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Bancadas da AR estranham pedido de Kagame de pagamento pela segurança em Cabo Delgado

A entrevista ao Presidente do Ruanda, na qual sugere que as multinacionais que operam em Cabo Delgado e o Estado moçambicano “paguem pela segurança que precisam”, causou estranheza às bancadas parlamentares da Assembleia da República.  De acordo com Dias Letela, da Bancada da Frelimo, “é preciso revisitar os acordos iniciais”

O Presidente da República, Daniel Chapo,  dirige hoje, no  distrito de Guijá, província de Gaza, a cerimónia central de  entrega de insumos agrários e pesqueiros aos produtores  afectados pelas cheias e inundações que assolaram as regiões  Sul e Centro do País. 

Segundo o comunicado da Presidência da República, a iniciativa insere-se no quadro das acções do Governo para  fazer face à situação de emergência, visando igualmente  dinamizar a segunda época da Campanha Agrária 2025/2026, através da recuperação das áreas afectadas e da promoção da  produção nacional, com o objectivo de reforçar a segurança  alimentar e nutricional. 

A cerimónia contará com réplicas nas províncias igualmente  afectadas pela calamidade, nomeadamente Maputo,  Inhambane, Manica, Sofala, Tete e Zambézia, sendo estas  dirigidas pelos respectivos Governadores. 

Ainda nesta segunda-feira, o Chefe do Estado desloca-se à  cidade de Nampula, onde vai proceder à entrega de 100  autocarros a serem distribuídos por 15 municípios das zonas  Centro e Norte do País.

O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou, em Maputo, que o país deve concentrar esforços na transição definitiva do crescimento económico para o desenvolvimento inclusivo, através de reformas estruturantes e de um diálogo nacional abrangente.

Intervindo, nesta quinta-feira, no lançamento da obra “Repensar o Desenvolvimento Económico e o Papel do Estado”, da autoria do Ministro de Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, o Chefe do Estado sublinhou que a mudança exige decisões arrojadas e um novo “mindset” focado no empreendedorismo, garantindo que o Governo está empenhado em transformar ideias académicas em políticas públicas que beneficiem as futuras gerações.

Durante a cerimónia, o Estadista destacou o valor teórico e prático da nova obra, considerando que a mesma “é um livro que traz uma contribuição extremamente importante para o nosso processo de desenvolvimento”.

Por conseguinte, enalteceu a abordagem do autor ao distinguir os conceitos de progresso económico, notando que “o professor Salim Valá faz questão de colocar uma grande diferença entre o crescimento e o desenvolvimento”, uma premissa que considera fundamental para a actual fase de governação do país.

Analisando o percurso histórico de Moçambique, Chapo reconheceu que, embora tenham existido avanços quantitativos, o foco deve ser agora qualitativo e social. Para o governante, o autor “mostra de forma clara e inequívoca durante o livro que ao longo dos nossos 50 anos de independência fomos registando alguns sinais de crescimento, mas o que nós temos que nos concentrar é, sem margem de dúvidas, o desenvolvimento, porque nem sempre o crescimento significa desenvolvimento”.

O Chefe do Estado reiterou a importância da inclusão no processo de transformação nacional, defendendo que o debate público é o motor da mudança. Fez menção ao Diálogo Nacional Inclusivo em curso, que envolve todos os estratos sociais, incluindo partidos políticos, sociedade civil e lideranças religiosas e tradicionais, sublinhando que “o debate é extremamente importante para o processo de mudanças; e nós, quando dissemos e temos dito sempre que temos que fazer coisas de forma diferente para obter resultados diferentes de forma positiva, é mesmo no sentido em que o professor Salim Valá tem feito referência neste livro”.

Para operacionalizar estas transformações, o Presidente da República referiu-se à criação do Gabinete de Reformas e Projectos Estratégicos na Presidência, uma estrutura desenhada para acolher e amadurecer contributos da academia. Segundo explicou, esta iniciativa visagarantir que o Estado possa implementar soluções inovadoras “para que realmente a mudança possa se registar”, frisando que o objectivo final é garantir um legado de estabilidade e prosperidade para os filhos, netos e bisnetos dos moçambicanos.

