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Moçambique e Quénia reforçam cooperação com assinatura de instrumentos jurídicos

Moçambique e Quénia assinaram três novos instrumentos jurídicos de cooperação bilateral, com destaque para as áreas da Juventude e Desporto, Serviços Penitenciários e Correccionais, bem como formação diplomática, investigação e reforço de capacidades. A assinatura ocorreu no âmbito do encontro entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o seu

Agostinho Zacarias, antigo reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais, critica a falta de posicionamento de Moçambique e do continente africano nos conflitos mundiais movidos pelas grandes potências do sistema das Nações Unidas. Por sua vez, o filósofo Severino Ngoenha adverte o País para não se tornar o próximo campo de batalhas das potências.

Agostinho Zacarias falou em Maputo, no primeiro evento promovido pelo recém-criado centro de diálogo Ndzualo. Zacarias, antigo reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais, questiona a posição de Moçambique no contexto político global.

“Há uma transformação da Ordem Global, e nós precisamos de saber como nos situar e responder a essas transformações”, apelou Agostinho Zacarias, recorrendo ao adágio do primeiro-ministro canadiano que disse “se você não faz parte da mesa, faz parte do menu”. Então, prosseguiu Zacarias, “o que é que nós faremos se amanhã recebemos ameaças iguais às de Cuba? Estamos numa era em que é fácil raptar um chefe de Estado quando não é agradável e não segue o que lhe é dito. Estamos numa era em que as regras mudam constantemente e que precisam de respostas adequadas a estas situações todas”, apelou.

Severino Ngoenha foi um dos convidados para falar da paz em Moçambique. Criticou influências externas nos esforços de paz em África e advertiu o País para não se tornar o próximo campo de batalhas das potências.

“Este é o mundo em que nós estamos, de relações de forças em que uns querem ser mais fortes do que os outros, vão ditar as próprias leis e com todos os meios que são necessários. A chefe de negócios americanos em Moçambique diz em voz alta para quem quer ouvir, que é preciso proteger os interesses americanos. Diz que Nacala é um ponto estratégico. Ela pede a Moçambique para não dar prioridade nos melhores aos chineses, mas abrir para os americanos. Se os chineses e americanos puserem-se a lutar, se os europeus e americanos lutarem, o que é que nós temos de fazer para que nós não sejamos de novo terreno de batalha e de conflito? O que é que temos de fazer para priorizar os nossos interesses?” questionou.

Ibrahim Gambri, subsecretário-geral da ONU para assuntos políticos entre 2005-2007, criticou o facto de esforços de paz em vários palcos de guerra no continente africano serem financiados externamente.

“Temos de encontrar uma nova maneira de financiar nossas operações de paz. Porque, infelizmente, dois terços de financiamento de todas as operações de paz em curso no nosso continente vêm da União Europeia. Eu não estou orgulhoso disso. Nós temos recursos suficientes neste continente para financiar nossas operações de paz. Temos de encontrar novas maneiras de fazer isso, taxar produtos de luxúria no comércio intra-africano.”

Participaram no evento membros da sociedade civil, pesquisadores moçambicanos, de Zimbabwe, África do Sul e Nigéria.

Moçambique participa da 14.ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio  (OMC), de 26 a 29 de Março, na cidade de Yaoundé, República dos Camarões. A  conferência reúne os ministros do sector do comércio e outras entidades relevantes do sistema  multilateral mundial.  

A Conferência decorre num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, incertezas  económicas, rápidas transformações tecnológicas e desafios crescentes ao Sistema Comercial  Multilateral. Sendo parte desta organização, Moçambique participa da Conferência com uma delegação  multissectorial chefiada por Basílio Muhate, Ministro da Economia.

 A MC14 assume particular relevância, num contexto em que Moçambique, na qualidade de  Coordenador do Grupo Africano na Organização Mundial do Comércio (OMC), teve a  responsabilidade de liderar o processo de concertação africana, em preparação à 14ª Conferência  Ministerial da OMC. 

