O País – A verdade como notícia

PR lança projecto mineiro de Revúboè e  aponta nova etapa para a industrialização do país  

O Presidente da República, Daniel  Chapo, lançou, nesta sexta-feira , na cidade de Moatize,  província de Tete, a primeira pedra do Projecto Mineiro de Revúboè,  uma iniciativa considerada estratégica para o fortalecimento do  sector extractivo e para a dinamização do crescimento económico  nacional. 

Falando na cerimónia, o Chefe do Estado afirmou que o projecto  representa um marco importante na valorização dos recursos minerais  do país e na atracção de investimento directo, sublinhando que o  Governo continuará empenhado em promover iniciativas que geram  emprego para a juventude, aumentam as receitas do Estado e  contribuem para a melhoria das condições de vida da população.

“A nossa presença neste acto atesta a aposta do nosso Governo na  atracção de mais investimentos, orientados para a criação de postos  de emprego para a nossa juventude e para a geração de receitas  para o Tesouro Público”, declarou o Presidente da República. 

O estadista saudou igualmente a empresa Jindal Steel & Power, novo  accionista do empreendimento, pela confiança depositada no  potencial mineiro de Moçambique e pela decisão de investir na  reactivação e desenvolvimento da mina de Revúboè. 

Segundo o Chefe do Estado, a província de Tete possui algumas das  mais importantes reservas de carvão do continente africano e do  mundo, sendo historicamente reconhecida como o coração  carbonífero do país. Contudo, frisou que o principal desafio continua a  ser transformar essa riqueza geológica em desenvolvimento humano  concreto. 

“O nosso desafio histórico tem sido transformar essa riqueza geológica  em desenvolvimento humano mensurável, em estradas; em escolas,  em centros de saúde e em melhores condições de vida para cada  família moçambicana”, afirmou. 

De acordo com o Presidente da República, o projecto de Revúboè  apresenta um elevado potencial económico, social e estratégico. Na  primeira fase prevê-se uma produção anual de cerca de 3,5 milhões  de toneladas de carvão, com possibilidade de atingir 7 milhões de  toneladas por ano na segunda fase, projectada para 2032. 

A iniciativa deverá igualmente criar 1.500 empregos directos e cerca  de 8 mil indirectos, beneficiando, sobretudo, jovens e trabalhadores da  província de Tete. Com uma vida útil estimada em 35 anos, o projecto  deverá contribuir de forma consistente para o aumento das receitas  do Estado e para o financiamento de sectores prioritários como  educação, saúde, agricultura e infra-estruturas. 

O Chefe do Estado destacou, ainda, que a entrada em  funcionamento da mina reforçará o posicionamento de Moçambique como um dos principais produtores de carvão da África Austral, além 

de optimizar o uso das infra-estruturas logísticas nacionais,  nomeadamente, os corredores ferroviários da Beira e de Nacala. 

Na ocasião, o Presidente da República enfatizou que o projecto se  enquadra na estratégia nacional de industrialização, defendendo que  o país deve deixar de exportar apenas matérias-primas em bruto. 

“Por décadas, Moçambique exportou matérias-primas sem valor  acrescentado, deixando para outros países os benefícios do  processamento industrial. Esse paradigma tem de mudar, e com  Revúboè começamos a mudar”, afirmou. 

Segundo explicou, o carvão produzido na mina será, em grande  parte, utilizado em unidades industriais da própria empresa para a  produção de aço, contribuindo para o desenvolvimento da cadeia  de valor no território nacional. 

O estadista exortou igualmente ao operador do projecto a apresentar,  com urgência, uma estratégia clara de contratação de empresas  nacionais e da promoção da moçambicanização da mão-de-obra,  garantindo que os benefícios da exploração mineira sejam partilhados  com as comunidades locais. 

No mesmo contexto, sublinhou a necessidade de o projecto respeitar  rigorosamente os padrões de responsabilidade social e ambiental,  advertindo que o Governo acompanhará de perto a sua  implementação. 

“Não aceitaremos que as oportunidades geradas por este projecto  passem ao lado das nossas comunidades e das nossas empresas”,  advertiu. 

Entre outras medidas, está prevista a construção de uma nova vila de  reassentamento com habitações dignas, serviços básicos e infra estruturas sociais, incluindo um centro de saúde comunitário. 

Para o Presidente da República, a exploração responsável dos  recursos naturais deve traduzir-se em benefícios concretos para as  populações locais, através de oportunidades económicas em áreas 

como fornecimento de bens alimentares, serviços logísticos, transporte  e outras actividades associadas à cadeia mineira. 

“A maior riqueza de Tete não é apenas o carvão, mas sim o seu povo,  trabalhador, resiliente e orgulhoso. É para este povo que  trabalhamos”, sublinhou. 

O Chefe do Estado manifestou ainda a expectativa de que o projecto  de Revúboè marque o início de uma nova relação entre o sector  extractivo e as comunidades, baseada na transparência, no respeito e  no benefício mútuo. 

Na parte final da sua intervenção, felicitou ao Ministério dos Recursos  Minerais e Energia, aos investidores, às autoridades locais e à população da província de Tete pela concretização do projecto,  desejando sucesso na sua implementação. 

“Esperamos que este projecto contribua para reforçar o  posicionamento de Moçambique como um destino atractivo para o  investimento mineiro e para consolidar o sector como um dos pilares  do desenvolvimento económico nacional”, concluiu.(GI)

Partilhe

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos