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O ministro da Saúde admite que sente vergonha quando é questionado sobre roubo de medicamentos nos hospitais. Ussene Isse acusa profissionais da área que dirige de tratarem os pacientes sem o devido humanismo.

Ussene Isse, Ministro da Saúde foi convidado para a aula de abertura do Instituto Superior das Ciências de Saúde. A aula transcendeu os limites da academia, abordou questões de actualidade no sector, admitiu haver maus tratos no sector que dirige, e revelou-se envergonhado com os caso. 

“Eu fico muito envergonhado quando somos questionados pela população. Sr. Ministro, aqui no seu hospital, cobram, cobranças ilícitas, cobram. Aqui no seu hospital, nos maltratam. Aqui no seu hospital, roubam medicamentos. E aí? Como é que vou ficar feliz ao ouvir essas coisas?” Questionou-se Ussene Isse. O governante mostrou preocupação com a falta de humanismo nos hospitais citando o exemplo das maternidades que classificou como “piores”

“O maior problema de cobranças ilícitas é na maternidade. Dizem que, as senhoras já sabem, até amarram na ponta da capulana.Já sabem, basta abrir a capulana, basta desamarrar a capulana, já sabem que ali tem, tem o quê? Tem dinheiro “, descreveu o ministro pedindo mudanças nas atitudes. 

Aos profissionais que participam das manifestações, Isse manda um recado.

“Um bom profissional de saúde, Não coabita em ambientes de agitação. Infelizmente, infelizmente, infelizmente….Analisem o que eu iria dizer, não vou dizer agora.” Terminou o discurso.

Ussene Isse pediu aos gestores hospitalares a analisarem os indicadores de satisfação dos utentes e às escolas a ensinarem mais a ética e deontologia. 

O Serviço Nacional de Migração prevê um movimento de pessoas acima do normal a partir de hoje, nas fronteiras do país devido à Páscoa. Até o dia dez, cerca de 370 mil viajantes poderão atravessar os postos fronteiriços.  

Com a Páscoa a bater à porta, as fronteiras nacionais começam a partir desta quarta-feira a registar movimentos acima do normal de pessoas. O pico,  segundo o Serviço Nacional de Migração, será assistido dentro de cinco dias.

“Para a presente operação perspectiva-se um movimento migratório de 372,053 viajantes, contra 356,672 da Operação Páscoa 2025, o que representa um aumento de 17 mil viajantes. A previsão do aumento justifica-se  pelo facto da situação sociopolítica do país ser calma e ordeira, contra o período anterior”, explicou Juca Bata, porta-voz do SENAMI.

Este ano, espera-se que mais pessoas entrem e saiam do país para celebrar a morte e ressurreição de Cristo ou até para lazer. Da parte moçambicana, as autoridades garantem condições para reduzir o tempo de espera nas fronteiras, entre as quais, “diminuir o tempo de espera no desembaraço aduaneiro de pessoas e bens; garantir o controlo do contrabando de mercadorias e pessoas nos postos de travessia; reforçar medidas de controlo migratório e inspeção documental”, entre outras. 

Devido ao aumento do fluxo, os horários das fronteiras serão estendidos.

“Nos postos de travessia de Ponta D’Ouro e Mandimba o horário passará a ser das 06 até as 18 horas, contra 07 às 18 horas, tendo em conta o acordo alcançado com a República da África do Sul, para a extensão dos horários de funcionamento”

Lançada a 27 de Março último, a Operação Páscoa registou nos primeiros quatro dias o movimento fronteiriço de 71 mil viajantes.

O filósofo e pesquisador José Castiano diz que as desigualdades sociais em Moçambique, onde há poucos ricos e muitos pobres, são o maior perigo para a democracia, por isso propõe a adopção do que chamou de democracia reconciliadora. 

Castiano falava durante a aula de sapiência orientada para estudantes de Filosofia da Universidade Eduardo Mondlane, sobre vida e obra de Luísa Diogo.

A Faculdade de Filosofia da Universidade Eduardo Mondlane convidou, nesta terça-feira, o pesquisador e vice-reitor da Universidade Pedagógico de Maputo, José Castiano para orientar uma aula de sapiência, em homenagem à vida e obra de Luísa Diogo. 

Durante mais de uma hora e meia, Castiano defendeu a tese de que Diogo morreu defendendo que a reestruturação económica não pode ignorar a justiça social. 

