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Moçambique avalia abertura de representação diplomática na Guiné Equatorial 

O Presidente da República, Daniel  Chapo, reafirmou, esta sexta-feira, em Malabo (Guiné  Equatorial), o compromisso do seu Governo com a  protecção dos moçambicanos no estrangeiro e a consolidação da  paz e unidade nacional.  Durante um encontro emotivo com a comunidade residente na Guiné  Equatorial, o Chefe do Estado destacou a

O Presidente da República, Daniel  Chapo, encerrou este sábado a sua participação na XI Cimeira da  Organização de Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), em  Malabo, reafirmando o compromisso de Moçambique com as  reformas globais e a segurança interna, ao mesmo tempo que  mobilizou novos investimentos nos setores do gás e turismo. 

O balanço, considerado de “êxito” pelo Chefe do Estado, destaca a  inserção competitiva de Moçambique na economia mundial e a  consolidação de alianças estratégicas para enfrentar desafios como o  terrorismo em Cabo Delgado e a transição energética. 

Durante a conferência de imprensa de balanço da sua participação  na conferência, o Presidente Chapo contextualizou a relevância do evento, subordinado ao tema “Uma OEACP transformada, renovada  num mundo em mudança”. Por conseguinte, sublinhou que a cimeira  serviu como uma crucial plataforma de concertação política, visando  uma organização mais preparada para os desafios contemporâneos  através de reformas profundas. 

No debate geral, o Chefe do Estado apresentou as prioridades  nacionais, reiterando o “firme compromisso político de Moçambique  para a construção de uma Organização de Estados de África,  Caraíbas e Pacífico mais resiliente, sustentável e capaz de responder  com eficácia às exigências dos Estados-membros”. Para o governante,  a eficácia do bloco depende de uma renovação estratégica que  acompanhe a volatilidade do cenário internacional. 

A agenda moçambicana no fórum centrou-se em pilares de  desenvolvimento humano e sustentabilidade. O Chefe do Estado  destacou que o país defendeu “uma acção concertada em torno de  prioridades essenciais, com destaque para a transição energética, a  acção climática e a erradicação da pobreza extrema, incluindo a  integração competitiva das nossas economias na economia global,  incluindo a criação de oportunidades para a nossa juventude”. 

Sobre as parcerias internacionais, o Presidente da República  manifestou o seu apoio à implementação do Acordo de Samoa,  visando maior eficiência institucional. Além disso, reafirmou o apoio de  Moçambique às reformas em curso pela “materialização do Acordo  de Samoa, à luz das prioridades nacionais e regionais e no quadro do  fortalecimento da parceria entre a União Europeia e os países da  Organização de Estados de África, Caraíbas e Pacífico para o  desenvolvimento sustentável”. 

No plano interno, o estadista moçambicano aproveitou a tribuna  internacional para actualizar os parceiros sobre a situação de  segurança e governação. Durante as sessões, foram partilhados  desenvolvimentos com “realce para o Diálogo Nacional Inclusivo em  curso no país, o processo de reformas estruturantes que estamos a  levar a cabo, o combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado  e do conjunto dos esforços do governo rumo ao bem-estar do povo  moçambicano”.

A sustentabilidade financeira da organização também mereceu  atenção especial, com a participação de Moçambique numa mesa  redonda de alto nível. Na ocasião, o Presidente da República lançou  um apelo directo aos pares, defendendo a “urgência da prossecução  de esforços para o financiamento adequado da agenda da  Organização de Estados de África, Caraíbas e Pacífico”, essencial  para que as decisões políticas se traduzam em projetos concretos. 

No âmbito bilateral, o Chefe do Estado manteve um encontro com o  seu homólogo Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. Segundo explicou,  o diálogo permitiu “reforçar os nossos laços de amizade e cooperação  de duas formas: primeiro de forma bilateral, portanto, entre  Moçambique e Guiné Equatorial e também entre os nossos dois  povos”, com foco declarado na expansão da cooperação  económica e comercial. 

Por fim, a vertente económica da visita incluiu reuniões com  investidores de diversos sectores. O Presidente Daniel Chapo revelou  encontros com empresários da Guiné Equatorial e da Itália, nos ramos  da hotelaria, gás e petróleo, que se mostraram disponíveis para  “contribuir para o impulso do turismo em Moçambique”. A jornada  incluiu um encontro com a comunidade moçambicana em Malabo,  reforçando os laços com os compatriotas na diáspora. 

