O País – A verdade como notícia

Zambézia está com Stock considerável de combustível, 80 mil metros cúbicos de gasolina e mais de 100 mil metros cúbicos de diesel. A informação foi avançada pelo Director dos Serviços Provinciais de Infra-estruturas na província, que garante não haver crise de combustível, mas alguma irregularidade nos postos de abastecimento. 

“A nossa província não está em crise, regista algumas  irregularidades de abastecimento de combustível em alguns pontos, mas de modo geral não regista nenhuma crise”, disse João Tsembane, Director dos Serviços Provinciais de Infra-estruturas na província. 

Tsembane avançou que Zambézia recebeu um stock de combustível no terminal da Petromoc. “Está-se a fazer todos os esforços para reduzir o tempo que poderá ficar sem combustível. Estamos a falar de dois dias sem combustível para os postos da Petromoc, mas os outros tinham combustível”. 

Armindo Mude Canhenze é, a partir desta segunda-feira, o novo administrador do distrito de Vanduzi, na província de Manica, em substituição de Admira Chitsuma, que dirigiu aquele ponto da província desde Junho de 2025.

Falando no acto do seu empossamento, o Secretário de Estado de Manica tornou claro que Canhenze vai à Vanduzi acabar com desmandos que se registam na mineração, que já resultaram em centenas de mortes.

De acordo com Lourenço Lindonde, o novo timoneiro de Vanduzi tem entre outras missões “prevenir e reprimir a criminalidade; fomentar acções de prevenção e combate a actos que contrariem a ordem, a moral ou a decência pública, com maior destaque nas áreas de mineração”.

Já o empossado disse estar preparado para responder ao desafio, avançando que: “primeiro vamos repor a disciplina onde ela não existe. A reposição da disciplina depende da reacção dos infractores. Se a reacçao for maior, maior também será maior e de forma proporcional”.

Armando Mude foi comandante provincial da PRM em Manica entre os anos de 2014 a 2017, no auge da tensão político-militar entre as forças residuais da Renamo e o Governo. Depois foi nomeado comandante geral adjunto da Polícia costeira, lacustre e fluvial. Nos últimos anos, coordenou várias missões no Teatro Operacional Norte (TON), onde se destacou pela sua bravura no combate à insurgência.

A República Democrática do Congo e o grupo armado M23 concordaram em facilitar a ajuda humanitária e libertar prisioneiros no prazo de 10 dias, segundo um comunicado conjunto divulgado este domingo, após negociações na Suíça.

“As partes concordaram em abster-se de qualquer acção que comprometa a entrega de ajuda humanitária baseada em princípios humanitários nas áreas afectadas pelo conflito” e “avançar, dentro 10 dias, com a libertação de prisioneiros” a fim de “continuar a construir confiança”, refere o documento.

A República Democrática do Congo e o Ruanda ratificaram um acordo de paz mediado pelos EUA em Dezembro, mas a iniciativa não pôs fim aos combates.

Entretanto, de 13 a 17 de Abril, decorreram negociações mediadas pelo Qatar, em Montreux, na Suíça.

Um memorando de entendimento também foi assinado, definindo mecanismos de verificação do cessar-fogo.

As negociações de Montreux reuniram representantes do governo da República Democrática do Congo e do M23, bem como do seu braço político, a Aliança do Rio Congo (AFC).

Estiveram ainda presentes representantes do Qatar, dos Estados Unidos, da Suíça, da Comissão da União Africana (UA) e do Togo, na qualidade de mediador da UA.

Desde o final de 2021, o Movimento 23 de Março (M23), com o apoio de Ruanda, tomou o controlo de grandes extensões de território no leste da RDCongo, região rica em recursos naturais e devastada por conflitos há mais de 30 anos.

O grupo rebelde – composto principalmente por tutsis congoleses – assumiu em 2025 o controlo de grande parte das províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, incluindo as respetivas capitais, Goma e Bukavu, no âmbito de uma ofensiva que agravou as tensões entre Kinshasa e Kigali e deu posteriormente origem a um processo de negociações para evitar a expansão do conflito na região.