“Ela defendeu com todas as energias a questão da igualdade social, a questão do acesso à saúde, a questão do acesso à educação e aos outros benefícios. Para quem lê a “Sopa de Madrugada”, para quem lê e ouve as suas intervenções, vai certamente notar a insistência que fazia para resistir à destruição dessas conquistas da fase socialista”, defendeu o filósofo.

O pesquisador recorda, triste, que Luísa Diogo conseguiu o perdão de uma dívida pública, em 2005,  no âmbito da iniciativa Países Pobres Muito Endividados, cujo esforço parece não ter valido a pena. 

“Uma pessoa que conseguiu libertar-nos da dívida externa,  para depois ver, ainda em vida, o processo de reendividamento, escandaloso.  O grande desafio que nós temos, como Moçambique, é lidar com o problema da dívida externa,  porque ela, em vez de nos ajudar, está nos empobrecendo cada vez mais. O exemplo da Luisa foi um, mas há outros exemplos. Mas o mais importante é olharmos para nós nas condições de hoje”.

Outro desafio apontado como de urgente resolução é a Soberania Alimentar.

“Nenhum país vive feliz quando come o que não produz e não produz o que come. Soberania alimentar significa comer o que você produz e produzir o que você quer comer. Não estou a dizer que não possa comer queijo, só porque não produz. o deve ser feito é produzir dinheiro suficiente para ter capacidade para comprar os produtos”, disse. 

A solução, diz o filósofo, é a adopção do que chamou de democracia reconciliadora. 

“Eu estou convencido que a maior divisão que Moçambique tem entre o rico e o pobre,  esta é que vai minar a nossa unidade nacional. Quando esta divisão começar a crescer, hoje 20% comem 80% da população, 20% dos nossos ricos comem 80% do que produzimos, e os 80% comem apenas 20%.  Esta é uma desigualdade extrema. Então uma democracia não pode sobreviver nessas condições. Temos que encontrar formas de uma democracia reconciliatória no seu sentido social do tempo”, concluiu. 

O evento contou com a presença do viúvo, filhos e familiares de Luísa Diogo, que agradeceram o reconhecimento das obras da finada. 

A Secretária de Estado na província de Inhambane, Bendita Lopes, reagiu à greve dos funcionários do Município de Quissico, admitindo que o Governo não tinha a real dimensão da crise, mas criticando a forma como o protesto foi conduzido.

Os trabalhadores municipais encontram-se em greve há mais de uma semana, tendo decidido encerrar as portas da instituição como forma de exigir o pagamento de salários em atraso, que já somam mais de quatro meses. 

Com o fim do mês de Março, a situação agrava-se, atingindo cerca de cinco meses sem remuneração, enquanto a edilidade acumula sete meses sem receber transferências do Fundo de Compensação Autárquica.

Em reacção, Bendita Lopes defendeu que os funcionários deveriam ter recorrido ao diálogo antes de avançarem para medidas mais drásticas. 

“Eles são funcionários do município, sim, mas são funcionários que estão a gerir aquilo que é a governação descentralizada ao nível da província. Às vezes, uma paciência é melhor, porque eles, para além de expor o município, estão a expor a eles próprios como funcionários. Acho que essa atitude também não é muito boa”, afirmou.

A governante apelou à contenção, sublinhando que existem canais próprios para a resolução de conflitos laborais. “Apelar aos funcionários, quando têm problemas, há sítios, há lugares próprios de tratamento desses problemas, do que fechar a instituição, porque quando se fecha a instituição também é uma perda. É uma perda que se tem e queríamos apelar para amainarmos um pouco os ânimos, termos paciência, porque vão receber os valores que eles têm”, acrescentou.

Bendita Lopes reconheceu ainda que o Governo foi surpreendido pela paralisação, afirmando que não houve comunicação prévia por parte dos grevistas, frisando a atitudes deste foi um erro. 

“Se falassem, por exemplo, a nós, nós não sabíamos, surpreenderam-nos, ninguém veio ao gabinete. Eu penso que a sua Excelência, o Governador, também não sabia, surpreenderam-nos a todos. Então, eles também correram o erro de tomarem decisões sozinhos e fazerem aquilo que estão a fazer”, declarou.

A Secretária de Estado destacou, entretanto, que a situação vivida em Quissico não é isolada, mas reflecte dificuldades financeiras mais amplas enfrentadas por vários municípios e pela função pública em geral. 

“Os nossos municípios estão com, não só municípios, toda função pública estamos com a situação financeira não muito boa, mas não é por isso que temos que deixar de trabalhar. O município de Quissico está há quatro meses sem salário, não é o único, há muitos ao nível do País”, explicou.

