O País – A verdade como notícia

O porta-voz da Frelimo nega que haja um comando do partido no poder para colocar de lado apoios de outras formações políticas às vítimas de inundações. Pedro Guiliche considera descabido que se faça qualquer tipo de segregação de ajuda humanitária.

Depois de denúncias de algumas formações políticas de estarem a enfrentar dificuldades para fazer chegar os seus apoios às vítimas de inundações, o porta-voz da Frelimo, à saída de uma sessão da comissão política do partido, nesta quarta-feira, disse tratar-se de um falso alarme.

No entender de Pedro Guiliche, apesar dos estragos significativos, as cheias que assolam parte do País estão a servir para unir os moçambicanos.

Questionado sobre o desfecho do recente caso da morte do administrador do BCI, o porta-voz da Frelimo sugere que se aguardem investigações de Moçambique e Portugal.

Sobre as incongruências existentes entre o decreto do Conselho de Ministros e o diploma do Ministério da Economia sobre as restrições na importação de arroz e trigo, Guiliche diz aguardar os esclarecimentos daqueles que tomaram as decisões.

Entre vários assuntos, a Comissão Política da Frelimo analisou, nesta quarta-feira, a situação das inundações que afectam famílias, empresas e o Estado moçambicano, como um todo.

A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ) procedeu à doação de livros juvenis e material escolar ao Centro de Acolhimento Missão de São Roque, em Matatuíne, apoiando, assim, o início do novo ano escolar.

Nesta visita, foram doados diversos conjuntos de material escolar (cadernos, lápis, canetas e borrachas), e algumas colecções de livros juvenis para equipar a biblioteca da Missão de São Roque. Esta biblioteca apoia não só os alunos do Centro de Acolhimento como também a comunidade local na promoção de hábitos de leitura e de aprendizagem.

A Missão São Roque pertence à Arquidiocese de Maputo, sendo uma instituição que vive maioritariamente de doações particulares. Garante acolhimento a meninos e meninas órfãos, providenciando a estas crianças as condições necessárias para viver e estudar, além de receberem o cuidado e o carinho dos missionários.

Com este apoio, a EUMAM MOZ prossegue o seu compromisso de actuação em conformidade com o Direito Humanitário Internacional, o Direito Internacional dos Direitos Humanos e a Agenda Mulheres, Paz e Segurança. A Missão é actualmente comandada pelo Comodoro César Pires Correia, da Marinha Portuguesa, e conta com mais de 80 militares e civis, de 12 nacionalidades. O mandato da EUMAM MOZ decorre até Junho deste ano.

Os académicos Ângelo Nhancale e Dionísio Tumbo defendem que o País deve ajustar definitivamente o calendário escolar, para que o arranque das aulas não coincida com a época chuvosa.

O Governo adiou o arranque do ano lectivo de 2026, antes programado para o dia 30 de Janeiro, devido às cheias que tomaram parte das escolas das zonas Sul e Centro do País, algo que acontece quase todos os anos. Tal realidade, segundo Dionísio Tumbo, especialista em Pedagogia e professor universitário na Universidade Pedagógica de Maputo, desafia o País a reajustar em definitivo o seu calendário lectivo.

“A diversidade climática dessas nossas regiões acaba exigindo ou demandando respostas diferenciadas. Então, o Ministério da Educação deveria acompanhar essas mutações climáticas e adequar a sua programação curricular para o maior aproveitamento do tempo curricular nessas zonas diferenciadas.”

Por outro lado, também concordando com o ajuste do calendário, Ângelo Nhancale entende que o sistema semestral pode trazer melhor aproveitamento e sem ajustes improvisados do calendário escolar.

“Temos de repensar o calendário, regressar ao sistema semestral. Em relação ao clima, penso que poderemos ficar menos afectados e, assim, aproveitar mais o tempo seco”, concluiu.

Os pedagogos entendem que as férias prolongadas que estão a ser “oferecidas” às crianças, devido às cheias, podem ter impacto negativo na educação, principalmente na zona rural. Os pesquisadores temem que alunos que se ocupem em actividades lucrativas, durante este período, e não regressem às aulas.