O ministro da Saúde, Ussene Isse, afirmou que o sistema nacional de saúde enfrenta sérios desafios provocados por calamidades naturais e limitações estruturais, mas garantiu que o sector continua a funcionar e a prestar serviços à população.

Falando durante uma intervenção pública, o governante destacou que cheias e ciclones têm causado a destruição de várias infra-estruturas sanitárias, o que dificulta o acesso das comunidades aos serviços de saúde. Segundo explicou, essa realidade levou alguns indicadores do sistema a níveis críticos.

Apesar das dificuldades, o ministro assegurou que o Governo está empenhado em recuperar e fortalecer o sector. De acordo com Ussene Isse, a saúde foi definida como uma das prioridades pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, o que permitiu acelerar processos de aquisição de medicamentos, equipamentos e outros meios essenciais para o funcionamento das unidades sanitárias.

O governante explicou que os processos de aquisição no sector público podem levar entre 12 e 18 meses, mas sublinhou que o Ministério está a trabalhar para responder às necessidades mais urgentes da população.

Durante a sua intervenção, o ministro também reagiu às preocupações levantadas por sectores políticos, incluindo o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), afirmando que o debate é importante, mas apelou à colaboração de todos na busca de soluções para melhorar o sistema de saúde.

Mesmo perante os desafios, Ussene Isse afirmou que os serviços de saúde continuam a registar resultados positivos, com aumento no número de consultas, atendimentos de urgência e cirurgias realizadas nas unidades sanitárias do país. Acrescentou ainda que a taxa de mortalidade hospitalar em Moçambique está abaixo de 5 por cento, dentro dos padrões recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

O ministro destacou igualmente o trabalho dos profissionais de saúde, que, segundo ele, continuam na linha da frente a prestar assistência à população. Em contextos recentes de emergência, mais de 16 mil pessoas foram atendidas, mesmo quando alguns profissionais também enfrentavam perdas pessoais causadas por desastres naturais.

Para reforçar o sistema, o Ministério da Saúde anunciou medidas como a revitalização do plano de manutenção de equipamentos médicos, aquisição de ambulâncias, motorizadas e bicicletas para apoio às equipas no terreno, além de um programa acelerado de formação de recursos humanos.

Ussene Isse afirmou que o sector continuará a apostar na qualidade e humanização dos serviços de saúde, com o objectivo de melhorar o atendimento nas unidades sanitárias e garantir maior acesso aos cuidados médicos para a população moçambicana.

O Governo reafirma o compromisso com a legalidade, a protecção dos direitos humanos e o respeito pelo Estado de Direito Democrático consagrado na Constituição da República, explicando que não tolera condutas que atentem contra a vida, a integridade física, a liberdade e a dignidade dos cidadãos.

A informação foi avançada nesta quarta-feira, na Assembleia da República, pelo ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, durante a Sessão de Informação do Governo.

Saize assegurou que o Executivo moçambicano acompanha com atenção os relatórios e preocupações apresentadas por organizações nacionais e internacionais, incluindo a Human Rights Watch, reiterando que quaisquer alegações de abusos por parte de agentes do Estado são tratadas com a máxima seriedade.

“Não são toleradas condutas que atentem contra a vida, a integridade física, a liberdade e a dignidade dos cidadãos”, sublinhou o ministro, acrescentando que “é neste sentido de responsabilidade e compromisso com o futuro de Moçambique que o Governo tem vindo a definir e implementar um conjunto de acções estratégicas destinadas a reforçar a transparência, a responsabilização institucional e a confiança dos cidadãos nas instituições públicas”.

O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos destacou o reforço dos mecanismos de fiscalização e combate à impunidade, incluindo investigações independentes e imparciais sobre eventuais abusos cometidos pelas Forças de Defesa e Segurança.

O governante referiu-se ao fortalecimento da independência do Ministério Público e dos tribunais, bem como à criação e activação de mecanismos de inquérito transparentes para assegurar que os responsáveis por eventuais violações de direitos humanos sejam devidamente julgados e punidos.

Segundo o ministro, “com estas acções, o Estado pretende garantir que os responsáveis por violações de direitos humanos sejam devidamente julgados e punidos, consolidando-se, assim, uma cultura de responsabilidade e respeito pela lei”.

