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Comerciantes da cidade de Tete ressentem-se da escassez de cebola e batata importadas, situação causada pelo corte da Estrada Nacional Número Um (EN1), provocado pelas chuvas intensas, que se fazem sentir na região.

Segundo os vendedores, a interrupção da via está a dificultar o abastecimento dos mercados e a provocar a subida dos preços dos produtos de primeira necessidade.

Apesar de a província de Tete ser uma das maiores produtoras de batata-reno, através do distrito de Angónia, os comerciantes queixam-se igualmente da escassez da batata local, causada pelos efeitos das chuvas na produção e no escoamento.

Perante a falta da cebola importada, a cebola de produção local surge, para já, como alternativa para minimizar o impacto da escassez nos mercados da cidade.

Em Manica,  mais de 7 mil pessoas necessitam de apoio alimentar e de abrigo, devido às inundações. As autoridades apelam à solidariedade entre as famílias para minimizar o sofrimento da população.

Cândida Paulo é mãe solteira e, há duas semanas, passou a viver numa tenda com seus cinco filhos, depois que a sua casa caiu com a força do vento, que vinha acompanhado de fortes chuvas. Hoje clama por apoio, sobretudo de algum lugar condigno onde possa habitar.

“Quero apoio em casa, para ter onde viver com as crianças, porque não sei por onde começar, para reconstruir a minha casa”, disse.

Já Elisa Domingos também viu sua casa cair e neste momento mora numa cabana improvisada.

Essas são parte de mais de 7 mil pessoas que necessitam de apoio, sobretudo, em abrigo, na província de Manica. Celso Correia, chefe da brigada central da Frelimo, que assiste à província de Manica visitou esta sexta-feira as famílias. Entregou apoio, mas pediu que haja solidariedade para com as vítimas.

Em Manica, além de desalojar famílias, as chuvas que caem desde Dezembro último já fizeram 27 vítimas mortais, sobretudo, nos distritos de Vanduzi, Gondola, Chimoio, Macate, Barue e Sussundenga.

O Porto de Chongoene reforça, a partir deste sábado, as operações de reabastecimento de  produtos diversos, com destaque para petrolíferos e alimentares, provenientes de Maputo, na sequência da emergência das cheias. A informação foi avançada, em Gaza, pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe.

“Já tinha sido feita uma visita de expansão, a doca já foi licenciada, já foi autorizada , e, neste momento, a nível do Porto de Maputo, estamos a trabalhar com o INGD no carregamento de dois navios”, avançou o ministro. 

Estão a ser carregados um navio com 40 toneladas para ajuda humanitária e um outro comercial para a cabotagem para o sector privado.

Segundo Matlombe, a doca tem capacidade para  funcionar e prestar todo o serviço de suporte e apoio. 

Ainda na tarde de hoje, o Governo vai reunir-se com o sector privado, para “os encorajar a ser mais práticos e céleres”. 

O ministro reiterou que há, pelo menos, 300 contentores disponíveis para alimentar a província de Gaza e responder às necessidades. “A partir de hoje ou amanhã, vamos poder usar a doca para alimentar a província”, disse. 

Continua o risco de agravamento das inundações em Magude, Xinavane e na Ilha Josina Machel, na província de Maputo, devido ao iminente colapso da Barragem Senteeko na África do Sul. A Dirreção Nacional dos Recursos Hídricos, alerta  para a necessidade de evacuação das populações nas zonas de risco. 

O Rio Incomati continua inundando e a região sul do país recebeu uma carga intensa de precipitação nos últimos dias, o que resultou no aumento dos níveis de escoamento das bacias hidrográficas, o que tem provocado cheias. 

É uma situação que, de acordo com  a Direção Nacional dos Recursos, pode ser agravada devido ao crescente risco de colapso da Barragem Sul-africana de Senteeko.  

As medidas, no entanto, não são suficientes para conter o alto risco, pois a quantidade de água que está a entrar é superior  à capacidade dos descarregadores. 

Na região sul do país, as bacias dos rios Incomati, Maputo, Umbeluze, Limpopo, Inhanombe e Save ainda se encontram em situação de alerta. E a recomendação continua ser a retirada  das populações das zonas de riscos. 

 

A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ) recebeu, esta sexta-feira, a visita do Embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Philippe Annis, no seu Quartel-General.

A visita teve como foco dar a conhecer a Missão, os seus objectivos e o seu relacionamento com as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), realçando assim o papel da Missão enquanto elo entre parceiros internacionais e as autoridades moçambicanas.

