As praias da Macaneta, em Marracuene, e da Costa do Sol, em Maputo, registaram grande afluência de banhistas, durante a transição do ano, obrigando ao reforço da vigilância e da segurança. Entretanto, depois do lazer, persiste um problema comum: o lixo deixado na areia, que ameaça o ambiente, a segurança dos utentes e a imagem turística do país.
Nos últimos tempos, a praia da Macaneta, no município de Marracuene, e a Costa do Sol, na cidade de Maputo, registam grande afluência de banhistas durante o tempo quente e durante a quadra festiva. No entanto, há incidentes de afogamentos.
“Aqui, na praia de Macaneta, eu posso dizer que teve um recorde, onde, no mês de Dezembro, tivemos, aproximadamente, 11 afogamentos e, em todos eles, ninguém foi salvo. Numa semana, chegamos a ter três afogamentos de uma única vez, então, a seguerança era daquelas muito pobres”, disse Rafael Matsuve, Chefe do Posto administrativo da Macaneta.
A situação levou as autoridades locais a reforçar significativamente as condições de segurança e vigilância no local. Ao longo da orla, torres elevadas servem de ponto de observação.
“Nós temos aqui, uma iniciativa que é o controlo da nossa praia que é o controlo dos banhistas, pois, se forem a ver, temos aqui umas torres, onde deixamos um nadador salva vidas, para poder controlar como os banhistas se comportam”, explicou o Chefe do Posto administrativo da Macaneta.
Lá no alto, nadadores-salvadores acompanham cada movimento no mar e na areia, atentos ao comportamento dos banhistas e prontos para agir em caso de perigo.
No apoio à vigilância, o Município de Marracuene dispõe de meios de salvamento que permitem uma resposta rápida e que facilitam a intervenção em situações de enchentes ou emergência.
Fora da água, a prevenção continua. Kits de primeiros socorros garantem o atendimento imediato às vítimas resgatadas, numa fase crucial antes da chegada ao hospital.
O objetivo é claro: reduzir riscos, salvar vidas e garantir que a ida à praia não termine em tragédia.
Já na praia da Costa do Sol, na Cidade de Maputo, o município diz não dispor de meios próprios de mergulho e salvamento, no entanto, a segurança dos utentes da praia é assegurada através da coordenação com várias entidades.
“A edilidade em si, o Conselho Municipal, não dispõe de meios próprios para essa actividade de mergulho, ou seja, de busca e salvação das pessoas, utentes da praia em caso de necessidade, mas, porque nós estamos coordenados, a nossa acção, a nossa intervenção na praia não é isolada, nós estamos coordenados [com outras entidades], como referiu, e também com o corpo de salvação pública”, avançou Leonel Matsumano, Director Municipal de Turismo.
Segundo o município, ao longo da extensão da praia, desde a Costa do Sol até à zona da Miramar, foram identificados locais considerados perigosos para o mergulho.
Enquanto as praias se organizam para garantir segurança e acolher novas atividades económicas, há um problema persistente: o comportamento dos frequentadores e o impacto ambiental deixado após os momentos de lazer.
Do aglomerado de banhistas que procuravam celebrar a transição do ano ficou muito lixo na praia da Costa do Sol. No asfalto, amontoado nas árvores e na areia via-se lixo por todo o canto, depois da noite de transição para 2026.
O lugar de lazer destinado aos banhistas foi preenchido por garrafas partidas, sacos plásticos, papelão e restos de comida.
Entre os resíduos sólidos, as garrafas partidas de vidro eram as que mais se viam.
No segundo dia do ano, eram visíveis grupos de jovens consumiam bebidas alcoólicas diretamente na praia, de forma aberta e aparentemente normalizada.
Em vários pontos da praia, observavam-se vendedores informais a comercializar bebidas alcoólicas, que eram consumidas no próprio local.
A praia da Costa do Sol não é a única, na Macaneta a realidade é quase a mesma.
O Município de Maputo apela à responsabilidade dos frequentadores da praia quanto à gestão do lixo produzido.
Para o ambientalista Rui Silva é preciso uma mudança do comportamento em relação ao ambiente.
“Eu tenho a certeza absoluta que posso ir a casa de qualquer pessoa e não vou ver o seu quintal com resíduos mal descartados. Portanto, se temos essa preocupação de manter o nosso espaço privado limpo [devemos fazer o mesmo com o espaço público]”, disse.
Para além do impacto ambiental, os resíduos representam um perigo real para quem frequenta a praia.
“Mas, porque fundamentalmente, a praia é um lugar de lazer, é um lugar onde as famílias gostam de levar as suas crianças e está-se a transformar num local de perigo, num local onde muitas crianças e adultos são levados ao Hospital, vítimas de corte e até ferimentos graves”, acrescentou Rui Silva.
O ambientalista, Rui Silva, lembra ainda que o consumo de álcool nas praias não é permitido.
De acordo com o ambientalista o mal uso das praias não só causa má imagem para o país como também afecta o sector do turismo.