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Esta semana, a EUMAM MOZ realizou uma entrega de artigos de vestuário à associação ADPP Moçambique – Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo, em Maputo, com o objectivo de reforçar o apoio prestado por esta instituição, às famílias mais necessitadas, afectadas pelas recentes cheias. 

Esta iniciativa foi planeada no âmbito das actividades de Cooperação Civil-Militar e enquadra-se numa abordagem integrada que promove a articulação com a sociedade civil e os atores locais ao consolidar a compreensão do ambiente humano e a confiança entre as comunidades e a missão. 

A ADPP Moçambique é uma organização da sociedade civil dedicada ao desenvolvimento humano, com intervenção nas áreas da educação, formação profissional, saúde, agricultura e apoio social, estando representada em todas as províncias de Moçambique, através dos seus diversos centros e projetos. Promove um trabalho contínuo na valorização das pessoas e das organizações constituindo-se como um ator relevante para a resiliência social e para o desenvolvimento das comunidades. 

“A EUMAM MOZ prossegue o seu compromisso de atuação em conformidade com o Direito Humanitário Internacional, o Direito Internacional dos Direitos Humanos e a Agenda Mulheres, Paz e Segurança”, refere a missão em comunicado de imprensa.

A Missão é actualmente comandada pelo Comodoro César Pires Correia, da Marinha Portuguesa, e conta com mais de 80 militares e civis, de 12 nacionalidades. O mandato da EUMAM MOZ decorre até Junho de 2026.   

A Procuradoria provincial de Cabo Delgado está a investigar um caso de corrupção no Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), relacionado com o processo de concurso público de ingresso a formação de agentes da Polícia em Matalane, na província de Maputo

A investigação da Procuradoria Provincial de Cabo Delgado sobre a suposta corrupção na Polícia  começou  depois de uma denúncia anônima

A procuradoria apenas confirmou a investigação, mas nao revelou detalhes da denúncia sobre a suposta corrupção no comando da PRM em Cabo Delgado

Segundo apurou o “O País”, pouco antes da denúncia ser remetida à procuradoria, o Comando da Polícia em Cabo Delgado suspendeu o Director de pessoal, por razões até agora desconhecidas.

Três menores, com idades entre 2 e 6 anos, morreram, no distrito de Chibuto, vítimas das cheias e inundações. As crianças foram arrastadas pela fúria das águas, quando tentavam pescar, nas zonas baixas de chaimite. Ainda em Gaza, sobe para mais de 50 mil, o número de famílias sitiadas, que precisam de assistência humanitária.

Com idades entre 2 e 6 anos, os menores foram surpreendidos e arrastados pela forte corrente das águas, quando tentavam pescar na zona da Coca-Missava, baixa de Chibuto. O socorro chegou, mas já era tarde demais.

“As pessoas pescam, por fome. Estão à procura do caril. Não temos como”, queixou-se Mariana João, residente da Coca-Missava em Chibuto. 

Na zona de Chaimite, outra morta, uma menor de 4 anos de idade escorregou de um ponto alto, e projectou-se numa forte carga de água de 5 metros de altura. Há também outras duas mulheres desaparecidas,  segundo confirmou a Administradora de Chibuto.

“Há uma criança que desapareceu ontem de 2 anos e seis meses, foi arrastada pelas águas. São duas pessoas que desapareceram e, até este momento, não temos a confirmação. Também temos três crianças, que morreram nas águas. Temos ainda os crocodilos, que se expandiram por todo o lado”, disse Cacilda Banzé, Administradora de Chibuto.  

Há relatos, quase diários, de desaparecidos, além de vários pontos em iminente corte na baixa de Chibuto, mas a população, em particular, enfrenta riscos em busca de comida.

“Sim, enfrentamos o drama da fome, por isso, estamos aqui para conseguir alguma coisa para comer”, disse Ricardo Joias, residente da Baixa de Chibuto. 

A administradora, Cacilda Banze, fala de reforço de medidas compulsivas, entretanto, a população continua irredutível.

Em Chibuto, a situação continua crítica, com milhares de famílias cercadas isoladas, sem alimentos, água e medicamentos há mais dois dias. Pescadores mostram-se preocupados com a redução das operações de resgate, apontando para locais onde a ajuda já não chega, como o exemplo de Macalawane, onde muita gente precisa de ajuda.

Autoridades avançam que há mais 38 mil pessoas que continuam acolhidas e mais de 8 mil resgatadas nos últimos 25 dias em Gaza.

Moçambique contabilizou 2.650 casos de cólera e 32 óbitos nos quatro meses do actual surto, que nos últimos cinco dias provocou quatro mortes e 300 novos casos.

De acordo com o boletim diário da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 3 de Setembro a 20 de Janeiro, a província de Nampula concentra a maioria dos casos, com 1.314 e 17 mortes. Seguem-se Tete, com 932 casos e 13 óbitos, e Cabo Delgado, com 404 casos e dois mortos. Os quatro óbitos registados nos últimos cinco dias ocorreram em Nampula.

