O País – A verdade como notícia

Uma família do distrito de Balama, no sul de Cabo Delgado, denuncia a soltura de um suposto assassino, que teria esfaqueado a sua mulher. Os queixosos exigem respostas por parte das autoridades da justiça.

Segundo relatos da família, o homem matou a esposa na machamba com recurso a uma faca, mas, para fugir da responsabilidade, teria dito que foi  incidente que ocorreu quando cortavam estacas para a construção de uma casa

“Estamos tristes e desgostosos porque, além de perdermos a nossa filha, as autoridades soltaram um homem que matou uma pessoa antes mesmo da realização do funeral, quando  normalmente vemos pessoas que roubam patos e galinhas a serem presos e transferidos para Montepuez, Nampula”, reclamou Raquima Blihari, avô da vítima. 

Além da família, a soltura do suposto assassino deixou a comunidade indignada com a situação, e exigem da justiça uma explicação.

O “O País” procurou ouvir a Polícia e as autoridades da justiça sobre o Caso da Morte da mulher de 30 anos de idade, no entanto, apesar das insistência, não foi possível obter resposta.

Moçambique dá o primeiro passo para o Censo 2027, totalmente digital. Um total de 161 distritos está a ser mapeado em todo o país, num processo que decorre até Outubro, e que vai custar 8 milhões de dólares. O objectivo é actualizar, com precisão, o número de habitantes e de edifícios, num contexto em que se prevê que a população atinja 37 milhões de pessoas.

Entre casas, ruas e famílias, começa a construção de um retrato real do país, através da cartografia censitária, que vai culminar no censo 2027, para se saber quantos somos, como vivemos e onde estamos.

O mapeamento, que iniciou neste mês, prevê abranger 161 distritos até Outubro, com envolvimento de mais de 400 técnicos no terreno, devidamente identificados e com sistemas digitais para colecta de dados. 

Para o sucesso da operação, que vai custar 8 milhões de dólares, o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) apela à colaboração de toda sociedade. 

O Recenseamento Geral da População e Habitação vai decorrer de 1 a 15 de Agosto de 2027, e os dados recolhidos serão determinantes para orientar políticas públicas e o desenvolvimento do país nos próximos anos.

A onda de choque da guerra no Médio Oriente chegou a África, onde a saúde de milhares de pessoas está agora em risco. Uma parte crítica da medicação destinada ao continente africano permanece retida no Dubai devido ao bloqueio das rotas comerciais, segundo escreve a RTP.

A preocupação das organizações humanitárias é crescente, com a época das chuvas à porta, um período de alto risco para a propagação de doenças.

A logística está cada vez mais difícil, os custos do transporte aéreo dispararam, sendo agora 70% mais caros do que o habitual.

A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ) recebeu a visita do Chefe de Operações do Exército Finlandês, Brigadeiro-General Sami-Antti Takamaa, acompanhado pela sua delegação. 

 A visita teve como objectivo proporcionar uma visão directa sobre a situação actual da Missão, com especial enfoque nas condições em que a EUMAM MOZ opera, nos principais desafios operacionais e estruturais que enfrenta, e no trabalho em curso no âmbito dos Programas de Regeneração das Forças de Reação Rápida (QRFs) das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). 

 Durante a visita, a delegação finlandesa teve oportunidade de se reunir com o Comandante da Força da EUMAM MOZ, Comodoro César Pires Correia, receber uma apresentação sobre a Missão e conhecer de perto as actividades desenvolvidas nas áreas de mentoria e assistência militar. A deslocação ao Campo de Treino de Katembe permitiu ainda observar os padrões de treino assistido atualmente em curso, com a 3.ª QRF de Fuzileiros. 

 A presença de destacados representantes militares dos Estados-Membros da União Europeia (UE) reforça a importância da cooperação contínua no seio da UE e evidencia o compromisso conjunto com o reforço das capacidades das FADM. 

 Enquanto Missão não executiva da União Europeia, a EUMAM MOZ centra-se no ciclo de formação operacional, na manutenção e na formação especializada, contribuindo para a profissionalização, autonomia e prontidão operacional das FADM. A Missão reúne militares e civis de várias nacionalidades europeias, incluindo quatro militares do contingente finlandês.

Um funcionário do Estado, de 38 anos, perdeu a vida ao tentar atravessar a via que liga os distritos de Guijá e Chókwè, na província de Gaza, arrastado pela forte corrente de água que há duas semanas condiciona a circulação naquele troço. Os residentes desta via reclamam das péssimas condições de travessia e falam dos perigos que assombram a via.

