O País – A verdade como notícia

Um trágico acidente  abalou o distrito de Chongoene,  em Gaza. Trata-se de um acidente de viação, que ocorreu na paragem   da Universidade Save, resultando em três mortes e deixando 10 pessoas feridas,  entre graves e ligeiros.

A Estrada Nacional Número Um (EN1) voltou a ser palco de tragédia. O sinistro ocorreu por volta das 21 horas, desta terça-feira, quando dois semi-coletivos de passageiros, que seguiam o sentido Xai-Xai Mandlakazi, embateram violentamente com registo de mortes no local.

“Duas pessoas perderam a vida aqui mesmo, devido ao embate”, disse uma testemunha.

O choque resultante de uma  alegada competição entre os condutores deixou  10 pessoas, dentre os quais menores, ligeira e gravemente feridas, além da destruição total  das duas viaturas envolvidas no sinistro.

“Vinham do mesmo sítio. Então, acabou  por embater dois postes aqui. Então, aquele outro também acabou entrando naquela vala”, contou uma testemunha. 

O trânsito esteve condicionado na via descrita por residentes da zona  como propensa a acidentes, aliás, “as paragens  Senta-Baixo e entrada da Universidade Save são tidas  como  as mais críticas e, por isso, residentes exigem o reforço da fiscalização. 

Os feridos foram levados para o Hospital Provincial de Xai-Xai, onde, devido à gravidade dos ferimentos, uma das vítimas não  resistiu.

As autoridades policiais estiveram  no local para iniciar a perícia e apurar as causas do acidente e apontam “o excesso de velocidade como uma das  principais causas do embate”.

Com este registo sobe para 26, o número de pessoas que perderam a vida neste ano devido a acidentes de viação.

Um grupo composto por 40 pessoas e 20 instituições brasileiras vai apoiar as vítimas de inundações em Moçambique com medicamentos, produtos alimentares e outros. Neste momento, prepara-se a logística para o efeito.

“Nós temos, principalmente, um grupo interministerial do Brasil de apoio e de socorro às vítimas de desastre e tivemos na segunda-feira, dia 19 de Janeiro, uma reunião desse grupo, composta por 40 pessoas e 20 instituições, e todos se prontificaram antes mesmo de chegar o pedido oficial do Governo Moçambicano para nós”, disse o embaixador do Brasil em Moçambique, Ademar Seabra.  

O embaixador adiantou ainda que a ajuda será feita através da arrecadação de medicamentos de várias doenças, especialmente para combate a cólera, a febre amarela e doenças do trato gastro-intestinal. 

“Temos também uma manifestação importante do Ministério da Agricultura e Abastecimento do Brasil, que vai trazer uma carga de alimentos não perecíveis, junto também a nossa defesa civil, que tem grande experiência na montagem de abrigos”, acrescentou

Moçambique e Rússia vão passar a poder extraditar cidadãos por crimes com penas de prisão de pelo menos dois anos.

“Havendo necessidade de estabelecer os termos e as condições para a efectivação da extradição dos cidadãos entre a República de Moçambique e a Federação Russa, por forma a coordenar esforços, a nível nacional e transnacional, para uma cooperação mais eficaz entre as partes no combate à criminalidade”, justifica o parlamento moçambicano, na resolução 88/2025, de 31 de Dezembro, consultada pela Lusa.

O acordo para extradição define, ainda, que cabe aos ministros que superintendem as áreas da Justiça e dos Negócios Estrangeiros e Cooperação a “efectivação dos procedimentos” para a entrada em vigor, prazo previsto para Fevereiro, 30 dias após a publicação, tendo o mesmo sido assinado em 21 de Maio de 2025, pelos dois governos, em São Petersburgo, na Rússia, refere a mesma fonte.

Prevê que as autoridade centrais “autorizadas a executar” o acordo de extradição são a Procuradoria-Geral da República, de Moçambique e da Rússia, mas esse pedido pode ser recusado por uma das partes, entre outros motivos, se for feito “com o propósito de processar ou punir uma pessoa em razão da raça, religião, nacionalidade, origem étnica, opinião política ou género dessa pessoa”.

Também prevê a possibilidade de um dos países recusar a extradição para a contraparte caso se trate de um cidadão nacional.