Nas 24 horas anteriores ao boletim, foram reportados 71 novos casos, mantendo-se 36 pessoas internadas. A taxa de letalidade actual é de 1,2%, acima dos 0,5% registados em dezembro.

O surto anterior, entre 17 de Outubro de 2024 e 20 de Julho de 2025, registou 4.420 infectados e 64 mortos, com Nampula a concentrar 3.590 casos. Em 2025, pelo menos 169 pessoas morreram devido à cólera, entre cerca de 40 mil casos, alertou o ministro da Saúde, reforçando a necessidade de cumprimento das medidas de higiene individual e coletiva.

A Noruega vai disponibilizar dois milhões de dólares para apoiar famílias afectadas pelas cheias em Moçambique, que já atingiram mais de 141 mil famílias nos últimos 15 dias, anunciou a Embaixada norueguesa em Maputo.

Os fundos, segundo a Lusa, serão canalizados para a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e o Conselho Norueguês para os Refugiados. O objectivo é garantir abrigo seguro, acesso a água potável, saneamento, operações de busca e salvamento e assistência financeira direta às comunidades afetadas.

O ministro de Desenvolvimento da Noruega, Åsmund Aukrust, destacou que Moçambique é um dos países mais afectados pelas mudanças climáticas, “sem ter culpa pela crise”, e sublinhou a importância de apoiar onde for possível. A contribuição norueguesa soma-se aos cinco milhões de dólares mobilizados pelo Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU (CERF), do qual a Noruega é um dos maiores doadores globais.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), citados pela Lusa, as cheias já afetaram 651.843 pessoas desde 7 de janeiro, provocando 12 mortos, 45 feridos e quatro desaparecidos. Cerca de 95.870 cidadãos estão em centros de abrigo, incluindo 19.516 pessoas resgatadas das áreas mais críticas.

O balanço do INGD indica ainda que 3.396 casas foram parcialmente destruídas, 767 totalmente e 71.600 inundadas. As cheias afetaram 232 mil hectares de área agrícola, prejudicando a atividade de 174 mil agricultores, e causaram a morte de mais de 74 mil cabeças de gado. A situação é particularmente grave nas províncias de Maputo e Gaza, onde centenas de famílias continuam sitiadas e aguardam resgate, com estradas e pontes intransitáveis devido à subida das águas.

Maputo vai receber, na noite deste domingo, um avião cargueiro transportando 90 toneladas de ajuda humanitária da União Europeia (UE), destinada a apoiar a resposta às cheias que afetam quase 700 mil pessoas em Moçambique.

Segundo uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, citada pela Lusa, trata-se de um Boeing 747 que transporta assistência humanitária para centenas de milhares de moçambicanos severamente afetados pelas inundações registadas em várias regiões do país.

A carga será recebida no Aeroporto Internacional de Maputo pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas.

Este é o primeiro voo de ajuda humanitária enviado pela União Europeia para Moçambique no âmbito da actual emergência. As 90 toneladas incluem equipamentos médicos, material para abrigo, artigos de higiene, nutrição, educação e proteção, provenientes dos armazéns humanitários da UE localizados na Dinamarca. A distribuição será assegurada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e parceiros humanitários nacionais.

A Comissão Europeia anunciou, a 22 de janeiro, a disponibilização de 1,15 milhões de euros em ajuda humanitária para Moçambique e o Malawi, como resposta às cheias que assolam a região da África Austral. O anúncio foi feito pela comissária europeia para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, através das redes sociais, refere a Lusa.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as cheias em Moçambique já afetaram 651.843 pessoas desde 7 de janeiro, resultando em pelo menos 12 mortos, 45 feridos e quatro desaparecidos. Atualmente, 95.870 pessoas encontram-se acolhidas em centros de acomodação.

Os números mais recentes indicam que 141.251 famílias foram afetadas, com 3.396 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 71.600 inundadas. As províncias de Maputo e Gaza concentram o maior aumento recente do número de afetados.

Desde o início da época chuvosa, em outubro, já foram registadas 131 mortes e mais de 779 mil pessoas afetadas em todo o país. Estão ativos 94 centros de acomodação, e registam-se danos em 229 unidades sanitárias, 364 escolas, três pontes e mais de 1.300 quilómetros de estradas.

O INGD refere ainda que cerca de 232 mil hectares de áreas agrícolas foram afetados, impactando mais de 174 mil agricultores, além da perda de mais de 74 mil cabeças de gado.

As operações de resgate continuam em várias zonas do sul do país, sobretudo nas províncias de Maputo e Gaza, onde centenas de famílias permanecem sitiadas pelas águas. As ações contam com meios aéreos nacionais e estrangeiros, incluindo da África do Sul, bem como embarcações da Marinha de Guerra e privadas, apesar das limitações impostas pelas condições meteorológicas.

As estradas nacionais número 1 (N1) e número 2 (N2), nos acessos norte e sul da capital, permanecem intransitáveis devido à subida do nível das águas.

Portugal enviou uma equipa para Maputo para investigar a morte do administrador do banco BCI. Fazem parte da equipa elementos da Polícia Judiciária e do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses.