O caso reacende críticas das populações à falta de alternativas seguras de travessia e à demora no cumprimento de promessas governamentais.

Segundo testemunhas, o homem tentava alcançar o município de Chókwè quando foi surpreendido pela força das águas. O corpo foi recuperado no dia seguinte à sua morte.

“O jovem é de Guijá e perdeu a vida aqui. Ele tentou passar por aqui, mas não conseguiu. A água puxou e ele perdeu a vida”, relatou Lucas, residente local, frisando ainda que “ninguém está bem, mesmo eu não estou bem, mas é para fazer o que? Ninguém mandou isso aqui”.

A estrada, considerada estratégica por ligar Chókwè, Guijá e a vila de Caniçado, permanece parcialmente submersa desde as últimas cheias, dificultando a mobilidade de pessoas e bens. A situação tem forçado a população a recorrer a pequenas embarcações artesanais, muitas vezes em condições precárias.

Dias antes do incidente, a governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene, havia reconhecido o risco e apelado à prudência, além de prometer reforço nos meios de travessia.

“Esta via é de capital importância. Queremos apelar àqueles que continuam a arriscar a atravessar esta água com muita corrente que não o façam. Tivemos situações não muito agradáveis nas cheias de Janeiro, com carros arrastados, pessoas arrastadas”, disse Mapandzene a 20 de Março. 

Na ocasião, a Governadora realçava que a interrupção da mesma era preciso haver alguma alternativa para a comunicabilidade dos dois locais, e que “neste momento, estamos a ver aqui umas embarcações que ajudam a travessia da nossa população, e também temos uma embarcação movida a motor que vamos meter nesta via para ajudar cada vez mais a nossa população”.

No entanto, moradores dizem que as medidas ainda não se concretizaram. A ausência de fiscalização e de transporte público seguro agrava o cenário, segundo os utentes.

“Quem quer passar tem que pagar o barco. E nem todos têm dinheiro”, lamentou Lino Manuel.
“São barcos com infiltrações, mesmo assim as pessoas arriscam a vida por necessidade”, acrescentou Januário, outro utente.

No local, embarcações chegam a transportar até oito passageiros por viagem, além de mercadorias, sem controlo das autoridades. O custo da travessia varia entre 50 e 100 meticais, valor considerado elevado para muitas famílias num contexto de desemprego e dificuldades económicas.

Apesar dos riscos evidentes, muitos continuam a atravessar diariamente, pressionados pela necessidade de trabalho e acesso a serviços. Outros, por falta de recursos, ficam retidos.

A situação insere-se num quadro mais amplo de cheias na província de Gaza. Na cidade de Xai-Xai, autoridades mantêm alerta máximo devido à interrupção recorrente da circulação na Estrada Nacional Número Um (N1) nos últimos dias. Pelo menos 10 bairros estão inundados, afectando mais de 6.100 pessoas, segundo dados preliminares.

Enquanto isso, a travessia entre Chókwè e Guijá permanece um ponto crítico, onde a urgência por soluções seguras se torna cada vez mais evidente após mais uma vida perdida.

Cristãos de todo o mundo celebram, hoje, o fim da quaresma e em Maputo fizeram apelos à solidariedade para com as vítimas de inundações. Os crentes oraram ainda pelo fim da violência armada no norte do país e no médio oriente.

Com cânticos de exaltação e reverência, cristãos em Maputo celebraram este Domingo a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, uma crença que segundo a tradição, marca a entrada para a semana pascal. Cantavam “Bendito o que vem em nome do Senhor” entrando em Jerusalém, hoje um palco de conflito, por isso, nas suas orações, os cristãos pediram a paz não só no Médio Oriente, como em África, e o fim do terrorismo em Cabo Delgado.

“Este é o momento do convite mais alto da Igreja às comunidades, às pessoas, para pedirem a Deus que cessem as guerras, para pararmos com os conflitos e nós confiamos que o homem não consegue, Deus pode nos dar solução.” disse Maurício Chichava, Pastor Metodista Unida

Na igreja Católica, entre cânticos e oração, a mensagem dos fieis foi além da tradição e da liturgia, pedindo reflexão coletiva para um mundo melhor. Segundo Dom João Nunes, arcebispo de Maputo, 

“Aqueles que são causadores deste sofrimento nas pessoas, nós dizemos, tenham a mão na consciência, reflitam também, procurem viver a Páscoa e criem situações de vida, acima de tudo, criem situações de salvação, mais do que semelhar situações de morte e de ódio.”

