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PR defende em Nairobi aposta em África como motor económico global  

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu hoje, em Nairobi, a necessidade de África  passar da identificação de oportunidades para o seu desbloqueio  efectivo, sublinhando que o continente deve afirmar-se como motor  da economia global, durante a abertura da IV Conferência  Internacional de Investimento do Quénia, onde participou como  convidado

O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu em audiência Jean  Chrysostome Ngabitsinze, Secretário-Geral da Agência de  Capacidade Africana de Risco (ARC) e Assistente do Secretário Geral da ONU, para coordenar estratégias de resposta às crises  climáticas que afectam Moçambique. 

O encontro serviu para abordar a preparação de uma conferência  de alto nível sobre financiamento de catástrofes, agendada para  Junho deste ano.

Jean Chrysostome Ngabitsinze iniciou a sua interlocução com a  imprensa destacando a natureza da organização que lidera e  afirmando que o encontro, ocorrido na sexta-feira, teve, entre vários objectivos, expressar solidariedade face as cheias que têm afectado o país. 

A vertente do encontro focou-se na capacidade de resposta e no  papel do Presidente moçambicano. Ngabitsinze referiu que o  propósito foi, “abordar a capacidade  actual de África e o papel e as responsabilidades que ele assume  enquanto campeão na gestão de catástrofes. Este é o propósito  central da nossa visita”. 

Durante a reunião, foram analisados os desafios ambientais que  Moçambique enfrenta. “Discutimos os choques que o mundo  enfrenta, que África enfrenta e, em particular, que Moçambique  enfrenta, nomeadamente os decorrentes das cheias, a par da seca  e dos ciclones tropicais”, detalhou o Assistente do Secretário-Geral  da ONU. 

O dirigente referiu a existência de múltiplos factores que afectam o  país. “Trata-se, portanto, de três desafios simultâneos — choques combinados — e concordámos na necessidade de unir esforços”,  frisou Jean Chrysostome Ngabitsinze. 

Ngabitsinze indicou que o Presidente da República irá presidir, ainda  este ano, um evento de alto nível sobre gestão e financiamento de  catástrofes. 

“Sua Excelência já está a desenvolver um trabalho notável na  mobilização dos países africanos, com vista à conjugação de  esforços. Irá presidir, em Junho do corrente ano, a uma conferência  de alto nível sobre gestão e financiamento de catástrofes”, disse. 

Por fim, o Secretário-Geral da ARC afirmou que reiteraram o  compromisso de trabalhar com o país e que registavam, com  apreço, os sinais positivos decorrentes do seu empenho contínuo.

O Presidente da República, endereçou uma mensagem de  felicitações ao Presidente reeleito da República do Congo, Denis  Sassou-Nguesso, na sequência da sua vitória nas eleições  realizadas a 15 de Março corrente. 

Na mensagem, Daniel Chapo expressa, em  nome do povo e do Governo da República de Moçambique, o  reconhecimento pelo resultado alcançado, destacando o  significado político da reeleição.

“Tenho a honra de felicitar Vossa Excelência, em nome do Povo e  do Governo da República de Moçambique e no meu próprio,  pela vossa reeleição como Presidente da República do Congo,  na sequência do sufrágio de 15 de Março corrente, que vos  conferiu uma expressiva vitória. Este resultado constitui uma clara  demonstração da confiança que o povo congolês deposita na  vossa liderança, visão e compromisso com a estabilidade, o  progresso e o bem-estar da vossa nação”. 

Na mesma mensagem, o Presidente Daniel Chapo sublinha a  importância das relações históricas entre Moçambique e a  República do Congo, reiterando a vontade de aprofundar a  cooperação bilateral em diversas áreas de interesse comum. 

“A República de Moçambique valoriza profundamente os laços  históricos de amizade, solidariedade e cooperação que unem os  nossos países. Neste contexto, reafirmo o meu firme compromisso  de continuar a trabalhar com Vossa Excelência no reforço das  relações bilaterais, incluindo a cooperação económica, em  benefício mútuo dos nossos povos”. 

O Governo moçambicano empossou quatro mulheres para cargos de direcção em instituições-chave do Estado, num acto que decorreu no contexto das celebrações do Mês da Mulher, cujo ponto alto será o 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana. O empossamento foi dirigido pela primeira-ministra, Maria Benvinda Levi, no seu gabinete de trabalho.