Segundo a governante, um dos desafios passa pela fraca capacidade de arrecadação de receitas locais, o que limita a autonomia financeira de alguns municípios. 

“Há municípios que vão tendo a capacidade de se autossustentarem, mas o município de Quissico tem desvantagem porque não há muitos mercados, não há muita margem de arrecadação de receitas”, concluiu.

A situação continua a gerar preocupação entre os trabalhadores, enquanto se aguardam soluções concretas para o pagamento dos salários em atraso e a normalização do funcionamento da edilidade.

Há uma linha invisível a ser cruzada em Inhambane — silenciosa, mas perigosa. De um lado, um dos mais ricos ecossistemas costeiros de Moçambique; do outro, a pressão humana que, pouco a pouco, o empurra para o colapso. No meio, comunidades que dependem do mar para viver, mas que também, muitas vezes sem alternativa, acabam por contribuir para a sua degradação. É neste ponto de tensão que surge uma nova aposta: juntar ciência e conhecimento local para travar um ciclo que ameaça tornar-se irreversível.

A província de Inhambane possui cerca de 18 mil hectares de mangal ao longo da sua extensa linha costeira, um património natural estratégico para a protecção contra a erosão, para a reprodução de espécies marinhas e para a própria sobrevivência das comunidades costeiras. Ainda assim, a realidade no terreno mostra um cenário inquietante: apesar das campanhas de repovoamento, o mangal continua a ser destruído a um ritmo preocupante, sobretudo pela acção humana.

Corte indiscriminado, expansão de actividades económicas desordenadas e falta de alternativas sustentáveis estão entre os factores que alimentam este processo de degradação. O resultado é visível: zonas outrora densas em biodiversidade transformam-se em áreas frágeis, vulneráveis às alterações climáticas e cada vez menos produtivas para as comunidades que delas dependem.

É neste contexto que a Escola Superior de Desenvolvimento Rural, da Universidade Eduardo Mondlane, prepara a criação de um Centro Comunitário em Inhambane — uma iniciativa que pode marcar um ponto de viragem na forma como o país encara a conservação dos seus ecossistemas marinhos.

A proposta rompe com abordagens tradicionais. Em vez de soluções impostas de fora, a ideia é simples, mas poderosa: colocar lado a lado quem estuda e quem vive o problema diariamente. Académicos e comunidades passam a partilhar o mesmo espaço, o mesmo debate e, sobretudo, a mesma responsabilidade.

A bióloga marinha Denise Nicolau explica que o centro pretende dar voz a quem, até aqui, raramente participa nas decisões que afectam directamente o seu modo de vida.

“Esperamos que a abertura deste centro dê espaço às mulheres, aos jovens e aos homens que sofrem directamente os efeitos das mudanças climáticas, para que participem com a academia na tomada de decisões, mas também na produção de conhecimento sobre os ecossistemas costeiros e marinhos”, afirmou.

A abordagem vai além da teoria. O objectivo é trabalhar sobre realidades concretas: mangais, dunas costeiras, ervas marinhas, recifes de coral e as espécies que dependem desses habitats. Tudo isso será analisado não apenas sob o olhar científico, mas também a partir da experiência prática das comunidades.

No terreno, o centro será um espaço de acção. Formação técnica, partilha de conhecimentos e desenvolvimento de soluções práticas fazem parte de um pacote que pretende mudar comportamentos e criar novas oportunidades económicas.

“Vamos trabalhar em acções concretas para restaurar ecossistemas costeiros e marinhos, formar as comunidades sobre como gerir áreas de conservação comunitária e integrar questões de género na tomada de decisão. Há também componentes ligadas à produção animal, pesca e aquacultura”, explicou Denise Nicolau.

No fundo, trata-se de aproximar dois mundos que, durante muito tempo, caminharam em paralelo: a academia e as comunidades. Uma aproximação que, para muitos especialistas, pode ser decisiva.

A Universidade Eduardo Mondlane acredita que o conhecimento não começa nas salas de aula, mas nas próprias comunidades. O desafio, segundo o docente Isidro Muhale, é transformar esse conhecimento em ferramenta de mudança.

“O conhecimento existe nas comunidades. O que é necessário é trabalhar na consciencialização e na persuasão. Pode haver alguma resistência inicial, mas com estratégias adequadas e mostrando as vantagens, é possível envolver as comunidades e gerar mudanças reais”, explicou.

