O País – A verdade como notícia

Os seis detidos são dos distritos de Muembe e Mandimba, com o administrador deste último a avançar que os funcionários em causa forneciam os fármacos a proprietários de farmácias privadas.

As autoridades da província de Niassa, no norte de Moçambique, detiveram seis funcionários da saúde por suspeitas de envolvimento no desvio de medicamentos e material médico-cirúrgico.

“O ponto mais alto foi a captura de dois indivíduos que, neste momento, aguardam julgamento”, disse Cássimo Abudo, administrador de Muembe, citado pela imprensa nacional, apontando os antimaláricos como os fármacos mais desviados naquele distrito.

Os seis detidos são dos distritos de Muembe e Mandimba, com o administrador deste último a avançar que os funcionários em causa forneciam os fármacos a proprietários de farmácias privadas.

Emídio Xavier apontou os centros de saúde de Mitande e Mississi, em Mandimba, como os que registam frequentemente casos de desvio de medicamentos, tendo também relatado desvio de bolsas de recolha de sangue, o que obrigou ao reforço de medidas de segurança nas unidades de saúde do distrito.

Em Janeiro, uma técnica de farmácia foi condenada em Sofala, centro de Moçambique, a 10 meses de prisão por furto agravado de medicamentos, num contexto em que o Governo declarou ‘guerra’ ao contrabando de fármacos.

No mesmo mês, bem como este mês de Março, o ministro da Saúde, Ussene Isse, voltou a declarar “tolerância zero” ao contrabando de fármacos no país, numa menção aos recentes casos conhecidos de roubos de medicamentos nas unidades sanitárias.

 

Profissionais de saúde acusam Governo de incumprimento

Os profissionais de saúde, em greve desde Janeiro, acusaram esta segunda-feira o Governo de não cumprir as recomendações acordadas nas negociações e ameaçaram paralisar totalmente as actividades numa nova fase da greve, que já fez 1.872 mortes.

“A greve continua e o diálogo nada está a trazer de avanços. As recomendações acordadas com o Governo não foram cumpridas e a situação nacional do Sistema Nacional de Saúde está catastrófica”, disse em conferência de imprensa o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM). 

Segundo Anselmo Muchave, actualmente, pacientes estão a morrer nas unidades de saúde nacionais por falta de oxigénio, medicamentos e equipamentos básicos, e outros perdem membros por infecções causadas por falta de material médico esterilizado.

“As consultas de uma simples doença é marcada para nove meses e quando o Governo decide mandar cobrar, cobra os pacientes que praticamente têm doenças do foro cirúrgico nos hospitais centrais. Isto é um genocídio silencioso”, avançou o representante, acrescentando que os profissionais de saúde trabalham em condições desumanas, sem recursos e sem apoio.

Quando passam quase três meses desde o início da greve da classe, iniciada a 16 de Janeiro, em reivindicação do pagamento completo do 13.º salário de 2025 e melhores condições de trabalho no sector, Muchave aponta para milhares de mortes causadas pela escassez de materiais médicos, associados a falta de atendimento nas unidades sanitárias moçambicanas.

“Há mais de 1.872 mortes por três meses por falta de medicamentos, material médico-cirúrgico e de atendimento nas unidades sanitárias”, referiu o responsável.

A APSUSM exigiu do Governo “acção imediata” para resolver a crise na saúde, garantindo o fornecimento de medicamentos e material médico cirúrgico, melhoria das condições de trabalho dos profissionais de saúde e justiça para as vítimas das pessoas que estão a morrer nos hospitais, por falta de medicamentos. 

“A APSUSM não vai recuar. A luta é pela vida, pela dignidade e pelos direitos na saúde, não vamos permitir que o Governo negligencie o Sistema Nacional de Saúde e coloque em risco a vida dos profissionais de saúde e dos moçambicanos”, reiterou Anselmo Muchave.

O presidente daquela associação, que abrange cerca de 65.000 profissionais de saúde de diferentes departamentos, garantiu que a classe continuará a lutar “até que a justiça seja feita”, assinalando também que a próxima etapa da greve, que será lançada em alguns dias, caso não se chegue a um consenso com o Governo, vai paralisar na totalidade as actividades nas unidades hospitalares nacionais.

Recorde-se que foi a 16 de Março que os profissionais de saúde prolongaram por mais 30 dias a greve, alegando falta de responsabilidade do Governo nos compromissos assumidos.