As nomeadas são Olga Leonor Miguel Manjate, para o cargo de inspectora-geral do Trabalho; Ernestina Salita Chirindja, como presidente da Comissão de Mediação e Arbitragem Laboral (COMAL); Lúcia da Luz Mendes Luciano da Cruz, como directora-geral do Fundo de Fomento Agrário e Extensão Rural (FAR); e Farida Algy Abdula Urci, nomeada directora-geral do Hospital Central de Maputo.

Durante a cerimónia, a primeira-ministra destacou que as nomeações reflectem o reconhecimento da competência e dedicação demonstradas pelas empossadas ao longo das suas carreiras. “Deram mostras de dedicação e competência técnica, no exercício de inúmeras tarefas de que foram incumbidas”, afirmou Benvinda Levi.

Segundo o Governo, a decisão enquadra-se nos esforços para dinamizar o aparelho do Estado e garantir a implementação eficaz do Programa Quinquenal 2025-2029, bem como no compromisso com a promoção da equidade de género. 

“Traduz o compromisso do Governo em assegurar a equidade do género e empoderamento da mulher, em todas as esferas”, sublinhou a primeira-ministra Maria Benvinda Levi.

 

Desafios na área laboral

No sector laboral, foi destacada a importância da Inspecção-Geral do Trabalho (IGT) na promoção de relações laborais justas e equilibradas. O Executivo defende uma instituição moderna e eficaz, capaz de responder às transformações do mercado de trabalho.

“O trabalhador ou o empregador, ao recorrer à Inspecção-Geral do Trabalho, deve encontrar um órgão do Estado que actua com base em princípios de competência, imparcialidade, integridade, celeridade e compromisso na reposição da legalidade. Por isso, a Inspecção-Geral do Trabalho deve reforçar, cada vez mais, a acção inspectiva, com foco na prevenção, na pedagogia, na legalidade, sem descurar a responsabilidade sancionatória sempre que esta se mostrar necessária”, afirmou Benvinda Levi.

Entre as prioridades apontadas estão a prevenção de acidentes de trabalho, o cumprimento das normas de segurança e saúde, e a fiscalização da inscrição dos trabalhadores no sistema de segurança social.

Já a COMAL foi descrita como um mecanismo essencial para a resolução alternativa de conflitos laborais, contribuindo para a estabilidade e a paz social. O Governo apelou ao reforço da qualidade dos serviços e à maior divulgação das suas actividades.

“Esperamos que a nova direcção seja mais activa e criativa de modo a responder à crescente procura dos cidadãos pelos serviços da COMAL, assim como tornar esta instituição numa referência nacional e regional em matéria de resolução alternativa de conflitos laborais”, destacou.

 

Agricultura como pilar estratégico

Na área agrária, o Executivo reiterou a importância do FAR como instrumento para impulsionar a produção e reduzir a dependência de importações.

“Pretendemos que o sector agrário constitua, efectivamente, a base da nossa soberania alimentar, da estabilidade social e de geração de rendimento para os milhões de moçambicanos que se dedicam a esta actividade”, afirmou a primeira-ministra.

O Governo defende maior acesso ao financiamento, insumos de qualidade e tecnologias adequadas, com enfoque no sector familiar. A nova direcção foi incentivada a adoptar práticas de gestão transparentes e orientadas para resultados.

Por isso, “recomendamos a directora-geral do FAR e os seus colaboradores a serem mais proactivos na melhoria das condições que facilitem o acesso a insumos de qualidade, à mecanização agrária adequada e à transferência efectiva de tecnologias apropriadas à realidade do nosso país, sobretudo para o sector familiar”, disse a governante.

 

Saúde e qualidade dos serviços no HCM

Relativamente ao Hospital Central de Maputo, considerado a maior unidade sanitária do País, Maria Benvinda Levi destacou a necessidade de melhorar a qualidade e humanização dos serviços prestados.

“A crescente procura por serviços de saúde especializados, de qualidade e humanizados, aliada às exigências e escrutínio cada vez mais activo da sociedade pressupõe uma resposta à altura destes desafios por parte dos gestores e demais colaboradores do Hospital Central de Maputo e, já agora, de todo o Sistema Nacional de Saúde”, afirmou.