A Reunião dos Ministros Africanos do Comércio, realizada a 26 de Fevereiro de 2026, em  Moçambique, produziu a Declaração Ministerial de Maputo, um instrumento adoptado, que  reflecte a posição Africana a ser apresentada na 14ª Conferência Ministerial da OMC.  

A agenda da MC14, prevê que sejam debatidas e decididas matérias estruturantes para o futuro  da OMC, com destaque para a reforma institucional da Organização, a agricultura, as subvenções  à pesca, a moratória sobre o comércio eletrónico, bem como questões específicas de interesse  para os Países Menos Avançado (PMA), categoria na qual Moçambique se insere. 

A participação de Moçambique ao mais alto nível político permitirá: Reafirmar o compromisso do País com o sistema multilateral de comércio, baseado em  regras; Defender de forma eficaz, os interesses nacionais e dos PMA, nas negociações  multilaterais; Influenciar as discussões sobre a reforma da OMC, de modo a torná-la mais inclusiva,  responsiva e alinhada com as realidades dos países em desenvolvimento; Acompanhar e intervir nas negociações sobre temas sensíveis para a economia nacional,  como agricultura, segurança alimentar, subsídios à pesca e comércio digital; Reforçar a visibilidade e o posicionamento de Moçambique no seio da OMC e junto  dos seus parceiros de desenvolvimento. 

O político António Muchanga manifestou-se satisfeito com a decisão do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo que ordena a suspensão do seu afastamento da Renamo, considerando que a medida repõe a legalidade no seio do partido.

Em declarações à imprensa, Muchanga afirmou sentir-se “justiçado” pela decisão judicial, avançando que pretende, agora, processar o presidente da Renamo, Ossufo Momade, pelos alegados danos causados pelas sanções que considera ilegais.

O político não poupou críticas à direcção do partido, em particular aos juristas envolvidos no processo disciplinar que resultou na sua suspensão, classificando-os de incompetentes. Segundo disse, os responsáveis tomaram decisões sem respaldo nos estatutos da formação política.

“Sabiam perfeitamente que não têm competência para o acto que praticaram, mas, mesmo assim, avançaram. Violaram os meus direitos constitucionais, como o direito de associação, participação e reunião”, declarou.

Muchanga sustenta que nunca foi formalmente notificado nem ouvido no âmbito de qualquer processo disciplinar, alegando inexistência de documentos que comprovem os procedimentos internos exigidos.

“Eu nunca fui chamado a nenhum sítio. Onde estão as actas? Onde está o processo? Isso não existe. Estão a inventar documentos”, afirmou.

O político lamentou ainda não ter podido participar num encontro recente entre a liderança da Renamo e antigos guerrilheiros, que decorre na cidade de Chimoio, devido à suspensão que lhe havia sido aplicada.

“Eu deveria estar presente. Fui convidado, mas não estou por causa desta situação criada. Os guerrilheiros precisam de mim e não se esqueceram do meu contributo”, disse.

Por outro lado, Muchanga acusou directamente Ossufo Momade de má gestão e defendeu que o próprio líder do partido deveria ser alvo de sanções.

Em reacção, a Renamo, contactada através do seu Conselho Jurisdicional, optou por não prestar declarações públicas neste momento. No entanto, o partido disponibilizou documentos que, segundo indica, contrariam algumas das alegações feitas por Muchanga.

Sobre esses documentos, o político reiterou que desconhece a sua existência e reforçou a acusação de irregularidades no processo.

O caso deverá conhecer novos desenvolvimentos no próximo dia 3 de Abril, quando o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo ouvirá a Renamo no âmbito da sessão de contraditório diferido.

O Presidente da República, Daniel Chapo, assumiu, em Nairobi, o compromisso de  regularizar a situação civil da diáspora moçambicana no Quénia  através do envio de brigadas móveis para a emissão de Bilhetes de  Identidade e passaportes. 

Durante um encontro com representantes da comunidade  moçambicana residente no Quénia, o Chefe do Estado respondeu às  preocupações sobre o risco de apatridia e dificuldades de acesso à  educação, reafirmando que a independência económica de  Moçambique exige a inclusão activa dos cidadãos no exterior, aos  quais classificou como “embaixadores incontornáveis” da identidade  nacional e peças-chave na nova estratégia de governação e  diplomacia económica do país.