“Na medida do permitido pela lei da parte requerida e sujeito aos direitos de terceiros, os bens localizados no seu território e que tenham sido adquiridos como resultado do crime ou possam ser exigidos como prova serão transferidos a pedido da parte requerente, medida decisão tomada sobre a extradição”, pode ler-se, conforme avançado pela agência noticiosa portuguesa.

Agricultores no vale de Infulene, na Cidade de Maputo, perderam quase todas as suas culturas, devido a inundações. Os produtores falam de dificuldades em abastecer os mercados e pedem ajuda para a aquisição de sementes.

Não é novidade que há falta de hortícolas nos mercados da Cidade de Maputo e a pouca existente é vendida a preços elevados. Na verdade, o problema parte nas “machambas”.

É que vários campos agrícolas se encontram vazios, depois de a água da chuva ter arrastado quase todas as plantações.

“Eu tive perdas enormes, quase, tenho três machambas, mas perdi as duas, fiquei com uma parte na terceira machamba. Perdi uma machamba completa, repleta de alface, duas machambas de couve. Aqui estava cheio de água, toda a machamba estava cheia de água, então, até mesmo a folha de abóbora ficou estragada”, lamentou Brito Mondlane.

O vale do Infulene é conhecido por abastecer vários mercados das cidades de Maputo e Matola. Neste momento, não há produtos como alface, couve, beterraba e cenoura. O pouco que existe, não está em condições de ser consumido.

Os produtores agrícolas, como Brito Mondllane, procuram recuperar os seus negócios. Logo cedo fazem-se as “machambas” para resgatar o que ainda é possível  e introduzir novas sementes ao solo, depois de se terem endividado para adquiri-las.

“Eu estou a tentar investir de novo, não há como, temos de fazer alguma coisa, pois não podemos parar. Começamos recentemente a semear e plantar estes viveiros.”

Entretanto, houve quem conseguiu salvar pelo menos uma cultura, e é a única esperança no vale do Infulene.

Para que possam recuperar os seus negócios e voltar a abastecer os mercados, os produtores agrícolas pedem apoio para a aquisição de sementes e viveiros. 

O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) anunciou que vai contar, até ao fim deste semestre, com um novo provedor de emissão de cartas de condução com sistema integrado, numa altura em que enfrenta cerca de 35 mil pedidos pendentes. Paralelamente, a instituição vai duplicar a capacidade diária de produção para 1500 cartas e estender o funcionamento aos fins-de-semana até 10 de Março, como forma de reduzir a morosidade na entrega do documento.

As medidas foram anunciadas pelo administrador-geral do INATRO, Cláudio Zunguze, durante uma conferência de imprensa em Maputo. Segundo o responsável, trata-se de um pacote de acções imediatas e estruturais para responder à elevada procura e restaurar a normalidade no processo de emissão das cartas de condução biométricas.

“(…) As medidas que estamos a implementar com vista a acelerar a produção da carta de condução. Estamos a falar da carta definitiva, a carta biométrica, cuja procura aumentou significativamente”, afirmou.

Uma das decisões imediatas é a extensão do horário de funcionamento da instituição. De acordo com Zunguze, o INATRO vai passar a operar também aos sábados e domingos, uma medida que entra em vigor de forma imediata e que se manterá até ao dia 10 de Março.

“O INATRO irá estender os dias de funcionamento até aos fins-de-semana, como forma de atender de maneira mais célere os pedidos de impressão das cartas. O objectivo é aliviar a pressão sobre este serviço, que neste momento conta com cerca de 35 mil pedidos acumulados”, explicou.

Outra medida central é a entrada em funcionamento da segunda máquina de impressão de cartas, o que permitirá aumentar significativamente a capacidade produtiva da instituição.

“Com esta máquina a funcionar, passaremos a imprimir cerca de 1500 cartas de condução por dia, contra as actuais 750. Isto significa que estamos a duplicar a nossa capacidade”, disse o administrador-geral, sublinhando que a máquina não representa um novo investimento, mas sim a reactivação de um equipamento que esteve inoperacional durante algum tempo.

Segundo Cláudio Zunguze, com estas acções, criam-se condições para que o prazo normal de emissão da carta definitiva volte a ser respeitado. “O período de produção da carta não deve ser superior a três meses após a atribuição da carta temporária. Com estas medidas, entendemos que estão criadas condições para restaurar esse processo normal”, afirmou o INATRO.