Se os conflitos multiplicam-se por ego, a mensagem não se limita aos líderes, por isso, faz-se apelo ao quotidiano para espelhar-se na humildade de Cristo. 

“Nós os homens viemos ao mundo sem nada e voltaremos ao mundo também, sairemos deste mundo também sem nada, então tudo o que a gente possa trazer, ostentar, são coisas da natureza que não nos pertencem, pertencem tudo a Deus e então Ele, de facto, demonstra aquilo que a simplicidade da vida humana, em que nós com o pouco que nós tivemos podemos estar a sobreviver.” Apelou José Dava da Igreja Anglicana.

Entre ramos e orações, os fieis exortam à prática da fé na prática, demonstrando solidariedade com as vítimas de cheias e inundações um pouco por todo o país.

“Não precisamos de construir casas, nós temos de construir pessoas, temos de construir corações. Depois de tudo o que se passou, só a nossa solidariedade, só a nossa entrega ao próximo é que poderemos fazer o mundo melhor e o Moçambique melhor, porque Moçambique precisa de ser melhor.” Terminou Orlando Dias 

O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa que será caracterizada pela celebração do memorial de paixão, morte e ressurreição de Cristo. 

O Presidente da República, Daniel Chapo, alertou que Moçambique poderá vir a ser afectado por uma eventual crise de combustíveis, caso o conflito no Médio Oriente se prolongue até ao mês de Maio. Ainda assim, o Chefe de Estado assegurou que, neste momento, o país dispõe de stock suficiente para garantir o abastecimento normal.

As declarações surgem na sequência da corrida registada no último fim-de-semana em alguns postos de abastecimento, em várias cidades do país, motivada por rumores de escassez de gasolina. Segundo o Presidente, a situação não corresponde à realidade actual e resulta essencialmente de desinformação.

Falando à imprensa em Malabo, onde participou na XI Cimeira da Organização de Estados de África, Caraíbas e Pacífico, Daniel Chapo explicou que, ao contrário de outros países já afectados, Moçambique ainda não enfrenta constrangimentos devido à existência de reservas estratégicas.

Relativamente às longas filas observadas nos postos de combustíveis, o estadista reiterou que não há motivo para alarme e apelou à calma da população.

Durante a sua estadia em Malabo, o Presidente manteve encontros com vários homólogos, tendo como um dos principais pontos da agenda o reforço da cooperação no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado.

 

O Gabinete Parlamentar da  Assembleia da República manifestou hoje o seu reconhecimento pelo  empenho humanitário da Primeira-Dama da República, Gueta  Selemane Chapo, no auxílio às famílias afectadas pelas recentes  inundações na província de Gaza. 

Durante um encontro de trabalho com a equipa liderada pela  presidente da estrutura técnica, Maria Marta, foi destacada a  prontidão da Primeira-Dama em unir esforços com as deputadas para  garantir que a assistência chegue de forma célere e digna às  populações vulneráveis, reforçando o papel da fiscalização e do  apoio social em tempos de crise nacional.

A presidente do Gabinete Parlamentar sublinhou a relevância da  colaboração interinstitucional no terreno, enfatizando que a união de  esforços tem sido determinante para mitigar o sofrimento das  comunidades atingidas. Segundo a responsável, a presença estatal e  o suporte do Gabinete da Primeira-Dama são pilares que sustentam a  eficácia das operações de socorro em curso nas zonas mais críticas do  sul do país. 

Ao detalhar a experiência da missão conjunta, Maria Marta fez  questão de pontuar a importância da iniciativa da esposa do  Presidente da República ao incluir a estrutura parlamentar na linha da  frente. “Queremos enaltecer o convite que a Primeira-Dama fez ao  Gabinete da Mulher Parlamentar na sua deslocação à província de  Gaza, em apoio às vítimas das cheias”, afirmou a presidente, em  declaracoes à imprensa, destacando o impacto positivo desta  sinergia. 

A actuação no terreno não se limitou ao protocolo, envolvendo um  trabalho directo de assistência e levantamento de necessidades das  populações que perderam bens e meios de subsistência devido à fúria  das águas. “O gabinete esteve lá, trabalhou junta e prontamente com  a Primeira-Dama, ela que esteve a apoiar as populações, esteve a dar  o ombro àquelas populações que estão sofrendo neste momento”,  declarou Maria Marta. 