O Presidente moçambicano iniciou a sua intervenção enaltecendo a  preservação da identidade cultural, visível nas manifestações artísticas  que marcaram a recepção. “Expressamos nosso profundo  reconhecimento pelo vosso papel incontornável como verdadeiros  embaixadores de Moçambique aqui no Quénia, na promoção dos  nossos valores, da nossa cultura e da nossa identidade nacional no  exterior. Como vimos aqui na dança Mapiko, todos nós nos sentimos  em casa”, afirmou, sublinhando que a criação de uma Secretaria de  Estado dedicada às comunidades reflecte a prioridade da diáspora  na governação. 

A visita de trabalho surge como resposta ao convite do homólogo  queniano, William Ruto, focando-se na revitalização de laços históricos  e na exploração de novas fronteiras económicas. 

Durante o encontro, o estadista destacou a sua participação na  Conferência Internacional de Investimento no Quénia, como  convidado de honra, frisando que o evento é crucial para a  “mobilização de investimentos não só para o Quénia, mas também  para Moçambique”. Informou que instou o empresariado nacional a  explorar o mercado queniano, num esforço conjunto para a  edificação do bem-estar social através da cooperação bilateral. 

No plano interno, Chapo apresentou um quadro de  estabilidade macroeconómica e política, assegurando que as  instituições funcionam com normalidade no novo ciclo de  governação focado na boa governação e no Estado de Direito. 

“Estamos neste momento a levar a cabo o Diálogo Nacional Inclusivo,  que visa reforçar a paz e a reconciliação nacional, a unidade  nacional e a estabilidade contando com a participação activa de  todos os segmentos da sociedade”, explicou, mencionando ainda as  reformas estruturantes para melhorar o ambiente de negócios. 

A agenda económica de Moçambique, centrada nos projectos de  gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma e no desenvolvimento  sustentável, foi detalhada como pilar para a redução da pobreza.  Contudo, o Chefe do Estado abordou os temas sensíveis,  reconhecendo os desafios impostos pelo terrorismo em Cabo Delgado, onde se registam “avanços significativos com o apoio de  países amigos”, e o impacto devastador dos eventos climáticos que,  desde Outubro, vitimaram mais de 200 cidadãos e afectaram cerca  de oito mil pessoas. 

A mensagem central da comunidade residente no Quénia, marcada  por décadas de acolhimento mas também por sérias dificuldades de  integração legal, recebeu resposta imediata. Os representantes  expuseram a vulnerabilidade de muitos moçambicanos que, sem  documentação, enfrentam barreiras no acesso à educação, bolsas  de estudo e propriedade de terra. 

Em resposta, o Presidente da República garantiu: “Vamos nos organizar  e mandar brigadas de registo civil para fazer BI e também para  emitir passaporte em Mombaça, vamos trabalhar aqui em Nairobi  e vamos trabalhar nos outros locais para tratar de documentos dos  nossos irmãos”. 

O Estadista moçambicano partilhou ainda o feedback positivo  recebido do homólogo, William Ruto, sobre a conduta da  comunidade: “Os moçambicanos que vivem no Quénia são pacíficos,  ordeiros, respeitam a lei. São pessoas que merecem que tenhamos  orgulho nelas”. Este clima de reciprocidade é espelhado na província  de Nampula, onde mais de dois mil quenianos residem e investem  pacificamente, beneficiando-se da ligação aérea directa entre  Nairobi e o norte de Moçambique operada pela Kenya Airways. 

Reforçando o apelo à organização em associações, o Chefe do  Estado incentivou a diáspora a actuar na diplomacia económica e  cultural, servindo de ponte para atrair turismo e negócios. “O nosso  país precisa do contributo de todos os seus filhos, incluindo os que se  encontram na diáspora, para acelerar o crescimento, gerar emprego  — especialmente para a juventude — e combater a pobreza de  forma sustentável”, exortou, apelando ao respeito escrupuloso pelas  leis do país de acolhimento. 

