A Polícia da República de Moçambique (PRM) diz que a intervenção policial ocorrida no último sábado, durante o evento da ANAMOLA em Quelimane, foi necessária para garantir a ordem e a segurança públicas.
Segundo a porta-voz da PRM na Zambézia, Belarmina Henriques, esperava-se que o evento decorresse de forma pacífica e ordeira, sem incidentes ou actos de vandalismo. A polícia afirma que, durante um encontro realizado no dia 12 de Agosto, no Comando Provincial da PRM, foram harmonizadas com a direcção da ANAMOLA as condições para a realização do evento.
Entre os aspectos acordados, segundo a corporação, estava a possibilidade de interdição da marcha caso as condições de segurança e ordem pública assim o exigissem.
A PRM explica que, após uma avaliação das condições no terreno, concluiu que não estavam reunidas as condições necessárias para a realização da marcha. Entre as razões apontadas está a realização do Carnaval de Quelimane, que decorre de 14 a 23 de Agosto, período marcado por grande concentração de pessoas, aglomerados populacionais e elevado fluxo de viaturas.
Perante este cenário, as autoridades policiais dizem ter comunicado aos organizadores da ANAMOLA a necessidade de não realizar a marcha, recomendando que o programa prosseguisse apenas com o showmício no campo da Sagrada Família.
“Esperava-se um evento de carácter pacífico, ordeiro e sem qualquer tipo de incidente ou acções de vandalismo”, explicou a porta-voz da PRM.
A polícia diz, contudo, que as orientações não foram acatadas e que os participantes formaram uma caravana para dar início à marcha, situação que, segundo a corporação, configurou desacato às autoridades.
A PRM afirma ainda que, durante as tentativas de impedir o avanço da caravana, alguns membros terão proferido insultos contra os agentes, enquanto um dos participantes terá lançado uma pedra contra uma viatura policial, atingindo e quebrando o vidro frontal.
Face à situação, a polícia diz ter recorrido ao gás lacrimogéneo para dispersar os participantes e controlar os ânimos.
A corporação esclarece, entretanto, que não recorreu a meios letais durante a intervenção.
Na sequência do lançamento do gás lacrimogéneo, a polícia relata ainda que uma colmeia localizada nas imediações do campo teria sido afectada, provocando o ataque de abelhas a alguns participantes. Um membro e simpatizante da ANAMOLA terá sido gravemente picado e foi prontamente encaminhado para uma unidade sanitária.