O País – A verdade como notícia

Uma família composta por cinco membros foi resgatada de cima de uma árvore, após dois dias de espera, na localidade de Chiguedela, distrito de Chibuto, província de Gaza. 

Não foi necessário ir longe para ver do alto os estragos provocados pela fúria das águas. Plantações totalmente submersas, estradas cortadas e várias famílias que continuam a alimentar a esperança enquanto aguardam por resgate. Na localidade de Xigidela, no distrito de Chibuto, a equipa de salvamento retirou 79 pessoas só na primeira hora de sobrevoo.

Numa imagem a que o nosso jornal teve acesso mostra o momento em que a equipa de salvamento efectuou o resgate de cinco pessoas da mesma família que permaneceu dois dias em cima de uma árvore.

Já em local seguro, a emoção misturava-se com o sentimento de alívio. As famílias retiradas de cenários críticos em Chibuto estão a ser encaminhadas para um posto administrativo considerado mais seguro, de onde as pessoas anteriormente sitiadas clamavam por intervenção.

“Não há lenha, não há carvão para a gente cozinhar”, lamentou uma das pessoas que se encontrava no centro de acolhimento.

As autoridades locais afirmam ter soado o alarme, mas as pessoas resistiram em abandonar as zonas de risco. 

Neste momento, o processo de salvamento que prevê abranger, para  além de Chibuto, locais como Chokwé e Guijá, é feito com recurso a dois helicópteros e o INGD fala da chegada de mais dois helicópteros para apoio. 

“A situação, na verdade, merece e carece de apoio, tanto que nós pedimos o reforço de mais dois helicópteros para nos apoiar neste processo de resgate, mas a nossa missão é batermos com os pés no chão, que é o nosso dever de tirar as famílias e nos comprometemos a fazer isso”, disse Teixeira Almeida, delegado do INGD em Gaza.

No que diz respeito aos meios disponíveis para os trabalhos de resgates em toda província de Gaza, Teixeira Almeida disse que ainda são poucos. “A via aérea estamos a operar com duas aeronaves, tipo helicópteros, e nós solicitamos mais duas aeronaves para totalizarem quatro, porque como conseguiram ver no terreno, há muitas famílias que estão em cima dos tetos”, frisou. 

O INGD afirma que, face ao crescimento de pessoas em situação de necessidade, serão abertos mais postos de acolhimento em breve, como forma de dar vazão aos que se encontram em situação de necessidade.

Pelo menos 3.000 pessoas têm as casas inundadas no distrito de Guijá, província de Gaza, devido a chuvas intensas, refere a Visão Mundial, Organização Não Governamental que monitora as acções no terreno. 

“Dados preliminares indicam que mais de 3.000 pessoas viram suas casas serem invadidas pela água das chuvas intensas que caem há mais de uma semana”, lê-se numa nota publicada este domingo pela World Vision Moçambique. 

Segundo a Visão Mundial, o número de afectados continua a aumentar, prevendo-se que as precipitações se mantenham e que as barragens da província de Gaza possam transbordar a qualquer momento, forçando as famílias a procurar refúgio em centros de acomodação.

“A localidade de Chinhacanine, no distrito de Guijá, província de Gaza, é a zona mais afectada, contando com perto de 2.000 pessoas desalojadas. Quase metade das vítimas são crianças”, refere a nota, acrescentando que, com a chegada contínua de famílias aos centros, a capacidade de assistência dos diversos intervenientes é limitada. 

A World Vision Moçambique diz ainda que prevê assistir famílias desalojadas nos próximos dias, através da distribuição de jerricãs, baldes, cobertores, purificadores de água, assim como actividades de protecção à criança, enquanto continua a mobilizar recursos adicionais.

Até a última sexta-feira, pelo menos 103 pessoas morreram e 173 mil foram afectadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, registando-se a destruição total de 1.160 casas, avançou o Governo, que decretou alerta vermelho nacional.

“No período que vai de 22 de Dezembro a 15 de Janeiro de 2026, o país registou lamentavelmente oito óbitos de compatriotas nossos, que eleva para 103 o número de óbitos de toda a época chuvosa”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no fim da sessão extraordinária para avaliar a situação.

Segundo o novo balanço do executivo moçambicano, além das mais de 173 mil pessoas afectadas, as chuvas já destruíram totalmente 1.160 casas e mais de 4.000 ficaram parcialmente inundadas, face às chuvas intensas registadas em todo o país.

