O País – A verdade como notícia

O ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, recebeu em audiência o embaixador da Argélia acreditado em Moçambique, num encontro marcado pela vontade política de aprofundar a cooperação bilateral nos sectores da juventude e do desporto.

Durante a audiência, as duas entidades passaram em revista diversos aspectos estratégicos ligados ao desenvolvimento da juventude e à promoção do desporto, sublinhando a importância de fortalecer os mecanismos de cooperação institucional e dinamizar a implementação de projetos conjuntos de interesse mútuo.

O encontro evidenciou uma convergência de visões sobre o papel da juventude e do desporto como instrumentos de desenvolvimento social, inclusão e fortalecimento das relações entre os povos.

Na ocasião, Manasse reiterou o convite anteriormente formulado, durante a sua deslocação à Argélia, dirigido aos ministros da Juventude e do Desporto daquele país, para efectuarem uma visita oficial a Moçambique.

O objectivo da visita é aprofundar o diálogo bilateral, identificar novas áreas de parceria e consolidar iniciativas concretas de cooperação entre as duas Nações.

Por sua vez, o embaixador da Argélia manifestou satisfação pelo actual nível das relações entre os dois países, destacando o compromisso de trabalhar para que, durante o seu mandato, a cooperação bilateral alcance patamares ainda mais elevados, com resultados concretos para a juventude e o desporto.

Importa salientar que Moçambique e Argélia mantêm relações históricas de amizade e solidariedade desde o período da Luta Armada de Libertação Nacional, um legado que continua a servir de base sólida para o reforço contínuo das relações diplomáticas e da cooperação estratégica entre os dois Estados.

Moradores da Cidade de Maputo denunciam que continua o fornecimento de água turva, amarelada e com cheiro nas torneiras, um cenário que tem gerado medo de doenças e crescente indignação. Enquanto isso, as águas de Moçambique asseguram que a coloração resulta da época chuvosa e não representa risco para a saúde.

A reportagem do “O País” percorreu três bairros da capital, Inhagoia, FPLM e Polana Caniço A, onde constatou, no terreno, um cenário que contraria os padrões básicos que definem a água potável. De acordo com critérios universalmente aceites, a água própria para consumo humano deve ser incolor, inodora e sem sabor. Contudo, o que sai das torneiras apresenta coloração acastanhada, turvação visível e cheiro desagradável.

Em Inhagoia, um dos bairros mais afectados, os moradores descrevem uma realidade alarmante e angustiante, “a água sai toda com sujidade, até temos medo de beber essa cor de água (…) sai um pouco amarelado, com um bocadinho de matope, mas depois deixa a matope pra baixo e fica água em cima com amarelado”, relatou um residente, evidenciando o nível de impureza visível no líquido.

A preocupação não se limita apenas à aparência da água, mas estende-se aos riscos para a saúde. Muitas famílias dizem temer o surgimento de doenças associadas ao consumo de água imprópria, sobretudo entre crianças e idosos.

No bairro FPLM, a indignação é expressa em tom de revolta e desespero. “A água que sai é suja, será que ficam felizes ou é para morrermos, não sabemos. A água cheira de verdade, não conseguimos consumir”, afirmou Clézia Jorge, uma das residentes afectadas, que questiona a segurança do abastecimento.

Na Polana Caniço A, o cenário repete-se, com relatos de problemas de saúde associados ao consumo da água. Amélia Machava descreve os sintomas enfrentados por algumas famílias, “depois já consumir com dificuldade… porém, a diarreia, dor de barriga…”

Sem garantias de qualidade, os moradores são obrigados a procurar alternativas para garantir o acesso à água. Muitos recorrem a furos ou optam por comprar água, o que aumenta significativamente os custos mensais e agrava a já difícil situação económica das famílias.

Ainda assim, o acesso a essas alternativas nem sempre é fácil. Em alguns casos, surgem conflitos entre vizinhos, sobretudo quando há partilha de água. “Quando vais pedir água, os que têm água da Católica dizem que vão cortar o fornecimento… não apanhamos água. Vamos pedir no mercado, há quem tem água dos furos”, contou Leia Gabriel, residente no bairro FPLM.

Além do consumo, a qualidade da água afecta outras actividades básicas do quotidiano, como cozinhar e lavar roupa. “Para lavar roupa, se for branca, vai sujar, deixa com nódulos… e para cozinhar também não dá, porque mesmo cozinhando pode prejudicar”, relatou outra moradora de Inhagoia, evidenciando o impacto directo na vida doméstica.

Entretanto, a empresa Águas de Moçambique assegura, em comunicado, que a água fornecida não representa perigo para a saúde pública. Segundo a entidade, a alteração na coloração está associada à época chuvosa e a ajustes operacionais no processo de tratamento da água.