No plano institucional, Saize destacou a revisão da Lei do Serviço Nacional de Investigação Criminal, através da Lei n.º 5/2025, de 13 de Junho, que reforçou o carácter científico e investigativo da instituição, colocando-a sob tutela do Procurador-Geral da República.

Outro marco mencionado pelo Ministro tem a ver com a assinatura, a 24 de Fevereiro do ano em curso, em Genebra, do acordo para o estabelecimento do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Moçambique, considerado um mecanismo concreto de promoção e protecção dos direitos humanos.

Falando sobre a liberdade de imprensa e o acesso à informação, Saize disse que constituem pilares essenciais da democracia. “O Governo reafirma o seu compromisso na protecção de jornalistas e defensores de direitos humanos contra quaisquer actos de intimidação, com a implementação efectiva das leis de acesso à informação pública e com o respeito pelo direito à manifestação pacífica, nos termos da Constituição e das demais leis”, afirmou.

No domínio político-eleitoral, o governante explicou que prosseguem esforços para melhorar a gestão eleitoral e consolidar a legitimidade democrática, garantindo processos eleitorais transparentes, justos e verificáveis, o reforço da independência das instituições eleitorais e a facilitação da observação eleitoral independente, nacional e internacional, através das reformas legais necessárias.

O ministro garantiu que o Executivo moçambicano permanece aberto à fiscalização parlamentar, ao escrutínio público e à cooperação com todos os actores que contribuam para o reforço das instituições democráticas, a consolidação do Estado de Direito e a salvaguarda efectiva dos direitos fundamentais de todos os moçambicanos.

Moçambique e Quénia assinaram três novos instrumentos jurídicos de cooperação bilateral, com destaque para as áreas da Juventude e Desporto, Serviços Penitenciários e Correccionais, bem como formação diplomática, investigação e reforço de capacidades.

A assinatura ocorreu no âmbito do encontro entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o seu homólogo queniano, William Ruto, reforçando os laços históricos entre os dois países.

Estes instrumentos, segundo o Presidente da República, Daniel Chapo, vão imprimir maior dinâmica nos sectores respectivos, capitalizando a experiência acumulada nos dois países.

Segundo Daniel Chapo, os instrumentos agora firmados deverão imprimir uma nova dinâmica nos sectores abrangidos, tirando partido da experiência acumulada por ambas as Nações. “Ficou claro que as áreas nas quais nós precisamos de cooperar são as áreas que a Sua Excelência fez muito bem referência. Precisamos de cooperar na área da agricultura, no transporte, na logística, no turismo e na transformação digital”, afirmou.

No domínio da segurança, os dois países acordaram intensificar a cooperação no combate ao terrorismo, com partilha de experiências e definição conjunta de mecanismos para a operacionalização das estratégias, sendo que as respectivas áreas vão estabelecer as melhores formas para essa operacionalização.

No sector da Juventude e Desporto, o chefe de Estado moçambicano destacou o potencial de aprendizagem com o Quénia, reconhecido pelo seu desempenho desportivo internacional. A expectativa, segundo afirmou, é que essa cooperação contribua para elevar o nível dos atletas moçambicanos em competições globais.

Outro ponto considerado estratégico é o reforço da conectividade aérea. Chapo defendeu a retoma dos voos directos entre Nairobi e Maputo, sublinhando que “a conectividade entre as duas capitais é importante para o desenvolvimento de negócios”, além de fortalecer as relações bilaterais.

“No domínio de transporte para lenda a conectividade aérea existente entre os dois países, onde temos cinco voos semanais de Nairobi para Nampula, as cartas de condução são válidas mutuamente, portanto, um queniano pode estar em Moçambique a conduzir à vontade e um moçambicano pode estar no Quénia a conduzir à vontade”, disse Chapo.

Durante a visita, o estadista moçambicano destacou ainda a experiência queniana em políticas macroeconómicas e desenvolvimento urbano, após uma visita a um projecto de cidade inteligente naquele país.

“Foi bom termos visitado o Smart City, a cidade inteligente, e uma grande aposta do Quénia para o futuro, não só do Quénia, mas do continente africano. Foi uma grande aprendizagem que pode ser replicada à luz das especificidades de cada país”, disse.

A cooperação entre Moçambique e Quénia já resultou na assinatura de cerca de 20 instrumentos jurídicos ao longo dos anos, abrangendo áreas como diplomacia, defesa, segurança, migração e transporte. Segundo Chapo, muitos desses acordos já estão em implementação, com “resultados tangíveis”.