Ciente de que as reformas estruturais podem enfrentar resistência inicial, o Chefe do Executivo pediu compreensão à sociedade, reconhecendo o hiato entre a implementação de medidas e a percepção dos seus benefícios. “Estamos vindo a tomar decisões arrojadas com consciência que as pessoas não nos vão perceber agora, porque no momento em que as pessoas tomam decisões para imprimir mudanças e colocam reformas que possam imprimir mudanças, dificilmente são entendidas”, admitiu, assegurando que o tempo validará a eficácia destas acções. Outro ponto fulcral da intervenção foi a necessidade de reformar o sistema educativo para fomentar a criação de riqueza. Para oPresidente Chapo, a educação não deve estar essencialmente direccionada para a formação de funcionários, apelando a uma mudança de mentalidade na juventude.

“A nossa educação está virada principalmente para ensinar-nos a sermos empregados e não a sermos empreendedores, não a sermos patrões, como se diz, para podermos gerar renda, criar emprego e também podermos desenvolver a economia moçambicana”, pontuou.

Neste âmbito, o estadista assegurou que o Governo está a rever quadros legais e fiscais para facilitar a vida às Pequenas e Médias Empresas (PME), evitando que jovens empreendedores enfrentem a mesma carga tributária que grandes corporações.

A fechar a sua intervenção, o Presidente da República apelou à unidade nacional e à participação activa de todos os cidadãos na produção intelectual e no debate público, independentemente de origens ou filiações. “Todos nós temos que continuar a escrever, a ler, a debater, a falar sobre o desenvolvimento do nosso país”, concluiu, reforçando que a construção de um Moçambique próspero depende do contributo individual de cada cidadão em prol do colectivo.

O Presidente da Frelimo apela aos membros do Partido a coesão interna e a evitarem fazer críticas fora da Frelimo. Daniel Chapo falava durante o balanço das reuniões de preparação da 11ª Conferência Nacional de Quadros e recenseamento de raiz dos membros e órgãos do Partido.

A Frelimo concluiu, nesta quinta-feira, as reuniões preparatórias da 11ª Conferência Nacional de Quadros e fez-se o balanço do recenseamento de raiz dos membros e órgãos do Partido, em curso, depois de colher sensibilidades no Norte (a 21 de Março, em Nacala-Porto), Centro (a 29 de Março, na Beira) e Sul (a 2 de Abril, na Matola).

Daniel Chapo, quem orientou o encontro, referiu a importância de colher opiniões, ideias e críticas dos secretários provinciais e distritais das três regiões, para maior coesão e fortalecimento da formação política, como um dos objectivos do encontro.

Sobre o recenseamento, disse que “pretendemos monitorar o processo em curso de recenseamento de raiz dos membros e órgãos do Partido”. 

Para o Presidente do partido, o recenseamento é fundamental, uma vez que “é para aferirmos com exatidão quantos membros realmente somos na Frelimo, se as células realmente existem e funcionam e onde estão”. 

Depois desse recenseamento, Daniel Chapo disse que “felizmente, os dados de recenseamento apresentados nas reuniões nas zonas Norte e Centro são consistentes com as estatísticas que temos recebido do Distrito e das províncias”. 

No encontro, que reuniu os primeiros secretários provinciais e distritais, Chapo apelou a coesão interna e críticas dentro das regras do partido.

“A crítica e a unidade é o que faz crescer o nosso Partido desde a sua fundação, a 25 de Junho de 1962. Mas esta crítica deve ser feita dentro dos órgãos. Nós estamos a dizer que chegamos aqui unidos, durante a reunião nós podemos fazer críticas para fazer crescer o nosso Partido, críticas construtivas e, quando sairmos daqui, continuarmos unidos rumo às nossas vitórias de 2028 e 2029”, disse.

Até porque, segundo Chapo, “é isso que a Frelimo chama unidade crítica, unidade, dentro dos órgãos do nosso Partido. Estamos a dizer dentro da célula, dentro do Comitê do Circo, do Comitê da Localidade,  do Comitê de Zona, do Comitê Distrital, do Comitê Provincial e do Comitê Central do nosso Partido”.

O Presidente da Frelimo, que é também Presidente da República, instou, ainda, aos membros a olharem para as necessidades do povo, sobretudo da camada jovem, que é a maioria, se o partido quiser ganhar as eleições autárquicas de 2028 e Gerais de 2029. 