Uma mulher deu à luz num centro de acolhimento em Guaraguara, no distrito de Búzi, em Sofala, e queixa-se da falta de condições mínimas de acomodação e alimentação. As cerca de 50 mulheres, entre grávidas e lactentes, dizem não estar a haver priorização no tratamento.

Além das crianças, as mulheres grávidas têm sido bastante afectadas nos centros de acolhimento às vítimas das cheias em Sofala. 

Amélia João, solteira, mãe de cinco filhos, deu à luz a uma menina no centro de reassentamento para vítimas das cheias, montado na escola básica de Guaraguara, no distrito de Búzi.

Após o parto, foi orientada a não se juntar às outras mães, por questões de saúde, uma medida impossível num local onde cada milímetro está ocupado.

“Estou mal e estou a pedir ajuda, dei parto com dificuldades e não estou a conseguir andar bem (…) Não tenho família aqui em Guaraguara, estou sozinha, com esses filhos”, conta Amélia João. 

Durante o dia fica debaixo de uma árvore, mas, à noite, junta-se às outras mães, em um quarto, aliás sala fria, sem janelas, nenhum conforto, principalmente para um recém nascido.

“Nós estamos grávidas e não temos como lutar com as pessoas que não estão. Estamos a dormir fora, nem sequer temos rede mosquiteira, sendo que no hospital proíbem que as mulheres grávidas durmam sem rede mosquiteira”, reclamou Júlia Afonso, gestante. 

Em Guaraguara, para se ter alimentação, há vezes que é necessário fazer teste de força, uma disputa que exclui as mulheres grávidas.

“Todo mundo tem que comer feijão, mas eu tenho problemas de estômago, quando como por dois ou três dias passo mal (…) O que nós queremos agora é ser bem cuidadas, como mulheres grávidas, porque corremos muitos riscos”, vincou uma gestante, que também divide espaço com outras mulheres no centro de acolhimento de Guaraguara. 

A repetição do cardápio é, por dias, também uma queixa, além de não haver priorização deste grupo.  As autoridades dizem haver orientações para a priorização de grupos sociais. 

“Quando estamos num ambiente com muita gente, há sempre este lado de reclamações, que precisamos controlar e aumentar. Falava aqui com a equipa da gestão do centro para aumentar o número de panelas e o número de pessoas na confecção dos alimentos, para garantir que todos esses direitos sejam salvaguardados”, explicou Aristides Armando, Delegado do INGD em Sofala.

Os empresários de Cabo Delgado estão ansiosos pela retoma do projecto de exploração de gás na área um da bacia do Rovuma, que é liderado pela multinacional francesa Total Energies. 

Quase cinco anos depois da paralisação do projecto de exploração de gás na bacia do Rovuma, a península de Afungi voltou a registar movimento de empresas que aguardam a retoma das operações.

“Do anúncio até neste momento, apenas há este movimento aqui, mas ainda não temos registo de empresas para fazer o trabalho”, partilhou Mamudo Irache, do CTA em Cabo Delgado.  

A suspensão do projecto de Gás Natural Liquefeito na área 1 da bacia do Rovuma provocou prejuízos,  e levou à falência milhares de empresas. Teve também um impacto negativo  na  economia de todo o país, mas, ainda assim, é considerado um mal necessário. 

“Neste período todo, estávamos a preparar as empresas, e temos empresas suficientes e capazes de fazer o trabalho na Bacia do Rovuma. Temos essas empresas, a partir do fornecimento de  alimento, serviço, construção e tramitação de documentação dos expatriados”, explicou Irache. 

A retoma do projecto Mozambique LNG é aguardada com expectativa, mas os empresários continuam preocupados com o suposto isolamento da península de  Afungi.

Inicialmente, o projecto Mozambique LNG devia começar com a exploração de gás na área 1 da bacia do Rovuma em 2022, e seria o primeiro na história de Cabo Delgado, devido aos ataques terroristas na província. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM)  alerta para a formação de uma Tempestade Tropical Moderada, a norte do Canal de Moçambique, nas próximas 24 horas. O sistema que poderá se afastar de Moçambique  para Madagascar, tem influenciado o estado do tempo, nas províncias de Nampula e Cabo Delgado. 