“Durante o ajuste operacional do processo de tratamento, a água distribuída apresentou alterações na coloração acima dos valores normativos estabelecidos. Importa clarificar que estes parâmetros são de natureza estética e não representam risco para a saúde pública, sendo que a desinfecção foi assegurada em toda a cadeia de tratamento, não tendo sido comprometida a segurança sanitária da água”, refere o comunicado.

Apesar das garantias oficiais, a explicação não convence os consumidores, que continuam a questionar a qualidade do serviço prestado e a transparência das informações divulgadas. A desconfiança aumenta à medida que o problema persiste sem solução visível.

Outro ponto de tensão prende-se com o custo do serviço. Mesmo com a qualidade da água em causa, os moradores afirmam que as facturas continuam elevadas, o que agrava ainda mais a insatisfação. “Nós cansamos de reclamar… não tem uma factura de 500, são 700, 800, mil ou mil meticais para cima”, denunciou Clézia Jorge, acrescentando que muitos residentes já ponderam abandonar o sistema formal de abastecimento.

A possibilidade de desvinculação do sistema surge como forma de protesto e tentativa de encontrar alternativas mais seguras, embora nem todos tenham condições para tal. A sensação de insegurança é generalizada entre os moradores. “Não estamos seguros”, resumiu um residente de Inhagoia, reflectindo o sentimento colectivo de incerteza.

Para muitos, a situação ultrapassa a questão estética e coloca em causa direitos básicos, como o acesso à água potável e à saúde. Enquanto isso, as Águas de Moçambique garantem que a situação tende a normalizar com o fim dos impactos da época chuvosa.

A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ) e a Embaixada da Suécia, em Maputo, promoveram hoje, uma “mesa-redonda”, dedicada ao tema “Avanço dos Direitos das Mulheres, Proteção e Segurança Sensível ao Género em Moçambique.” 

 A mesa-redonda, organizada no âmbito do Mês da Mulher em Moçambique, teve como objectivo aprofundar a compreensão partilhada sobre a forma como os direitos das mulheres se articulam com os direitos humanos, a segurança nacional e a resiliência comunitária em Moçambique. Os participantes analisaram os impactos dos conflitos, do extremismo violento e dos choques climáticos sobre mulheres e raparigas, em particular na região do Norte do país.

Paralelamente, visou reforçar a coordenação e o diálogo entre actores militares, instituições civis e parceiros internacionais no domínio da protecção com perspectiva de género e da construção da paz.  

 Nesta iniciativa, foram identificadas acções práticas, que promovem a participação das mulheres em iniciativas de segurança, paz e recuperação, e culminou na formulação de recomendações concretas alinhadas com o tema do Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de Março de 2026: “Direitos, Justiça e Ação para Todas as Mulheres e Raparigas”. 

 Estiveram presentes no evento, elementos das Forças Armada de Defesa de Moçambique (FADM), diversos estados-membros da União Europeia, agência das Nações Unidas e Organizações da Sociedade Civil, incluindo organizações lideradas por mulheres. 

 A EUMAM MOZ esteve representada pelo Tenente-Coronel Dominik Horn, Assessor de Género, acompanhado por elementos da Missão, e a Embaixada da Suécia pelo Embaixador Andrés Jato, reforçando desta forma, o compromisso da União Europeia com a integração da perspetiva de género nas suas atividades. 

Os transportadores da província de Sofala queixam-se de interferência negativa de alguns concorrentes estrangeiros, que operam de forma ilegal, definindo  os preços no mercado,  o que pode levar os associados a falência.  Os mesmos  optam pela prática de pagamentos em numerário,  cujas divisas não passam pelo Banco Central. 

De acordo com a Associação dos Transportadores Rodoviários de Carga de Sofala (ASTROS), os transportadores nacionais cada dia que passa estão a perder o poder de decisão.

O presidente da ASTROS, que falava no final de um encontro dos associados com objectivo de encontrar soluções aos desafios que a classe enfrenta actualmente, explicou que este facto acontece porque o sector está infestado de transportadores estrangeiros desonestos.

A Associação dos Transportadores Rodoviários de Carga de Sofala indicou  que há outros problemas que contribuem para fragilizar a classe, nomeadamente a emissão de permit.

A Associação dos Transportadores Rodoviários de Carga de Sofala terminou chamando atenção ao Governo para se relacionar com os mesmos como parceiros fundamentais na cadeia logística.