A actual época de chuvas, que começou em Outubro e vai até Abril, tem sido marcada por alertas, principalmente nas zonas Centro e Sul do país, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações.

 

Há mais de 8 mil pessoas em zonas de propensas a inundações  Xai-Xai,  na sequência o presidente do município reforçou, neste domingo, acções de retirada coerciva das populações que ainda se recusam a deixar os locais.

O rio Limpopo continua a registar muita água e, por isso, a transbordar e a ameaçar, em grande medida, a cidade de Xai-Xai, Chibuto e Limpopo. Razão que levou o Conselho Municipal de Xai-Xai a iniciar a evacuação de algumas famílias que se encontram em áreas de risco desde a noite deste sábado

Ossemane Adamo, edil de Xai-Xai, deu o ponto de situação do processo da retirada das populações que ainda se encontravam nas zonas de risco.

“Nós estamos aqui na zona do bairro do 12, que é uma zona que ficou alagada com as águas das chuvas, mas também sabemos que vem as águas do rio Limpopo, que são as mais perigosas. Então, estamos aqui no processo, com os meios do município, a fazer a retirada das pessoas, já que algumas pessoas têm as suas residências na zona alta, então estão a se refugiar nesses locais”, disse, realçando que o processo acontece também nos bairros 1, 2, na zona de Xtinine e Malhangalene. 

O presidente do Município de Xai-Xai esclareceu ainda que espera que a retirada das pessoas das zonas baixas abranja cerca de 200 famílias, das quais apenas 100 já foram evacuadas.

Em termos de comércio na cidade, tendo em conta a retirada coerciva que está a acontecer, e mesmo para evitar situações de saque, tal como aconteceu em Chibuto e outros distritos, Ossemane Adamo disse que tem havido apelos para que os comerciantes reduzam os produtos que colocam nas suas lojas.

“Vemos que em alguns pontos, algumas pessoas já começaram a remover os produtos que estão nas suas lojas. Nós apelamos a todos os comerciantes, a todos os agentes econômicos da nossa cidade para que reduzam ao máximo o seu estoque. Podem continuar a trabalhar paulatinamente, mas com muito pouco estoque, que é para depois da cidade ficar abandonada não haver saques”, esclareceu.

Ossemane Adamo enalteceu a aceitação da retirada por parte das populações, oq eu facilita o trabalho da edilidade. 

“As famílias estão a acatar este apelo do Governo para sua retirada antes que seja tarde. De facto, estamos a ter uma aceitação, como têm visto aqui os meios a levar a população para a zona segura. Aquelas pessoas que não têm como ter o transporte para levá-los à zona segura, o município está a fazer este trabalho neste momento”, disse, frisando que o trabalho de retirada é contínuo, até que todas pessoas estejam em lugares seguros. 

“Nós começamos a fazer este trabalho desde a sexta-feira e nós vamos continuar até que haja uma outra indicação que diz que as coisas já abrandaram e já podemos ficar calmo. Mas enquanto o alerta for vermelho, vamos continuar com esta retirada”, anunciou. 

Xai-Xai, Chibuto e Limpopo estão com níveis elevados de alerta na sequência da ameaça das cheias.

O vereador da cidade sul-africana de Ekurhuleni, Andile Mngwevu, está desaparecido após o seu veículo ter sido arrastado pelas cheias em Chókwè, província de Gaza, anunciou ontem a autarquia do país vizinho.

“A Cidade de Ekurhuleni confirma que o vereador com o pelouro de Estradas e Gestão de Transportes, Andile Mngwevu, encontra-se actualmente desaparecido na sequência de um incidente ocorrido em Moçambique, onde o veículo em que viajava foi arrastado pelas águas das cheias”, refere uma nota da autarquia, nos arredores de Pretória, a 500 quilómetros de Chókwè.

O político sul-africano desapareceu precisamente numa das áreas mais afectadas pelas cheias em Moçambique, juntamente com os restantes quatro ocupantes da viatura que foi arrastada e as autoridades sul-africanas destacaram uma missão de resgate, que chegou a conseguir estabelecer contacto com uma das pessoas do grupo.

“O estado e o paradeiro do MMC [vereador] Mngwevu e dos outros ocupantes permanecem, nesta fase, por confirmar. A missão sul-africana está a colaborar activamente com as autoridades locais moçambicanas e os serviços de emergência na área afectada”, lê-se na nota.

