é dramático e crítico. No referido corredor estima-se que mais de cinco quilómetros encontram-se alagados e degradados, comprometendo a mobilidade e colocando em risco a circulação rodoviária.

Ao longo da N1, no troço da baixa da cidade de Xai-Xai, a estrada está totalmente degradada e fissurada, num momento em que as águas continuam a escorrer em alta pressão.

Nesse local a ponte que se encontra no centro da cidade está destruída e a estrada  consumida pelas águas.

Segundo a Administração Nacional de Estradas em Gaza, a situação das vias pode ser pior do que se pode ver ou imaginar.

“A estradas que neste momento estão cortadas e que a transitabilidade não é possível, nomeadamente a N221, entre Chibuto e Guijá, onde encontramos alguns cortes na zona de Guele-Guele, e também de Guijá para Mabalane, onde temos cortes logo depois da vila de Guijá, há cortes na baixa de Incoluane, e também na zona de Niza, há 20 quilómetros antes da viola de Mabalane, entre outras vias”, segundo disse Jeremias Mazoio, delegado da ANE em Gaza.

Quase todas as estradas da zona norte de Gaza foram afectadas, segundo disse Jeremias Mazoio, o que dificulta qualquer mobilidade em terra neste momento, até porque “não é possível chegar a Massangena, num cenário que se repete na estrada Muambe a Mackenzie e na estrada Ndonga a Ndindiza”, realçando que todos os distritos da zona norte da província de Gaza tem transitabilidade difícil ou quase impossível, recomendado a monitoria e que as populações fiquem atentas as actualizações, para evitar danos para as pessoas.

Mas nem tudo está mal! Segundo a ANE, neste momento já é possível chegar a Macia seguindo a Estrada Nacional 101 que liga Macia e Chókwè.

“Há algumas que é possível transitar, com destaque para N101, que sai da vila da Macia até Chókwè, que já esteve intransitável porque esteve submersa, sendo uma via que pode ser usada para chegar a Macarretane e Massingir”, disse Jeremias Mazoio.

As estradas não são as únicas vítimas das cheias em Gaza, infra estruturas do Estado e privados encontram-se submersas ou severamente afectadas.

 

Assembleia da República conforta vítimas das inundações na cidade de Maputo

A Assembleia da República prestou apoio alimentar às famílias afectadas pelas chuvas e inundações, acolhidas em dois Centros de Acomodação, localizados no distrito municipal da Katembe e no bairro da Maxaquene “C”, na cidade de Maputo.

Na ocasião, a Presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, que se fazia acompanhar pelos Vice-Presidentes e Chefes das Bancadas Parlamentares, transmitiu às famílias acolhidas nos dois centros uma mensagem de conforto e solidariedade dos Deputados, reiterando o compromisso humanitário da Assembleia da República para com todos os  afectados em todo país. 

Margarida Talapa explicou que o cenário que se vive nos bairros da capital do país não é exclusivo, uma vez que a cidade da Matola, a província de Maputo, bem como Gaza, Inhambane, Manica e Sofala sofrem igualmente os efeitos das chuvas, cheias e inundações.

A Presidente Talapa destacou que, nos dois centros, os membros da Comissão Permanente procederam à entrega de mil refeições quentes prontas a consumir, dois mil pães e água, sublinhando que o donativo inclui ainda produtos alimentares não perecíveis, nomeadamente 2,5 toneladas de arroz, uma tonelada de farinha de milho, 240 kg de açúcar, 50 caixas de sabão e 270 capulanas.

A Presidente do Parlamento apelou às famílias acolhidas nos referidos centros de acomodação para que não regressem às suas casas enquanto prevalecer o cenário de inundações.

A chefe do parlamento assegurou que o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, está envolvido nas coordenação das acção do governo visando, o salvamento das pessoas sitiadas, acomodação das pessoas cujas residências estão inundadas e garantiu a alimentação nos centros de acomodação provisórios.

Os dois Centros de Acomodação visitados pelos parlamentares acolhem um total de 490 pessoas. A Escola Primária Completa de Maxaquene “C” acolhe 250 pessoas, cerca de 93 famílias, e a Escola Primária de Guachene acolhe 234 pessoas, cerca de 76 famílias.