A Primeira-Ministra empossou hoje o Presidente do Conselho de Administração da Agência de Transformação Digital e Inovação. A governante exigiu ao Engenheiro Adilson Gomez maior entrega e comprometimento para melhorar os serviços públicos neste sector. 

Durante o seu discurso, a Primeira-Ministra reiterou que a transformação digital constitui um dos pilares estruturantes para a promoção da contínua modernização do Estado no âmbito da melhoria dos serviços prestados aos cidadãos em todo o território nacional. 

“A aposta na transformação digital visa igualmente garantir que nenhum moçambicano fique para trás no usufruto dos benefícios das novas tecnologias de informação e comunicação, independentemente da sua localização geográfica”, disse a governante, sublinhando que o Governo pretende com esta abordagem que os sistemas e as infra-estruturas digitais em uso no país sejam cada vez mais abrangentes, resilientes e assegurem que Moçambique se vá consolidando como uma nação digital, inovadora e inclusiva.

Dirigindo-se ao empossado, Benvinda Levi orientou a aceleração das acções que fazem parte das atribuições da Ciência de Transformação Digital e Inovação, com destaque para Prestação de serviços de assistência técnica, consultoria, formação, aconselhamento e outros serviços conexos no domínio das tecnologias de informação e comunicação e implementação de actividades no domínio das TICs com outras entidades públicas e privadas.

O Recém empossado, Adilson Gomez, disse estar ciente de suas responsabilidades e destacou como maior desafio interligar os sistemas e realmente criar valor na vida dos cidadãos.

Uma família do distrito de Balama, no sul de Cabo Delgado, denuncia a soltura de um suposto assassino, que teria esfaqueado a sua mulher. Os queixosos exigem respostas por parte das autoridades da justiça.

Segundo relatos da família, o homem matou a esposa na machamba com recurso a uma faca, mas, para fugir da responsabilidade, teria dito que foi  incidente que ocorreu quando cortavam estacas para a construção de uma casa

“Estamos tristes e desgostosos porque, além de perdermos a nossa filha, as autoridades soltaram um homem que matou uma pessoa antes mesmo da realização do funeral, quando  normalmente vemos pessoas que roubam patos e galinhas a serem presos e transferidos para Montepuez, Nampula”, reclamou Raquima Blihari, avô da vítima. 

Além da família, a soltura do suposto assassino deixou a comunidade indignada com a situação, e exigem da justiça uma explicação.

O “O País” procurou ouvir a Polícia e as autoridades da justiça sobre o Caso da Morte da mulher de 30 anos de idade, no entanto, apesar das insistência, não foi possível obter resposta.

Moçambique dá o primeiro passo para o Censo 2027, totalmente digital. Um total de 161 distritos está a ser mapeado em todo o país, num processo que decorre até Outubro, e que vai custar 8 milhões de dólares. O objectivo é actualizar, com precisão, o número de habitantes e de edifícios, num contexto em que se prevê que a população atinja 37 milhões de pessoas.

Entre casas, ruas e famílias, começa a construção de um retrato real do país, através da cartografia censitária, que vai culminar no censo 2027, para se saber quantos somos, como vivemos e onde estamos.

O mapeamento, que iniciou neste mês, prevê abranger 161 distritos até Outubro, com envolvimento de mais de 400 técnicos no terreno, devidamente identificados e com sistemas digitais para colecta de dados. 

Para o sucesso da operação, que vai custar 8 milhões de dólares, o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) apela à colaboração de toda sociedade. 

O Recenseamento Geral da População e Habitação vai decorrer de 1 a 15 de Agosto de 2027, e os dados recolhidos serão determinantes para orientar políticas públicas e o desenvolvimento do país nos próximos anos.

A onda de choque da guerra no Médio Oriente chegou a África, onde a saúde de milhares de pessoas está agora em risco. Uma parte crítica da medicação destinada ao continente africano permanece retida no Dubai devido ao bloqueio das rotas comerciais, segundo escreve a RTP.

A preocupação das organizações humanitárias é crescente, com a época das chuvas à porta, um período de alto risco para a propagação de doenças.

A logística está cada vez mais difícil, os custos do transporte aéreo dispararam, sendo agora 70% mais caros do que o habitual.