O município sul-africano acrescenta que as autoridades nacionais estão a avaliar mecanismos adicionais de apoio, incluindo assistência em matéria de segurança e evacuação.

“As operações de busca e verificação continuam em curso, e a cidade mantém contacto próximo com o Departamento de Relações Internacionais e Cooperação (DIRCO) e outras estruturas nacionais relevantes”, explicou o município de Ekurhuleni.

Centenas de famílias permanecem sitiadas, a aguardar resgate, em várias áreas do Centro e Sul, com a chuva forte a manter-se quase ininterrupta há vários dias.

A Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) divulgou ontem que, em coordenação com a Peace Park Foundation (PPF), está a prestar apoios às comunidades locais afectadas por inundações e cheias na província de Gaza, incluindo no resgate de grávidas que necessitam de assistência.

“A Administração do Parque Nacional do Limpopo, em coordenação com o Governo do Distrito de Chicualacuala, prestou assistência através de um helicóptero de patrulha de fiscalização a três senhoras no Posto Administrativo de Pafuri, sendo uma em estado grave e duas necessitando de cuidados de parto”, refere a ANAC.

A Administração Nacional de Estradas (ANE) de Moçambique manteve ontem a suspensão, pelo segundo dia consecutivo, da circulação num troço da Estrada Nacional Nº 1, na principal via terrestre do país.

A subida do caudal do rio Incomáti fez galgar uma extensão de aproximadamente três quilómetros da N1, sendo que já estão destacadas equipas técnicas para trabalhar na monitorização da situação.

 

Mais de mil pessoas foram evacuadas de três bairros do distrito de Boane, na província de Maputo, devido a água das chuvas que inundou as suas residências. Na sequência das instituições, ficou cortada a ligação Matola-Boane, através da N2. Em Maputo, os afectados pelas inundações procuram abrigo em centros de acolhimento instalados em várias escolas.

Mais uma vez a história se repete em Boane. O alerta soou e na manhã deste sábado o rio Umbeluzi transbordou, inundou centenas de residências e deslocou outras centenas de famílias e, por fim, isolou a vila de Boane do resto da província de Maputo, pelo menos através da Estrada Nacional nº 2. 

Um cenário igual viveu-se em 2023. Para além da intransitabilidade, milhares de pessoas abandonaram as suas residências, em busca de abrigo. Dois anos depois cá estamos…

Perto de 1400 casas estão alagadas nos bairros 2, 4 e 5, 25 de Setembro, Tedeko e as vítimas socorridas em centros de acomodação. 

Para contornar a N2 e chegar à vila de Boane, usamos esta estrada de terra batida, bastante desafiante, sobretudo para viaturas de baixa suspensão. 

Desafiar as águas é a única alternativa para quem pretende chegar à cidade da Matola vindo de boane ou vice-versa.

Do município de Boane as vítimas das inundações foram levadas para vários centros de acolhimento na cidade da Matola e município da Matola-Rio. Só no centro transitório 19 de Outubro, pelo menos 900 pessoas estão abrigadas, em 11 salas de aula. 

É, do resto, no mesmo centro de acomodação transitório, no bairro Filipe Samuel Magaia, próximo ao bairro de reassentamento das vítimas de inundações nos mesmos bairros de Boane, em 2023.

No centro vive-se um salve-se quem puder. Falta quase tudo, até espaço para circular. “Dormir aqui é uma situação muito difícil, porque dormimos no chão. Por exemplo, nós aqui não temos esteira, não temos cobertores para poder cobrir”, disse Anabela Chaúque, que denuncia a falta de quase tudo, inclusive para crianças, que não tem roupa para trocar.

Dormem no chão frio, as salas não tem iluminação, a comida chega a conta gotas e as reclamações não param. “Estamos muito dedicadas a ver a forma como vamo dormir, porque nem temos nada para comer desde que chegamos”, denunciou Delfa Matavele, que diz que preferia ter permanecido na sua casa, mesmo alagada.  

As pessoas não paravam de chegar num centro que já estava quase lotado e sem condições mínimas.

Perfiladas, as pessoas esperavam ter o nome na lista para pertencer a uma das salas já cheias de pessoas. “Praticamente, até agora, as pessoas dormem nas salas, cada qual tem esteira, outras pessoas dormem em cima de carteiras, não temos condições condignas, tal como poderiam ser criadas”, disse Inácio Mbalate, responsável pelo centro.

