Transportadores que operam na rota África do Sul–Moçambique, com partidas no Terminal da Junta, ressentem-se da crise de combustíveis e dizem enfrentar dificuldades tanto para realizar viagens como para angariar passageiros.
A crise de combustíveis que afecta o país desde a semana passada já começa a ter impacto nas viagens internacionais. No Terminal da Junta, os passageiros com destino à África do Sul são obrigados a enfrentar longos períodos de espera. Porque, mesmo lá, o combustível subiu, as chapas também aumentaram os preços.
“Quando voltei para aqui, encontrei essa situação também. Não há combustível… não há transporte que funcione neste momento. Estamos aqui sentados até esta hora, nada está a dar certo, mas Deus é que sabe… estamos muito mal mesmo”, disse Beatriz, uma utente que aguardava por viagem à África do Sul no Terminal da Junta.
Na espera, acumulam-se prejuízos. A incerteza quanto à hora e, por vezes, ao dia de partida coloca em causa negócios e empregos de moçambicanos na África do Sul.
“Não, não é normal. Porque às vezes temos de ganhar tempo… não é normal. Claro que sim, porque amanhã tenho de estar no serviço. Mas, se sairmos daqui à tarde, significa chegar lá tarde também amanhã”, reclamou outra utente, que desde as sete horas aguardava por transporte com destino à África do Sul.
Para minimizar os impactos, alguns transportadores optam por abastecer na África do Sul, de forma a evitar constrangimentos no trajecto de regresso a Maputo. Ainda assim, persistem dificuldades para garantir combustível suficiente para a viagem de retorno, agravadas pelo reajuste de preços no país vizinho.
“Estamos a enfrentar muitas dificuldades devido à situação do combustível, porque os nossos carros são obrigados a abastecer na África do Sul para poder ter reserva e vir buscar passageiros. Mas, considerando que lá também subiu bastante, até o próprio passageiro tem dificuldades para se deslocar até à praça”, explicou Fernando Jerónimo, transportador da rota.
A situação é agravada pela fraca procura. Os operadores queixam-se de dificuldades na angariação de passageiros, num contexto marcado também por limitações nas ligações interprovinciais e interdistritais.
“Nós, na área internacional, temos agora falta de passageiros. Não sei se as pessoas não estão a conseguir chegar aqui por falta de transporte. Nós temos combustível na África do Sul, mas está mais caro. Antes, um carro destes gastava cerca de 2.000 rands, agora chega a 4.000 rands, com o litro a cerca de 32 rands. Isto é um caos”, disse Artur Mutisse, outro transportador.
Os responsáveis pela rota mostram-se preocupados, mas asseguram que têm mantido o diálogo com os transportadores, com o objectivo de evitar a subida dos preços das passagens.
“Trabalhamos assim: no início do ano há sempre uma taxa que ajustamos por causa da subida do combustível. Em Janeiro aumentámos 30 rands, mas agora já não. Mantemos o preço desde então”, explicou Jonas Fumo, responsável da rota África do Sul.
Segundo o responsável, “às vezes um carro fica dias sem carregar. Quando chega a vez de carregar, em vez disso anda à procura de combustível e não encontra. Nesse caso, não pode viajar. Temos de arranjar outro carro que tenha combustível para ir até à fronteira”.
Apesar de o Governo garantir a existência de combustível suficiente no país, várias bombas continuam, este domingo, com longas filas, enquanto outras permanecem encerradas