No domínio da formação, o Presidente revelou que cerca de 65 estudantes moçambicanos frequentam actualmente universidades quenianas, incluindo cinco cadetes na academia militar daquele país. Em contrapartida, seis estudantes quenianos encontram-se em Moçambique, sobretudo em cursos de pós-graduação na área agrária.

“Por isso, excelência, nos congratulamos pelos programas de troca de estudantes em curso, revestindo-se de capital importância para o desenvolvimento do capital humano”, disse, ressaltando ainda que “para nós, esta troca de estudantes é, sem margem de dúvidas, desenharmos o futuro dos nossos países e o futuro dos nossos povos”.

A cooperação estende-se também ao sector dos transportes, onde já existem facilidades como o reconhecimento mútuo de cartas de condução, permitindo que cidadãos de ambos os países conduzam livremente nos respectivos territórios — um sinal, segundo Chapo, da “irmandade, amizade e excelente cooperação” existente.

“Portanto, a polícia moçambicana não tem razões para não deixar o queniano conduzir a Moçambique e a polícia queniana não tem razões para deixar um moçambicano conduzir no Quénia”, frisou, destacando que esta cooperação “constitui um ganho e facilita a vida dos nossos cidadãos”.

O chefe de Estado destacou ainda o sentimento de integração das comunidades nos dois países, referindo que moçambicanos residentes no Quénia afirmam sentir-se “como se estivessem em casa”, realidade que, segundo disse, também se verifica com cidadãos quenianos em Moçambique.

Agostinho Zacarias, antigo reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais, critica a falta de posicionamento de Moçambique e do continente africano nos conflitos mundiais movidos pelas grandes potências do sistema das Nações Unidas. Por sua vez, o filósofo Severino Ngoenha adverte o País para não se tornar o próximo campo de batalhas das potências.

Agostinho Zacarias falou em Maputo, no primeiro evento promovido pelo recém-criado centro de diálogo Ndzualo. Zacarias, antigo reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais, questiona a posição de Moçambique no contexto político global.

“Há uma transformação da Ordem Global, e nós precisamos de saber como nos situar e responder a essas transformações”, apelou Agostinho Zacarias, recorrendo ao adágio do primeiro-ministro canadiano que disse “se você não faz parte da mesa, faz parte do menu”. Então, prosseguiu Zacarias, “o que é que nós faremos se amanhã recebemos ameaças iguais às de Cuba? Estamos numa era em que é fácil raptar um chefe de Estado quando não é agradável e não segue o que lhe é dito. Estamos numa era em que as regras mudam constantemente e que precisam de respostas adequadas a estas situações todas”, apelou.

Severino Ngoenha foi um dos convidados para falar da paz em Moçambique. Criticou influências externas nos esforços de paz em África e advertiu o País para não se tornar o próximo campo de batalhas das potências.

“Este é o mundo em que nós estamos, de relações de forças em que uns querem ser mais fortes do que os outros, vão ditar as próprias leis e com todos os meios que são necessários. A chefe de negócios americanos em Moçambique diz em voz alta para quem quer ouvir, que é preciso proteger os interesses americanos. Diz que Nacala é um ponto estratégico. Ela pede a Moçambique para não dar prioridade nos melhores aos chineses, mas abrir para os americanos. Se os chineses e americanos puserem-se a lutar, se os europeus e americanos lutarem, o que é que nós temos de fazer para que nós não sejamos de novo terreno de batalha e de conflito? O que é que temos de fazer para priorizar os nossos interesses?” questionou.

Ibrahim Gambri, subsecretário-geral da ONU para assuntos políticos entre 2005-2007, criticou o facto de esforços de paz em vários palcos de guerra no continente africano serem financiados externamente.

“Temos de encontrar uma nova maneira de financiar nossas operações de paz. Porque, infelizmente, dois terços de financiamento de todas as operações de paz em curso no nosso continente vêm da União Europeia. Eu não estou orgulhoso disso. Nós temos recursos suficientes neste continente para financiar nossas operações de paz. Temos de encontrar novas maneiras de fazer isso, taxar produtos de luxúria no comércio intra-africano.”

Participaram no evento membros da sociedade civil, pesquisadores moçambicanos, de Zimbabwe, África do Sul e Nigéria.

