O País – A verdade como notícia

Esteve cortada, desde a manhã desta quinta-feira, a ligação Sul e o resto do país através da  estrada Chissano-Chibuto, que cedeu ao fluxo de viaturas  de elevada tonelagem. A Administração Nacional de Estradas esteve a trabalhar todo dia desta quinta-feira e conseguiu fechar as zonas que obrigaram à interrupção e reabriu a transitabilidade ao princípio da noite de ontem. Ainda assim, a Administração Nacional de Estradas apela a todos os automobilistas a pautarem pela prudência na condução e respeitar toda sinalização colocada ao longo da via, dada  a transitabilidade condicionada devido aos trabalhos que continuam no terreno.

Cerca de á 24 horas depois do O País ter reportado a queda de dois camiões na via Chissano-Chibuto, na província de Gaza, um troço importante que garantia a ligação entre o Sul e as restantes regiões do país, devido a intransitabilidade da EN1 na baixa de Xai-Xai, e que está a sofrer grande pressão por estas alturas, na manhã desta quinta-feira a mesma acordou plenamente intransitável.

O facto derivou de um vazio por baixo da base que tinha sido criado, numa zona que se encontrava oca durante o galgamento pelas águas das inundações, e que obrigou a uma infra-escavação, já que os solos foram removidos pela acção da água.

A confirmação foi feita por Jeremias Mazoio, delegado da Administração Nacional de Estradas em Gaza, que disse que a descoberta só foi possível depois de uma inspecção feita na via.

“Os solos foram removidos pela acção da água e como o pavimento aparentemente está bom, a base está boa, o asfalto está bom, são situações que não se detetam de imediato”, disse.

Depois que se detectou a situação, e antes que haja uma situação de ruptura, que pode acontecer durante a passagem de uma viatura e criar um desastre, o delegado da ANE disse que houve necessidade de se interromper momentaneamente o tráfego para permitir que o empreiteiro fizesse uma reparação naquele ponto. 

“A reparação consiste em demolir a base naquele local para poder preencher o espaço vazio constatado e voltar-se a colocar tudo ao mesmo nível e abrir-se ao tráfego. Esta é uma acção que vai levar poucas horas, o empreiteiro está a mobilizar a máquina para o local onde precisa fazer essa intervenção e assim que essa intervenção já tiver sido concluída, abre-se normalmente a circulação do tráfego”, esclareceu Jeremias Mazoio.

O delegado da ANE em Gaza destacou que as situações de interrupção poderão acontecer em outros locais que ainda não foram detectados, até que “é daí que se vai fazendo essa verificação ao longo dos dias para que caso as situações sejam verificadas, sejam rapidamente corrigidas”. 

Mazoio esclareceu que a previsão da execução dos trabalhos era de algumas horas, sendo que havia ainda previsão de reabertura do tráfego ainda ontem para que os carros fluem normalmente no trânsito.

Entretanto, sabe-se que há camiões de carga muito elevados que têm estado a circular na via, violando a recomendação da tonelagem estabelecida, ou seja, camiões com mais de 10 toneladas. 

Jeremias Mazoio esclarece que o excesso de peso é sempre uma preocupação para a Administração Nacional de Estradas e que a situação não aconteceu por causa do peso, mas sim devido a acção da água.

“Portanto é um vazio que não foi detectado de imediato, quase agora constatou-se que existe lá e tem de ser reparado. Então é uma situação que nós deveríamos verificar em outros pontos porque também pode estar a acontecer em outros locais. Aliás, esse é o exemplo do receio que temos vindo a dizer quanto à abertura da EN1 aqui neste ponto”, disse. 

Outrossim, Jeremias Mazoio destacou que há ainda troços da EN1 que estão submersas e com o sinal de estar a haver alguma infra-escavação, o que não permite abertura da via, uma vez que pode causar situações graves em caso de passagem de camiões, até porque a estrada ainda está submersa nas águas.

“Então é daí que continuamos a monitorar a EN1 até que a água desapareça por completo da estrada e havendo algum conforto quanto à integridade da estrada será anunciada a abertura ao tráfego”, disse Mazoio.

O delegado da ANE em Gaza disse que a intransitabilidade que se observa na N220, que liga Chissano a Chibuto, deve-se a questões técnicas que deverão ser intervencionadas. Em relação à EN1 na baixa da cidade de Xai-Xai, o trabalho continua a ser realizado e ainda não há data para a sua reabertura.