No fim da sua intervenção, o Presidente da República reafirmou a  disponibilidade do seu Executivo em facilitar a participação activa de  todos os moçambicanos no desenvolvimento do país, independentemente da sua localização geográfica.

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu hoje, em Nairobi, a necessidade de África  passar da identificação de oportunidades para o seu desbloqueio  efectivo, sublinhando que o continente deve afirmar-se como motor  da economia global, durante a abertura da IV Conferência  Internacional de Investimento do Quénia, onde participou como  convidado de honra do homólogo queniano, William Ruto. 

Na ocasião, o Chefe do Estado destacou que o fórum constitui uma  oportunidade estratégica para reforçar a cooperação económica  entre países africanos e parceiros internacionais, bem como para  promover investimentos estruturantes capazes de impulsionar a  transformação económica do continente.

O Presidente moçambicano considerou igualmente a organização do  evento como uma plataforma relevante para mobilização de  investimentos no continente. “Felicitamos o Governo do Quénia pela  organização deste importante fórum, que se afirma, de forma  crescente, como uma das mais relevantes plataformas de mobilização  de investimento no nosso continente”, afirmou. 

Ao abordar o lema da conferência, centrado no desbloqueio de  oportunidades, o estadista moçambicano sublinhou que África vive  um momento decisivo da sua história, reiterando o potencial  estratégico do continente. “Eu tenho dito que África é o continente do  futuro; é o continente dos recursos minerais; potencialidades agrícolas;  da juventude, que é o capital humano. É, sem margem de dúvidas, o  continente do futuro”, declarou. 

Segundo o estadista, o principal desafio actual consiste em  transformar esse potencial em resultados concretos, com base em  decisões políticas firmes, capital paciente e parcerias estratégicas.  Nesse contexto, explicou que desbloquear oportunidades implica criar  confiança entre os sectores público e privado, estruturar projectos  viáveis e promover parcerias que combinem capital, tecnologia e  conhecimento local. 

Chapo destacou o papel do Quénia como um dos  motores de inovação económica em África, elogiando o  desempenho do país em áreas como tecnologias de informação,  agricultura e energias renováveis. “Ao assumir esta agenda, o Quénia  posiciona-se, com legitimidade, como um dos principais motores de  inovação económica em África”, afirmou. 

Outrossim, sublinhou que África dispõe de um mercado em expansão,  impulsionado pela juventude e pela implementação da Área de Livre  Comércio Continental Africana, defendendo uma mudança de  paradigma rumo à industrialização e criação de valor acrescentado.  “Este é o momento de romper definitivamente com o padrão de  exportação de matérias-primas e afirmar a África como um continente  de industrialização, inovação e de criação de valor acrescentado,  sobretudo o emprego para a nossa juventude”, disse.

No seu discurso, apresentou Moçambique como parceiro estratégico  para essa transformação, destacando sectores prioritários como  agricultura, tecnologias de informação, energias renováveis, indústria  transformadora, turismo e economia azul. O Chefe do Estado enfatizou  o potencial agrícola do país, a aposta na transformação digital e os  vastos recursos energéticos, incluindo hidroelectricidade, gás natural e  energias renováveis. 

O governante destacou ainda a posição geoestratégica de  Moçambique, com corredores logísticos que ligam o interior africano  ao Oceano Índico, bem como as oportunidades de cooperação com  o Quénia em cadeias de valor regionais, inovação digital e  mobilidade sustentável. Defendeu também a criação de zonas  económicas especiais e o fortalecimento de parcerias público privadas como pilares para atrair investimento. 

Na reta final, o Presidente Daniel Chapo apelou ao reforço da  cooperação bilateral entre Moçambique e o Quénia, propondo eixos  concretos como a integração logística entre África Oriental e Austral,  o desenvolvimento de cadeias agro-industriais e parcerias em energias  renováveis. “O futuro económico do mundo está em África, e não será  determinado apenas pelos seus recursos, mas pela sua capacidade  de transformar esses recursos em valor. O tempo de África é agora”,  concluiu.

