O Presidente da República, Daniel Chapo, escalou esta sexta-feira a província de Inhambane para avaliar os estragos causados pelo ciclone Gezani, que afectou cerca de nove mil pessoas, correspondentes a pelo menos duas mil famílias. Durante a reunião do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), o Chefe do Estado garantiu a reposição célere de infra-estruturas estratégicas, com destaque para a ponte-cais, e apelou à união entre o sector público, privado e parceiros de cooperação para a reconstrução de uma província ciclicamente fustigada por fenómenos naturais.
Falando no encontro que se seguiu à visita presidencial às infra-estruturas afectadas, o estadista moçambicano começou por expressar solidariedade com a população local, sublinhando que Inhambane foi a província mais atingida pelo fenómeno.
Daniel Chapo destacou igualmente a importância do cumprimento das mensagens de alerta pelas comunidades, considerando que tal atitude foi determinante para reduzir as perdas humanas.
“O segundo aspecto é agradecer à população da província de Inhambane por ter acatado as mensagens que foram divulgadas ao nível do país, da província em particular, da passagem deste ciclone”, disse, acrescentando que, sem essa postura, “os danos humanos seriam maiores do que estes que nós tivemos”.
Chapo destacou que apesar dos esforços das autoridades, o ciclone provocou vítimas mortais. “Nós fizemos tudo por tudo para que não houvesse nem um morto sequer, mas, como sabem, não é fácil controlar tudo e todos, tivemos neste caso quatro óbitos e nenhum desaparecido”, declarou, endereçando de seguida condolências às famílias afectadas.
O Chefe do Estado explicou que a sua deslocação teve como principal objectivo observar, no terreno, o impacto do ciclone sobre infra-estruturas sociais, com destaque para o sector da educação. “A nossa presença foi basicamente para, in loco, no terreno, vermos as infra-estruturas que foram afectadas”, disse, referindo a visita a duas escolas onde (Escola Primária Josina Machel e Escola Secundária de Conguiana), apesar da perda das coberturas, as estruturas principais resistiram, evidenciando avanços na construção resiliente.
Nesse contexto, o Chefe do Estado sublinhou a necessidade de reposição urgente dos tetos das salas de aula, tendo em conta o arranque do ano lectivo. “Temos que continuar a trabalhar para repormos o mais rápido possível as coberturas, porque se tudo correr bem, dia 27 de Fevereiro teremos a abertura do ano letivo”, advertiu, lembrando que, na semana seguinte, “as crianças vão precisar de usar aquelas salas que ficaram sem teto”.
No domínio das infra-estruturas estratégicas, Chapo destacou a ponte-cais, que assegura a travessia entre Inhambane e Maxixe, como prioridade imediata. “Atravessam naquela ponte cerca de duas mil a três mil pessoas por dia”, referiu, frisando que a sua interrupção representa “um sacrifício por parte da nossa população” e exige uma resposta rápida por parte do Governo.
Segundo o Chefe do Estado, já estão em curso avaliações técnicas para permitir o início das obras. “Está a elaborar um relatório que vai dar recomendações de como é que nós podemos reflutuar a ponte”, explicou, indicando que a perspectiva é começar os trabalhos logo após a entrega do documento, com uma previsão de “cerca de 10 a 15 dias” para a reparação.
Na recta final da sua intervenção, o Chefe do Estado deixou recomendações à província, com destaque para a reconstrução de infra-estruturas públicas e privadas, o reforço do saneamento do meio e a aquisição de sementes para apoiar a produção agrícola.
Por conseguinte, apelou ao envolvimento do sector privado, parceiros de cooperação e lideranças comunitárias, lembrando que “Inhambane é uma província que sofre ciclicamente de ciclones” e que a recuperação deve ser inclusiva, gradual e sustentável.