A presidente contextualizou a gravidade da situação climática que  Moçambique atravessa, lembrando que o país enfrenta um período  cíclico de desafios ambientais extremos. “Nós sabemos que o país está  a ser assolado pelas cheias e inundações, e a Primeira-Dama tem  estado a fazer tudo para esta população”, observou, reiterando a  necessidade de uma vigilância contínua pelas autoridades. 

O foco da actuação do Gabinete da Primeira-Dama e parlamentar,  conforme descrito pela responsável, assenta na inclusão e na garantia  de que nenhum moçambicano seja esquecido durante o processo de  realocação e assistência humanitária. Maria Marta reforçou que o  objetivo é “fazer tudo para que todos se sintam acomodados, todos se  sintam apoiados e que nenhuma pessoa fique para trás”.

No encerramento das suas declarações, Maria Marta reiterou o  agradecimento institucional pela postura proactiva da Esposa do  Chefe do Estado, validando o impacto das suas acções na coesão  social do país. “Portanto, agradecer mais uma vez à Primeira-Dama do  país por tudo que tem feito para o povo moçambicano”, concluiu a  presidente do Gabinete Parlamentar. 

A Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis assegurou, hoje, que o abastecimento de combustíveis no país está garantido, apesar da recente corrida aos postos registada sobretudo na Cidade e Província de Maputo.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, a entidade explica que a recente agitação resulta da divulgação de informações sobre a existência de reservas operacionais equivalentes a cerca de 12 dias, associadas aos desenvolvimentos no Médio Oriente.

Segundo a Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, a notícia gerou preocupação entre os consumidores, levando a uma afluência massiva aos postos de abastecimento, o que tem provocado pressão sobre os stocks disponíveis e constrangimentos na cadeia de distribuição.

As autoridades esclarecem, no entanto, que o país dispõe de um contrato de fornecimento de combustíveis válido até maio de 2027, garantindo a continuidade do abastecimento.

De acordo com o comunicado, as importações decorrem de forma regular, com uma periodicidade de 15 dias, não se registando qualquer interrupção no processo.

A entidade acrescenta que, além das reservas de 12 dias reportadas a 24 de março, está em curso o processo normal de reposição, com novas entregas previstas para 30 de março no porto de Maputo, o que permitirá reforçar os níveis de stock com mais 26 dias de gasolina e 17 dias de gasóleo.

Adicionalmente, a janela de importações já confirmada para o mês de abril deverá assegurar o abastecimento para os meses seguintes.

Face à situação, a Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis apela à calma da população e recomenda que não sejam constituídas reservas domésticas de combustível, alertando que este comportamento contribui para aumentar a pressão sobre os postos de abastecimento.

AMEPETROL GARANTE ABASTECIMENTO REGULAR E AFASTA RISCO DE RUPTURA DE COMBUSTÍVEL

A Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (AMEPETROL) também assegurou, hoje, que não há risco iminente de ruptura de combustíveis em Moçambique, apelando à população para manter a normalidade no consumo e evitar comportamentos que possam pressionar a rede de abastecimento.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, a associação explica que tem acompanhado a circulação de informações nas redes sociais e em alguns meios de comunicação sobre alegadas quebras nos níveis de stock de combustíveis, sublinhando que a situação está sob controlo.

Segundo a AMEPETROL, o abastecimento está a ser gerido de forma contínua e coordenada entre os diversos intervenientes do setor, não existindo indicação de escassez iminente.

A organização esclarece ainda que os dados que têm circulado correspondem a relatórios técnicos semanais elaborados por uma comissão de logística, que integram informações operacionais como volumes em trânsito, calendário de descargas nos portos de Maputo, Beira, Nacala e Pemba, bem como encomendas em curso.

De acordo com a associação, já existe combustível nos terminais oceânicos, encontrando-se em processo normal de libertação para o mercado, o que reforça a disponibilidade do produto no país.

Como medida preventiva, foi autorizada a operação dos terminais oceânicos no sábado, 28 de março, com o objetivo de aumentar a expedição de combustíveis para o mercado de retalho e reduzir eventuais pressões nos postos de abastecimento.

A AMEPETROL reafirma o compromisso de garantir o fornecimento regular de combustíveis e defende a necessidade de uma atuação coordenada entre todos os operadores do setor, de forma a assegurar a estabilidade do sistema de abastecimento a nível nacional.

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