CIDADE DE MAPUTO VIVE O MESMO DRAMA

Na cidade de Maputo, o drama é o mesmo. Dezenas de famílias com casas alagadas estão em centros de acolhimento, em condições deploráveis. Dizem que já tentaram em vários centros, mas a situação é a mesma.

“Tentamos vir a essa escola, para que possam nos ajudar. A maioria das pessoas vem de vários bairros e estamos aqui nessa escola, mas não temos nada para comer, sem tempo para dormir, então pedimos ajuda, para quem de direito, para que possam nos ajudar”, disse Ferrão Amadeu, secundando por Amicina Abel, que diz mesmo que “aqui comemos o que aparecer. Ainda não tivemos ajuda do Governo e nem do INGD. Quem tem alguma coisa no bolso, é só comprar”. 

Por seu turno, Salomão diz que a fúria das águas fez com que chegasse ao centro de acolhimento. “A chuva caiu, invadiu a residência de muitas famílias e quem conseguiu, saiu, procurou lugares iguais a estes para se abrigar, fugindo da fúria das águas das chuvas, mas há quem não teve forças, aliás, não tem pernas para fugir da fúria das águas”, denunciou.

Igual ao Salomão, que é paraplégico, há tantos outras pessoas com deficiência, que sentem em dobro a dor de perder a casa. 

O grito por socorro vem de cada uma das salas da Escola Primária Unidade 6, no bairro Luís Cabral, que acolhe cerca de 400 pessoas, vítimas das cheias. 

Mesmo sem esteiras, cobertores, mantimentos, nem sequer um lugar condigno para passar as noites, cada uma das famílias afectadas encontra refúgio nos centros de acolhimento na cidade e na província de Maputo, mantendo a esperança de um dia tudo passar para, ou regressarem às suas residências, ou mesmo serem reassentadas longe do perigo das inundações.

 

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, enalteceu o contributo determinante de Luísa Diogo para a estabilidade macroeconómica, a reconstrução nacional e a redução da pobreza em Moçambique, sublinhando que o seu legado deve servir de inspiração para as gerações actuais e futuras.

Reagindo ao falecimento da antiga Primeira-Ministra, Chissano recordou que, enquanto Ministra das Finanças, Luísa Diogo esteve directamente envolvida em processos complexos de negociação internacional, com destaque para o perdão da dívida externa no âmbito da Iniciativa para os Países Pobres Altamente Endividados.

Segundo o antigo Chefe do Estado, Moçambique encontrava-se entre os países mais endividados do mundo, tendo sido necessário um intenso diálogo com organizações internacionais e parceiros multilaterais para alcançar o alívio da dívida. “Ela conduziu esse processo com muita mestria, o que lhe valeu a admiração não apenas dos parceiros internacionais, mas também de outros países em situação semelhante, que passaram a ver Moçambique como um exemplo a seguir”, afirmou.

Chissano revelou ainda que a então Ministra das Finanças foi frequentemente procurada por colegas de outros países, interessados em compreender a abordagem moçambicana para alcançar o perdão da dívida, num reconhecimento claro da sua competência técnica e diplomática.

Outro marco destacado foi a concepção e implementação do PARPA – Programa de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta –, um dos principais instrumentos do Governo no período pós-guerra. O programa visava simultaneamente a reconstrução do país e o combate à pobreza extrema, num contexto descrito por Chissano como “catastrófico”.

“Foi um processo que exigiu negociações difíceis com vários parceiros de cooperação, mas que Luísa Diogo soube conduzir de forma brilhante. Como resultado, os índices de pobreza começaram a diminuir”, sublinhou.

Para Joaquim Chissano, o legado deixado por Luísa Diogo impõe uma responsabilidade acrescida aos que permanecem. “Nós, os sobreviventes, saberemos utilizar aquilo que ela construiu, mas devemos também procurar fazer melhor, porque ela procurou sempre superar-se. Não devemos parar onde ela ficou”, afirmou, defendendo a continuidade do diálogo, da criatividade e do compromisso com o desenvolvimento do país.

Luísa Dias Diogo, que exerceu os cargos de Ministra das Finanças e Primeira-Ministra de Moçambique, é lembrada como uma das figuras centrais da governação económica no período de consolidação da paz e de inserção do país na economia internacional.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a continuação da ocorrência de chuvas moderadas a fortes, com precipitação entre 30 e 50 milímetros em 24 horas, podendo ser localmente muito fortes, variando entre 50 e 100 milímetros no mesmo período, em vários distritos das províncias de Inhambane, Gaza e Maputo.