A Ucrânia está interessada em importar o gás natural liquefeito de Moçambique e partilhar a sua experiência em matérias de segurança. O posicionamento de Kiev acontece na sequência da conversa telefónica que Volodymyr Zelensky manteve com o Presidente da República, Daniel Chapo, nesta segunda-feira, para estreitar laços de amizade e cooperação.

O reforço da cooperação bilateral entre a Ucrânia e Moçambique marcou a contacto virtual mantido entre Daniel Chapo e Volodymyr Zelensky. O diálogo entre os dois Chefes de Estado centrou-se na identificação de oportunidades concretas de cooperação em áreas estratégicas como agricultura, energia, comércio e formação técnico-profissional. Ambos manifestaram interesse em desenvolver mecanismos práticos que permitam transformar essas oportunidades em benefícios reais para os seus países.

Na ocasião, Volodymyr Zelensky destacou o interesse da Ucrânia em fortalecer os laços de cooperação com Moçambique. Por sua vez, Daniel Francisco Chapo reafirmou a abertura do País para aprofundar as relações bilaterais, sublinhando o potencial de ganhos mútuos para ambos os povos.

Após a troca de impressões sobre algumas prioridades dos dois países, através de uma publicação feita horas após a conversa, o Presidente Ucraniano manifestou interesse em importar os recursos energéticos de Moçambique.

“Discutimos as possibilidades de fornecimento de gás para a Ucrânia e as oportunidades para combater os desafios de segurança com o Presidente Daniel Chapo. A Ucrânia está interessada em fornecimentos energéticos adicionais. Moçambique está interessado na experiência e nas tecnologias da Ucrânia para reforçar a sua segurança interna e proteger a sua população do terrorismo”, escreve Zelenskyy na sua conta do X.

Aliás, segundo escreveu a Presidência moçambicana em relação ao contacto virtual entre Chapo e Zelensky, “os Presidentes abordaram igualmente questões ligadas à actual situação internacional, tendo partilhado preocupações sobre os desafios à paz e segurança globais, bem como os seus impactos nas economias dos países em desenvolvimento. O Presidente, Daniel Chapo, reiterou a abertura e disponibilidade do País para o aprofundamento das relações bilaterais, em benefício mútuo dos dois povos. Os dois Estadistas acordaram em manter contactos regulares e dinamizar iniciativas que contribuam para o fortalecimento da cooperação entre Moçambique e a Ucrânia”.

Recorde-se que antes da invasão em grande escala da Rússia em 2022, a produção interna de gás da Ucrânia cobria quase todas as suas necessidades, e, de acordo a imprensa internacional, nos últimos quatro anos, os ataques russos têm prejudicado gravemente a sua infra-estrutura de produção, gerando perdas em metade da sua capacidade.

Para além de matérias de segurança e energia, os estadistas discutiram uma possível cooperação nas áreas da digitalização e da segurança alimentar.

Pela primeira vez como Chefe de Estado em solo queniano, o Presidente moçambicano cumpre uma agenda de três dias, marcada pela 4.ª Conferência Internacional de Investidores e pelo reforço da cooperação bilateral. Agricultura e educação são outras áreas de interesse nesta deslocação do presidente moçambicano àquele país africano.

O Presidente da República, Daniel Chapo, iniciou, nesta terça-feira, uma visita oficial de três dias ao Quénia, a convite do seu homólogo William Ruto. O foco da deslocação é claro: consolidar os laços diplomáticos e atrair novos investimentos para sectores estratégicos da economia moçambicana.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, destacou aos jornalistas o bom momento das relações entre as duas Nações. “Nós notamos que há um crescimento da cooperação entre Moçambique e Quénia de cerca de 70 milhões de dólares, mas também várias áreas”, afirmou a governante, sublinhando o impulsionamento do investimento queniano na agricultura, indústria, transporte e turismo.

Relativamente à mobilidade, a ministra recordou os acordos assinados entre 2018 e 2023, com especial enfoque na “questão da isenção de vistos para todo tipo de passaporte”.

no Segundo a titular da pasta, o processo “está a caminhar bem”, sendo que o próximo passo será “criar as equipas técnicas para poder resolver alguns desafios técnicos para ultrapassar”.