A nova direcção foi orientada a reforçar a gestão de recursos e a coordenação com outras unidades do sistema nacional de saúde, garantindo um atendimento condigno aos cidadãos.

“Para o alcance deste desiderato, a nova directora-geral do Hospital Central de Maputo e demais integrantes do corpo directivo devem apostar na boa gestão dos recursos humanos, materiais, financeiros e tecnológicos disponíveis na instituição, assim como no fortalecimento dos mecanismos de coordenação com outras unidades sanitárias e instituições do Serviço Nacional de Saúde”, pediu Levi.

 

Apelo à inovação e boa governação

No discurso, foi ainda enfatizada a importância da transformação digital e da boa gestão pública. O Governo apelou às novas dirigentes para apostarem na modernização institucional, transparência e eficiência.

“O sucesso nas missões que, a partir de hoje, cada uma de vós passa a assumir requer a valorização do capital humano, o trabalho em equipa, a criatividade e proactividade na execução das vossas tarefas, a gestão criteriosa e transparente da coisa pública em estreita observância da legislação em vigor no nosso país”, referiu.

Antes de encerrar, o dirigente reconheceu o trabalho dos responsáveis cessantes, elogiando a sua dedicação e contribuição para o desenvolvimento das instituições.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, afirmou esta quinta-feira, em Maputo, que o  Conselho de Estado deve continuar a afirmar-se como um órgão de  consulta pautado pela sabedoria, prudência e visão estratégica,  apelando ao reforço do compromisso com o serviço ao país e ao  povo moçambicano. 

Na cerimónia de tomada de posse de novos membros do Conselho  de Estado, o Chefe do Estado destacou o papel constitucional do 

órgão, sublinhando que o início das suas funções decorre do  cumprimento da lei fundamental. 

“Por imperativo constitucional, as funções dos membros do  Conselho do Estado iniciam com a tomada de posse. Por isso,  queremos desejar boas-vindas aos quatro membros integrantes  deste órgão de consulta do Chefe do Estado, cuja posse  acabamos de testemunhar”, afirmou. 

Tomaram posse como membros do Conselho de Estado a  Presidente do Conselho Constitucional, Lúcia da Luz Ribeiro, os  antigos Presidentes da Assembleia da República Eduardo Joaquim  Mulémbwè e Verónica Nataliel Macamo Dlhovo, bem como o  membro eleito pela Assembleia da República, Alcinda António de  Abreu Mondlane. 

Segundo o Presidente da República, a composição do Conselho de  Estado reforça o seu carácter inclusivo e representativo,  assegurando a presença de diferentes sensibilidades da sociedade  moçambicana. “A vossa presença neste órgão, do qual fazem  parte integrante, reforça o seu carácter inclusivo e representativo,  garantindo que as diversas sensibilidades da sociedade  moçambicana encontrem eco nas deliberações e pareceres  produzidos”, destacou. 

Ademais, sublinhou a importância de o Conselho continuar a  desempenhar o seu papel de forma responsável e estratégica,  contribuindo para a estabilidade institucional e a boa governação  do país.

“Que este Conselho continue a ser um farol de sabedoria,  prudência e visão estratégica. E que juntos, unidos e de forma  abnegada, possamos continuar a servir Moçambique com  dedicação, honra e sentido de amor à pátria e compromisso com o  povo moçambicano”, concluiu o Presidente da República. 

O Presidente da República, Daniel  Chapo, afirmou que a visita oficial à sede da União Europeia  (UE), em Bruxelas, no Reino da Bélgica, constituiu uma oportunidade  privilegiada para reforçar as históricas relações de amizade,  solidariedade e cooperação entre a República de Moçambique e a  União Europeia, uma parceria estratégica que continua a  desempenhar um papel de relevo no desenvolvimento económico social do país. 

Falando no balanço da missão, o Chefe do Estado referiu que a visita  reafirmou a União Europeia como um dos principais parceiros de  cooperação e desenvolvimento de Moçambique, com o qual o país  pretende continuar a aprofundar as relações de amizade e 

cooperação, tornando-as cada vez mais dinâmicas, equilibradas e  orientadas para resultados com benefícios mútuos. 

“Deste modo, saímos de Bruxelas com a firme convicção de que  abrimos novas perspetivas para o aprofundamento desta parceria  estratégica tanto no plano político como no plano econômico e social  para o desenvolvimento do nosso país”. 