Mas há um ponto em que todos os intervenientes convergem: sem o envolvimento directo das comunidades, qualquer estratégia está condenada ao fracasso.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) defende que a chave está em partir daquilo que as pessoas já sabem e vivem.

“Qual é a relação com a natureza? Qual é a relação com o oceano? Partimos precisamente dessas bases, do conhecimento que as próprias comunidades já possuem e da forma como interagem com o oceano, para encontrar soluções que tornem, por exemplo, os seus negócios mais resilientes”, explicou Tara Shyan, representante da organização.

Essa lógica tem vindo a produzir resultados encorajadores. As comunidades envolvidas no projecto têm assumido um papel activo, não apenas na implementação de soluções, mas também na sensibilização de outras pessoas.

A participação vai além do discurso. Está ligada à melhoria directa das condições de vida das famílias, numa relação clara entre conservação e sobrevivência económica.

Num território onde a pesca e o turismo são pilares da economia local, proteger o ecossistema não é apenas uma questão ambiental — é uma questão de sobrevivência.

A iniciativa surge, por isso, num momento crítico. As alterações climáticas intensificam a pressão sobre os ecossistemas costeiros, enquanto o crescimento populacional aumenta a procura por recursos naturais.

Se nada for feito, o risco é claro: perda de biodiversidade, redução das capturas pesqueiras, aumento da pobreza e maior exposição a fenómenos extremos como ciclones e inundações.

Mas há também uma janela de oportunidade.

Ao apostar na integração entre ciência e conhecimento local, Inhambane pode estar a ensaiar um modelo que vai além da conservação ambiental. Um modelo que coloca as comunidades no centro das soluções, não como vítimas, mas como protagonistas.

A questão que se coloca agora é simples, mas decisiva: será esta abordagem suficiente para travar a degradação que há anos se arrasta?

A resposta ainda está em construção. Mas, pela primeira vez em muito tempo, há sinais de que o caminho pode ser diferente.

O académico moçambicano Nataniel Ngomane criticou a fraca promoção da leitura entre os jovens, defendendo maior estímulo a obras que contribuam para a formação de mentes críticas e para a preparação de profissionais em diversas áreas. 

Ngomane falava, esta terça-feira, durante a conversa intitulada “Os livros que ficaram por ser lidos e relidos”, realizada no quintal da Fundação Fernando Leite Couto. Durante o seu discurso, o acadêmico reiterou a importância da leitura para o entendimento da dinâmica actual. 

“(…) incluindo aquelas tecnologias que, infelizmente, estão a ser derrubadas: carpintaria, mecânica, serralheria são áreas importantíssimas para o desenvolvimento do nosso país, mas nós demos cabo da Escola Industrial. Será que existe um programa por detrás de isto tudo para destruir o país? Só os livros é que nos podem dar uma resposta adequada”,  sublinhou. 

Nataniel Ngomane falou ainda da importância de conhecer a nossa história. “Precisamos saber de onde viemos e como, para melhor sabermos e definirmos como vamos e como é que queremos chegar lá. Logo, o primeiro ponto, é conhecer a nossa história (…) Hoje em dia são poucos os jovens que conhecem a história de Moçambique. E se calhar por conhecer pouco a história de Moçambique, algumas das manifestações de ideias e pensamentos acontecem porque não conseguiram ver atrás, para ver para frente ”. 

 

A posição de Moçambique como segundo país mais pobre do mundo está a gerar preocupação na Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), visto que o país é rico em recursos naturais. O Presidente da Comissão defende mudanças urgentes na forma como o país organiza as suas respostas à pobreza.

Viver com cerca de 3 dólares por dia o equivalente a 190 meticais é a realidade de milhões de moçambicanos, segundo o Banco Mundial, um dado que revela cenário de pobreza extrema. A Comissão Nacional dos Direitos Humanos diz que esta classificação é motivo de preocupação  num país rico em recursos naturais. 

“Se isto se provar é preocupante, porque estamos num país com riquezas, com possibilidades de poder ascender, não a primeira posição, mas há posições muito melhores. Estamos em situação de estar muito melhor que outros países que, neste caso, se nós somos os segundos (…) há muitos países que quando olho, não devíamos estar abaixo desses países”, disse Albachir Macassar, Presidente da Comissão.

Apesar de apontar progressos significados na resposta à pobreza no país, nos últimos tempos, a organização fala de espírito de protagonismo como maior entrave de desenvolvimento, defendendo que só com uma acção conjunta e estratégica será possível inverter os indicadores de pobreza e garantir melhores condições de vida para os moçambicanos.

O académico moçambicano Elísio Macamo reagiu ao relatório do Banco Mundial que coloca Moçambique na segunda posição entre os países mais pobres do mundo, responsabilizando também a instituição internacional pelo fracasso na redução da pobreza no País.

Segundo Macamo, não faz sentido que, passados mais de quarenta anos de apoio financeiro e técnico do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, Moçambique continue a enfrentar elevados níveis de pobreza.

“Eu acho engraçado que o Banco Mundial não diga que há 40 anos está a ajudar-nos a ficarmos pobres. Há 40 anos que nós estamos com este programa de assistência do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Então, o falhanço de Moçambique é também o falhanço do Banco Mundial. Se eu ajudo você há 40 anos a deixar de ser pobre e você continua pobre, a culpa não pode ser só sua, é também de quem está a ajudar”, afirmou Elísio Macamo, em declarações feitas na cidade de Nampula.

O académico criticou ainda a falta de transparência nas negociações entre o Governo moçambicano e as instituições financeiras internacionais, apontando que os processos muitas vezes ocorrem sem o escrutínio do parlamento ou consulta à sociedade civil.

“Há uma diferença muito grande entre o nosso governo negociar com o Fundo Monetário Internacional quando o Fundo Monetário Internacional sabe que o nosso Governo não fala com ninguém, não fala com o parlamento, não submete esses projectos de negociações, esses programas de negociações, não submete isso ao escrutínio do parlamento, pura e simplesmente vai conversar lá, em Washington, com essas instituições e ir lá sabendo que as pessoas disseram ‘olha, isso nós não queremos fazer’”, declarou.

Para Elísio Macamo, enquanto persistir o secretismo e a ausência de mecanismos de responsabilização, o País continuará a enfrentar dificuldades para encontrar soluções estruturais que reduzam a pobreza.

“O mais grave é que isso não tenha consequências imediatas na forma como a gente faz política em Moçambique, não tenha quem responsabilizar por isso, que não haja nenhuma possibilidade de alterar o tipo de política que nós estamos a fazer”, concluiu.

O Governo de Moçambique reagiu ao relatório do Banco Mundial que classifica o país como o segundo mais pobre do mundo, esclarecendo que os indicadores utilizados pela instituição diferem dos critérios nacionais e que uma avaliação detalhada será feita antes de qualquer pronúncia oficial.

O porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, afirmou que o Governo respeita o posicionamento do Banco Mundial, mas destacou que os dados internacionais não coincidem com os levantamentos internos realizados pelo País.

“Sobre índice de pobreza Moçambique feito pelo Banco Mundial, o que posso dizer é que, bom, nós também acompanhamos, o que estamos a fazer é que o Ministério da Planificação e Desenvolvimento entende primeiro que os critérios utilizados pelo Banco Mundial para realizar a sua avaliação são diferentes do inquérito que é feito ao Orçamento Familiar, o IOF, que é um instrumento interno e nacional que tem sido feito”, disse Impissa.

O porta-voz do Governo confirma que até esta fase já foram feitos cinco inquéritos e relatórios apresentados, o último foi feito em 2022, “e os elementos que apresenta são diferentes do ponto de vista quer dos critérios utilizados, quer dos indicadores que são utilizados para classificar o índice de pobreza nacional.”

Impissa sublinhou ainda que o Governo irá analisar os dados do relatório internacional à luz dos critérios nacionais antes de se pronunciar oficialmente. “No entanto, o pronunciamento do Banco Mundial é um parceiro independente, tem os seus critérios, o que se está a fazer agora é pegar a informação, analisar vis-à-vis os critérios nacionais para depois o País se pronunciar, se tiver de se pronunciar sobre essa matéria. Mas até aqui estamos apenas a observar e a respeitar um posicionamento, e nós vamos apresentar o nosso quando chegar a vez. Muito obrigado”, disse.

O porta-voz esclareceu também que não é possível fornecer números precisos neste momento, mas que os mecanismos de produção de dados nacionais seguem processos regulares.

“Não posso precisar, mas tenho essa ideia. Eu não posso precisar um número comigo mesmo, mas tenho essa ideia naturalmente, porque são mecanismos de produção formais e segue é um processo de produção regular, então é possível ter esse dado, eu é que não os tenho agora em mente”, concluiu Inocêncio Impissa.

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