Moçambique participa da 14.ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio  (OMC), de 26 a 29 de Março, na cidade de Yaoundé, República dos Camarões. A  conferência reúne os ministros do sector do comércio e outras entidades relevantes do sistema  multilateral mundial.  

A Conferência decorre num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, incertezas  económicas, rápidas transformações tecnológicas e desafios crescentes ao Sistema Comercial  Multilateral. Sendo parte desta organização, Moçambique participa da Conferência com uma delegação  multissectorial chefiada por Basílio Muhate, Ministro da Economia.

 A MC14 assume particular relevância, num contexto em que Moçambique, na qualidade de  Coordenador do Grupo Africano na Organização Mundial do Comércio (OMC), teve a  responsabilidade de liderar o processo de concertação africana, em preparação à 14ª Conferência  Ministerial da OMC. 

A Reunião dos Ministros Africanos do Comércio, realizada a 26 de Fevereiro de 2026, em  Moçambique, produziu a Declaração Ministerial de Maputo, um instrumento adoptado, que  reflecte a posição Africana a ser apresentada na 14ª Conferência Ministerial da OMC.  

A agenda da MC14, prevê que sejam debatidas e decididas matérias estruturantes para o futuro  da OMC, com destaque para a reforma institucional da Organização, a agricultura, as subvenções  à pesca, a moratória sobre o comércio eletrónico, bem como questões específicas de interesse  para os Países Menos Avançado (PMA), categoria na qual Moçambique se insere. 

A participação de Moçambique ao mais alto nível político permitirá: Reafirmar o compromisso do País com o sistema multilateral de comércio, baseado em  regras; Defender de forma eficaz, os interesses nacionais e dos PMA, nas negociações  multilaterais; Influenciar as discussões sobre a reforma da OMC, de modo a torná-la mais inclusiva,  responsiva e alinhada com as realidades dos países em desenvolvimento; Acompanhar e intervir nas negociações sobre temas sensíveis para a economia nacional,  como agricultura, segurança alimentar, subsídios à pesca e comércio digital; Reforçar a visibilidade e o posicionamento de Moçambique no seio da OMC e junto  dos seus parceiros de desenvolvimento. 

O político António Muchanga manifestou-se satisfeito com a decisão do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo que ordena a suspensão do seu afastamento da Renamo, considerando que a medida repõe a legalidade no seio do partido.

Em declarações à imprensa, Muchanga afirmou sentir-se “justiçado” pela decisão judicial, avançando que pretende, agora, processar o presidente da Renamo, Ossufo Momade, pelos alegados danos causados pelas sanções que considera ilegais.

O político não poupou críticas à direcção do partido, em particular aos juristas envolvidos no processo disciplinar que resultou na sua suspensão, classificando-os de incompetentes. Segundo disse, os responsáveis tomaram decisões sem respaldo nos estatutos da formação política.

“Sabiam perfeitamente que não têm competência para o acto que praticaram, mas, mesmo assim, avançaram. Violaram os meus direitos constitucionais, como o direito de associação, participação e reunião”, declarou.

Muchanga sustenta que nunca foi formalmente notificado nem ouvido no âmbito de qualquer processo disciplinar, alegando inexistência de documentos que comprovem os procedimentos internos exigidos.

“Eu nunca fui chamado a nenhum sítio. Onde estão as actas? Onde está o processo? Isso não existe. Estão a inventar documentos”, afirmou.

O político lamentou ainda não ter podido participar num encontro recente entre a liderança da Renamo e antigos guerrilheiros, que decorre na cidade de Chimoio, devido à suspensão que lhe havia sido aplicada.

“Eu deveria estar presente. Fui convidado, mas não estou por causa desta situação criada. Os guerrilheiros precisam de mim e não se esqueceram do meu contributo”, disse.

Por outro lado, Muchanga acusou directamente Ossufo Momade de má gestão e defendeu que o próprio líder do partido deveria ser alvo de sanções.

Em reacção, a Renamo, contactada através do seu Conselho Jurisdicional, optou por não prestar declarações públicas neste momento. No entanto, o partido disponibilizou documentos que, segundo indica, contrariam algumas das alegações feitas por Muchanga.

Sobre esses documentos, o político reiterou que desconhece a sua existência e reforçou a acusação de irregularidades no processo.

O caso deverá conhecer novos desenvolvimentos no próximo dia 3 de Abril, quando o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo ouvirá a Renamo no âmbito da sessão de contraditório diferido.