O dirigente reconheceu, no entanto, que a morosidade verificada nos últimos meses resulta de problemas estruturais no sistema actualmente em uso. “Temos um desafio sério na comunicação entre o sistema de captação de dados e o sistema de produção. O processo ainda não é totalmente automatizado e, em alguns casos, os nossos técnicos são obrigados a intervir manualmente para que os dados cheguem à fábrica de impressão”, explicou, acrescentando que esta fragilidade tem sido uma das principais causas dos atrasos.

Para responder de forma estrutural a estes constrangimentos, o INATRO anunciou a entrada em funcionamento de um novo Provedor de emissão de cartas, inserido num sistema integrado de gestão e monitoria dos transportes rodoviários. Segundo Zunguze, o concurso público já foi lançado e encontra-se numa fase negocial.

“Já foi identificada uma entidade e estamos neste momento num processo negocial. A nossa expectativa é que, até ao fim deste semestre, o novo provedor esteja adjudicado e a prestar o serviço”, revelou.

O administrador-geral explicou que o novo sistema permitirá integrar, num único ambiente digital, os dados do condutor e do veículo, aumentando a eficiência, a segurança e o controlo dos processos.

“Tudo quanto diz respeito ao domínio rodoviário vai passar a funcionar num sistema integrado, com vários módulos. Isto vai permitir eliminar muitos dos constrangimentos que hoje enfrentamos”, afirmou.

Em breve, o INATRO vai também afixar listas com os nomes dos utentes cujas cartas biométricas já se encontram impressas, mas que ainda não foram levantadas. “Constatámos que existem muitas cartas já produzidas nas nossas delegações que não foram levantadas pelos respectivos titulares. Por isso, vamos afixar listas para que cada utente saiba se a sua carta já está disponível”, explicou Zunguze.

A instituição garantiu igualmente que está a trabalhar com entidades regionais e internacionais para assegurar o reconhecimento das cartas temporárias no estrangeiro, sobretudo nos países vizinhos. “Estamos a articular com as autoridades de transporte rodoviário para que os nossos utentes não enfrentem constrangimentos quando circulam fora do País. Esta situação tem dias contados”, assegurou.

Questionado sobre a dívida avaliada em cerca de 40 milhões de meticais com a empresa Brithol Michicoma, o administrador-geral limitou-se a afirmar que o processo segue os trâmites legais. “É um assunto que está a ser tratado nas instâncias competentes, pelo que não gostaríamos de avançar mais detalhes”, declarou.

As bacias hidrográficas dos rios Save e Limpopo continuam sob monitoria apertada das autoridades moçambicanas, numa altura em que se registam níveis elevados de escoamento, influenciados pelas chuvas intensas nos países vizinhos, embora os dados mais recentes apontem para uma tendência de estabilização em algumas estações hidrométricas.

De acordo com a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, a bacia do rio Limpopo registou, na estação a montante de Beit Bridge, na África do Sul, uma descarga no caudal na ordem dos 1.900 metros cúbicos por segundo, volume que poderá provocar uma subida do nível hidrométrico nas cidades de Chókwè e Xai-Xai, nos próximos três dias. Ainda assim, as autoridades garantem que, para já, não se prevê alteração significativa do actual cenário hidrológico naquela bacia.

Já na bacia do rio Save, a situação inspira maior atenção. A estação hidrométrica de Massangena, no distrito com o mesmo nome, mantém-se em nível estacionário, com 4,63 metros registados tanto às 7 como às 12 horas desta terça-feira, valor acima do nível normal, mas sem variação nas últimas horas. O aumento do volume de escoamento resulta, sobretudo, das chuvas que caem na região de montante, no Zimbábue, fenómeno que poderá reflectir-se no território nacional nos próximos dias.

Na estação de Vila Franca do Save, os dados mostram uma ligeira descida do nível hidrométrico, que passou de 4,81 metros às 7 horas para 4,79 metros ao meio-dia, uma redução de dois centímetros. Apesar desta pequena variação, as autoridades sublinham que o rio permanece sob vigilância permanente.