“São jovens que vivem num mundo cada vez mais dominado pela globalização, sufocada pelas cheias inundações, mas principalmente pelas cheias inundações que chamamos de fake news. Neste contexto, impõe-se a necessidade de todos nós, em particular os primeiros secretários a todos os níveis, de ajustarmos os nossos métodos de trabalho às novas exigências de uma sociedade em profunda transformação e rápida transformação”, apelou.

A finalizar, Daniel Chapo reiterou que os primeiros secretários do partido “devem basear o seu trabalho no amor ao povo, porque a Frelimo é o povo”. 

Recorde-se que no encontro havido na cidade da Beira, no domingo, o Presidente da Frelimo exortou as bases do Partido a assumirem, pelo exemplo, o exercício permanente de amor ao Povo, com quem devem manter um contacto estreito e contínuo, por forma a fazerem prevalecer os princípios estruturantes do partido.

Na ocasião, Daniel Chapo recordou que a acção dos dirigentes distritais deve ser firmemente orientada pela defesa da unidade nacional, alicerçada na integridade, no humanismo, na humildade e na honestidade.

O Presidente da Frelimo defendeu, igualmente, a necessidade de maior inovação na actuação dos Primeiros Secretários dos Comités Distritais, com recurso a estratégias de mobilização que integrem, de forma inteligente, as plataformas digitais, ajustando o Partido às dinâmicas actuais da sociedade e às legítimas expectativas do Povo, com particular atenção à juventude e às mulheres.

A 11ª Conferência Nacional de Quadros da Frelimo está marcada para Agosto deste ano, em Chimoio, província de Manica.

A presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, discursou, nesta quarta-feira, 1 de Abril, no Conselho da Federação da Assembleia Federal da Rússia, momento mais alto da visita oficial que efectua àquele país do leste europeu. Na ocasião, a presidente do Parlamento moçambicano agradeceu o povo russo pelo apoio multiforme face às cheias que recentemente assolaram o nosso País.

Margarida Talapa encontra-se na Rússia para uma visita de trabalho a convite da presidente do Conselho da Federação da Assembleia Federal da Rússia, Valentina Matvienko, para o estreitamento das relações de amizade e cooperação entre os dois parlamentos e países.

Nesta quarta-feira, no momento mais alto da visita, a presidente da Assembleia da República discursou na Assembleia Federal da Rússia, a câmara mais alta do Conselho da Federação Russa.

O Conselho da Federação representa as entidades constitutivas da Federação Russa, composto por dois representantes de cada região, focando-se em questões territoriais, segurança e aprovações constitucionais, funcionando como senado.

No discurso de cerca de quinze minutos, a presidente do Parlamento moçambicano destacou as excelentes relações que unem os dois países, desde os primórdios da luta de libertação de Moçambique.

Margarida Talapa sublinhou que guerrilheiros do movimento de libertação de Moçambique receberam treinamento militar e armamento da antiga União Soviética, meios que sustentaram a revolução moçambicana.

A presidente do Parlamento moçambicano agradeceu o povo russo pelo apoio multiforme face às cheias que recentemente assolaram o nosso País, com destaque para a zona Sul, a mais afectadas, nomeadamente as províncias de Maputo, Gaza e Inhambane.

Na ocasião, Talapa sublinhou a importância do reforço da cooperação interparlamentar, sobretudo num contexto internacional conturbado e instável, devido aos vários conflitos no mundo.

Foi neste contexto que reafirmou o compromisso do Parlamento moçambicano em promover o fortalecimento da cooperação interparlamentar entre a República de Moçambique e a Federação da Rússia.

A cooperação entre os dois países transcende o domínio parlamentar, sendo a educação, saúde, defesa e segurança as mais tradicionais. Moçambique e Rússia estão empenhados na diplomacia económica, com interesse mútuo nos sectores de energia, ciência e tecnologia, agricultura e indústria extractiva.

Margarida Talapa anotou que o papel dos dois parlamentos é crucial na viabilização de projectos acordados ou a serem estabelecidos pelos governos moçambicano e russo.

A presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, manteve encontro com a presidente do Conselho de Federação da Assembleia  Federal da Rússia, Valentina Matvienko.