O Presidente da República, Daniel Chapo, assumiu, em Nairobi, o compromisso de  regularizar a situação civil da diáspora moçambicana no Quénia  através do envio de brigadas móveis para a emissão de Bilhetes de  Identidade e passaportes. 

Durante um encontro com representantes da comunidade  moçambicana residente no Quénia, o Chefe do Estado respondeu às  preocupações sobre o risco de apatridia e dificuldades de acesso à  educação, reafirmando que a independência económica de  Moçambique exige a inclusão activa dos cidadãos no exterior, aos  quais classificou como “embaixadores incontornáveis” da identidade  nacional e peças-chave na nova estratégia de governação e  diplomacia económica do país.

O Presidente moçambicano iniciou a sua intervenção enaltecendo a  preservação da identidade cultural, visível nas manifestações artísticas  que marcaram a recepção. “Expressamos nosso profundo  reconhecimento pelo vosso papel incontornável como verdadeiros  embaixadores de Moçambique aqui no Quénia, na promoção dos  nossos valores, da nossa cultura e da nossa identidade nacional no  exterior. Como vimos aqui na dança Mapiko, todos nós nos sentimos  em casa”, afirmou, sublinhando que a criação de uma Secretaria de  Estado dedicada às comunidades reflecte a prioridade da diáspora  na governação. 

A visita de trabalho surge como resposta ao convite do homólogo  queniano, William Ruto, focando-se na revitalização de laços históricos  e na exploração de novas fronteiras económicas. 

Durante o encontro, o estadista destacou a sua participação na  Conferência Internacional de Investimento no Quénia, como  convidado de honra, frisando que o evento é crucial para a  “mobilização de investimentos não só para o Quénia, mas também  para Moçambique”. Informou que instou o empresariado nacional a  explorar o mercado queniano, num esforço conjunto para a  edificação do bem-estar social através da cooperação bilateral. 

No plano interno, Chapo apresentou um quadro de  estabilidade macroeconómica e política, assegurando que as  instituições funcionam com normalidade no novo ciclo de  governação focado na boa governação e no Estado de Direito. 

“Estamos neste momento a levar a cabo o Diálogo Nacional Inclusivo,  que visa reforçar a paz e a reconciliação nacional, a unidade  nacional e a estabilidade contando com a participação activa de  todos os segmentos da sociedade”, explicou, mencionando ainda as  reformas estruturantes para melhorar o ambiente de negócios. 

A agenda económica de Moçambique, centrada nos projectos de  gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma e no desenvolvimento  sustentável, foi detalhada como pilar para a redução da pobreza.  Contudo, o Chefe do Estado abordou os temas sensíveis,  reconhecendo os desafios impostos pelo terrorismo em Cabo Delgado, onde se registam “avanços significativos com o apoio de  países amigos”, e o impacto devastador dos eventos climáticos que,  desde Outubro, vitimaram mais de 200 cidadãos e afectaram cerca  de oito mil pessoas. 

A mensagem central da comunidade residente no Quénia, marcada  por décadas de acolhimento mas também por sérias dificuldades de  integração legal, recebeu resposta imediata. Os representantes  expuseram a vulnerabilidade de muitos moçambicanos que, sem  documentação, enfrentam barreiras no acesso à educação, bolsas  de estudo e propriedade de terra. 

Em resposta, o Presidente da República garantiu: “Vamos nos organizar  e mandar brigadas de registo civil para fazer BI e também para  emitir passaporte em Mombaça, vamos trabalhar aqui em Nairobi  e vamos trabalhar nos outros locais para tratar de documentos dos  nossos irmãos”. 

O Estadista moçambicano partilhou ainda o feedback positivo  recebido do homólogo, William Ruto, sobre a conduta da  comunidade: “Os moçambicanos que vivem no Quénia são pacíficos,  ordeiros, respeitam a lei. São pessoas que merecem que tenhamos  orgulho nelas”. Este clima de reciprocidade é espelhado na província  de Nampula, onde mais de dois mil quenianos residem e investem  pacificamente, beneficiando-se da ligação aérea directa entre  Nairobi e o norte de Moçambique operada pela Kenya Airways. 