Há pessoas a aguardar pela carta de condução biométrica após renovação há já três anos. Os condutores dizem que o  INATRO está a faltar-lhes com a verdade e exigem que melhore a sua coordenação com polícia de trânsito para evitar multas.

No dia 27 de Janeiro, o Administrador do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários, Cláudio Zunguze, deu uma Conferência de Imprensa, na qual anunciou que a partir do sábado passado, 31 de Janeiro, a fábrica de produção das Cartas de Condução Biométricas passaria a funcionar seis dias por semana. A comunicação de  Zunguze, pode ter animado a muitos utentes do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários que há muito já aguardavam pelas respectivas cartas de condução. 

Desde o início da semana o número de condutores que buscam levantar as suas habilitações biométricas cresceu, mas todos que entram e saem do INATRO, delegação da Cidade de Maputo, saem desapontados. 

Sem acesso ao interior da instituição, O País encontrou nas imediações da delegação do INATRO, condutores que procuram cartas biométricas há três anos. 

“É constrangedor vir aqui todos os dias e sempre averbamento 90 dias”, desabafou Geronea Sambo, uma utente com carta provisória emitida a 20 de Março de 2023. “É melhor voltar a carta antiga, porque a biométrica não estão a conseguir” pediu outro utente, Narciso Sitoe, apelando a melhor coordenação entre entre a polícia de trânsito e INATRO.

“Se passar três dias após os aumentos improvisados que INATRO atribui de 90 em 90 dias, e a polícia de interpelar na estrada, são problemas. O INATRO deve dizer à polícia que não estão a conseguir ser céleres”

Para esta materiais, o INATRO não aceitou gravar entrevista. A divisão de comunicação institucional disse ter dado uma suficiente conferência de imprensa no último dia 27 de janeiro, e a instituição continua com esforços de duplicação da capacidade de produção, de 750 para 1500 cartas diárias.

A cidade da Matola celebrou, ontem, 54º aniversário de elevação a esta categoria, com olhos postos no combate à corrupção, inundações urbanas e ao desemprego.

Uma cidade em expansão, que cresce em extensão e população.  

Somando a cidade cimento e os bairros de expansão, a população da Matola chega a atingir 1.5 milhões de pessoas, sendo agora a mais populosa do País. 

Considerada cidade industrial, o seu crescimento é marcado por desafios antigos, alguns deles sobejamente conhecidos: desemprego, criminalidade urbana, transporte e gestão de resíduos sólidos…Mas não é de desafios que pretendemos falar. 

Em meio a desafios, Matola parou nesta quinta-feira, para celebrar os 54 anos de elevação à categoria de cidade.

Após a deposição de flores na praça dos herois local, o Edil da Matola reiterou se tratar de uma efeméride celebrada com tristeza. 

“Celebramos esta efeméride num momento particularmente marcado pelos impactos das inundações severas que assolaram a nossa Cidade, afectando 62.580 pessoas, das quais 2.684 ficaram alojadas em 11 Centros de acomodação temporária, com registo de 4 óbitos. Os impactos estendem-se igualmente em danos a infraestruturas sociais e económicas com destaque para 4 unidades sanitárias, 6 escolas, 10 estradas profundamente danificadas, entre outros”, listou Júlio Parruque.

Prejuízos à parte, Júlio Parruque decidiu fazer uma autoavaliação dos dois anos de Governação municipal. Os municípios receberam elogios na contribuição tributária. 

“Recalcar a nossa gratidão e felicitação aos Matolenses e a todos que de forma mais dedicada contribuíram para o nosso bom desempenho em 2025 com um crescimento de 103.80% de receita global até o mês de Setembro quando comparado com o ano de 2024”, disse Parruque”, mas há muito que Parruque diz que já fez por Matola, nestes dias.

“Construímos ao longo desse tempo, mais de 35 km de estradas urbanas, a nossa rede viária cresceu em cerca de 18 por cento. Estamos a concluir a estrada Sidwava-Mwanatibjana (asfalto), zona-verde – dlhavela (pave), Muhalaze-mgodlhoza-Mukhatine (asfalto), são mais de 20 km de estradas em obras de conclusão”.

