A FRELIMO encerrou, na cidade da Matola, a sua V Sessão Ordinária do Comité Central com um conjunto de orientações estratégicas centradas na consolidação da soberania nacional, reformas económicas estruturais e fortalecimento interno do partido.
O encontro, que decorreu ao longo de três dos quatro dias inicialmente previstos, analisou o contexto político, económico e social do País, num momento marcado por desafios de segurança e pressão demográfica crescente.
Na sessão de encerramento, o presidente do partido, Daniel Chapo, destacou que a organização sai do encontro “mais forte, coesa e preparada”, sublinhando a necessidade de encontrar medidas concretas para garantir a estabilidade e o desenvolvimento sustentável de Moçambique.
Um dos pontos centrais do encontro foi a defesa da independência nacional no domínio da segurança. Num discurso com forte ênfase política, Chapo reiterou o compromisso de reforçar as Forças de Defesa e Segurança (FDS), com vista a reduzir gradualmente a dependência de apoio militar estrangeiro, sobretudo no combate ao terrorismo que afecta a região norte do país.
“O reforço da capacidade operativa e a modernização das nossas forças devem ser encarados como prioridade nacional”, afirmou, acrescentando que a defesa da soberania “não se delega”, numa referência clara à presença de forças estrangeiras que têm apoiado Moçambique nos últimos anos.
Para além da segurança, o Comité Central dedicou atenção significativa à situação económica. O partido reconheceu a necessidade de reformas profundas no modelo de desenvolvimento, defendendo uma economia mais produtiva, inclusiva e orientada para resultados concretos.
Segundo o presidente do partido, Daniel Chapo, a actual conjuntura exige decisões estratégicas capazes de responder ao rápido crescimento populacional e às suas implicações.
Dados recentes indicam que Moçambique regista uma das taxas de crescimento demográfico mais elevadas da região, fenómeno que pressiona sectores como educação, saúde, emprego e habitação.
Neste contexto, o líder da FRELIMO alertou para a necessidade de alinhar o sistema educativo com as exigências da economia real.
“O aumento da produtividade passa pela capacitação da mão-de-obra nacional”, afirmou, defendendo investimentos mais robustos na formação técnico-profissional e na produção de conhecimento aplicado, capaz de impulsionar a industrialização do país.
Outro aspecto abordado durante o encontro foi o fortalecimento interno do partido. A liderança da FRELIMO destacou a importância da disciplina, unidade e preparação dos quadros, tendo em vista os próximos desafios políticos.
Nesse âmbito, foi anunciada a intensificação dos preparativos para a 11.ª Conferência Nacional de Quadros, agendada para Agosto, na província de Manica.
O evento é visto como um momento-chave para a renovação estratégica do partido e deverá produzir orientações políticas com impacto directo na governação e na mobilização interna.