As duas delegações parlamentares enalteceram o estágio de cooperação existente entre os órgãos legislativos, expressando total disponibilidade para aprofundar e alargar as excelentes relações.

O parlamento moçambicano está interessado em acolher a longa experiência do Conselho Federal da Rússia nos domínios da digitalização dos processos legislativos. Neste âmbito, Margarida Talapa colocou a possibilidade de troca de delegações a diferentes níveis, assistência técnica às comissões, capacitação de funcionários parlamentares e dinamização das Ligas de Amizade existentes entre os dois parlamentos.

Talapa abordou, igualmente, com a homóloga russa, questões relativas à segurança em alguns distritos da província de Cabo Delgado e o gesto solidário demonstrado pelo povo russo, que consistiu no envio de bens alimentares para as vítimas das cheias.

Margarida Talapa agradeceu, em nome do Estado moçambicano, o governo russo por ter duplicado o número de bolsas de estudos para a formação superior de estudantes moçambicanos.

Na sua locução, no encontro, a presidente do Conselho da Federação da Rússia, Valentina Matvienko, disse que Moçambique é um parceiro estratégico confiante. Matvienko assegurou a implementação integral dos termos do Acordo Interparlamentar existente, ao mesmo tempo que demonstrou abertura para responder às necessidades do Parlamento moçambicano.

Margarida Talapa renovou o convite formulado em Maio do ano passado, à Presidente do Conselho Federal da Rússia para visitar Moçambique.

 

Moçambique e Rússia assinam programas de cooperação

A Assembleia da República de Moçambique e o Conselho Federal da Rússia assinaram um novo instrumento de cooperação, culminando as conversações oficiais havidas entre a presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, e a presidente do Conselho Federal da Rússia, Valentina Matvienko, presenciadas pelas delegações dos respectivos parlamentos.

Trata-se do Programa de Cooperação Parlamentar 2026-2027, cujas acções incidirão sobre os secretariados gerais dos dois parlamentos.

Do lado moçambicano assinou o Programa de Cooperação, António Mahumane, secretário-geral da Assembleia da República e da contraparte russa pelo secretário-geral do Conselho Federal da Rússia, Gennady Golov.

O programa, ora assinado, prevê o fortalecimento das relações interparlamentares por meio de troca de delegações e uma cooperação mais estreita entre os deputados, comissões e órgãos da administração dos dois parlamentos.

No domínio político, as acções incidirão sobre visitas recíprocas, ao nível de Presidentes de Parlamento, troca de delegações, com enfoque para as comissões  que lidam com assuntos de Relações Internacionais, Defesa, Actividades Económicas e Ciência e Tecnologia.

No domínio da Administração, a cooperação incidirá em acções de capacitação, estágios on the job, nas áreas de processo legislativo, informática, administração parlamentar, relações internacionais, recursos humanos, estudos e formação parlamentar, documentação parlamentar e digitalização do acervo parlamentar.

A deportação do antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, voltou a falhar, devido à falta de articulação entre a Embaixada de Moçambique nos Estados Unidos e a transportadora aérea TAP Air Portugal.

Em causa está um problema relacionado com o documento de viagem de emergência emitido pela missão diplomática moçambicana, que não terá sido previamente validado pelas autoridades portuguesas, condição obrigatória para a escala em Lisboa.

Libertado a 26 de Março, Manuel Chang continua a enfrentar dificuldades para regressar ao País, sendo que, desta vez, o impasse envolve directamente a transportadora aérea portuguesa.

Segundo uma carta dos advogados do ex-governante, dirigida ao juiz Nicholas G. Garaufis, a viagem estava prevista para o mesmo dia da sua libertação, com partida do Aeroporto Logan, em Boston, com destino a Maputo, via Lisboa.

O que parecia um plano definido acabou por falhar no último momento. A defesa refere que a TAP recusou o embarque por falta de validação do documento de viagem pelas autoridades portuguesas.

“Infelizmente, quando o Sr. Chang chegou ao aeroporto, foi informado que a TAP Air Portugal não permitiria o seu embarque porque o documento de viagem de emergência não tinha sido previamente aprovado pelas autoridades em Portugal”, lê-se na carta.