Segundo a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, este comportamento do rio Save pode gerar impactos moderados em assentamentos populacionais e áreas agrícolas localizadas nas zonas baixas e ribeirinhas dos distritos de Machanga, na província de Sofala, e Nova Mambone, em Inhambane, num horizonte de cerca de três dias.

As autoridades apelam às comunidades ribeirinhas para que acompanhem a informação oficial, evitem actividades nas zonas inundáveis e sigam as orientações da protecção civil, numa altura em que o país atravessa o pico da época chuvosa.

O ano lectivo 2026 terá início no dia 27 de Fevereiro, em todo o território nacional. O arranque, inicialmente programado para 30 de Janeiro, foi adiado devido à situação calamitosa em que o País se encontra, principalmente as províncias de Maputo e Gaza, em consequência das inundações, que afectaram 427 289 alunos, 9204 professores e 431 escolas.

Na sessão do Conselho de Ministro desta terça-feira, na cidade de Xai-Xai, o Governo explicou que das 13 771 escolas públicas existentes no País, entre primárias e secundárias, pelo menos “431 foram afectadas, 281 salas de aula estão destruídas totalmente, 80 escolas são centros de acolhimento e 218 escolas se encontram sitiadas”. 

Do levantamento feito, 427 289 alunos e 9204 professores ainda se ressentem do impacto das cheias e inundações, sobretudo nas províncias de Maputo e Gaza, onde o cenário de destruição e miséria está longe de ser superado, uma vez que extensas áreas e infra-estruturas continuam alagadas.

Os dados são preliminares e referem-se ao período de 09 a 26 de Janeiro. No encontro, o Executivo informou que, além desses danos, 167 sanitários foram destruídos, dos quais 82 na totalidade.

Por isso, “o Conselho de Ministros adiou o início do ano lectivo, em todo o território nacional, para o dia 27 de Fevereiro de 2026”, devendo as aulas arrancar no dia 2 de Março, disse Inocêncio Impissa, porta-voz do Governo.

O Executivo decidiu, também, anular as dívidas de consumo de água nas escolas que funcionam como centros de acomodação. Trata-se de dívidas acumuladas de Outubro a Dezembro de 2025. No mesmo período, os estabelecimentos de ensino em referência estarão isentos do pagamento do consumo de água, de Janeiro a Março deste ano.

Igualmente, nas escolas que funcionam como centros de acomodação, os contadores de energia eléctrica pré-pago serão substituídos por “contadores pós-pago, a ser paga pela Electricidade de

Moçambique”.

De acordo com Inocêncio Impissa, a medida visa assegurar o funcionamento adequado dos centros de acomodação e garantir o acesso contínuo à água potável e energia eléctrica.

Doze pessoas morreram, devido às inundações, outras 45 ficaram feridas e outras quatro são dadas como desaparecidas. No total, acrescentou Impissa, foram afectadas 692 522, o que corresponde a 151 962 famílias.

O objectivo da reunião havida em Xai-Xai era “prestar apoio e solidariedade às vítimas das cheias e inundações, aferir, no local, os danos causados às infra-estruturas públicas e privadas, bem como o seu impacto socioeconómico e estabelecer as directrizes para o Plano Global de Reconstrução Pós-Cheias”.

O Secretário do Estado na província de Sofala, Manuel Rodrigues, garante que há stock suficiente de produtos essenciais e defende que os parceiros priorizem o mercado local, como estratégia para fortalecer a economia e responder de forma mais eficaz às consequências das cheias. 

Ao mesmo tempo, alerta que é preciso investir em infra-estruturas resilientes, capazes de suportar eventos climáticos cada vez mais severos. Sofala enfrenta mais uma fase de recuperação após cheias que afectaram milhares de famílias. 

Manuel Rodrigues pediu durante a reunião do Comité Operativo de Emergência, que se encontrem estratégias certas através da priorização  da produção local para o apoio, que, mais do que para o consumo da província, pode apoiar outras que também estão a sofrer os efeitos das cheias.

Por sua vez, o governador de Sofala, Lourenço Bulha, apela para que se garantam sementes e insumos agrícolas, numa altura em que as famílias reassentadas começam a preparar a próxima campanha de produção.

 “Nós queremos muito as sementes, porque as pessoas vão sair dos centros de acomodação e logo que tiverem os seus parcelamentos, vão precisar produzir”, disse o governante.
As últimas actualizações hidrológicas indicam que há sinais positivos em Sofala, tendo em conta que o  nível das águas na bacia do Púnguè apresenta uma redução considerável.