Durante o encontro, foram apresentados os pilares da atuação da EUMAM MOZ no apoio ao desenvolvimento de capacidades das FADM, alinhados com os princípios da parceria estratégica entre a União Europeia (UE) e Moçambique.

Esta visita traduz o compromisso da UE e dos seus Estados-Membros, nomeadamente Itália, em manter uma cooperação próxima com Moçambique, baseada na confiança, no diálogo e no reforço contínuo das capacidades das instituições nacionais.

A EUMAM MOZ é uma missão não executiva com mandato até junho de 2026 e centra-se no ciclo de formação operacional e na manutenção, realizando também formação especializada para permitir que as FADM sejam autossuficientes na luta contra a insurgência. Esta missão da UE conta com militares de 12 nacionalidades, sendo que Itália contribui com quatro militares.

A baixa de 03 de Fevereiro tornou-se o primeiro ponto de interrupção total na ligação rodoviária entre as províncias de Maputo e Gaza, devido às chuvas intensas registadas na última semana. O ministro dos Transportes e Logística visitou a área, onde já decorrem obras de reabilitação, e anunciou que a estrada só será reposta daqui a duas semanas.

“Primeira coisa que queremos alertar, devido ao corte da estrada, é que não haverá condições para a reposição até aos próximos 15 dias”, afirmou o governante, explicando que a intervenção depende, primeiro, da diminuição das águas e, posteriormente, da avaliação das obras necessárias.

A situação tem gerado concentrações de pessoas nas margens norte e sul do troço interrompido. 

O governante revelou que está em estudo uma via alternativa para conectar as duas províncias, através das ligações Moamba–Magude e Magude–Cruzamento de Xinavane. “Na medida em que as condições permitirem, vamos repor a estrada como via imediata de acesso à EN1, para fazer a conexão entre Gaza, Maputo e o resto do país”, acrescentou.

Haverá cabotagem marítima Porto de Maputo–Doca de Chongoene

Para responder à demanda de produtos alimentares, numa altura em que já há relatos de especulação de preços em Gaza, o ministro anunciou que, a partir deste sábado, a província vai receber alimentos através da Doca de Chongoene, ainda em fase de construção.

“Amanhã começamos a fazer o transporte de produtos alimentares a partir do Porto de Maputo para Gaza, e a medida será extensiva à província de Inhambane, que também precisa reforçar o stock, tendo em conta que recebe parte da alimentação a partir da cidade e província de Maputo”, disse.

Decorre a verificação da infraestrutura rodoviária para reforçar o abastecimento de comida em Gaza. O governante informou ainda que a linha férrea está em condições, pelo menos até Magude, partindo de Maputo.

Sobre o abastecimento de combustível, foi iniciado esta quinta-feira o reabastecimento em Gaza, e, ainda hoje, Xai-Xai será reforçada com produtos petrolíferos, a partir do Porto da Beira.

Decorrem hoje, na cidade de Maputo, as cerimónias fúnebres da antiga Primeira-Ministra, Luísa Diogo.  As cerimónias iniciaram logo pela manhã,  com a realização de uma missa de corpo presente, na Igreja Santo António da Polana.

Em ambiente fúnebre, a missa de corpo presente da antiga Primeira-Ministra,  Luísa Diogo teve lugar na Igreja Santo António da Polana, na cidade de Maputo, e foi dirigida pelo Arcebispo Dom João Carlos Nunes. 

Coube ao irmão, Lucílio Diogo, apresentar a sua biografia, tendo falado de uma mulher de qualidades ímpares.

“Mana Ginha, como eras carinhosamente tratada na família, eras uma mulher de sólidos valores éticos e morais. Alicerçados na igreja, aliás, à nossa fé, vem do nosso bisavô materno, Gaspar Carloso, que foi um dos primeiros catequistas negros na missão de Broma. Olhando para a sua curta, mas rica e intensa trajetória, desde a sua infância, ensinaste-nos e demonstraste que uma menina simples, nascida de uma machamba de arroz, desde que seja abnegada no trabalho e firme nos seus propósitos, pôde atingir patamares de alto nível, voando sem limite. Luísa é uma ícone de inspiração para a juventude moçambicana e, sobretudo, para a mulher, de fortes convicções, conduziu-se como líder com integridade e transparência, comunicativa, exigente, intransigente, contra práticas dolosas. Com maestria e simplicidade, as suas convicções eram firmes, numa postura de buscar permanentemente o melhor. Reconhecida e habilitada como consultora e mentora para a governação, até a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América, uma das prestigiadas do mundo, prestou-se homenagem.”

O representante dos sobrinhos também subiu ao altar e falou de uma tia exemplar, cujos feitos serão eternizados. 

