Maputo vai receber, na noite deste domingo, um avião cargueiro transportando 90 toneladas de ajuda humanitária da União Europeia (UE), destinada a apoiar a resposta às cheias que afetam quase 700 mil pessoas em Moçambique.
Segundo uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, citada pela Lusa, trata-se de um Boeing 747 que transporta assistência humanitária para centenas de milhares de moçambicanos severamente afetados pelas inundações registadas em várias regiões do país.
A carga será recebida no Aeroporto Internacional de Maputo pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas.
Este é o primeiro voo de ajuda humanitária enviado pela União Europeia para Moçambique no âmbito da actual emergência. As 90 toneladas incluem equipamentos médicos, material para abrigo, artigos de higiene, nutrição, educação e proteção, provenientes dos armazéns humanitários da UE localizados na Dinamarca. A distribuição será assegurada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e parceiros humanitários nacionais.
A Comissão Europeia anunciou, a 22 de janeiro, a disponibilização de 1,15 milhões de euros em ajuda humanitária para Moçambique e o Malawi, como resposta às cheias que assolam a região da África Austral. O anúncio foi feito pela comissária europeia para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, através das redes sociais, refere a Lusa.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as cheias em Moçambique já afetaram 651.843 pessoas desde 7 de janeiro, resultando em pelo menos 12 mortos, 45 feridos e quatro desaparecidos. Atualmente, 95.870 pessoas encontram-se acolhidas em centros de acomodação.
Os números mais recentes indicam que 141.251 famílias foram afetadas, com 3.396 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 71.600 inundadas. As províncias de Maputo e Gaza concentram o maior aumento recente do número de afetados.
Desde o início da época chuvosa, em outubro, já foram registadas 131 mortes e mais de 779 mil pessoas afetadas em todo o país. Estão ativos 94 centros de acomodação, e registam-se danos em 229 unidades sanitárias, 364 escolas, três pontes e mais de 1.300 quilómetros de estradas.
O INGD refere ainda que cerca de 232 mil hectares de áreas agrícolas foram afetados, impactando mais de 174 mil agricultores, além da perda de mais de 74 mil cabeças de gado.
As operações de resgate continuam em várias zonas do sul do país, sobretudo nas províncias de Maputo e Gaza, onde centenas de famílias permanecem sitiadas pelas águas. As ações contam com meios aéreos nacionais e estrangeiros, incluindo da África do Sul, bem como embarcações da Marinha de Guerra e privadas, apesar das limitações impostas pelas condições meteorológicas.
As estradas nacionais número 1 (N1) e número 2 (N2), nos acessos norte e sul da capital, permanecem intransitáveis devido à subida do nível das águas.