Está novamente interrompida, desde às 9 horas desta quinta-feira, a  circulação na Estrada Nacional Número Um (EN1), na zona de Nguluzane, em Xai-Xai, na província de Gaza, na sequência do transbordo do Rio Limpopo. Trata-se do segundo corte em menos de 24 horas.

A EN1 encontra-se, desde as 9 horas, desta quinta-feira,  intransitável. Segundo o presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Ossemane Adamo, o corte da via resultou da força das águas, que provocaram o agravamento de uma  infra-escavação  nas margens. 

“A cidade enfrenta uma nova vaga de inundações, provocada pela subida do caudal do rio Limpopo,  por isso, desta a via está interdita para dar lugar a trabalhos de reparação do rombo provocado pela corrente”, avançou o edil Ossemane Adamo.

As águas ganharam terrenos na baixa, elevando para 10 o número de bairros alagados.

O número de afectados  continua a aumentar. De acordo ossemane Adamo, mais de 5 mil  pessoas já abandonaram a cidade,  enquanto mais de  10 mil pessoas  permanecem nas áreas de risco.

O presidente do Conselho Municipal reforça apelos para a imediata saída das famílias que ainda se encontram na zona baixa. 

Já são conhecidos os quatro nomes que concorrem a sucessão de Carlos Martins. São eles: Thera Rosalina, Joaquim Dai, Staylier Marroquim, Pedro Gomes Macaringue e Samuel dos Santos Hlavanguane. 

As eleições, que vão também eleger a Mesa da Assembleia Geral, o Conselho Nacional, o Conselho Jurisdicional e Conselhos Provinciais,   estão marcadas para 25 de Abril do corrente ano. 

A promoção do empreendedorismo juvenil tem-se afirmado como uma das estratégias fundamentais para combater o desemprego em Moçambique. Neste contexto, a Fundação para o Desenvolvimento da Competitividade Empresarial (FUNDEC) lançou uma iniciativa de apoio a projectos liderados por jovens, com financiamento que pode atingir um milhão de meticais.

O principal objectivo do projecto é estimular iniciativas com potencial de impacto económico e social. Segundo Agostinho Vuma, presidente da FUNDEC, a proposta visa “identificar e alavancar iniciativas juvenis com a capacidade de gerar emprego para outros jovens”, contribuindo directamente para a redução do desemprego no País.

Trata-se, portanto, de uma abordagem que não apenas apoia empreendedores individuais, mas também incentiva a criação de oportunidades para terceiros.

Para além do financiamento a projectos juvenis, a FUNDEC estende o seu apoio ao sector da comunicação social, através da atribuição de prémios a jornalistas de investigação.

Esta componente, segundo disse Vuma, reforça a importância da transparência e do jornalismo de qualidade no desenvolvimento socioeconómico, reconhecendo o papel da imprensa na promoção da boa governação.

A iniciativa foi bem acolhida pelo Governo, que manifestou abertura para colaborar na sua implementação.

O ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, destacou que “esta acção que a FUNDEC traz é mais uma acção muito importante que deve ser acarinhada”, sublinhando ainda a necessidade de mobilizar mais empresários para apoiar este tipo de programas.

Segundo o governante, Moçambique possui um grande potencial empreendedor, afirmando que “temos muitos jovens empreendedores em todos os cantos deste País”.

Entretanto, o contexto económico em que a iniciativa surge apresenta desafios significativos. A saída de grandes empresas do mercado nacional, como a Mozal, levanta preocupações quanto ao impacto no emprego e no crescimento económico.

Conforme foi referido por Agostinho Vuma, “há preocupação em relação ao nível de emprego que vai se colocar no mercado”, evidenciando os riscos associados à redução da actividade industrial.

Além disso, a importância dessas grandes empresas para a economia nacional é considerável. Dados indicam que a saída da Mozal representa cerca de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB), o que reforça a necessidade de estratégias alternativas para dinamizar a economia.

Nesse sentido, iniciativas como a da FUNDEC tornam-se ainda mais relevantes, ao promoverem o empreendedorismo como mecanismo de mitigação dos efeitos do desemprego.

O apoio às iniciativas juvenis surge como uma resposta estratégica aos desafios económicos enfrentados por Moçambique. Ao incentivar o empreendedorismo e a inovação, a FUNDEC contribui para a criação de emprego e para o fortalecimento do tecido empresarial, ao mesmo tempo que reforça o papel da juventude como agente central no desenvolvimento do País.

As recentes cheias no município de Xai-Xai, na província de Gaza, têm provocado perdas humanas, destruição de bens e um agravamento significativo das condições de vida das populações afectadas. A situação revela, não apenas a vulnerabilidade das comunidades às intempéries, mas também os desafios enfrentados na gestão de desastres naturais.

