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As autoridades sanitárias na província de Nampula, norte do país, admitiram que a desinformação sobre cólera é uma barreira no combate à doença, com as comunidades a perseguirem e a apedrejar os agentes que trabalham na sensibilização.

O surto da cólera no país continua a aumentar os números da doença, com destaque para as províncias de Nampula, Cabo Delgado, Tete e Zambézia, onde já são mais de quatro mil casos diagnosticados.

Na província de Nampula, as autoridades sanitárias admitem que a desinformação sobre cólera tem sido uma barreira no seu combate, até porque as comunidades tem estado a perseguirem e a apedrejar os agentes que trabalham na sensibilização.

“São uma barreira, vamos assim dizer, para a implementação plena das políticas de saúde. É preciso reconhecer que, infelizmente, os actores comunitários, como são os casos dos líderes comunitários, os activistas e os agentes polivalentes têm sido perseguidos nas comunidades, têm sido apedrejados”, disse o médico chefe provincial, Geraldino Avalinho, citado pela comunicação social.

Em causa estão as recorrentes perseguições aos activistas e profissionais de saúde naquela província do norte de Moçambique face à desinformação sobre cólera, com as comunidades a alegarem que estes grupos são causadores da doença, quando uma nova vaga já soma mais de 1.800 casos em Nampula, preocupando as autoridades da saúde que recorrem às igrejas para sensibilizar.

“A única forma de conseguirmos fazer chegar as mensagens ao nível da comunidade é por intermédio das igrejas, de mesquitas, pelo que temos uma organização chamada COREM (Conselho de Religiões e Paz de Moçambique) que é uma rede inter-religiosa, que nos seus momentos forma alguns actores religiosos, para, no contexto da prevenção das doenças, com destaque para cólera, essas mensagens chegarem às comunidades”, disse Avalinho.

Na sexta-feira, a Lusa noticiou que Moçambique registou 473 novos casos de cólera e dois mortos nos primeiros quatro dias de Fevereiro, somando 61 óbitos desde o início deste surto, em Setembro, segundo dados de boletins oficiais.

De acordo com o último boletim da doença, da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 03 de Setembro a 04 de Fevereiro, do total de 4.340 casos de cólera contabilizados neste período, 1.832 foram na província de Nampula, com um acumulado de 23 mortos, 1.692 em Tete, com 28 óbitos, e 700 em Cabo Delgado, com oito mortos.

No balanço anterior, até 31 de Janeiro, registavam-se 3.867 casos de cólera neste surto, com 59 mortos.

Só nas 24 horas anteriores ao fecho do último balanço, ou seja, de 02 a 03 de Fevereiro, foram registados 110 novos casos, bem como um abandono, de um doente internado. No dia 04 de Fevereiro estavam internados 57 doentes e 53 em ambulatório.

O surto está activo actualmente nos distritos de Marara, Tsangano, Moatize, Changara, Cahora Bassa e Tete, na província de Tete; em Guro, província de Manica; e Morrumbala, na Zambézia, centro do país. Ainda em Eráti e Memba, na província de Nampula; e Montepuez, Metuge, Pemba e Mecufi, em Cabo Delgado, no norte.

No surto de cólera anterior, com dados da Direcção Nacional de Saúde Pública de 17 de Outubro de 2024 a 20 de Julho de 2025, registaram-se 4.420 infectados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos.

As autoridades moçambicanas anunciaram antes que pretendiam vacinar, até este domingo, contra a cólera, mais de 1,7 milhões de pessoas em cinco distritos de quatro províncias do país, casos de Niassa, Cabo Delgado, Zambézia e Sofala.

Pelo menos 169 pessoas morreram em 2025 no país devido à cólera, entre cerca de 40 mil casos, avançou a 10 de Dezembro o ministro da Saúde, Ussene Isse, pedindo às comunidades respeito pelas medidas de higiene individual e colectiva.

O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera “como um problema de saúde pública” no país até 2030, conforme o plano aprovado a 16 de Setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais.

Quatro países europeus, Portugal, Bélgica, França e Suécia, enviaram a Moçambique 93 toneladas de produtos diversos para apoiar as vítimas das inundações, que já afetaram mais de 724 mil pessoas. 

O apoio, de acordo com a Lusa, foi entregue ao abrigo do mecanismo Relief EU Humanitarian Air Bridge (HAB) e inclui material médico, alimentos, abrigos e equipamentos para água, saneamento e higiene. A ajuda chegou hoje a Moçambique e será oficialmente entregue às autoridades na segunda-feira.