Na província de Inhambane, o alerta abrange os distritos de Zavala, Inharrime, Panda, Jangamo, Inhambane, Homoíne, Morrumbene, Funhalouro, Massinga, Vilankulo, Inhassoro, Mabote e Govuro, bem como as cidades de Maxixe e Inhambane.
Em Gaza, as previsões incluem os distritos de Chicualacuala, Massangena, Mapai, Chigubo, Mabalane, Massingir, Guijá, Chibuto, Chókwè, Limpopo, Bilene, Mandlakazi e Chongoene, além da cidade de Xai-Xai.

Já na província de Maputo, estão abrangidos os distritos de Magude, Moamba, Manhiça, Marracuene, Namaacha, Boane e Matutuine, assim como as cidades de Maputo e Matola.

De acordo com o INAM, as chuvas poderão ser acompanhadas, por vezes, de trovoadas e ventos com rajadas, o que poderá agravar a situação hidrológica actual, num momento em que o país enfrenta episódios de inundações em várias regiões do Sul e Centro.

Adicionalmente, prevê-se a continuação da ocorrência de chuvas moderadas, localmente fortes, acompanhadas por trovoadas, também nas zonas Centro e Norte do país.

Face a este cenário, o INAM recomenda a tomada de medidas de precaução e segurança.

Uma família composta por cinco membros foi resgatada de cima de uma árvore, após dois dias de espera, na localidade de Chiguedela, distrito de Chibuto, província de Gaza. 

Não foi necessário ir longe para ver do alto os estragos provocados pela fúria das águas. Plantações totalmente submersas, estradas cortadas e várias famílias que continuam a alimentar a esperança enquanto aguardam por resgate. Na localidade de Xigidela, no distrito de Chibuto, a equipa de salvamento retirou 79 pessoas só na primeira hora de sobrevoo.

Numa imagem a que o nosso jornal teve acesso mostra o momento em que a equipa de salvamento efectuou o resgate de cinco pessoas da mesma família que permaneceu dois dias em cima de uma árvore. Já em local seguro, a emoção misturava-se com o sentimento de alívio. As famílias retiradas de cenários críticos em Chibuto estão a ser encaminhadas para um posto administrativo considerado mais seguro, de onde as pessoas anteriormente sitiadas clamavam por intervenção.

“Não há lenha, não há carvão para a gente cozinhar”, lamentou uma das pessoas que se encontrava no centro de acolhimento.

As autoridades locais afirmam ter soado o alarme, mas as pessoas resistiram em abandonar as zonas de risco. 

Neste momento, o processo de salvamento que prevê abranger, para  além de Chibuto, locais como Chokwé e Guijá, é feito com recurso a dois helicópteros e o INGD fala da chegada de mais dois a qualquer momento. 

A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, manifestou consternação pelo falecimento da antiga Primeira-Ministra de Moçambique, Luísa Dias Diogo, ocorrido esta sexta-feira, vítima de doença.

Numa mensagem de condolências dirigida à família enlutada, Gueta Selemane Chapo afirma que a partida de Luísa Dias Diogo representa uma perda profunda para Moçambique e, em particular, para as mulheres que nela encontraram uma referência de coragem, competência e liderança ao serviço do bem comum.

A Primeira-Dama sublinha que Luísa Dias Diogo foi uma mulher de visão e de princípios firmes, que exerceu com elevado sentido de responsabilidade os cargos de Ministra das Finanças e de Primeira-Ministra, contribuindo de forma decisiva para a consolidação económica do país e para o fortalecimento do papel da mulher na governação.

Na mensagem, Gueta Chapo destaca ainda que o exemplo de dedicação e integridade de Luísa Dias Diogo continuará a inspirar gerações de moçambicanas e moçambicanos, descrevendo-a como uma líder que soube unir competência e sensibilidade, abrindo caminhos e deixando marcas profundas no país e além-fronteiras.

A Primeira-Dama realça que o legado de Luísa Dias Diogo transcende a sua acção governativa, permanecendo vivo como inspiração para as novas gerações de mulheres e raparigas moçambicanas, a quem abriu caminhos de participação, liderança e serviço à pátria.

No final, Gueta Selemane Chapo expressa solidariedade à família enlutada e a todos os moçambicanos, manifestando votos de conforto e serenidade neste momento de dor, e reiterando que a memória de Luísa Dias Diogo continuará a iluminar o percurso de Moçambique.

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