Um dos episódios mais trágicos foi a morte de um jovem de 24 anos, arrastado pela corrente enquanto tentava pescar numa vala no bairro de Nguluzane. Segundo relatos, o jovem encontrava-se numa embarcação improvisada quando ocorreu o incidente, evidenciando o risco a que muitos se expõem em busca de meios de subsistência. Segundo referiu uma testemunha, “um jovem perdeu a vida” ao tentar aproveitar os recursos disponíveis, mesmo em condições perigosas.

Apesar dos alertas das autoridades, muitos residentes continuam a desafiar as águas, motivados pela necessidade económica. A própria população reconhece o risco, mas justifica a prática afirmando que depende da pesca para sobreviver: “a gente está esperando aquele peixe, porque se não tivermos, a gente não vai apanhar caril cá”, disse um residente. 

Essa realidade demonstra o dilema entre segurança e sobrevivência enfrentado pelas comunidades locais.

As cheias também afectaram gravemente a mobilidade e a infra-estrutura. A interrupção de vias rodoviárias deixou centenas de pessoas retidas por várias horas, gerando pânico e transtornos. 

Segundo relatou Maria Sambol: “estou aqui desde há umas quatro horas”, ilustrando as dificuldades enfrentadas pelos utentes da via. Muitos foram obrigados a percorrer longas distâncias a pé, carregando bens, como forma de contornar o bloqueio.

O impacto social das inundações é igualmente alarmante. Estima-se que cerca de “5 mil famílias perderam tudo num piscar de olhos”, ficando sem abrigo, bens e meios de subsistência, tal como disse Ossemane Adamo, edil de Xai-Xai. 

Em vários bairros, a situação continua a agravar-se, com o nível da água a subir e a incerteza a dominar o quotidiano das populações. Como relatam alguns residentes, “não sabemos o que vai acontecer amanhã”, evidenciando o clima de insegurança e desespero.

As autoridades locais indicam que pelo menos nove bairros estão alagados, com milhares de pessoas já deslocadas para centros de acolhimento. Contudo, os desafios logísticos são enormes. Há riscos iminentes de interrupção de serviços essenciais, como energia e abastecimento de água, e limitações nos meios de socorro. Conforme alertou Jeremias Mazoio, administrador da ANE em Gaza, “não temos helicópteros na província para poder fazer socorro via aérea”, o que dificulta operações de emergência.

Outro factor preocupante é a degradação das infra-estruturas de protecção, como diques e barreiras. Regista-se a existência de vários pontos de ruptura, com destaque para “um total de oito rombos no dique”, o que contribui para a progressão descontrolada das águas. Esforços estão a ser feitos com recurso a sacos de areia para conter a situação, mas os resultados ainda são limitados.

Além disso, o isolamento de comunidades agrava a crise humanitária. Mais de 14 mil pessoas enfrentam dificuldades de acesso à cidade, essencial para o abastecimento de bens básicos e serviços. Muitas dessas famílias dependem da agricultura e do comércio local, actividades severamente afectadas pelas cheias.

A situação em Xai-Xai evidencia uma crise multifacetada, que combina tragédia humana, vulnerabilidade social e limitações estruturais. A resposta a este cenário exige não apenas medidas de emergência, mas também estratégias de longo prazo para mitigar os efeitos de eventos climáticos extremos e reforçar a resiliência das comunidades.

Moçambique precisa de investir em infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias eficientes para reduzir o tráfego e o tempo de espera nos corredores logísticos, segundo o sector privado. Os patrões falavam no seminário sobre o Desenvolvimento do Corredor Logístico do Norte, com participação do Japão.

Novas ideias de investimentos e negócios podem sair dessa sala, onde estão reunidos empresários moçambicanos e japoneses a discutir o desenvolvimento do Corredor Logístico do Norte.

O porto de Nacala tem uma capacidade de manuseamento de carga equivalente a 252 mil contentores, que, segundo o sector privado, é de extrema importância  para a viabilização dos negócios.

Para o feito, a melhoria das vias e expansão da capacidade de manuseamento de carga é urgente, daí que a cooperação com o Japão é vista como impulsionadora do crescimento económico.

Já o embaixador do Japão reconheceu o valor estratégico do porto de Nacala, sobretudo para o desenvolvimento da região Norte.

Em representação do Governo, a secretária de Estado da Indústria e Comércio apontou reformas legais feitas pelo Estado para melhorar o ambiente de negócios e atrair mais investimento estrangeiro.

Moçambique empenha-se em consolidar o Porto de Nacala e o respectivo corredor logístico como uma plataforma de integração económica regional e materialização da Zona de Comércio Livre Continental Africana.

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