“ Foi ela quem cultivou os valores que nos definem como família de Diogo. O nosso avô Diogo, a nossa avó Laura, sempre transmitiram os mesmos valores que a tia Luísa transmitiu para nós. Trabalho, honestidade, generosidade e, acima de tudo, respeito. Lembramos com carinho das noites em que sempre orientou nós, os jovens da família Diogo, sobre a importância da educação, do esforço, das mãos que não podemos hesitar em ajudar perante dificuldades. Sempre deixou bem claro, tia Luísa, esses aspectos. Principalmente, educação e respeito ”, disse Hugo Diogo. 

No último adeus, os presentes levantaram-se um por um para fazer vénia à mulher que dedicou grande parte da sua vida à economia e política. 

Na paróquia Santo Antonio da Polana, Diogo passou parte do seu tempo em orações e é por isso que foi descrita pela arquidiocese como uma mulher de fé e activa para causas divinas. 

“Ela hoje parte e chega com alegria na casa do pai, onde é acolhida pelos anjos. É uma graça, é uma benção, é um favor que Deus lhe concedeu a ela, a sua família e a todos nós que tivemos a graça de a conhecer e privar com ela.”

O momento da despedida foi marcado por mensagens de consolo, reconhecimento e de recordação dos momentos marcantes passados, em vida, pela primeira mulher moçambicana que ocupou o cargo de Primeiro-ministro.  

Entre familiares e amigos, a cerimónia contou também com a participação dos antigos presidentes da República,  membros do Governo e de corpo diplomático acreditado em Moçambique. 

Os antigos Presidentes da República, Joaquim Chissano e Armando Guebuza, manifestaram profundo pesar pela morte da antiga Primeira-Ministra, Luísa Dias Diogo, e enalteceram o seu legado como inspiração para os moçambicanos, sobretudo mulheres que sonham com um Moçambique melhor. 

“O país perdeu uma filha, servidora exemplar do Estado, íntegra e comprometida com o interesse público”, afirmou Chissano, lembrando a dedicação de Luísa Diogo e o seu papel na promoção da mulher na liderança política.

Armando Guebuza destacou igualmente, o legado da antiga governante. “Foi uma dirigente firme, patriota e dedicada, que deixou uma marca duradoura na governação e na gestão económica do país”, disse, sublinhando a importância do exemplo de Diogo para futuras gerações.

Luísa Diogo foi a primeira mulher a assumir o cargo de Primeira-Ministra de Moçambique, entre 2004 e 2010, e anteriormente serviu como Ministra do Plano e Finanças. 

A Ministra das Finanças, Carla Louveira, destacou o legado institucional deixado por Luísa Diogo. “Perdemos uma referência na gestão das finanças públicas e no fortalecimento das instituições do Estado. O seu exemplo de rigor e compromisso deve ser preservado e seguido”, afirmou, acrescentando que a sua trajetória inspira todos os servidores públicos.

A antiga Primeira-Dama, Maria da Luz Guebuza, sublinhou que o legado de Luísa Diogo deve ser seguido, sobretudo pelas mulheres. “Ela mostrou que as mulheres moçambicanas podem liderar ao mais alto nível com competência e coragem. O seu percurso deve inspirar novas gerações”, declarou, destacando a contribuição da antiga Primeira-Ministra para o empoderamento feminino e o desenvolvimento do país.

As cerimónias fúnebres decorrem esta sexta-feira, com honras de Estado, culminando com o enterro no Cemitério de Lhanguene, em Maputo, reunindo familiares, dirigentes políticos, representantes do Governo e cidadãos que prestam a última homenagem à antiga Primeira-Ministra.

O Secretário-Geral da Frelimo, Chakil Aboobacar, afirmou que o partido e o país perderam uma das suas mais marcantes dirigentes com a morte de Luísa Dias Diogo, destacando o seu papel ímpar na história política nacional, regional e internacional. Falando em nome da Comissão Política, do Comité Central e dos militantes, sublinhou que a antiga Primeira-Ministra foi uma mulher de pensamento lúcido, liderança serena e profundo compromisso patriótico.

A Frelimo realçou o contributo de Luísa Diogo como deputada da Assembleia da República por três legislaturas, governante em áreas-chave da economia e primeira mulher a assumir o cargo de Primeira-Ministra, além da sua militância activa e coerente no partido, onde integrou órgãos centrais até à data da sua morte.

Segundo o partido, Luísa Diogo deixa um legado político, moral e institucional duradouro, assente na ética, na responsabilidade pública, na unidade nacional e na defesa intransigente dos interesses do povo moçambicano, valores que continuarão a orientar as gerações vindouras.

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