A informação consta de um comunicado das autoridades meteorológicas a que a STV teve acesso, esta quinta-feira. 

O sistema em causa de baixa pressão atmosférica localizado a norte do Canal de Moçambique continua a influenciar o estado do tempo nas províncias costeiras de Nampula e Cabo Delgado. 

Prevê-se que o sistema continue a intensificar-se, nas próximas 24 horas e poderá atingir o nível de Tempestade Tropical Moderada, com ventos entre 63 e 88 quilómetros por hora. O fenómeno vai afectar igualmente, a  navegação marítima.

Ainda se prevê que o sistema vai deslocar-se em direcção a Madagáscar, afastando-se gradualmente de Moçambique.

O INAM garante que continua a monitorar a evolução do fenómeno e apela à população para que acompanhe as informações meteorológicas e os avisos emitidos pelas autoridades competentes.

A Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) assegura que o processo de modernização do seu Sistema Integrado de Gestão Universitária não vai trazer prejuízos aos estudantes, apesar dos constrangimentos registados nos últimos dias no acesso às notas, à situação financeira e aos pedidos de declarações académicas. A garantia foi dada pelo Diretor do Registo Académico da instituição, Célio Sengo, durante uma entrevista concedida à STV, na sequência do crescente descontentamento manifestado pela classe académica.

A intervenção do responsável surge num momento em que vários estudantes, sobretudo do regime pós-laboral, relataram dificuldades no acesso à plataforma digital da universidade, situação que gerou dúvidas, reclamações nas redes sociais e receios quanto a uma eventual perda de dados académicos. Segundo Célio Sengo, os problemas estão associados ao processo de migração de dados do sistema antigo para uma nova plataforma tecnológica, concebida para responder às atuais exigências da instituição.

“Estamos a migrar os dados do sistema antigo para um novo sistema, mais moderno e ajustado à realidade atual da universidade. Isso não significa perda de informação nem prejuízo para os estudantes”, afirmou, esclarecendo que a atualização resulta da evolução institucional, da introdução de novos planos curriculares e da necessidade de alinhar o sistema académico ao plano estratégico da UP-Maputo.

O diretor reconheceu que a transição gerou dificuldades pontuais, sobretudo no acesso inicial ao novo sistema, que passou a exigir regras mais rigorosas de segurança, como a criação obrigatória de senhas fortes. “Alguns estudantes tiveram dificuldades nesse processo, outros não conseguiam visualizar de imediato a situação financeira, mas são situações que já estamos a resolver”, explicou.

Para minimizar os impactos, a universidade optou por manter, em simultâneo, o sistema antigo e o novo, permitindo que os estudantes continuem a aceder aos serviços académicos sem interrupções. “O sistema anterior continua ativo. Quem tiver dificuldades no novo pode recorrer ao antigo sem qualquer problema”, garantiu Célio Sengo, sublinhando que a migração está a ser feita de forma gradual e acompanhada pelo feedback dos utilizadores.

O responsável atribui parte do alarme gerado nos últimos dias ao facto de muitos estudantes terem acedido diretamente à nova plataforma, sem perceberem que o sistema antigo permanecia operacional. Ainda assim, considera legítimas as preocupações. “É normal que haja receios quando se introduz um novo sistema. Essas preocupações ajudam-nos a identificar falhas e a melhorar”, disse.

Uma das questões mais sensíveis abordadas na entrevista prende-se com a situação dos estudantes que estão afastados da universidade há vários anos ou que concluíram as cadeiras, mas ainda não defenderam os seus trabalhos finais. Questionado sobre este grupo, o diretor foi taxativo ao afastar qualquer risco de perda de notas ou do histórico académico. “Todos os dados estão salvaguardados. Migração significa transportar toda a informação do sistema antigo para o novo, incluindo estudantes antigos”, assegurou.

Célio Sengo explicou ainda que, mesmo após a desativação definitiva do sistema antigo, este continuará acessível internamente para consultas específicas, reforçando que a integridade dos dados académicos está garantida. O maior risco, segundo referiu, não está ligado ao sistema, mas ao cumprimento dos prazos regulamentares de duração dos cursos, situação que pode obrigar alguns estudantes a solicitar a reintegração.

