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Salim Valá desafia o país a repensar o desenvolvimento e o papel do Estado

O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, lançou esta quinta-feira a sua mais recente obra literária intitulada Repensar o Desenvolvimento Económico e o Papel do Estado. O livro propõe um olhar sobre os dilemas, desafios e tendências do crescimento económico do país. O evento teve lugar no campus da Universidade Pedagógica de Maputo e contou com a presença do Presidente da República de Moçambique.

Entre capítulos e páginas, Salim Valá relança um desafio: repensar o desenvolvimento económico e o papel do Estado. O maior palco não poderia ser outro senão o auditório Paulo Guedes, da Universidade Pedagógica de Maputo, para acolher o lançamento da oitava obra de um governante, que despiu o poder para questionar e propor caminhos. Coube ao prefaciador da obra quebrar o gelo e, num ambiente que contou com a presença do Presidente da República, sintetizar em poucas palavras o pensamento desenvolvido por Vala ao longo de mais de 300 páginas.

“Prova-nos que este livro é um acto de arrojo intelectual, porque pensar é também expor-se e ele expõe-se de forma muito natural. Também recorda o autor uma cultura de dependência alimentada por ajuda externa e pela expectativa de riqueza fácil, baseada nos recursos naturais, que limitaram, de alguma forma, o dinamismo interno.” Seguiram-se as apresentações.

Entre humor e reflexão, João Pereira destacou ideias, desafios e propostas para o desenvolvimento económico do país. “Para Vala, repensar hoje a relação entre o Estado e a economia significa aceitar que o Estado é parte da solução e não apenas um mal necessário. Não se trata, para Vala, de ter um Estado que seja simplesmente fazedor de boas e compreensivas políticas de estratégia económica, mas de um Estado que tenha competência técnica”, explicou o académico.

Repensar o Desenvolvimento Económico e o Papel do Estado, de Salim Valá, propõe um olhar sobre dilemas, desafios e tendências. Para o economista Ibraimo Mussagy, a obra convida à reflexão sobre um crescimento que não se esgota nos indicadores do PIB.

“O desejado não gravita somente na quantificação do PIB, produto interno bruto; gravita em torno de questões tais como crescer para quê, crescer como, quais os determinantes e crescer para quem”, salientou.

Feitas as apresentações, coube ao autor revelar as motivações que deram origem à obra, destacando seis lentes que orientaram a sua análise e visão sobre o desenvolvimento.

“O crescimento sem diversificação, sem inclusão e sem transformação estrutural não leva ao desenvolvimento, mas pode conduzir à ilusão estatística. Esta é a primeira nervosidade. A segunda é que, sem capacidade institucional, sem um Estado forte, empreendedor e meritocrático, qualquer estratégia de desenvolvimento pode ficar apenas no papel”, explicou o autor.

Presente no evento e atento às intervenções, o Chefe de Estado também comentou o pensamento de Vala, antes de elogiar a obra e o seu contributo para o debate sobre o desenvolvimento.

“É um livro que traz uma contribuição extremamente importante para o nosso processo de desenvolvimento e, sobretudo, porque o professor Salim Valá faz questão de estabelecer uma grande diferença entre o crescimento e o desenvolvimento, mostrando de forma clara e inequívoca ao longo do livro que, durante os nossos 50 anos de independência, fomos registando alguns sinais de crescimento, mas aquilo em que nos devemos concentrar é, sem dúvidas, o desenvolvimento”, frisou o estadista.

Numa tarde marcada pela convergência de ideias e personalidades em torno do desenvolvimento, a música e a sessão de autógrafos encerraram o evento.

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