Donald Trump não detalhou que oficiais dos Estados Unidos estarão presentes nas negociações, uma segunda ronda após o vice-presidente JD Vance ter participado em conversas, também em Islamabad, na semana passada. Entretanto, o Irão reafirmou que o bloqueio naval norte-americano constitui um acto ilegal e criminoso.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse este domingo que negociadores norte-americanos estarão esta segunda-feira no Paquistão para encetar conversações com o Irão, de acordo com uma publicação nas suas redes sociais.

“Os meus representantes irão para Islamabad, no Paquistão – estarão lá amanhã [segunda-feira] à noite, para negociações”, pode ler-se numa publicação de Donald Trump na sua rede social, Truth Social.

Segundo a mesma publicação, os Estados Unidos vão propor “um acordo bastante justo e razoável”.

“Espero que aceitem porque, se não o fizerem, os Estados Unidos vão arrasar todas as centrais eléctricas e pontes no Irão”, ameaçou o presidente norte-americano.

Donald Trump diz ainda que caso o Irão não aceite o acordo será sua “honra fazer o que tem de ser feito, o que já deveria ter sido feito ao Irão, por outros presidentes, nos últimos 47 anos”, acrescentando, em maiúsculas, que “é tempo da máquina de matar iraniana acabar”.

Na publicação, Donald Trump não detalhou que oficiais dos Estados Unidos estarão presentes nas negociações, uma segunda ronda após o vice-presidente JD Vance ter participado em conversas, também em Islamabad, na semana passada.

O Presidente dos Estados Unidos também acusou o Irão de violar o acordo de cessar-fogo no Estreito de Ormuz.

O Irão reforçou a sua intenção de restringir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz enquanto os Estados Unidos bloquearem portos iranianos, à medida que os mediadores tentam estender a trégua, cujo prazo termina na quarta-feira.

Teerão reitera que bloqueio naval dos Estados Unidos “viola cessar-fogo”

O Irão reafirmou este domingo que o bloqueio naval norte-americano constitui “não só uma violação do cessar-fogo”, mas também “um acto ilegal e criminoso”.

“Ao infligir deliberadamente punição colectiva ao povo iraniano, configura-se um crime de guerra e um crime contra a humanidade”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghai, à agência X.

Este domingo, o presidente norte-americano, Donald Trump, acusou o Irão de violar o acordo de cessar-fogo no Estreito de Ormuz.

O Irão reforçou a sua intenção de restringir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz enquanto os Estados Unidos bloquearem portos iranianos, à medida que os mediadores tentam estender a trégua, cujo prazo termina na quarta-feira.

O Irão impediu, este domingo, a passagem de dois petroleiros, um deles com bandeira de Angola, quando tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, depois de emitirem avisos, e afirmou que a ação foi uma resposta ao bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.

“Dois petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz sem autorização foram obrigados a regressar esta manhã, após avisos das Forças Armadas iranianas”, informou a agência Tasnim, controlada pela Guarda Revolucionária iraniana.

A agência indicou que as embarcações navegavam sob as bandeiras do Botswana e de Angola e pretendiam atravessar esta via navegável estratégica, mas, após a “intervenção oportuna” das Forças Armadas iranianas, “foram obrigadas a mudar de rumo e a retirar”.

O presidente do parlamento iraniano, Mohammed Bagher Qalibaf, disse no sábado numa entrevista citada pela Associated Press (AP) que “é impossível outros passarem pelo Estreito de Ormuz” enquanto os próprios iranianos também não conseguirem.

Qalibaf, que é o negociador-chefe do Irão nas conversas com os Estados Unidos, atacou o bloqueio dos Estados Unidos, catalogando-o como “uma decisão ingénua tomada por ignorância”, garantindo ainda que “não haverá retirada no campo da diplomacia” apesar da desconfiança entre as partes.

O Irão anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz depois de uma trégua de dez dias entre Israel e o grupo militante Hezbollah (apoiado pelo Irão) no Líbano, mas depois de Trump afirmar que o bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos iria “continuar com toda a força” até se alcançar um acordo, Teerão anunciou que iria continuar a restringir as passagens no estreito.