Portugal contribuiu com 21 toneladas de bens humanitários, recolhidos pela Rede Aga Khan para o Desenvolvimento e pela Cruz Vermelha Portuguesa, que serão distribuídos pela Aga Khan Moçambique e pela Cruz Vermelha Moçambicana. França enviou 10 toneladas de material de emergência, incluindo tendas e equipamentos de armazenamento de água, que serão distribuídos pela Organização Internacional para as Migrações (OIM). A Suécia enviou tendas e mantas para beneficiar cerca de 1.400 pessoas, e a Bélgica também enviou 10 toneladas de material humanitário.

As cheias, que começaram em janeiro, causaram 25 mortes, 147 feridos e 9 desaparecidos, e afetaram 170.392 famílias. Além disso, mais de 3.500 casas foram destruídas e 166.000 inundadas. Desde o início da época das chuvas, em outubro, o número de mortos ascende a 191, com 291 feridos e 845.144 pessoas afetadas, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). 

A Universidade Católica de Moçambique considera o atentado armado à vida do jornalista Carlitos Cadangue um acto de intimidação, violência  diz que representa uma agressão grave aos valores democráticos e ao bem comum. Segundo a instituição, a liberdade de imprensa, o exercício responsável do jornalismo e o direito à segurança pessoal são indispensáveis para a construção de uma sociedade justa, plural e informada.

A Universidade Católica de Moçambique diz que foi com profunda preocupação que tomou conhecimento do atentado de que o jornalista da Stv, Carlitos Cadangue, foi vítima.

A instituição refere que a ocorrência colocou em risco a vida do profissional do Grupo Soico e a segurança da sua família.

Consideramos que a liberdade de imprensa, o exercício responsável do jornalismo e o direito à segurança pessoal constituem pilares fundamentais do Estado de Direito, sendo indispensáveis para a construção de uma sociedade justa, plural e informada. Qualquer acto de intimidação, violência ou atentado contra profissionais da comunicação social representa uma agressão grave aos valores democráticos e ao bem comum.

A UCM sublinha a importância de que os factos sejam rigorosamente apurados pelas autoridades competentes, no estrito respeito pela legalidade, pela presunção de inocência e pelo regular funcionamento das instituições do Estado.

Neste contexto, a UCM reafirma o seu compromisso permanente com a defesa da dignidade humana, a promoção da verdade, do diálogo e da responsabilidade social, a formação de cidadãos críticos e comprometidos com a paz social, bem como com a promoção de uma cultura de não-violência.

A Universidade Católica de Moçambique reitera, enquanto instituição de ensino superior comprometida com a formação integral da pessoa humana e com a promoção do pensamento crítico, que defende valores éticos que sustentam uma sociedade democrática.

A Primeira-Dama,  Gueta Chapo, afirmou que o seu Gabinete continuará a reforçar o  apoio às famílias afectadas pelas cheias e inundações, durante uma  visita ao centro de acomodação instalado na Escola Primária 3 de  Fevereiro, nesta sexta-feira,  na Manhiça,  província de Maputo.

Gueta Chapo explicou que a deslocação  visava prestar solidariedade à população que viu as suas casas  submersas pelas águas, tendo sido forçada a abandonar os seus lares.  “Nós estamos aqui a visitar o distrito de Manhiça, porque a nossa  população abandonou as suas casas para estar aqui nesse local,  porque as casas encheram de água. Nós sabemos que aqui há muita gente, não é fácil um pequeno grupo de mulheres e homens  cozinharem para muita gente”. 

Para responder a essa dificuldade imediata, a Primeira-Dama  anunciou o reforço da equipa de apoio, sobretudo na preparação  das refeições, com vista a garantir a alimentação regular dos  deslocados. “Nós viemos com mais mulheres para ajudarem na  cozinha, para conseguirem ter um pequeno almoço a tempo, o  almoço também e o jantar”. 

Gueta Chapo informou igualmente que a sua comitiva transportou  diversos produtos alimentares e bens essenciais para reforçar o  armazém do centro de acomodação. “Nós trouxemos muitos produtos  para reforçar o nosso armazém, trouxemos arroz, trouxemos o peixe,  trouxemos feijão, trouxemos farinha, massa esparguete, trouxemos  igualmente papas, leite, fraldas para os nossos bebês. Trouxemos  muitas capulanas para todas as mulheres que estão aqui”. 

No domínio da higiene e dos cuidados básicos, a Primeira-Dama  detalhou a distribuição de vários artigos destinados a homens,  mulheres e crianças acolhidos no local. “Trouxemos baldes para  homens e mulheres, trouxemos pomadas, trouxemos sabão. Cada  mulher e cada papá terá uma barra de sabão. Trouxemos igualmente  chinelos para todos”. 