Depois de as autoridades moçambicanas terem explicado que o administrador do BCI, Pedro Ferraz Reis, suicidou-se numa unidade hoteleira em Maputo, Portugal decidiu agora fazer a sua própria investigação em Moçambique.

Num comunicado conjunto do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério da Justiça, ambos portugueses, Portugal explica que: “a sequência dos contactos com as autoridades de Moçambique, decorridos ao longo desta semana, e no quadro de cooperação entre autoridades policiais e judiciárias de ambos os países, seguirá neste fim de semana para Maputo uma equipa composta por elementos da Polícia Judiciária e do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses”. 

Na nota, as autoridades esclarecem que as referidas investigações da morte do cidadão português de 56 anos de idade serão conjuntas. “A equipa acompanhará as investigações da morte do empresário, Pedro Ferraz Reis, em estreita cooperação com as autoridades judiciárias e policiais”.

Uma petição “online”, com mais de 8.600 assinaturas dirigida ao presidente da Assembleia da República e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, ambos de Portugal, citadas pelo Expresso, diz haver “incongruência das explicações” das autoridades moçambicanas, que apontam para suicídio.

A menos de uma semana para o arranque do ano lectivo 2026, o Ministério da Educação diz que o plano de início de aulas será conhecido na próxima semana e depende das decisões do Conselho de Ministros.

Na Escola Primária de Guachene, no Distrito Municipal de KaTembe, Cidade de Maputo, há 79 crianças em idade escolar, alguns dos quais são alunos desta escola, e agora usam as salas, que costumam ser lugares onde ia aprender, como casas devido às inundações que afectaram a província nas últimas semanas.

As aulas arrancam no dia 30 deste mês em todo o país, mas ainda não há clareza sobre como irão decorrer, sobretudo nas zonas afectadas pelas últimas chuvas, que causaram enchentes e desalojam muitas famílias. A ministra da Educação, Samaria Tovela, garante haver um “plano A “ e um “ plano B”, entretanto o plano definitivo “ vai se avançar na próxima semana”.

Numa altura em que se estima haver várias escolas destruídas e pelo menos nove, só na Cidade de Maputo, a funcionar como centros de acolhimento, devido às inundações, a ministra da Educação afirma que o sector está, neste momento, a fazer o levantamento de danos “no sentido de colocarmos na mesa na próxima semana e haver uma decisão”, que deverá incluir uma plano para libertar as salas que funcionam como centros de acomodação e receber os alunos. Mas tudo dependerá, segundo Tovela, das decisões do Conselho de Ministros da próxima semana.

“Há-de haver um anúncio, ao nível do governo. Podiamos avançar em algumas escolas, mas para já deve ser uma decisão que deve ser tomada ao nível do Conselho de Ministrosd”, declarou.

Sobre os livros escolares,“ Houve danos, em Gaza houve danos. Estamos a falar de matéria escolar, mas também da situação académica dos nossos meninos”, declarou e garantiu a existência de manuais de reserva “para situações como desastres naturais, para quando tivermos alguns livros danificados assessorar os meninos, sobretudo os do primeiro ciclo que tem o livro como caderno, então sempre terão livros.

Samaria Tovela visitou, na manhã deste sábado, dois centros de acomodação da Cidade de Maputo que funcionam em escolas primárias, nomeadamente a Escola Primária de Guachene e a Escola Primária da Costa do Sol.

Duzentas infra-estruturas habitacionais e de comércio poderão ser destruídas nos municípios de  Boane e Matola Rio para desobstruir o caminho das águas. A informação foi anunciada pelo administrador de Boane, que clarifica que os proprietários não serão indemnizados.

O governo de Boane continua na busca de soluções para minimizar o impacto das chuvas que caíram na última semana e que provocaram inundações. O administrador do distrito aponta como uma das soluções a demolição de algumas infra-estruturas.

“Nós temos cidadãos que, infelizmente, na pressa, foram construindo as suas casas, muros no caminho da água. Nós, como distrito de Boane, já estamos emitindo avisos de que vamos ter que demolir.’. Avisou Lázaro Mbambaba, administrador do distrito de Boane ponderado analisar caso a caso.  “As moradias, vamos ver como, de forma casuística, mas, no caso de muros, é mesmo para demolir. Já informamos as pessoas para retirar os seus bens”. Concluiu.

A medida vai abranger as autarquias de Matola Rio e Boane e já há disponibilidade de cerca de 3000 mil terrenos para as famílias, cujas casas serão destruídas, pelo menos em Boane. 

“No bairro Filipe Samuel Magalhães, nós temos um plano de 3 mil terrenos e até então temos garantido cerca de mil talhões” garantiu Geraldina Utchavo, Presidente do Município de Boane.” 

A autarca apela às pessoas a serem abrangidas a assumir a mudança para novos assentamentos. 

O administrador e o Presidente do Município de Boane falavam após a recepção de alimentos de uma operadora de telefonia para as vítimas das inundações na autarquia com cerca de 2000 mil pessoas afetadas pelas inundações, abrigadas em centros de acolhimento

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