Durante a visita, o Presidente da República manteve encontros de alto  nível com diversas autoridades europeias, incluindo o Presidente do  Conselho Europeu, António Costa, membros da Comissão Europeia e  representantes do Parlamento Europeu, com os quais fez uma análise  franca e construtiva da cooperação bilateral entre Moçambique e a  União Europeia. 

Segundo o estadista, os encontros permitiram constatar progressos em  áreas-chave como a governação, o desenvolvimento sustentável, a  segurança, a transformação digital e a transição energética, tendo  igualmente contribuído para o reforço do diálogo estratégico sobre  questões regionais e internacionais, com destaque para os desafios da  paz, segurança e desenvolvimento sustentável. 

No plano económico, o Chefe do Estado destacou o crescente  interesse de empresários europeus em investir em Moçambique,  evidenciado pela elevada participação em encontros empresariais  realizados no quadro visita, sublinhando que o país continua  empenhado em criar um ambiente favorável ao investimento e ao  fortalecimento de parcerias mutuamente vantajosas. 

“Um dos eixos centrais desta visita foi o aprofundamento da  cooperação económica, onde tivemos encontro com empresários  belgas, organizado pelo Governo Federal belga, bastante concorrido  aqui na Europa, o que demonstra de forma clara e inequívoca o  interesse que os empresários europeus têm em investir no nosso país”. 

Outrossim, destacou ainda a realização do Digital Open Day UE Moçambique como um marco importante no reforço da cooperação  no domínio da transformação digital, considerada uma área  estratégica para o futuro das economias e para a inclusão social.

O Presidente da República disse, hoje, que ainda não há nenhuma informação oficial do término das missões do Ruanda e da União Europeia no país. Falando durante o balanço da sua visita à Bélgica, Daniel Chapo avançou ainda que ainda continuam as negociações com Kenmare e com a Mozal. 

“Nós, neste momento, estamos a acompanhar essas informações como muito bem disse, mas não temos nenhuma informação da União Europeia do fim, o que nós temos, neste momento, é um período normal de uma missão, uma termina em Maio e outra em Junho, e nós estamos a acompanhar”, disse o Chefe do Estado. 

Daniel Chapo explicou ainda que, no momento, o Governo está a acompanhar todo o processo, para que se chegue ao fim das missões sem que haja consequências, mas deixou uma brecha para uma possível renovação. 

“Caso as partes cheguem a conclusão que vão renovar as missões, a essa altura, vamos comunicar oficialmente aos nossos amigos da comunicação social”, vincou. 

Em relação a Kenmare e a Mozal, o Presidente da República afirmou que as negociações continuam com as duas empresas. “É normal, quando se quer renovar um contrato que as partes sentem e discutam novas modalidades (…) O que eu posso lhe dizer é que tanto com a Mozal, quanto com a Kenmare, até agora que estamos aqui em Bruxelas, estamos a conversar”, disse.

O Presidente do Movimento Democrático de Moçambique , Lutero Simango, diz que a saída das tropas ruandesas da província de Cabo Delgado poderá deixar uma lacuna na defesa e segurança do país. Simango acusa ainda o Governo de não ter preparado devidamente as forças nacionais durante o período da permanência dos ruandeses.

Segundo Simango, o Executivo teve cerca de cinco anos para reforçar a capacidade das Forças de Defesa e Segurança, mas falhou nesse objectivo. “Vai deixar sim uma lacuna porque o governo não aproveitou este período de cerca de cinco anos para formar as nossas forças”, afirmou.

Apesar de o MDM sempre ter considerado a presença das tropas ruandesas como uma ilegalidade  por não ter sido objecto de debate parlamentar o dirigente entende que a sua retirada expõe fragilidades estruturais no combate ao terrorismo no norte do país.

Para Simango, a consolidação da paz não depende apenas da componente militar, mas também da unidade nacional, inclusão social e capacitação efectiva das forças moçambicanas. “Não se pode garantir a paz enquanto a nação moçambicana não for una e enquanto as forças não estiverem melhor preparadas para defender o país”, sublinhou.

No plano económico, o líder do MDM criticou as políticas públicas em vigor, que considera desajustadas e prejudiciais ao desenvolvimento. Apontou a ausência de um sector empresarial forte e qualificado e a excessiva dependência do Estado como principal empregador.