A agenda presidencial prevê a participação de Daniel Chapo, como convidado de honra, na 4.ª Conferência Internacional de Investimentos do Quénia já nesta quarta-feira. No dia seguinte, quinta-feira, terão lugar as conversações oficiais com o Presidente William Ruto.

Apesar do balanço positivo, Maria dos Santos Lucas reconheceu que ainda há espaço para progressão: “Temos a notar que, na área do comércio, acho que ainda há muita coisa que temos de explorar aqui”.

O objectivo final é claro: aumentar a produtividade nacional e, por essa via, permitir que Moçambique saia definitivamente da dependência alimentar.

A ministra dos Negócios Estrangeiros, Maria dos  Santos Lucas, destacou, também, no Quénia, a necessidade de reforçar a formação bilíngue em Moçambique, como forma de facilitar o acesso dos estudantes ao ensino superior internacional.

Maria dos  Santos Lucas sublinhou que  muitos jovens concluem o ensino secundário com o desejo de prosseguir os estudos no exterior, no entanto,  enfrentam dificuldades, sobretudo, devido à limitação no domínio da língua inglesa.

“A formação bilíngue, principalmente em inglês, é fundamental para que os nossos estudantes possam aproveitar oportunidades em países como o Quénia”, afirmou.

A governante lembrou ainda que o Governo queniano disponibilizou cerca de 100 bolsas de estudo para estudantes moçambicanos, mas a iniciativa carece de maior operacionalização.

A aposta na capacitação linguística é vista como uma das principais estratégias para maximizar os benefícios das parcerias internacionais e garantir maior integração dos jovens moçambicanos em instituições de ensino estrangeiras.

A visita insere-se no quadro do reforço das históricas relações de irmandade, amizade, solidariedade e cooperação existentes entre Moçambique e o Quénia, constituindo uma oportunidade para os dois Chefes de Estado avaliarem o actual estágio da cooperação bilateral, bem como partilharem pontos de vista sobre a situação política, económica e social dos seus países, do continente africano e do mundo em geral.

A visita encerrar-se-á com um encontro entre o Presidente Daniel Chapo e a comunidade moçambicana residente no Quénia, reforçando o vínculo entre o Estado e a sua diáspora.

 

Cuba quer continuar a manter relações com Moçambique

O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu, na tarde desta segunda-feira, em Maputo, o embaixador de Cuba em Moçambique, Jorqe Luis López Tormo, num encontro que reafirmou a solidez das relações bilaterais e o compromisso de aprofundar a cooperação em áreas estratégicas para o desenvolvimento dos dois países.

A audiência serviu para reforçar os laços históricos de amizade e solidariedade entre Moçambique e Cuba, com destaque para a intensificação da colaboração nos sectores económico, educacional, científico, agrícola e da saúde.

À saída do encontro, o diplomata cubano destacou a importância da reunião, afirmando que se tratou de um encontro entre irmãos, reflexo da amizade que caracteriza as relações entre Moçambique e Cuba.

Segundo explicou, o diálogo entre as duas partes incidiu na necessidade de continuar a promover o desenvolvimento conjunto, mesmo face aos desafios que se colocam no actual contexto internacional.

O embaixador sublinhou igualmente o espírito de apoio recíproco que orienta as relações bilaterais, referindo tratar-se de um apoio mútuo no desenvolvimento e no esforço contínuo de progresso, apesar das dificuldades.

No plano da cooperação prática, destacou a disponibilidade de Cuba para contribuir com conhecimento técnico e apoio político. “É o nosso suporte a qualquer actividade económica na qual possamos aportar a nossa experiência, os nossos técnicos, os nossos especialistas e, por suposto, um apoio político muito importante, tanto para Cuba como para Moçambique”.

Relativamente ao estado actual das relações Moçambique-Cuba, considerou-as excelentes. “As relações estão muito bem, com muitos desejos de as ampliar a todas as esferas possíveis para o desenvolvimento económico, na educação, na ciência”.