Sem autorização para viajar, Chang voltou à custódia das autoridades norte-americanas, sob responsabilidade da ICE.

“Como resultado, o Sr. Chang não foi autorizado a embarcar, permaneceu sob custódia da ICE e encontra-se detido no Estabelecimento Correcional do Condado de Plymouth, em Plymouth, Massachusetts, há cerca de 24 horas à data desta comunicação”, escreve.

Desde então, os advogados dizem estar a enfrentar dificuldades para viabilizar a deportação, incluindo limitações no acesso a informações junto das autoridades migratórias.

“Desde que o Sr. Chang foi colocado sob custódia da ICE, os seus advogados têm envidado inúmeros esforços para coordenar com o escritório da ICE em Boston, com vista a permitir a sua deportação imediata para Moçambique, conforme previamente acordado e aprovado”, destaca.

Outras dificuldades relatadas pelos defensores de Chang têm a ver com a ausência de informações para compreender que documentos adicionais são necessários para a sua deslocação. Face a esta situação, os advogados de Manuel Chang temem pela saúde do seu cliente, que se tem vindo a tornar crítica.

Extraditado para os Estados Unidos a 12 de Julho de 2023, Manuel Chang foi condenado a mais de oito anos de prisão, no âmbito do escândalo das dívidas ocultas, por crimes de fraude e branqueamento de capitais.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, reafirmou, esta sexta-feira, em Malabo (Guiné  Equatorial), o compromisso do seu Governo com a  protecção dos moçambicanos no estrangeiro e a consolidação da  paz e unidade nacional. 

Durante um encontro emotivo com a comunidade residente na Guiné  Equatorial, o Chefe do Estado destacou a criação inédita da  Secretaria de Estado das Comunidades para responder às  necessidades da diáspora e assegurou que a abertura de uma  representação diplomática no país está sob análise prioritária. O  governante aproveitou a ocasião para apelar à preservação dos  valores de reconciliação, distanciando a identidade moçambicana  de discursos de ódio ou atos de violência.

A visita do estadista moçambicano a Malabo ocorre no âmbito da sua  participação na 11ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da  Organização dos Estados da África, Caraíbas e Pacífico (OEACP).  Logo à chegada, priorizou o contacto directo com os compatriotas,  sublinhando que não poderia passar pela capital equato-guineense  sem saudar os “filhos da nossa pátria amada”. O Presidente Chapo  expressou gratidão pela receção fraterna, afirmando ser um motivo  de orgulho ver que, mesmo longe, os cidadãos mantêm “viva a  chama da moçambicanidade”. 

No diálogo com a comunidade, o governante abordou com  transparência a vulnerabilidade climática que Moçambique enfrenta,  explicando detalhadamente os impactos das cheias e ciclones. Por  conseguinte, recordou que o país é atravessado por nove bacias  hidrográficas, o que o coloca entre os dez mais afetados no mundo. 

“Mesmo que não esteja a chover em Moçambique, basta estar a  chover na África do Sul, no Zimbabwe ou noutros países do interior  toda a água tende a correr para o mar, e passa pelos nossos rios,  transborda e provoca cheias e inundações”, elucidou o governante. 

Sobre a segurança nacional, o Chefe do Estado partilhou a  indignação face ao terrorismo em Cabo Delgado, mas garantiu que o  combate permanece firme. Segundo disse, o Executivo está focado  em restaurar a estabilidade para garantir o desenvolvimento inclusivo. 

“Queremos assegurar-vos que o nosso Governo continua firme e  empenhado no combate ao terrorismo, em restaurar a paz, garantir a  segurança das populações e criar melhores condições de vida”,  declarou, agradecendo a solidariedade interna e internacional  recebida desde o início do conflito. 

O Presidente da República destacou ainda que a sua gestão está  focada na diplomacia económica para atrair investimentos e  dinamizar a economia nacional. Respondendo ao incentivo dos  moçambicanos na diáspora, sublinhou que a determinação do  Governo visa melhorar a vida do povo “dentro e fora do país”. O  estadista apontou o Diálogo Nacional Inclusivo, que conta com a 

participação de partidos parlamentares e extraparlamentares, como  um pilar essencial para a estabilidade política e social. 