“É impossível haver desenvolvimento sem um sector empresarial qualificado, enquanto o Estado continuar a ser o maior empregador”, afirmou.

Simango defendeu ainda maior investimento na agricultura e a adopção de políticas de sustentabilidade como caminhos para impulsionar a economia nacional, numa altura em que o país enfrenta desafios económicos e sociais significativos.

“Moçambique deve transformar a crise numa grande oportunidade”, disse, acrescentando que o país pode explorar melhor os seus recursos estratégicos, incluindo a água, face à crescente escassez a nível global.

Por outro lado, o MDM anunciou que irá promover, nos próximos dias, debates no âmbito do diálogo nacional, com enfoque nos poderes do Chefe de Estado, a separação de poderes e reformas eleitorais.

Lutero Simango falava esta segunda-feira à margem do lançamento de uma formação de quadros do partido, um evento com duração de dois dias.

O Chefe do Estado destacou o avanço dos megaprojectos de gás na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, incluindo iniciativas lideradas pela TotalEnergies, ENI e ExxonMobil, bem como o potencial das energias renováveis, com destaque para a Hidroeléctrica de Cahora Bassa e o projecto de Mphanda Nkuwa. Na ocasião, convidou investidores belgas a participar na industrialização, modernização logística e transformação digital do País, sublinhando ainda oportunidades nos sectores da agricultura e do turismo.

O Presidente da República, Daniel Chapo, apresentou, nesta segunda-feira, em Bruxelas, uma visão estratégica ambiciosa para transformar Moçambique num pilar central da energia e logística na África Austral. Durante uma mesa-redonda de alto nível com o Governo Federal e empresários da Bélgica, o Chefe do Estado destacou o potencial de industrialização verde e os megaprojectos de gás natural como motores de uma transformação económica sem precedentes.

O encontro, focado na transição energética global, serviu para cimentar parcerias em sectores onde a Bélgica detém liderança mundial, como a gestão portuária e a inovação digital.

No domínio dos hidrocarbonetos, o estadista moçambicano detalhou o progresso dos projectos na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. A estabilização da segurança no Norte do País foi um ponto crucial da intervenção, permitindo a revitalização de projectos paralisados, como o da TotalEnergies.

Este projecto começou por volta de 2017, mas teve de ser interrompido devido à situação de terrorismo. No último ano, porém, decidimos que era muito importante retomar o projecto. No mês passado, em Fevereiro, estivemos em Afungi, na província de Cabo Delgado, para reiniciar as actividades”.

O optimismo presidencial estendeu-se também à parceria com os Estados Unidos, com previsões concretas para o curto prazo, ao fazer menção ao projecto liderado pela ExxonMobil. “Estamos actualmente em diálogo com a ExxonMobil e acreditamos que, possivelmente em Agosto ou Setembro, poderemos anunciar juntos a decisão final de investimento deste projecto”, avançou o estadista, perante a plateia de investidores belgas interessados na cadeia de valor do gás.

Para além do gás, Moçambique reafirmou a sua vocação para as energias renováveis, apresentando-se como uma solução para o défice energético regional. “Na região da SADC, Moçambique tem o potencial de se tornar um verdadeiro hub energético”, defendeu o Presidente da República, destacando a Hidroeléctrica de Cahora Bassa como fonte de energia limpa que já abastece seis países vizinhos. Por conseguinte, convidou o sector privado a juntar-se ao projecto Mphanda Nkuwa, que terá uma capacidade de 1500 megawatts.

A estratégia de industrialização nacional passará, segundo o Chefe do Estado, pelo uso inteligente dos recursos domésticos para criar valor acrescentado. “Com o nosso gás doméstico queremos promover a industrialização. Queremos produzir fertilizantes, apoiar a industrialização do País e desenvolver várias centrais de energia e linhas de transmissão para abastecer Moçambique e a região”, explicou, referindo-se ainda à nova central de Temane, em Inhambane, como peça fundamental deste puzzle.

A diversificação económica foi outro pilar da alocução, com foco na agricultura e no turismo. O Presidente moçambicano realçou as vastas extensões de terra arável e os 2700 quilómetros de costa moçambicana, apelando ao investimento belga para garantir a segurança alimentar e explorar o potencial das áreas de conservação, como a Gorongosa e o Niassa, que detêm a biodiversidade dos “Big Five”.