A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ) recebeu a visita do Chefe de Operações do Exército Finlandês, Brigadeiro-General Sami-Antti Takamaa, acompanhado pela sua delegação. 

 A visita teve como objectivo proporcionar uma visão directa sobre a situação actual da Missão, com especial enfoque nas condições em que a EUMAM MOZ opera, nos principais desafios operacionais e estruturais que enfrenta, e no trabalho em curso no âmbito dos Programas de Regeneração das Forças de Reação Rápida (QRFs) das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). 

 Durante a visita, a delegação finlandesa teve oportunidade de se reunir com o Comandante da Força da EUMAM MOZ, Comodoro César Pires Correia, receber uma apresentação sobre a Missão e conhecer de perto as actividades desenvolvidas nas áreas de mentoria e assistência militar. A deslocação ao Campo de Treino de Katembe permitiu ainda observar os padrões de treino assistido atualmente em curso, com a 3.ª QRF de Fuzileiros. 

 A presença de destacados representantes militares dos Estados-Membros da União Europeia (UE) reforça a importância da cooperação contínua no seio da UE e evidencia o compromisso conjunto com o reforço das capacidades das FADM. 

 Enquanto Missão não executiva da União Europeia, a EUMAM MOZ centra-se no ciclo de formação operacional, na manutenção e na formação especializada, contribuindo para a profissionalização, autonomia e prontidão operacional das FADM. A Missão reúne militares e civis de várias nacionalidades europeias, incluindo quatro militares do contingente finlandês.

Um funcionário do Estado, de 38 anos, perdeu a vida ao tentar atravessar a via que liga os distritos de Guijá e Chókwè, na província de Gaza, arrastado pela forte corrente de água que há duas semanas condiciona a circulação naquele troço. Os residentes desta via reclamam das péssimas condições de travessia e falam dos perigos que assombram a via.

O caso reacende críticas das populações à falta de alternativas seguras de travessia e à demora no cumprimento de promessas governamentais.

Segundo testemunhas, o homem tentava alcançar o município de Chókwè quando foi surpreendido pela força das águas. O corpo foi recuperado no dia seguinte à sua morte.

“O jovem é de Guijá e perdeu a vida aqui. Ele tentou passar por aqui, mas não conseguiu. A água puxou e ele perdeu a vida”, relatou Lucas, residente local, frisando ainda que “ninguém está bem, mesmo eu não estou bem, mas é para fazer o que? Ninguém mandou isso aqui”.

A estrada, considerada estratégica por ligar Chókwè, Guijá e a vila de Caniçado, permanece parcialmente submersa desde as últimas cheias, dificultando a mobilidade de pessoas e bens. A situação tem forçado a população a recorrer a pequenas embarcações artesanais, muitas vezes em condições precárias.

Dias antes do incidente, a governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene, havia reconhecido o risco e apelado à prudência, além de prometer reforço nos meios de travessia.

“Esta via é de capital importância. Queremos apelar àqueles que continuam a arriscar a atravessar esta água com muita corrente que não o façam. Tivemos situações não muito agradáveis nas cheias de Janeiro, com carros arrastados, pessoas arrastadas”, disse Mapandzene a 20 de Março. 

Na ocasião, a Governadora realçava que a interrupção da mesma era preciso haver alguma alternativa para a comunicabilidade dos dois locais, e que “neste momento, estamos a ver aqui umas embarcações que ajudam a travessia da nossa população, e também temos uma embarcação movida a motor que vamos meter nesta via para ajudar cada vez mais a nossa população”.

No entanto, moradores dizem que as medidas ainda não se concretizaram. A ausência de fiscalização e de transporte público seguro agrava o cenário, segundo os utentes.

“Quem quer passar tem que pagar o barco. E nem todos têm dinheiro”, lamentou Lino Manuel.
“São barcos com infiltrações, mesmo assim as pessoas arriscam a vida por necessidade”, acrescentou Januário, outro utente.

No local, embarcações chegam a transportar até oito passageiros por viagem, além de mercadorias, sem controlo das autoridades. O custo da travessia varia entre 50 e 100 meticais, valor considerado elevado para muitas famílias num contexto de desemprego e dificuldades económicas.

Apesar dos riscos evidentes, muitos continuam a atravessar diariamente, pressionados pela necessidade de trabalho e acesso a serviços. Outros, por falta de recursos, ficam retidos.