Um dos pontos altos da intervenção foi o anúncio de medidas  institucionais para apoiar os cidadãos no exterior. O Chefe do Estado  lembrou que, pela primeira vez na história do país, foi criada a figura  da Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades  Moçambicanas no Exterior para cuidar especificamente destes  interesses. 

“Ela tem a missão de colaborar convosco diante das vossas  preocupações legítimas, desafios e iniciativas, sempre na busca de  soluções eficazes”, explicou, reforçando que a diáspora é parte  integrante e essencial da nação. 

Respondendo directamente a uma das principais reivindicações da  comunidade em Guiné Equatorial, o Presidente Chapo prometeu  analisar a instalação de uma representação consular em território  equato-guineense. Reconheceu que esta é uma “aspiração justa”  face à crescente presença de moçambicanos no país. “Queremos  assegurar-vos que esta questão será analisada com responsabilidade  e sentido de prioridade de Estado”, afirmou, garantindo que o  objectivo é aproximar os serviços do Estado aos cidadãos que vivem  além-fronteiras. 

Apelando à coesão social, o Estadista exortou os presentes a  continuarem a agir como embaixadores dos valores tradicionais do  país, baseados na humildade e no trabalho. 

Ademais, foi incisivo ao separar a identidade nacional de  comportamentos de instabilidade, afirmando que o povo  moçambicano não se define pelo conflito. “Moçambicano não é um  povo de ódio, moçambicano não é um povo de violência,  moçambicano não é um povo de guerra, moçambicano não é um  povo de manifestações violentas, ilegais e criminosas”, vincou. 

Por fim, o Presidente Daniel Chapo reiterou a necessidade de  combater discursos divisionistas para proteger a soberania e a  integridade territorial. Para si, o futuro de Moçambique depende da 

promoção de mensagens de amor e unidade nacional em detrimento  da destruição. “A guerra destrói, a paz constrói, o ódio destrói, o amor  constrói, a violência destrói, a reconciliação constrói”, concluiu,  despedindo-se com a garantia de que a comunidade pode contar  com o apoio contínuo da sua governação.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, encerrou este sábado a sua participação na XI Cimeira da  Organização de Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), em  Malabo, reafirmando o compromisso de Moçambique com as  reformas globais e a segurança interna, ao mesmo tempo que  mobilizou novos investimentos nos setores do gás e turismo. 

O balanço, considerado de “êxito” pelo Chefe do Estado, destaca a  inserção competitiva de Moçambique na economia mundial e a  consolidação de alianças estratégicas para enfrentar desafios como o  terrorismo em Cabo Delgado e a transição energética. 

Durante a conferência de imprensa de balanço da sua participação  na conferência, o Presidente Chapo contextualizou a relevância do evento, subordinado ao tema “Uma OEACP transformada, renovada  num mundo em mudança”. Por conseguinte, sublinhou que a cimeira  serviu como uma crucial plataforma de concertação política, visando  uma organização mais preparada para os desafios contemporâneos  através de reformas profundas. 

No debate geral, o Chefe do Estado apresentou as prioridades  nacionais, reiterando o “firme compromisso político de Moçambique  para a construção de uma Organização de Estados de África,  Caraíbas e Pacífico mais resiliente, sustentável e capaz de responder  com eficácia às exigências dos Estados-membros”. Para o governante,  a eficácia do bloco depende de uma renovação estratégica que  acompanhe a volatilidade do cenário internacional. 

A agenda moçambicana no fórum centrou-se em pilares de  desenvolvimento humano e sustentabilidade. O Chefe do Estado  destacou que o país defendeu “uma acção concertada em torno de  prioridades essenciais, com destaque para a transição energética, a  acção climática e a erradicação da pobreza extrema, incluindo a  integração competitiva das nossas economias na economia global,  incluindo a criação de oportunidades para a nossa juventude”. 

Sobre as parcerias internacionais, o Presidente da República  manifestou o seu apoio à implementação do Acordo de Samoa,  visando maior eficiência institucional. Além disso, reafirmou o apoio de  Moçambique às reformas em curso pela “materialização do Acordo  de Samoa, à luz das prioridades nacionais e regionais e no quadro do  fortalecimento da parceria entre a União Europeia e os países da  Organização de Estados de África, Caraíbas e Pacífico para o  desenvolvimento sustentável”. 