O Centro de Saúde da Malhangalene, no distrito municipal de Kampfumo, na cidade de Maputo, foi alvo de vandalização na madrugada deste sábado. Os criminosos roubaram o sistema que abastecia a energia no sector de nutrição.

Desconhecidos invadiram, na madrugada de sábado, a unidade sanitária da Malhangalene, na cidade de Maputo, e deixaram um dos sectores do centro de saúde sem iluminação.

O Centro de Saúde funciona de segunda a sexta-feira e, neste domingo, membros da Polícia de Protecção estavam no local para garantir a segurança. Informações obtidas junto do Conselho Municipal da Cidade de Maputo indicam que os ladrões entraram e roubaram o sistema eléctrico do sector de nutrição, deixando o local às escuras.

Os serviços do departamento afectado estão actualmente a funcionar em condições precárias, o que preocupa o Governo municipal.

“Neste momento, o referido sector encontra-se sem energia eléctrica, funcionando em condições inadequadas. Os utentes são atendidos fora da sala, comprometendo a privacidade, a dignidade e a qualidade dos cuidados prestados”, lê-se num comunicado do Conselho Municipal da Cidade de Maputo.

O jornal O país contactou a Polícia da República de Moçambique ao nível da capital do país para esclarecimentos sobre o crime, tendo a mesma prometido pronunciar-se na segunda-feira.

 

Transportadores que operam na rota África do Sul–Moçambique, com partidas no Terminal da Junta, ressentem-se da crise de combustíveis e dizem enfrentar dificuldades tanto para realizar viagens como para angariar passageiros.

A crise de combustíveis que afecta o país desde a semana passada já começa a ter impacto nas viagens internacionais. No Terminal da Junta, os passageiros com destino à África do Sul são obrigados a enfrentar longos períodos de espera. Porque, mesmo lá, o combustível subiu, as chapas também aumentaram os preços.

“Quando voltei para aqui, encontrei essa situação também. Não há combustível… não há transporte que funcione neste momento. Estamos aqui sentados até esta hora, nada está a dar certo, mas Deus é que sabe… estamos muito mal mesmo”, disse Beatriz, uma utente que aguardava por viagem à África do Sul no Terminal da Junta.

Na espera, acumulam-se prejuízos. A incerteza quanto à hora e, por vezes, ao dia de partida coloca em causa negócios e empregos de moçambicanos na África do Sul.

“Não, não é normal. Porque às vezes temos de ganhar tempo… não é normal. Claro que sim, porque amanhã tenho de estar no serviço. Mas, se sairmos daqui à tarde, significa chegar lá tarde também amanhã”, reclamou outra utente, que desde as sete horas aguardava por transporte com destino à África do Sul.

Para minimizar os impactos, alguns transportadores optam por abastecer na África do Sul, de forma a evitar constrangimentos no trajecto de regresso a Maputo. Ainda assim, persistem dificuldades para garantir combustível suficiente para a viagem de retorno, agravadas pelo reajuste de preços no país vizinho.

“Estamos a enfrentar muitas dificuldades devido à situação do combustível, porque os nossos carros são obrigados a abastecer na África do Sul para poder ter reserva e vir buscar passageiros. Mas, considerando que lá também subiu bastante, até o próprio passageiro tem dificuldades para se deslocar até à praça”, explicou Fernando Jerónimo, transportador da rota.

A situação é agravada pela fraca procura. Os operadores queixam-se de dificuldades na angariação de passageiros, num contexto marcado também por limitações nas ligações interprovinciais e interdistritais.

“Nós, na área internacional, temos agora falta de passageiros. Não sei se as pessoas não estão a conseguir chegar aqui por falta de transporte. Nós temos combustível na África do Sul, mas está mais caro. Antes, um carro destes gastava cerca de 2.000 rands, agora chega a 4.000 rands, com o litro a cerca de 32 rands. Isto é um caos”, disse Artur Mutisse, outro transportador.