Por fim, reiterou o compromisso de continuidade e expansão da cooperação: “Continuar a ampliar a colaboração na saúde; continuar a ampliar com novos professores para a educação, especialistas para a educação, com especialistas, engenheiros para a agricultura. E estamos prestes a continuar naquelas tarefas, naquelas áreas onde Moçambique precise de nós”.

A Comissão Política da Frelimo desafiou o Governo a repor, com a maior brevidade possível, os serviços públicos essenciais, destruídos pelas chuvas. A Frelimo analisou ainda o grau de preparação da décima primeira Conferência Nacional de Quadros.

Sob direcção do respectivo presidente do partido, Daniel Chapo, a 66.ª sessão ordinária da Comissão Política avaliou a situação política, económica e social do País.

No domínio da época chuvosa 2025/2026, o órgão destacou a resposta do Governo às cheias e inundações em várias regiões, com apelo ao reforço das acções de assistência, reposição de serviços básicos e construção de infra-estruturas de mitigação. Para o órgão, o Governo teve acções determinantes face à segunda vaga de cheias e inundações que afectam os distritos de Machanga, na província de Sofala, Govuro, em Inhambane, e distritos de Chibuto, Chókwè e Xai-Xai, na Província de Gaza.

Em relação ao trabalho político, a Comissão Política enalteceu iniciativas internas de reforço da coesão partidária, os preparativos para o Comité Central marcado para 9-12 de Abril e a eleição de José Iassine, para o cargo de primeiro-secretário do Comité Provincial no Niassa.

A Comissão Política avaliou positivamente a intensificação da cooperação internacional, com destaque para a visita do Presidente Chapo à União Europeia.

Foi ainda destacada a Reunião Regional Norte dos primeiros-secretários dos Comités Distritais da Frelimo, realizada na cidade de Nacala-Porto, província de Nampula, um encontro inserido no princípio da Frelimo segundo o qual “a vitória prepara-se, a vitória organiza-se”.

No campo da acção governativa, foi salientado o lançamento do projecto mineiro de Revúboè, em Tete, que deverá gerar cerca de 9500 empregos, bem como a inauguração de um centro de previsão e alerta de cheias e secas, considerado estratégico para a gestão de riscos climáticos.

Sobre a Assembleia da República, o partido encorajou a sua bancada a manter o diálogo e a produção de consensos, destacando a aprovação unânime de leis ligadas à comunicação social.

Por fim, a Comissão Política enalteceu o desempenho das Forças de Defesa e Segurança no combate à insurgência no Norte do País e apelou à sociedade para o cumprimento das regras de trânsito, visando reduzir acidentes rodoviários.

O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, garantiu, hoje, que Moçambique tem stock de combustível até à chegada dos próximos navios, previsto para 26 a 30 de Março. 

O Governo esteve reunido, nesta terça-feira, para a habitual sessão do Conselho de Ministros, na qual, entre vários assuntos, foi informado da época ciclónica e chuvosa de 2025 e 2026. O Ministro da Planificação e Desenvolvimento lembrou que, nos últimos sete dias, as regiões centro e norte foram afetadas pelas fortes chuvas, que poderão continuar nos próximos dias. 

Salim Valá avançou que após avaliações técnicas foram activadas medidas antecipadas com vista  a redução de impactos, devido ao nível das inundações nas zonas baixas, destacando que as chuvas que afectaram mais de um milhão de pessoas em todo o país, 200 mil casas ficaram inundadas e mais de 10 mil casas ficaram destruídas. 

“Lamentamos o registo de 298 óbitos, 391 feridos e 17 desaparecidos. Relativamente aos óbitos, temos a referir que 107 foram por arrastamento pelas águas, 87 por descargas atmosféricas e os restantes por desabamento de paredes, quedas de árvores, cóleras, entre outros”, destacou o ministro. 

Avaliando os impactos da Guerra no Médio Oriente, com principal enfoque para a subida de combustível, o Governo garantiu stock até à chegada dos próximos navios no fim do mês de Março. 

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