“No posto de Mafambisse, o nível máximo era de 7,98 metros e já registamos uma redução de cerca de 46 centímetros, o que melhora a situação nas zonas baixas”, explica Lourenço Bulha. 

Com as chuvas que caíram, a estrada que dá acesso ao distrito do Búzi foi severamente afectada, pelo que as autoridades admitem que não basta tapar buracos para resolver o problema. Para o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, a prioridade passa por construir estradas mais resistentes às mudanças climáticas.

“A questão não é só garantir a transitabilidade. Precisamos de estradas preparadas para que nas próximas chuvas não volte a acontecer o mesmo”, alerta o governante.
Na área logística, o Governo garante prioridade no transporte de bens essenciais, usando novas alternativas portuárias.

“O Aeroporto de Chongoene já está activo e estamos a receber carga. Isso significa que o apoio que vinha de Maputo pode ser redirecionado para Gaza e Inhambane”, acrescenta.

Pelo menos 500 pessoas seguiram viagem da cidade de Maputo para o distrito de Magude, num comboio especial, em resposta à intransitabilidade da estrada nacional número um. Muitos passageiros aguardavam pela viagem há duas semanas.

Estes passageiros ficaram retidos na cidade de Maputo devido à Estrada Nacional Número Um que está, em vários pontos, cortada pelas chuvas. 

O comboio partiu às 9h, da estação central dos CFM, em Maputo, mas desde as 5h da manhã que dezenas de passageiros já aguardavam, nos bancos, no chão ou em pé, com trouxas, pela hora da partida.  

Crianças, adultos, homens e mulheres não viam a hora de voltar para casa. 

Ouvimos Alzira Domingos, uma idosa que esteve retida na casa de familiares em Maputo, em rezas diárias para que a transitabilidade voltasse ao normal

E não é para menos. Muitos vieram à cidade para uma estadia rápida, mas a chuva estragou os seus planos, como conta Virginia da Silva. “É a minha tia que faleceu cá. Vim para participar do seu funeral, mas depois choveu muito e não consegui voltar”.

Embora bem acolhida, a sua mente estava na família que deixou em Magude. Durante o tempo de espera, houve quem teve que passar as noites em centros, junto das vítimas das cheias. Tal é o caso de Alexina Benzane.

“ Eu vinha de Inhambane, em missão de serviço, e vinha visitar a família aqui na cidade.

Foi quando começaram aquelas chuvas torrenciais, que depois fecharam a passagem na 3 de Fevereiro, e fiquei por aqui em casa de um familiar. Depois passei para a escola da ADPP, em Mapulene, no bairro Costa de Sol, para ficar alojada lá”, contou a passageira, enquanto olhava atentamente para os fiscais do CFM, à espera do sinal de embarque.

Com a EN1 cortada, há também trabalhadores que aguardam rendição há 14 dias em Magude. Este comboio especial é a sua esperança, apesar das incertezas envolvidas.

“Os colegas estão lá há 14 dias. Não sabemos o que está a passar lá. Logicamente, estão a passar dificuldades. E, portanto, hoje nós vamos lá rendê-los. E é provável que as mesmas dificuldades que eles estão a passar, também passemos.  Então, vamos para lá e não sabemos quando iremos voltar”.

As crianças também foram vítimas. O passeio para a cidade de Maputo acabou sendo mais longo do que o pretendido. Rosa Chume teve suas sobrinhas, que vivem em xai-xai, a passar férias escolares em sua casa. O regresso estava previsto para há duas semanas. No entanto, só agora é que conseguiu viajar, no comboio especial.

Nove horas, 27 de Janeiro de 2026. O comboio partiu rumo ao distrito de Magude, na província de Maputo, ponto final para muitos, mas um passo dado para outros que vão mais longe.

“Vivo em Inhambane. Fiquei impedido de regressar a casa, assim busco alternativas”, revelou Albano Chirindza que ficou retido na cidade, vindo da vizinha África do Sul, desde o passado sábado, 17. Por esses dias, estive hospedado em casa de um amigo, mas “Já estava cansado de trazer despesas para ele e sua família, daí que busquei formas de ir para casa”.

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