Quanto ao calendário, a UP-Maputo não avança com uma data exata para a conclusão do processo, mas aponta o presente semestre como período de transição, com a expectativa de iniciar o segundo semestre já com o novo sistema plenamente funcional. “Tudo vai depender do volume de reclamações e sugestões que formos recebendo. Os estudantes é que orientam este processo”, afirmou.

Relativamente às inscrições, o Diretor do Registo Académico anunciou que os estudantes internos deverão iniciar o processo na segunda semana de fevereiro, em data a ser comunicada oficialmente. Já os novos ingressos deverão inscrever-se a partir de março, após a divulgação dos resultados dos exames de admissão, estando ainda em análise a plataforma que será utilizada.

Com estes esclarecimentos, a Universidade Pedagógica de Maputo procura acalmar os ânimos e reafirmar que a transição tecnológica, apesar dos percalços iniciais, está a ser conduzida com salvaguarda dos direitos e do percurso académico dos estudantes.

Corpos do Vereador Andile Mngwevu e outros 3 sul africanos arrastados pela fúria das águas das cheias foram encontrados dez dias após o seu desaparecimento, no distrito de Guija, em Gaza. A informação foi confirmada, esta manhã, pela governadora de Gaza, Margarida Mapandzene.

“Agora, com muita segurança, podemos partilhar que, de facto, foi identificada uma viatura na estrada Chibuto-Guijá e, mais concretamente, do lado do Guijá, uma viatura Hyundai, de transporte de passageiros, com quatro ocupantes que perderam a vida dentro do mesmo carro”, avançou a governadora à imprensa. 

Mapadzene disse ainda que uma equipa conjunta, constituída por agentes sul-africanos e moçambicanos, conseguiu fazer o resgate dos corpos, que já foram levados a Maputo e, mais tarde, serão transportados para a África do Sul. 

A Governadora da província de Gaza disse ainda estar preocupada com o naufrágio que deixou seis pessoas desaparecidas no troço Tomanini-Guijá. 

“É uma situação que nos preocupa bastante, porque, nos nossos apelos nos centros de acomodação, nos órgãos de comunicação social, nas redes sociais, temos estado a dizer que as pessoas devem permanecer nos centros de acomodação até que se decrete o fim da emergência, mas, infelizmente, temos tido esse tipo de situações, que depois nos trazem esta desgraça”, lamentou.

Margarida Mapadzene garante que ainda decorrem as buscas dos desaparecidos durante o naufrágio.

O Hospital Distrital de Morrumbala enfrenta uma situação crítica marcada pela falta de água, material médico-hospitalar e alimentação, afectando directamente as enfermarias e o bloco operatório. Os pacientes passam fome por falta de alimento para doentes. 

Trata-se de uma unidade sanitária de referência que recebe doentes provenientes dos distritos de Mopeia, Derre, Luabo, na província da Zambézia, e ainda do distrito de Caia, em Sofala. Apesar da sua importância, o hospital vive momentos dramáticos, devido à escassez de água, o que compromete a higienização básica.

Para além da falta de água, não há detergentes nem material médico-cirúrgico, situação que coloca em risco, tanto os profissionais de saúde como os pacientes, uma vez que os técnicos continuam a prestar cuidados em condições inadequadas.

A alimentação constitui outra grande preocupação. O hospital está há mais de quatro meses sem abastecimento alimentar, obrigando pacientes vindos das zonas periféricas, sem familiares na vila, a depender da solidariedade de outros doentes. Quem tem condições mínimas recorre à confecção de alimentos do lado de fora da unidade sanitária.

O “O País” tentou ouvir a direcção do Hospital Distrital de Morrumbala, sem sucesso. Em alternativa, a equipa de reportagem ouviu o administrador distrital, João Nhanbessa, que minimizou a gravidade da situação.

Entretanto, o distrito de Morrumbala enfrenta um surto de diarreia, com o registo de mais de 50 casos. Na última quarta-feira, várias equipas de saúde foram destacadas para as comunidades, com o objectivo de conter a propagação da doença.

+ LIDAS

Siga nos