Na semana passada, a Assembleia da República entregou ao INGD 2,7 milhões de Meticais em apoio às vítimas das chuvas, cheias e inundações. O valor resulta da contribuição dos Deputados e  corresponde a dois dias de salário

O Presidente da República orientou a criação de uma Sala de Operações de Emergência na Presidência da República para assegurar o acompanhamento permanente da situação de calamidade provocada pelas chuvas intensas. Na ocasião, foi identificada a subida de preços de bens essenciais em Gaza, levando o Chefe do Estado a determinar medidas para aumentar a oferta, através da mobilização de reservas das províncias do centro e da utilização da via marítima a partir do Porto de Maputo, com vista a normalizar o abastecimento e estabilizar os preços.

O Presidente da República, Daniel Chapo, orientou, nesta quinta-feira, a montagem de uma Sala de Operações de Emergência, na Presidência da República, com o objectivo de assegurar o acompanhamento permanente da situação de calamidade que o país enfrenta, em resultado das chuvas intensas, inundações e cheias que afectam as regiões Sul e Centro.

A Sala de Operações, cujo estabelecimento ocorre dias depois da decretação, pelo Conselho de Ministros, da Situação de Emergência, tem como missão primordial centralizar a coordenação interinstitucional, monitorizar a evolução da situação no terreno e garantir uma resposta célere, eficaz e integrada às necessidades das populações afectadas.

No âmbito deste acompanhamento, foi identificada uma preocupante subida dos preços dos produtos de primeira necessidade na província de Gaza, com maior incidência nas cidades de Xai-Xai e Chibuto, sobretudo nas zonas altas onde se encontram as populações deslocadas, bem como nas áreas que acolheram pessoas reassentadas.

Face a este cenário, o Chefe do Estado orientou para que a Sala de Operações estabeleça um diálogo directo com outros pelouros governamentais, com vista à definição de mecanismos que permitam aos fornecedores e distribuidores de bens essenciais — como arroz, feijão, farinha, óleo alimentar e outros produtos da cesta básica — aumentarem a oferta nesses mercados locais.

O reforço da oferta é considerado a via mais eficaz para a estabilização dos preços, assegurando o acesso da população aos bens essenciais.

Os operadores económicos dispõem de produtos na região Centro do país, onde mantêm armazéns e sistemas logísticos em várias províncias. Assim, foi recomendada a mobilização das reservas existentes em Manica, Sofala e Tete — províncias geograficamente mais próximas — para abastecer a província de Gaza, com especial incidência em Xai- Xai, Chibuto e Chókwè.

Esta medida visa normalizar o abastecimento e contribuir para a estabilidade dos preços dos bens de primeira necessidade. Na ocasião, foi igualmente apresentada a proposta de utilização da via marítima para o transporte de alimentos do Porto de Maputo para a província de Gaza, aproveitando a infra-estrutura recentemente montada no contexto da exploração das areias pesadas naquela região.

Esta solução permitirá que os meios de transporte naval movimentem os produtos alimentares até ao Porto de Chongoene, de onde serão encaminhados para o armazém regional que está a ser montado naquele ponto estratégico.

A iniciativa visa reforçar a capacidade de resposta humanitária, equilibrando e complementando o fornecimento proveniente da zona Centro, garantindo uma assistência alimentar mais eficaz às populações afectadas.

Silvano Langa, antigo director do INGC, diz que as águas que inundaram as províncias de Maputo e Gaza reflectem a fragilidades do Estado na priorização de infraestruturas de controlo e gestão da água. Langa defende que o país deve traçar uma agenda climática vinculativa de todos os governos.

Moçambique, outra vez, foi fustigado pelo efeito da mudança do clima e como no passado, foi encontrado despreparado, embora antes de Outubro as instituições técnicas tenham dado antevisão de que a época chuvosa teria efeitos catastróficos. o Economista e antigo Diretor do INGC, Silvano Langa, em grande entrevista da STV, desafiou o país a melhorar o sistema de aviso prévio.

De fora para dentro, Silvano, com base na sua experiência, entende que os planos de contingência têm encontrado resistência de financiamento dentro do sistema governativo, o que gera impacto catastrófico nas populações.

Segundo o entrevistado, há uma quebra de memória institucional de quadros devidamente treinados para liderar emergências. Por isso, recomenda que o presidente do INGD esteja rodeado de técnicos especializados e multissectoriais. 

As águas que inundaram Maputo e Gaza, segundo Silvano, reflectem fragilidades do Estado na priorização de infraestruturas de regulação das águas – as barragens hidrográficas.

O grande entrevista com Silvano Langa pode ser visto na integra na STV PLAY

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