A atenção às necessidades específicas das mulheres e raparigas foi  igualmente destacada, bem como o apoio dirigido às crianças.  “Também trouxemos pensos higiênicos para as nossas meninas e para  as nossas mães, que ainda estão na idade reprodutiva. E para as  nossas crianças trouxemos muita bolacha. Trouxemos sumos para as  nossas crianças”. 

Segundo Gueta Chapo, o apoio incluiu ainda materiais para o bem estar e o lazer das crianças, bem como bens que poderão  acompanhar as famílias quando regressarem às suas residências.  “Trouxemos muita coisa para a nossa população poder receber e  também algumas coisas para levar para casa, que é capulana, que é  o balde. Trouxemos mantas”.

Gueta Chapo  anunciou que irá pernoitar no centro de acomodação junto de toda  a sua equipa, reforçando a escuta directa das preocupações da  população acolhida.

Subiu de 723 mil para 724 mil o número de pessoas afectadas pelas inundações registadas na presente época chuvosa em todo o país. Os dados foram avançados pela presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, que aponta para um cumulativo de 23 óbitos provocados pelas intempéries.

A actual época chuvosa ficará marcada na memória de milhares de famílias, sobretudo das regiões Centro e Sul de Moçambique, pelos piores motivos. Até esta sexta-feira, o número de vítimas voltou a aumentar, refletindo o impacto persistente das cheias em várias zonas do país.

“Estamos, neste momento, com 724 mil pessoas afetadas. Ontem (quinta-feira) estávamos com 723 mil e 500 e hoje atingimos 724 mil. Em termos de famílias, temos um total de 170 mil agregados afetados e, até ao momento, registámos 23 óbitos”, actualizou Luísa Meque.

Com a redução gradual do nível das águas em alguns bairros anteriormente inundados, o INGD começou a encerrar, de forma faseada, centros de acomodação temporária.

“Dos 119 centros que chegaram a estar abertos, estamos agora com 75 ativos. Ontem eram 77 e hoje conseguimos encerrar mais dois. Nestes 75 centros encontram-se cerca de 76 mil pessoas”, explicou a dirigente.

No âmbito do acompanhamento da situação no terreno, a presidente do INGD efectuou, nesta sexta-feira, uma visita à província de Gaza, onde decorrem acções de reassentamento no distrito de Chigubo. Segundo Luísa Meque, há sinais de envolvimento directo das comunidades no processo.

“As próprias populações estão a fazer a limpeza das áreas já identificadas para o reassentamento. Trata-se de zonas altas e seguras, e constatamos que algumas famílias já se começaram a posicionar nesses locais, manifestando vontade de sair definitivamente das áreas afectadas pelas cheias”, avançou.

A responsável destacou ainda a preocupação das comunidades com a perda quase total das culturas agrícolas, situação que levou à solicitação de sementes para relançar a produção.

“Há uma grande preocupação em aproveitar a humidade existente no solo. As comunidades pediram sementes para poderem retomar a produção à medida que as águas forem baixando. Para nós, foi encorajador ouvir essa preocupação e estamos a trabalhar para garantir a chegada de sementes ao distrito de Chigubo”, afirmou.

Relativamente às vítimas que continuam nos centros de acomodação, Luísa Meque apelou à solidariedade contínua de parceiros e da sociedade em geral, defendendo a necessidade de reforçar as doações de bens diversos para aliviar o sofrimento das populações afetadas.

Jornalistas em Manica marcharam, este sábado, em repúdio ao atentado contra Carlitos Cadangue. A marcha foi organizada pelo Sindicato Nacional de Jornalistas naquela província, que exige a protecção dos profissionais da comunicação social. 

“O povo tem direito à informação; não se cala a verdade com tiros; não matem jornalistas,” esta é uma das principais mensagens que os profissionais de comunicação social  baseados na província de Manica exibiam, neste sábado, numa marcha de repúdio contra o atentado a Carlitos Cadangue, jornalista da Stv.

Os jornalistas exigem protecção, esclarecimento sem demora e menos discurso das autoridades sobre o caso.

O sindicato diz que o atentado atiçou a unidade e determinação dos jornalistas e garante que não se vão deixar intimidar pelas tentativas de silenciamento. 

O atentado ao jornalista da Stv em Manica, Carlitos Cadangue, ocorreu, na quarta-feira, ao fim do dia, quando regressava à sua residência na companhia do seu filho.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alerta para a ocorrência de chuvas moderadas a fortes com trovoadas nas províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado.