No plano interno, o estadista moçambicano aproveitou a tribuna  internacional para actualizar os parceiros sobre a situação de  segurança e governação. Durante as sessões, foram partilhados  desenvolvimentos com “realce para o Diálogo Nacional Inclusivo em  curso no país, o processo de reformas estruturantes que estamos a  levar a cabo, o combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado  e do conjunto dos esforços do governo rumo ao bem-estar do povo  moçambicano”.

A sustentabilidade financeira da organização também mereceu  atenção especial, com a participação de Moçambique numa mesa  redonda de alto nível. Na ocasião, o Presidente da República lançou  um apelo directo aos pares, defendendo a “urgência da prossecução  de esforços para o financiamento adequado da agenda da  Organização de Estados de África, Caraíbas e Pacífico”, essencial  para que as decisões políticas se traduzam em projetos concretos. 

No âmbito bilateral, o Chefe do Estado manteve um encontro com o  seu homólogo Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. Segundo explicou,  o diálogo permitiu “reforçar os nossos laços de amizade e cooperação  de duas formas: primeiro de forma bilateral, portanto, entre  Moçambique e Guiné Equatorial e também entre os nossos dois  povos”, com foco declarado na expansão da cooperação  económica e comercial. 

Por fim, a vertente económica da visita incluiu reuniões com  investidores de diversos sectores. O Presidente Daniel Chapo revelou  encontros com empresários da Guiné Equatorial e da Itália, nos ramos  da hotelaria, gás e petróleo, que se mostraram disponíveis para  “contribuir para o impulso do turismo em Moçambique”. A jornada  incluiu um encontro com a comunidade moçambicana em Malabo,  reforçando os laços com os compatriotas na diáspora. 

O ministro da Saúde, Ussene Isse, afirmou que o sistema nacional de saúde enfrenta sérios desafios provocados por calamidades naturais e limitações estruturais, mas garantiu que o sector continua a funcionar e a prestar serviços à população.

Falando durante uma intervenção pública, o governante destacou que cheias e ciclones têm causado a destruição de várias infra-estruturas sanitárias, o que dificulta o acesso das comunidades aos serviços de saúde. Segundo explicou, essa realidade levou alguns indicadores do sistema a níveis críticos.

Apesar das dificuldades, o ministro assegurou que o Governo está empenhado em recuperar e fortalecer o sector. De acordo com Ussene Isse, a saúde foi definida como uma das prioridades pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, o que permitiu acelerar processos de aquisição de medicamentos, equipamentos e outros meios essenciais para o funcionamento das unidades sanitárias.

O governante explicou que os processos de aquisição no sector público podem levar entre 12 e 18 meses, mas sublinhou que o Ministério está a trabalhar para responder às necessidades mais urgentes da população.

Durante a sua intervenção, o ministro também reagiu às preocupações levantadas por sectores políticos, incluindo o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), afirmando que o debate é importante, mas apelou à colaboração de todos na busca de soluções para melhorar o sistema de saúde.

Mesmo perante os desafios, Ussene Isse afirmou que os serviços de saúde continuam a registar resultados positivos, com aumento no número de consultas, atendimentos de urgência e cirurgias realizadas nas unidades sanitárias do país. Acrescentou ainda que a taxa de mortalidade hospitalar em Moçambique está abaixo de 5 por cento, dentro dos padrões recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

O ministro destacou igualmente o trabalho dos profissionais de saúde, que, segundo ele, continuam na linha da frente a prestar assistência à população. Em contextos recentes de emergência, mais de 16 mil pessoas foram atendidas, mesmo quando alguns profissionais também enfrentavam perdas pessoais causadas por desastres naturais.

Para reforçar o sistema, o Ministério da Saúde anunciou medidas como a revitalização do plano de manutenção de equipamentos médicos, aquisição de ambulâncias, motorizadas e bicicletas para apoio às equipas no terreno, além de um programa acelerado de formação de recursos humanos.

Ussene Isse afirmou que o sector continuará a apostar na qualidade e humanização dos serviços de saúde, com o objectivo de melhorar o atendimento nas unidades sanitárias e garantir maior acesso aos cuidados médicos para a população moçambicana.

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