A gestão de resíduos sólidos, gestão de águas da chuva e o desemprego juvenil compõem a lista dos desafios reconhecidos pelo Edil. 

“Implementamos em 100 por cento a iniciativa Avante Jovem. São 7.5 milhões de meticais que entregamos à juventude, anualmente. Criamos mais 150 postos de emprego para a Polícia Municipal: mais do que emprego é o dever de servir ao município, mas queremos acabar com os ruídos de que há venda de vagas para acesso à PM, isso é crime. Queremos eliminar”, disse, ameaçando levar à barra do tribunal todos aqueles que se envolvem em esquemas.

Para reforçar a recolha do lixo, o Município da Matola entregou 11 viaturas de recolha de lixo e de inertes, três viaturas de fiscalização para a polícia municipal e duas motobombas, para reforçar a sucção de águas.  

Foi igualmente inaugurado um posto de abastecimento de combustível, com participação do Município da Matola. E o transporte público é o principal beneficiário.

O Governo provincial apela aos outros municípios da província a apostarem neste tipo de investimentos para a subsistência das autarquias.

O Presidente da República,  Daniel Chapo, condena, em termos firmes e  veementes, o atentado contra o jornalista Carlitos Cadangue,  correspondente da STV em Manica, ocorrido na noite de ontem, em Chimoio. 

O Presidente da República exige, das autoridades competentes,  esclarecimento deste atentado, devendo os seus perpetradores  serem levados à justiça.

“Somos um país onde a Liberdade de Imprensa deve prevalecer  e continuaremos a lutar firmemente contra o crime organizado,  que não tem como triunfar no nosso País. O medo e a  insegurança são inimigos da liberdade, da democracia e do  desenvolvimento”, afirmou o Chefe do Estado. 

O Presidente da República expressa a sua solidariedade ao  jornalista Carlitos Cadangue e à sua família, bem como à  comunidade jornalística, em geral, e ao Grupo SOICO,  proprietária da STV.

O Sindicato Nacional de Jornalistas, na província de Manica, ameaça não fazer cobertura jornalística  de alguns eventos governamentais, caso não haja esclarecimentos do atentado criminoso contra o jornalista Carlitos Cadangue. A organização exige uma investigação célere. 

“Nós, como Sindicato Nacional de Jornalistas, exigimos uma investigação célere e independente, uma investigação, acima de tudo transparente, porque não pode prevalecer o Estado de ditadura”, disse Nelson Benjamin do Sindicato de Jornalistas em Manica, reagindo ao atentado contra o jornalista da STV em Manica, Carlitos Cadangue. 

Benjamim disse ainda que é preciso que não haja interferência dos “poderosos” na investigação, para que o caso seja esclarecido. “É preciso compreender que o nosso colega sofre o atentado numa altura em que vem se evidenciando as reportagens sobre a mineração (…) Como sabem, a mineração envolve  muitas pessoas poderosas, que vão vendo os seus negócios fragilizados”, sublinhou. 

O Sindicato em Manica ameaça boicotar a cobertura de eventos governamentais, se o caso não for esclarecido. “Se não ocorrer uma investigação responsável e transparente, nós, como SNJ, em coordenação com os órgãos de comunicação social, ponderamos até a não cobertura de certos eventos do Governo, para que haja resposta clara e eficiente”. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a continuação de ocorrência de chuvas moderadas a fortes, nas províncias de Cabo Delgado e Niassa. 

Segundo o comunicado do INAM, serão afectados, na província de Cabo Delgado, os distritos de Nangade, Muidumbe, Mueda, Montepuez, Balama, Namuno, Mecufi, Chiúre, Metuge, Ancuabe, Quissanga, Ibo, Meluco, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma e cidade de Pemba. 

Já em Niassa, as chuvas far-se-ão sentir nos distritos de Marrupa, Nipepe, Mecula, Mavago, Majune, Maúa, Metarica, Cuamba, Mandimba, Ngauma, Chimbonila, Sanga, Muembe, Lago e cidade de Lichinga.

Adicionalmente, o INAM prevê a continuação de chuvas em regime fraco a moderado na província de Nampula.

O Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) considera inaceitável que jornalistas continuem a ser alvos  de intimidação, violência e perseguição pelo exercício do seu dever profissional de informar. 

