O Presidente do Movimento Democrático de Moçambique , Lutero Simango, diz que a saída das tropas ruandesas da província de Cabo Delgado poderá deixar uma lacuna na defesa e segurança do país. Simango acusa ainda o Governo de não ter preparado devidamente as forças nacionais durante o período da permanência dos ruandeses.
Segundo Simango, o Executivo teve cerca de cinco anos para reforçar a capacidade das Forças de Defesa e Segurança, mas falhou nesse objectivo. “Vai deixar sim uma lacuna porque o governo não aproveitou este período de cerca de cinco anos para formar as nossas forças”, afirmou.
Apesar de o MDM sempre ter considerado a presença das tropas ruandesas como uma ilegalidade por não ter sido objecto de debate parlamentar o dirigente entende que a sua retirada expõe fragilidades estruturais no combate ao terrorismo no norte do país.
Para Simango, a consolidação da paz não depende apenas da componente militar, mas também da unidade nacional, inclusão social e capacitação efectiva das forças moçambicanas. “Não se pode garantir a paz enquanto a nação moçambicana não for una e enquanto as forças não estiverem melhor preparadas para defender o país”, sublinhou.
No plano económico, o líder do MDM criticou as políticas públicas em vigor, que considera desajustadas e prejudiciais ao desenvolvimento. Apontou a ausência de um sector empresarial forte e qualificado e a excessiva dependência do Estado como principal empregador.
“É impossível haver desenvolvimento sem um sector empresarial qualificado, enquanto o Estado continuar a ser o maior empregador”, afirmou.
Simango defendeu ainda maior investimento na agricultura e a adopção de políticas de sustentabilidade como caminhos para impulsionar a economia nacional, numa altura em que o país enfrenta desafios económicos e sociais significativos.
“Moçambique deve transformar a crise numa grande oportunidade”, disse, acrescentando que o país pode explorar melhor os seus recursos estratégicos, incluindo a água, face à crescente escassez a nível global.
Por outro lado, o MDM anunciou que irá promover, nos próximos dias, debates no âmbito do diálogo nacional, com enfoque nos poderes do Chefe de Estado, a separação de poderes e reformas eleitorais.
Lutero Simango falava esta segunda-feira à margem do lançamento de uma formação de quadros do partido, um evento com duração de dois dias.