A situação insere-se num quadro mais amplo de cheias na província de Gaza. Na cidade de Xai-Xai, autoridades mantêm alerta máximo devido à interrupção recorrente da circulação na Estrada Nacional Número Um (N1) nos últimos dias. Pelo menos 10 bairros estão inundados, afectando mais de 6.100 pessoas, segundo dados preliminares.

Enquanto isso, a travessia entre Chókwè e Guijá permanece um ponto crítico, onde a urgência por soluções seguras se torna cada vez mais evidente após mais uma vida perdida.

Cristãos de todo o mundo celebram, hoje, o fim da quaresma e em Maputo fizeram apelos à solidariedade para com as vítimas de inundações. Os crentes oraram ainda pelo fim da violência armada no norte do país e no médio oriente.

Com cânticos de exaltação e reverência, cristãos em Maputo celebraram este Domingo a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, uma crença que segundo a tradição, marca a entrada para a semana pascal. Cantavam “Bendito o que vem em nome do Senhor” entrando em Jerusalém, hoje um palco de conflito, por isso, nas suas orações, os cristãos pediram a paz não só no Médio Oriente, como em África, e o fim do terrorismo em Cabo Delgado.

“Este é o momento do convite mais alto da Igreja às comunidades, às pessoas, para pedirem a Deus que cessem as guerras, para pararmos com os conflitos e nós confiamos que o homem não consegue, Deus pode nos dar solução.” disse Maurício Chichava, Pastor Metodista Unida

Na igreja Católica, entre cânticos e oração, a mensagem dos fieis foi além da tradição e da liturgia, pedindo reflexão coletiva para um mundo melhor. Segundo Dom João Nunes, arcebispo de Maputo, 

“Aqueles que são causadores deste sofrimento nas pessoas, nós dizemos, tenham a mão na consciência, reflitam também, procurem viver a Páscoa e criem situações de vida, acima de tudo, criem situações de salvação, mais do que semelhar situações de morte e de ódio.”

Se os conflitos multiplicam-se por ego, a mensagem não se limita aos líderes, por isso, faz-se apelo ao quotidiano para espelhar-se na humildade de Cristo. 

“Nós os homens viemos ao mundo sem nada e voltaremos ao mundo também, sairemos deste mundo também sem nada, então tudo o que a gente possa trazer, ostentar, são coisas da natureza que não nos pertencem, pertencem tudo a Deus e então Ele, de facto, demonstra aquilo que a simplicidade da vida humana, em que nós com o pouco que nós tivemos podemos estar a sobreviver.” Apelou José Dava da Igreja Anglicana.

Entre ramos e orações, os fieis exortam à prática da fé na prática, demonstrando solidariedade com as vítimas de cheias e inundações um pouco por todo o país.

“Não precisamos de construir casas, nós temos de construir pessoas, temos de construir corações. Depois de tudo o que se passou, só a nossa solidariedade, só a nossa entrega ao próximo é que poderemos fazer o mundo melhor e o Moçambique melhor, porque Moçambique precisa de ser melhor.” Terminou Orlando Dias 

O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa que será caracterizada pela celebração do memorial de paixão, morte e ressurreição de Cristo. 

O Presidente da República, Daniel Chapo, alertou que Moçambique poderá vir a ser afectado por uma eventual crise de combustíveis, caso o conflito no Médio Oriente se prolongue até ao mês de Maio. Ainda assim, o Chefe de Estado assegurou que, neste momento, o país dispõe de stock suficiente para garantir o abastecimento normal.

As declarações surgem na sequência da corrida registada no último fim-de-semana em alguns postos de abastecimento, em várias cidades do país, motivada por rumores de escassez de gasolina. Segundo o Presidente, a situação não corresponde à realidade actual e resulta essencialmente de desinformação.

Falando à imprensa em Malabo, onde participou na XI Cimeira da Organização de Estados de África, Caraíbas e Pacífico, Daniel Chapo explicou que, ao contrário de outros países já afectados, Moçambique ainda não enfrenta constrangimentos devido à existência de reservas estratégicas.

Relativamente às longas filas observadas nos postos de combustíveis, o estadista reiterou que não há motivo para alarme e apelou à calma da população.

Durante a sua estadia em Malabo, o Presidente manteve encontros com vários homólogos, tendo como um dos principais pontos da agenda o reforço da cooperação no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado.

 

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