Os responsáveis pela rota mostram-se preocupados, mas asseguram que têm mantido o diálogo com os transportadores, com o objectivo de evitar a subida dos preços das passagens.

“Trabalhamos assim: no início do ano há sempre uma taxa que ajustamos por causa da subida do combustível. Em Janeiro aumentámos 30 rands, mas agora já não. Mantemos o preço desde então”, explicou Jonas Fumo, responsável da rota África do Sul.

Segundo o responsável, “às vezes um carro fica dias sem carregar. Quando chega a vez de carregar, em vez disso anda à procura de combustível e não encontra. Nesse caso, não pode viajar. Temos de arranjar outro carro que tenha combustível para ir até à fronteira”.

Apesar de o Governo garantir a existência de combustível suficiente no país, várias bombas continuam, este domingo, com longas filas, enquanto outras permanecem encerradas

Associação dos Transportadores Rodoviários em Inhambane denuncia mercado paralelo em alta, com revenda a preços inflacionados que agrava a crise e penaliza transportadores

Há sinais que não precisam de explicação. Filas que se estendem por quilómetros, motores desligados, pessoas à sombra dos carros à espera de um recurso que deveria ser básico. Em Maxixe e Inhambane, o combustível deixou de ser apenas um produto, tornou-se um problema diário, uma corrida contra o tempo e, para muitos, uma ameaça directa à sobrevivência económica.

Ao longo da Estrada Nacional número 1, na cidade da Maxixe, a imagem que repete-se é de longas filas de viaturas que avançam lentamente, quase sem esperança. Com apenas uma bomba a vender diesel, a procura disparou para níveis que o sistema não consegue suportar. Há automobilistas que passam até quatro horas à espera para conseguir, no máximo, 30 litros. Para quem depende do combustível para trabalhar, esse tempo perdido tem um peso real.

“Desde que saí de Inhambane, estou a rodar pelas bombas desde as dez da manhã. Ainda não consegui combustível”, conta Sérgio António, um automobilista visivelmente cansado. A frustração é partilhada por muitos que, ao longo do dia, fazem contas ao prejuízo acumulado. Um dia parado é um dia sem rendimento.

Na mesma fila estão também camiões de carga, alguns com destinos longínquos. Latifo conduz um camião frigorífico com destino a Nacala, na província de Nampula. Mas a viagem foi interrompida na Maxixe. Ficou retido durante cinco horas à espera de combustível. “Tenho que abastecer para conseguir avançar. Não há outra opção”, diz, num tom que mistura urgência e resignação.

A situação torna-se ainda mais crítica quando se percebe que o problema não está apenas concentrado num ponto. Há relatos de outras bombas com limitações severas, algumas abastecem apenas até 100 litros por camião, outras simplesmente não têm combustível. O resultado é um sistema fragmentado, incapaz de responder à procura.

Sem solução na cidade de Inhambane, muitos condutores atravessam para a Maxixe numa tentativa desesperada de garantir algum combustível. Mas o esforço nem sempre compensa. Casimiro, que fez exactamente esse percurso, conseguiu apenas 10 litros. “Não está a ser fácil. Todas as bombas em Inhambane não têm diesel. Aqui na Maxixe também só temos uma. E ninguém sabe como será nas próximas horas”, relata.

Para os transportadores, a crise já se traduz em perdas concretas. O sector, altamente dependente do diesel, começa a sentir o impacto de forma directa. Viaturas paradas, viagens canceladas, receitas comprometidas. “É um dia perdido”, resume um operador, consciente de que o tempo que passa na fila é tempo que não volta.

E o problema vai além do transporte individual. A Associação dos Transportadores Rodoviários de Inhambane confirma que o cenário é cada vez mais difícil. O abastecimento é feito com fortes restrições, o que limita a produtividade e reduz a capacidade de resposta do sector. Abdul Razaque, presidente da associação, não esconde a preocupação. “Estamos limitados. O tempo que se perde na fila é tempo que não permite voltar à actividade”, afirma.