Na província de Nampula serão afectados os distritos de Malema, Ribaué, Lalaua, Liúpo, Mossuril, Monapo, Meconta, Eráti, Mogincual, Ilha de Moçambique Nacala, Nacala-à-Velha, Memba e Nacarôa. Já em Niassa, as chuvas far-se-ão sentir nos distritos de Mecanhelas, Cuamba, Metarica, Mandimba, Ngauma, Chimbonila, Lago, Sanga, Muembe, Mavago, Majune, Maúa, Nipepe, Marrupa, Mecula e cidade de Lichinga.

Os distritos de  Nangade, Palma, Mocímboa da Praia, Muidumbe, Macomia, Meluco, Ancuabe, Quissanga, Ibo, Metuge, Mecufi Chiúre e cidade de Pemba também serão, segundo o comunicado do INAM, afectados pelas chuvas fortes. 

Adicionalmente, o INAM prevê a continuação de chuvas em regime fraco a moderado a norte das províncias de Tete e Zambézia.

As Nações Unidas apelam à mobilização urgente de 187 milhões de dólares norte-americanos, equivalentes a 158,7 milhões de euros, para responder à emergência humanitária provocada pelas cheias que afectam Moçambique desde janeiro último.

De acordo com um relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), citado pela Lusa e com dados até 03 de fevereiro, “a escala e o ritmo” da crise ultrapassam a capacidade de resposta actualmente disponível.

O documento refere que “inundações severas e persistentes afectaram vastas zonas do país, particularmente nas regiões sul e centro de Moçambique”, provocando o transbordo de rios, deslocação de comunidades e danos ou destruição de casas, escolas, unidades sanitárias, sistemas de abastecimento de água e infra-estruturas rodoviárias.

“As Nações Unidas e os parceiros humanitários estão a trabalhar em conjunto com as autoridades nacionais e locais para reforçar os sistemas nacionais, melhorar a coordenação e apoiar a prestação de assistência vital”, acrescenta o relatório citado pela Lusa.

Desde meados de janeiro, as cheias afectaram mais de 723 mil pessoas em todo o país, com cerca de 75 mil ainda acolhidas em centros de abrigo, além do registo provisório de 23 óbitos.

O OCHA reconhece que, até ao momento, apenas cerca de 90 mil pessoas receberam apoio, num universo de aproximadamente 620 mil pessoas identificadas como necessitando de assistência alimentar segura e outros apoios de emergência.

O aditamento ao Plano Nacional Humanitário de Resposta às Cheias de 2026 visa mobilizar 187 milhões de dólares para garantir assistência urgente e vital a cerca de 600 mil pessoas afectadas.

Do montante global, 65,5 milhões de dólares destinam-se ao reforço da segurança alimentar e dos meios de subsistência, incluindo apoio aos mais de 70 centros de abrigo ainda em funcionamento, sobretudo no sul do país, enquanto 28,4 milhões de dólares serão aplicados na provisão de abrigos e tendas.

Dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), também citados pela Lusa, indicam que mais de 723.500 pessoas foram afectadas pelas cheias registadas desde janeiro em várias regiões de Moçambique.

O Secretário de Estado na província de Manica, Lourenço Lindonde, visitou esta sexta-feira o jornalista Carlitos Cadangue, vítima de um atentado ocorrido na última quarta-feira, tendo-lhe manifestado solidariedade e encorajado a continuar a exercer a profissão.

Durante a visita, realizada um dia após o ataque, Lindonde aconselhou o jornalista a não desistir do jornalismo, sublinhando que toda a sua actividade profissional está legalmente protegida.

“Se há aspectos que devem ser melhorados, é muito importante que alguém diga o que está bem e o que está mal”, afirmou o representante do Estado em Manica, destacando o papel do jornalismo como um instrumento fundamental para ajudar o Estado a avaliar a sua própria actuação.

Na ocasião, Lindonde encorajou Cadangue a prosseguir com o seu trabalho, respeitando os princípios profissionais e a linha editorial do órgão de comunicação social para o qual trabalha.

“Continue a exercer a sua profissão, respeitando naturalmente aquilo que é a linha editorial da sua empresa”, reforçou.

O atentado contra Carlitos Cadangue ocorreu na noite da última quarta-feira e foi protagonizado por indivíduos até aqui desconhecidos. Até ao momento, as autoridades ainda não divulgaram informações sobre os suspeitos nem sobre as motivações do crime.

O caso continua a gerar preocupação no seio da classe jornalística e da sociedade civil, que apelam ao rápido esclarecimento do sucedido e à responsabilização dos autores.

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