No plano logístico, Moçambique apresentou os seus três corredores de desenvolvimento (Maputo, Beira e Nacala) como portas de entrada para o interior do continente. O Presidente Chapo enfatizou a modernização do Porto de Nacala, um dos melhores portos de águas profundas da região, e a intenção de reforçar a digitalização das infra-estruturas.

“Queremos investir na digitalização das infra-estruturas logísticas, criando novos corredores digitais que complementem os corredores de desenvolvimento”, afirmou.

Acompanhado pelo ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, o Presidente da República sublinhou que a ambição moçambicana é também tecnológica.

“A nossa ambição é transformar Moçambique num centro digital da região da SADC. Queremos instalar centros de dados no País, aproveitando a disponibilidade de energia para servir, não apenas Moçambique, mas também os países vizinhos”, declarou, reforçando a abertura do País a parcerias público-privadas para materializar esta visão.

O encontro terminou com um convite directo aos empresários da Bélgica, conhecidos pela sua perícia em industrialização verde e logística portuária. O Presidente Daniel Chapo reiterou que o País possui uma estratégia clara e um ambiente de negócios acolhedor: “Estamos abertos a trabalhar com o sector privado – tanto de Moçambique como da Bélgica e de outros países — para desenvolver a nossa economia e criar oportunidades de investimento. Por isso, sejam todos bem-vindos a Moçambique”.

A Finlândia e Moçambique realizaram esta segunda-feira consultas políticas em Maputo, com foco no estado das relações bilaterais e em questões regionais e internacionais, num momento em que os dois países procuram redefinir as prioridades da cooperação após décadas centradas no desenvolvimento.

O encontro decorreu depois de, em 2024, os dois países terem assinalado o 50.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas. Segundo informação divulgada após as consultas, as delegações sublinharam a importância da cooperação em fóruns multilaterais e reiteraram o apoio a uma ordem internacional baseada em regras.

Durante a reunião foi também feito um balanço do programa de cooperação para o desenvolvimento da Finlândia em Moçambique relativo ao período 2021–2024. De acordo com os dados apresentados, mais de oito mil jovens tiveram acesso a serviços de planeamento familiar e saúde materna e neonatal, enquanto mais de 11 mil raparigas adolescentes e jovens mulheres beneficiaram de apoio e mentoria na área da saúde e direitos sexuais e reprodutivos.

No domínio da protecção social, cerca de 82 mil famílias vulneráveis foram alcançadas pelo sistema apoiado pela cooperação finlandesa. O apoio incluiu ainda a formação de mais de 290 organizações, com o objetivo de reforçar a participação de mulheres, jovens e pessoas com deficiência em processos de tomada de decisão, refere um comunicado de imprensa.

Na área da educação, o apoio da Finlândia incidiu no reforço da profissionalização docente. O projecto piloto Aprender+ permitiu formar mais de dois mil professores e cerca de 800 directores escolares e outros quadros do sector.

Com o término do programa bilateral de desenvolvimento em 2024, a cooperação entre os dois países está gradualmente a orientar-se para áreas económicas, incluindo investimento e parcerias com o setor privado.

Entre as iniciativas em curso está um projeto na área da cibersegurança entre o instituto finlandês HAUS e o Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), destinado a apoiar a atualização da estratégia nacional de cibersegurança para o período 2026–2030. A Finlândia também colabora com o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) através do projeto FIMOZA, focado no reforço dos sistemas de alerta precoce e resposta a desastres naturais.

As consultas incluíram ainda uma análise da situação de segurança no norte de Moçambique. A Finlândia participa na missão de treino da União Europeia no país, conhecida como EUMAM Mozambique, onde ocupa de forma rotativa o cargo de vice-comandante.

Segundo as autoridades, empresas finlandesas demonstram interesse em sectores como digitalização, telecomunicações, energia, logística e meteorologia. A Finlândia prevê também participar no EU Global Gateway Business Forum, agendado para Junho em Maputo, iniciativa que pretende promover investimentos e parcerias económicas.

Além da cooperação bilateral, Helsínquia indicou que continuará a apoiar Moçambique através de organizações multilaterais, sociedade civil e assistência humanitária.

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