Mas há um outro fenómeno que começa a ganhar espaço e que agrava ainda mais a situação. O mercado paralelo de combustível. Segundo Abdul Razaque, parte do combustível abastecido em bidões não vai directamente para viaturas, mas sim para revenda a preços muito mais elevados. “Os transportadores acabam por comprar porque não podem parar. E isso está a pressionar ainda mais os custos”, explica.

Num contexto já marcado pela escassez, esta prática cria um efeito em cadeia: aumenta os preços, reduz o acesso e empurra ainda mais operadores para fora da estrada. Alguns já começaram a desistir. Sem combustível, não há actividade. E sem actividade, não há rendimento.

Perante este cenário, instala-se um clima de incerteza. Ninguém consegue prever o que vai acontecer nas próximas horas. “Sem combustível, não há nada que se ande”, diz um automobilista, num desabafo que resume o sentimento geral.

Enquanto isso, em Inhambane, um pequeno sinal de alívio surgiu na madrugada de domingo. Uma das gasolineiras recebeu uma nova carga de diesel. Para quem conseguiu chegar a tempo, foi uma oportunidade de retomar a actividade. Benito, por exemplo, conseguiu finalmente abastecer depois de ter deixado o carro parado durante horas. “Agora vou encher o tanque. Pelo menos consigo trabalhar”, afirma.

Mas nem todos tiveram a mesma sorte. Há viaturas que continuam paradas há dias. António conta que o seu carro está imobilizado há quase três dias. Tentou abastecer na Maxixe, mas não conseguiu. “Fui ontem, não apanhei. Fui hoje, também não. Agora só me resta esperar”, diz.

Para muitos, a solução passa por recorrer a bidões, uma alternativa improvisada que, embora ajude, não resolve o problema de fundo. É apenas mais um sinal de adaptação a uma realidade que se tornou insustentável.

Neste momento, apenas uma bomba na cidade de Inhambane está a abastecer diesel. As outras duas têm apenas gasolina, um produto que não responde às necessidades da maioria dos transportadores. O desequilíbrio entre oferta e procura mantém a cidade em alerta.

E é precisamente aí que está o ponto crítico, pois o sistema não está preparado para responder a este nível de pressão. Cada reposição traz alívio momentâneo, mas não resolve o problema estrutural. Enquanto isso, cidadãos, transportadores e empresas continuam a adaptar-se, como podem, a uma crise que insiste em prolongar-se.

 

Carlos Martins e Duarte Casimiro, actual e antigo Bastonário da Ordem dos Advogados, consideram que o Governo devia recuar e suspender o decreto que clarifica a fixação de regalias  para antigos Chefes do Estado. Os juristas entendem que não há condições, neste momento, para o país oferecer tais regalias.

Carlos Martins concorda que os antigos Chefes do Estado tenham um tratamento especial, mas considera que, neste momento, não é oportuno.

“Esta onda de críticas resultam de uma tensão muito profunda dentro da nossa sociedade relativamente a questões de desigualdades sociais e privilégios das elites. Não é propriamente uma questão de dar ou não dar dignidade aos nossos ex-dirigentes, que até o merecem, mas é uma questão efectiva de prioridade, num país com desigualdades gritantes. Com a falta de recursos, são questionáveis estes tipos de regalias”, explicou.

Um questionamento fundamentado por Duarte Casimiro, que acrescenta que “a medida por si só pode ser tomada, mas numa fase como esta em que as coisas não estão muito bem em termos sociais, parece-me um pouco descontextualizado”.

Os juristas sugerem que o Governo tome em consideração as críticas da sociedade, desde que o assunto passou a ser matéria de reflexão, e recue da sua decisão.

“Nós entendemos que devemos fazer uma reflexão sobre esta decisão do Governo e voltar para trás. Recuar de uma decisão não é um sinal de fraqueza, é um sinal de reflexão, é um sinal de amadurecimento. Portanto, nós entendemos que o clamor da sociedade deve ser ouvido e mesmo os antigos chefes de Estado devem refletir também. É verdade que não foram eles que decidiram, mas devem refletir se faz sentido efectivamente isto num contexto em que Moçambique enfrenta questões como falta de medicamentos, pagamentos de salários em atraso, se faz sentido este tipo de regalias.” Sugeriu Carlos Martins, Bastonário da Ordem dos Advogados.

