O sector da saúde recuperou apenas 5100 unidades de antimaláricos, dos mais de 844 mil roubados em Novembro do ano passado, na Província de Maputo. A Central de Medicamentos diz que os fármacos continuam a circular de forma ilícita no país e alerta para os riscos à saúde da toma sem prescrição médica.
Em Novembro do ano passado, a STV reportou a detenção de alguns indivíduos, por envolvimento no roubo de medicamentos equivalentes a 42 milhões de meticais.
Parte dos fármacos já foram recuperados pelo sector da saúde, mas não equivalem nem à metade do que foi subtraído.
“O que nós tivemos como desvio, em termos de tratamentos, quando nos referimos a antimaláricos, nós tivemos o desvio de 844 860 tratamentos, para verem que é uma quantidade de medicamentos para muita gente. Cada tratamento é para uma pessoa. Então, estamos a dizer que o que foi desviado neste armazém foram 844 660. Destes, nós só conseguimos recuperar 5100 tratamentos. Então, estamos longe da quantidade que foi desviada, e esse desvio alimenta não só o mercado nacional”, explicou Noémia Escrivão, directora da Central de Medicamentos.
Os medicamentos foram encontrados em Chimoio, com destino a Malawi, para efeitos de venda.
“Nós já tivemos informação dos inspectores, da autoridade reguladora, de comunicação de outras autoridades reguladoras dos países vizinhos, que em algumas situações inspectivas apreendem medicamentos vindos de Moçambique. Então, é preciso que todas as entidades fiscalizadoras também apertem o cerco, porque a saída destes produtos é pelas nossas fronteiras. Então, nós todos temos um trabalho aqui muito importante de controlar aquilo que nós temos como medicamentos para o Serviço Nacional de Saúde.”
A não localização das mais de 839 mil unidades de antimaláricos, ainda em parte incerta, poderá trazer mais constrangimentos à saúde, numa altura em que o sector já se depara com problemas de escassez de medicamentos nas unidades sanitárias.
“O constrangimento maior é a falta de tratamento para as pessoas. As pessoas vão, os pacientes vão às unidades sanitárias e chegam lá e não encontram os produtos, porque foram desviados. Neste momento, ainda temos antimaláricos para suprir esta fase, mas nós estamos a entrar numa fase de chuvas, é a altura de pico da malária. O desvio de antimaláricos é danoso para o nosso Sistema Nacional de Saúde.”
Em conexão com o roubo de medicamentos, estão detidos seis indivíduos, alguns dos quais funcionários da Central de Medicamentos, na Machava, Província de Maputo.

