O Presidente da República, recebeu em audiência, na manhã desta quarta-feira, a cidadã moçambicana Cecília Sebastião Mathe, carinhosamente conhecida por Avó Cecília, com o propósito de manifestar a sua admiração pelo trabalho que esta desenvolve na promoção do livro e do gosto pela leitura no país.
Durante o encontro, o Chefe do Estado enalteceu o empenho e a dedicação de Avó Cecília, destacando o impacto positivo da sua acção junto das crianças. Na ocasião, o Presidente Chapo encorajou-a a prosseguir com a sua missão, afirmado: “Nós estamos consigo, Vovó Cecília”.
Residente no Bairro da Mafalala, na Cidade de Maputo, Cecília é responsável por um acervo bibliográfico denominado Biblioteca Avó Cecília, espaço através do qual tem vindo a incentivar hábitos de leitura, sobretudo entre os mais jovens.
Na audiência, a interlocutora deu a conhecer, com maior detalhe, o seu trabalho e os projectos que vem desenvolvendo no domínio da promoção da leitura. Explicou que a sua acção assenta, actualmente, numa biblioteca móvel, denominada Biblioteca Angola, através da qual leva livros a diversas comunidades. “A mensagem é o gosto pela leitura. Eu tenho uma biblioteca móvel, chamada Biblioteca Angola, que é para todos, mas principalmente para o público infanto-juvenil”, afirmou.
Segundo referiu, o projecto tem permitido alcançar crianças e estudantes de diferentes níveis de ensino, com particular incidência para alunos da 1ª à 11ª classe. “As crianças têm vindo, os jovens também aparecem, embora em menor número, mas o foco principal são os estudantes, desde os mais pequenos até à 11ª classe”, explicou.
Relativamente ao acervo bibliográfico, Avó Cecília destacou que o mesmo resulta, em grande medida, de esforço pessoal, complementado por contribuições solidárias. “Eu compro os livros, mas ultimamente tenho tido muitas ofertas. Há pessoas e iniciativas que têm contribuído, o que ajuda muito a fortalecer a biblioteca”, sublinhou.
Intervindo na ocasião, Avó Cecília reiterou a importância de incutir o hábito de leitura desde a infância, dizendo: “Por ser de pequeno que se torce o pepino, prefiro trabalhar com as crianças que, nesta era de crescente digitalização, têm cada vez menos incentivos à leitura”.
No que concerne à sua visão de futuro, manifestou o desejo de evoluir da actual biblioteca móvel, ou itinerante, na linguagem técnica, para uma infra-estrutura permanente. “O meu sonho é ter uma biblioteca fixa, não apenas móvel. Quero um espaço próprio, voltado essencialmente para o público infanto-juvenil”, afirmou.
A interlocutora destacou, igualmente, a sua ligação à área da educação, referindo que, para além da sua formação como bibliotecária, já exerceu funções como professora e continua, sempre que possível, a apoiar o processo de aprendizagem. “Para mim, ser bibliotecária é também ser um pouco professora. Já fui professora e continuo a dar algum apoio básico às crianças”, referiu.
Actualmente com 76 anos de idade, Avó Cecília é reformada da função pública, tendo sido quadro da Biblioteca Nacional, sediada na Cidade de Maputo. Há 11 anos, concluiu a licenciatura em Gestão e Estudos Culturais pelo Instituto Superior de Arte e Cultura (ISARC), no Município da Matola, aos 65 anos de idade, demonstrando, assim, o seu contínuo compromisso com o conhecimento e a valorização da cultura.
Com esta iniciativa, Avó Cecília reafirma o seu compromisso com a promoção da leitura, da educação e do acesso ao conhecimento, pilares fundamentais para o desenvolvimento social e cultural do país.