O Decreto do Conselho de Ministros que uniformiza o tratamento dos antigos Chefes do Estado determina, entre outros benefícios, a alocação de um total de oito viaturas, salário, férias anuais com direito a viagem suportada com fundos públicos e plano de saúde. 

 

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia alerta que é proibida a compra de combustíveis em recipientes plásticos. Já o Serviço Nacional de Salvação Pública explica que a conservação em casa pode causar incêndios.

Com a actual crise dos combustíveis, as garrafas plásticas são cada vez mais usadas para adquirir a gasolina e o gasóleo. Entretanto, associado a esta prática há o risco de incêndios, que podem até causar mortes.  

“Primeiro, na questão da própria compra em si. Temos observado a utilização de alguns recipientes de plástico, geralmente são recipientes de água ou até de refrigerantes que são utilizados para comprar e armazenar os combustíveis. É importante explicar que, a princípio, até já é proibido utilizar recipientes de plástico, sobretudo aqueles que conservam quantidades de água de 5 ou 6 litros, porque no processo de introdução de gasolina ou gasóleo,estes recipientes trazem consigo um fenômeno chamado corrente estática. Esta corrente estática, quando entra em fricção com os líquidos inflamáveis que estão em movimento a entrar para o interior do recipiente, pode ocasionar situações de faíscas e até incêndios. O mesmo também se pode dizer com relação, infelizmente, à utilização de plásticos, como conseguimos ver que está a começar a ser adoptada esta postura de compra de combustíveis com recurso a plásticos. Estamos em um cenário atípico, mas é importante ter algum bom senso e algum sentido de segurança, principalmente, entendendo que a gasolina é um líquido que arde por vaporização”, explicou Leonildo Pelembe, porta-voz do Serviço Nacional de Salvação Pública. 

O recipiente recomendado para a compra de combustíveis são os metálicos com a devida descrição., segundo o Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

São exatamente os metálicos, que já vem a mesma descrição, que é para combustível. Esses são os que são os recipientes corretos e adequados para que se faça o transporte de combustível. Mas, logicamente, porque nem todos têm condições ou conseguem ter esse tipo de recipientes, há-de-se espaço para que alguns recipientes plásticos, como, por exemplo, aqueles que são para lubrificantes, que são um bocadinho mais rígidos, oferecem alguma proteção, alguma segurança no transporte de combustível”, disse Aldino Malice, Inspector-Geral do MIREME

Conservar tais combustíveis em residências também é arriscado, alerta o Serviço Nacional de Salvação Pública.

Tem havido uma grande tendência de conservar estes combustíveis nas residências. Queremos chamar a atenção que estamos num período caracterizado por mudanças climáticas, em que por vezes vamos acordar com temperaturas altas e está conservação de combustíveis, sobretudo em relação à gasolina, mais uma vez, se for feita dentro das residências, ela vai libertar vapores e até pode ser necessário o suficiente apenas de ligar o interruptor para que haja um incêndio dentro da residência. Por isso é que não se pode conservar primeiro em recipientes plásticos porque pode haver fuga, pode haver corrosão, pode haver libertação de vapores, até pode haver derretimento do próprio plástico em si

Diante da aquisição massiva usando os referidos recipientes plásticos, o Ministério dos Recursos Minerais suspeita que seja para a revenda clandestina.

Queremos evitar que a especulação que está sendo feita seja crescente. Há pessoas que vão, eu acredito que sim, só vão acumular o combustível porque depois querem fazer um negócio. Acreditamos que exigem pessoas de má fé que tenham esse pensamento. Queremos evitar que isso aconteça. É por isso que se existe. É uma viatura que está parada porque acabou o combustível. Tem como comprovar. Tem um livrete, vai usar o livrete”.

Com vista a combater tais situações, o MIREME diz estar atenta ao cumprimento das normas nos postos de abastecimento. 

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