Reforçando o apelo à organização em associações, o Chefe do  Estado incentivou a diáspora a actuar na diplomacia económica e  cultural, servindo de ponte para atrair turismo e negócios. “O nosso  país precisa do contributo de todos os seus filhos, incluindo os que se  encontram na diáspora, para acelerar o crescimento, gerar emprego  — especialmente para a juventude — e combater a pobreza de  forma sustentável”, exortou, apelando ao respeito escrupuloso pelas  leis do país de acolhimento. 

No fim da sua intervenção, o Presidente da República reafirmou a  disponibilidade do seu Executivo em facilitar a participação activa de  todos os moçambicanos no desenvolvimento do país, independentemente da sua localização geográfica.

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu hoje, em Nairobi, a necessidade de África  passar da identificação de oportunidades para o seu desbloqueio  efectivo, sublinhando que o continente deve afirmar-se como motor  da economia global, durante a abertura da IV Conferência  Internacional de Investimento do Quénia, onde participou como  convidado de honra do homólogo queniano, William Ruto. 

Na ocasião, o Chefe do Estado destacou que o fórum constitui uma  oportunidade estratégica para reforçar a cooperação económica  entre países africanos e parceiros internacionais, bem como para  promover investimentos estruturantes capazes de impulsionar a  transformação económica do continente.

O Presidente moçambicano considerou igualmente a organização do  evento como uma plataforma relevante para mobilização de  investimentos no continente. “Felicitamos o Governo do Quénia pela  organização deste importante fórum, que se afirma, de forma  crescente, como uma das mais relevantes plataformas de mobilização  de investimento no nosso continente”, afirmou. 

Ao abordar o lema da conferência, centrado no desbloqueio de  oportunidades, o estadista moçambicano sublinhou que África vive  um momento decisivo da sua história, reiterando o potencial  estratégico do continente. “Eu tenho dito que África é o continente do  futuro; é o continente dos recursos minerais; potencialidades agrícolas;  da juventude, que é o capital humano. É, sem margem de dúvidas, o  continente do futuro”, declarou. 

Segundo o estadista, o principal desafio actual consiste em  transformar esse potencial em resultados concretos, com base em  decisões políticas firmes, capital paciente e parcerias estratégicas.  Nesse contexto, explicou que desbloquear oportunidades implica criar  confiança entre os sectores público e privado, estruturar projectos  viáveis e promover parcerias que combinem capital, tecnologia e  conhecimento local. 

Chapo destacou o papel do Quénia como um dos  motores de inovação económica em África, elogiando o  desempenho do país em áreas como tecnologias de informação,  agricultura e energias renováveis. “Ao assumir esta agenda, o Quénia  posiciona-se, com legitimidade, como um dos principais motores de  inovação económica em África”, afirmou. 

Outrossim, sublinhou que África dispõe de um mercado em expansão,  impulsionado pela juventude e pela implementação da Área de Livre  Comércio Continental Africana, defendendo uma mudança de  paradigma rumo à industrialização e criação de valor acrescentado.  “Este é o momento de romper definitivamente com o padrão de  exportação de matérias-primas e afirmar a África como um continente  de industrialização, inovação e de criação de valor acrescentado,  sobretudo o emprego para a nossa juventude”, disse.

No seu discurso, apresentou Moçambique como parceiro estratégico  para essa transformação, destacando sectores prioritários como  agricultura, tecnologias de informação, energias renováveis, indústria  transformadora, turismo e economia azul. O Chefe do Estado enfatizou  o potencial agrícola do país, a aposta na transformação digital e os  vastos recursos energéticos, incluindo hidroelectricidade, gás natural e  energias renováveis. 

O governante destacou ainda a posição geoestratégica de  Moçambique, com corredores logísticos que ligam o interior africano  ao Oceano Índico, bem como as oportunidades de cooperação com  o Quénia em cadeias de valor regionais, inovação digital e  mobilidade sustentável. Defendeu também a criação de zonas  económicas especiais e o fortalecimento de parcerias público privadas como pilares para atrair investimento. 

Na reta final, o Presidente Daniel Chapo apelou ao reforço da  cooperação bilateral entre Moçambique e o Quénia, propondo eixos  concretos como a integração logística entre África Oriental e Austral,  o desenvolvimento de cadeias agro-industriais e parcerias em energias  renováveis. “O futuro económico do mundo está em África, e não será  determinado apenas pelos seus recursos, mas pela sua capacidade  de transformar esses recursos em valor. O tempo de África é agora”,  concluiu.

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