O SNJ reagiu ao atentado contra o correspondente da STV em Chimoio, capital provincial de  Manica, Carlitos Cadangue, que foi, na noite de ontem, vítima de atentado à mão armada,  quando a viatura em que se fazia transportar foi crivada de balas, à chegada à sua residência. 

O atentado ocorreu no bairro de Trangapasse, arredores de Chimoio. Indivíduos desconhecidos e encapuzados abriram fogo contra a viatura. 

O Secretariado Executivo do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) “repudia veementemente  este acto bárbaro, covarde e de intimidação contra um profissional da comunicação social. Considera também inaceitável que jornalistas continuem a ser alvos  de intimidação, violência e perseguição pelo exercício do seu dever profissional de informar”. 

Igualmente, o Sindicato apela às autoridades competentes à investigação séria e célere das circunstâncias  em que o atentado de Chimoio ocorreu, com vista ao rápido esclarecimento dos factos; à identificação dos autores (morais e materiais) e à consequente responsabilização dos mesmos,  para que este acto condenável não fique impune.

A Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos (RMDDH) manifestou preocupação e condenou veementemente o atentado contra o jornalista Carlitos Cadangue, da STV, ocorrido ontem, na província de Manica. 

“Este acto constitui uma grave violação da liberdade de imprensa, do direito à informação e dos princípios fundamentais do Estado de Direito. Ataques contra jornalistas representam ameaças directas à democracia e criam um ambiente de medo e intimidação que compromete o exercício livre e independente do jornalismo”, lê-se no comunicado.

A RMDDH exige ainda que uma investigação célere, independente e transparente sobre o atentado, e apela à responsabilização dos autores morais e materiais do crime. 

A organização insta as autoridades a adoptarem medidas concretas para garantir a protecção dos jornalistas e defensores de direitos humanos.

O Grupo SOICO manifestou a sua profunda indignação e veemente repúdio pelo atentado criminoso contra o jornalista Carlitos Cadangue, correspondente da STV na província de Manica, ocorrido ao princípio da noite desta quarta-feira, a escassos metros da sua residência e na presença do seu filho menor.

‎De acordo com o comunicado, a viatura do jornalista foi alvo de vários disparos de arma de fogo efectuados por indivíduos encapuzados, que aparentavam trajar indumentária semelhante à das forças de segurança. Apesar de Carlitos Cadangue e o seu filho não terem sofrido ferimentos físicos, o Grupo SOICO considera o acto uma grave ameaça à vida, à integridade psicológica da família e um ataque directo à liberdade de imprensa e ao direito à informação.

‎O documento sublinha que o atentado ocorre num contexto em que o jornalista vinha desenvolvendo reportagens de investigação sobre práticas ilícitas no sector mineiro na província de Manica e os seus impactos sociais, económicos e ambientais, matérias de elevado interesse público. O comunicado recorda ainda que, no passado recente, o jornalista havia reportado ter recebido alertas e ameaças em função do seu trabalho profissional.

‎Para o Grupo SOICO, o ataque constitui uma tentativa clara de intimidar a comunicação social, silenciar o jornalismo de investigação e instaurar um clima de medo entre profissionais da área, representando uma ameaça ao espaço democrático, ao escrutínio público e à transparência na gestão da coisa pública.

‎Perante a gravidade dos factos, o Grupo SOICO repudiou energicamente o atentado e toda e qualquer forma de violência, intimidação ou perseguição contra jornalistas, expressou total solidariedade para com Carlitos Cadangue e a sua família e garantiu acompanhamento institucional e apoio neste momento. A organização exige ainda às autoridades competentes uma investigação célere, independente, transparente e eficaz, que conduza à responsabilização dos autores morais e materiais do crime.

‎O comunicado apela igualmente ao reforço imediato das medidas de protecção e segurança para jornalistas, em particular aqueles que realizam trabalhos de investigação em contextos sensíveis, envolvendo criminalidade económica, corrupção e actividades ilícitas.

‎O Grupo SOICO reafirma, por fim, que a STV e o grupo não se deixarão intimidar, reiterando o seu compromisso com a verdade, o interesse público, a legalidade e a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, sublinhando que atacar um jornalista é atacar a democracia e silenciar a imprensa é comprometer o futuro do país.

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